18.1

12/04

É uma vez uma casa que abriga umas almas. Um vivo, ao entrar, pode ouvir um choro, uma música. Um vivo, se tiver coragem de continuar lá, pode ver uma senhora, uma jovem. Se for sensível, pode se conectar, fazer parte da casa, sentir o que ela sente, chorar o que ela chora, dançar o que ela dança.

Era uma vez uma casa que abrigou uma alma. Um vivo, ainda, para quem não lhe importava o choro, a música. Um vivo ao lado de quem ninguém queria continuar por perto, nem uma senhora, nem uma jovem. Sensíveis, elas se conectavam, faziam parte da casa, sentiam o que ela sentia, choravam o que ela chorava, dançavam o que ela dançava. Ele não.

Ele jamais.

E por isso elas não podiam também.

Então foi uma vez uma casa que foi impedida de ser o que era. Teve que abrigar almas que não podiam chorar, não tinha mais música. Vivos não podiam e não queriam entrar ali. Se entrassem, não se conectavam, só sentiam coisas ruins. Se isso também era parte da casa e eles ainda sentiam o que ela sentia? Talvez seja essa a resposta. Eles ainda sentiam o choro preso, a dança proibida.

Fala-se de uma vez que alguém se atreveu a libertar a casa. Ela pôde abrigar almas afins, que choravam, que cantavam, que dançavam. Um vivo se sentia bem ao estar ali. Se conectava com a casa, sentia o que ela sentia, chorava o que ela chorava, mas também dançava o que ela dançava e amava o que ela amava.

Assim, ele viu que a casa era mais forte que ele, porque as almas que abrigava eram fortes, com seu choro, com sua dança, e os vivos que se conectavam eram fortes, com seu choro, com sua dança. Todos eram mais fortes que ele, porque ele só tinha ódio, e o ódio é pequeno. O resto é grande. A casa é grande.

Luiza 

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