CAPÍTULO 04
Perséfone Angelle
Rose soltou um gritinho de dor ao ser jogada no chão em um golpe doloroso vindo de Priscilla Yang. Ela tossiu, cuspindo o sangue que vazava pelo corte em sua boca causado pelo impacto que seu rosto teve contra o chão, sua cabeça doía e seus ouvidos zumbiam dolorosamente, seus olhos estavam turvos e seu corpo completamente incapacitado de ter se mexer devido ao choque.
— Priscilla! — Jaz a repreendeu — Puta merda, ela está sangrando!
— Relaxa — a morena sorriu — Ela está bem. Não é princesa?
O silêncio não foi uma resposta agradável naquele momento. Priscila rapidamente se ajoelhou ao lado da garota e a virou de barriga para cima.
— Princesa? — chamou, estapeando seu rosto— Ei, princesinha! — gritou — Acorda, fale comigo ou eu vou morrer!
— Puta que pariu! — Jaz berrou com as mãos na cabeça — DAWSON, DAWSON! — o loiro berrou abrindo as portas do salão — A PRISCILLA MATOU A ROSE!
— NÃO, EU NÃO MATEI! — Priscilla berrou com lágrimas nos olhos — Ela só desmaiou, só isso!
— QUE MERDA VOCÊ TEM NA CABEÇA PRA DAR UM GOLPE DAQUELE NELA?! — Jaz novamente gritou — DAWSON, PELO AMOR DE DEUS, LIGA PRA AMBULÂNCIA.
— Ai meu Deus — Priscilla chorou puxando os próprios cabelos — Rose, por favor… — ela se levantou — Chama o Gus! — ela pediu — Jaz, chama o Gus!
O loiro estava andando de um lado para o outro com o telefone no ouvido.
— Eu estou tentando porra!
Priscilla virou-se de costas e cobriu o rosto com as próprias mãos temendo o que aconteceria com a garota e com ela caso Hades soubesse que sua esposa havia sido apagada em um treino.
“Eu vou morrer” — Priscilla pensou.
A garota soltou um grito agudo quando com um único golpe em suas pernas foi jogada no chão e antes que pudesse se levantar, seus braços foram imobilizados e seu cabelo puxado, uma faca foi deixada em sua garganta quase cortando a pele.
— Nunca vire as costas — Rose sussurrou baixinho contra o ouvido dela — Não é essa a regra número 1?
Jaz se deixou cair no chão aliviado e soltou o celular.
— Ei, o que aconteceu? — Dawson perguntou ao surgir ao lado de Nick — Que gritaria foi aquela?
— Cara… — Jaz o olhou irritado — Se alguém estivesse morrendo de verdade e precisasse da sua ajuda, estaria fodido!
— Ah, olha o tamanho dessa casa!
Priscilla soltou uma risada alta e nervosa, fazendo Perséfone soltou a faca e se levantou, estendendo a mão para a mais velha, ajudando-a se levantar.
— Você me assustou, garota! — Priscilla riu — Por um momento eu pensei que tinha te matado, ainda bem que você só estava fingindo um desmaio.
— Hm… — ela inclinou a cabeça e quase gemeu de dor — Mas eu desmaiei de verdade.
— Ah.
Dawson esfregou a própria testa e respirou fundo. Ele estendeu a mão para Perséfone e esperou que ela a segurasse.
— Vamos, você precisa ir para um hospital.
— Por quê?
— Porque você bateu a cabeça!
— Ah não…
— Não reclame — Nick ordenou — Você precisa fazer os exames.
Ela resmungou baixinho, deixando ser guiada por eles até o carro do lado de fora e ignorando fortemente as dores em sua cabeça.
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— Está tudo bem com ela — Gus afirmou novamente — Mas é melhor deixá-la sendo monitorada por enquanto, então ela irá dormir aqui.
— Eu vou morrer, meu Deus! — Priscilla choramingou — Ele vai me matar.
— Mas eu estou bem — Rose tentando se levantar na cama, mas sendo impedida por Nick — Não tem motivo para tudo isso!
— Fica quietinha, fica — Dawson pediu.
Como criança, ela bufou e cruzou os braços fazendo todos suspirarem pesadamente. De supetão, a porta foi aberta e a figura de Will Moore surgiu na porta com um buquê de flores em mãos. Ele sorriu brevemente e deu um passo à frente com as flores, Perséfone pode analisar seus olhos vermelhos e identificar o porquê do rapaz estar tão lento.
— Eu passei na cadei… Enfim, — ele tossiu e estendeu o buquê — Seu marido te mandou.
A garota franziu a testa e segurou o buquê de flores em seu colo.
— Mas não é dia 25 ainda…
— Tem um cartão aí — Will respondeu e se apoiou no irmão gêmeo, fechando os olhos com preguiça — Que eu me lembre, tem um.
Todos analisaram ela lendo o cartão e suavizando a expressão rígida de antes.
— Ele só mandou porque eu estou internada, relaxem.
— Como diabos ele ficou sabendo que você está internada? — Priscilla pulou da cadeia e olhou para Dawson — Foi você, não foi sua Barbie bombada!?
— Eu não! — O loiro se defendeu.
— Fui eu — Jaz respondeu — Eu avisei ele.
Priscilla grunhiu e correu até o loiro enfiando as mãos na garganta dele, causando um tumulto entre eles que estavam tentando separar os dois.
— SEU FOFOQUEIRO LINGUARUDO! — ela berrou — POR QUE VOCÊ TINHA QUE CONTAR PARA ELE?!
— PORQUE EU NÃO QUERIA MORRER!
— Chega. Vocês dois podem parar com essa palhaçada agora mesmo. — Nick ordenou fazendo ambos ficarem em silêncio e os dois se separarem — Podem ir para casa, eu cuido da garota.
— Eu venho amanhã — Dawson boceja — Vamos, vamos!
— Tchau, princesinha! — Priscilla acenou — E me desculpe, de novo.
— Tudo bem, Priscilla — Rose sorriu, acenando para a garota — Até amanhã, pessoal!
— Até!
Gus fechou a porta do quarto e cantarolou do lado de fora, levando o irmão para repousar em seu escritório. Nick sentou-se em uma poltrona com um tablet em mãos, parecendo ler alguma coisa e Rose se manteve em silêncio, apenas observando as flores em seu colo com fascínio.
— Porque não gosta do seu nome? — Nick perguntou — Perséfone não é tão ruim assim.
— Hm… — Ela grunhiu — Foi o meu pai que escolheu esse nome. Eu particularmente odeio ele, não vejo sentindo em colocar um nome tão complicado em uma pessoa e… eu não sei… não me sinto confortável com ele.
— Sabe que quando se tornar uma Armand, deverá adotar esse nome. Certo?
— O quê?
— Por enquanto, você ainda é Rose Angelle, a filha mais velha de um milionário francês e de uma mulher extremamente bonita que se tornou uma socialite. Você ainda é uma menina fraca que nem sabe como fritar um ovo — falou — Mas daqui dois anos, você será Perséfone Armand, a esposa de Hades Armand e a nova líder da família Armand, você será a mulher mais poderosa desse país. E estamos colocando todos nossos esforços em você, em cuidar e treinar você. Então, não nos decepcione, por favor.
Ela refletiu.
— É, você está certo — ela suspirou — Não irei decepcioná-los — disse — Eu serei a Perséfone Armand perfeita.
Nick assentiu e voltou a sua leitura.
— Isso é bom.
O silêncio novamente tomou o consultório. A garota apenas observava as flores e o cartão em sua mão com fixação, lendo as palavras várias e várias vezes, apreciando a letra forte e incrivelmente delicada no papel.
— Por que você é tão obediente? — Nick perguntou — É um pouco estranho, sabia? Você está decidida a ser uma Armand e desde que decidiu isso, faz tudo que é possível para se tornar perfeita. Por que faz isso? Por que essa necessidade de ser perfeita?
Ela pensou.
— Minha mãe me odeia — contou — Eu fui sua primeira filha e eu não era muito querida, meu pai era negligente e tentava suprir sua ausência com presentes os quais minha mãe roubava para ela. Conforme eu crescia, a necessidade de me provar para ela se tornou grande. Quando uma criança é odiada sem motivos e nada do que faz se torna bom perante ao olhar daqueles que a colocaram no mundo, ela tem essa necessidade de se tornar melhor. — explicou — Eu reconheço isso, tenho consciência de que isso não é o correto, que eu não preciso me provar para ninguém. Mas essa é quem eu sou, Nick. Quando eu estou decidida a me tornar algo, eu me torno perfeita. Eu preciso ser melhor. Sempre.
O homem a analisou com atenção, ele escutou suas palavras e absorveu cada uma delas em seu cérebro. Por fim, ele apenas balançou a cabeça e fechou seus olhos, encostando-se na poltrona.
— Você e ele são realmente um ótimo casal.
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Dawson não olhou o conteúdo do envelope, apenas o enfiou em sua pasta e bocejou com cansaço. Ele olhou para Rose com muita atenção, vendo a garota sobre a escrivaninha de trabalho do seu melhor amigo com uma pilha de livros e cadernos, vestindo um pijama vermelho, com um prato de sanduíche ao seu lado e um copo com suco. Segundo Nick, ela não comia nada desde que começou a estudar para uma prova, mesmo que Jaz tivesse entregado o sanduíche e o suco, ela ainda não tinha comido. E desde que Dawson havia pisado no quarto, ela apenas deixou a carta em sua mão e voltou a estudar.
— Aí… — Dawson esfregou a testa — Vocês são tão parecidos que chega me dar dor de cabeça.
Ela não respondeu, era como se ele não estivesse ali.
— Realmente — bufou — São perfeitos um para o outro!
Dawson passou pela porta e quando ameaçou bater-la, escutou a voz de Perséfone soando alta e firme:
— Se você ousar bater essa porta, eu vou bater meu carro contra a sua cabeça.
— Que horror, vocês são realmente um casal perfeito! — reclamou, fechando a porta do quarto silenciosamente.
Nick soltou uma risadinha baixo e se levantou, ele segurou a mão de Perséfone a impedindo de continuar a escrever, mesmo sob o olhar irritado da garota, ele colocou o sanduíche na frente dela e cruzou os braços, esperando que ela comesse.
— Você precisa se manter viva.
Os olhos dela se reviraram enquanto tomava um gole de suco.
— Como se eu fosse fazer falta para alguém.
— Seu marido irá sentir sua falta — respondeu — Pare com seu drama de princesinha e coma tudo.
— Você é muito direto, sabia disso?
— Sim.
Ela se encostou no banco e ergueu o olhar para analisá-lo.
— Deve ser por isso que eu gosto tanto de você — ela comentou — Gosto que você não me trate como uma boneca de porcelana. Todos aqui agem como se eu fosse desmoronar se apenas espetasse meu dedo em uma agulha, mas você não, você apenas me trata como uma pessoa normal. — ela desabafou, os ombros caídos e uma expressão tediosa no rosto. — Obrigada, Nick.
Ele assentiu, erguendo o punho para ela e a vendo rir enquanto chocava o punho minúsculo contra o dele.
— Agora coma, Rose.
Novamente aqueles olhos azuis se reviraram.
— Está bem, está bem! — exclamou — Mandão.
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