Capítulo 1 - Pacta sunt servanda
Capítulo 1 – Pacta sunt servanda (1)
No centro de São Paulo, a dois quarteirões da Praça da Sé onde durante o dia o movimento de marreteiros, advogados indo no Fórum Central João Mendes, estudantes apressados davam uma atmosfera caótica, ali só um pouco afastado, havia um prédio de tijolos vermelhos sobre apartamentos na sua maioria convertidos em salas comerciais, com seus elevadores de manivela e ascensorista.
Ele abrigava uma barbearia, um sebo de livros jurídicos, um escritório de advocacia e um pequeno restaurante familiar aberto para o café da manhã e o almoço. Tudo encerrado às 18h.
Atrás do prédio, lixeiras alinhavam-se no beco, uma barreira entre o estacionamento privado e a via pública. Contra o edifício, uma estrutura moderna, mas não incongruente - uma escada de madeira para uma varanda no segundo andar.
Simbólica, em vez de obstrutiva, uma corrente enferrujada estava pendurada entre os corrimãos no último degrau. É destravada facilmente com uma mão. Não havia um porteiro ou segurança na frente da porta simples no topo da escada. Ou em qualquer uma das três outras portas espaçadas ao longo da varanda que se estendia pelo comprimento do edifício.
À noite, a luz brilhava de uma ou outra das janelas superiores, atrás de persianas tortas, cortinas fechadas ou uma sombra errante.
Mas aquelas janelas eram apoiadas por uma caixa rasa construída para esconder o interior, as luzes montadas no interior controladas por um temporizador. E as pessoas sentadas nas mesas e cadeiras espalhadas pela sacada, fumando e conversando, não eram moradores. Eles eram membros do TABU FETICHE CLUB, o mais discreto clube de BDSM da capital paulista.
Trajes não eram encorajados, mas não proibidos, embora alguns fossem proibidos na sacada. As mensalidades não eram exorbitantes, mas desencorajavam os não-praticantes ou aqueles que não precisavam dos mais altos graus de discrição.
Policiais jogaram de graça no Tabu. Assim como socorrista e bombeiros. Quando uma emergência ocasional surgia eles silenciosamente cuidavam de tudo sem vazamentos na mídia, o serviço discreto desses membros mais do que pagava suas dívidas.
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(Rurik Jakov)
Eu parei alguns metros dentro da entrada do clube para deixar meus olhos se ajustarem à luz fraca. A música acalmou e impulsionou ... a seleção era bem variada, desde metal até música alternativa ou experimental. Às vezes, o proprietário acrescentava música clássica como tempero. Léo, o proprietário / gerente, era um cara discreto, com um alguns traços leves de TOC.
A doce música e a reconfortante familiaridade de gemidos e risadas, gritos e apelos pairavam sobre mim. Eu estava ciente dos olhos que me fixavam nas mesas próximas. Isso também era familiar. Eu fui modelo fotográfico desde os dezoito anos. Cabelos castanhos e grossos contrastavam com olhos cinzentos pálidos, traços fortes e regulares, um corpo esguio e bem musculoso. Embora meu rosto fosse muitas vezes obscurecido dependendo do meu estado de nudez.
Como filho de um advogado de políticos influentes eu vivia cercado de guarda-costas e seguranças. E claro, como um bom adolescente rebelde corri na primeira oportunidade e claro... me ferrei. Levei um tiro em uma tentativa de sequestro. O projétil perfurou meu ombro abrindo nas costas.
As cicatrizes não eram fotogênicas. Meu fotógrafo, conhecia um cara que conhecia um tatuador. Um motociclista. Ele era um verdadeiro artista. Dragão da proteção, foi como ele chamou a tatuagem que projetou pra mim, cobriu todas as minhas cicatrizes. E foi uma saída fotogênica. Imagem é tudo.
Hoje à noite, eu me vestira com o cuidado inconsciente pelo que não admitiria para mim mesmo que estava prestes a fazer. A calça cargo preta bem gastas que se agarrava à minha bunda estava solta na virilha, nem restritivas nem protetoras. Uma camiseta cinza-amarelada com decote em V quase cobria a cauda preta sinuosa do meu bíceps esquerdo e a pata arranhando a o direito. Um cinto largo de couro adornado com uma fivela de prata com sete anéis - status da noite.
Eu não fiquei surpreso quando um corpo apertado em babados cor-de-rosa sob uma longa mecha de cabelo castanho brilhante se levantou de uma cabine, olhando para mim. Intenção também. Sua amiga estendeu a mão, puxou-a para baixo, sussurrou alguma coisa. Rosa baixou o olhar para o meu cinto e retomou seu assento, desapontada.
Ela era nova. Outra noite e eu poderia ter deixado ela deslizar pelo meu corpo bem na entrada. A fazer gozar em sua primeira vez em cena. Ou impedir seu orgasmo até que ela tenha provado o quanto ela queria me agradar e fazer tudo que eu mandasse. Alguma outra noite.
Naquela noite, eu não estava procurando por um bottom rosa com babados. Uma vez lá dentro, eu sabia o que estava procurando. A percepção submergiu minha respiração.
Eu estava procurando por Takumi. Takumi Ito. Evidente membro da Yakuza pelos tipos de tatuagens que se insinuavam aqui e ali onde sua camisa deixava aberturas, sua clássica beleza oriental chamava atenção, principalmente seus longos cabelos lisos – um samurai dos tempos modernos.
Minha segunda epifania da noite foi como eu precisava desesperadamente do homem que eu evitei por tanto tempo encontrar. Eu estive com todos esses outros Tops. Mais do que uma vez. Mas depois de hoje, eu precisava de Takumi.
Se ele estivesse aqui, estaria em uma mesa perto o suficiente para vigiar a entrada. Ele gostava de analisar como as pessoas entravam no ambiente. Takumi simplesmente não era arrogante ou vaidoso o suficiente para acreditar que merecia um fandom. Ele era, apesar de seus modos parecerem arrogantes e às vezes rudes ele era um dominante honesto, cuidadoso. Uma alma gentil e ao mesmo tempo macho alfa supremamente competitivo, atleticamente talentoso.
Apenas seus olhos negros como um poço de piche, seu olhar evidenciava o Dom que levava quem ele desejasse de qualquer maneira que quisesse, com apenas uma piscada e um aceno de cabeça.
Exceto eu.
A primeira vez que o vi era uma noite de verão. Estava indo pra sacada com um drinque na mão pensando em sentar em uma das espreguiçadeiras que ficavam lá e ver quem subia. Decidir o que com quem queria jogar depois do pôr do sol.
A porta se abriu antes que eu pudesse tocá-la. Ele parou, iluminado pelo sol poente. Brilhando. Beleza masculina idealizada envolta em um manto invisível de incrível poder. Ele era tão inconsciente disso. Ele me examinou e sorriu. Como se a visão da minha pessoa o agradasse. Ninguém sorri aqui. Não com prazer espontâneo.
Ele passou perto de mim, ainda escaneando. Era o tipo de momento que exigia olhares trancados e pênis endurecidos. Em vez disso, ele alegremente me olhou como se eu fosse uma vitrine com seus doces favoritos e ele estava decidindo qual deles ele iria abocanhar.
Ele aparentava seus vinte e tantos anos. Cheio de testosterona e confiança inabalável. Emitindo uma aura de sexo e perigo.
Eu queria dar-lhe tudo, simplesmente porque ele existia. Ele olhou para mim. Estendeu a mão e tocou o lado do meu pescoço, seu polegar patinando levemente ao longo do meu queixo e para baixo, através da minha laringe. Meu interior virou água.
"Não me escolha. Por favor".
Seus olhos se estreitaram um pouco como se ele tivesse ouvido meus pensamentos. Sua mão apertou - quase definitivamente - e se retirou.
— Ajoelhe-se para mim quando estiver pronto — ele disse. E foi embora.
Por dois anos, suas aparições esporádicas foram motivo de comemoração em todo o clube. Ele rapidamente fez seus próprios mitos.
Takumi exigiu tudo. Depois de uma extensa negociação ele só permitia a entrega absoluta. Nenhum limite ou limitação. Ele aceitava apenas a entrega perfeita e completa.
Foi por isso que nunca jogamos juntos. Muitas vezes eu estava com fome de dor que só outro homem era forte o suficiente para me dar, a segurança do controle que me excitava e me humilhava, a dor que eu temia e desejava. Mas eu sabia o que queria e como queria. Eu era só isso.
E mesmo que eu tivesse mordaças na minha boca e floggers nas minhas costas e cordas no meu peito, boquetes ou masturbação; eu era um virgem anal. Limite rígido.
E Takumi era ilimitado.
E eu não poderia perder tempo com uma negociação complicada e demorada. Eu teria que confiar nele.
Nós nunca nos falamos. Mas quando ele estava no clube, eu encontrava seu olhar pesado em mim quando entrava, e passava por sua mesa com a cabeça virada para o outro lado.
Era como atravessar um campo de força.
Eu o encontrei esta noite, como sempre, já ciente de mim – esperando por mim; para encontrá-lo. Cercado por homens e algumas mulheres. Sorrindo suavemente.
Desta vez, não desviei o olhar.
Takumi parou de sorrir. Seus olhos se estreitaram e deslizaram pelos meus peitorais e abdominais como uma palma forte e quente. Eu me senti abrindo para ele, bem ali, meio bloqueando o caminho das pessoas que vinham atrás de mim. Meu corpo se voltando mais completamente para ele, meus braços caindo frouxamente, palmas para cima.
Seus lacaios notaram que sua atenção havia se refletido em mim. O queixo do tatuador da Yakuza surgiu, a cabeça para trás, o olhar não desafiador, mas direto.
"Você conhece meus termos".
Um frisson de medo aumentou a adrenalina pelo meu corpo. Minhas bolas se aproximaram, mas meu pau endureceu - eu ainda podia passar direto por ele. E esquecer toda essa loucura.
O cliente entrou rodeado por guarda-costas e um secretário. Com uma pasta grossa debaixo do braço ...
Takumi Ito relaxou na curva de um sofá em forma de ferradura, os braços estendidos ao longo do encosto. Pernas estendidas e cruzadas no tornozelo.
Uma paciência implacável que eu estava impotente para enfrentar.
... o rosto da impunidade estava estampado na cara daquele filho da puta. Na verdade, ele nem achava errado o que fez... fazia..
Os sons do clube diminuíram à medida que as pessoas próximas perceberam a dinâmica em jogo entre Takumi e eu. Antecipando. Na esperança. Sabendo que ele fazia o que ele queria, onde ele queria. Em privado ou público.
Impiedoso.
Ele inclinou a cabeça. — Bem?
A pasta foi jogada em cima da mesa e várias fotos escorregaram para fora.
A última coisa que eu precisava era de misericórdia.
Eu caí de joelhos.
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(1) Jargão jurídico que significa que as cláusulas contratuais devem ser obrigatoriamente cumpridas.
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Oi amig fetichista... BDSMer...
não importa qual seja sua praia. bora mais uma historinha da tia vivi para trazer alguns desejos irreveláveis à tona da psique ... lá do lodo do inconsciente. e de repente ... puf.. aparece ... sai a luz do sol e a gnt não sabe o que fazer com isso. hahahahaha.
Takumi exige entrega total. ele quer alguém que abra mão dos limites confiando inteiramente em seu dono, mestre, senhor (cada Top gosta de ser chamado diferente. tem até rei e deus e tudo bem pois é uma brincadeira entre adultos consentidos).
lembrem-se. sempre negociem. sempre tenham sua palavra de segurança. e sempre exijam a base SSC.
no mais. .. que a cena comece.
bjokas e até a próxima att.
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