Pete Townshend #6
Esse é um imagine mais que especial porque hoje, 19 de Maio de 2022, é aniversário de 77 anos do meu véinho favorito desse mundo todoooo, por isso, aqui vai uma pequena homenagem para ele!! <3 <3 <3 Te amo, Pete!
✨ 𝐌𝐢𝐝𝐝𝐥𝐞 𝐀𝐠𝐞 𝐂𝐫𝐢𝐬𝐢𝐬 ✨
Era o ano de 1980. Mais precisamente, o 19° dia do mês de Maio. Pete Townshend estava completando 35 anos de vida. Não era velho, ainda estava - relativamente - na flor da idade, mas, ainda assim, se sentia velho. Vinha se sentindo assim desde que Keith Moon, seu colega de banda e amigo, falecera, dois anos antes, com apenas 32 anos.
Pete sentia que a vida era como grãos de areia escorrendo por entre seus dedos. Tudo parecia lembrá-lo de como estava ficando velho, desde os fios de cabelo que vinham diminuindo a cada dia do topo de sua cabeça, onde um dia houvera uma vasta cabeleira, até o fato de saber que dali a seis anos seu filho primogênito estaria entrando para a faculdade.
Era isso, Pete estava melancólico, sentado na varanda de sua casa, deixando a brisa primaveril da manhã soprar em seu rosto. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz suave de S/N, sua esposa, que aparecera ali segurando nos braços a filha caçula dos dois, Clarice, de apenas um ano e poucos meses.
-- Já está acordado, meu bem? -- A mulher perguntou, ainda um pouco sonolenta, sentando-se ao lado do marido no banquinho de madeira. Instantaneamente, a pequena Clarice estendeu os bracinhos para o pai, que sorriu para as duas mulheres de sua vida de forma suave e pegou a filha no colo, um pouco desajeitado já que estava com uma das mãos quebradas.
-- Eu não estava conseguindo dormir... Sabe como fico no meu aniversário... -- O guitarrista respondeu, deixando sua melancolia transparecer. S/N o abraçou lateralmente de forma maternal e depositou um beijo no rosto dele, sentindo as pontinhas da barba por fazer arranharem levemente seus lábios. Ela sentia falta da barba comprida que ele usara na década anterior...
-- Oh, meu amor... Eu sei, eu sei... Mas, você precisa focar na parte boa de fazer aniversário... Tipo, neste beijo especial que vou te dar agora... -- S/N falou de forma divertida, segurando suavemente o rosto de Pete com as duas mãos antes de dá-lo um beijo profundo nos lábios. Quando se soltaram, o homem estava sorrindo. Amava aquela mulher com toda a sua alma. -- Clarice, fale parabéns pro papai!
A menininha olhou no rosto do pai, ainda um pouco confusa, mas sorriu, abraçando o pescoço dele.
-- Papai! -- Foi tudo o que ela disse, levando em conta o vocabulário ainda bem escasso. Pete retribuiu o abraço e beijou a testa da filha.
-- Realmente, só vocês para me deixarem animado num dia como esse... -- Ele admitiu, soltando um suspiro. S/N o olhou com simpatia e acariciou o ombro dele, dando-lhe um apertãozinho.
-- Mas o que é que está te deixando chateado, especificamente?
-- Sei lá, estou me sentindo velho... Sinto que toquei mal pra caramba nesta última turnê que o Who fez, senti dores que nunca havia sentido antes, não consigo mais pular como antigamente, meu braço dói quando faço os windmills... -- Pete começou a pontuar, frustrado, ainda sentindo algumas dores pelo corpo em decorrência da turnê que terminara havia apenas uma semana.
-- Ora, Pete, você está com a mão quebrada, é compreensível que você não tenha tocado como de costume... Inclusive, ainda não sei se foi uma boa ideia você ter saído em turnê sem ter se recuperado totalmente... -- A mulher comentou, preocupada, vislumbrando a mão ainda engessada do marido, repousada sobre a coxa dele.
-- Minha mão está ótima, não é disso que eu estou falando... -- O guitarrista soltou um suspiro. -- Sabe, quando eu escrevi que queria morrer antes de ficar velho, eu realmente estava falando sério... Mas agora que estou ficando velho, não sei se continuo concordando com aquilo.
-- Em primeiro lugar, você não está velho! Em segundo, você não vai morrer logo, o que te faz pensar isso? -- S/N indagou, um pouco nervosa com aquele assunto, afinal, sempre temeu muito pela vida do marido em meio àquele mundo louco do rock. Ao olhar para o rosto dele, a feição melancólica, soube exatamente o que ele estava pensando, por isso, segurou a mão dele levemente por cima do gesso e deu-lhe um apertão gentil na ponta dos dedos. -- A morte do Moon ainda mexe muito com você, não é?
Pete não disse nada por um momento, perdido em pensamentos, olhando para o horizonte que se estendia enevoado em sua frente, mas acabou assentindo.
-- Ele era tão novo, tão cheio de vida, tão... Indestrutível! E, ainda assim, olhe só o que aconteceu... Ele nunca quis morrer, ele nunca escreveu a porcaria de uma letra que dizia que ele queria morrer antes de envelhecer! -- Pete exaltou-se e, ao se lembrar de que estava com a filha no colo, sentiu-se envergonhado e a devolveu para os braços da mãe. -- Me desculpa... Eu só... Não acho justo o que aconteceu. Eu era o babaca presunçoso que dizia que queria morrer, não ele...
-- Pete, você sabe que Moonie sempre viveu testando os limites de tudo, dele próprio. Ele gostava de viver ao extremo... -- S/N comentou com tristeza, já que sempre foi muito amiga de Keith, embalando a filha nos braços. -- Agora você... Você conhece seus limites, sabe quando parar... Na maioria das vezes... Você amadureceu e muito. Você não é mais aquele rapaz de 19 anos rebelde que sentia raiva de tudo e de todos... Você é um músico de sucesso, um marido dedicado, pai de três filhos... Você tem novas prioridades na sua vida e tá tudo bem... Você é um adulto.
-- Está dizendo que eu envelheci? -- Pete perguntou num tom zombeteiro, quebrando um pouco o clima tenso da conversa. S/N revirou os olhos, um sorrisinho de canto de lábio no rosto.
-- Não, estou dizendo que você amadureceu, é completamente diferente! -- S/N respondeu, olhando no fundo dos olhos azuis de Pete, notando um quê de desespero ainda enterrado ali. -- Você tem muito o que fazer nessa vida ainda...
-- Eu sei, eu sei... -- O guitarrista soltou um suspiro, pensando, principalmente, em seus filhos. Nicholas era o mais velho, de doze anos, seguido por Oliver, de sete... E agora, havia a pequena Clarice, que apareceu de supetão na vida dos Townshend que nem imaginavam que teriam mais filhos, dando-lhes um susto. Eles precisavam dele. S/N precisava dele. E era por isso que ele ainda estava ali. Eles eram seu propósito e o motivo dele reconhecer seus limites. O homem sorriu, sentindo-se mais reconfortado. Mas ainda haviam questões mais superficiais que o assombravam. -- Só estou com medo de estar perdendo todos os traços da minha juventude! Digo, quanto tempo vai levar para que os jovens não me achem mais legal e me rebaixem ao título de tio careta? Além disso, pelo amor de Deus... -- Pete passou os dedos da mão boa por entre os próprios fios de cabelo. -- Eu estou ficando careca!
-- Exagerado... -- S/N comentou, revirando mais uma vez os olhos. -- Seu cabelo está ótimo, e daí que você não tem mais aquele cabelão dos anos 70? Você continua lindo de morrer... -- A mulher deu uma piscadela para ele, acariciando a nuca dele com a mão do braço que não estava usando para segurar Clarice.
-- Só você acha isso, mas, tudo bem, pra mim é o suficiente... -- Pete sorriu para ela, se curvando para dá-la um selinho rápido, repousando a mão engessada na perna da esposa.
-- Então pronto! E quanto à parte de não ser mais legal para os jovens... Você é Pete fucking Townshend... -- Ela sussurrou a parte do "fucking" para que a filha não ouvisse. -- Um dos melhores guitarristas que esse mundo já viu... Tenho certeza de que os jovens sempre te acharão legal... Não duvido que até no século XXI os jovens vão continuar te idolatrando...
-- Também não precisa exagerar... -- Pete riu de forma genuína, passando o braço por trás do ombro da esposa para abraçá-la lateralmente. -- Até lá, o The Who vai virar o que o próprio nome diz... Who?
-- Não seja bobo... -- S/N deu um tapinha fraco e brincalhão no peito do marido, que riu mais uma vez antes de beijar a bochecha da esposa. -- Tenho certeza de que vocês ainda serão mundialmente conhecidos...
-- Eu realmente não me importo com o que vai acontecer com a banda no século XXI, desde que você esteja do meu lado... -- O homem falou em tom apaixonado, recebendo um belo sorriso de S/N como resposta, que o deu um selinho rápido e acariciou-lhe o queixo. Clarice observava tudo bem quietinha, como sempre. Diferente dos irmãos. Inclusive, um som alto soou do lado de dentro da casa e o casal se entreolhou.
-- Acho que os meninos acordaram. -- S/N comentou, se levantando, com medo de um dos filhos ter se machucado. Pete se levantou também e seguiu a esposa para dentro da casa.
Ao chegarem na sala, de onde vinha um som alto de televisão - que, para surpresa de Pete, era uma música do The Who - viram Oliver em cima do sofá, pulando, e Nick saltando como um louco no tapete, rodando o braço naquele movimento típico de seu pai ao tocar guitarra. Na TV, estava sendo transmitido um programa que mostrava cenas da última turnê do The Who.
-- Pai! Pai! Olhe só o que está passando! -- Comentou Nick, apontando pra TV e parando de pular ao ver os pais parados ali. Clarice começou a bater palmas no colo da mãe.
-- Papai, olhe só como eu pulo alto, que nem você! -- Oliver saltou de um lado ao outro do sofá e Pete deu uma gargalhada.
-- Só não se machuque, ou vai acabar com a mão quebrada que nem ele... -- S/N pontuou, um pouco preocupada, indicando a mão do marido, mesmo sabendo que ele quebrara de outra forma, não tocando guitarra
-- Pai, você precisa me ensinar a fazer essas coisas na guitarra! É muito maneiro! -- Pediu Nicholas, tocando uma guitarra imaginária. Pete os olhou com orgulho e S/N o lançou um sorrisinho como quem diz "eu te disse...".
-- Agora vamos tomar café! É um dia muito especial e será bem cheio! -- Chamou S/N, indicando a cozinha para que todos a seguissem até lá. Depois de colocar Clarice no cadeirão, a mulher virou-se para o marido, que a seguira até lá, e o abraçou apertado. -- Feliz aniversário, meu amor...
E, pela primeira vez em muitos anos, Pete sentiu-se verdadeiramente feliz por estar fazendo aniversário, afinal, envelhecendo ou não, ele sabia que sempre teria S/N ao seu lado.
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E O PARABÉNS! Parabééééns pra vocêêê! Viva o Peteeeee, yaaaaay! Bem, só queria deixar mais uma vez registrado o quanto eu amo esse homem e o quanto ele é importante pra mim. Nestes últimos anos, desde que me tornei fã do The Who e, mais especificamente, do Pete, aprendi, conheci e aceitei coisas sobre mim mesma por causa dele e, mesmo que ele nunca venha a saber disso, eu sou muito grata a ele! Amo muito esse meu ovinho cozido e espero do fundo do meu coração que ele tenha um aniversário maravilhoso e aproveite demais os 77 anos dele, que tenha muita saúde e que continue a espalhar a alegria pra nós, fãs, por muito tempo! É isso, um beijo para todos vocês, até o próximo imagine! <3 <3 <3
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