Keith Richards #2

Seu pedido, dllesno <3 Espero que goste! 

✨ 𝐓𝐡𝐞 𝐒𝐧𝐨𝐨𝐤𝐞𝐫 𝐓𝐨𝐮𝐫𝐧𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭 ✨

*1965*

*P.O.V. S/N*

Mais uma noite de sábado chega e, como de costume, gosto de ir até um bar um tanto quanto escondido que fica a dois quarteirões de casa. Minhas amigas dizem que eu não deveria ir para lá, ainda mais sozinha, pois não é um local de "gente direita", mas não ligo muito... Gosto de lá e me divirto bastante. Tem uma mesa de sinuca, música boa ao vivo, bebidas variadas e, além de tudo isso, já fiz amizade com a maioria dos frequentadores.

Me arrumo e confiro tudo em frente ao espelho. Estou usando uma calça boca-de-sino de veludo cor de vinho, uma blusa florida de mangas compridas largas e, por cima, um colete de franjas. Nos pés, estou usando minhas botas caramelo com saltos altos e grossos. Além disso, há a minha marca registrada: meu chapéu marrom envolto por uma tira de couro trançada onde eu mesma enfeitei com uma pena de faisão que encontrei tempos atrás numa viagem que fiz para o campo.

Pronta, pego minha cartucheira e a prendo em volta da cintura, onde guardo minha carteira, um maço de cigarros e uma caixinha de fósforos. Já deixo um cigarro para fora, colocando-o na parte superior da minha orelha, esta estando enfeitada por um longo brinco de sementes naturais. Saio para a rua, sentindo a brisa da noite primaveril que me faz arrepiar levemente. Ligeiramente, coloco o cigarro entre os lábios e pego a caixinha de fósforo guardada para acendê-lo, e, assim, tranquilamente, caminho pelas ruas quase desertas e um tanto quanto escura até atingir uma outra bem mais movimentada, cheia de jovens como eu esperando em filas de festas e bares. Caminho até o fim desta rua, onde, quase na esquina, há uma escada escura que leva para uma casa subterrânea (esta sendo embaixo de uma grande boate extremamente lotada). Geralmente não há muitas pessoas neste bar que frequento, pois a maioria não o acha com uma aparência muito agradável.

Adentro no local e me dirijo aos banquinhos do balcão. Me sento em um deles e sem demora um dos atendentes para em minha frente, com um sorriso.

-- O de sempre, S/N? -- Ele pergunta, já pegando a garrafa de Bacardi para me preparar uma Cuba Libre, meu drink predileto. Assinto com a cabeça, o vendo derramar a bebida em um copo de metal.

-- Vocês me conhecem tão bem! -- Brinco, fazendo o cara soltar uma risada, concentrado. -- Ouvi dizer que irá ter um torneio de sinuca hoje... É verdade, Walsh?

-- É sim, é sim... Mas será em duplas... -- O rapaz explica e me desanimo um pouco.

-- Ah, entendi... Estão fazendo inscrições? -- Torno a perguntar.

-- Sabe, montaram uma mesa lá do lado da sinuca onde estão anotando os nomes das duplas... -- Ele diz, me entregando o copo de bebida com um canudinho preto e um enfeite. -- Aqui está, minha querida...

-- Obrigada, Walsh! -- Agradeço, bebendo um gole. -- Bem... Vou lá perguntar mais sobre esse tal torneio... -- Me retiro do balcão, indo para o local onde alguns homens discutem de forma grosseira em frente à mesa de inscrições. Eles param de brigar ao me ver. -- É aqui que faz a inscrição para o torneio de sinuca?

-- É sim, moça! -- Um deles responde. A aparência do outro cara me chama um pouco a atenção. É um rapaz magro, com bochechas fundas e ossudas, cabelos levemente compridos e extremamente bagunçados, que me olha com seus olhos intrigantes.

-- E... Eu posso me inscrever? -- Pergunto, colocando uma mão na cintura.

-- Pode, pode, só me deixa consertar a bagunça que esse Zé Ruela fez! -- O homem responde, estressado, apontando para o magricela de bochechas fundas.

-- Pela milésima vez! Ninguém me deu dinheiro nenhum, cara! -- Ele protesta, batendo com o punho fechado na mesa.

-- Eu disse bem claramente para você, "Keith, não esqueça o envelope com o prêmio do torneio!", mas você me ouviu? Não! Porque está sempre chapado e nunca escuta o que eu falo!

-- Cala a boca, Brian! Quer vir falar de ficar chapado pra mim? É muita hipocrisia sua! -- O rapaz se estressa mais, saindo da mesa com raiva e pisando com força e sumindo no meio dos jovens que dançam e bebem. Possuo uma expressão de desconforto no rosto. O outro, que permanece na mesa, com cabelos louros, xinga o colega antes de olhar pra mim como se do nada houvesse lembrado que eu estava parada ali.

-- Perdão, moça... Meu amigo ali é uma pessoa muito complicada... Bem, agora eu vou ter que voltar até em casa para buscar a porcaria do dinheiro pra entregar pro vencedor dessa porcaria de torneio... Mais uma das merdas que Keith inventou de inventar! -- O tal de Brian volta a reclamar. Já estou ficando cansada disso e prestes a dar as costas pra sair. -- Espere... Desculpa... Vai querer participar?

-- Hm... Não sei... Vou tomar mais uns drinks e penso... -- Respondo, dando um sorriso pro rapaz e saindo daquele canto. Decido ir fumar um cigarro na área aberta do estabelecimento. Quando saio, vejo alguns casais se beijando, rapazes conversando e rindo, e, mais ao canto, o moço que havia saído com raiva da mesa. Ele está de costas, apoiado na grade, com um cigarro nos dedos e não sei se vi direito mas, ele parece estar chorando com uma expressão raivosa.

Penso em me aproximar dele e ver se está tudo bem, mas então hesito. O observo da porta e, mais uma vez, tomo coragem e, desta vez sem hesitar, ando até ele, me encostando na grade.

-- Oi... -- Digo, olhando para frente. Noto que ele virou rapidamente a face para ver quem havia chego para o atormentar, mas não demorou os olhos em mim.

-- O que você quer? -- Ele pergunta. Seu tom de voz não soou grosseiro, mas sim, permeado de mágoa.

-- Nada... Vim fumar e, consequentemente, você estava aqui... -- Digo, pegando um cigarro na cartucheira. Apalpo esta mas não encontro minha caixinha de fósforos... Devo ter derrubado na rua. -- Merda... Escuta, será que você pode acender meu cigarro? -- Pergunto e ele se vira, pegando um isqueiro no bolso de sua jeans, trazendo este para perto do meu cigarro preso entre os lábios. Trago para ajudar a acender. -- Você está bem? Parece triste... Foi a briga com seu amigo?

-- Eu tô bem, tá? Eu só... Fiquei nervoso... -- Ele responde, voltando a olhar pra frente, apoiado na grade. -- Porque sei que o quê ele disse é verdade... Eu não passo de um chapado irresponsável...

-- Velho, eu não te conheço mas... Não achei certo seu amigo te inferiorizar daquela maneira... -- Afirmo e, posso jurar, vi um pequeno sorrisinho no canto de seus lábios extremamente finos.

-- Bem... Eu fico chateado porque... Eu não quero ser visto como o cara que só sabe ficar chapado... Não, cara... Eu sei que sei fazer muitas coisas direito... Mas quando ouço falarem assim de mim ou comigo, sinto que todos só enxergam essa parte de mim... Todos parecem conhecer somente o "Keith chapado", mas nunca se preocuparam em conhecer o "Keith poeta" ou o "Keith músico"... -- Ele desabafa, abaixando a cabeça um pouco.

-- Talvez você tenha que deixar seus outros "Keiths" aparecerem mais vezes... Mostrar que você é bem mais do que pensam, que você é capaz... Esfregar na cara que estavam todos errados! -- Tento consolá-lo e ele vira seu rosto pra mim com um sorrisinho adorável que acentua suas covinhas no rosto.

-- Obrigado, moça... Acho que você está certa... -- Ele admite, tacando longe sua bituca de cigarro com um simples peteleco. -- E... Perdão se fui grosso com você... Eu estava aborrecido...

-- Tudo bem, tudo bem... Entendo... É melhor colocar os sentimentos pra fora do que guardá-los conosco... -- Sorrio pra ele.

-- A propósito... Sou Keith Richards... -- Ele estende uma mão pra mim, e eu a pego num cumprimento.

-- S/N/I... -- Respondo.

-- Bom, muito prazer! Bem, tá afim de jogar uma partida de sinuca comigo? -- Ele me convida.

-- Mas e o torneio? -- Pergunto, curiosa.

-- Nhé, deixe pra lá... Tem outras mesas além daquela... Tudo bem, você não vai ganhar dinheiro jogando comigo mas...

-- Será divertido! -- O interrompo e ele sorri, me esperando acabar meu cigarro para entrarmos novamente.

Fomos numa das mesas vazias não reservadas para o campeonato. Ele pega um taco e estende outro pra mim. Começamos a jogar e ele logo ficou impressionado comigo... E realmente, não demorou muito para que eu ganhasse dele, mas foi muito divertido, demos muita risada e zoamos um com o outro, não nos importando com o torneio que havia começado na mesa ao lado. Jogamos mais uma partida e, novamente, ganhei, mas desta vez demorou um pouco mais. Acabada a terceira partida, cansados e vermelhos de tanto rir, seguimos para o balcão do bar, nos sentando em dois banquinhos reservas.

-- Garota, você arrasa... Certeza que ganharia o prêmio no torneio! -- O moço elogia, colocando a mão no meu ombro de forma amigável.

-- Ah não, é mais legal quando não tem nada em jogo... -- Respondo, dando de ombros.

-- Certo mas... Aceitaria como prêmio uma bebida? -- Ele pergunta, com um sorriso galante. Eu rio e assinto.

-- Já que insiste... -- Respondo. E então começamos a conversar no bar sobre diversos assuntos diferentes, alguns intelectuais, outros apenas bobeiras divertidas. Mais tarde naquela mesma noite, me lembro das palavras que ele havia me dito mais cedo. -- Sabe, gostaria de conhecer um pouco melhor o "Keith poeta"...

-- Tem certeza? -- Ele pergunta, rindo, bebendo mais um gole de sua cerveja.

-- Claro! Por quê não? -- Respondo, o empurrando levemente pelo ombro.

-- Ok, ok... -- Ele retira do bolso da calça um papel todo amassado. -- Esta é uma letra que comecei a escrever, mas ainda não está pronta... -- Keith explica mas eu faço um sinal com a cabeça para que ele prossiga. Ele abre o papel, limpa a garganta e começa a recitar pausadamente. -- Eu quero você de volta... Eu quero seu amor novamente... Eu sei que é difícil raciocinar comigo... Mas dessa vez é diferente, você verá... Você tem que me dizer... Que está voltando pra mim... Bem, é isso... Não é lá essas coisas mas...

-- Eu achei lindo, Keith! -- Respondo, sincera. Ele sorri pra mim.

-- Eu escrevi para a minha ex namorada... Mais uma das pessoas que só me viam como um chapadão... Já faz tempo que eu escrevi... -- Ele explica, com a voz levemente triste. Eu coloco a mão em seu ombro para consolá-lo.

-- E você a quer de volta? -- Não consigo evitar e pergunto.

-- Sabe... Quando escrevi isso eu queria... -- Ele faz uma pausa e olha pra mim. -- Mas não vale a pena ficar chorando pelo leite derramado... É hora de seguir em frente... -- Ele sorri, olhando em meus olhos. Sinto meu coração acelerar na medida em que ele aproxima seu rosto do meu. Um de seus dedos pega uma mecha de meu cabelo e a coloca atrás da orelha. Fecho os olhos, pendendo pra frente, sentindo sua respiração mais próxima... Até que seus lábios encontram os meus, movimentando-se devagar e com suavidade. Sua língua adentra minha boca enquanto sua mão repousa em minha nuca. Me entrego ao beijo, cruzando meus braços atrás de seu pescoço.

E, a partir deste momento, nossa noite adquiriu um sentimento à mais. Ficamos até as cinco da manhã ali, conversando, trocando alguns carinhos de vez em quando... Na hora de nos despedirmos, anoto meu telefone em um guardanapo e entrego a ele, dou mais um beijo em seus lábios antes de sair pela escadaria escura do bar.

Realmente, não demorou mais que dois dias, recebi uma ligação de Richards me convidando para sair e, depois disso, iniciamos oficialmente nossa relação.

*****

Oii, gente! Então, postei esse imagine antes porque já tinha ele escrito e não publicado... Na verdade, escrevi com personagem, apenas tirei o nome da protagonista... É que comecei a escrever one shots sobre meus crushs e o Richards é um deles, porém, como não vou postar mesmo, decidi colocar aqui como imagine... Enfim, espero que goste e JURO que logo faço o do Paul McCartney e do Brian May! Juro juradinho! Beijão!

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