Izzy Stradlin #2
Este é um pedido da cadyrhygge <3 Espero que goste!
✨ 𝐆𝐮𝐢𝐭𝐚𝐫 𝐒𝐦𝐚𝐬𝐡𝐞𝐫 ✨
O ano é 1986. Na verdade, o ano está chegando ao fim, o que deveria significar que as festas estão se aproximando e as pessoas finalmente vão poder relaxar...
Mas o sentimento é completamente o oposto entre você e seu namorado, Izzy. Na verdade, conforme o ano vai se aproximando ao fim, vocês dois vão ficando cada vez mais estressados. A princípio, o estresse era totalmente voltado ao trabalho... Izzy está gravando o primeiro álbum da banda dele, o Guns'n Roses, e está com os nervos à flor da pele. Você, por sua vez, trabalha como professora numa escola primária, o que significa que, por ser fim de ano, deve fechar as notas de todos os alunos, o que também te deixa cheia de irritações.
Então, não demorou muito para que vocês começassem a descontar o estresse um no outro, por mais que tentassem a todo custo evitar fazer isso. Acontece que esse também é o primeiro ano que vocês dois estão morando junto, e isso também contribuiu um pouco para essa bomba emocional do fim do ano.
Mas, como um casal que sempre soube resolver seus problemas, vocês nunca iam dormir brigados, sempre acabavam fazendo as pazes no mesmo dia. E está tudo bem...
Porém, neste dia em específico, Izzy havia combinado de ir te buscar do trabalho no fim da tarde, já que ficava bem longe do apartamento de vocês e seu carro estava no concerto... Mas os minutos passaram e nenhum sinal de seu namorado...
Nervosa e irritada por ele ter te esquecido, você cansou de esperar e decidiu pegar um ônibus. Mais de uma hora depois do seu expediente ter acabado, você subiu as escadas até o andar de seu apartamento com dor nas pernas e costas e quase teve uma síncope quando ouviu um som de guitarra soar lá de dentro... Então lá estava o sem-vergonha do seu namorado!
Você abriu a porta, irritada, e deu de cara com ele sentado no sofá, dedilhando o violão com uma caderneta nos joelhos e uma caneta enroscada na orelha. Ele sorriu pra você e você não conteve sua indignação.
-- Oi, amor! Demorou para chegar hoje... Como foi na escola? -- Ele perguntou, voltando a olhar para o violão, o que te deixou mais irritada ainda.
-- Oi, amor? -- Você retrucou num tom desacreditado. -- Você tem a audácia de dizer "oi, amor" e que eu demorei pra chegar?!
-- É, ué... O que mais você queria que eu dissesse? Oi, mãe? E, realmente, você demorou mais que o normal hoje...
-- Sim, Izzy, eu demorei! -- Sua voz soou desdenhosa, principalmente ao dizer o nome dele, que finalmente deixou o violão de lado e olhou para você, o cenho franzido de confusão. -- Porque alguém deveria ter ido me buscar e não foi!
-- Oh... -- Ele respondeu, a boca entreaberta e os olhos se arregalando com uma certa culpa. Ele coçou a nuca e riu, desviando os olhos, mas você não estava achando aquilo nada engraçado. -- Me desculpa, eu me esqueci que precisava ir te buscar, desculpa mesmo, minha cabeça estava à mil hoje...
-- À mil, Izzy? À mil? Eu cheguei em casa quebrada e te encontrei aqui, sentadão nesse sofá, tocando a porcaria do seu violão! Enquanto eu, que passei o dia todo corrigindo provas e trabalhos, participando de reuniões com a diretoria, tive que...
-- Opa, opa... Quem disse que o que eu estava fazendo não era importante? Você tem noção de que nosso álbum precisa estar terminado em pouco tempo e ainda temos muito trabalho pela frente? Eu estava trabalhando num novo material para completar as lacunas que faltam no disco! Isso dá trabalho, pra sua informação! -- Seu namorado retrucou, se levantando do sofá e, de braços cruzados, caminhando até você.
-- E o que eu faço não dá trabalho? -- Você rugiu em resposta, estufando o peito para ficar mais alta.
-- Ora, que eu saiba você não está trabalhando no que pode vir a ser um dos maiores álbuns do rock, está? -- Ele perguntou num tom de deboche que te irritou ainda mais, fazendo seu sangue ferver.
-- Não se atreva a dizer que seu trabalho é mais importante que o meu! -- Você responde entredentes, cutucando com força o peito dele com seu indicador.
-- Não foi isso que eu disse, mas se quiser interpretar assim! Nós temos um contrato e fãs! E muita grana em jogo! -- Izzy respondeu, a face se retorcendo numa careta presunçosa que te encheu de raiva.
Então, passando por ele sem olhá-lo no rosto, você vai até o sofá e pega o violão dele, notando a expressão dele tornando-se mais tensa.
-- Isso é tudo com o que você se importa, não é? Tudo!
-- S/N, não se...
Mas então, num ataque de raiva extrema, você arremessou com força o violão dele no chão e quebrou o instrumento em dois. Os olhos de Izzy se arregalaram e ele cobriu a boca com as mãos, incrédulo. Até você ficou incrédula com aquilo, afinal, nunca sequer havia imaginado fazer algo do tipo antes... E a sensação não era das melhores.
-- Eu não acredito... -- Izzy comentou em tom baixo, ainda olhando para o instrumento. Você irrompeu em lágrimas.
Queria pedir desculpas imediatamente, mas tudo o que saiu foi:
-- Fique aí com seu amado violão e não se atreva a vir me perturbar! -- Você gritou antes de sair correndo rumo ao quarto, fechando com força a porta atrás de si e a trancando.
Você conseguiu ouvir os passos de Izzy até a porta antes das batidas soarem e a voz embargada dele surgir.
-- S/N, você enlouqueceu?! Por favor, abra essa porta agora! Abra! -- Ele bradou lá de fora.
-- Não! Me deixa em paz1 -- Você respondeu, a voz alta soando entre os soluços desesperados.
Izzy continuou a bater na porta e a te chamar por mais um bom tempo, mas você simplesmente ignorou. Quando as batidas sessaram, você se aproximou da porta e colou o ouvido nesta... Então ouviu algo que você nunca tinha ouvido: seu namorado estava chorando... Chorando de verdade, não apenas resmungando ou suspirando, mas chorando com direito à soluço e fungadas. Aquilo destruiu por completo seu coração. Nunca havia sido sua intenção magoá-lo daquele jeito... Mas então se lembrou que ele também havia te magoado, e muito, e tentou ignorar a vontade de sair pela porta e ir abraçá-lo.
A única diferença entre vocês dois naquele momento é que ele queria conversar, mas você precisava de um tempo sozinha...
Então, depois de tomar um banho quente que não resolveu em nada, você tentou dormir um pouco...
Mas a culpa havia te consumido e você não conseguia parar de pensar na cara de Izzy no momento em que viu o violão espatifando-se no chão. Durante muito tempo - horas e mais horas - você só havia se revirado na cama, angustiada, pensando no que deveria fazer...
Então, quando a culpa te venceu, você levantou. Eram três e pouco da manhã, o apartamento estava tão silencioso que você pensou que Izzy tinha caído fora, ido atrás de um pouco de farra e álcool para afogar as mágoas... Você não o culparia se ele tivesse feito exatamente isso.
Porém, para sua surpresa, ao chegar na sala escura, ouviu os roncos dele vindos do sofá, e, na pontinha dos pés, foi dar uma espiada. Com um aperto no peito, você o viu todo encolhido por causa do ventinho gelado de Novembro. Então, comovida, retornou ao quarto e pegou uma coberta para ele, cobrindo-o até o pescoço com os movimentos mais sutis que conseguiu, sem acordá-lo.
Após certificar-se de que ele realmente ainda estava apagado e, agora, aquecido, você foi atrás daquilo que tinha te feito revirar aquele tempo todo na cama: o violão quebrado. Ao encontrá-lo, jogado do outro lado da sala, no canto da parede, percebeu que estava mais quebrado do que como você o tinha deixado e constatou, envergonhada, que Izzy provavelmente deve ter terminado o serviço num acesso de frustração.
Recolhendo os pedaços nos braços, você os levou até a bancada da cozinha, pegando o abajur da sala e ligando-o ali perto apenas para clarear seu serviço. Então, pegando a Super Cola que se encontrava na geladeira, começou a colar os pedaços do violão... Aquilo era mais difícil do que você pensava! Alguns pedaços estavam tão pequenos que era quase impossível saber onde se encaixavam...
Então, como se ouvisse suas preces desesperadas, você viu uma sombra se aproximando e se postando ao seu lado na bancada...
Izzy havia acordado.
-- É este o pedaço que se encaixa aí... -- Ele disse numa voz extremamente baixa, te estendendo uma peça meio de ferro e meio de madeira. Você sorriu sem graça para ele, pegando a parte de instrumento da mão dele, sentindo um leve tremor quando seus dedos roçaram a palma dele.
-- Obrigada... -- Você agradeceu, desviando os olhos e colocando a peça no lugar onde ele havia dito, apenas para confirmar antes de passar cola. E ele estava certo. Na verdade, seu próprio namorado estendeu a mão com o tubo de cola e passou no lugar enquanto você segurava a peça.
E assim, juntos e silenciosos, ambos com suas angústias e culpas sufocando a garganta, vocês terminaram de colar todas as peças.
-- Bem, não sei se ele tornará a ser utilizável, mas... -- Você comentou, dando uma olhada no trabalho de vocês. Parecia bom mas, ao mesmo tempo, você sabia que seria difícil o som sair da mesma forma que saía antes. -- Pelo menos tentamos...
-- Você fez um bom trabalho... -- Izzy comentou num tom que não era muito mais alto que um sussurro. Seus olhos se encontraram e ele sorriu. -- Obrigado... E... Obrigado pela coberta também...
Você sorriu e deixou a emoção tomar conta de você, já que logo seus olhos encheram-se de lágrimas. Izzy percebeu e te abraçou, segurando gentilmente sua cabeça contra o ombro dele. Você apertou a camisa dele com as mãos.
-- Me desculpa, Izzy... Por tudo... Pelo que eu falei e, principalmente, pelo violão... -- Você pediu de forma desesperada, soluçando entre as frases. Seu namorado balançou a cabeça e fez carinho em suas costas.
-- Tá tudo bem, amor... Tá tudo bem... Eu também peço desculpas, fui um babaca com você... Desculpa ter te esquecido na escola e... Insultado seu trabalho... -- Ele retrucou suavemente e você assentiu contra o pescoço dele. -- Se você quer saber, acho professor uma das profissões mais importantes que têm, e falo isso com sinceridade...
-- Oh, Izzy... -- Você riu de forma anasalada, desencostando o rosto do corpo dele para poder olhá-lo nos olhos, lançando-o um sorriso. Ele retribuiu e segurou seu rosto, limpando suas lágrimas. -- Eu também acho seu trabalho muito importante e tenho certeza que o álbum será um sucesso...
-- Obrigado, S/N... -- Ele sorriu mais uma vez e se curvou para te dar um beijo terno e gentil nos lábios. Soltaram-se depois de um tempo. -- Agora... Vamos dormir... Amanhã será um dia cheio...
Então, de mãos dadas, vocês foram para o quarto, deitando-se abraçados na cama e logo pegando no sono nos braços um do outro.
Não importa o quanto vocês brigassem ou o tamanho da briga, vocês nunca, nunca, iam dormir brigados...
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Olha só, não imaginei que conseguiria postar mais um imagine hoje, quem diria kkkkkk Mas é, está aí! Espero que gostem!! Um beijo para todos e até a próxima (que eu realmente espero que seja logo!) <3 <3 <3
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