Capítulo 03


SE tinha um local que a Park gostava de passar seu tempo livre era a biblioteca. Não apenas porque era mágica, assim como toda a escola, mas gostava de encontrar livros que iam desde a fundação da escola até um manual para alunos de primeiro ano que estavam iniciando seus estudos em magia.

A aluna caminhou até uma das mesas vazias, ou quase, já que logo encontrou Athena Arnaud lendo. A figura de uma garota já sentada ali, concentrada em um livro grosso e empoeirado que aparentava ser de feitiços.

Mi-Sun esboçou um leve sorriso antes de se sentar na cadeira de frente, acomodando-se com a sua própria pilha de livros.

— Oi, Athena. — Mi-Sun quebrou o silêncio, abaixando o tom de voz para não incomodar os outros alunos. — Espero que eu não esteja te atrapalhando.

Athena ergueu o olhar, um pouco surpresa, mas logo abriu um sorriso tímido.

— Park. Não, claro que não. É bom ter companhia — respondeu Athena, fechando o livro por um momento, dando atenção total à recém chegada. — Às vezes, eu sinto que vou acabar me fundindo com esses livros de tanto que leio.

As duas riram baixinho, compartilhando o tipo de cumplicidade que nasce entre colegas de escola, mesmo que de casas e anos diferentes. Athena sempre fora conhecida por seu desempenho excepcional e uma habilidade quase instintiva de perceber as coisas ao seu redor. Claro, ela também tinha a fama de uma das famílias bruxas mais nobres, o que era altamente valorizado na Sonserina, mas a inteligência e o desempenho de Athena eram maiores para ser rotulada somente a família.

— Então... último ano, hein? — Mi-Sun comentou, enquanto folheava seu livro, mas os olhos vigilantes de Athena não perderam a expressão dela. — Está empolgada ou mais apavorada?

Athena soltou um suspiro.

— É um pouco de cada, eu acho. — Ela hesitou, como se ponderasse quanto devia compartilhar. — Só que... ultimamente, a sensação de apreensão tem sido mais forte. Com todos esses rumores e os ataques, é difícil não ficar preocupada. — Os olhos dela voltaram para Mi-Sun, mais intensos agora, como se quisesse avaliar sua reação.

Mi-Sun assentiu, compreendendo perfeitamente, já que a própria estava preocupada não apenas com a sua segurança, mas de sua família e amigos.

— Entendo... Acho que todos estamos um pouco ansiosos. — ela tentou manter a voz leve, mas algo no olhar de Athena fez com que suas palavras parecessem insuficientes.

Antes que a corvina pudesse falar algo, um grupo de garotas passou pela biblioteca, lançando olhares curiosos e cochichando entre si ao ver as duas conversando.

Mi-Sun desviou o olhar, sentindo uma leve irritação com as fofocas que sabia que estavam rondando pela escola. Qual era o problema dessa gente com apenas dois colegas como parceiros de poções?

Não quando o parceiro é um Black, ela automaticamente pensou.

Athena parecia observar tudo com um interesse aguçado e, após alguns segundos de silêncio, ela se voltou novamente para Mi-Sun, com um brilho curioso no olhar.

— Posso te perguntar uma coisa? — começou ela, numa voz quase um sussurro, mas carregada de intensidade.

Mi-Sun arqueou as sobrancelhas, intrigada. — Claro. Pode perguntar.

Athena respirou fundo, como se estivesse preparando as palavras. — Eu ouvi alguns boatos... sobre você e Regulus Black serem parceiros na aula do Slughorn. É verdade?

Ela já sabia que esse tipo de comentário surgiria em algum momento, mas ouvir a pergunta diretamente de Athena trouxe uma sensação de vulnerabilidade inesperada.

— Sim, é verdade — respondeu Mi-Sun com um tom tranquilo, tentando manter o rosto neutro, mas os olhos de Athena continuavam presos aos dela, analisando cada detalhe.

Athena inclinou-se um pouco para frente, a expressão ficando mais séria, quase cautelosa.

— Você... — começou ela, medindo as palavras cuidadosamente. — Você tem que tomar cuidado, Mi-Sun. Regulus... ele é complicado. — Ela hesitou, como se pesar o impacto de cada palavra. — Sei disso porque, bem... August me contou, você sabe... por conta do Sirius. A família Black parece estar envolvida no que ocorre, mas ninguém fala sobre isso. Eu só quero que você tome cuidado. Só... prometa que vai ser cautelosa. Não gostaria de saber que você está metida em encrenca por conta dele.

Mi-Sun assentiu, sentindo o peso das palavras de Athena. As duas ficaram em silêncio, cada uma perdida em seus próprios pensamentos, enquanto o ambiente ao redor parecia congelar na tensão que pairava no ar.

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Park Mi-Sun entrou na sala de Poções com Samantha e Tzuyu correndo, todas as três atrasadas e quase mandadas para a detenção se demorassem um pouco mais. Logo que a Park entrou, agradeceu mentalmente a Merlin pelo professor não estar na sala, mas já avistou Regulus na bancada perfeitamente organizada, assim como o seu uniforme e até mesmo o cabelo.

— Talvez seja por isso que o chamem de "príncipe" — Samantha sussurrou para a amiga antes de se separarem. A Park segurou a risada com a careta feita pela ruiva, e se sentou ao lado do Black.

— Bom dia, meus queridos! Hoje, vamos abordar algo um pouco mais... complexo. Como vocês sabem, no sexto ano, já esperamos que vocês tenham uma mais do que a noção essencial da aula de poções, o que me leva a elevar o nível dos preparados para que, em breve, possam se preparar para suas futuras carreiras.

Os alunos se entreolharam, alguns ansiosos, outros apreensivos. Slughorn levantou um pequeno frasco transparente contendo um líquido de aspecto denso.

— Esta é uma Amortentia. A poção do amor mais poderosa do mundo, e apesar de ser diluída, suas propriedades são quase inalteradas. Não se preocupem, não faremos ninguém se apaixonar aqui. — Ele soltou uma risada calorosa, enquanto alguns alunos respiravam aliviados. — Hoje, nossa tarefa será identificar e categorizar alguns dos ingredientes de poções de efeito emocional. Isso exigirá que trabalhem em pares, e faremos uma prática de identificação sem misturar substâncias. Quero ver uma lista de até cinco ingredientes comuns nas poções do amor, da coragem, ou da alegria.

— Acho que podemos começar com algumas especulações — disse Mi-Sun, quebrando o silêncio com um tom prático e direto, vendo que o Black estava apenas focado em seu livro. — Você... já tem alguma ideia dos ingredientes?

Regulus ergueu os olhos para ela, o rosto sem expressão, embora os olhos mostrassem um leve brilho de interesse.

— Acho que as essências básicas de Amortentia incluem extrato de rosa, óleo de jasmin e talvez uma pitada de raíz de valeriana. — Ele falava como se recitasse uma lista de compras, sem qualquer emoção.

Mi-Sun assentiu, anotando os ingredientes. Conhecia um pouco sobre as propriedades de cada um, mas sabia que Regulus provavelmente já dominava cada detalhe com precisão. Ele parecia ter uma afinidade natural com Poções, algo que até ela tinha que admitir.

— Raiz de valeriana tem propriedades que acalmam o usuário. O que é útil em uma poção de efeito emocional, principalmente em casos de ansiedade, por exemplo. — Ela se permitiu uma leve observação, notando como ele a escutava atentamente.

— Exatamente — respondeu ele, um canto da boca quase esboçando um sorriso. — E o óleo de jasmin amplifica a intensidade da emoção. Eu incluiria pétalas de narciso se estivéssemos preparando uma poção do amor realmente intensa.

— Narciso? — Mi-Sun o olhou de relance, surpresa. — Por que incluir uma flor associada ao ego?

Ele deu de ombros, sem perder a calma.

— A Amortentia não causa amor de verdade, apenas uma obsessão. E a obsessão é o que a torna tão potente e perigosa. O narciso amplifica o desejo, mas de uma maneira que envolve possessão, e não afeto.

Por um momento, os dois se encararam, cada um ponderando o peso das palavras e do que elas implicavam. Regulus parecia diferente quando falava de poções; era como se visse cada ingrediente não apenas como uma substância, mas como uma representação de emoções humanas que ele compreendia, mesmo que a distância.

O silêncio entre eles foi quebrado pela risada alta de Slughorn, que atravessou o laboratório por algo que algum aluno deveria ter dito.

— Meus caros, espero que estejam anotando tudo! — disse ele. — Porque o próximo passo será uma tarefa em dupla, e dessa vez quero que desenvolvam um projeto especial sobre as propriedades de poções emocionais. Vocês têm um mês para concluir, e me entreguem um relatório completo com anotações e conclusões.

— Nos vemos na biblioteca depois da aula para decidir o que faremos? — sugeriu Mi-Sun, sabendo que o trabalho poderia ser extenso — Quanto antes começarmos, melhor.

Regulus assentiu e disse: — Podemos começar com a pesquisa básica e, depois, dividir o trabalho.

Enquanto os outros alunos se dispersavam, Slughorn voltou a falar, explicando o conteúdo dos próximos encontros. Mi-Sun notou que Regulus estava quieto, como se perdido em pensamentos, com as sobrancelhas levemente franzidas.

Assim que a aula terminou, ambos começaram a guardar seus pertences, mantendo o mesmo distanciamento. Mi-Sun já estava se preparando para sair quando sentiu uma presença ao seu lado.

— Regulus — chamou um aluno da Sonserina, alguém que ela já tinha visto com Regulus em muitos momentos, de maneira casual, embora seu olhar fosse afiado. — Preciso falar com você.

Regulus não olhou para Mi-Sun, que ainda estava ali, mas ela podia notar que ele demonstrou uma certa impaciência enquanto guardava os materiais na mochila.

— Depois falamos sobre o trabalho. — A voz dele era baixa, quase um murmúrio quando encarou a Park, que apenas assentiu.

Mi-Sun sentiu uma leve ponta de curiosidade sobre o que eles iriam conversar, mas logo balançou a cabeça se livrando dos pensamentos enquanto ia encontrar as amigas fora da sala. 

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Notas da autora: Hey pessoal, como estão?

Mais um capítulo e claro, um clichê de trabalho de escola porque a autora aqui ama clichês mas não será tão simples assim...

Me digam o que estão achando, quero saber de tudo!

Até o próximo!

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