Capítulo 33: Fugindo de Asgard

  Me viro lentamente para ver quem estava querendo impedir a minha fuga, que era ninguém menos que Uller.

  — Para onde você vai, garotinha? — Seguro minha vontade de revirar os olhos, com a sua pergunta. Não era óbvio?

  — Vou atrás do Loki. — Respondo a sua pergunta. Então, ele nota a minha mala, para o meu azar.

 — Com a sua mala? Está fugindo por acaso?

 — Eu só quero ir embora. — Engulo em seco com medo dele me impedir.

  —  Me dê motivos. — Ele aproxima-se de mim.

  —  A sua mãe...ela falou coisas horríveis para mim e o Thor não acreditou. — Conto a ele e sinto os meus olhos se encherem de lágrimas.

  — Que coisas horríveis? — Pergunta preocupado e aproxima-se ainda mais.

  — Que eu sou apenas uma bastarda e que jamais serei aceita na família. — Falo tudo isso a ele, que me puxa para um abraço.

  — Eu sei que ela fala coisas que magoam, mas não ligue. Para mim, Lorride, Thor e Loki, você já faz parte da nossa família. — Dou um sorriso e me afasto dele.

  —  Até que você é legal, apenas quando quer. — Falo rindo.

  — Sim, mas não conte para ninguém que nos abraçamos.

  — Vai me ajudar? — Questiono receosa.

  — Claro que sim, vamos? — Ele pega a minha mala e começamos a andar.

  — Será que o carinha do portal vai me deixar ir sem a permissão do Thor?

  — Ele nem vai estar lá. — Diz convicto.

  — Como você sabe? — Pergunto a ele.

  — As vezes eu saio. — Ele diz e dá de ombros. — Mas para chegarmos a tempo lá, seria bom se tivéssemos uma nave.

  — Eu tenho. — Ouvimos uma voz feminina e nos viramos para ver quem falou. E lá estava Gamora.

  — Você vai me ajudar? — Pergunto com um sorriso em meu rosto.

  — Claro, por que não ajudaria? Vamos.

  Caminhamos os três lado a lado, saímos do palácio com cuidado para não sermos notado pelos guardas, assim que saímos vejo uma nave e entramos.

  — Vão para o portal? — Pergunta ela e se acomoda em uma cadeira, faço o mesmo e Uller também.

  — Sim. — Respondo e ela começa a pilotar.

  — Por que está fugindo?

  — Problemas familiares.

  — Sei muito bem como é. — Ela fala. —  Mas família é algo muito importante, não devemos desistir tão fácil deles mesmo que não seja do mesmo sangue. 

  Após ela falar isso, ficamos em total silêncio. Logo chegamos no portal, Gamora disse que ficaria de olho e esperaria Uller para voltarem, dou um abraço nela e agradeço pela ajuda.

  Saio da nave com Uller que leva a minha mala, ficamos atento caso alguém aparece. E não é que ele estava certo, Heimdall não estava no seu posto.

   Uller começa a mexer no sistema e pergunta para onde vou. Penso que uma hora dessa devia ser tarde em Nova York, então logo surge um lugar em minha mente.

  Digo para ele o endereço, que rapidamente coloca.

  — Pode ir. — Ele fala e o abraço.

  — Muito obrigada de verdade.

  — Peço desculpas pela a minha mãe, sei como ela é.

  — Tudo bem. — Me afasto dele e dou um sorriso fraco.

  — Espero te ver logo, gracinha. — Reviro os meus olhos com o que ele fala.

  — Eu já espero que esteja menos chatinho. — Debocho me afasto dele, vou até o local.

  — Até breve, Anny.

  —Até nunca mais, Uller.

  Claro que eu gostei de ter conhecido Asgard e os meus irmãos, na verdade gostei apenas da Lorride e do Uller, mesmo ele não sendo meu irmão de verdade, mas passei o considerar. Só espero que o Thor não tenha a cara de pau de vir atrás de mim, depois de tudo isso.

  A luz branca me atinge, começo a gritar e logo me encontro no chão. Espero a minha tontura passar, me sento no chão e pego o meu celular, clico em ligar para o Peter que chama e em dois toques ele atende.

  — Alô? — Ouço a voz dele e solto um suspiro aliviada.

  — Estou em seu prédio, no térreo.

  — Anny? O que você tá fazendo aqui? Você não estava em Asgard?

  — Só vem, Peter. Eu preciso de você.

  — Eu já estou indo. — Desligo a ligação e coloco o meu celular no bolso.

  Em alguns minutos ele chega ofegante.

  — Anny, o que aconteceu? — Ele pergunta. Apenas me levanto e  o abraço fortemente.

  — Deu tudo errado Peter. Jamais devia ter ido lá. — Falo segurando a vontade de chorar, eu não devia derramar nenhuma lágrima mais por eles.

  — Calma, vamos para o meu apartamento e lá você me explica tudo. — Me afasto dele.

  Fomos para seu apartamento, entramos e noto que parecia que ele estava sozinho.

  — Cadê a sua tia?

  — Saiu...com o Happy.

  — Com o Happy? Eles estão saindo juntos? — Pergunto curiosa.

  — Sim, ainda tenho que conversar com ele sobre isso.

  — Conversar? A sua tia é maior de idade e vacinada. — Caminhamos até o quarto dele e adentramos.

  — Eu sei, mas quero apenas quero conversar para saber as intenções dele. — Acabo rindo com o que ele fala. — Já volto.

  Ele sai e fico olhando atentamente a decoração de seu quarto que havia posts do filmes que ele gosta, mas tinha algo novo. Um telescópio, não me lembro de ter visto antes, será que tinha e eu não havia reparado?

  Posiciono ele na janela e agacho-me um pouco, ajeito a direção dele e vejo as estrelas, algumas constelações, tudo muito lindo.

  — Gostou do telescópio? — Ouço Peter perguntar, nem visto ele entrar.

  — Bastante, onde você comprou? - Me viro para ele e vejo duas xícaras, ele me entrega uma e vejo que era chocolate quente com marshmallows.

  — Ah, eu que fiz. — Diz ele e dá de ombros, fala como se não fosse nada demais.

  — Peter Parker sempre me surpreendendo, você não tem nenhum defeito garoto? — Finjo estar irritada e nos sentamos na cama dele.

  — Me desculpe por ser tão perfeito. — Rimos juntos e tomo um gole do meu chocolate quente.

  — E ainda por cima faz um ótimo chocolate quente, podemos casar já. — Digo na brincadeira e ele ri.

  — Quem sabe daqui um tempo eu te peço em casamento. — Acabo corando com o que ele fala. —  Então, o que te fez voltar tão cedo? Você deve ter passado só uns dois dias lá.

  — Passei quatros para ser exato e minha madrasta me fez voltar tão cedo.

  — E você tem uma?

  — Tenho e ela é tão má, me tratou super mal, acredita? Me senti uma cinderela, só que sem ter que limpar o palácio.

  — Sério? Mas por que essa raiva toda de você? Foi uma péssima comparação. — Ele pergunta e ri.

  — Óbvio que é porque o Thor traiu ela, então resolveu descontar em mim.

  — O que ela falou para você?

  — Disse que eu era uma bastarda, que jamais iria ser aceita na família. — Conto a ele tudo que aconteceu, seco uma lágrima teimosa que escorrera em meu rosto.

  Ele pega a minha xícara e deixa em uma cômoda que fica ao lado da cama dele, puxa-me para um abraço que aceito de bom grado.

   — Jamais leve em consideração o que essa mulher falar, claro que você faz parte dessa família e também de outra.

  — De outra? Qual? — Pergunto e coloco a minha cabeça em seu peito, onde ouço o seu coração bater acelerado.

  — A sua família daqui Anny. Ned, MJ, sua avó...e eu.

  — É verdade, vocês que são a minha família de verdade e não a família Odinson. — Digo e me afasto um pouco dele e olho para seu rosto, estávamos bem próximo.  — Obrigada, Peter. De verdade, eu não podia chegar em casa nesse horário e preocupar a minha avó, você sempre está me ajudando em tudo.

  — É o mínimo que posso fazer por você Anny. Errei feio com você e quero apenas me redimir.

  — Que tal esquecermos isso que aconteceu? — Sugiro e olho nos olhos dele.

  — Esquecer? Como? — Ele pergunta confuso.

  — Assim.

  Puxo ele para um beijo, calmo e sempre como se fosse a primeira vez, sinto borboletas em meu estômago, assim que encerramos o beijo, deixo um selinho nos lábios dele e sorrimos.

  — Se for para esquecer as coisas, que seja sempre assim. — Dou um tapa leve em seu braço.

  — Nunca imaginei que ficaríamos tão próximos.

  — Nem eu.

  — Ainda mais porque você era todo apaixonadinho pela Liz.

  — Está bem, eu era mas agora sou por outra pessoa.

  — Bom saber. — Sorrio com o que ele diz. — Que tal dormirmos? Estou bem cansada.

  — Claro. Eu vou me trocar no banheiro, já volto. — Ele se levanta da cama, pega as xícaras e logo saí do quarto com o pijama dele.

  Levanto-me da cama também, abro a minha mala e saio a procura do meu pijama, logo acho e o visto rapidamente. Bateu um nervosismo, não iria rolar nada comigo e com Peter, certo? Apenas iríamos dormir como bom namo...amigos.

  Ajeito a minha mala e fecho ela, me sento na cama e logo Peter retorna vestido com uma samba canção e um moletom.

  Nos ajeitamos na cama e encosto a minha cabeça no peito dele, que logo em seguida inicia um cafuné em meus cabelos.

  — Boa noite, Peter. — Digo já fechando os meus olhos.

  — Boa noite, Anny.

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