Capítulo 19: deus do trovão?

  Havia se passado um mês, tudo estava indo muito bem, por incrível que pareça. Será que só eu acho que quando as coisas estão indo muito bem algo de ruim pode acontecer e estragar tudo?

  Nesse mês que havia se passado, fui bem nas provas, aproximei-me mais do Peter, estamos saindo até algumas vezes juntos. 

  Noah estava sendo bem legal e estamos indo super bem na livraria, minha vó disse-me que nas férias iria fazer uma surpresa, tentei de tudo para descobrir o que seria, mas não consegui de maneira nenhuma.

  A feira de ciências está bem próxima, só que ainda faltava mais de um mês. Temos essa feira para mostrarmos o nosso talento e para tentarmos ganhar o prêmio. Ainda tento convencer o Peter de irmos para a Universal, mas ele insiste de ir para NASA.

  Neste exato momento estou saindo da quadra, tive duas aulas de educação física seguidas, estou morta de cansaço, comecei a participar com o novo professor para não ter problemas. 

  Vou para o vestiário e tomo um banho, visto a roupa que eu estava usando antes da aula, faço um coque em meu cabelo e ouço o sinal tocar, dirijo-me para o refeitório.

  Desta vez colocaram uma professora para ocupar o lugar do Thomas, ela é até legal, mas obriga todo mundo participar, essa é a parte ruim.

  Assim que adentro, entro na fila e pego o que estava querendo comer. Vou em direção a mesa onde estava a galera.

  — Oi, gente. — Dou um sorriso e me sento.

  — Oi, Anny. — Diz MJ e o restante faz o mesmo.

  — Falta só um mês para a feira de ciências. — Diz Ned, animado.

  — A gente poderia usar a máquina. — Jogo a ideia a eles.

  — Não seria uma boa ideia, Anny. — Peter como sempre com medo de se arriscar.

  — Vocês sabem por que quero isso. - Digo e vejo Peter ficar tenso.

  — Seria uma boa para a Anny, ela pelo menos descobriria quem é o pai dela. — Diz MJ despreocupada e dá de ombros, vejo os meninos trocaram olhares.

  — Vocês tem algo contra a isso? — Pergunto e olho para eles meio desconfiada.

  — Claro que não, por que teríamos? — Diz Peter rapidamente e a minha desconfiança diminui.

  — Que tal sábado? — MJ sugere.

  — Pode ser. 

   Como o restante do meu lanche e eles ficaram conversando, apenas observo eles e pensando o porque de os meninos ficarem tão tensos.

                         ******************

  O restante da semana passou-se lentamente, e hoje já era sábado. Tinha acabado de me arrumar, contei a loucura que iria fazer para a minha avó que como sempre estava me apoiando.

  — Querida, aproveite essa oportunidade de ficar perto da sua mãe, mesmo que ela não saiba quem é você, irá sentir algo diferente assim que pôr os olhos em você.

  Emociono-me com suas palavras e lhe abraço muito forte, ouço a companhia tocar, me afasto dela. Deve ser o Peter, na noite passada combinamos de irmos juntos.

  — Te amo, vovó. — Digo e sorrio para ela.

  — Te amo mais, querida. — Despeço-me dela e abro a porta, dou um sorriso e tenho um movimento involuntário, fecho a porta e jogo-me nos braços do Peter, abraço ele bem forte, no começo ele não retribui, talvez tenha estranhado, mas logo me abraça de volta.

  Ficamos alguns minutos em silêncio, até que resolvo dizer algo.

  — Obrigada por tudo, Peter. Você é muito importante para mim. — Falo e desvencilho-me de seu abraço.

  — Pelo o que está me agradecendo?

  — Por tudo, por estar sempre ao meu lado, por despertar o meu melhor lado, pensei que você fosse apenas um nerd chato.

  — Está tão carinhosa que estou até com medo. - Ele ri e dá-me um beijo na testa.

  Isso virou rotina e amo cada vez que ele faz isso. Sim, estou me apaixonando por Peter Parker, cada gesto dele aquece o meu coração.

  — Vamos?

  — Vamos. — Entrelaçamos as nossas mãos e saímos do prédio juntos, fomos caminhando até o metrô que fica próximo de onde moro.

  Entramos no metrô. Fomos o caminho todo conversando, o trajeto foi até bem rápido. Descemos em uma parada antes e fomos caminhando até a torre dos vingadores, ainda de mãos dadas, mas assim que passamos pela porta solto a minha mão e o Peter entende, logo avistamos a MJ e o Ned. Cumprimentamos eles e entramos no elevador, fomos para o andar onde a máquina estava.

  Logo chegamos no andar e verificamos se estava tudo certo com a máquina e o sistema, vestimos as roupas especiais.

  — Vocês já sabem para qual dimensão iremos? — Ned questiona.

  — Acho que isso está bem óbvio. — MJ fala, direciona o seu olhar para mim.

  — É isso que você quer realmente Anny? — Peter se aproxima de mim e coloca sua mão em meu ombro.

  — É sim, eu quero muito saber quem é o meu pai.

  — Então vamos.

  Programamos a dimensão que iremos que é o ano de 2002, precisamente para o final do mês de julho, deve ser nessa época que minha mãe deve ter conhecido o meu pai.

  Cada um verificou se sua roupa estava tudo ok, entramos cada um em cápsulas separadas, só iria eu, MJ e o Peter. Ned teria de ficar para programar o sistema e ele não estava afim de ir para a época em que seus pais se conheceram, ele disse que sempre evita de ver os pais se beijando porque acha nojento.

  Me sento na cápsula e coloco os equipamentos de segurança, fecho os meus olhos e sinto a máquina girar rapidamente, quando acaba, abro os olhos e veja que já tínhamos chegado, tiro a roupa especial e  saio da cápsula. Olho ao redor e vejo Peter vindo até a mim, um pouco receoso.

   — É isso que você quer realmente, Anny? — Peter pergunta novamente.

   — Sim...eu queria apenas ver a cara do homem que abandonou a minha mãe, queria tentar entender se ele sabia ou não que eu estava vindo ou se...nos abandonou apenas por maldade. — Falo e respiro fundo, lágrimas já estavam querendo descer dos meus olhos sem a minha permissão.

  — Estarei aqui independente de qualquer coisa. —  Ele dá-me um beijo em minha testa e eu apenas assinto.

  — Vamos nos encontrar aqui neste mesmo lugar daqui a uma hora né? - Falo e eles concordam.

  Ando em direção ao caminho oposto e vejo que estavam em uma distância boa, pego a câmera que estava na minha blusa e jogo no chão, piso em cima, esse momento era apenas meu e não queria que ninguém mais visse. Saio andando em direção a livraria onde a minha mãe trabalhava que é a mesma onde eu trabalho atualmente.

  Infelizmente acabei perdendo muito tempo andando, deve ter se passado uns quarenta minutos, avisto a livraria aberta e fico aliviada. Tenho que correr contra o tempo, posso ficar apenas uma hora e meia. Agora senti-me um pouco apreensiva e se o meu pai não aparecer aqui? Seria muito azar.

  Entro na livraria e vejo o quão diferente é de hoje em dia. Olho ao redor e saio andando pela a loja, vejo uma moça loira e finjo que estou à procura de um livro, ela vem até a mim e sorri.

  — Olá, precisa de ajuda? — Ela olha para mim e sorri. Fico um pouco sem ação, sem saber o que falar com a minha mãe.

 — Olá. — Olho para ela e respiro fundo. — Preciso sim... — Penso em qual livro pedir, logo lembrei que minha avó vive dizendo que o livro favorito dela era Romeu e Julieta. — Você o tem livro Romeu e Julieta...?

  — Sim, temos sim. Meu nome é Sophia e o seu é?

  — Anny. — Estendo a minha mão para ela que aperta e logo solta.

  —  Que nome lindo, se eu tiver uma filha esse será o nome dela.

  —  Obrigada. —  Sorrimos juntas e ela me entrega o livro.

  —  Já leu esse livro?

  —  Já sim, é um dos meus favoritos. — Realmente era um dos meus favoritos, tenho uma lista imensa.

  —  Que coincidência, também é o meu favorito.

  Antes que eu falasse algo, ouvimos o barulho de um sino, sinalizando que alguém entrou, aproveito e olho no meu celular para verificar a hora. Faltava apenas meia hora para voltar a máquina, mas infelizmente não tinha visto o meu pai.

  O melhor era voltar, deixo o livro na instante vejo a Sophia com um cara, os dois estavam se beijando. Será que era o meu pai? Infelizmente não estava conseguindo ver os dois.

  Dou uma tosse forçada para que os dois me notassem, eles se viram e Sophia estava vermelha, olho para o cara que estava com ela e fico em choque ao saber. Que o meu pai era o...Thor...sim, o Thor, o deus do trovão.

  Meu Deus, Thor era o meu pai e esse tempo todo ninguém tinha me falado nada.

  Ela sorri para mim e resolve nos apresentar.

  —  Anny, esse é o Theo meu namorado. — Ele estende a mão para mim e o cumprimento.

  —  É um prazer lhe conhecer. Tenho que ir, tchau.

  Saio da livraria em disparada, nem espero eles responderem. Esse tempo todo eles sabiam e não falaram nada.

  Todos mentiram e enganara-me, Tony Stark, Bruce, Scott, Capitão América e todos os outros. Até o Peter deveria saber disso, como ele pôde fazer isso comigo?

  Sinto lágrimas brotarem em meus olhos, será que Ned e MJ também sabiam? Com certeza sabiam, Peter fala tudo para eles, menos para mim, sempre sou enganada, sinto alguém pegar em meu braço e viro para ver quem era.

  E lá estava ele, Peter Parker o cara que entreguei a minha confiança e acabou com tudo que construímos por causa de uma maldita mentira.

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