Capítulo 15
Com todos os novos passageiros acomodados no Peregrino da Alvorada, e devidamente secos, Caspian organizou um pequeno bote onde Mila, Lúcia, Áurea, Edmundo, Eustáquio e Ripchip começaram a remar em direção às ondas que nunca se quebravam no horizonte.
— No começo doeu — Eustáquio contava sobre seu encontro com Aslan e em como havia voltado a ser um menino — Mas foi uma dor boa sabe? Como quando se tira um espinho do pé. Peço desculpas para todos, acho que fui um dragão muito melhor do que um menino.
— Tudo bem Eustáquio — Edmundo disse — Você foi um dragão bem legal.
O menino sorriu, diferentemente de quando estavam na Inglaterra e vivia brigando por qualquer coisa com o primo mais velho.
— Sabe de algo que me dei conta somente agora? — Mila perguntou olhando para Áurea — Você não nos disse direito o que houve depois que sumiu de Nárnia.
— Não? — a loira viu Caspian e Mila negarem — Bom. Eu encontrei com Aslan quando fui até as partes da antiga Nárnia e ele conversou comigo dizendo que tinha algum tipo de missão para mim no outro mundo, o mesmo mundo de onde vinha os Pevensie, e quando chegasse lá deveria encontrar com Digory Kirke. Eu o encontrei, mas parecia que ele sabia que eu viria pela expressão ao me ver. Ele me acolheu, contei para ele sobre Nárnia e sobre os meus sonhos, que por incrível que pareça ele tinha livros sobre o povo de Willow.
— Povo de Willow? — Caspian perguntou curioso — Nunca ouvi falar.
— Eles não existem mais, são da época em que a Feiticeira Branca condenou Nárnia aquele inverno terrível — comentou Mila para o rei — Foram eles que fizeram a profecia dos Pevensies, e por conta disso ela matou todos.
— Mas duas pessoas fugiram, e acabaram parando em Telmar. Uma delas era da nobreza, Mila é sua descendente assim como a outra, que via o futuro através dos seus sonhos como eu, é a minha antepassada — Áurea respondeu — Eu soube disso através de um livro que tinha na casa do professor Kirke, um livro que foi presente de Aslan. Eu li aquilo várias e várias vezes, até encontrar Aslan em um sonho e ele me confirmar tudo.
— Então a sua missão era descobrir de onde vieram seus poderes? — Caspian perguntou e a loira concordou.
— Inicialmente sim, até que um dia, o professor recebeu a visita de Pedro que iria terminar seus estudos com ele. Assustamos no começo, porque o senhor Kirke me mantinha sob a sua tutela e Pedro não imaginava isso, então foi questão de tempo até ele escrever uma carta contando aos irmãos sobre mim e irmos visitar Lúcia e Edmundo, que estavam morando com Eustáquio — a loira sorriu para os três — No dia que voltamos para cá, eu estava indo visitá-los novamente quando os encontrei na rua, fui com eles até a casa do tio deles quando um quadro dentro do quarto de Lúcia começou a sair água, tudo se alagou e acabamos nos mares narnianos.
— Isso é tudo tão... — Mila ia dizendo quando Lúcia interviu.
— A cara de Nárnia? — perguntou rindo levemente.
— Exatamente.
— Meus amigos, nós chegamos — Ripchip anunciou quando eles chegaram na praia.
Todos desceram do barco e foram caminhando em direção às ondas, que de perto pareciam ainda mais magníficas do que de longe.
— Aslan — Eustáquio disse ao ver o leão que caminhava atrás deles, e todos fizeram o mesmo.
— Muito bem crianças, agiram muito bem, muito bem mesmo — a voz serena do leão fez com que todos se sentissem em paz — Mas agora, a viagem acabou.
— Estamos no seu país? — Lúcia questionou.
— Não, meu país é para lá — apontou para além das ondas — Mas saibam que se forem, não terá volta.
— Meu pai está em seu país? — Caspian perguntou. Desde que seu pai havia dito que gostaria de navegar até chegar ao país do grande leão quando ainda era uma criança, o rapaz nunca havia se esquecido disso um minuto sequer.
— Só há uma maneira de saber.
Os olhos castanhos do rapaz se encontraram com os da noiva que somente assentiu em forma de apoio, porque ela sabia dessa vontade que ele guardou por tantos anos e seria egoísmo pedir para que ele não fosse agora que tinha a oportunidade em mãos. Caspian caminhou até as ondas, tocou nelas sentindo uma sensação de conforto lhe abraçar como um caloroso cobertor mas recuou.
— Você não vai? — Edmundo perguntou surpreso.
— Meu pai não ficaria feliz em me ver desistindo de algo que ele lutou tanto — ele comentou antes de olhar para Aslan — Eu tenho um povo, um reino e prometo ser um rei melhor.
— Já está sendo. Agora, crianças...
Não foi preciso falar muito para que Lúcia e Edmundo entendessem que aquela seria a última vez em Nárnia, assim como os seus irmãos mais velhos, eles já cresceram e aprenderam o máximo que puderam naquele lugar.
— Espere — Ripchip se pronunciou indo em direção ao leão — Majestade, desde que era somente um filhotinho sonho com o momento que pudesse entrar em seu país. Vivi mil aventuras, mas essa vontade ainda domina meu coração e por ela, deixo minha espada para ver o seu país com meus próprios olhos se me permitir.
— Meu país é feito para corações como o seu, sejam eles grandes ou pequenos.
— Obrigado — o nobre rato se curvou em respeito.
A despedida de Ripchip com o grupo foi consideravelmente rápida, mesmo o abraço de Lúcia, Mila e Áurea no pequeno rato tenha sido um pouco mais demorado e um pequeno discurso de Eustáquio ao novo amigo tenha arrancado algumas lágrimas do menino. Ripchip, assim como havia dito, deixou sua espada cravada na areia antes de entrar no pequeno barco e remar em direção às ondas, até sumir de vista.
— Áurea — o leão se dirigiu à menina — Você tem uma escolha de ficar ou ir, mas se ir com Lúcia e Edmundo, não poderá voltar para Nárnia assim como eles.
A Dellavita olhou para Caspian e Mila parados, exatamente como um sonho que teve ainda no outro mundo, e sorriu.
— Nárnia ficará bem com eles — ela disse para o leão, que assentiu com a escolha da garota.
— Então, acho que é hora de dizer adeus — Mila disse para a loira, com a voz embargada pelo choro, antes de abraçá-la.
— Eu diria que é somente um até breve — Áurea sussurrou perto do ouvido da morena que imaginou o que ela queria dizer com aquilo.
— Vocês todos são a família que não tive, inclusive você Eustáquio — disse Caspian abraçando o menino que agradeceu um pouco tímido — Vão fazer falta.
Lúcia e Áurea choravam durante a despedida com Aslan, Edmundo segurava o choro tentando ser forte por sua irmã e sua namorada. Os quatro se dirigiram para a abertura entre as ondas, e quando Eustáquio perguntou se um dia voltaria, Aslan apenas disse que talvez em algum futuro Nárnia pudesse precisar dele novamente.
A passagem se fechou levando-os de volta para o mundo deles.
— Agora, meu rei e minha futura rainha — o leão disse para os dois — Governem Nárnia com sabedoria.
— Aslan, queríamos dizer algo ou melhor, propôr — Mila falou para o leão, sentindo Caspian lhe abraçar pela cintura — Você celebraria o nosso casamento em alguns dias?
— Será uma imensa honra.
⟅✾⟆
O retorno do Peregrino da Alvorada foi recebido com festa no porto, todos querendo ver o navio que voltava de uma intensa viagem. Mila arrumava suas coisas quando ouviu duas batidas na porta, e nem precisou se virar para saber quem era.
— Já estou indo Caspian, não precisa me apressar.
— Jamais apressarei minha rainha — ele disse abraçando a garota por trás — Está pronta para governar ao meu lado?
— Ainda precisamos nos casar e eu ser coroada, tem uma pequena burocracia por trás.
— Apenas formalidades, porque para esse povo, você já é a rainha — ela se virou na direção dele sentindo as mãos dele em sua cintura — A que eu sempre tive esperando, a minha rainha. Do meu coração, corpo e alma.
Os dois se beijaram de forma apaixonada, verdadeira, com todo o sentimento que guardavam em seu corpo, deixando-os aflorar agora sem medo de não ser recíproco.
Porque agora, eles sabiam que era. E sempre seria até o fim dos tempos.
⟅ FIM ⟆
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top