Capítulo 03

Era por volta do meio dia, Mila lia um livro em seus aposentos no navio quando ouviu barulhos vindos do convés e uma agitação maior do que o normal.

– Mas o que está havendo lá em cima? – se perguntou fechando o livro e indo até o convés.

Quando seus olhos se acostumaram com a claridade do sol, Mila notou uma garota com toalhas nos ombros e os cabelos loiros molhados que reconheceria em qualquer lugar.

– Áurea? – perguntou chamando a atenção da garota.

– Mila!

– Por Aslan! 

As duas correram para se abraçarem e Mila não se importou se isso a deixaria ensopada, sua amiga estava de volta.

– Mas como?

– Não vim sozinha.

Quando a morena olhou para quem estava ao lado de Caspian, deixou um sorriso escapar ao ver que Lúcia e Edmundo também estavam no barco.

– Majestades – exclamou se curvando em respeito – É ótimo vê-los novamente.

– Também é bom vê-la novamente Mila – falou Edmundo – Pra falar a verdade, é maravilhoso voltar a Nárnia.

– É tão bom estar de volta – comentou Lúcia sorrindo – E não precisa se curvar para nós, sabe disso.

Antes que Mila pudesse falar algo, uns gritos estridentes foram ouvidos e a garota viu um menino se debatendo tentando tirar Ripchip de cima dele.

– Tira esse bicho de cima de mim!

– Eu só estava tentando tirar a água dos seus pulmões rapazinho – comentou o rato fazendo o garoto arregalar os olhos.

– Vocês ouviram? Ele falou! Um rato falou! E eu quero saber eu estou! E exijo voltar a Inglaterra!

– Ele sempre fala, não precisa se assustar porque é a coisa mais normal – comentou Mila se aproximando do garoto e estendendo a mão para que ele pudesse se levantar – Você está se sentindo bem?

As bochechas do garoto ficaram vermelhas que Mila pensou que ele fosse explodir ou algo parecido, e meio trêmulo, ele aceitou a mão estendida.

– Qual seu nome? – perguntou a Bianchi.

– E-E-Eustáquio – respondeu de forma gaga – Onde eu estou?

– Está no Peregrino da Alvorada, o melhor navio da marinha de Nárnia – o minotauro que estava ao lado de Mila respondeu e novamente o garoto caiu no chão desmaiando, o que arrancou risadas dos marujos.

– Cuide dele por favor – pediu a garota ao minotauro que se curvou em respeito murmurando um "milady".

– Marujos, vejam nossos náufragos – Caspian chamou a atenção de todos subindo em cima de um barril – Edmundo o Justo, e Lúcia a Destemida, grandes rei e rainha de Nárnia. E Lady Áurea.

Todos se curvaram para os novos recém chegados antes de voltarem a suas funções.

– Mila, as duas podem ficar com você em sua cabine? – questionou Caspian.

– Não precisava nem dizer, é óbvio que elas vão ficar comigo – falou a morena entrelaçando seus braços nos de Lúcia e Áurea – Ainda bem que agora tenho companhia feminina neste navio, a viagem será muito mais agradável agora.

– Depois leve-as ao escritório, precisamos deixar todos a par das coisas – disse Caspian.

– Pode deixar, aliás, também troque de roupas e dê algumas a Edmundo porque ninguém merece ficar ensopado.

– Como quiser majestade – Caspian disse irônico fazendo com que Mila revisasse os olhos e com que Lúcia trocasse olhares desconfiados com Áurea.

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A Bianchi separou as melhores roupas para as garotas, embora Lúcia ficasse um pouco constrangida em usar calças no início por não estar acostumada, Áurea por outro lado, ficou empolgada com as novas peças de roupas.

– Isso é tão legal, obrigada Mila – falou a loira se olhando no espelho.

– Não foi nada. Vou separar também roupas para dormir, acho que vão servir as que eu tenho aqui comigo.

– Mila, eu notei que Caspian te chamou de majestade, por que ele fez isso? – perguntou a mais nova dos Pevensie curiosa.

– Por nada – desconversou a morena – Vamos? Acho que já estão nos esperando.

Áurea apenas observou e sabia que havia algo que a garota escondia, mas questionaria aquilo mais tarde.

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Assim que Caspian abriu a porta do escritório, os Pevensie e a Dellavita entraram encantados com o cômodo que carregava a figura de Aslan dourada além das suas armas.

– Isso está melhor do que eu projetei – comentou Áurea passando a mão pela figura de Aslan.

– Fizemos questão de manter tudo como pensou – comentou Caspian.

– Mas por que estamos aqui? – perguntou Edmundo – Qual o problema?

– Isso que estou me perguntando – comentou Caspian olhando o mapa na mesa – Depois que derrotamos o exército da Calormânia no Grande Deserto, a paz reina em toda Nárnia.

– Paz? – perguntou Lúcia.

– Em apenas três anos – completou Mila.

– Já encontrou uma rainha para você nesses últimos três anos? – perguntou a mais nova dos Pevensie.

– Bem...estou noivo – comentou o rei.

Caspian abaixou a cabeça constrangido e Mila olhou para o lado cruzando os braços, Áurea notou rapidamente no ato da morena um anel em seu dedo que era lhe familiar. 

– Espere – interrompeu Edmundo fazendo com que Mila suspirasse de alívio por dentro antes que Lúcia perguntasse mais alguma coisa – Mas se não há lutas, porque estamos aqui?

– Antes de partir, Caspian queria saber o que houve com os amigos do pai dele – respondeu Áurea – Imagino que seja isso.

– Sim, seja o que for que aconteceu, é meu dever descobrir – comentou com pesar na voz – Estamos indo para as Ilhas Solitárias.

– E o que fica a leste das Ilhas Solitárias? – perguntou Lúcia olhando para o mapa e vendo um grande vazio.

– Águas não mapeadas majestade – respondeu Drinian se pronunciando pela primeira vez – Lugares que ninguém foi, alguns marujos falam sobre a existência de serpentes marinhas ou bichos piores.

– Serpentes marinhas? – Edmundo questionou com um sorriso nervoso.

– Pois bem capitão, já chega de suas histórias – falou Caspian antes de pegar uma maçã na fruteira no canto e dar uma mordida.

– Mila, eu e Lúcia podemos falar com você? Apenas para ficarmos sabendo melhor sobre o que houve em Nárnia – comentou Áurea – Acho que Caspian e Edmundo tem muito trabalho para fazer agora.

– Sim, vamos conversar no quarto que temos mais privacidade – concordou a morena.

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Logo que Mila fechou a porta, viu os olhares curiosos de Áurea e confusos Lúcia sobre si.

– O que foi?

– Mila, me responda algo com sinceridade – iniciou a loira colocando as mãos na cintura.

– O que quiser.

– Você e Caspian estão tendo alguma coisa? E não negue porque vi o anel em sua mão – disse a Dellavita.

A Bianchi pensou em desconversar mas a verdade viria à tona cedo ou tarde, então era melhor que fosse cedo.

– Eu e Caspian vamos nos casar.

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Notas da autora: Hey pessoal, como estão?

Os Pevensie e Áurea estão de volta a Nárnia! Com Eustáquio na bagagem, e por falar nele parece que alguém tem um leve crush na Mila, o que acharam da reação dele vendo a garota?

Eu mudei algumas falas para se encaixar melhor na trama como vocês puderam ver, nada que vá alterar, mas quero saber o que estão achando.

Até o próximo!

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