Ενας
Kim Taehyung
Estava cansado daquilo, passara — infelizmente — tantas vezes por aquele tormento que quase decorou as falas de Seokjin. Era sempre a mesma coisa todo fim de semestre, ele repetia sempre as mesmas falas diversas vezes para que ficasse fixado em sua mente como um mantra. Preferia ser torturado por algum psicopata paranormal — coisa que seu departamento era responsável — que ele caçava, do que ouvir as mesmas palavras repetidamente em um looping infinito e entediante. Já sabia todo aquele discurso de cor, qual a necessidade de repetir a mesma coisa diversas vezes? Não é que como se já não soubesse aquilo de frente para trás, não iria entrar mais fundo em sua cabeça, só o deixaria com mais sono.
Sua cabeça estava abaixada sobre a mesa, não ligou se aquilo mostrava nitidamente a qualquer um daquela grande e espaçosa sala seu desinteresse no assunto. Devia ser a vigésima vez que passava por aquilo, não tinha certeza, mas agora mal tinha ânimo para mostrar seu tédio como fazia na maioria das vezes que era convocado para aquela palestra. Agora ele apenas fazia círculos imaginários em sua mesa e imaginava quando aquele tormento enfim acabaria, para que pudesse voltar a sua rotina e esquecer tudo o que Seokjin disse. Sentia-se na escola, quando os professores falavam sobre suas próprias vidas em vez de dar aula, conseguia sentir a mesma energia que a sua emanar de Yoongi, ele estava de braços cruzados e de olhos fechados, nitidamente dormia.
Estavam fartos da faladeira sem fim de Seokjin.
— Taehyung está me ouvindo?! — A voz de Seokjin rugiu em cólera.
— Ah, perdão, estava quase dormindo, não te ouvi. Pode repetir? — Bocejou, fingiu não notar a veia saltada na testa de seu superior. Poderia dizer que fez de propósito, para provocá-lo, mas o bocejo foi genuíno.
— Você está fora do caso do mutante nível cinco — naquele momento toda sua pose relaxada se desfez.
— Como é? — Empertigou-se na cadeira, encarou Seokjin como se ele acabasse de sentenciá-lo à morte. — Este caso é meu! Como assim estou fora?
Todos que estavam na sala ficaram atentos à conversa de maneira curiosa e um tanto temerosos, Taehyung não tinha fama de ser uma pessoa tolerante e paciente, enquanto Seokjin não era o mais fácil de conviver também. Pôde notar Yoongi — pela primeira vez em anos — ficar interessado no que Seokjin dizia, ele sabia que a discussão seria divertida de assistir e se pôs ereto também. Todos do departamento de Taehyung sabiam o quanto ele estava extasiado com sua descoberta, uma possível ameaça nível cinco fora encontrada, uma que eles rastrearam por muito tempo. Todos sabiam que aquele caso seria dele, pois ele sempre ficava com os maiores casos e aquele era de fato o maior caso que já caiu em suas mãos, pois uma ameaça nível cinco, não era qualquer um que sabia lidar.
Taehyung quase rosnou como um cão raivoso para Seokjin quando ouviu aquelas palavras, aquele caso era seu, sem sombra de dúvidas. Que palhaçada era aquela agora? Ele levara anos para encontrar quaisquer indícios de que seu caso não se perdeu há vinte anos, que não havia simplesmente sumido do mapa do dia para a noite depois de um pico de energia sobrenatural. E quando finalmente o localizou, depois de noites mal dormidas por conta da investigação, Seokjin queria privá-lo da satisfação de capturá-lo? Ele não abriria a mão daquele caso, não havia sequer a mais remota possibilidade daquilo acontecer. Sua face mostrava que estava irredutível em sua decisão, aquele caso era dele e ponto final.
— Hoseok ficará com o caso — o citado arregalou os olhos e virou-se na direção dele a tempo de ver Taehyung lançar-lhe um olhar cortante.
— Me sinto lisonjeado, mas este caso não é do Taehyung? Por que está jogando isso nas minhas costas Jin? — Todos da sala olhavam de Seokjin para Taehyung, como se assistissem uma bolinha de ping pong quicando na mesa.
— Taehyung visivelmente não é capaz de se conter, imagine só o desastre que seria ele com este caso? — Cruzou os braços com o olhar afiado em Taehyung, como se desse um argumento irrefutável. — Um perigo nível cinco não é apenas uma atividade paranormal, chegamos ao nível crítico, pode expor nossa sociedade e causar pânico geral. Não quero Taehyung estressando-o para que ele exploda o planeta, porque não sabemos do que ele é capaz, pode muito bem causar um desastre e matar milhares de pessoas.
— Sei me conter — Taehyung trincou os dentes e travou o maxilar, tentou conter a ira crescente em seu corpo, pois ele também não podia estourar.
— Posso ver — Seokjin ergueu a sobrancelha, ele nitidamente desdanhava de sua tentativa inútil de demonstrar calma. — Hoseok é o mais indicado para o serviço. Se aproxime, o convença e traga-o para cá, para que tomemos os devidos cuidados. — Referiu-se a Hoseok.
— Absolutamente não! — Taehyung bateu fortemente com as palmas na mesa, aquilo assustou todos que estavam na sala com a brusquidão de seus atos. — Eu levei anos Jin! Anos! Para finalmente conseguir descobrir seu paradeiro, rastreei por cada canto desse mundo algum indício de que aquele evento realmente foi obra de alguém. Sabe há quanto tempo não temos um caso tão importante como esse? Jamais vou deixar essa chance passar!
— Você certamente colocaria tudo a perder, não sabemos se o indivíduo é tão cabeça quente quanto você. Assusta-me a possibilidade de vocês dois no mesmo ambiente, seria uma bomba de destruição em massa — disse após cruzar os braços, aquele gesto era a prova de que estava convicto de suas palavras.
— Ah claro! Vai mandar o senhor "estou de bem com a vida" no meu lugar? Todo o meu trabalho será ele quem levará o crédito? — Taehyung grunhiu com a possibilidade e Hoseok fez bico ao escutar o apelido.
— Acostume-se com a ideia, você ficará aqui para cuidar dos casos menores. Tivemos um grande aumento de mortes em Nova York, estão suspeitando que seja uma meta humana. Talvez uma híbrida.
— Grande merda, certeza que mal chega ao nível dois. Que tédio — Taehyung cruzou os braços. — Prefiro fazer crochê com os idosos do asilo, seria mais divertido.
— Sério? — Seokjin riu. — Já que prefere pedirei a Jimin que cuide deste caso também, enquanto Hoseok arruma as malas para ir até a ameaça nível cinco — Taehyung reprimiu sua raiva antes que estrangulasse Seokjin ou que jogasse sua mesa contra a cabeça dele. — Quer que eu lhe passe o endereço de uma loja onde vende linhas de crochê?
— Espero que engasgue com seu sarcasmo e morra asfixiado com ele — disse entredentes e caminhou a passos pesados para fora, a tempo de ouvir Seokjin dizer: "Sabe que isso não vai acontecer" antes de sair.
Taehyung marchou para a saída daquela sala com as mãos nos bolsos, seu olhar provavelmente estava sombrio e assustador, pois as pessoas que estavam em pé perto à porta abriram caminho assim que ele se aproximou, com medo de serem alvos de sua ira. Alguns cochichavam quando passou por eles, afirmaram conseguir ver uma faísca em seus olhos, tinha certeza que Seokjin revirou os olhos, provavelmente o chamou de "drama King" antes de voltar a dar sua palestra, pôde ouvi-lo dizer antes de sair da sala que não tinha tempo a perder com o pavio curto dos seus colegas de trabalho. Todos sabiam que aquela era a verdade, Taehyung era esquentado, inconsequente demais e não aceitava receber ordens, completamente indisciplinado, mas também ninguém fazia um trabalho melhor que o dele.
Passaram-se muitos minutos após a saída dele, aquilo não seria o fim, Taehyung investiu muito de seu tempo e conhecimento naquele caso, era o caso da vida dele. Foi a primeira vez que ele realmente deu tudo de si em uma investigação, porque sabia que era incrivelmente difícil encontrar algum perigo nível cinco. Aquilo com certeza cairia nas costas de Yoongi, Seokjin o colocaria como babá de novo para que Taehyung não fizesse besteira, era sempre assim, não tinha um minuto de paz sem que alguém o rodeasse como uma mosca com medo que ele estourasse. Tinha certeza que em pouco tempo ele já estaria ao seu lado e o seguiria como uma sombra, para vigiá-lo.
Odiava o fato de ser cabeça quente, consequência de sua linhagem indesejada, odiava ter que ser vigiado para que não explodisse e fizesse algo inconsequente. Enquanto caminhava, tentava se acalmar, esperava o momento que encontraria Jimin, até que teve uma ideia. Hoseok precisaria buscar o dossiê onde havia as informações do caso depois da palestra, para que pudesse pensar em uma abordagem eficiente. Taehyung, que havia montado aquele documento, sabia de tudo o que havia escrito ali, o que não era nada além do básico — que era um perigo nível cinco — e que a pessoa era um ímã de problemas, por isso precisava do documento. Seokjin naquele momento devia estar para terminar sua explicação ao restante de seus subordinados, provavelmente próximo de finalizar de passar as regras e a conduta de quem trabalha naquele lugar.
Dava tempo.
Yoongi provavelmente não estava longe, como sempre ele iria caminhar com as mãos nos bolsos de maneira despreocupada, nem um pouco apressado, sua preocupação em segui-lo deveria ser a mesma que sua vontade de assistir a palestra de uma hora de Seokjin, ele sabia que Taehyung não mataria ninguém, por isso devia estar bem tranquilo ao caminhar para encontrá-lo em seu tempo. Taehyung passou reto pelas pessoas daquele lugar, ninguém se metia com ele, todos o encaravam com medo ou apenas fingiam que ele não existia. Seu departamento era temido, tanto pelo o que caçavam quanto por quem trabalhava nele. Ele gostava disso, de estar sozinho e não ser importunado, poderiam chamá-lo de recluso, era exatamente isso que ele era, odiava que se metessem em sua vida ou invadissem seu espaço.
Andou por aquele grande lugar que se parecia muito com os laboratórios dos filmes de ficção científica, o que não era de fato uma realidade muito além, mas era muito mais do que aquilo. A grande construção que se assemelhava a um shopping ficava no meio do nada, a alguns andares abaixo da terra para que ficasse completamente escondido de quem olhasse de fora. Havia muitas pessoas que trabalhavam ali embaixo, de várias etnias, gêneros e habilidades diferentes, todos que estavam ali foram recrutados, ninguém entregava currículos para trabalhar naquele lugar, ou eram recrutados ou eram obrigados a estar ali.
Na realidade era um lugar que ninguém sabia da existência.
Era a tão famosa área 51 dos Estados Unidos, em cada continente havia uma filial escondida de todos, cada uma responsável por seu território, responsável por manter longe dos olhos curiosos coisas que as pessoas não estavam preparadas para descobrirem a existência. Mas claro, deixaram vazar a existência da área 51 por um descuido, porém ao menos serviu para algo, ninguém sabia da existência de outras, já que estavam focadas na dos EUA. Armas muito mais poderosas que bombas nucleares eram feitas nesses lugares, pessoas altamente treinadas protegiam o lugar. Ninguém jamais conseguiu entrar e quem tentou não voltou para contar a história, porque ao ser convidado para entrar, nunca mais sairia.
Yoong por exemplo não estava ali porque queria, ao contrário de Taehyung que amava seu trabalho, ele considerava aquilo um fardo, um castigo por ter nascido diferente. Ele viveu muitos anos condenando a si mesmo e muitos outros por tudo o que viveu, cada um naquele lugar tinha uma história a contar, a de Yoongi não era feliz, por isso ele odiava aquele lugar na mesma proporção que odiava a própria vida. Mas Taehyung duvidava que as histórias de todos daquele lugar não fossem — no mínimo — deprimente, as pessoas que trabalhavam na área 51 não tinham identidade. Todos eram considerados mortos pela sociedade, quando precisavam sair usavam documentos falsos, suas verdadeiras identidades não possuíam histórico em nenhum sistema existente fora da área 51, eram indigentes, considerados mortos.
Todos ali tinham o dever de ficar calados, traição significava morte ou se fossem poderosos o suficiente, significava a morte de pessoas próximas a eles. Qualquer um que se atrevesse a tentar contar a alguém de fora o que acontecia ali dentro morria e ninguém do lado de fora sequer ia notar que a pessoa desapareceu. Mas tinha certeza que Yoongi notaria, certamente ele não conseguiria deixar passar uma morte como aquela. As pessoas que trabalham no departamento sul de causas sobrenaturais eram diferentes, algumas pessoas dali tinham habilidades um tanto diferentes. Todos foram caçados e todos foram recrutados para trabalharem ali pelo resto da vida, os que negaram, morreram.
Seokjin era o responsável pela área sul, era o chefe do departamento, ele estava lá há muitos anos, muito antes de todos chegarem ele já estava lá, mesmo que ele não fosse o mais poderoso de seu departamento. Seokjin ajudava a investigar, caçar e encontrar pessoas com talentos, se fossem um perigo a sociedade era o departamento de causas sobrenaturais o responsável por dar um "fim" na ameaça. Taehyung era o mais ambicioso, o mais talentoso e o mais eficiente de todos que trabalhavam naquele departamento, jamais perdeu um caso, não era de seu feitio falhar em uma missão e isso jamais iria acontecer.
Ele nunca falhou.
Mas tudo tem seu preço, Yoongi era um dos únicos que conseguia enxergar o que todas aquelas mortes pesavam para Taehyung, pois em sua grande maioria, recusaram ingressar em um inferno pior do que o que já viviam e escolhiam morrer. Yoongi sabia quanto Taehyung era atormentado por um passado sombrio que o transformou naquele que ele é hoje, Jimin dizia que ele era um bom homem, mas era acima de tudo angustiado com seu fardo, que a cada ano ficava cada vez mais pesado para ele suportar. Assim como todos de seu departamento, Taehyung também tinha habilidades incomuns, mas que ele não gostava de compartilhar com os colegas, pois ao contrário de muitos lá dentro, ele não considerava seus dons uma benção e sim uma maldição.
Ninguém ali gostava de se mostrar, não queriam ser tratados como aberrações, como a maioria era tratada antes de entrarem ali dentro, sob a proteção do anonimato. Mas acima de tudo, não queriam ser usados, foram convencidos a trabalharem, mas não a serem usados para propósitos sombrios ou como armas para pessoas poderosas. Seokjin era a prova disso, ninguém em seu departamento era tratado como uma arma, pois ele jamais permitiria e apesar de não serem unha e carne, ele deixou aquilo claro aos superiores, principalmente sobre Taehyung e Yoongi. Eles estavam ali porque queriam ajudar, mas se fosse preciso eles se rebelariam e destruiriam aquele lugar, pois ninguém podia controlá-los.
Quando Taehyung finalmente chegou ao seu destino ele sorriu, pois ninguém tiraria dele o caso mais importante da vida dele.
(...)
Min Yoongi
Yoongi soube que havia sobrado para ele no momento em que Seokjin lançou-lhe "aquele" olhar, como uma mãe pedindo para o pai tomar conta do filho, por isso bufou e se levantou, para ir atrás do mestre em causar problemas. Imaginava que se até ele mesmo se aborrecia com essa preocupação extrema do Jin, Taehyung deveria estar ainda mais irritado, porque ele era tratado como uma bomba relógio super perigosa, aquilo realmente não ajudava. Às vezes que ele explodiu deixou rastros de destruição por todos os lugares, então era claro que ficariam de olho nele, mas tratá-lo como um animal raivoso só o faria vestir essa roupagem, o faria agir como se realmente fosse realmente um.
E como sempre Yoongi sabia que sobraria para ele resolver, mas não dessa vez, tinha enxaqueca só de imaginar a confusão que Taehyung provavelmente se meteria. Tinha certeza que ele não deixaria passar um caso tão importante assim tão facilmente, ele dedicou anos da sua vida em busca do que houve vinte anos atrás, jamais deixaria alguém levar os créditos de algo que se dedicou tanto a fazer. Enquanto caminhava até onde achava que ele estaria, sentiu seu celular vibrar, quando viu o nome de Jimin no identificador de chamadas todos os seus medos se tornaram realidade.
— O que ele fez? — Perguntou às pressas assim que atendeu. Sabia que Taehyung havia feito merda e sabia também que seria ele a ter que consertar.
— Passou por mim às pressas e juntou todas as coisas dele em uma mochila — Yoongi praguejou baixinho. — Quando eu perguntei para onde ele estava indo, apenas disse “para longe, não fala para o Yoongi”. Na hora eu peguei meu celular para ligar para você.
— Aquele filho da...
— Olha a boca.
— Você não viu se ele estava com alguma coisa nas mãos antes de sair? Fora a mochila? — Mudou seu rumo e voltou a caminhar para a sala de Seokjin para falar com Hoseok.
— Estava com um dossiê nas mãos e partiu correndo... — Houve uma pausa na ligação. — Ele roubou um caso de alguém, não é?
— Do Hoseok.
— O Jin vai ficar furioso.
— Nem me fale — suspirou e após se despedir de Jimin, desligou a chamada e marchou até a sala novamente.
Yoongi devia esperar que Taehyung faria isso, era a cara dele se jogar de cabeça em qualquer problema que encontrasse. Seokjin ficaria possesso, fez uma careta apenas em imaginar o que aconteceria quando ele descobrisse, esperava apenas que não matasse Taehyung, porque tinha certeza que ele seria o responsável por cavar a cova. Caminhou até a sala a passos pesados, abriu a porta abruptamente e as pessoas que estavam perto se assustaram, verificou se Seokjin lhe viu e ao constatar que não caminhou até Hoseok, sentou-se ao seu lado devagar, evitou ao máximo não chamar atenção. Hoseok pareceu perceber no exato momento que Yoongi sentou ao seu lado que havia algo errado.
— Ah não... — Hoseok suspirou. — O que ele fez dessa vez?
— Roubou seu dossiê e foi embora.
— O Taehyung quer matar a gente, né? Jin vai comer o fígado dele quando descobrir.
— O nosso vai junto de sobremesa.
— O que vamos fazer? — Encarou Jin, com medo que ele escutasse, mesmo que cochichassem. — Não podemos simplesmente deixar ele fazer essa besteira.
— Não faço a mínima ideia do que fazer... Vamos atrás dele?
— Não sabemos para onde ele foi já que todas as informações estão no dossiê que ele roubou — ele suspirou.
— Quando eu encontrar o Taehyung eu vou estrangular ele até que seus olhos saltem para fora do corpo — Yoongi falhou e Hoseok riu.
— Acha que ela voltou? — Perguntou um tanto inseguro. — É estranho que ele esteja tão engajado em algo de repente sem ter o envolvimento dela.
— Acho que não, era um homem de acordo com as descobertas. E espero que ela não volte... Taehyung não suportaria encontrá-la novamente.
— Mas ela vai voltar, sabe disso. Ela sempre volta.
— Taehyung afirmou que se ela voltasse ele a afastaria. Ele não quer sofrer de novo Hoseok — cruzou os braços e se encostou na cadeira. — Talvez Jimin consiga fazer ele ficar longe dela.
— Mas ele conseguirá resistir quando ela voltar? Até que Jimin consiga convencê-lo?
— Esse é meu medo... Por que eu tenho certeza que não.
(...)
Kim Taehyung
Taehyung se sentia radiante, não conseguia conter o sorriso ao ver o dossiê em suas mãos mesmo que tentasse muito, pois era simplesmente gratificante saber que estava indo colher o fruto de seu trabalho. Naquele momento ele estava no trem expresso dos Estados Unidos, que o levaria até o local onde havia encontrado o pico sobrenatural anos atrás, pois ele morria de medo de aviões, por isso optou por passar horas no trem do que subir nas alturas. Andar em um não era uma opção, e mesmo que fosse bem mais demorado ele sempre quis viajar de trem. Sua cabine era pequena, mas deveras confortável, se tivesse tido tempo de comprar uma passagem com antecedência provavelmente estaria na melhor cabine. Mas aquilo era o melhor que conseguiu devido à pressa.
Deixou sua mochila sobre a pequena cama e abriu a pasta com todos os arquivos do caso, que havia minuciosamente juntado e colocado dentro daquela documentação, que continha tudo o que precisavam saber para encontrar a pessoa envolvida no incidente. Seokjin provavelmente tentaria cortar sua garganta quando o visse novamente, mas ele deveria saber que ninguém controlava Taehyung e não era agora que seria diferente. Com as informações que havia ali ele seria capaz de investigar talvez o caso mais importante da sua carreira, estava eufórico, mesmo que a maioria das informações ali tenham sido ele a recolher. Jamais perderia aquela chance, mesmo que isso custasse um alto preço, aquele caso era dele!
Abriu a pasta e leu as primeiras informações, mesmo que já houvesse memorizado a grande maioria.
Nome: Jeon Jung-Kook (descendência coreana).
Nascimento: 01 de setembro de 1997 (idade 27 anos) Mandeok-dong, Busan, Coreia do Sul
Atual localização: West Branch, Michigan EUA.
Altura: 1,78 m
Tamanho do sapato: 42
Filiação: Lee Hyebin (mãe) e John Carter (pai)
Taehyung franziu o cenho ao notar que havia um histórico criminal arquivado, de acordo com as informações coletadas por um responsável de seu departamento, um policial tentou indiciá-lo, mas o governo foi rápido em silenciar e sumir com todas as provas. Pois algo como aquilo não poderia vazar, mas perderam Jungkook pouco tempo após o ocorrido.
Histórico criminal:
• 01 assassinato
• 05 agressões
• 04 furtos
• 02 processos judiciais
— Esse cara é um delinquente...? — Taehyung ficou espantado pela quantidade de relatos.
RELATÓRIO POLICIAL:
Chefe de polícia Bryan Smith (Relator): Colhe-se dos autos que foi instaurado inquérito policial em desfavor do paciente, para investigar suposta prática dos delitos de agressão e de tentativa de homicídio.
Após frustradas tentativas de localizá-lo, a autoridade policial determinou seu indiciamento indireto.
Visando a anulação de todos os atos de Polícia Judiciária praticados em desfavor do paciente, a defesa impetrou habeas corpus perante o Juízo singular, que reconheceu o pedido por motivos sigilosos. O caso foi arquivado e retirado dos bancos de dados.
— Motivos sigilosos, hm? Sei — desdenhou com um sorriso, era óbvio que Jungkook foi absolvido por não terem como explicar os "fenômenos" estranhos. O governo jamais deixaria a existência de pessoas como ele ser relevada.
Continuou a ler todas as informações que havia ali sobre relatos, atual local de trabalho e testemunhas oculares de suas habilidades, que simplesmente sumiram do mapa, todas sem deixar qualquer vestígio, assim como a pessoa que buscava. Nada sobre o endereço da casa dele Taehyung percebeu, teria que encontrá-lo em seu local de trabalho e segui-lo até em casa para saber a localização exata. Mas franziu o cenho quando notou várias perguntas sem resposta, como eles investigaram alguém e não sabem nem mesmo o endereço? Revirou os olhos com o trabalho mal feito, conseguiu tudo para eles de mão beijada e nem o essencial foram capazes de descobrir? Isso daria mais trabalho do que ele pensou, não havia sequer uma foto para saber qual era sua aparência.
Quando não achou mais nada de útil, ele deixou o dossiê dentro de sua mochila e resolveu tirar uma soneca. Seriam algumas horas de viagem de trem, já que ele dava voltas por diversas cidades e estados em vez de traçar uma linha reta, teria bastante tempo para pensar em um plano eficiente para abordá-lo. Precisava convencer Jungkook a ir com ele, se não por bem... Ele daria outro jeito, pois uma ameaça do nível dele jamais poderia viver em sociedade longe dos olhos do governo. Não gostava de como as coisas funcionavam naquele lugar, não era um assassino, embora sua ficha definitivamente não fosse limpa, não era daquele trabalho que gostava. Fechou os olhos com as pernas cruzadas sobre a pequena cama, mas antes que conseguisse dormir seu celular tocou.
— Seokjin não, por favor... — Olhou o identificador de chamadas e suspirou aliviado. — Se for me ameaçar eu desligo.
— Acha mesmo que eu ia perder meu tempo? — Yoongi riu com sarcasmo do outro lado da linha. — Onde você está? O Jin está enchendo a minha paciência.
— E você tem uma?
— Tenho, mas não fica testando não. Onde você está?
— Em algum lugar dos Estados Unidos.
— Olha Taehyung você para de palhaçada ou...
— Ei! Eu disse a verdade, ok? Eu de fato não faço a mínima ideia de onde eu estou. Posso estar em um lugar e dois minutos depois estar em outro.
— Está no avião? — Ouviu alguém rir na linha e dizer "impossível", imediatamente reconheceu a voz de Jimin ao fundo. — Ah é, você tem medinho de altura, esqueci.
— Não tenho medo de altura, tenho medo de aviões... Mas isso não importa. Você não vai conseguir me encontrar de qualquer forma.
— Taehyung não faça nada imprudente, seja diligente pelo menos uma única vez em toda a sua existência — sua voz estava cansada. — Por favor. Suas imprudências sempre resultam em desastres.
— Dessa vez será diferente, você verá. Vou levá-lo para a filial.
— E daí o que fará? Jin vai tirar suas credenciais depois disso.
— Duvido que ele faça isso.
— Mande o relatório pra mim todo santo dia está me ouvindo? Antes que eu acabe perdendo o controle e acabe esganando o Jin — ouviu Jimin rir novamente, dessa vez acompanhada pela voz de Hoseok.
— Ok, ok! — Concordou, odiava fazer relatórios, mas era parte de seu trabalho de qualquer maneira.
— Sabe que ele vai tomar alguma providência, não sabe? Acha mesmo que vai escapar impune? — Ele perguntou com o tom sério.
— Diga a ele que se ele fizer algo para me impedir eu cometo um crime de ódio. Ninguém vai me impedir mesmo.
— Eu vou — sua voz soou repleta de seriedade. — Sabe que se sua ira matar alguém, uma morte desta magnitude me afeta muito, faça algo deste tipo e vou empalhar sua cabeça no meu quarto.
— Ligo para você quando eu tiver alguma coisa útil para relatar, mas eu estou falando sério. Mantenha Jin longe deste caso!
Antes que Yoongi sequer tivesse tempo de responder, Taehyung desligou o celular, odiava quando era tratado como um cachorro raivoso, sabia sim lidar com a própria ira, mas a mania irritante de Jin de colocá-lo na coleira o fazia perder a calma muito facilmente. Sabia que estava a agir de maneira inflexível, mas a realidade é que seu temperamento era algo realmente difícil de lidar e naquele momento ele não se importava nem um pouco com isso. Apenas uma pessoa conseguia acalmá-lo caso perdesse o controle e agora essa pessoa estava na área 51, a cada minuto um quilômetro mais longe dele. Cruzou os braços com uma carranca e deitou sua cabeça na pequena cama, revirou-se de um lado para o outro enquanto buscava por uma posição confortável. Quando notou que sua raiva não o deixaria dormir, ele se levantou e sentou-se perto da janela.
Ele via em filmes os trens que levavam pessoas para outros estados, sentia-se como se estivesse no expresso Hogwarts, aquele tipo de viagem o acalmava, não sabia explicar o porquê, apenas o relaxava colocar um fone e observar a vida fora da janela. Riu com o pensamento, sempre quis viajar dessa forma — embora não pudesse fazer viagens como aquela o tempo todo, pois ele era um animal enjaulado a maior parte do tempo — porque não gostava de aviões, estar nas alturas o deixava ainda mais instável. Na realidade muitas coisas o deixavam dessa forma, encontrar Jimin na área 51 foi realmente como encontrar seu calmante. Ele conseguia deixá-lo tranquilo com poucas palavras, era como acalmá-lo de uma forma instantânea e eficaz. Mas agora estava longe de Jimin, precisava se controlar.
Ele tentou não pensar nisso, mas culpou suas habilidades por ter lhe dado um temperamento tão hostil.
(...)
Quando finalmente chegou a Michigan o sol havia acabado de se instalar no céu, seus raios iluminavam seus cabelos castanhos e deixavam seus olhos em um tom mais claro do que o normal. Com apenas sua mochila e seu celular nas mãos ele caminhou até um terminal de táxis, mesmo nunca tendo ido a Michigan não se sentiu intimidado pelo desconhecido, pelo contrário, sentia-se completamente excitado com a ideia de mergulhar as cegas em um estado grande como aquele. Já dentro do táxi ele ditou o endereço ao motorista, que lhe disse que não era tão longe e deu partida no veículo, o que o fez relaxar instantaneamente, pois o trabalho de Jungkook não era longe da estação.
A viagem durou mais ou menos vinte minutos, não havia trânsito e o tráfego correu tranquilamente, o motorista seguiu o fluxo sem correr ou andar devagar demais. As ruas de West Branch eram bem movimentadas, talvez por ser um local calmo e próximo a praia, a cidade não era como Nova York, era um pouco mais simples, mas muito bonita, devia estar em um bairro turístico. Podia sentir o cheiro da maresia pela janela aberta do carro, sentiu seu corpo relaxar e curtir a brisa fresca, pensou se teria tempo de aproveitar o lugar antes de voltar para o trabalho. Taehyung pensou que ficariam naquela estrada, porém o táxi adentrou várias ruas adentro da cidade e se afastou cada vez mais da paisagem praiana. Quando chegaram a um bairro um tanto "calmo" demais o motorista reduziu.
— Estamos na rua que você falou, tem algum ponto específico onde gostaria de descer? — Seu sotaque era forte e carregado de simpatia.
— Não precisa obrigado, vou andar um pouco, pode estacionar ali, por favor? — Indicou uma calçada próxima.
— Claro!
Taehyung o pagou e lhe deu um sorriso, deixou uma boa gorjeta por ser simpático e desceu do automóvel pronto para embarcar na sua tão esperada caça. Enquanto caminhavam acabou por deixar uma risada baixa escapar quando imaginou a reação de Jin ao reparar que o dinheiro que usava era o dele, pois jamais iria gastar do próprio bolso algo relacionado a trabalho. Pegou seu celular e abriu o GPS, digitou o nome da cafeteria onde constava no documento que era o trabalho Jungkook e voltou a caminhar, sem pressa alguma, Taehyung sabia que Seokjin não mandaria alguém para impedi-lo ou teria mais problemas com ele. Notou que aquele lugar não tinha o fluxo de pessoas que havia perto da praia, na realidade aquele lugar parecia um tanto desértico. Havia apenas mais duas pessoas na rua, um homem atrás dele e uma mulher que andava apressadamente do outro lado da rua.
Caminhou por uns cincos minutos pela calçada até que viu o leiteiro do café acima de sua cabeça, sabia que estava no lugar certo por conta do aviso: "você chegou ao seu destino" do GPS. Olhou a fachada do estabelecimento e sentiu uma leve euforia, agora era a hora! Respirou fundo e ajeitou suas roupas que foram amassadas no carro antes de adentrar o lugar, assim que pisou seus pés dentro do estabelecimento foi recebido pelo delicioso cheiro de café fresco, chocolate e pães, sua barriga roncou no hora, pois não teve uma refeição decente desde que saiu. O lugar era pequeno e deveras aconchegante, sua estética se assemelhava a de um Starbucks, porém mais hospitaleiro e singelo, sentia-se à vontade ali dentro, a simplicidade lhe trazia conforto.
Correu seus olhos pelo local e viu pouquíssimas pessoas nos assentos, apenas um homem, provavelmente um executivo a julgar pelas roupas e uma mulher jovem que conversava com uma moça de idade avançada, todos espalhados aleatoriamente pelas mesas do local. Tentou não ficar parado na entrada como um indivíduo suspeito caminhou até o balcão com um sorriso singelo, onde dois homens limpavam a copa e faziam seu trabalho sem prestar muita atenção nele. Os dois pareciam estar na mesma faixa de idade, mas sabia que um deles era Jeon Jungkook, tinha certeza daquilo, estava diante do homem que Taehyung estava procurando há anos, bastava apenas algumas perguntas para descobrir qual dos dois era o seu objetivo.
Aproximou-se do balcão com calma, tentou agir de maneira despretensiosa e tocou a pequena campainha que havia no mármore, tentou colocar seu sorriso mais simpático no rosto, pronto para usar suas mais ardilosas artimanhas para conseguir informações. Os homens se viraram para encará-lo e o que estava mais próximo foi atendê-lo, o sorriso no rosto dele cresceu ao analisar Taehyung, que notou e ergueu uma sobrancelha. Seria essa a sua oportunidade? O homem tinha cabelos castanhos, um rosto afilado e bonito, olhos castanhos e intensos que não deixavam de encará-lo e um sorriso repleto de segundas intenções. Com um sorriso galanteador Taehyung se aproximou mais e debruçou-se sobre o balcão, onde juntou suas mãos e o encarou também, estava certo que o sorriso no rosto dele era de flerte.
— Boa tarde senhor, qual seu pedido? — Sua voz era um tanto grave apesar de sua aparência jovial.
— Quais são as suas recomendações para alguém que não gosta de café? — Riu baixinho por sua contradição.
— E o que alguém que não gosta de café faz em uma cafeteria? — Suas sobrancelhas estavam curvadas e havia um sorriso divertido em seu rosto.
— Touché! — Riu e foi acompanhado pelo atendente. — Confesso que não vim para tomar café, estou procurando alguém.
— Sua namorada? — Perguntou com um sorriso esperançoso e Taehyung ergueu as sobrancelhas, pois ele realmente era bem direto.
Antes que Taehyung pudesse responder o ruído alto do moedor de café soou pela cafeteria, o que assustou os dois que estavam avulsos da terceira presença atrás do atendente. Os dois viram o outro homem continuar o trabalho enquanto fingia que aquilo não fora proposital, o atendente que falava com Taehyung revirou os olhos e cruzou os braços, mas sorriu docemente em sua direção, o que o fez rir. A julgar pelas reações Taehyung estava certo, o atendente estava flertando com ele e as reações de seu colega de trabalho deixaram claro que não era a primeira vez, talvez tivesse um fraco por homens bonitos e modéstia a parte, Taehyung sabia que sua aparência atraia diversos elogios. Decidiu aproveitar o clima descontraído para ser amigável, mesmo que o homem não correspondesse o flerte, não podia perder a oportunidade de usar todas as artimanhas a seu favor.
— Não tenho namorada — Taehyung respondeu e algo se revirou desconfortavelmente dentro de seu peito. — Procuro por outra pessoa.
— Entendo... — Ele pigarreou e ajeitou sua postura. — Então, temos uma lista bem grande de bebidas, gostaria de dar uma olhada? — Voltou a sua pose "profissional", mas ainda sorria galante ao bonito cliente.
— Todas têm café?
— A grande maioria... Gostaria de uma recomendação?
— Por favor — pediu.
— Que tal um Iced Chocolate Almond milk Shaken Expresso?
— E isso seria...? — Perguntou com um sorriso amarelo, não entendia nada de bebidas.
— O Iced Chocolate é uma bebida feita com leite de amêndoas e chocolate, mas claro, você pode personalizar colocando chá, creme de leite, soja e muitos outros. Pode escolher o tipo de xarope e cobertura que você quer — indicou uma bebida exposta em um pequeno cartaz no balcão.
— Parece bom, quero um desse, por favor.
— Copo grande, médio ou pequeno? — O rapaz digitou seu pedido na tela digital do caixa.
— Médio.
— Algo para acompanhar? — Encarou Taehyung e o mesmo desceu seus olhos para a vitrine.
— Um Croissant de chocolate, por favor.
— Certo — ele assentiu e marcou o pedido no computador. — Dez mil wons senhor, qual seria a forma de pagamento?
— Cartão — respondeu ao retirar o cartão de Jin da carteira. — No débito, por favor.
— Certo, o senhor irá comer aqui ou posso embalar para viagem?
— Para viagem por favor.
Taehyung inseriu o cartão na máquina e esperou, o atendente lhe deu as instruções e após finalizar o pagamento guardou novamente o cartão de Jin na carteira. Após o pagamento o atendente lhe entregou a nota fiscal, ele indicou algumas cadeiras e mesas para que ele esperasse seu pedido ficar pronto, mas Taehyung sorriu e apenas deu poucos passos até a cadeira que ficava em frente à bancada. O atendente devolveu o sorriu e voltou a fazer seu trabalho distraidamente, Taehyung o analisava com a face banhada em seriedade, as idades pareciam bater, mas a altura… Não tinha certeza olhando daquele ângulo, seria ele? De acordo com o dossiê Jungkook tinha 1,78, mas ao olhar de perto, não sabia dizer ao certo a altura dele.
Mas se realmente fosse o Jungkook, ele conseguiu se adaptar bem, trabalhava em um emprego discreto que não levantava suspeitas nenhuma de suas habilidades, não estava matriculado em nenhuma faculdade ou cursos, era uma vida tranquila e despretensiosa, queria apenas saber se era proposital ou não. É claro que não descartava a possibilidade de ser seu colega de trabalho, pois os dois pareciam estar na mesma faixa etária e altura, ele também tinha cabelos castanhos, mas seu rosto estava virado, então não pôde analisar bem suas feições. Estava completamente perdido em seus pensamentos encarando o colega do atendente que lhe atendia, por isso surpreendeu-se ao vê-lo virar-se em sua direção e encará-lo com o mesmo olhar analítico que o seu. Não soube bem dizer o porquê, mas o olhar dele o deixou inquieto na cadeira.
Em sua bolha Taehyung não tinha reparado em como seu olhar vidrado nele poderia parecer suspeito, claro que ele iria reparar se o encarava fixamente daquela maneira, parecia uma cobra ao analisar sua presa antes de dar o bote. E pelo olhar desconfiado e furtivo do outro empregado ele havia notado seu olhar afiado sobre ele, por isso sentia uma certa hostilidade, ele lhe encarava com os olhos repletos de pressuposições e desconfiança. Praguejou mentalmente por ter sido tão descuidado e sorriu, tentou mostrar que ele não era nenhuma ameaça, mas seu falso sorriso não pareceu convencê-lo, pois ele apenas virou a cabeça novamente e voltou ao seu trabalho com indiferença, como se Taehyung não valesse seu tempo, o que de certa forma o incomodou. Decidiu ignorar, pois iria parecer ainda mais suspeito se demonstrasse qualquer reação negativa sobre a atitude do segundo atendente.
Taehyung devia ser mais cuidadoso agora que estava diante de Jungkook, qualquer passo em falso, ação errada ou palavra mal interpretada poderia afastá-lo, se isso acontecesse, seria difícil levá-lo. Agora que foi pego agindo de maneira estranha, se aquele atendente fosse Jungkook seria mais difícil conseguir sua confiança se acabara de ser pego encarando-o de forma tão indiscreta. Seu interior riu com sua completa falta de atenção e isso o enfureceu um pouco, tentou distrair-se e pensou em como faria para interrogar os dois sem parecer um psicopata ou um stalker. Só havia uma opção, o que o fez suspirar, ele não gostava de fazer isso, mas a situação não lhe dava outras alternativas. Quando o homem que o atendeu trouxe seu pedido, ele sorriu ao lhe entregar.
— Aqui está senhor, bom apetite — disse de maneira simpática.
— Obrigado, poderia me fornecer uma informação, por favor? — Tentou soar despreocupado e olhou pelo canto de olho se o outro homem estava atento, mas ao constatar que não, sorriu.
— Claro, em que posso ajudar?
— Sabe onde posso encontrar um hotel por aqui? Vim de outra cidade e ainda não estou hospedado.
— Tem uma pousada perto da estação, é a mais famosa da cidade e dizem ser a melhor para os turistas — ele respondeu e Taehyung lhe encarava sempre com o sorriso no rosto.
— Não conhece algo mais próximo? Talvez a alguns quarteirões daqui? — Seus olhos agora focaram com mais avidez nas íris do garoto. — Preciso de acesso rápido a uma loja aqui perto.
Um lampejo dourado passou por seus olhos e o garoto piscou desnorteado.
— Hã... Tem um pequeno alojamento a dois quarteirões daqui.
— Certo, muito obrigado, qual seu nome? — Disse ao encarar profundamente as orbes castanhas dele, viu suas pupilas dilatarem exponencialmente com seu controle mental. Suas perguntas eram pausadas e com um tom leve, para não parecer um interrogatório.
— Hwang Hyunjin... — Ele piscou em completa confusão mental, causada por sua inesperada sinceridade espontânea.
— Hyunjin você trabalha aqui há quanto tempo? — Estava completamente concentrado nele, para não perder o foco, mas sua voz soou descontraída a qualquer um que estivesse escutando.
— Três meses — respondeu de maneira robótica e Taehyung assentiu. Esperou alguns segundos em silêncio antes de voltar a perguntar.
— Quantas pessoas já trabalharam aqui com você?
— Apenas uma — Hyunjin não conseguia desviar o olhar.
— Qual o nome dele? — Perguntou baixinho e Hyunjin franziu o cenho novamente.
— Jeon Jungkook — respondeu quase que imediatamente.
— Onde ele está agora? — Perguntou com um sorriso vitorioso.
Antes que Taehyung conseguisse arrancar a resposta de Hyunjin, o segundo atendente que trabalhava no balcão bateu com força o porta guardanapos de metal no mármore, seu barulho o assustou tanto que o fez desviar os olhos de Hyunjin, o que consequentemente o fez acordar do transe e piscar confuso com tudo o que aconteceu. O outro atendente o encarava com o cenho franzido, parecia com raiva e isso fez Taehyung perceber que novamente estava distraído e agiu de maneira suspeita, apesar de suas perguntas serem baixas e discretas, provavelmente seu olhar não era tão sutil por conta do controle mental. A respiração de Hyunjin estava um tanto acelerada e ele olhava para os dois com os olhos banhados em confusão, o que fez Taehyung praguejar baixinho, havia pego muito pesado com ele. Controle mental era perigoso usado em pessoas normais.
— Hyun termine de moer os grãos, por favor, deixe que eu termine de atender este cliente — o homem à sua frente disse sem tirar os olhos de Taehyung, ele não ousou desviar o olhar nem uma vez sequer.
— Mas Kookie... — Hyunjin disse ainda um pouco desnorteado e Taehyung ergueu as sobrancelhas com o apelido. Era ele!
— Faça o que estou pedindo, por favor — o atendente insistiu.
— Tudo bem — Hyunjin caminhou até onde seu colega estava anteriormente.
— Você é Jeon Jungkook? — Taehyung perguntou com seriedade, quase não conseguiu conter sua felicidade.
— Não te interessa qual é o meu nome, você é apenas um cliente. Minha obrigação é garantir que você saia daqui com uma de nossas delícias, agora que já comprou o que queria, por favor, se retire — sua voz soou extremamente ríspida.
— Não sou uma pessoa suspeita — tentou tranquilizá-lo, não sabia o que ele faria se o visse como uma ameaça.
— Não foi o que pareceu — ergueu uma sobrancelha. — Não sei o que queria arrancar do Hyun, mas saia daqui antes que eu chame a polícia.
— Você não vai fazer isso — Taehyung encarou seus olhos e novamente o lampejo dourado inundou seus olhos antes de desaparecer. Se ele não iria conversar com ele por bem, iria ser a força, por isso usou seu controle mental nele também. — Você vai sentar e conversar comigo, com calma.
— Aham, vou sim — riu sem humor e Taehyung franziu o cenho. — Mas eu tenho uma ideia melhor, você tem dois minutos para sair daqui antes que eu realmente chame a polícia. — Disse ao apontar para a saída e Taehyung o encarou em choque. Ele não se afetou pelo seu poder? — Você tem 112 segundos.
— Tudo bem, tudo bem! Eu vou embora — pegou seu pedido em cima do balcão e caminhou em direção à saída.
— Não ouse chegar perto de Hyunjin novamente! — Disse alto o suficiente para que ele escutasse, não pareceu se importar se outras pessoas estavam ouvindo.
Interessante, muito interessante! Pensou Taehyung.
~❤️~
Veremos se os novos leitores vão saber criar teorias :)
Que saudade que eu estava dessa fic, eu amo o Plot dela (╥﹏╥)❤️
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