CAPÍTULO EXTRA - SEGUNDO

Durante os acontecimentos do primeiro ao terceiro capítulo.

      Aquela festa estava um porre. Ashton tinha a reputação de dar as melhores comemorações em toda Londres, mas aquela em especial parecia muito mais exagerada do que de costume. Tinha muita gente rica, também, isso foi algo que Gemma notou assim que passou pela porta da mansão alugada; roupas caras, celulares com capinhas cheias de brilhantes desnecessários e os caras eram muito mais invasivos. Dinheiro compra uma mulher?, a ômega pensou, descartando aquelas que trabalhavam com seus corpos, e quando um beta musculoso e alto passou por ela piscando, seu pensamento seguinte foi: é, depende.

      Ainda assim, não era como se Gemma pudesse simplesmente sair de lá para matar o tempo em um motel ou no quarto de alguém aleatório. Ela era a motorista da vez, então precisava se focar em manter a si mesma sóbria para levar seus dois melhores amigos, Marcus e Dede, de volta para casa. Parando para analisar, era até melhor ficar longe de bebidas. Sua mãe chegaria no dia seguinte e o hotel onde estava precisava de um aviso prévio para arrumar um quarto extra, apenas por algum tempo até conseguirem ir para a casa de seu irmão.

      — Gemmie — Dede chamou, tocando a bochecha da amiga com suas unhas enormes perfeitamente cuidadas. — O que há com você? Parece tãããão mal-humorada.

      Gemma sorriu pequenamente para o amigo beta, tirando sua mão de seu rosto para beijar a palma macia. O Impuro corou, mas não disse mais nada. Eles estavam sentados na área do bar, e Dede e Marcus já estavam bêbados.

      — Não é nada, só preciso arrumar algum emprego temporário logo.

      — Por quê? — Ele respondeu, franzindo as sobrancelhas. — Você não é de família rica?

      — Eu gosto de ter meu próprio dinheiro, apenas — ela deu de ombros, dando outro gole na água tônica que estava em seu copo.

      — Certo, super heroína — Dede sorriu, inclinando-se para a amiga. Seus cabelos longos penderam suavemente e roçaram no rosto da ômega, o cheiro de seu perfume caro fez Gemma detestá-lo um pouco mais. Não, invejá-lo era o termo certo.

      — Eu acho que posso te ajudar com isso — Marcus disse, enfim.

      Gemma desviou sua atenção do rosto lindo de Dede para o sério de Marcus. O alfa não sorria com frequência, porém isso não tirava nem um pouco da atratividade natural de seus olhos cinzas. Era entendível o porquê tantas pessoas invejarem o relacionamento entre os dois.

      Dede era um lobo beta Impuro, mas portava-se e cheirava como um ômega. Sua descendência era nobre entre os magnatas da Inglaterra porque sua família possuía linhagem direta com a realeza escocesa, e ele também tinha ligação com as raças de lobos vindas dos lugares mais frios do planeta. Por isso, todo o seu corpo era delicado como o de uma mulher, e sua aparência era matadora com seus longos cabelos longos, lisos e brancos como a neve, sua pele com os pontos altos bem rosados. Parecia uma boneca de porcelana. 

      Marcus, por outro lado, era um alfa comum vindo dos Emirados Árabes e chamava atenção por onde passava, justamente pelos traços fortes de sua descendência. Seus olhos cinza-claros eram a coisa mais chamativa em si, depois disso. E, ao invés de atender aos desejos de seus pais extremamente conservadores e tradicionais de casar-se com uma boa moça, o alfa havia se envolvido com Dede que, a bruto modo, podia ser definido como um vadio.

      — Como você pode me ajudar? — Gemma indagou.

      — Conheço uma pessoa que precisa de alguém para fazer um trabalho rápido. E o pagamento é bom. Mesmo que não seja a quantia total do que precisa, acredito que adiantaria uma boa parte.

      — Você é tão misterioso que me excita — Dede resmungou, encarando sem vergonha nenhuma o parceiro. 

      — Tem um cara te encarando há um tempo, ali atrás — Marcus apontou com o queixo, e Dede prontamente olhou. — Leve-o para um quarto no segundo andar e se distraia, vou subir em alguns instantes.

      — Amo você, querido — o beta disse com um grande sorriso em seus lábios cheios de gloss rosa. Dede se levantou, ajeitando a minissaia de vinil preta e balançou seus cabelos antes de inclinar-se sobre o balcão para dar um beijo explícito e molhado nos lábios do namorado; Gemma precisou recuar um pouco. — Não demore.

      Observando o beta andar com o quadril rebolando descaradamente pelo salão do bar, Gemma pensou se poderia acostumar-se a um relacionamento como aquele. Suas coxas roçaram uma na outra ao passo que Dede conseguiu ser agarrado de maneira bruta após trocar poucas palavras com o homem desconhecido, então decidiu que seria melhor não ficar prestando tanta atenção naquele show.

      — Qual é o trabalho que você comentou? — Perguntou, olhando novamente para Marcus.

      Avenida de Saint Augustine, número 560, Harrow era o que dizia a mensagem que havia recebido do contato de Marcus, três dias atrás. Agora, Gemma se encontrava na frente de um prédio grande, aparentemente ainda em construção, e apesar de ser um pouco afastado de qualquer rua mais movimentada, era um bom cenário para alguma coisa ilegal. Não que ela desconhecesse o tipo de negócio do tal amigo de Marcus, entretanto a realidade estava ficando mais palpável à medida que a ômega subia de andar pelo elevador.

      Seu destino era o último andar, e quando enfim as portas se abriram com um sonzinho irritante para anunciar que ela podia sair. A estrutura do prédio lembrava a de um hotel, e a julgar pelas poucas portas naquele andar, provavelmente os quartos ali seriam os mais caros. No fim do corredor, um homem grande postava-se em frente à uma porta.

      Com a expressão apática que sempre tinha quando estava longe de sua família, Gemma andou até o homenzarrão com a confiança indiferente que era sua maior característica. “Sorria mais, Gemmie. Sua cara de peixe morto vai espantar os caras bonitos”, Dede costumava falar.

      Um cara bonito como esse me esperando na porta? Valeu, Deds, mas eu acho que eu passo dessa vez, a ômega pensou com ironia.

      — Quem é você? — O homem falou, seu sotaque francês soando forte em suas palavras. Era um alfa.

      — Marcus me mandou para cá — ela respondeu. Tinha sido aquilo que o amigo orientara.

      O desconhecido assentiu num aceno curto, chegando para o lado a fim de dar passagem para ela assim que abriu a porta. Gemma não perdeu tempo, entrando antes que se arrependesse de ter aceitado aquilo.

      Diferente do que ela esperava, o quarto era inteiramente decorado por dentro de um jeito excepcionalmente chique. Um trio de homens estava sentado nos sofás da sala de estar, e quando a viram, apenas dois se levantaram para ficar atrás do que continuou sentado. Gemma assumiu que ele era o chefe.

      — Olá — o beta sorriu, apontando para a poltrona no outro lado da mesinha de centro. — Sente-se, por favor.

      A ômega obedeceu, sentindo o início de algum tipo de instinto protetor surgir em seu interior.

      — Você é a amiga de Marcus, certo?

      — Sim, eu sou.

      — Ótimo, bem-vinda. Você não precisa me dizer como se chama, o trabalho é rápido e acontecerá apenas uma vez, portanto não eu vou lhe contar meu nome — ele dizia, servindo dois copos com uísque e gelo. Por fim, empurrou um para Gemma. — Vou te explicar o que você precisa fazer, onde precisa estar e o que precisa saber. Há algo que queira me perguntar?

      — Quanto estamos negociando? — A ômega atirou de uma vez, bebendo todo o uísque em um só gole antes de voltar o copo à mesa.

      O beta desconhecido riu alto, se divertindo com o jeito direto da mulher. Ele passou as mãos nos cabelos perfeitamente arrumados com gel, ainda que nenhum fio estivesse fora do lugar, apoiou os cotovelos nos braços da poltrona e cruzou os dedos.

      — Eu gostei de você, mocinha. Muito sincera — o homem assentiu, suspirando. — Não estranhe, mas a quantia que receberá por esse favor é de dez mil libras. Soa bem para você?

      Gemma arqueou as sobrancelhas levemente, surpresa com o valor. Ela triturou uma pedra de gelo entre os dentes, ponderando o que poderia ser tão caro a ponto de conceder aquela quantia de dinheiro.

      — Claro, soa bem. O que eu tenho que fazer?

      — É um simples fornecimento que você vigiará até outra pessoa pegar — o beta sorriu, um ar perverso naquilo.

      — Eu posso saber o que é esse fornecimento?

      — Não, sinto muito — o homem apertou os lábios numa linha fina, como se aquilo fosse uma pena. Péssimo fingimento, mas ninguém se importava. — Não é nada perigoso para você, eu garanto, e quando o outro elemento pegar a encomenda, você pode continuar a viver sua vida normalmente, sem nenhuma preocupação que nos encontraremos de novo, com dez mil a mais nas suas economias.

      Gemma pegou o copo e deixou outra pedra de gelo ir para sua boca, começando a mastigá-la em seguida. Seu olhar vagou para um ponto fora da janela, processando a ideia de estar se envolvendo em algo mais sério do que pensou. Por um lado, não era aconselhável confiar que ela realmente não voltaria a ver aquele beta baixinho, por outro, não seria impossível livrar-se dele com todas as conexões que seu irmão tinha.

      Inconscientemente, Gemma fez uma careta. Odiava pedir qualquer coisa a Harry, mas talvez fosse justo o bastante se sua segurança dependesse daquilo.

      — Temos um acordo? — O homem falou, cortando o silêncio, e estendeu a mão.

      A ômega voltou a prestar atenção nele, acenando enfim ao inclinar-se para apertar a mão dele.

      — Sim, temos um acordo.

      Apesar de ser cedo, Gemma sentia-se bem desperta. O frio ajudava bastante com aquilo, também, trazendo a ardência do outono com toda a sua graça gelada. As docas de Millwall estavam vazias, os barcos seguros nos barracões e no cais, então a agitação que aquele lugar possuía com os passeios pelo rio Tâmisa só voltaria quando a temporada de verão chegasse.

      Encarando as árvores quase que completamente despidas de folhagem, Gemma estalou os dedos da mão. A pressão sutil da pistola contra a pele das suas costas a lembrava que aquele serviço era, de fato, maior do que pensara a princípio. Ainda assim, a ômega mastigou tranquilamente o chiclete de menta que tinha trazido, ponderando o que faria com toda aquela situação quanto entregasse aquela maleta para a pessoa que era responsável por levá-la.

      Gemma fechou os olhos, balançando suavemente contra a parede de tijolos do depósito de eletrônicos. Um leve sopro de vento a atingiu, fazendo seus cabelos curtos e recém-tingidos tremerem. Logo, ouviu alguns passos próximos. Ao abrir suas pálpebras, viu um ômega aproximar-se com cautela, e por sua aparência, ela supôs que era a pessoa que deveria encontrar.

      Assim, forçou o sorriso mais simpático que conseguiu, como sempre fazia quando encontrava-se com alguém que não sabia como ela realmente era.

      — Ei — Chamou. — Seu nome é Louis Tomlinson?

👀

Eu não vou falar nada, mas quero saber o que vocês acharam.

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Até o próximo, amo vocês.

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