Briga

- Não precisa, não me fará falta. - ele disse virando as costas e me deixando parada ali, segurando aquele pedaço de tecido - Boa noite, Mandy.

- Até mais, Daryl.

Falei observando-o indo ate sua casa. Fechei a porta atrás de mim, subi as escadas, e senti alguém me puxar para dentro de um quarto.

O quarto estava totalmente escuro, e o aperto em meus braços cada vez mais forte. Minhas costas estavam encostadas no peito da pessoa que me puxará para ali, e pude perceber que é um homem. Fui ficando cada vez mais assustada, por imaginar as coisas que poderiam acontecer comigo. Tentei me soltar, mas foi em vão, ele é forte demais e não conseguiria me desprender.

Ele soltou um braço para colocar em minha boca, evitando que eu gritasse por ajuda, e sussurrou em meu ouvido "Shiu. Fique quieta!". Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, e com o braço livre, virei a mão com toda a força em seu rosto. Ele me soltou por completo e corri até o interruptor. Quando a luz acendeu, consegui ver Zach massageando a bochecha onde eu havia batido.

- Qual é o seu problema? - gritei para ele. Seus olhos estavam em mim, estes estavam bem vermelhos, sinal de que ele está totalmente bêbado.

- Só queria te fazer uma surpresa. - ele disse em tom de brincadeira.

- Um completo babaca você. - falei me virando, e abrindo a porta, mas esta foi fechada com força quando a abri.

Zach estava logo atrás de mim, agora com as duas mãos, sobre a minha cabeça. Me virei, para poder ficar de frente a ele, e este colou seu quadril ao meu. Tentei sair dali, mas ele pressionou seu corpo ainda mais contra o meu. Seus lábios foram de encontro ao meu pescoço, beijando e dando leves chupoes no local.

- Você agora só se sente atraída por aquele caipira. - ele disse entre os beijos.

- Você está louco, Zach. - falei colocando aos mãos em seu peito para tira-lo de perto de mim, antes que ele fizesse algo do qual iria se arrepender no futuro.

- Não me diga o que eu estou, Mandy. - ele socou a porta, bem próximo ao meu ouvido direito e se afastou, passando a mão na testa. Estava frustrado. Nossa! Que showzinho é esse minha gente? - Pensei que, quando chegássemos a Alexandria, nós dois ficaríamos juntos. Que teríamos um futuro juntos, mas você... - ele fez uma breve pausa, e sorriu com sarcasmo - você, só quer saber daquele velho inútil.

- Está se referindo ao Daryl? - eu podia ter saído do quarto, e deixado-o ali, mas preferi ficar e tirar essa história a limpo.

- Há mais algum inútil aqui além dele? - ele perguntou como se fosse óbvio. Soluçou uma vez. Estava bêbado demais.

- Você, é claro. - respondi. Aquilo não fazia sentido, de todos em Alexandria, Daryl é o menos inútil.

- Eu? - ele perguntou irritado, apontando para o próprio peito.

- Sim. Desde que chegamos aqui, que merda você fez para ajudar? Sei que saiu para procurar as coisas, mas decidiu ficar vigiando o carro, ao invés de ir com a sua irmã e com o meu irmão. Se há algum inútil em Alexandria, esse alguém é você.

- Eu não era um inútil para você, quando transavamos. - ele disse olhando-me fixamente, como se pudesse me ferir.

- Isso aí, "transavamos" no passado. Não fazemos mais. Eu não sinto mais nada, Zach. Na verdade você me ajudava a esquecer sobre tudo, e você sabia disso. Me usava da mesma forma que eu te usei, para esquecer delas, de todas as garotas que você comia na faculdade.

- Você é bem ridícula mesmo, Mandy. - ele disse

- A ridícula aqui sou eu? - perguntei já irritada com ele - Primeiro você me puxa para dentro de um quarto escuro, com o intuito de dormir comigo a força por sinal, e outra você teve a capacidade de dizer ao Daryl, que ele devia ficar longe de mim, pois eu pertencia a você. E eu sou a ridícula?

- Você é minha, Mandy, só que você não aceita. Você sempre me quis.

- Sempre? - perguntei incrédula.

- Sim. Eu vejo o modo como me olha, como conversa comigo, como me trata. E quando começamos a ficar novamente, senti que agora era pra valer, mas você colocou tudo a perder por conta de um cara 20 anos mais velho que você.

- Daryl e eu somos amigos. O mesmo serve para você. Zach, eu te amo demais, você não imagina o quanto e sim, nós dormimos juntos demasiadas vezes depois de tudo, mas não havia sentimentos fortes, era só sexo. E deixamos isso bem claro.

Ficamos em silêncio por um minuto, encarando um ao outro, mas pareceu muito mais. Aquela conversa estava estranha demais, mas antes de tudo acontecer, quando ele bebia muito sempre ficava assim, tornava-se um completo idiota e eu odiava esse lado dele.  Zach se aproximou de mim e "cuspiu" as palavras na minha cara.

- Deveria ter sido você. - ele disse e olhei sem entender - Deveria ter sido você no lugar do Mark. Todos achamos isso. Você não passa de um peso morto, para todos nós. - ele disse com toda a raiva e amargura que podia existir nele. Eu não consegui acreditar que ele estava dizendo isso. Zach começou a se afastar e quando estava próximo a cama, dei um tapa em seu rosto mais forte do que o anterior. Ele caiu sentado no colchão. Lágrimas escorriam pelo meu rosto.

- Lembre-se de que você e seu rabo, só estão vivos, por que eu, a ridícula aqui, te salvou. Todas as vezes fui eu. Não foi meu irmao, nem o Mark, ou as garotas que você traçava, nem a sua família, muito menos a sua irmã, fui eu. Eu evitei que você se torna-se aquelas merdas que estão la fora. Eu fui mais homem do que você, nunca precisei me esconder, sempre tomei a frente de tudo, sempre tentei resolver as coisas e encontrar o local mais seguro para moramos. Se não fosse por mim, Zach, não teríamos encontrado Alexandria, na que se dependesse de você, oh, grande líder! - falei com petulância - estaríamos a mercê dos andantes.

Me virei para sair dali, e Zach segurou meu pulso. Me virando para ficar de frente a ele, se levantou ficando cara a cara comigo. Seu lado esquerdo do rosto estava completamente vermelho e seus olhos brilhavam de raiva. Ele cerrou os dentes e falou com o rosto tão próximo ao meu, que eu podia sentir o cheiro do álcool em seu hálito. E estava excessivamente forte.

- Nunca mais, encoste um dedo em mim, Mandy. Você não sabe o que eu posso fazer com você. - ele disse para me intimidar. Antes de responder dei uma risadinha e vi que ele ficou com mais raiva ainda.

- Eu não tenho medo de ti, Zach. Acha que pode me ameaçar ou me machucar e ficar impune aqui. Rick mataria você assim que fizesse qualquer coisa comigo. Você não é nada aqui. Nada. Assim como era la fora, antes de tudo. Se achava o invencível, o mais desejável, mas não passava de uma pessoa solitária, procurando alguém que lhe amasse, mas ninguém, absolutamente ninguém, conseguia te amar. Sabe por que? - olhei dentro dos seus olhos - Por que você é assim. Um lixo. No início é perfeito, mas com o tempo vemos quem você realmente é. Um bêbado escroto, que ameaça mulheres para tentar ser superior. Mas você, Zach, você não é nada. Nunca foi e nunca será, enquanto não mudar. - eu evitava ao máximo dizer coisas, que poderiam magoar as outras pessoas, mas ele pediu para elas serem ditas.

Parei de falar quando ouvi duas batidas na porta.

- Mandy? - alguém disse do outro lado, e aquela voz pertence a Daryl.

- Olha só quem chegou, o príncipe encantado veio buscar a garotinha dele. - Zach me soltou e foi abrir a porta. Droga, eu pressentia o pior vindo dos dois, pelo menos do rapaz  que estava naquela situação. - O que você quer? - ele perguntou ao homem.

O homem olhou para ele sem entender ao certo. Daryl não esperava encontrar Zach ali, pensou que encontraria a mim sozinha.

- Quero falar com ela. - ele respondeu sem se deixar intimidar pelo tom do irmão de Lea.

- Ela não quer falar com você. - Zach respondeu, fechando a porta na cara do homem. Este a segurou antes que fechasse.

- Você não responde por ela. - ele disse olhando para mim e para ele. Deve ter percebido as lágrimas em meu rosto e a vermelhidão no rosto de Zach. Empurrou o rapaz e entrou no cômodo. Passou os dedos secando minhas lágrimas, e pelos meus braços, sobre as marcas que ficará devido ao aperto de Zach. - Ele fez isso? - ele perguntou. Não respondi nada, não queria que Zach se machucasse. Virei meu rosto para não olha-lo. Sei que Daryl é um pouco menor que ele, mas ele é bem mais forte e sei que é mais explosivo. Quando não respondi nada, Daryl segurou gentilmente meu queixo, fazendo-me olhar para ele. Seus olhos azuis procuraram os meus, e apenas assenti. Ele soltou-me e foi para cima do moreno. - Sai daqui, agora. Antes que eu faça algo com você que vá magoar ela. - ele apontou para mim.

- Vá a merda! - Zach respondeu com um sorrisinho de lado.

Daryl riu, e segurou Zach pelo colarinho da camisa arrastando-o para fora do quarto e da casa. Quando chegamos a rua de Alexandria, ele socou o rosto do rapaz. Eu não conseguiria fazer com que parassem, por isso corri até a casa de Rick, onde todos estavam bebendo e se divertindo. Entrei correndo na casa e todos me olharam assustados. Rick veio depressa até mim, perguntando qual era o problema.

- Daryl vai mata-lo se você não o parar. - falei sem fôlego. Não precisei terminar para Rick e os demais saírem correndo até onde os dois brigavam. Agora Zach estava por cima de Daryl, batendo em seu rosto. Zach segurou de cada lado da cabeça do homem e bateu uma vez no chão. Merda! Zach que iria mata-lo se não o parasse.

Rick se aproximou para apartar a briga e levou um soco de Zach. Merda, merda, merda! As coisas iriam piorar muito mais. Rick caiu no asfalto e sua arma aos meus pés. Lea gritava sem parar para que eles parassem, assim como Ed e Carl. Me abaixe para pegar a arma e Daryl me olhou, entendendo o que eu faria, meneou a cabeça negativamente, para que eu não fizesse nada. Destravei a arma. Zach segurou a cabeça do homem uma vez mais, e a bateu com mais força no chão. Os olhos de Daryl viraram para trás e este ficou inconsciente. Se ele batesse de novo, havia grandes chances de Daryl nao acordar mais.

Tudo ficou em câmera lenta. Zach levantou a cabeça de Daryl, ao mesmo tempo em que eu levantavá a arma e dava dois disparos no rapaz. Lea correu até o corpo caído do irmão, e fiz o mesmo largando a arma no chão. Me ajoelhei entre os dois e rasguei  sua camisa de Zach e vi que um dos tiros pegará de raspão na barriga e o outro não o atingiu. Tara e Ed, o carregaram até nosso "hospital". Enquanto Zach estava sendo levado para casa, me aproximei de Daryl para ver como ele estava.

- Daryl? - o chamei dando tapinhas em seu rosto - Daryl? Por favor, acorde. Daryl? - abaixei ainda mais meu corpo, e sussurrei em seu ouvido. - Preciso de você aqui comigo, tente voltar.

Ed voltou empurrando uma maca, a mesma que Daryl havia lembrado de colocar no carro, quando saímos a procura dos equipamentos. Rick nos ajudou a coloca-lo sobre ela. Segurei no pulso do homem e este estava ficando fraco. Quando entramos na casa, fechei a cortina que dava para a cama de Zach e este antes, olhou-me como se pedisse perdão. Foda-se! Não tenho tempo para ele. Não depois do que ele fez.

Daryl ainda estava desacordado e eu não podia fazer muita coisa. Coloquei a mão por detrás de sua cabeça, e um filete de sangue escorria ali. Rick ajudou-me a vira-lo de lado, e comecei a dar pontos no ferimento. No máximo quatro. Ficaria uma pequena cicatriz, mas isso era o de menos. Injetei um analgésico nele para que não sentisse dor quando acordasse e puxei uma cadeira para sentar ao seu lado.

- Ele não ficará com nós. - Rick me alertou sobre o futuro de Zach.

Ed terminou de atender Zach, e os dois saíram juntos dali. Meu irmão sabia bem, que eu não teria mais paciência alguma para ficar perto do moreno e que se ele falasse qualquer coisa eu o machucaria. As luzes da casa foram apagadas, e segurei a mão de Daryl, apertando-a na esperança de que ele a apertasse de volta. Ele estava tranquilo demais, e isso me assustava, ele precisava voltar, eu precisava dele ali, comigo. Com quem eu sairia para conseguir as coisas se não fosse com ele?

Puxei a sua mão para os meus lábios, e a beijei junto as lágrimas que  teimavam escorrer pelos meus olhos.

- Por favor! Você precisa acordar. Não é possível que você não aguentaria uma surra de um babaca como o Zach. Você é mais forte, D. - deitei a cabeça no espaço vazio que ficará ao lado de sua perna, e aos poucos fui adormecendo.

Em algum momento da madrugada, senti alguém passando a mão sobre minha cabeça, e acordei assustada. Daryl havia se sentado, e começará a acordar. Me levantei rapidamente, e aferi sua pressão, esta estava voltando ao normal.

- Não pensei que usaria esta cama tão cedo.

- Sente dor? - perguntei, puxando uma lanterninha do bolso da calça e colocando-a em seus olhos.

- Não muita - ele disse com certa dificuldade - Vai me furar de novo?

- Tem medo de agulhas, senhor Dixon? - perguntei como se realmente eu estivesse atendendo um paciente.

- Não diria medo. - ele falou e arqueei uma sobrancelha como se não acreditasse naquilo.

- Eu não acredito! Tem medo de agulhas, mas não tem medo dos walkers? O mundo já não é mais o mesmo. - falei rindo. - Mesmo sendo mais rápido injetar a medicação na veia, posso dar via oral também, não tem problemas.

Virei as costas para ele, e caminhei ate o armário, pegando um comprimido de analgésico, e um copo de água da torneira. Entreguei a ele, e este tomou encarando-me.

- Ele te machucou? - Daryl perguntou endireitando-se na cama.

- Não precisamos falar sobre isso agora, vá descansar. - respondi, jogando o copo no lixo.

- Precisamos sim, Mandy. Rick não o deixará ficar aqui, com a gente, depois do que fez.

- E se eu disser que rle me machucou, ajudará em algo? Não, Daryl. Rick iria mata-lo.

- Nao apenas ele. - o homem respondeu

- A questão é que, independente de ele ter me machucado ou não, Zach já está morto de qualquer jeito. Ele não conseguiria passar muito tempo la fora. O que mais me assusta é que ele pode encontrar Negan, e não sei ao certo se quero que isso aconteça.

- Não sabe ao certo? - ele perguntou

- Vocês me contaram como ele matou Glenn e Abraham, e os dois eram pessoas boas. E me disseram o que ele fez com Spencer. O cara não bate bem da cabeça, começando por ele ter um taco com apadrinhado. Zach é bobo, não é difícil manipula-lo. Mas, ele também é muito obediente, Daryl. De duas uma, ou ele morreria nas mãos  de Negan ou se juntaria aos Salvadores. Se eles ainda existirem.

- Acha que são apenas Dwight e Negan? - ele perguntou.

- Suponho que não. Aaron me contou que há outros postos pertencentes a eles, talvez alguns que não fiquem próximos daqui. Existe a chance, de haver Salvadores em todo lugar.

- Tipo praga.

- Tipo isso. - falei - Agora vá descansar.

Falei e Daryl deitou no colchão. O cobri com uma coberta que estava no sofá da sala de estar e este pareceu desconfortável.

- Procedimentos médicos. - falei sorrindo.

- Vai ficar aqui? - ele perguntou sério. - É que você vai ficar me encarando e não gosto de ser observado, muito menos quando estou dormindo.

- Não se preocupe. Estarei logo ali - apontei para o sofá - Provavelmente dormirei primeiro que você mesmo.

Caminhei para o sofá e me deitei. Daqui conseguiria ve-lo e ouvi-lo com clareza.

- Eu gostaria de fazer uma reclamação. - ele disse com um tom de brincadeira na voz. - Você está sem luvas e sem jaleco. - ele disse.

- Larga de ser idiota e vai dormir. Por que eu estou cansada.

- Boa Noite, Mandy.

Não respondi de volta. Ficamos em silêncio por um tempo, até que o chamei.

- Daryl?

- Hum?

- Por que foi a minha casa? - perguntei me sentando.

- Queria te ver. - ele respondeu com simceridade. - Bati na porta algumas vezes e ninguém atendeu.

- Daí resolveu invadir a casa? - perguntei brincando

- Isso aí. E ainda bem que o fiz. Talvez ele tivesse machucado mais ainda você, ou te forçado a fazer algo que não queria.

- Obrigada.

- Não foi nada. Agora durma, por que eu estou cansado. - ele repetiu o que havia dito a ele.

- Vai se foder.

Demorei um pouco para pegar no sono. Mesmo estando extremamente cansada, este demorou a vir. Durante um tempo, fiquei olhando para o homem deitado na cama e feliz por ve-lo bem. Daryl ainda estava ali, vivo e forte, da maneira como poderia estar.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top