Wolf in Lamb skin
Bem vindo ao lugar dos rejeitados
Dê um passo pelo caminho
Não temos nada a provar
Não precisamos de seu rosto sorridente
Não precisamos do seu cumprimento
Pois essa é minha vida e eu não vivo pra você
Skillet
Bankotsu caminha à frente sem fazer barulho algum. Já viramos em mais de mil corredores e ninguém apareceu para nos atrapalhar mesmo depois do aviso de Rose. Jaken suspira pesadamente e para.
- O que foi? – Bankotsu gira nos calcanhares e o encara.
- Vamos ficar presos aqui para sempre. – Jaken apoia uma mão contra a testa teatralmente.
- Rá. – Bankotsu balança sua cabeça. – Não faça drama, logo menos saímos daqui, antes precisamos do Cain.
Escuto um clique baixo e me viro olhando para trás, ninguém. Bankotsu resmunga algo e ele e Jaken iniciam uma discussão, viro-me para olhar o fim do corredor, não estávamos tão perto assim... A parede parece mais próxima, outro estalido.
Um corredor se afasta indo para trás e a parede do final do corredor se movimenta rápido agora que a outra saiu do seu caminho vindo em nossa direção, ai não, recuo um passo, os corredores desaparecem e a parede continua vindo em nossa direção. Diabos.
- Corremos agora...? – Sussurro me virando.
- Correr pra que?! – Bankotsu me soa indignado, ele olha a parede e empalidece. – Ah maldito labirinto.
- Não quero nem ver. – Jaken passa os braços por minha cintura e me pega no colo.
- O que?! – Guincho.
- Assim fica mais fácil de carregar. – Ele ri.
Bankotsu abre caminho, mais ágil que nós dois, ele corre na frente até que vira um corredor e tropeça nos pés recuando.
- Sem caminho. – Ele sussurra Jaken para e me solta.
- Como assim sem...?
Olho para o corredor, o piso está vazio, com uma escuridão total a frente de nossos pés. Engulo em seco e olho para trás, as paredes não se movem mais.
- Está nos encurralando. – Bankotsu arregala seus olhos brilhantes. – Bell ou o que quer que seja está nos jogando para algum lugar.
- Como assim...? – Jaken indaga, Bankotsu gira e vai pelo corredor ao lado sem olhar para trás.
- Ou ele está nos jogando para algum lugar... Ou está nos afastando de algo, ou alguém.
Bankotsu desaparece pelo corredor, encaro Jaken, ele dá de ombros e segue o moreno, Bankotsu está parado, apoiado contra uma parede, Jaken para ao lado dele e abre à boca, Bankotsu pede silêncio com uma mão e fecha a cara.
- Bell tem alguma coisa que queremos? – Ele indaga.
- A joia do Jaguadarte. – Sussurro.
- Faz sentido. – Bankotsu ri. – Ele está nos afastando da joia e de Cain, pelo visto Bell não quer que nosso caminho cruze com o do seu plano.
- O que é esse labirinto? – Indago olhando de um para outro.
- É a Dimensão do Espelho. É para cá que você vem quando quer brincar com algo. – Ergo as sobrancelhas e Jaken ri e dá uma batidinha na minha cabeça. – Não me olhe assim, só quis dizer que aqui você pode fazer a atrocidade que quiser, basta ter uma chave e muita imaginação, é como uma sala de jogos.
- E o que seria a chave? – Murmuro.
- Uma alma. – Bankotsu aperta seus ombros. – Se você oferecer uma alma pode fazer o que quiser. – Ele fecha seus olhos. – Foi alguém do circo, não foi?
- Ikki. – Aperto as mãos em punho. – Bell o matou.
- Pobre anjo. – Bankotsu se afasta da parede. – Precisamos voltar para onde estávamos, tem alguma coisa lá. – Ele estanca e se vira. – Ou correr de novo.
- Correr? – Jaken murmura.
Olho para trás e não há mais saída, e a nossa frente apenas estacas pontudas se movimentam em nossa direção. Bankotsu apoia as mãos na parede e a soca em diversos pontos.
- Enlouqueceu de vez?! – Jaken resmunga, a parede de estacas está mais próxima.
- Isso é clichê demais. – Bankotsu salta e esmurra a parede. – Deve ter alguma coisa que pare isso.
- Não é como se Bell quisesse que encontrássemos uma saída.
Jaken se vira e acerta a parede em vários pontos, saída... Por Deus uma saída. Cada um fica de um lado da parede e tenta desesperadamente parar o movimento das estacas, ah... Mordo o lábio e olho para os lados, o que eu posso fazer? O que... Eu... Eu!
- Você não quer me machucar... – Encaro a parede de estacas. – Você não quer me machucar Bell, você não quer isso.
Bankotsu me encara, a parede para subitamente. Ele olha para mim e para trás e sorri.
- Isso mesmo Belzinho você não quer sua Lilith ferida. – Bankotsu ri.
- Me deixa sair! – Olho para o teto da sala. – Eu posso ser sua se quiser... – Crispo os lábios. – Não nos faça mal, Bell, por favor?
A parede de estacas não recua, caminho até ela e apoio minhas mãos nas pontas afiadas, meu sangue gela, uma das estacas se estica e vira um braço bem humano, ele me segura apertado. Berro puxando meu corpo de volta, mas outra mão me segura firme e me puxa contra as pontas brilhantes.
XXX
Fecho os olhos com força e não sinto dor alguma, é como se eu tivesse atravessado a parede, talvez eu tenha morrido.
Arregalo meus olhos e a luz fraca faz com que eu demore a notar quem está me encarando, Bell sorri docemente e sussurra:
- Você quer ser minha?
Bell estende uma mão, ele está vestindo uma fina armadura prateada, como os príncipes dos contos de fadas. Sobre seu peito há um coração escarlate pintado onde o mesmo deve bater. Na sua cintura uma bainha pende, antes que eu possa encarar melhor a arma Bell ri.
Prendo a respiração, ele me puxa contra o peito e afaga meus cabelos com uma mão me segurando pela cintura com outra, como uma valsa macabra.
- Eu não quero que você faça mais maldades... – Murmuro enterrando meu rosto em seu peito. – Me deixa sair...?
- Você está bem melhor comigo. – Ele ri. – Cain já está vindo também, você não precisa deles. Você não precisa de ninguém além de mim.
- Mas... – Encaro-o, minhas lágrimas borram minha visão. Bell sorri largamente, e não parece em nada o garotinho que vi antes. – Não é certo, eu quero voltar...
- Claro que quer. – Ele ergue as sobrancelhas. – Mas você foi uma menina muito má, Rainha de Copas, você causou muita destruição e olha no que se transformou menininha mimada.
Recuo um passo e fujo de seu aperto.
- Solte-me. – Encaro a parede sólida atrás de mim. – Deixe o Bankotsu e o Jaken...
- "Solte-me" você não manda em nada. – Bell revira seus olhos e ri. – Os dois amantes vão morrer abraçados, não há final melhor. – Ele se vira de costas e caminha devagar para longe. – Devíamos ter morrido assim, eu e o meu precioso Jaguadarte.
- Você e o que...? – Vou atrás dele.
- Meu Jaguadarte, MEU. – Ele se vira e apoia uma mão contra o peito. – É isso que você ouviu menina idiota, ele era meu, você o tirou de mim com sua loucura, você fez meu Jaguadarte te obedecer e me condenar. Assim eu não tive escolhas e me uni a outra menina idiota, e o que aconteceu? Fui morto.
Ele gargalha e joga sua cabeça para trás.
- Você não é o Bell... – Murmuro.
- É CLARO QUE NÃO. – Ele ri e abraça seu corpo. – Eu sou Vorpal, idiota. Eu estou no comando, sempre estive seu irmão é só uma marionete. – Ele desliza um dedo sobre os lábios. – Os mais fortes sempre vencem no final e garotinhas mimadas vão para a foice.
- Não! – Soluço e recuo um passo.
- Vai chorar...? – Bell afina sua voz. – Você quis ser sã Rainha de Copas, você culpou o mais louco, você me condenou você jogou meu Jaguadarte contra mim e eu a fiz pagar por isso. – Ele sorri largamente. – Mas enquanto você viver eu vou transformar sua vida em um inferno. Dane-se Wonderland ou a Inglaterra eu só quero meu Dragão e sua dor.
Engasgo quando ele aperta meu pescoço me tirando do chão.
- Vou te prender em uma gaiola garotinha... – Ele cantarola.
Enterro minhas unhas em seu braço, Bell continua rindo, um brilho anormal toma conta de seus olhos, ele gargalha e me solta. Desabo estrondosamente no chão, ele para as minhas costas e enterra seus dedos em meu cabelo, tento encará-lo, mas ele apoia um pé contra minhas costas fazendo com que eu me ajoelhe no chão.
- DEUS SALVE A RAINHA!
O aperto em meu cabelo desaparece e fios negros caem ao meu redor, junto com a trança bem trabalhada que Ikki tinha feito... Deslizo os dedos por meus fios curtos e tortos e engulo silenciosamente minhas lágrimas.
- Linda, linda dama... – Ele se ajoelha a minha frente e abre os braços. – Eu te amo, amo sim, é que eu tenho uma forma anormal de amar, eu não sou normal afinal.
Enterro minhas unhas em seu rosto, ele grunhe algo e me empurra contra o chão. Bell passa uma perna por meu corpo e empurra minha cabeça, arranho seu rosto e tudo que consigo alcançar enquanto berro sem parar e sua gargalhada toma conta do local.
- Você não vai sair daqui passarinho. – Bell segura minhas mãos contra o chão, encaro-o. – Eu vou cortar suas asas, vou te acorrentar e quebrar suas pernas, se só assim eu tiver meu coração de volta eu não vou me importar de te destruir.
- Eu... – Respiro pesadamente. – Não sou a Rainha de Copas!!! – Fecho meus olhos. – SOU A LILITH!!!
- PRO INFERNO QUEM É VOCÊ!!! – Ele gargalha e enterra o rosto nas mãos. – Lily ama o Bell... – Ele me encara por entre os dedos. – Ama sim... Sempre amou.
Bell gargalha e inclina seu corpo para trás. Empurro-o e me levanto oscilante, olho as paredes ao meu redor.
Não há portas nem janelas, nada... Um cativeiro. Desabo de joelhos e enterro o rosto nas mãos chorando.
Alguém... Por favor, me salve...
XXX
*Risada maligna*
É tudo o que eu tenho pra comentar hoje...
Mentira, onde Cain pode estar numa hora dessas? Isso soou muito novela mexicana :v mas logo menos esse quebra-cabeça se resolve, eu prometo -3-
Aliás, a música do começo foi a primeira que eu escolhi quando pensei na parte do circo, e eu amo essa música, só de ouvi-la dá vontade de sair pulando, ela me ajudou muito nessa parte aqui, que tá dando um baita trabalho kkkkk
É isso gente, espero que vocês tenham curtido esse capítulo, e odiadores do Bell me desculpem, mas nesse capítulo ele sambou na cara de todo mundo kkkkkk o "lobo em pele de cordeiro" enfim se mostrou <3
É isso ><
Beijos e até a próxima -3-
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