Show Time!
Hora do show!
Dentro da gaiola, um estranho show de horrores
continuando a reclamar e reclamar se gabando de sua própria desgraça
(...) Esta é a pura terra do paraíso? Não este é o inferno
Gumi
Chess segue na frente tagarelando sem parar, Barbary consente e ri em alguns momentos, como infernos conseguem agir tão tranquilamente?
O ar desse labirinto é denso, pesado e me fez engasgar a cada lufada, minha cabeça dói assim como meu corpo, Áster me causou muito, paro por um segundo engolindo em seco e meu estômago revira, apoio o rosto contra a parede.
- Se continuar assim você vai morrer. – Encaro Chess e minha visão borra. – Estamos mais perto do outro você.
- Outro eu...? – Murmuro, minha visão escurece e logo volta.
- Cain... – Escuto Barbie hesitar. – Eu quero voltar pra casa... – Ela soluça, crispo os lábios.
- Vamos voltar idiota. – Dou risada e me afasto da parede.
Caminho na frente, sem encará-los e quando viro no corredor recuo caindo no chão. A minha frente se abre a escuridão, o corredor termina em um buraco negro sem fim, engulo em seco. Chess para atrás de mim e assobia.
- Acho que a imaginação do Bell não pode montar um labirinto eterno.
- O que...? – Viro para encará-lo.
Um barulho alto soa no corredor atrás de nós, olho para trás e alguém desaba no chão tossindo, uma nuvem de fumaça branca cobre boa parte do corredor, Chess abana sua cauda, irritado, mas depois sorri e anuncia:
- Bankotsu! – Aperto os olhos e realmente posso ver Bankotsu sentado com uma mão contra a boca tossindo. – Valetinho!
A fumaça dissipa e posso ver a figura caída desacordada, Jaken...? Arregalo meus olhos e encaro-o, ele tosse e se apoia nos cotovelos, seu rosto está arranhado, seu terno em frangalhos, Bankotsu também está cheio de arranhões.
- Gato? – Ele murmura tossindo e me encara. – Ora, ora, há quanto tempo... – Jaken sorri e apoia o rosto nos braços tossindo.
- O que vocês fizeram? – Barbie encara Bankotsu. – Ele não é aquele que chamam de "Jack o estripador?" – Ela aperta os olhos. – Eu me lembro dele no Cremorne Garden...
Bankotsu aperta seus olhos, encaro-o fixamente, é a primeira vez que o vejo sem o tapa-olho, seu olho esquerdo é opaco e de um verde tenebroso, ele abre a boca para responder, mas tem outra crise de tosse, suspiro e me viro para Barbie.
- Esse é o Jaken. – Barbie me encara. – Ele é da Nonsense, e estava preso em Wonderland, aliás, como você chegou até aqui?
- Bell... – Ele murmura. – Ele me tirou de lá.
Jaken se cala por um minuto e acho que desmaiou outra vez, se Bell o tirou de lá é porque tinha algum objetivo com ele... Encaro-o e arregalo meus olhos, se tem uma pessoa que queria muito ver Jaken era a maldita Lilith!
- Onde ela está?! – Bankotsu ergue seu rosto. – Vocês estavam com ela não estavam?
- Não sabemos... – Bankotsu abraça os joelhos em uma pose indefesa. – Ela estava conosco, ela chamou por Abel quando uma parede tentava nos matar. – Ele tosse. – E então Lilith foi absorvida pela parede, e nós ficamos presos.
Absorvida... Assim como Hamnet. As paredes desse labirinto obedecem a alguém, e esse alguém é ele. Porém tanto o Tweedle quanto o Gato conseguem manipular isso... Aperto meus olhos e por um momento tudo se apaga ao meu redor.
Alguém me chama... Ri e zomba de mim.
Puxo o ar com força e encaro o rosto assustado de Bankotsu, ele diz algo, mas não escuto nada, Chess aperta meus ombros, encaro-o, minha visão é apenas um borrão.
Se eu estou próximo do meu outro eu e Lilith desapareceu só pode significar uma coisa, que é hora do show. Só falta uma peça para Abel ter o que precisa e essa peça é eu, e só tem um local que está vazio nesse labirinto.
Empurro Chess, como fui idiota, é óbvio, esse labirinto é uma manifestação da cabeça de Abel, e, se ele deixou uma única entrada que fosse, ele a deixaria clara para mim. Corro até o fim do corredor, escuto Cheshire gritar por mim.
Ninguém pode me parar além de mim mesmo. Salto para a escuridão e sorrio. Se for para dar um ótimo show, que seja no inferno então.
XXX
A escuridão me engole, será que fiz errado em pular? Não... Ele não me deixaria morrer. Meus pés tocam o chão e desabo tossindo, abro os olhos pesadamente e encaro ao meu redor, estou em uma sala apertada, sem paredes nem janelas e não estou sozinho.
Ele se balança em um poleiro enorme, ainda está com o rosto ensanguentado, o que torna a visão mais horrenda para mim, aqui eu não terei para onde fugir. Áster para de se balançar e me encara.
- Você resolveu o quebra-cabeça então... – Ele murmura.
- A peça que faltava para o último ato era eu afinal. – Tento sorrir, mas abaixo o olhar. – O único pedaço de labirinto que faltava era a entrada para meu camarim então.
- Palmas. – Ele ri. – Até que você usa esse cérebro e não faz apenas pose, merece mérito Cain.
Ergo as sobrancelhas, ele não me chama pelo nome desde quando entramos no labirinto, apenas de Jaguadarte... Encaro-o e a única chama que ilumina o recinto reflete seus olhos verdes.
- Jared...? – Sussurro e então percebo minha súplica, não cairei em truques idiotas outra vez. – Quer dizer que você está tentando me enganar de novo?
- Talvez... – Ele sorri largamente e encosta um pé no chão. – Ahh... Jaguadarte. – Ele se segura contra o poleiro e solta o peso de seu corpo, ficando pendurado graciosamente. – É hora do show.
- O que? – Sento-me, ele ri e passa uma perna pelo balanço, virando de cabeça para baixo.
- Bata palmas! – Áster ri e estende seus braços.
Seus olhos brilham verdes novamente, não seja idiota Cain... Aperto as mãos contra o peito e suspiro.
- O que você quer afinal? – Encaro-o irritado. – Mostre-me a saída e me leve até Abel, eu estou mandando.
Ele ergue as sobrancelhas e volta a se sentar no poleiro, me levanto e engulo em seco.
- Você não precisa mandar. Sabe Cain? Aqui em baixo estamos a salvo. – Ele sorri. – As vozes não te incomodam e nem meu mestre a mim.
Arregalo meus olhos e mordo meu lábio, é verdade que as vozes não me dizem mais nada, porém eu não confio nele.
- Me leve para fora. – Sussurro.
O balanço range, encaro-o, Áster desce do poleiro e caminha delicadamente em minha direção, como se não quisesse afugentar um animal, ele estende os braços a frente do corpo e sorri.
- Não vou te fazer mal. – Ele murmura.
- Leve-me para o inferno então, que eu te adorarei como um cão. – Encaro-o. – Eu não acredito em você.
Áster revira seus olhos e cantarola, ele corre segurando o poleiro com uma mão e gira até tocar o chão rindo sem parar. Áster rola pelo chão negro causando uma visão bizarra e graciosa.
- Cain... – Ele me encara pelos fios bagunçados. – Vamos para o inferno então se você pede, sou seu servo, eu lhe obedeço.
Engulo em seco, uma presa fácil, ninguém vai me impedir, seguro a arma com as duas mãos e miro seu peito, Áster arregala seus olhos, alarmado.
- É meu servo? – Sorrio engatilhando a arma.
Ele ri e consente, abrindo os braços, Áster sorri e fica imóvel, não... Minhas mãos tremem, derrubo a pistola e enterro meu rosto nas mãos, somente Jared faria isso.
- Sou eu... – Ele se senta e me encara triste. – Jared.
Soluço, que diabos, desabo de joelhos e enterro meu rosto em seu peito, Jared passa os braços ao meu redor e me nina. Passo os braços por suas costas e o aperto também.
- O que você quer...? – Murmuro engolindo meu choro.
- Quero te alertar... – Ele afasta meu rosto com as duas mãos e seca minhas lágrimas. – Não caia nas garras de Vorpal... – Ele sorri calmamente. – Não seja sua presa novamente, você é você Cain, não tente ser outra pessoa.
Não tentar...? Arregalo meus olhos, eu sou eu, não sou o Jaguadarte afinal. Consinto e encaro-o, Jared ergue as sobrancelhas e nega.
- Não toque na joia... – Ele murmura. – Não se transforme em ninguém, ele vai tentá-lo a fazer muitas coisas, não acredite em suas palavras, ele não é confiável.
Consinto novamente e sorrio, Jared suspira e olha para baixo, não parece convencido de suas palavras. Passo os braços por seus ombros e aproximo nossos lábios, Jared vira seu rosto, estanco.
- Pare com isso. – Ele me encara irritado. – Eu te levarei ao inferno e você me agradece com carícias?
- Não... – Recuo um pouco. – Eu não estou te agradecendo. – Sorrio. – Estou te adorando, eu pedi pelo inferno, e disse que te adoraria, não disse? – Passo uma perna por seu colo. – Me dê o inferno então que eu serei seu.
Jared me afasta novamente me segurando pelo rosto, encaro-o.
- Você me perdoa...? – Ele sussurra.
- Não. – Afago seu rosto e sorrio. – Redima-se, assim eu te perdoarei.
Ele abaixa o olhar e respira pesadamente inclino meu rosto deixando minhas pálpebras caírem.
- Eu pirei... – Sussurro. – Estou louco, afinal eu não faria isso normalmente. – Dou risada, ele ri também. – Eu nunca disse "eu te amo" para nenhum vivo, e não farei por você. – Ele me encara. Enterro meus dedos em seus cabelos vermelhos. – Isso é loucura, e somos todos loucos por aqui.
Beijo-o. Louco, pirado, é isso que eu sou. Sorrio e deslizo meus dedos por seus cabelos, Jared aperta suas mãos em volta da minha cintura, mordo seu lábio até sentir o gosto de sangue e me afasto.
Encaro seus olhos a pouca distância e sorrio, isso não é amor, deslizo minha língua por seu lábio, lambendo seu sangue, isso não vai acabar bem, deixo uma risada histérica escapar, eu estou pirando, apoio as mãos contra a boca e soluço sem parar, e isso dói.
- Não precisa dizer eu te amo. – Jared murmura e as lágrimas borram seu rosto. – Eu prefiro assim.
Deito minha cabeça contra seu peito, ele chora baixinho e me abraça apertado. Não era hora de fraquejar, quando pulei eu estava decidido a encarar o quer que fosse de cabeça erguida, agora sinto meu medo me rondar como um predador.
Jared acaricia minha cabeça e beija minha testa... Aperto sua camisa entre os dedos e olho seu rosto fixamente.
- Devia ter te dado um tiro. – Seco as lágrimas com as costas da mão.
- Fim do meu ato. – Jared sorri. – Hora de voltar para meu papel de carta, e você deve salvar a rainha.
Jared puxa suas pernas. Desvio o olhar e me levanto oscilante, ele para ao meu lado e me estende a arma que mais uma vez eu derrubei. Recolho-a e enfio no bolso, ele ri e me abraça.
- Quando a porta se abrir... Serei Áster outra vez.
Engulo em seco, suspiro pesadamente e consinto.
Ele beija meu rosto e me solta caminhando até a parede a nossa frente. Seus dedos somem em uma fenda e escuto o clique baixo da parede se movendo revelando uma porta.
Ele me encara e mais uma vez suas pupilas ficam vermelhas, Áster sorri em um sinal de respeito e indica a passagem com a cabeça.
Jared não existe mais, nem o Cain que se entregou a ele uma última vez.
Sorrio e a claridade que passa pela passagem me cega por um minuto, cubro os olhos com as mãos. Que este seja meu inferno então, nada pode me destruir mais.
XXX
Hora do show! Agora sim esse circo vai pegar fogo!
Eu disse que o Cain podia estar fazendo muitas coisas enquanto a Lilith estava com o Abel, e uma delas era estar com o Jared ;u;
Um pequeno recado pra vocês amores <3 eu vou voltar a postar TR de sábado, eu estava postando sexta, mas por motivos de: "tenho que fazer um chatinho TCC" eu vou mudar as postagens para sábado porque assim fica melhor pra eu revisar antes de postar aqui pra vocês.
Por isso se você ficou me esperando atualizar ontem, me desculpe, e agora fica o recado kkkkk
Bem é isso, vamos, porque o show não pode parar
-3-
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