Nonsense
Toda curiosidade, apesar de atraente,
Causa muitos males a gente
Exemplos disso há mil, todo dia aparecem
Perdoe-me a mulher, é um prazer bem fugaz
Que, mal chegando, se esvaece
E sempre nos custa caro demais...
Charles Perrault.
Nove de setembro de 1888, domingo (noite) "...?" Inglaterra.
- Ascensão... Dos demônios...? - Repito sem entender.
- Sim... - Marcel sorri largamente. - Você não é Lilith?
- Mas... Marcel...? - Matthew tenta falar, mas o outro o silencia com a mão.
- Marcel...? - Jaken o encara sem entender. - Mas não foi isso que...
- CALADO! - Seus olhos faíscam. - Eu digo que é isso, porque é isso.
- Não, mas... - Jaken tenta argumentar. - Deixe... Calarei-me.
- Não! - Esbravejo. - Eu exijo explicações! Que ascensão dos Demônios?
- Pode exigir, mas eu não vou dizer nada! - Como ele me irrita...
- JAKEN!!! FAÇA-O DIZER TUDO PRA MIM!
- Não posso Lilith, ele está acima de mim, não posso contrariá-lo, ele é meu "chefe"... Mas... - Ele o encara sombriamente.
- O que houve? - Marcel sorri.
Viro-me e tento sair, mas Chevonne e Yue me impedem. Droga! Cain ainda está quieto, provavelmente, pensando...
- Ascensão dos Demônios? Como assim, "Crianças Amaldiçoadas?"
Eles se encaram um pouco, depois Marcel diz:
- Crianças amaldiçoadas, são vocês, óbvio! Disse isso porque estamos esperando muito tempo por vocês. Claro que a Wonderland também, por isso, a partir de hoje vocês tomaram mais cuidado com tudo e todos. Claro que essa festa foi um teste para ver o que a Wonderland...
- O que? Nós fomos usados como isca para ver o que eles iam fazer conosco? Sem nenhuma consideração? - Guincho.
- Como assim? Nós protegemos os dois, não?
- SIM! Mas... Mas... Meu irmão foi ferido!
- Mas está vivo! - Ele brinca com uma faca. - Isso será divertido.
- Gh... - Eu o odeio! Quero que ele morra! - Ei! Sei que você não gosta de mim, nem eu de você. Mas pode me dizer o que é a Nonsense?
- Hn. Posso te dizer... Mas a curiosidade matou o gato... Ou uma bela gatinha...
- Isso é uma ameaça? - Digo sorrindo. - Aceito-a!
- Bom Nonsense é uma organização secreta! Óbvio não? - Aceno com a cabeça. - Nós queremos a ascensão dos Demônios, por que...? - Ele encara o outro. - Ah!Nós odiamos o mundo como ele é hoje! Por isso esperamos há muito tempo por isso.
- A Nonsense foi criada por uma mulher, a Fox. Ela é inteligente como uma raposa, por isso se proclama Fox.
- Que idiota... - Sussurro.
- Psiu! A Nonsense é formada por dez membros: Eu, Matthew, o Senhor dos Corvos. Marcel, o Senhor das Najas. Jaken o Valete. Bankotsu, o assassino. Datsuki, bom... A boneca... Chevonne, a bela. Yue, a loba. Emmeline, a gentil, Meredianna, a vidente. E bom a Fox...
- Só dez pessoas?
- Hu você diz isso porque não nos viu em ação.
- Eu vi sim! E puxa a Emmeline, nunca desconfiaria!
- Ela é uma incógnita, só é usada em casos muito raros... Bom é só isso que vou te revelar, Little Lady! Retirem a daqui!
- O que? NÃO! EU VOU... - Fui suspensa no ar... - JAKEN!
- Vamos subir...
- NÃO QUERO!!! -Grito desesperada.
- Sou eu quem dá as ordens aqui! Little Lady! - Marcel diz sorrindo.
- EU TE ODEIOOOOOO!!!
Ele sorri mais satisfeito que nunca... Agh! Que ódio! Mas não vou gritar mais nada. Não darei mais motivos para ele rir... Então fecho a cara e me deixo ser levada por Jaken.
Mas um empecilho não nos deixava passar. Bankotsu... Descemos, e lá em baixo ele disse desesperado a Jaken:
- Jaken... A Datsuki... Ela quebrou, por favor... Conserta-a!
Ele estava tão desesperado que nem nos notou ao redor, Jaken então me pôs no chão, andou até onde a Doll estava e abriu seu vestido... Pervertido... Só então notei o real estado dela, seu peito estava estraçalhado, e algumas peças estavam danificadas, ela teria conserto mesmo...?
- Bom... - Jaken disse impassível - Ela vai ter conserto, mas eu vou levar um tempo para... Bom, arrumar essas peças novamente...
- Ah, obrigado Jaken!
Depois de ter dito isso ele abraçou Jaken, esse que não gostou muito do ato, estranho, eles pareciam tão amigos. Depois Jaken o empurrou para longe e me pegou no colo de novo. E puxou Cain pelo colarinho e subimos a escada, calados... Lá em cima ele disse:
- Lilith, jamais desafie aqueles dois! Na próxima... Eu não sei o que eles podem fazer com a senhorita!
- Você não me protegerá? - Indago.
- Eu posso tentar, mas não garanto nada... - Seu rosto ficou impassível. - Não posso te revelar mais nada...
- Jaken, o que é isso de ascensão...?
- Não sei... - Ele me encara. - Só sei que ele está mentindo...
- Mentindo...? - Cain murmura e Jaken consente. - Jaken onde estamos?
- Não posso lhe revelar Cain... Mas aqui é à base da Nonsense. E é um lugar que é melhor você não saber onde é, pois estarão correndo perigo se souberem...
Cain então assente e fica quieto novamente. Hu então aqui era à base da Nonsense! E aqueles dois eram os chefes daqui... Mas mentindo? Por quê? Hnnn... Isso está ficando legal, o que acontecerá amanhã...?
XXX
Acordei, nem me lembro quando vim para este quarto. Só lembro-me do Jaken conversando comigo ontem. Unh... Viro-me de lado, acho que não vou levantar agora. O que...? Sinto algo gelado encostar-se a minha pele...
- Ahhhhhhhhhh?
- Lilith, cale a boca! - Cain disse-me ríspido.
Ele estava ao meu lado, não me lembro dele ter dormido aqui... Nós nunca dormimos no mesmo quarto, muito menos na mesma cama!!!
- O que você...?
- Jaken mandou que eu me deitasse nesse quarto, porque não queria nos deixar separados, por isso estou aqui.
- Ah? Então tudo bem... Você vai se levantar agora...?
- Está muito cedo! E eu quero dormir, se a senhorita não tivesse me acordado... Bom, pode se levantar se quiser.
- Não, acho que também vou... Dormir.
Ele então fechou seus olhos, hn... Eu nunca tive alguém da minha família próximo de mim, eu e ele quase nunca nos falamos, com meu pai era a mesma coisa. Minha mãe morreu quando eu tinha dois anos, nem me lembro dela... E o Jaken, não sei se posso considerá-lo da família! Cain... Eu... Nunca fiquei tão próxima dele, lentamente me aproximei, com medo de acordá-lo, e me deitei a seu lado... Essa sensação é boa...
- Por que a senhorita está fazendo isso?
- Desculpe-me Cain idiota!
- Hunf, és uma criança tola, se queres dormir ao meu lado durma, ora!
- Quem é você para me chamar de criança? E pare de falar todo certinho seu besta!
- Sinto muito se não falo como ti, Pequena Lady!
- Ora até tu?
- Sim, agora queres permanecer aqui, ou não?
- Quero...
- Deite-se então, sua tola.
Resmungo e me deito ao seu lado, nunca nos imaginei tão próximos assim. Mas não vou demonstrar isso, então durmo sem incomodá-lo.
XXX
Vejo... Uma garotinha correndo por um longo saguão. Seus cabelos negros estão presos em duas tranças. E em seu rosto há um largo sorriso. Em uma de suas mãos ela carrega uma boneca de pano, lindamente bordada... Feita por sua mãe...
Em uma poltrona ao canto há um garotinho pálido sentado, que se distrai com um caderno a riscar... Seus olhos roxos dançam atrás da garotinha. Os dois brincam tranquilamente, cada qual separado, mas sempre lançando sorrisos um ao outro...
Então um barulho acaba com a diversão dos dois... Um grito seguido de um estrondo... Os dois se encaram, e de mãos dadas sobem as escadas... Cautelosamente... O grito vem do quarto de sua mãe, eles param na porta e se encaram, novamente, então juntos abrem a porta...
A cena que eles encontram é horripilante, uma linda mulher de longos cabelos negros está caída no chão... A sua volta, praticamente, todo o seu sangue se espalha pelo quarto... O coração ainda pulsa em seu peito aberto, mas não por muito tempo... Sua garganta estava cortada por dois talhos, e seu sangue vazava dali, enquanto sons horríveis escapavam junto com ele... Ela olha as crianças e seus olhos se enchem de lágrimas... Ela estende sua mão ensanguentada, mas... Morre antes de conseguir alcançá-las...
XXX
Acordo gritando. Não consigo conter as drogas das minhas lágrimas. Cain também acorda assustado com meu grito... Seus olhos roxos me analisam, por fim ele diz:
- O que foi? Porque você está chorando?
- Eu... Eu... - As palavras não querem sair da minha boca. - Eu tive aquele sonho com a mamãe de novo...
XXX
Não consegui dormir mais, e então passei o dia todo trancafiada naquele quarto. Fazia anos que eu não sonhava com minha mãe... Ainda mais aquele sonho... Vê-la morrer daquela forma... Era para eu nunca mais me lembrar... NUNCA!
- Olá Lilith... Cain me contou que a senhorita teve um pesadelo...
- Sai daqui! De onde você surgiu? Cain nunca te contaria isso!
- Calma... Não diga coisas assim dessa forma tão rápidas. Só vim vê-la, está precisando de algo Lilith?
- Não preciso de nada que venha de você! Suma daqui!
- Não quero.
- JAKEN! - Grito por fim, furiosa.
- Pode gritar... Não vou sair... - Ele disse se jogando de costas sobre mim. - Vou ficar aqui.
- Você pesa! Saia de cima de mim!
- Não...
- Anda! Sai daqui! Quero ficar sozinha! E dá pra me chamar de "Pequena Lady"? Era melhor!
- Já disse, não. Pequena Lady? Eu te chamo assim? - Ele não se lembra...? Será que ele bateu a cabeça ontem? - Mas então Lilith, quer descer comigo? Podemos arrumar a Doll juntos.
- Hn, não sei. Ah tudo bem! Eu vou, mas deixa eu me trocar?
- Tudo bem...
Dizendo isso ele saiu... Bom fazer o que? Vou ajudá-lo, é melhor do que tê-lo no meu pé me irritando... Rapidamente me troquei e abri a porta, e ele estava lá. Juntos, descemos às escadas, calados, ainda não sei onde estamos, mas me é familiar...
Ao chegar perto da sala de jantar, ouvi uma sucessão de palavras em francês, e em respostas uns "Não quero." Chevonne provavelmente...
E meus pensamentos estavam certos, era ela mesma. Ela e uma pilha de doces que estavam cobrindo alguém... Não consegui conter o riso.
- Ela é filha de um patissier... Para azar do Bankotsu, que não gosta de doces... - Jaken disse contendo um sorriso.
Ah, então aquilo sob a pilha de doces era o Bankotsu... Que dó dele. De ter uma maluca no seu pé... Mas isso é engraçado. Então Chevonne nos notou, e olhando irritada para Jaken disse:
- O que quer?
- Eu? Nada, apenas vou ao subsolo...
- Jaken! - Ele gritou, jogando doces em varias direções. - Você vai ver a Doll? Posso ir?
- Fazer o que? - Jaken deu de ombros, irritado.
- Little Lady! Você vai também? - Ele disse com um sorriso radiante.
- Sim... Eu vou. Senhor Pilha de doces...
- Ah... Você quer um doce?
- NON! São só pra você!
- A Chevonne! Sai daqui! Eu tenho trabalho a fazer!
Por um momento pensei que Chevonne o mataria, pois ela lançou um olhar fulminante sobre ele. E depois disse:
- Je... Je... Bonne journée! - Se virando e saindo da sala.
- Francesinha louca... - Bankotsu disse rindo. - Mas você aceita?
- Obrigada. - Digo pegando um doce, bom eu não tinha comido nada.
Pensando bem, onde está o Cain? Eu não o vejo desde manhã. Estranho... E ninguém parece ter notado seu sumiço... Ele ia gostar de mexer na Doll.
- Vamos! Jaken! Vamos logo! Eu quero vê-la logo! - Bankotsu disse meio empolgado, meio angustiado também.
- Tudo bem, vamos... -Jaken disse entediado.
- Jaken, cadê o Cain...?
- Hn? Cain? A última vez que eu o vi ele estava com Marcel... Por quê? - Bankotsu respondeu prontamente.
- Nada... - O que ele estava fazendo com aquele estranho?
Então não digo mais nada, apenas sigo os dois. Chevonne cozinhava muito bem! Pois aquele bolinho que eu estava comendo era delicioso! E ela só fazia isso para o Bankotsu...?
Nem me dei conta quando, mas chegamos a uma sala em algum lugar... Essa casa é muito estranha! Parece mágica... Então Jaken abriu a porta. E o seu interior era assustador! Para todos os lados que se olhava havia bonecas! De todos os tipos, tamanhos e cores... Todas com seus olhos de vidro focados em nós... Pareciam demônios sedentos de sangue...
Porém havia uma que se destacava das outras... Uma boneca em tamanho real com longos cabelos ruivos... Que estava com os olhos fechados, recostada sobre uma poltrona. Poderia ser apenas uma mulher dormindo, tamanha era a sua perfeição... Ouvi-o arquejar quando a viu. Deve ser doloroso para aqueles dois vê-la assim.
Então Bankotsu se aproximou dela, ignorando totalmente tudo e todos, e se ajoelhou sobre a poltrona. E segurando suas mãos disse:
- Não se preocupe meu amor... Logo você vai acordar de novo. E nós vamos ficar juntos tudo bem?
Acho que ele sabia que não obteria resposta, mas mesmo assim a esperou, enquanto colocava as mãos dela sob seu rosto. E fechava os olhos, (Bom eu acho que ele devia ter fechado o olho sob o tapa-olho), e assim ficou, esperando-a, respondê-lo. Embora eu acredite que ela não vá fazer isso, não até que a concertemos...
- Bankotsu, saia daí. Você quer me atrapalhar?
- Desculpe... - Ele disse se afastando.
Jaken está muito estranho desde a festa em que fomos atacados, o que será que houve? Ele quase não sorriu desde que chegamos, nem me chamou de "Pequena Lady." E agora foi ríspido com Bankotsu, com quem ele era tão gentil...
- Little Lady, a senhorita quer sair comigo? Acho melhor Jaken ficar sozinho...
Ele estava chateado... Também pudera, Jaken estava muito chato...
- Lilith você não quer ficar aqui? - Por que ele não me encara?
- Desculpe Jaken, mas eu vou acompanhar o Sir. Bankotsu!
- Adeus então. - Ele disse se virando.
Era impressão minha ou ele queria ficar a sós comigo? O que ele estava tramando? Foi bom ter encontrado o Bankotsu... Então ele pegou minha mão e juntos, saímos da sala, deixando Jaken e a Doll a sós...
- Jaken é muito chato! - Ele disse chateado.
- Só tenho a concordar.
- Tudo bem que a Wonderland deu uma surra nele, mas já era pra esse mau humor ter passado! Eu que tive que acalmar todo aquele povo, e estou aqui tranquilo, e ele irritadinho!
- Acalmar? Como você fez isso? Todas aquelas pessoas que viram o ataque eram inocentes né?
Ele então assentiu, e olhando para os lados me pegou no colo e me pôs em cima de uma mesa, estranho nós temos quase o mesmo tamanho...
- Vou te mostrar o meu segredo Little Lady... - Ele disse retirando o tapa olhos... Ah... Que dó...
- Você é cego...? - Bom eu já podia imaginar, mas...
- Sim, mas veja isso... - Ele disse fechando seu olho normal, ah!
Enquanto ele fazia isso minha mente ficou entorpecida... O que é isso? Então ele abriu os dois olhos e disse:
- Ficou com sono?
- Sim... Como?
- Esse é meu poder! Com meu olho sacrificado eu posso invadir a mente das pessoas e controlá-las como bem entender!
- Uau! Mas como assim? Olho sacrificado...?
- Para reviver a Doll, tínhamos que dar um sacrifício de uma pessoa viva, para que isso nos unisse... É uma espécie de pacto. E quem melhor que eu para fazer isso?
- Ah, você fez isso por ela?
- Sim... Bom doeu muito... Mas ela sofreu mais...
Ele então se aproximou de mim, e pousou sua cabeça no meu peito... Hã? Ele é como o Jaken agora? Mas quando eu ia gritar algo bem feio ele sussurrou:
- A senhorita se parece tanto com ela...
Então senti algo quente pingar em meu colo... Ele estava chorando! Agh. Não vou gritar com ele. Não agora... Então passei suavemente minhas mãos sobre seus cabelos. E ele me abraçou...
- Ela tinha muita sorte de tê-lo a seu lado... Sir. Bankotsu...
- Obrigado... - Ele sussurrou sem me olhar.
Acho que vamos ficar assim por um tempo...
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