Has come little circus!
Nas profundezas do bosque, um circo pode ser encontrado,
Junto com o seu Diretor, que tem olhos grandes e dez metros de altura.
(...) O elenco é alegre, apesar de suas formas bizarras.
Mas como é divertido! O Circo do Bosque Escuro!
(...) Não é que tenhamos desejado nascer com essas formas.
Por que nos olha desse jeito? Essas faces em decomposição.
Dark Woods Circus
Quinze de outubro de 1888, segunda. (manhã). Londres (Trafalgar Square). Inglaterra.
Assim que Bankotsu fecha a porta atrás de nós, saímos ao lado de um barranco enlameado, deve ter sido aqui que Cain caiu. Encaro-o ele se vira e segue para direita, sem hesitar, ontem foi tudo muito estranho.
Primeiro Christopher... Ainda me lembro de seu sorriso enquanto desaparecia depois Stitch, eu tenho medo dele, mas, pelo que percebi, ele não me fará mal, e agora o circo...
Caminho a tropeções pela lama recém formada. E só não caio, muitas vezes, porque Jared me ajuda a caminhar. Ele está cabisbaixo desde que saímos, talvez seja o que mais sofre com o assunto "circo".
Mas Chess disse que estará nos vigiando, e confio nele. Cain disse que viríamos para cá, e se Marcel e Matthew concordaram, tivemos que vir, e eu, ao menos, espero que ele encontre essa maldita gema logo, pois não quero ficar muito tempo aqui, quero ir atrás de Jaken logo.
- Sabe mesmo aonde é? – Bankotsu indaga.
Encaro-o e não consigo conter um sorriso, com shorts pretos surrados e os cabelos despenteados, ele se parece com um garoto da minha idade. Não é a toa que foi escolhido para vir conosco.
- Claro que sei. – Cain diz ríspido. – Basta me seguir.
- Ora, e vocês mudaram de nome né? Nem me avisaram. – Bankotsu sorri sinistramente. – Serei Jack.
- Jack? – Repito. – Por que Jack?
- Por que sim. – Ele dá de ombros e sorri. – Afinal, muito trabalho e pouca diversão tornam Jack um menino aborrecido.
- Jack the Ripper? – Cain sussurra.
- Quem sabe? – Bankotsu saltita à frente e estanca.
Paro ao seu lado e vejo porque ele fez isso. Apoiado em uma árvore há uma pessoa com um manto negro. Será que é o Valete? Engulo em seco, mas fico firme ao seu lado.
O encapuzado leva as mãos ao rosto e retira o capuz, fico pasmada. O rapaz extremamente branco e com cabelos dourados sorri ao nos ver e caminha, saltitando como Bankotsu, até onde estamos.
- Hei Jey! – Ele afaga os cabelos de Cain, que tenho certeza está se controlando para não bater em sua mão. – Quem são seus amigos?
- Hn... Essa é minha irmã, Suzan. – Ele me indica com a mão e o loiro sorri. – Max e Jack são meus companheiros.
- Ah sim! Ah sim! – Ele une os dedos e sorri, depois faz uma reverência. – Sou Ikki, prazer.
- Muitíssimo prazer. – Bankotsu sorri de uma forma estranha.
O loiro pisca e depois sorri.
- Vocês já devem saber o que vieram fazer aqui, não?
- Claro. – Cain diz rapidamente. – Digo, sim, eles já sabem.
- Ótimo! – Ele se vira e abre os braços. – Welcome to the Divine Cirque!
XXX
Ele aponta um bolo de lona puída vermelha e amarela. O "circo" não passa de uma tenda média, e ainda está na parte baixa desse barranco. O que eu fui quando era menor tinha muito mais classe.
Cruzo os braços e encaro Cain, ele dá um sorrisinho macabro e diz:
- Que maravilhoso! Eu nunca fui a um circo!
- Falso...! – Bankotsu sussurra ao meu lado.
Sorrio e ele faz o mesmo. Vejo uma sombra sair do circo e caminhar até nós, aproximo-me de Bankotsu quando o rapaz, bem alto, para ao lado do loiro. Ele tem a pele mais escura que o outro, de um tom amendoado, cabelos negros bem compridos e olhos amarelos, será que todos aqui têm olhos de cores tão estranhas assim?
- Ah são eles? – Ele indaga desanimado.
- Ora! Maninho não os trate assim!
Eles são irmãos? Encaro-os, são totalmente diferentes! Até mesmo na personalidade! Enquanto um não para de sorrir o outro é carrancudo.
- Você que se vire com mais essa! – Ele sussurra, mas posso ouvir.
- Sim, eu vou! – Pisco e quando vejo o loiro está sobre os ombros do outro, e puxa suas bochechas, forçando um sorriso. – Esse é Can, meu irmãozinho mais velho, diga olá!
Ele revira os olhos e desce o loiro que dá risada sem parar.
- Aqui somos todos "irmãos"! – Ele explica levantando um dedo. – Mas no nosso caso, somos de verdade.
O outro lança um sorriso fraternal e bagunça os cabelos do loiro, depois volta para o interior do circo. Bankotsu saltita e puxa o braço do loiro que o encara assustado.
- E o que vamos fazer? – Ele indaga docemente.
- Você precisa de uns casacos de lã. Brr! Você está gelado...
Bankotsu solta seu braço e recua um passo. Jared dá uma estrela e para de cabeça para baixo sorrindo e se apoiando em um braço só.
- Eu tenho experiência em circos. No que posso ser útil aqui?
O loiro o aplaude. E Jared abre suas pernas e, as deixa retas no ar, como se estivesse fazendo uma abertura no chão.
- Quantos anos você tem? – O loiro puxa um de seus pés e Jared ri.
- Não sei. – Ele volta a ficar em pé. – Não sei mesmo. Talvez 14.
- Bem, você não será o mais novo, mas posso te encaixar no elenco principal, estamos precisando de um acrobata!
- Ele canta. – Cain encara Jared. – Ele não é um acrobata, é um cantor.
Pensei que o termo correto fosse "castrato", mas não é bom dizer isso, já que ele se apresentava como castrato no show de horrores.
- Posso cantar, mas você sabe que não gosto disso.
Ele encara Cain com sua expressão de... Cãozinho abandonado! E depois encolhe os ombros.
- Também faço acrobacias! – Bankotsu salta de costas e sorri. – TA-DAM.
Fico calada, eu não sei fazer nada. Posso... O que eu posso fazer? Cain também fica mudo, deve estar pensando o mesmo. Bem, eu posso fazer comida.
- Eu sei cozinhar! – Digo orgulhosa. – Sei fazer tortas e bolinhos.
- Isso é bom, somos todos péssimos cozinheiros aqui!
- E eu? O que posso fazer? – Cain indaga, e me parece sincero.
- Você não tem nenhum talento? – Ele nega e o loiro se abaixa e afaga seus cabelos. – Têm sim, todos temos. Você só não o encontrou ainda.
E depois abraça Cain, fico pasmada. Como ele pode ser tão bonzinho assim? Nem desconfia de nada, aposto que se ele soubesse que estamos espionando nos daria um cascudo!
- Vem, vamos entrar, vou apresentá-los a todos!
XXX
Assim que adentro sou recebida por uma atmosfera quente e acolhedora, um garotinho bem pequeno corre e salta nos braços do loiro. E depois nos encara e balança sua mão em um cumprimento. Ao menos seus olhos e cabelos são castanhos e normais.
- Esse é Seva. Ele é um pouco tímido.
- Você parece um macaco branco. – Ele diz a Bankotsu, que fecha a cara. – Mas é bonitinho. – Ele se justifica.
- Tímido é? – Ele ri. – Sou Jack.
- Bem, ah! A estrela do grupo! – Ikki imita sons de tambores e puxa a garota que está de costas a virando. – Ambar!
A moça de pele amendoada e cabelos cacheados e vermelhos, nos encara, assustada. E depois sorri se curvando.
- Olá pequenos! E não sou a estrela do grupo. – Ela se afasta rindo.
- Hn... Pra mim sempre será. – Ikki diz com uma piscadela.
Ele nos mostra mais duas garotas, uma de cabelo azul, e extremamente sorridente, e uma ruiva que parece que está com sono sempre, pois suas pálpebras sempre estão caídas e sua boca é grande. Ele nos disse que a ruiva era Prema e a outra Ananda. E eu achei que a Meddi era a única que tinha cabelo de cor estranha nesse país.
- Bem... – Ele pensa. – O chefe não está aqui agora...
- Pensei que você fosse o chefe! – Cain diz estupefato.
- Sou o vice. Ou menos que isso. Mas... EEEI CAMBADA! – Ele grita e os outros se aproximam lentamente. – Esses são nossos novos amigos! Jack... Um menino frio e saltitante! Max nosso novo acrobata! Suzan, nossa querida cozinheira! E bem, ajudem Jey a achar um talento!
Todos os olhares se voltam a Cain esperançosos e todas as garotas correm o puxando, e escuto fragmentos de suas vozes e dou risada.
- Você sabe dançar? – Ambar indaga.
- Não! Ele me ajudará na corda bamba! – Ananda ri.
- Não, você será meu ajudante. – Prema sussurra.
- Uau! Ele faz sucesso entre as garotas. – Me assusto ao ver Ikki sentado ao meu lado. – E você?
- Não tenho muitas amigas. – Olho em volta e estou semi-sozinha com ele. – As meninas não gostam de mim. – Bem, a Barbie não. – Mas conheci uma moça uma vez, ela era francesa, e muito bonita.
- Uhn-hun. – Ele passa um dedo sobre o lábio vermelho. – Você gosta de roupas pretas? Porque eu não. Vamos trocar esse vestido?
- Mas eu gosto dele! – Guincho.
- Parece que você está de luto. – Ele cruza os braços. – E eu detesto luto. Vem cá, vem...
Grito quando ele me coloca sobre suas costas e se levanta em um salto. O único que faz isso comigo é o Chess!!! Ele corre até o outro rapaz alto e bate continência, e se afasta para uma tenda menor, que eu nem tinha reparado. E ao adentrar noto que é um camarim.
Ele me solta e abre um guarda-roupa cheio de cor e plumas.
- Bem, a Ambar usa vermelho. Ananda, azul. Prema cor de vinho e você...? – Ele estende um vestido roxo. – Roxo é bonito e não é tão colorido, nem tão mórbido.
- Hn... – Encaro-me no espelho. – É bonito...
- Você também. – Ele ri e volta a remexer lá. – Que tal meias listradas?
- Meias? – Indago.
- Sim, para aparecer por baixo do vestido. Pretas e branca.
- Mas damas não devem mostrar as meias... – Sussurro.
- Você não é uma dama. – Ele infla as bochechas. – É uma atriz, uma bela atriz circense, e ninguém vai ligar se você usar meias.
Ele joga em minha direção meias compridas e listradas. Depois uma sapatilha de pano. Pra que tudo isso? Ficarei nos bastidores mesmo. Mas, não consigo manter a expressão irritada diante de seu sorriso inabalável. Ele nota que estou olhando e tampa os olhos com as mãos e vira de costas dizendo:
- Prometo não olhar!
- T-tudo bem então... E NÃO OLHE!
Ele ri e rapidamente visto a roupa que ele me deu e me encaro no espelho. Não está tão mau assim. E é confortável. Até as meias!
- Pronto... – Sussurro.
Ele se vira e explode em gargalhadas. Sinto meu rosto queimar e desvio o olhar, mas quando menos espero sou abraçada por ele.
- Está a coisa mais fofa que já vi... – Encaro-o receosa. – Vamos mudar essas chuquinhas?
- Chuquinhas? – Repito, mas acho que já sei o que é...
- Esse cabelo menina! – Ele desata os laços que prendem meu cabelo. – Que tal uma trança? Seu cabelo é longo.
Antes de retrucar ele termina a trança e a enfeita com plumas.
- Não sou sua boneca... – Sussurro emburrada.
- Não é mesmo! É uma atriz, que está ficando linda em minhas mãos. – Ele levanta meu rosto com uma mão. – Só precisa sorrir mais.
- Hn... Pra que isso?
- Pra te ver feliz. – Ele sorri de uma forma diferente e beija minha testa. – Já passou maquilagem?
- Não... – Digo um pouco assustada, pelo fato de ele mudar tão rapidamente. – Por quê?
- Vamos ver se você fica mais bonita?
XXX
Quando ele termina estou irreconhecível, a Nonsense podia investir em disfarces como esse! Ele sorri satisfeito e me puxa pela mão até o picadeiro e diz a todos:
- Apresento-lhes minha nova assistente: Suzan a bela!
- O QUÊÊÊ? – Guincho.
- Estou te promovendo. – Ele me lança uma piscadela.
- Também quero ser maquiado!!! – Escuto a familiar risada e olho para cima, e vejo Jared pendurado em um trapézio. – E eu sou o novo trapezista!
Ele salta na rede de metal, prendo a respiração, mas logo ele se levanta e saltita até nós, seguido de Bankotsu.
- Você está linda, Little Lady... – Jared deixa escapar e cobre a boca.
- "Little Lady"? – Ikki me encara sério. – Acho que combina mais do que "Suzan a bela". O que me diz, Little lady?
Sorrio e consinto.
- Vamos lá então Ruivo. – Ikki o puxa pela mão. – Um de cada vez, ok?
Bankotsu consente e voltam a fazer o que quer que estava fazendo antes, procuro por Cain e o vejo sentado ao lado do rapaz de cabelos negros e caminho em direção aos dois. Olhando melhor, percebo que quase todos aqui têm o mesmo tom de pele amendoado, e os olhos de cores diferentes, mas com exceção dos olhos, Ikki é o mais incomum entre eles.
- Ora, uma nova beldade. – O alto me saúda.
- Idiota. – Rebato. – O que vocês estão fazendo?
- Estou o ajudando. – Cain diz poupando conversas.
- A fazer o que? – Insisto.
- O show da noite. – O outro sorri e ergue a mão com várias facas entre seus dedos. – Já viu alguém arremessar facas, docinho?
- Não. Você consegue?
- À noite lançarei facas em Prema em sua homenagem. – Ele se levanta. – Obrigado Jey. Mas esse ainda não é seu talento.
Encaro-o enquanto ele se afasta e depois digo em tom de deboche:
- Jey... Um belo apelido, talvez possa te chamar de In, ou seria melhor Ca? – Ele me fuzila com o olhar. – Ora, Bell também tem um apelido.
- Por favor, cale a boca. – Ele ergue uma tocha apagada. – Já viu um circo pegar fogo?
- Um freak show conta?
- Talvez... Descobriu algo? – Ele me encara. – Assim você está bonita, a maquilagem disfarça sua verdadeira feição.
- Talvez você precise disso mais que eu. E não, nada.
- Eles são indianos, foi tudo que descobri.
Cain abaixa a tocha e suspira, sei que vai ser difícil encontrar pistas aqui nesse lugar tão... "Comum". Porém o que mais me incomoda é essa hospitalidade, esse amor dado por todos os integrantes, é ruim demais sentir isso sabendo que estou aqui mentindo para eles, e em busca de algo que só irá beneficiar meu lado.
Puxo algumas penas do meu novo penteado e suspiro também.
- Ora, que gracinha.
Olho para cima e congelo. Um homem absurdamente alto me encara com olhos frios e roxos... I-iguais aos do Cain. Engulo em seco e recuo. Ele sorri e retira a cartola, deixando longos cabelos negros escorrerem pelas costas e se curva dizendo:
- Desculpe-me tê-la assustado, minha querida. Sou o dono dessa espelunca, e pelo que presumo, tu e esse garotinho são os novos integrantes. – Ele estende sua mão e repito o ato. – Milady...?
- Suzan... – Sussurro.
- Milady Suzan. – Ele beija minha mão. – Sou o Chefe, por hora, me chame apenas assim, minha querida, e...?
- Jeremy. – Aposto que ele queria dizer todo pomposo: "Lorde Cain..."
- Conde Maurêveilles... – Deixo escapar.
- Como? – O gigante me encara curioso.
- Digo... Er... É que... – O que eu falo?
- É uma paixão dela. – Cain diz sorrindo. – Um conde, por isso fica sussurrando seu nome a todo o momento.
- Ah sim. – O grandão sorri entretido. – Boa sorte então. Bem, irei ver o que se passa nesse circo, sejam bem-vindos.
Ele se afasta girando uma bengala, e suspiro, aliviada. Quase acabo com tudo, mas agora tenho que resolver algo:
- Uma paixão? Você...? – Dou a risada mais sarcástica que possuo. – Está louco, meu irmão?
- Obviamente. Claro, fui eu, que dei com a língua nos dentes. Idiota.
- Desculpe-me. – Encolho os ombros. – Mas você também pensou o mesmo, confesse!
- Claro que sim, me rebaixar a "Jeremy" deixando meu...
- Deixando o quê?
Congelamos. Mas ao ouvir a familiar risada me viro e sorrio para Jared, ele se senta, está totalmente diferente, seu rosto está maquilado e por entre as cores escuras seus olhos parecem se destacar, juntamente com seu cabelo ruivo. Ele é o único que está realmente animado com tudo isso. Ele se curva e sorri dizendo:
- Estou adorando! É tão bom voltar a esse ambiente!
- Acha mesmo? – Cain sussurra entediado.
- Ora, Ca... – Ele engole em seco. – Jey...
- Cuidado com a língua, Ruivo. – Cain diz entre dentes. – Já me basta esta, agora você?
- Você o que?
Congelamos mais uma vez, que droga, vai ser sempre assim? Viro-me e me deparo com Ikki sorrindo, pra variar.
- Vamos Jey, só falta você... – Ele estende uma mão e agita um pincel na outra.
- Não que-precisa. – Cain diz corando.
- Ora vamos, o show logo vai começar!
- Vai...? – Indago.
- Yes, my little lady. – Ele ri entretido. – Ingleses são sempre engraçados falando, mas venha criatura.
Ele puxa Cain que reluta um pouco, mas logo está sendo arrastado, Jared troca um olhar comigo e ri. Depois estende sua mão e diz:
- Vamos minha dama?
- Claro, meu caro Ruivo.
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