8

Depois de deixar Ruby em casa, fui buscar Rosé, pois iríamos comemorar o aniversário da nossa amiga Miyeon. Somos amigas dela desde o jardim de infância. Rosé estudou com ela no ensino médio. Eu não. Eu fiz o ensino médio na Tailândia.

Eu só fui para a Tailândia porque meu avô faleceu e eu não podia ficar aqui em Seul.

Eu não tenho um bom relacionamento com a minha família. Quando minha descobriu que eu tenho um pau, ela quis me abortar, mas já era tarde demais.

Eu nasci na Tailândia, mas quem me criou foi meu avô. Infelizmente não pude conhecer minha avó. Ela tinha um tumor benigno no cérebro. Ela morreu na cirurgia.

— Bom dia, Roseanne!

— Bom dia, Lalisão — ela entrou no carro. — Faz o favor de abrir essa capota. Eu vim de óculos justamente pra ostentar do seu carro.

Rosé estava com um batom rosa-claro, seus óculos escuro, um cropped e um short curto jeans claro que escondia seu biquíni.

— Tá achando que é rica, madame?

— Eu sou rica — a encarei. — De saúde. Se bem que nem na saúde eu tô me dando bem.

Não pude conter minha risada.

— De qualquer forma, o seu dinheiro, é meu dinheiro também.

Olhei para ela boquiaberta e abri a capota enquanto a encarava.

— Você é minha motorista particular, Manoban. Dirija!

— Tá achando que manda em mim? — ela fechou a cara e me encarou como se fosse me matar. — Ok, chefe. Qual será a próxima parada?

Eu não sou medrosa, só tenho amor a vida.

A força dessa garota é de outro mundo. Eu já levei muitos tapas dela nas costas. É por isso que hoje em dia eu não sinto mais elas.

Deve ser por isso que eu tenho problema na coluna.

— Rosé, eu tô apaixonada — ela riu.

— Novidade — senti um tom de deboche em sua voz. — Você se apaixona toda semana por uma garota diferente, Lalisa.

— Mas dessa vez é diferente. Eu juro que é diferente. Eu sentí uma conexão com ela, sabe.

— Hum, sei. Vou fingir que você não disse a mesma coisa com as últimas — ela contou nos dedos — dez? — ela me olhou. — Só nessa semana.

Começou a tocar uma das minhas músicas preferidas.

Eu e Rosé nos olhamos.

Rosé aumentou o som enquanto eu estava concentrada fazendo a curva para entrar na BR.

— Welcome to your life
There's no turning back
Even while we sleep
We will find you
Acting on your best behavior
Turn your back on Mother Nature — fomos cantando a música toda juntas.

O vento batendo em nossos cabelos, fazendo-os voarem, ambas de óculos-escuro, o sol forte iluminando e deixando tudo com mais vida; o céu azul com nuvens bem separadas uma das outras, sem construções, apenas a natureza e a estrada.

***

— Finalmente chegaram! — Miyeon veio nos cumprimentar.

— Ninguém mandou você escolher o cu de Seul pra fazer seu aniversário — Rosé disse. Ambas se abraçaram. — Parabéns, sapatão!

— Obrigada, loira azeda!

Miyeon veio me abraçar.

— Qual a dificuldade de vocês se chamarem pelo o nome normal? — nos abraçamos. — Feliz aniversário, Miyeon!

— Obrigada, Lali! Eu pensei que você não ia vim.

— Eu quase não vim, mas a Rosé me lembrou. E, viu, Rosé? É assim que se cumprimenta uma amiga que você não vê faz tempo — a loira mostrou língua e entrou no clube.

Entramos no lugar e ele era enorme. Tinha duas piscinas, uma para crianças e outra para adultos.

— Lalisa, olha a sua piscina ali — Minnie apontou para a piscina de crianças. Dei uma risada sarcástica.

— Oi pra você também, Minnie — nos cumprimentamos com um aperto de mão que criamos no jardim de infância.

— Você ainda lembra! — falamos juntas e felizes.

— Óbvio que eu lembro — ela disse.

Meu sorriso murchou quando vi uma garota tomando sol.

— Aquela é a Jennie. Gostosa, né? Ela é minha melhor amiga. Então, como eu te conheço e sei que vai se apaixonar, ela não se apaixona. Então desista.

Nada disse, apenas observei a garota.

Ruby Jane...

— Tem cerveja ali no balcão. Só ir lá e pedir. Fiquem a vontade, ouviram — Miyeon disse e logo depois saiu junto a Minnie.

— Elas formam um belo casal, né? — ela me cutucou. — Lalisa!

— Eu.

— Para de encarar a garota. Ela é barraqueira, tá? Arranjou briga comigo no ensino médio porque eu espalhei boatos que ela tomava remédios pra esquizofrenia.

— Quê? Por que você espalhou isso?

— A história é maravilhosa — começamos a caminhar até o balcão. — Ela ficava a aula toda rabiscando algo em um caderno que tinha cadeado. Teve um dia que eu consegui roubar. O caderno dela tava cheio de desenhos que envolvía a morte. Tipo, formas esquisitas de se matar ou matar alguém. Eu tirei foto e postei no perfil de fofoca da escolha. Ela pegou a fama de assassina.

— Por que fez isso? Ela podia ter depressão ou sei lá. E se ela tivesse se matado por isso?

— Credo, Lisa. O que você tem? Por que tá defendendo tanto ela?

— Nada.

— Olá, meninas! O que vão querer?

— Hoseok?

— Manopau!!! — ele pulou o balcão e me abraçou. — Quanto tempo, cara.

— Pois é. O que anda fazendo da vida?

— Sendo escravo do meu chefe. E você? Abriu uma empresa?

— Abri — sorri enquanto ele pulava o balcão de novo para voltar a trabalhar.

— Por que você pulou, seu burro? Era só dar a volta — Rosé disse.

— Verdade. Eu esqueci.

— Homens — ela bufou e saiu de perto de mim após pegar sua bebida.

— Ela continua a mesma loira azeda de sempre, né? — assenti e nós rimos.

— EU ESCUTEI, HOSEOK — ela gritou. Isso fez a gente rir mais.

— Mas enfim, aquela sua empresa ficou pika de mais. Cê tá doido!

— Você ama uma pika, né?

— Só se for a minha — nos encaramos e rimos de novo.

— Tá pegando muita gente?

— Não. Eu parei com isso quando eu virei pai.

— VOCÊ VIROU PAI???

— Grita mais alto, eu acho que a Rosé não ouviu.

— EU OUVI SIM. VOCÊ VIROU PAI — ele piscou lentamente e eu tapei minha boca com a minha mão.

— Sorry — dei um sorriso amarelo.

— Enfia esse sorry no meio do teu cu, arrombada!

— Vou enfiar no seu daqui a pouco.

— Que isso, gente? — Miyeon apareceu lá para pegar uma cerveja. — Vocês não mudaram nada mesmo.

— Foi uma péssima ideia eu ter começado a andar com muleke no oitavo ano — tomei um gole de cerveja.

— Você só começou a andar com a gente porque as meninas só sabiam falar de como os peitos e a bunda delas estavam crescendo. Mas você não conseguia se encaixar em nenhum assunto. Primeiro: porque peito você não tem. Segundo: seu pau tava crescendo e você precisava conversar com entendedores.

— Você ama meu pau, né? Quer me dar, caraí?

— E se eu quiser?

— Meu Deus! — Rosé tinha acabado de sentar ao meu lado. Ela levantou no mesmo instante e saiu de perto.

Observamos ela sair de perto da gente, confusos.

Ela foi onde Ruby estava.

— O nosso papo tá tão entendiante que ela resolveu ir ficar com a assassina?

— Não chame ela assim. Ela não é uma assassina.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Tendo — dei de ombros. — Quem é seu filho?

— Ele mora no Brasil. Lembra que eu fui fazer faculdade lá? — assenti. — Então, eu ficava transando com um monte de mina, né. Quando fui pro Brasil, não foi diferente. Só que em uma dessas transas, eu não usei camisinha pois a garota disse que tomava anticoncepcional.

— Já entendi. Desde então você nunca mais transou?

— Não. Meu filho vem passar as férias comigo todo ano. Ele tá aprendendo coreano.

— LALISA!

— Acho que a Rosé tá te chamando.

Virei para trás e ela estava com a Ruby.

— VEM CÁ!

— Dúvida quantos que a Rosé arranjou ela pro cê?

— Duzentão.

— A rica aqui é você, não eu — soltei uma risada sincera ao ver sua cara.

Peguei minha cerveja e fui até as meninas.

— Ruby, ela é feia, não é?

— Não. Do jeito que você disse, parecia que ela iria ser o próprio Shrek.

— Eu acho que exagerei um pouco.

— O que tá acontecendo?

— Nada — ela me puxou e fez eu me sentar ao lado da Ruby. — Fica aí, eu já volto!

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