24
Eu e Jennie estávamos deitadas no colchão, assistindo um novo Dorama que ela colocou.
— Você já terminou Pretendente Surpresa?
— Já. Não tenho porra nenhuma pra fazer, foi rápido terminar.
— Qual é o nome desse?
— Primeira Vez Amor — olhei para ela que mantinha a sua concentração na tv.
— Fala sobre o quê?
— Amor — ela disse enquanto ria. — Eu não sei, mas deve ser sobre amor, como todos os doramas.
— Mentira. Tem alguns que falam sobre amor por zumbis.
— Falam?
— Não.
— Ué?! — ela disse rindo e me encarou. Disfarcei, pois tenho certeza que meus olhos estavam brilhando.
— Ignora. Eu sou assim mesmo.
Ficamos assistindo até Jennie começar a piscar lentamente.
Desliguei a tv ao perceber que a garota estava pegando no sono, de costas para mim.
— Por que demorou tanto? — me assustei, pois pensei que ela estava dormindo.
Eu me assusto muito com pessoas. Principalmente com a Jennie. Mas a culpa não é minha, é eles que falam quando eu estou despreparada.
— Eu fui até a delegacia.
— Por quê? O que descobriu? — fiquei em silêncio. — Lalisa, isso tem haver comigo. Fala o que descobriu!
— O Kai tem sim um contato com Rosé. Eles se conhecem desde antes da Rosé começar a fazer bullying com você.
— Hum. E o que mais?
— Ele está tentando formar uma quadrilha.
— E?
— Você não está nem um pouco interessada no assunto. Vou dormir.
— Não — ela se virou para mim.
Ficamos a centímetros de distancia. Estávamos perto o suficiente a ponto de sentir a respiração uma da outra.
— Continue falando — ela sussurrou e isso fez com que eu me arrepiasse.
Meu amiguinho lá em baixo começou a dar sinais. É melhor eu ficar longe dela.
Me afastei da garota e suspirei enquanto deitava de barriga para cima.
— Quando eu fui embora, eu vi a Rosé indo até o Kai e brigando com ele. Eu não sei o porquê, mas ela chegou a dar um tapão na cara dele.
— Você contou isso pra polícia?
— Não achei importante.
— Como não, Lalisa? — ela aumentou o tom de voz. — Provavelmente eles estavam armando algo pra mim.
— Quê?
— O Kai e a Rosé deveriam estar armando algo pra mim. Eu não sei, tá legal? Mas, se eu tivesse ido no seu lugar, talvez que eu não estivesse aqui. Entendeu?
— Entendi. Eu falo com a polícia sobre isso amanhã, relaxa.
— "Relaxa". Eu vou relaxar sim, pode deixar — ela murmurou e virou para o lado contrário de mim.
Deu um trovão que chegou a tremer o chão, logo em seguida, começou a chover muito forte.
Jennie se assustou e virou rapidamente para mim, me abraçando muito forte. Ela enterrou a cabeça em meu pescoço e ficou ali.
— Tá com medo?
— Sim.
— Deixa eu ver o que tá acontecendo lá fora. O vento parece estar bem forte — me afastei dela.
— Não, Lisa. Não me deixa aqui, por favor.
— Vem comigo então.
— Eu não vou levantar daqui.
— Eu sei, você não consegue — estava escuro, mas pude sentir seus olhos em mim.
— Se você estivesse aqui do meu lado, eu iria te bater tanto, Lalisa Manoban!
— Ainda bem que eu não tô — disse e fui até a porta que dava para o quintal.
Abri a porta — que era de vidro e deslizante— e saí para fora. Assim que a porta foi arrastada para o lado, um vento muito frio entrou dentro de casa.
— Fecha essa porra, caralho! — Jennie disse, brava e com sua voz trêmula.
— Puta merda — murmurei para mim mesma ao ver o estado do meu quintal.
As cadeiras e as mesas de plástico estavam todas espalhadas; a piscina estava com ondas — por conta do vento forte —; as árvores estavam balançando descontroladamente, alguns galhos estavam voando e uma árvore prestes a cair.
Opa!
Uma árvore prestes a cair?!
Puta merda!!!!!
Não demorou muito para sentir o chão tremer. Era a maior árvore que eu tinha no meu quintal. Por sorte, ela caiu em cima do muro, isso fez com que a estrutura feita de tijolos, quebrasse em pedaços enquanto caía no chão.
Coloquei a mão na cabeça e fiquei com um certo medo.
— Por pouco que cê não cai na minha casa, mano — disse como se a árvore pudesse me ouvir.
Eu estava tão concentrada na árvore, que nem vi quando um galho voou na minha cara. Dei um grito pensando que era um bicho.
Fiquei com um arranhado no meu pescoço, porém não foi nada grave.
Depois desta agressão ilegal, eu resolvi entrar para dentro.
Liguei a lanterna do celular e me dirigi até o colchão.
Encontrei Jennie abraçada em seus joelhos e chorando. Não entendi o motivo do seu choro, mas deixei o celular de lado e me apressei em abraçar-la.
— O que foi? Por que está chorando?
— É uma tempestade, né? Que barulho foi aquele?
— A árvore caiu em cima do muro.
— Lisa...
Ela chorou ainda mais, a mesma chegou a ficar sem forças para respirar. Ela estava ofegante e soluçando.
Seu choro molhou todo o meu pijama na parte do ombro, mas não liguei. Eu quero saber o porquê de ela ter ficado neste estado.
— Por que você ficou assim? Tem algum trauma? — ela assentiu enquanto ainda me abraçava.
Eu comecei a afagar suas costas, indo até seu cabelo, lentamente. Sentí ela voltando ao normal conforme eu ia fazendo aquele movimento.
— Obrigada — ela cochichou, ainda soluçando.
A luz da lanterna do meu celular me ajudou a enxerga-la melhor.
Limpei suas lágrimas assim que tive uma visão mais nítida de seu rosto molhado.
— Você quer me falar sobre o seu trauma?
— A minha casa desabou com uma tempestade muito forte quando eu tinha sete anos. Eu perdi o meu cachorro junto com a minha casa. Desde então, a Jisoo tem que me acalmar toda vez que dá um trovão.
— E-Eu sinto muito por esse trauma. Vem cá — abracei ela novamente. — Você quer tentar dormir?
— E se...
Deitei e indiquei para que ela fizesse o mesmo.
Pedi licença e abracei-a por trás assim que a garota permitiu, formando a posição de conchinha, sendo ela a conchinha menor.
— Eu não vou permitir que nada e nem ninguém te machuque mais, Mandu...
— Para com isso...
— Isso o quê?
— De me tratar como se eu fosse a sua namorada.
— Ruby, relaxa! Eu estou apenas cuidando de você. Eu faço isso com todo mundo que eu amo. Eu cuido do Jimin, por incrível que pareça.
— Você me ama? — ela não obteve respostas, eu apenas afundei meu rosto em seus cabelos, podendo sentir o cheiro doce que habitava neles, e comecei a massagear sua barriga.
A blusa dela estava meio levantada, fazendo com que sua barriga ficasse a mostra. Ou seja, o toque da minha pele com a sua foi inevitável de sentir, de querer, de amar.
Sinto que ela ficou feliz com o meu ato. Tomara que ela tenha entendido isso como uma resposta...
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