23
Já são mais de uma hora da manhã e a Lisa ainda não chegou. Eu estou preocupada. O Kai é perigoso e ela não tem ideia do poder que ele tem.
Eu pedi para Jisoo me deixar na sala assistindo algo na tv. Talvez eu durma aqui no sofá mesmo.
Inclusive, ainda estamos na casa da Lalisa. Jisoo foi em casa hoje de tarde, porém, ainda estava sem luz. Portanto, decidimos que ficaríamos por aqui mesmo.
Eu estava entretida com o meu Dorama até que escutei a porta da sala abrir. Encarei a entrada até ver Lalisa jogar a chave em cima da cômoda que tinha perto da porta.
— Depois não sabe o porquê perde as chaves — eu disse e ela se assustou ao me ver alí.
— Que susto! Por que ainda está acordada? São quase duas da manhã.
— Eu sei — ela se jogou ao meu lado no sofá. — Eu não tava conseguindo dormir, daí eu resolvi te esperar.
— Eu tô morta de fome.
— Eu guardei sua janta. Na verdade, eu pedi pra Jisoo guardar — ela sorriu e levantou num pulo.
A garota foi até a cozinha saltitando e feliz, até ela levar um escorregão, pois ela estava de meia em um piso liso.
Ela levantou e disse que estava bem. Logo ela voltou a saltitar até a cozinha.
Eu amo esse jeito atrapalhado dela, isso faz a garota me tirar muitas risadas sinceras.
Começou a garoar lá fora.
— O que tá acontecendo que tá chovendo tanto em Seul ultimamente? — Lisa perguntou assim que voltou para a sala com seu prato de comida.
— Então, né. Nem tá no período de chuva aqui — eu disse.
— Está acabando o inverno e chegando as minha férias — ela comemorou enquanto esfriava sua comida com a boca.
— Quando é suas férias?
— Em abril. Acho que vou ir pra Malibu. Eu tenho um quiosque lá — assenti. — Quer me acompanhar? — encarei ela. — Normalmente, eu não levo ninguém pra lá, mas posso abrir uma exceção.
— Não, Lisa. Melhor não. Não quero que você confunda as coisas — ela riu e eu não entendi o motivo.
— Aí, aí — ela me olhou. — Somos amigas. Se você continuar falando que não quer que eu confunda as coisas, eu vou achar que quem tá confundindo as coisas é você, não eu — corei na mesma hora.
— Claro que não, Lalisa! Tá doida?
— Não minta para sí mesma, Ruby.
— Eu não tô mentindo.
— Tá bom. Eu acredito.
Ela não acredita.
Eu realmente não estou mentindo. Não quero que ela se machuque por mim.
— Já decidiu o nome do seu filho ou filha?
— Eu nem sei o sexo ainda.
— Sam é um nome unissex.
— Lisa, fica quieta. Eu não vou chamar meu bebê de Sam — ela fez beicinho e me encarou.
— Poxa. Imagina seu bebê dono de uma empresa, e as funcionárias chegam e falam: sawadee kha, khun Sam! — ela juntou as mãos como se fosse rezar.
— Que porra é essa, Lalisa? — perguntei rindo.
— Tailandês.
— Você fala?
— Sou fluente.
— Sério?
— Sim. Minha família nasceu lá, e eu também, mas eu morei com meu avô por um bom tempo.
— Seu avô mora aonde?
— Agora ele está morando no céu, mas ele morava aqui em Seul. Eu tive uns problemas familiares que fizeram minha mãe não querer ficar comigo.
— Quer conversar sobre isso?
— Não. Eu não gosto de tocar nesse assunto.
Ficamos em silêncio após sua fala. Ela voltou a comer e eu voltei a prestar atenção no meu Dorama.
— Já andou de moto?
— Não. Por quê?
— Eu tenho uma relíquia lá na minha garagem. Quer andar?
— Não, valeu. Eu já confiei minha vida em você muitas vezes. Eu tô de boa agora.
— Como assim muitas vezes?
— Todas as vezes que eu entrei no seu carro.
— Você andou no meu umas três vezes, eu acho.
— Sério? Pensei que tinha sido bem mais.
— Não foram tantas vezes assim — soltei um sorrisinho ao ver sua cara emburrada.
***
Depois que ela terminou de comer e limpou a sujeira que tinha feito, ela subiu para tomar um banho.
Ela prometeu de dedinho que iria vir assistir Dorama comigo até eu pegar no sono. Porém, eu tenho quase cem por cento de certeza que ela vai deitar na cama e dormir.
Após um longo tempo sozinha na sala, eu já estava pegando no sono. O sofá de Lisa era bem confortável, mas não era tão bom para dormir.
Quando eu estava quase fechando os olhos, um trovão alto fez eu me assustar e perder o sono. Quando eu olhei, Lalisa estava do meu lado, rindo.
— Tá rindo do que, porra?
— Você tem medo de trovão?
— Tenho.
— Por quê? Eles não fazem nada além de barulho.
— Foda-se! Eu tenho medo do mesmo jeito. E, eu pensei que você tinha dormido.
— Eu fui procurar aquele colchão — ela apontou para o objeto que estava apoiado ao lado do sofá.
— Pra quê?
— A Jisoo me mandou mensagem falando que você ia dormir na sala e que eu não precisava te levar pro quarto — olhei para ela.
— A Jisoo fala muito de mim pra você, né?
— Não brigue com ela. Eu que peço pra ela me dizer como você está.
— O que isso muda na sua vida?
— Uma preocupação a menos. Vou arrumar o colchão pra você deitar e descansar.
Ela colocou o colchão no chão e foi pegar alguns lençóis e cobertores.
Estava chovendo e trovejando bastante. Eu estou quase mudando de ideia e indo dormir com a Jisoo.
Lisa arrumou o colchão de um jeito que ele estava parecendo ser a minha segunda casa. Ao olhar para o mesmo, dava vontade de me atirar por cima dele e não levantar nunca mais.
— Deixa eu te ajudar — ela me pegou no colo.
— Eu consigo me arrastar até o colchão. Você me pegando no colo toda vez que eu tenho que ir de um lugar para o outro, está me deixando mal-acostumada.
— Não tem problema — ela me colocou com cuidado no colchão de casal.
A Lisa fez o mesmo que minha mãe fazia. Ela pegou os cobertores e me enrolou, e, por fim, selou seus lábios em minha testa.
— Boa noite, Mandu...
— Mandu?
— Vou te chamar de Mandu. Foda-se se você não gostar. Eu gostei, isso é o que importa.
— O que significa?
— Sei lá. Foi a primeira coisa que veio na minha mente. Não me pergunte perguntas que eu não tenho respostas.
— Ok — ela se levantou e se preparou para sair. Antes, ela me entregou o controle da tv.
— Desligue quando for dormir.
Quando fui pegar o controle, segurei firme sua mão.
— Tá trovejando demais...
Encarei-a e fiz beicinho, conseguindo amolecer seu coração.
— Quer que eu durma aqui? — assenti. — Ok...
Ela começou a se afastar de mim.
— Onde vai?
— Pegar uma coberta. Vou dormir no sofá.
— Por quê? Já domrimos juntas uma vez. É só colocarmos uma barreira aqui — coloquei uma almofada grande no meio do colchão.
— Ruby...
— Vem logo, Lisa.
— Ok...
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top