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Acordei muito disposta hoje. Levantei da cama cedo e sem preguiça. Fui me banhar e fazer minha higiene matinal. Me apressei para ir tomar café pois já estava atrasada.

— Bom dia, Rosé! Como passou a noite? — me sentei na cadeira e servi um pouco de café para mim.

— Maravilhosamente bem. Não sabe o quanto eu precisava sair daquela casa, amiga — ela sorriu para mim.

— Você sabe que pode dormir aqui quando quiser.

— Obrigada, Lali — ela tomou um gole de café. — Eu preciso passar lá em casa antes de ir pro trabalho. Você pode ir comigo?

— Desculpa, loirinha, mas os seus pais me dão medo — ela riu.

— Por um segundo eu esqueci que estava falando com você — ela riu mais e eu franzi o cenho. — Nem parece que você tem 23 anos, Lalisa.

— Você parece uma criança. Não tô entendendo. O que eu disse?

— Você apenas é uma medrosa, Manoban. Você é uma baita de medrosa.

Ela saiu e me deixou sem entender nada.

Mulheres.

Após o meu café, me preparei para ir trabalhar.

Hoje o trabalho seria um pouco mais corrido do que normalmente é. Irei receber um homem muito importante e que pode mudar o futuro da minha empresa para sempre.

Peguei minhas chaves e fui em direção ao meu carro.

O trânsito tá puxado hoje. Jimin sempre diz para eu sair mais cedo, mas eu nunca saio. Sempre me atraso.

Não sou boa com horários.

Enquanto estava no trânsito, esperando o semáforo abrir, avistei um casal atravessando a faixa de pedestre de mãos dadas.

Abri um sorriso ao ver que eram duas mulheres.

Eu sempre quis namorar, mas ninguém nunca me quis. Talvez seja por conta do meu TDAH, ou por conta de que eu sou muito medrosa e infantil para a minha idade.

Eu tenho 23 anos, mas pareço que tenho 5, segundo a Rosé.

O tempo está fechado hoje, parece que vai chover.

Tomara que chova, está muito calor mesmo. Vai ser bom para refrescar um pouco o clima.

Ergui o som quando começou a tocar "I CAN'T STOP ME" na rádio. Amo essa música.

O semáforo abriu e eu voltei a dirigir, dançando e cantando a música.

Incrível como eu realmente sou mais feliz sozinha. Eu sou mais eu, sem medo do que os outros vão pensar de mim.

Sem sombras de dúvidas vai chover hoje. Um trovão se tornou presente no céu, iluminando um pouco das nuvens escuras e sem a presença do Sol entre elas.

Depois de quase atropelar uma capivara sem querer, finalmente cheguei no serviço.

Acontece que além de ter TDAH, eu também sou cega e surda. Tenho que usar óculos para mexer no computador, para dirigir de dia e, principalmente, de noite. Para escrever eu não uso tanto, mas também é preciso.

Eu sempre obedeci o que os médicos - ou pessoas do tipo - mandavam eu fazer para o bem da minha saúde.

Sou muito certinha, ando na lei.

— Bom dia, Jimin! Caramba! Foi eu chegar pra cair o mundo lá fora — o loiro riu.

— Aquele cara já tá lá na sua sala te esperando. E, não é por nada não, mas ele é um gostoso. Gato nem tanto — franzi o nariz.

Não gosto de homens. Sou lésbica e intersexual.

Logo caminhei em direção a minha sala, adentrando a mesma e dando de cara com um homem muito bem arrumado.

Assim que ele me viu, veio em minha direção para um aperto de mãos.

Ele usa bastante perfume. Eu odeio isso!

— Prazer, senhorita Manoban, me chamo Kim Jongin — ele sorriu gentilmente.

— Prazer, Jongin — retribuí o sorriso. — Vamos nos sentar, por favor.

O homem estava com uma maleta preta, receio que seja sua mochila de trabalho.

— Quais são seus interesses nesta empresa? — endireitei minha postura, coloquei meus antebraços na mesa e entrelacei meus dedos.

Ele limpou a garganta.

— Eu acho que esta empresa tem muito poder. Ela pode abrir em outros países. Por exemplo: os Estados Unidos — não desviei meu olhar do homem enquanto ele abria a maleta e pegava um papel. Não demorou muito para ele me mostrar o papel com a tabela de situações bancárias de cada país — Na América do Norte, temos uma grande concentração de povos ricos. Os Estados Unidos é um desses países.

— Posso pensar sobre isso, mas eu preciso saber exatamente quais países tem uma boa renda.

— O Canadá, por mais que seja um país pouco habitado, por conta do frio, ainda é um país rico, justamente por ter poucos habitantes.

— Também é um país com uma ótima qualidade de vida. Isso é bom.

— Já na América central, não há países ricos como a América do Norte. Por exemplo: o Haití, é um país pobre. A maioria dos haitianos estão imigrando para o Brasil.

— E a América do Sul?

— É uma ótima escolha. No Paraguai e no Brasil, principalmente. O Paraguai é um país muito famoso por lá, principalmente pelo Brasil, por ter coisas mais baratas. A maioria dos brasileiros vão até o Paraguai para comprar coisas.

— Isso pode ser uma vantagem. Mas se os brasileiros vão para o Paraguai comprar as coisas, por que eu venderia os meus produtos no Brasil?

— Porque o Brasil está em primeiro lugar no ranking de maior número de habitantes na América do Sul. Além de ele ser o país mais grande de lá. O Brasil também tem uma ótima qualidade de vida comparado com os outros países, pelo o que eu vejo. Tem muitos blogueiros que podem fazer publi ao seu favor.

— Gostei da sua ideia, Kim Jongin — ele sorriu e retirou outro papel de sua maleta. — O que é isto?

— O contrato. Assine-o!

— Calma! Eu ainda vou ler isso aqui com calma. E outra, eu preciso comunicar a minha equipe. Eu não trabalho sozinha.

— Ah, claro. No seu tempo. Meu telefone está aí no final da folha. Eu já vou indo — ele se levantou e eu o acompanhei. Nos despedimos e ele foi embora.

***

Já estava no final do expediente, Jimin apareceu em minha sala.

— Eu preciso de alguém — disse assim que ele entrou.

— Tá carente? — assenti. — No Meeff você encontra alguém — ele se sentou na poltrona que eu uso para relaxar nos horários de almoço que não saio daqui.

— O que é isso?

— É um aplicativo pra você conhecer pessoas novas — ele olhou o relógio de parede que havia na parede. -—Deu o meu horário. Tchau, Manopau! — ele saiu.

Meeff?

Deixa eu ver do que se trata.

Fui até meu computador e pesquisei no Google. Me cadastrei assim que entrei no site.

— Nossa! Tem bastante garota bonita aqui — a única coisa que eu escutava era o click do mouse. — Opa, opa, opa — voltei duas pessoas e encontrei A MULHER.

Sentí minha barriga embrulhar ao ver a foto daquela mulher. Ela é tão linda...

Eu: Oiii, tudo bem?

Mandei mensagem para ela, esperando que ela me responda rápido. Fui terminar de arrumar as minhas coisas enquanto eu a esperava responder.

Ruby: Oi, tudo sim. Precisa de algo?

Corri assim que ouvi o som de notificação.

Eu: Está solteira?

Ruby: Estou. Está interessada em mim?

Eu: Sim.

Ruby: Podemos nos encontrar, então. Só me manda o endereço e o dia.

Saltitei pelo o meu escritório que nem uma criança feliz.

Eu: Está livre hoje às dez?

Ruby: Sim. Estou. Manda a localização.

Mandei a localização para ela e me apressei em ir para casa me aprontar.

Se eu soubesse que seria tão fácil conseguir alguém, eu já estaria namorando a um tempão.

Eu só espero que ela não pare de gostar de mim por conta do meu TDAH.

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