17

Acordei e o sol estava entrando pela cortina que estava entreaberta. Pude perceber que ainda estava de manhã, pois o sol estava nascendo ainda.

Peguei meu celular para checar se havia alguma mensagem, e só tinha a da Lalisa que eu não respondi.

Vou responder agora.

Eu: Oi, obrigada pelo carinho.

Sim.

Eu só respondi isso.

Seca?

Talvez.

Fria?

Sempre.

Idiota por tratar ela igual a uma merda?

Com toda certeza.

Mas, além de estar de manhã e eu não ter o mínimo de paciência para lidar com pessoas, eu acabei de acordar, tenho depressão, ansiedade, estou grávida e paraplégica.

Preciso de mais motivos para tratar ela assim?

A Lalisa pode muito bem procurar alguém que não esteja tão fodida na vida quanto eu. Tem tantas garotas mais bonitas, mais gostosas, mais elegantes e mais ricas que eu.

Lalisa Manoban: Acordada essas horas?

Lalisa Manoban: Deveria estar descansando, Ruby Jane.

Eu: Eu durmo o quanto eu quiser, Lalisa.

Eu: Não se meta na minha vida. 👍

Ela visualizou porém não respondeu.

Bem feito.

Quem mandou se intrometer na minha vida.

Lalisa Manoban: Você acorda assim toda manhã? Meu Deus! Eu vou lidar com essa mal-humorada todo dia. 😣

Eu: Você vai ficar comigo todos os dias?

Lalisa Manoban: Vou.

Eu: Problema seu.

Lalisa Manoban: Nossa! Pra que isso?

Eu: Eu não pedi pra ninguém ficar comigo. Você vai ficar porque quer.

Lalisa Manoban: E porque eu me preocupo com você e a sua saúde. 👍

Eu: Problema seu novamente. 🙃

Depois de conversar com Lalisa, tentei me levantar para tomar um banho, porém falhei miseravelmente e caí no chão.

Eu sou tão burra a ponto de pensar que uma cadeira de rodas aguentaria o meu peso?

Eu estava apoiada nessa porra.

A cadeira andou para trás, bateu na mesa, que balançou e derrubou um vaso de flores, fazendo ele se dispensar em mil pedaços e espalhar barro por todo canto do meu quarto, inclusive em mim.

Meu pijama era branco.

Era.

Agora não é mais.

— Que ódio, porra!! Sua vagabunda, filha da puta, desgraçada, sem mãe, sem pai, virgem, idiota, égua, porcaria, pau no cu do caralho!

Jisoo apareceu na porta do meu quarto enquanto eu estava xingando a cadeira.

— Que barulho foi esse? — assim que ela me viu, correu para me ajudar.

Depois que me colocou sentada na cadeira, ela olhou para mim e riu.

— Que porra aconteceu aqui, Jennie Kim? — sua voz se misturou com a risada, o que fez eu mostrar língua para a garota que estava rindo de mim.

— Eu fui tentar ir até a cadeira para eu ir tomar um banho.

— Por que não me chamou? Você poderia ter se machucado — ela parou de rir.

— Eu não preciso da ajuda dos outros. Enquanto eu estiver viva, eu posso me virar sozinha — cruzei meus braços.

— Ok, chatinha! Já que você diz, pode ir se banhar sozinha — ela me deu espaço para ir até o banheiro.

Fiquei duas horas tentando entender como a cadeira de rodas funcionava.

— Como gira essa porra?

— Quer ajuda?

— Por favor!

***

Depois de me banhar e tomar café, fui assistir meus Doramas na sala enquanto Jisoo tinha ido trabalhar.

Ela trabalha de segunda à sexta, mas também trabalha 2 sábados por mês. O primeiro e o último.

Esse é o... Eu sei lá que sábado é esse, mas eu sei que é sábado.

Eu estava terminando de assistir "Vejo Você Na Próxima Vida" quando a campainha tocou.

— Entra! — eu estava chorando, e isso fez com que quem estivesse atrás da porta, abrisse com pressa e preocupada.

— Por que está chorando? Está com dor? TPM? Fome? Ansiedade? O que foi? Fala alguma coisa — Lalisa começou a checar todo o meu corpo.

— Se você deixasse eu falar, talvez saberia que eu só estou vendo um Dorama.

— Ah — sua voz saiu mais como um assopro  despreocupado. — Que susto.

— Tá fazendo o que aqui? Eu não te convidei.

— Eu só tinha passado aqui pra te visitar e ver se precisava de alguma coisa, senhorita sem educação!

— Não preciso. Pode ir embora.

— Cadê a Jisoo?

— Foi trabalhar.

— Vou ficar aqui então. Vou ser sua segurança particular.

— Não preciso.

— Claro que precisa.

— Eu sei me cuidar sozinha.

— Ok.

Comecei a procurar outro Dorama para assistir.

— Já assistiu All Of Us Are Dead?

— Não. É bom?

— Sim — ela disse sorrindo.

— É sobre o quê? — perguntei, curiosa, pois não sabia que ela curtia Doramas.

— Zumbis — seus olhos brilharam.

— Credo. Eu prefiro romance.

— Ah, que isso! All Of Us Are Dead é fraco perto de The Walking Dead, Guerra Mundial Z...

— Eu não gosto de zumbis.

— Tem medo?

— Tenho.

— Então assiste Pretendente Surpresa. Ou você já assistiu?

— Não. Só ouvi falar. É bom?

— Sim. Muito bom. E olha que eu não sou muito fã de Dorama.

Coloquei a série a tv e ela ficou ao meu lado, de pé e assistindo.

— Você não vai ir embora, né?

— Não vou, não.

— Senta aqui então. Imagino que você esteja com frio.

— Sim. Na verdade, eu sou muito frienta — ela disse.

— Então senta aqui, praga! Vem logo antes que eu desista — levantei um pouco o cobertor, indicando onde era para ela se sentar.

A garota tirou seu sapato rapidamente e se acomodou ao meu lado.

— Você faz caridade desde quando? — ela perguntou após se sentar.

— Quê? — pensei um pouco. — Ah! Desde agora.

A série começou a passar na tv, percebi Lalisa começando a ficar meio desconfortável. Ela não parava de se mexer.

— Tá com formiga no cu, porra?

— É que eu não estou achando uma posição confortável.

— E eu com isso?

— Por que perguntou se ia me tratar desse jeito? — ela me olhou e só então pude perceber suas olheiras.

— Você dormiu esta noite?

— Sim.

— Você chorou esta noite?

— N-Não...

— Está com olheira. Você chorou a noite toda, né? — ela assentiu, cabisbaixa. — Está com sono?

— Talvez. Mas eu posso aguentar até de noite — ela sorriu, tentando fazer eu parar de falar sobre isso.

— Pode dormir. O sofá é confortável. E você disse que não vai sair daqui até a Jisoo chegar, ela só chega depois das quatro.

— Não encontrei uma posição confortável. Vou ficar acordada mesmo.

Ela acha que eu sou burra, né?

Eu já percebi que ela quer me abraçar.

— Quer me abraçar pra tentar dormir? — ela me olhou, nervosa.

Suas mãos começaram a tremer e ela começou a gaguejar.

— Não tem necessidade. Não quero te deixar desconfortável — seus olhos viraram para a tv e não desviou mais.

Eu ri ao perceber o seu nervosismo que era bem nítido, não dava para esconder.

— Vem aqui logo, Lalisa — eu puxei ela, sem dar chances para a mesma recuar.

Coloquei sua cabeça em meu peito e comecei a fazer cafuné em seu cabelo, enquanto assistia ao Dorama.

— Não tem necessidade-

— Você fez o mesmo por mim quando eu precisei. Nada mais justo do que eu fazer o mesmo por você.

— Obrigada pela gentileza. Eu estava mesmo precisando de um abraço que não fosse de pessoas falsas.

Sorri ao escuta-la dizer isso.

Ela acha que eu não sou falsa?

Iludida.

As janelas estavam fechadas para dar melhor visibilidade para tv. Por tanto, a única iluminação era a do eletrônico.

Uma chuva fraca começou a cair do céu, deixando tudo mais gostoso e prazeroso de viver.

Era por volta das oito e meia da manhã quando eu caí no sono junto a Lalisa. A chuva não me ajudou a conte-lo.

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