15

Uma batida na porta foi ouvida poucos minutos após a saída da minha irmã.

Assim que a porta foi aberta, revelou uma garota loira com uma tulipa e um ursinho de capivara.

— Oi — ela fechou a porta. — Espero que você não se importe de eu ter vindo te visitar.

— Não tem problema.

Ela sorriu.

— Pra você — ela me deu o ursinho de capivara e colocou a tulipa em um vaso, que já estava cheio de tulipas.

— Todos que me visitaram resolveram trazer tulipas?

— Não, foi só eu mesmo.

— Por quê?

— É que... Quando você estiver melhor, eu te conto.

— Conta logo, Lalisa — disse firme, encarando-a friamente.

— Vejo que alguém não mudou nada — ela murmurou e eu conti meu sorriso. — Toda vez que eu vinha te visitar, eu roubava uma tulipa da casa de alguém.

— E não foi pega roubando?

— Não. Eu sou ótima em fugir — ela sorriu e eu revirei os olhos.

— Você pode me explicar o que aconteceu? Eu não me lembro de sermos tão próximas.

— Ah... Nós não somos. Éramos conhecidas.

— E por que você vinha me visitar?

— Não se lembra mesmo, né, Ruby?

Ruby...

Me lembrei.

— Esquece. Eu já lembrei. Cadê meus amigos?

— No trabalho — ela sentou na poltrona. — Ruby, você sabe como você veio parar no hospital?

— Não. Não me lembro de nada.

— Algumas câmeras de segurança flagraram você se jogando na frente de um carro — ela olhou para suas mãos.

— Eu não me joguei. Eu acabei de me lembrar.

— E o que aconteceu?

— Não me lembro de tudo, porra. Só lembro que eu não me joguei na frente de um carro.

— Ah, ok...

Mais burra que essa, só o Jungkook que acha que eu estou apaixonada por ela.

***

Lalisa ficou aqui até tarde, esperando por notícias dos médicos ou sei lá o que ela estava esperando.

— Pode ir embora.

— Não quero — ela disse, fria e seca.

Igual eu...

É assim que ela se sente toda vez que respondo ela assim?

Foda-se!

Vou continuar respondendo.

— Você está morrendo de sono. Dá pra perceber, Lalisa. Parece que você nem dormiu.

— Óbvio que eu dormi. Vou ficar aqui até Jisoo chegar.

— Com licença! — o médico entrou. Lalisa levantou e foi até o médico. — Podemos conversar a sós? — a loira assentiu e eles saíram da sala.

Vão me deixar aqui mesmo?

Beleza.

Se eu morrer, não venham chorar no meu caixão.

Olhei para as flores.

— Será que ela vinha me ver todos os dias? Como ela se lembra que meu animal preferido é uma capivara?

— Por que ela gosta de você, sua tonta — Jungkook disse. — Que bom que acordou, Jendeucu!

Odeio esse apelido. Ele começou a me chamar assim depois que eu comecei a vender meu corpo. Se ler separadamente, fica: Jen deu o cu.

Amigos...

— Kookie!!!! — abri os braços para que ele pudesse me abraçar. — Como você tá? E o Jimin? Ele está bem?

— Estamos todos bem. Quem não parece estar bem é você — ele riu e eu mostrei língua para o mesmo.

— Jennie, temos que conversar — Jisoo disse. Miyeon e Minnie vieram logo atrás dela e logo recebi um abraço de ambas.

— Fala.

— Você recebeu alta, mas você está de atestado.

— Tá.

— Você não tá entendendo, Jennie. Você tá de atestado porque você perdeu a movimentação das pernas — meus olhos encheram-se de lágrimas.

Sem andar?

E meu emprego?

— Jisoo, cadê a Lisa? — Kookie cochichou perto de Jisoo.

— Tá na delegacia com o Namjoon.

— Tem mais alguma coisa que eu precise saber? Me fala logo e para de enrolação, porra!

Eles olharam uns para os outros, como se estivessem conversando com o olhar.

— Jen — Miyeon se sentou ao meu lado na cama —, você foi diagnosticada com depressão — uma lágrima escorreu por minha bochecha carnuda. — Você também está grávida, mas a gente vai te ajudar com o bebê. Fique tranquila.

Estou grávida, tenho depressão e estou paraplégica. Como a minha vida é legal.

***

Estou no meu quarto agora, esperando os bonitos dos meus amigos, a minha irmã e a Lalisa pararem de discutir sobre quem vai ficar comigo durante a minha recuperação.

Eles estão na sala, pensando que eu estou dormindo, mas com essa barulheira, fica meio impossível.

Peguei meu celular para olhar a hora e vi uma foto minha e da minha mãe, que ficava na minha tela de bloqueio.

— Mamãe... Eu estou com saudades...

Uma lágrima escorreu do meu olho, logo se tornando em um verdadeiro mar de dor.

Eu sei que é errado vender meu corpo, mas eu faço isso para não pensar nos meus problemas. Algum dia eu vou parar, mas não vai ser agora.

A porta foi aberta por alguém, fingi que estava dormindo e esperei até ver o que aconteceria.

Sentí o coberto subir até meus ombros, lentamente. Logo recebi um beijo em minha bochecha.

— Durma bem. Não ligue para eles, ok? Se precisar conversar com alguém, eu posso até não ser de confiança, mas eu estou aqui — Lisa disse, antes de me entregar o ursinho de capivara. — Finge que eu sou esse ursinho e não desgruda de mim, ok? Posso ser seu abraço/casa sem reclamar.

Ela suspirou e ficou um tempo vendo eu fingir estar dormindo.

— Eu espero que tudo isso acabe bem. Não quero te ver sofrer de novo. Eu vou ir para a casa agora, mas vou continuar aí nesse ursinho. Espero que não se importe, mas eu passei um pouco do meu perfume nele, pra ele ficar com o meu cheiro. E, sempre que precisar, eu vou estar aqui pra ser o seu refúgio...

Após sua fala, ela deixou um selar mais longo em minha bochecha e foi embora.

Quem contou para ela que foi o meu refúgio quando eu precisei?

De qualquer forma, eu vou dormir abraçada com esse ursinho, estou precisando de um abraço mesmo. Nem que seja de uma desconhecida.

Um som de notificação foi emitido pelo o meu celular. Sorri ao terminar de ler a mensagem.

Lalisa Manoban: Oiiiii!!!

Lalisa Manoban: Espero que não de importe, mas a Jisoo me passou seu número depois de eu insistir pra caralho.

Lalisa Manoban: Ah... Eu quero te avisar que estou aqui pro que precisar e vou tentar fazer o possível para que você não se sinta desconfortável com a minha presença. 🙃

Depois de ler tudo pela barra de notificação, desliguei o celular e tentei dormir.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top