~24~

POV: Jennie Kim
Krabi|16/01/2024

Depois que chegamos, eu fui me banhar e me preparar para deitar. Liguei a tv para assistir meninas malvadas e me enrolei.

— Nini!? — escutei Lisa me chamar. Logo a vi entrar dentro do quarto com um embrulho maior que eu e cheio de furos. — Te trouxe outro presente.

— Pra que tantos presentes, meu amor? — me sentei na cama enquanto tinha um sorriso no rosto.

Ela me entregou o presente e eu comecei a abrir.

— Abra com cuidado, por favor — ela estava nervosa ao meu ver.

Assim que abri, me deparei com uma réplica exata do meu ursinho de pelúcia.

— Feliz aniversário!

Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu pensei que ela tinha esquecido.

— Lisa...

— Vamos o chamar de Kuma 2.0.

— Idiota — ri e dei um tapa de leve em seu ombro. — Amor, é por isso que você fez tanta coisa pra mim hoje?

— Óbvio que sim, minha princesa. Achou que eu ia esquecer do seu aniversário? — assenti. — Nunca, meu amor. Eu prometo que nunca me esquecerei de celebrar seu aniversário.

— Eu te amo muito, muito, muito — pulei em seu colo e comecei a distribuir beijos por todo o seu rosto.

— Sério? — assenti e deixei um selar em seus lábios. — Do tamanho do universo? — ela perguntou parecendo uma criança, fazendo voz de bebê e tudo mais.

— Maior ainda.

— Uau! Então você me ama muitão mesmo, né? — assenti sorrindo e a beijei.

***

8 meses depois...

— Bom dia, princesa! Feliz oito meses de namoro — acordei com um café da manhã na cama e uma voz fofa, suave, calma e linda.

Tive que me esforçar para abrir os olhos. A claridade não estava ajudando, não. Assim que me acostumei com o lugar, abri um sorriso e me sentei. Fiquei um pouco tonta e percebi Lisa rindo de mim.

— Parece que alguém dormiu muito bem hoje, né, minha grávidinha?! — ela sorriu e eu assenti, recebendo um toque suave em meus lábios por um bom tempo.

Ela pediu passagem para língua, porém eu não cedi.

— Estou com bafo.

— Não tem problema, você é linda!

— Vai se foder, Lalisa — ri dela, logo recebendo o mesmo sorriso apaixonado que eu recebo a meses.

Lisa amava me fazer sorrir ou rir de suas palhaçadas, só para ela ficar me admirando sorrir. Suas pupilas sempre dilatam e seu rosto brilha.

Sempre quando ela tem um dia estressante no trabalho, ela pode estar o quão puta for, mas ela sempre vai se desmontar e pular em meus braços assim que me vê. Eu sou o ponto fraco dela. Eu sou a pessoa que ela busca refúgio em todos os momentos.

Como ela sempre diz: eu sou o lar dela.

— Nini... Eu te amo, meu amor — ela tá mais carente do que normalmente.

— Eu também te amo, vida — respondi, porém eu estava mais concentrada em saborear aquelas rosquinhas. — Aí!

— O que foi, amor? — ela mudou sua expressão.

Peguei sua mão e levei até a minha barriga.

Seus olhos encharcaram e eu comecei a sorrir de orelha a orelha.

Lisa se apressou em conversar com nosso filho que tinha acabado de chutar a minha barriga.

— E aí, filhão! Como você tá, bebê? A mamãe aqui tá ansiosa pra te conhecer, sabia? Não só eu, como a mamãe Jen também está. Quando você nascer, eu prometo que vou te ensinar a jogar videogame pra gente jogar juntos. Eu quero que você venha o mais rápido possível. Cada dia tá mais difícil irritar sua mamãe. Preciso de ajuda, Daw — ela cochichou a última frase bem perto da minha barriga. Dei um tapa em suas costas — Auu!! Viu?! Sua mãe tá me agredindo aqui, Mee Noi.

— Amor, por que você chamou ele de Mee Noi? O nome dele é Daw. Daw Kim Manoban.

— Eu chamo ele assim porque me lembra você. Mee Noi significa ursinho, amor.

— Eu espero que o que eu tô vivendo agora não seja um sonho.

— Não é, amor. Não é. Mais tarde vamos na praia? Dar uma volta, sei lá.

— Pode ser.

— Vou ir pro trabalho — ela selou nossos lábios enquanto massageava minha bochecha com o seu polegar.

Logo ela pegou seu blazer e se despediu do Kuma que estava deitado em sua caminha.

***

Depois de algumas horas, Lisa chegou com um buquê de flores e uma cesta cheia de chocolates.

— Surpresa! — ela fechou a porta com o pé. — Você pode me ajudar aqui, por favor. A minha bolsa tá pesando.

Sorri e corri para pegar o buquê e a cesta.

— Vou trocar de roupa e já vamos a praia. Quero pegar o pôr-do-sol — selamos rapidamente nossos lábios e ela se afastou para se vestir.

Passou-se alguns minutos e fomos para a praia. Começamos a andar de mãos dadas, perto da maré. A água do mar banhava nossos pés.

— Sabia que entre as dez maravilhas do mundo, o pôr-do-sol fica em segundo lugar?

— Por quê? — perguntei sorrindo.

— Porque a primeira maravilha do mundo, é você e o Daw.

— Acho que ele não vai gostar de dividir esse lugar com sua mamãe. Né, filho? — perguntei, massageando minha barriga.

— Não posso fazer nada quanto a isso — ela deu de ombros. — Jennie — ela soltou minha mão —, eu tava pensando aqui e... daqui a um ano o Daw já vai estar andando?

— Não sei. Por quê?

— Porque eu tenho algo pra te pedir.

— Peça.

— Você sabe que eu sempre te irrito quando posso, né? Já te zoei várias vezes fingindo que ia te pedir em casamento e tals. Mas... se dessa vez for verdade, eu quero saber se você aceitaria. Então — ela se ajoelhou e abriu uma caixinha de aliança —, Jennie Ruby Jane Kim, você aceita casar comigo e me aturar pro resto da vida?

Meus olhos se encheram de lágrimas. Porém, meu sorriso foi murchando e eu fui perdendo as forças das minhas pernas, logo caindo em cima de Lisa e apagando de vez.

A última coisa que eu lembro, é a Lisa desesperada me chamando, tentando fazer eu acordar.

POV: Narrador

— Se você não vai ser minha, você não vai ser de ninguém, Jennie Kim — Kai disse após atirar em Jennie.

POV: Lalisa Manoban

— Agora quem tá me trolando é você, né, Jennie? Muito realista esse barulho de tiro, mas, agora já chega de brincar, pode acordar — sacudi ela em meus braços. Só então percebi que estava cheia de sangue. Meu sorriso murchou, meu mundo acabou ali...

Sacudi a Jennie mais forte, porém, nada.

Nada.

NADA!

— JENNIE, POR FAVOR, ACORDA!!! — de repente um monte de gente se juntou ao nosso redor, alguns ligaram para ambulância, outros gravaram. — ACORDA, JENNIE!! VOCÊ AINDA NÃO ACEITOU MEU PEDIDO, MANDU — outras pessoas começaram a chorar.

Banhada no sangue da pessoa que eu amo; a aliança com um líquido vermelho; a caixinha avermelhada ficando com a cor mais forte, eu chorando no hospital, esperando Jennie sair da cirurgia.

Eu.

Sozinha.

Sem pai.

Sem família.

Sem a minha mulher...

Escutei um barulho de choro de bebê. Levantei-me as pressas e corri para a sala onde Jennie estava.

— Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não — o médico saiu da sala assim que eu encostei na maçaneta.

— Lalisa Manoban? — assenti. — Sinto muito, mas a senhorita Kim não resistiu — isso soou tão forte, triste e pesado. Tive um déjà-vu de quando o meu pai morreu. Lembrando que escutei exatamente essa frase em tailandês a alguns anos atrás, só que com o nome diferente. Mas, a dor é igual. — Temos uma notícia boa, seu filho está bem e com saúde. Por mais que ele tenha nascido um mês antes do prazo.

Outros médicos saíram da sala junto ao meu filho. Não pude ver ele.

— Doutor, por favor, diga que é mentira, eu te peço isso — ajoelhei e implorei chorando. — Diga que ela estava brincando comigo. Que na verdade, ela está viva e bem e vai se casar comigo. Por favor, doutor!!!!

— Eu sinto muito, Lisa...

— Eu posso ver ela, pelo menos?

— Não — baixei minha cabeça e comecei a chorar sem parar. — Mas eu posso abrir uma exceção.

Sem pensar duas vezes eu entrei na sala, vendo Jennie toda pálida, com a roupa do hospital cortada. Sangue para todo lado por causa da cirurgia e do parto inesperado.

Aproximei-me lentamente, observando aquela cena.

— Meu amor — segurei sua mão e sentei ao seu lado —, por que me abandonou? Por quê? Se não fosse o Daw, eu com toda certeza me mataria pra viver com você...

Eu voltei para Tailândia para viver uma vida tranquila, ao lado do amor da minha vida. Mas... eu acabei revivendo meu maior pesadelo. Eu vi a pessoa que eu mais amava morrer em meus braços e não pude fazer nada... de novo.

Aconteceu o mesmo com o mesmo com meu pai. Eu sofri a porcaria daquela dor tudo de novo.

— Você prometeu que não me abandonaria, Jennie... VOCÊ PROMETEU — coloquei minha cabeça em seu peito e comecei a chorar.

Agora, sou só eu, meu filho e o Kuma. Só nós.

— Eu prometo que vou proteger o Daw com unha e carne, Mandu... Eu não disse "eu te amo" suficiente. Eu deveria ter dito todas as manhãs ao acordar, antes de dormir, ao comer, ao te abraçar, ao te beijar... Eu deveria ter aproveitado mais você. Eu sei que deveria. Desculpa se eu te zoei todos esses meses. Se eu não tivesse feito isso, estaríamos casadas...

Depois de um tempo com a Jennie, o médico foi me chamar para ver meu filho.

Ele é a cara da Jennie. Os olhinhos puxados, tudo igual.

Infelizmente, eu só pude ver ele atravéz de um vidro. Não podia entrar na sala onde ele estava.

— Ô, meu filho, desculpa por não ter conseguido salvar sua mamãe. Eu juro que tentei. Mas, olha, você pode me irritar pra lembrar dela, ok? Eu deixo...

Segurei o choro e admirei o pincel que o útero da Jennie é.

Na verdade, era...

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