7. It started with a weekend
Notas do iniciais:
Não tenho desculpas pela demora para a saída do capítulo além da minha preguiça em escrever
As vezes acontece, aproveitem minhas poucas palavras e claro, a criança mais terrível do mundo; meu docinho Teddy
[💘]
“Amado Ted,
É sábado, o sol está brilhando lá fora e tenho certeza que posso ouvir até mesmo os pássaros cantando. Você ia apreciar tanto a nova arquitetura de Grimmauld Place, não é mais o lugar sombrio e antiquado, o qual lhe falei em algum momento durante nossa juventude. Muito pelo contrário, agora, o ambiente se enche da luz vinda de milhares de janelas que preenchem toda a casa. Tudo está com um ar moderno e levemente rústico, não tão luxuoso, gosto de manter as coisas mais simples.
Faz um tempo desde a última vez em que escrevi para você, porque, bem, sabemos que não há como você me mandar resposta alguma do além. Todavia, não consigo me livrar deste hábito desde que te vi entrar naquele avião em direção ao oriente. Pronto para batalhar em guerras que não eram suas, por um povo que você não pertencia. Você sempre colocou as necessidades das outras pessoas na frente das suas.
Não posso reclamar, era uma das coisas que mais amava em você.
Ainda me lembro com detalhes vívidos daquele dia, do pior dia de nossas vidas. Quando Bellatrix Lestrange entrou em nossa casa e tirou de nós nossa filha antes mesmo dela poder nascer, dela poder ver o mundo. Quando ela me jogou daquela escada, quando ela foi embora e não havia nada no rosto dela que demonstrasse arrependimento. Que demonstrasse receio, dor, tristeza, quando não havia nada. Nada além de indiferença.
Eu percebi que nunca poderia perdoa-la.
E então, eu lembro do seu rosto logo em seguida, lembro do seu semblante preocupado correndo até mim e de como você não ligava para mais nada. Apenas se eu e nossa filha estavamos bem. Se tudo ficaria bem. Você me levou para o hospital. Você estava quase colocando uma roupa de enfermeiro apenas para não precisar sair do meu lado.
Eu nunca poderia não te amar.
Bellatrix nunca entenderia isso. Ninguém da minha família - dos malditos Black - poderia entender o que é amar alguém de uma forma pura e verdadeira. Com algumas poucas exceções, a maior parte daquelas pessoas se perdeu na própria ganância e desejo de poder. Nunca vou me arrepender do dia em que reuni toda a minha coragem e disse não para os meus pais, quando disse não para a decisão deles de destruir minha vida ao me forçar a entrar em um casamento arranjado. E em vez disso, disse sim para você e seus braços. Para nossa casa. Para nós.
Sinto tanto a sua falta. Hoje, Edward já tem quatro anos! Indo em direção aos cinco. Você consegue acreditar, nisso? Eu sou mãe, Ted, e mesmo que você não esteja aqui para cumprir um papel de pai, sei que teria sido incrível nele. Posso te imaginar chorando e negando o quão apaixonado você estaria pelo meu garotinho, pensando no qual frágil ele parecia quando ainda era um bebê e o quanto ele já cresceu. O quanto está forte, saudável, o quanto está feliz.
Subitamente, penso em como a vida é irônica. Uma Black tirou de mim um filho mas um Black também me deu coragem para ter outro.
Fora Sirius Black quem me incentivou a começar o processo de adoção, tenho certeza que já lhe escrevi sobre isso anteriormente. Porém, sempre é bom relembrar. Me sinto tão grata. Você não tem nem ideia do quanto tenho de agradecer ao meu primo.
Quando adotei Teddy e o segurei nos braços, ainda aquele bebê choroso e assustado, soube no mesmo instante que nunca poderia deixa-lo ir. Ele já era parte da minha família, querido. Ele já era. Desde o primeiro momento.
Acho que nunca te contei o que aconteceu com Sirius Black. Bem, em resumo, ele foi acusado injustamente pelo assassinato de seus dois melhores amigos; Lily e James Potter. Eu me lembro bem da família Potter. Eles eram donos de uma empresa farmacêutica muito bem sucedida e teriam provavelmente se dado muito bem com os Black, os Malfoy ou qualquer outra família abastada de Londres. Mas eles não eram nenhum um pouco tradicionais ou seguiam os costumes conservadores de maneira rígida, muito pelo contrário, James Potter estava envolvido em todo tipo de movimento progressista.
A morte deles foi uma grande notícia. Eu não saia muito de casa, eu não sou tão forte assim. Precisava de tempo para lidar comigo mesma. Com as minhas emoções, com a sua falta, com o vazio que parecia nunca ir embora. E mesmo assim, vi a notícia sobre o acidente de carro em que apenas o filho deles de um ano - um bebê! - tinha sobrevivido. O chamaram de o garoto que sobreviveu por meses até a história se acalmar na boca dos jornalistas sedentos.
O que era para ser um trágico acidente, um erro do destino, logo depois das investigações, foi dado como sendo, na verdade, um assasinato. O carro deles bateu contra o outro de forma proposital e as investigações todas apontavam que quem teria encomendado o assasinato era ninguém menos que Sirius Black.
Eu ainda lembro do rosto de Remus Lupin quando ele apareceu na minha porta, tímido e nervoso. Ele deveria ter apenas uns vinte e poucos anos e implorava pela minha ajuda. O garoto sabia que seu amigo era inocente, acreditava sem a mínima sombra de dúvidas nisso e ele tinha como provar.
Ele precisava saber o paradeiro de Bellatrix para isso, no entanto.
Incrível como essa mulher conseguia entrar na minha vida sempre quando não estava esperando, de todas formas, física, verbal, na minha mente. Um tormento, de fato.
Até imagino sua reação, você teria dado um olhar mortal para Lupin. Teria dito que de jeito nenhum cometeria o mesmo erro de me deixar sozinha com aquela mulher novamente, não, de jeito nenhum.
Você não poderia arriscar me perder.
Mas você não estava lá. E eu, sozinha, não tinha mais nada para perder.
Nem me lembro com todos os detalhes o que tinha levado Lupin até Bellatrix, mas tenho certeza que envolvia uma confissão, um tal Peter Pettigrew teria dado a localização exata de onde Lily e James estariam - a meses o pobre casal estava na mira dos políticos conservadores da cidade, que almejavam acabar de uma vez com o furdunço que eles provocavam. Pettigrew era um grande traidor, teria feito isso com o objetivo de entrar nos esquemas da família Black.
Cada dia que se passa agradeço mais por ter ido embora.
Quando eu marquei o encontro com Bellatrix, quando reuni minha coragem para ir até a nossa antiga casa, ela não se negou a me ver, claro, ela queria terminar o que começou - ela tinha essa capacidade, a de matar a própria irmã. Ela achou que eu era uma tonta e que com a sua morte, Ted, eu finalmente iria escolher voltar para o inferno e seguir o seu caminho.
Foi uma emboscada tensa, fui feita de refém e por pouco ela quase fugiu.
Mas, sabe, no final das contas valeu a pena.
Quando a vi atrás das grades grossas e pesadas de aço, sem ter para onde ir, sem dinheiro ou influência que a tirasse de lá. Eu senti, pela primeira vez, paz. Como se eu tivesse finalmente acertado minhas contas. Eu podia estar cheia de machucados roxos na minha pele, mas a minha satisfação era maior que tudo.
Você deveria ter visto o rosto de Sirius quando viu Remus depois de tanto tempo. Acho que depois de eu olhando para você, aquele foi o olhar mais apaixonado que tive o prazer de presenciar. Ele estava chorando e murmurando repetidamente o quanto amava aquele homem.
Sirius Black faz parte da exceção. Ele conheceu o amor, também.
Você sabe que eu não dou pontos sem nós, não é, meu querido?
Pois bem, sendo franca, há uma razão além de apenas tomar conta da casa, pela qual eu aceitei a proposta de me mudar para Grimmauld.
Simplesmente, percebi que tenho duas irmãs e não apenas uma.
Com carinho e amor,
Andrômeda Tonks”
[💘]
Andrômeda jogou a carta na ladeira. Assistindo queimar. A fumaça subindo aos céus. No mesmo instante, o barulho da campainha vibrou por todo o lugar e ela não conseguiu ter outro sentimento sem ser o de alegria.
[💘]
— Harry, eu juro que se você se esbarrar em mim com essa maldita boia mais uma vez, o próximo lugar que ela vai inflar vai ser no meio do seu c...
— Ronald Weasley, não tá vendo que agora não é o momento! — Hermione repreendeu-o.
— Mas, Mi, ele... — Harry prendia uma risada. — Tá rindo do que, vacilão?
— Ih, tá bravinho ele, é.
— Chega! — Hermione brandou, se colocando entre os dois. — Vocês dois estão assim desde que saímos de casa. Parece que é só virmos para cá que vocês perdem uns dez anos de maturidade. — A cacheada ralhou, e os dois garotos ficaram quietos.
Harry Potter estava agindo como se tivesse sete anos novamente, e a razão era muito óbvia. Em quase todos os finais de semana, ele, seus padrinhos e seus amigos iam até Grimmauld Place - a antiga residência que habitou toda uma linhagem de Blacks que Sirius descendia - para passar um tempo com Andrômeda e Teddy. O menino tinha conquistado um lugar no coração de Potter desde a primeira vez em que eles se encontraram e mesmo que ainda fosse um adolescente, ele já se via como uma espécie de protetor do garoto. Realmente, quase como um padrinho para Teddy. E a mãe dele confiava o suficiente em Harry para não contestar o título.
Sirius e Remus ficaram de vir apenas mais tarde, pois hoje tinha sido o único dia disponível para realizarem uma reunião com o organizador de casamentos contratado para a festa deles. Como o casal tinha ficado com o carro, os três jovens não se importaram em pegar o metrô para chegar até a casa. O lugar tinha ficado bem mais moderno depois da reforma mas com um toque que se assemelhava ao rústico com seus móveis de madeira e decorações mais brutas. Contudo, a casa parecia pequena quando vista de frente, você quase não a percebia ali quando passava pela rua. Então, no momento em que entravam, essa percepção ia por água abaixo. Havia um quintal enorme e uma piscina de respeito nos fundos. Perfeito para adolescentes agitados e crianças arteiras.
Harry tocou a campainha mais uma vez.
Ronald cruzou os braços, ele estava usando uma daquelas camisas de mangas compridas feitas de um material próprio para o banho e uma bermuda com uma estampa que remetia a praia. Ele parecia um surfista descolado. Hermione usava um maiô cor de rosa, shorts vermelho e um par chinelos da Minnie Mouse. Os dois traziam mudas de roupa e toalhas nas suas mochilas, exceto Harry, o qual já possuía seu próprio quarto e algumas roupas na casa.
A única coisa que Harry tinha levado junto dele era a bendita boia vermelha e branca, só que, em vez de trazer uma bomba de ar e enche-la apenas quando chegassem, ele tinha passado a viagem inteira com com ela já pronta para o uso, para o desagrado de Ronald que todo tempo acabava esbarrando no objeto. Ele as vezes fazia isso, tinha uma vontade idiota e - teimoso como uma mula - não havia senso que o fizesse desistir dela.
De repente, uma mulher de aparência madura, com o cabelo castanho solto, usando um vestido de verão e o rosto emoldurado por um sorriso muito amável, abriu a porta. Ela parecia divertida.
— Achei que não vinham mais! Demoraram tanto... — Ela deu uma olhada ao seu redor, girando a cabeça paramos lados. — Remus e Sirius não vieram?
— Eles só conseguiram agendar horário com o organizador de casamentos hoje. Remus está animado com todos os detalhes e Sirius...
— Do jeito que conheço meu primo, tenho certeza que ele gostaria de pular toda essa parte e casar de uma vez. Nunca vou entender seu padrinho! Uma hora quer as coisas de um jeito mais convencional, outra age como um rebelde sem causa.
— Bem-vinda ao meu mundo. — Harry brincou. Ela respondeu com uma risadinha, abrindo espaço para o trio entrar.
A sala de estar, do contrário do seu exterior, era tão espaçosa e confortável. Tinha uma área com sofás direcionados para uma lareira, janelas compridas por todos os cantos, uma escada para os andares de cima e o ambiente todo era bem iluminado. A moradia não tinha mais aquele estilo antiquado onde a cozinha ficava no porão, não, agora ela estava a um corredor de distância da sala. Deixava tudo mais familiar.
E descendendo as escadas como um foguete, estava o garotinho Edward Tonks, correndo para os braços de Harry, que prontamente largou a boia que trazia e o acolheu em seus braços com força, ficando agachado no chão para ter a mesma altura que ele.
— Harry! Harry! Harry! — O mais velho bagunçou seu cabelo castanho de um jeito afetuoso. Teddy não era mais o bebê que poderia facilmente se esconder atrás da sua canela. Ele tinha crescido ums bons centímetros nesses últimos anos. — Eu senti saudades. — Teddy deu um sorriso alegre, logo se soltando, não parando quieto em um canto. — Vocês trouxeram presentes pra mim?
— Seu aniversário é só daqui alguns meses, sem presentes por enquanto.
A criança cruzou os bracinhos, fazendo uma careta emburrada.
— Você o mima demais Harry, veja só o resultado. — Andrômeda apenas deixou a informação no ar, andando em direção a porta que dava para a piscina para destranca-la. O seu filho logo protestou.
— Eu não sou mimado! O tio me dá presentes porque eu mereço.
— Aham, talvez eu deva começar a contar para ele que você não anda se comportando, não quer comer os seus legum...
Teddy, aproveitando que Harry estava ainda abaixado, usou suas mãozinhas para tampar as orelhas do mais velho.
— Shhh, não a ouça. Ela está começando a imaginar coisas, acredita?
Ronald deu uma gargalhada audível, não aguentando a situação. Do seu lado, sua namorada também parecia ter sido influenciada pelo bom humor da situação.
— Você nem deu um abraço de boas vindas na gente, somos invisíveis, agora? — Hermione quem disse, completamente rendida pela fofura de Teddy - ele era um garoto rechonchudo, culpe Andrômeda e seu talento recém descoberto para cozinha. O garotinho sorridente largou seu padrinho babão e lhe deu um abraço apertado.
— Também senti saudade suas, tia Mi! — Depois de alguns beijinhos nas bochechas, Teddy se aproximou de Ronald e em vez de abrir os braços como fez com os outros, ele esticou a mãozinha.
Weasley fez o mesmo e Harry esticou uma sobrancelha na direção deles, curioso para o que viria a segur. Admirou-se quando viu o moreno e o ruivo realizarem um aperto de mão hiper complicado que envolvia soquinhos e alguns tapinhas em uma sequência que ele mal conseguia acompanhar sem se perder várias vezes, no final eles deram um sorriso como quem tinha ganhado um prêmio muito alto.
— Ron e Teddy estão aperfeiçoando esse "toca aí" desde o último verão. — Hermione suspirou. — Não sei se acho isso incrível ou questiono a maturidade do meu namorado.
— Eu achei incrível! Teddy, por que nós não temos um aperto de mão secreto também?
— Porque você as vezes você é chato, padrinho. — Teddy deu de ombros, completamente honesto. — Não sabia se você ia gostar dessa brincadeira, mas o tio Ron é meio bobinho, né? Aí, eu resolvi fazer com ele.
— Ei! — Ronald reclamou, mas nem um pouco irritado. Tinha um efeito muito bom em si, pode-se dizer que uma euforia, toda vez que ouvia crianças ou pessoas recém conhecidas lhe chamando pelo pronome correto. Claro, ele não precisava que as outras pessoas o validassem ou acreditava que tudo era apenas sobre pronomes. Mas ainda assim, era tão bom aquilo. O tio Ron. Parecia tão certo. Era certo.
— Eu sempre quero fazer parte das suas brincadeiras, Teddy. Qualquer coisa que você queira fazer, eu gostaria de estar ao seu lado também. — Potter deu um sorriso doce. — Agora, que tal irmos para a piscina? Podemos brincar com as pistolas de água como da última vez.
— Sim! — O garotinho pegou na mão de Harry, pronto para levá-lo para fora. Hermione e Ronald deixaram as mochilas em cima do sofá, já se sentindo bem acolhidos. — Mas a tia Mi não pode jogar! Ela sempre trapaceia! — Ele mostrou a língua para a garota, que fez uma falsa cara de ofendida.
— Teddy Tonks, acho bom você começar a correr. — E o foi o que ele fez, correndo enquanto Hermione ia atrás de si. Divertidos com a cena da série e concetrada Granger correndo atrás de um garotinho enquanto enchia o cômodo de risadas, os dois garotos foram atrás deles.
Assim que passaram pela porta dos fundos já completamente aberta, andando em direção a beirada da piscina, viram uma mesinha mais afastada da borda com alguns lanches. Andrômeda estava sentada ali de forma plena. Torceu apenas um pouco a expressão apenas quando seu filho começou a gritar:
— MÃE! MÃE! TEM UMA BRUXA ATRÁS DE MIM! A TIA MIONE QUER ME PEGAR! — Andrômeda pôs a mão sob a boca, escondendo uma risada. Hermione conseguiu capturar o menino antes que ele começasse a correr onde pudesse escorregar. Ele se contorceu um pouco nos braços dela mas a mesma o agarrou como se fosse um boneco, o impedindo de escapulir. — Estou acabado! Minha vida está acabada!
— E quais são suas últimas palavras antes de virar comida de bruxa, pequeno Teddy Tonks?
— MÃÃÃÃÃÃÃE! — Suas súplicas não foram o suficiente. Hermione começou o seu ataque, enchendo o corpinho em seus braços com um ataque brutal de cócegas, o fazendo explodir em gargalhadas. Quando sentiu a respiração de Teddy começar a se tornar ofegante, ela parou.
— E aí, pronto para se desculpar com a terrível tia Mi? — Teddy soltou uma audível "não!" e Hermione prendeu a risada com força, tentando parecer assustadora. Ao longe, viu Harry, apenas com uma bermuda, sem óculos e o cabelo molhado já dentro da piscina e apontando para a boia vermelha, longe da visão de Teddy. Ela sorriu, entendendo o que deveria fazer. — Então eu vou ter que... Vou ter... Que te jogar em um fosso de jacarés!
— Você está mentindo! Não tem nenhum fosso de jacarés aqui em casa! Só está tentando me assustar. — Ele parou um instante de se contorcer, apoiando as mãozinhas nos ombros dela e franzindo o cenho, mostrando sua confusão. Ela deu um sorriso brincalhão. — E eu não tenho medo de nada. Eu sou o perigo.
— Ah, é? Pois no três eu vou te jogar. E prenda a sua respiração, garoto perigo. — Ela começou a sacudir ele nos braços, como se realmente fosse joga-lo. — Um... Dois... — E no três, quando viu ele realmente prendendo a respiração e inflando suas bochechas, ela pulou com tudo dentro de uma parte não tão funda da piscina, espalhando água por todos os lados e com o garoto grudado ao seu corpo. Quando começaram a boiar, Teddy começou a rir, piscando seu olhinhos rapidamente e voltando a respirar.
— De novo! De novo! Me joga de novo! — Ela começou a rir, colocando ele dentro da boia que Harry tinha apontado. Como o menino ainda não sabia nadar, era perigoso deixa-lo fora da parte rasa da piscina sem estar nos braços de alguém. No instante em que viu onde tinha sido colocado, Teddy semicerrou os olhos para Harry. — Viu o que eu disse sobre ser chato?
— Acho que estou começando a entender o que sua mãe disse com mimado...
— Padrinho! — Teddy fez um biquinho, então, arregalou os olhos em uma outra direção. — O tio Ron vai no trampolin!
Harry e Hermione se viraram de forma abrupta quando escutatam isso, se virando para a direção em que Teddy apontava, assistindo o ruivo subir as escadas.
— VOCÊ NÃO DISSE QUE TINHA MEDO DESSE NEGÓCIO? — Granger gritou, um pouquinho assustada mas confiando no namorado. Do seu lado, Teddy começou a se agitar, parecendo animado e reunindo as suas mãozinhas ao redor da boca, gritou:
— PULA LOGO! PULA! PULA! — E quando viu que ele não estava fazendo o que pediu, se virou para o padrinho. — Ele não sabe pular?
— Ele ainda nem terminou de subir as escadas, Teddy. — Harry deu risada.
Ronald Wesley estava em cima de um trampolin bem alto. Tinha ficado pronto na semana passada e ele tinha deixado claro que não estava pronto para pular daquela altura, não naquele momento. Hoje, mesmo que ainda com um pouco de medo de pular daqueles - mais ou menos - cinco metros, era uma pessoa corajosa. Quando arranjou equilíbrio, deu um pequeno saltinho naquela base e com o impulso, deu um pulo meio desajeitado para dentro da água. Hermione sorriu, dando um mergulho e indo em direção ao namorado que tinha espirrado água para todos os lados. Potter resolveu deixar eles um pouquinho sozinhos, guiando sua atenção para o afilhado.
— Eu posso pular também? — Seus olhinhos arteiros estavam brilhando. Harry deu um sorrisinho.
— Nem pensar, homenzinho. Quem sabe quando você for bem mais velho, se não, sua mãe vai acabar com nós dois.
Ele fez uma careta de descontentamento, não gostando do que ouvira mas não contestou Potter. Em vez disso, ele observou com atenção quando Hermione deu um beijinho casto na bochecha de Ron.
— Por que o tio Ron tá com uma cara ainda mais boba? E a tia Mi também!
— Isso é porque eles estão apaixonados, Teddy.
— Apaixonados? Como nos filmes e nas histórias? — Ele parecia surpreso, um pouco admirado até. — Como o tio Sirius e o tio Lupin?
— Sim. — Harry riu com sua inocência.
— Mas... Mas... Eles não eram amigos? — O menino questionou, se apoiando na boia, batendo seus pezinhos devagar.
— Amigos também podem se apaixonar, Teddy. E aí eles se tornam namorados, geralmente.
O menino ficou um tempinho com um semblante pensativo. Então, apenas concordou com a cabeça, decidindo que não queria mais continuar com aquele assunto. Um mais interessante passando pela sua cabeça.
— Podemos brincar com as pistolas, agora?
[💘]
Eles ficaram bastante tempo na piscina, apostando corrida, brincando de espirrar água. No entanto, quando perceberam que Teddy estava começando a ficar com frio e Rony estava adquirindo uma coloração avermelhada por causa do sol não muito boa - mesmo que os dois estivessem se fazendo de forte e negassem até a morte o contrário - eles decidiram que era uma boa hora para fazer uma pausa e aproveitar do lanche servido por Andrômeda. Enrolados em suas toalhas e se deliciando com sucos, bolos, tortinhas e alguns pãezinhos frescos, tudo estava na mais perfeita paz e harmonia. Potter aproveitou para dar uma checada em seu celular. Era um dia tão lindo, estava tudo calmo. Era quase como se pudessem ouvir os pássaros cantarolando de fundo. Aí
Com uma expressão serena, Teddy engoliu a sua rosquinha e fez a seguinte pergunta:
— Harry, por que você não me disse que também estava namorando?
E pronto, foi o suficiente para fazer Ronald engasgar com alguma coisa, Hermione bateu em suas costas para fazer-lo desintalar de forma desesperada e assim que saiu, o caroço bateu com tudo em uma jarra de suco. Ele começou a tossir, meio chocado e Granger não estava melhor, sem saber o que dizer. Andrômeda achou que seria uma boa hora para se retirar, ainda se segurando para não rir do espetáculo que viria - ela conhecia suas crianças.
— Vou pegar mais pães. — Então se virou com o pratinho em mãos, começando a andar pela grama macia em direção a casa.
— Por que você acha que eu estou namorando, Teddy?! — Harry perguntou, meio boquiaberto com que tinha acabado de acontecer.
— Você tá fazendo a mesma cara de bobo desses dois — Ele apontou para Granger e Weasley. — enquanto olha pro celular! — Teddy respondeu alto, como se fosse óbvio. Ele franziu o nariz, com as bochechas meio vermelhas. — Quem é?
Hermione lançou um olhar discreto para Harry mas ainda assim, tenso. Ele sabia o que ela estava perguntando internamente. É o Principe, de novo, não é? Ela estava certa, claro. Seu garoto misterioso tinha mandado uma mensagem adorável perguntando como ele estava e mandando uma foto do estado catastrófico de sua cozinha. "Estou tentando cozinhar uma torta para minha mãe, quero animar ela e como não tinha nenhum funcionário aqui, já que é sábado, tive que me virar. Mas acho que só consegui deixar minha cozinha suja... E eu também. Ew, ew, ew. Deve ter glacê até no meu cabelo." Harry não conseguia não dar um sorriso bobo para isso.
O Príncipe era mimado, não gostava de nenhum tipo de trabalho porém, quando se tratava das pessoas que ele amava, ele era muito especial e superava qualquer coisa.
— Eu estou conversando com um menino mas não é isso que está pensando. Ele é apenas um bom amigo, você nem ao menos o conhece.
— E você também não. — Ronald falou bem baixinho, de um jeito quase venenoso. Hermione tocou seu ombro, um jeito silencioso de dizer que era melhor os dois não interferirem. Os dois teriam todo o tempo do mundo para isso, agora, era o momento de Teddy.
— O que não é bom! Como vou saber se ele é legal pra você ou não?
— Suponho que quem tenha que decidir isso seja eu, não é, Teddy Tonks?
O garotinho cruzou os braços. Semicerrando os olhos, bufando e como se estivesse analisando a situação, depois de um tempo, simplesmente suspirou.
— Só não fica sendo todo esquisito e dando beijinho no seu namorado. Isso é nojento! Eca!
Harry Potter revirou os olhos. Desacreditado na conversa que estava tendo com seu afilhado de quatro anos.
— Ele não é meu namorado. Mas tudo bem, homenzinho. Não vou ser carinhoso com ele na sua frente.
— Ah, e diga para ele não esquecer de trazer um presente pra mim quando ele vier me conhecer.
Harry perdeu toda a sua postura de irritação com essa sentença, Hermione e Ronald pareciam metade tensos e metade com uma imensa vontade de rir da situação.
— Tá certo, Teddy. Tá certo. — E então suspirou.
[💘]
Quando o final da tarde chegou e o sol começou a se pôr, Teddy, Harry, Hermione e Ronald tinham pegado no sono espalhados no sofá. A tevê estava no meio de alguma cena de Hércules, da Disney. Recém acordado e meio sonolento, Potter conseguiu lembrar da voz de sua melhor amiga pontuando todas os erros em comparação o mito original que a história tinha, o barulho da mastigação de Ronald com seu enorme balde de pipoca - o qual se encontrava jogado no chão - e Teddy vindo se encolher nos seus braços, onde dormira tranquilamente.
Harry Potter observou o rostinho adormecido dele com zelo. Aproveitava enquanto ainda podia ser carinhoso e trata-lo como o bebê que enxargava toda vez que o via. Os anos pareciam passar cada vez mais depressa e seu afilhado crescia cada vez mais rápido. Uma hora todo seu cuidado teria que diminuir - infelizmente.
Com cuidado para não acordar o homenzinho. Harry tirou seus braços agarrados a seu corpo e se ergueu de forma ágil, assistindo ser facilmente trocado por uma das almofadas, ele sorriu com a cena.
Na tevê, passava a cena icônica da Megara cantando I Won't Say I am In Love junto das musas. Harry pegou seu celular do bolso, tirando uma foto da tv, mostrando o rosto adormecido de Hermione e Ronald que dormiam abraçados de um jeito completamente letárgico e mandou para o grupo em que estava apenas ele, Moony e Padfoot.
O grupo da família. O grupo se chamava "Marotos" e tinha emojis de coração do lado.
"Pegamos no sono vendo filmes. Por isso não atendi suas ligações. Mas acho que Dromeda deve ter falado isso."
Uma mensagem de Lupin veio logo em seguida.
"Sim, foi por isso que parei na vigésima ligação. Do contrário, teria com toda certeza ligado mais. Padfoot está dizendo que estou me preocupando a toa mas ele também está agitado perguntando sobre você. Vê se eu mereço uma coisa dessas?"
"Agora é tarde demais, ele já colocou uma aliança no seu dedo. Não há mais para onde correr."
"Deus me ajude! Ah, não acorde Hermione e Ron. Deixe eles dormirem até chegarmos aí, acho que vamos demorar só mais uns dez minutos. Paramos para comprar o jantar."
"Se não for aquela comida chinesa gostosa do final da rua eu nem volto para casa."
"Você e seu padrinho são iguaizinhos. Vai querer o frango xadrez de sempre?"
"Você me conhece tão bem. Amo você."
"Também te amo, Harry. Até logo."
E milhares de outros emojis carinhosos, porque Remus Lupin era esse tipo de adulto. O que provavelmente demoraria anos até se acostumar com emojis e memes do jeito certo. Era até meio fofo vê-lo tentando acertar.
Harry aproveitou para olhar as outras mensagens. Havia algumas discussões no grupo do colégio que ele apenas passou o olho, desinteressado. Algo sobre a nova vítima do perfil misterioso que tinha postado uma foto do momento exato em que alguém jogou várias caixas de cigarro pela janela de um dos banheiros do colégio. Aparentemente, essa situação tinha ocorrido no primeiro dia de aula. Harry torceu o nariz, não ligando muito e meio que achando nojento. Tanto o ato de fumar quanto o ato de ficar dando atenção para aquela foto.
Era isso que o fotógrafo queria, atenção. Era apenas não dar. O que tinha de tão difícil de entender?
Saiu do grupo, olhando a mensagem do Príncipe e a atualização das suas trágicas aventuras na cozinha. O Garoto de Ouro não conseguiu parar de pensar no quão adorável aquilo era. Ele fazia doces para as pessoas que amava. Doces. Ele imaginou se o garoto teria bochechas grandes ou não, porque no momento, suas mãos coçavam para aperta-las.
"A torta deu certo! Depois da minha terceira tentativa... Mas não importa! Deu certo!" E em anexo, a foto de uma torta decorada pela metade com calda e morangos em cima. De repente, Harry sentiu-se faminto.
"Não esqueça de lavar sua própria bagunça. Seja gentil com seus empregados dessa vez. Tenho certeza que sua mãe vai adorar, Príncipe."
"Talvez eu lave a louça." Respondeu e na Mansão Malfoy, com as costas contra o balcão da cozinha localizada como demandava a arquitetura tradicional das casas na Grã-Bretanha, no sótão, Draco fingia que não estava sorrindo. "Acha que ela vai gostar mesmo?"
"Eu tenho certeza." Então ele ouviu passos descendo as escadas, passos delicados e que quase não faziam som algum. Mas depois de tanto tempo morando em um lar abusivo, o hábito de interpretar passos já estava impregnado dentro de si. Ele sabia que era Andrômeda, então, ficou mais calmo. "Eu já volto, pare de enrolar e vai lá entregar a torta." E então apagou a tela do celular, erguendo-se para vera o rosto sorridente da senhora.
— Não quis colocá-lo antes na cama. Ele gosta bastante de ficar perto de você, não quis tirar isso dele. — Ela falou baixinho, com um certo carinho enquanto olhava para Harry e Teddy. — Você está com fome?
— Um pouco... Mas meus pais já estão comprando o jantar e... — Harry arregalou os olhos, parando de falar no mesmo instante em que percebeu o que tinha dito.
Pais. Não padrinhos, não responsáveis e sim, pais. Tinha saído naturalmente, sem nenhum esforço ou peso. A palavra saia certa e sem dificuldade da sua boca. Ele gostava. Contudo, dentro de si, um certo receio lhe assombrou.
Não é porque você os enxerga como pais que eles vão te enxergar como seu filho, pensou Harry.
Ele sentiu uma mão pousando em seu ombro, Tonks estava sentada ao seu lado, com os pezinhos de seu Teddy adormecido sob o colo. Ela fez um breve afago nele, como se tentasse transmitir conforto. Funcionou.
— Acredito que conheça muito bem a história de Lupin e Sirius, de como foi a corrida para provar a inocência de meu primo e do amor a primeira vista e tudo mais.
— Eu vou fazer um discurso no casamento deles. Como poderia não saber? — Ele deu uma risada bem suave e Andrômeda também.
— Mas acho que você não sabe sobre o dia que eles resolveram te adotar. — Harry se tornou mais atento, observando o rosto calmo dela. — Quando Bellatrix foi sentenciada a prisão e as coisas se acalmaram, em vez de Lupin bater na minha porta, como de costume para nosso chá da tarde, quem bateu foi Sirius. — Ela lhe deu um pequeno sorriso, se divertindo com a memória. — Ele estava escandalizado! Remus tinha acabado de contar sobre você e como tinham se conhecido e ele estava super nervoso. Porque ele não sabia se conseguiria ser um bom pai para você.
— Ele... Ele... — Harry não sabia o que dizer. Um pouco surpreso.
— Cinco minutos depois, Remus foi quem me apareceu. Com as mesmas dúvidas. Do mesmo jeito. Será que iria conseguir sua guarda, será que você ia gostar de tudo isso? Eles nunca te apressaram com esse lance paternal, tinham plena consciência que confiança e criação de laços demanda tempo e esforço. Mas eles nunca se viram de uma forma que não fosse como seus pais. Como se você não fosse o filho deles. Talvez enquanto Lily e James estivessem vivos, sim, eles se viam apenas como seus padrinhos. Mas agora, não mais.
Potter deu um sorriso, um calor agradável percorria por todo o seu peito. Ele sussurrou;
— Obrigado por me contar isso.
Andrômeda deu lhe um sorriso suave e gentil.
— Você é família, Harry. Sempre vou ajuda-lo.
— Somos uma família bem estranha. — Ele deu risada. — Mas é a melhor que eu poderia ter. — Então seu sorriso diminuiu um pouco. — Andrômeda?
— Sim? — Ela se virou para olha-lo, agora com as mãos acariciando os dedinhos de seu filho em vez do ombro do jovem ao seu lado.
— Teddy me contou que você anda estranha e meio pensativa. Não exatamente com essas palavras mas... Está acontecendo alguma coisa?
— Agradeço a preocupação, Harry. — Ela suspirou, encarando o carpete marrom. — Você lembra daquela tapeçaria enorme que tinha aqui, antes da reforma e que eu e Sirius resolvemos queimar?
— Sim, eu me lembro.
— Aquilo era a árvore genealógica da família Black. A qual fomos rapidamente expulsos e arrancados da peça. — Andrômeda deu uma risada seca. — Enquanto eu e minha irmã Bellatrix tinhamos uma aparência semelhante mas opiniões completamente divergentes, nossa irmã mais nova sempre foi completamente neutra. Silenciosa. Ela não gostava de onde estava mas se isso a fazia ficar segura, então, não iria contra meus pais.
— Woah, vocês Black quase nunca falam do passado. Dá última vez que pedi para Sirius falar do irmão dele, ele fechou a cara na hora. Me sinto importante. — Potter estava a olhando com olhos preocupados mas ainda assim, um brilho de curiosidade. — Continua... Por favor.
— O nome dela é Narcisa. Ela sempre seguiu todas as tradições, orgulhou nossos pais. Ela aceitou um casamento arranjado, ao contrário de mim. Mas, por incrível que pareça, soube mais tarde por uma carta que ela conseguiu me enviar no começo do ano, assim que cheguei a Grimmauld, que ela realmente se apaixonou pelo homem com quem se casou. Foi muita, muita sorte. E ela teve um filho depois de muitas tentativas... — Andrômeda suspirou. — Ciça estava feliz, Harry. Ela nunca me culpou, ou me julgou por nada do que fiz. Inclusive, desculpou-se por não me ajudar na época, mas ela tinha medo. Sua própria segurança sempre viria em primeiro lugar. Também, era a mais nova... — Harry estava atento as suas palavras, ele tinha certeza que conhecia alguma Narcisa, mas não se lembrava. — Ela disse que iria escrever todo o tempo para mim, agora que sabia onde eu estava. Mas... Não foi isso que aconteceu.
— Por que? — Harry perguntou de forma calma, Andrômeda suspirou novamente.
— Você deve ter visto os jornais, o marido dela está preso. Lucius Malfoy é o nome dele, homem bem conhecido. Acho que você até estuda com o filho deles, não é? Draco Malfoy. — Ela gesticulou em negação com a cabeça. — Não sei de quem sinto mais pena, de Narcisa que provavelmente está desolada com a prisão do marido ou de Draco. Ele deve estar lidando com muitas coisas, no momento. Estou pensativa o dia inteiro porque mandei uma carta novamente para Narcisa em busca de conversa, mas não tenho respostas.
Então, foi como se uma luz tivesse sido acessa na cabeça de Harry Potter.
Ele tinha passado muito tempo encarando a mesma faceta de Draco Malfoy, a de um garoto ridículo e incapaz de mudar. Incapaz de ser mais alguma coisa que uma forma plana. Um garoto patético. Sem o mínimo de profundidade. Mas agora, ele analisou pela primeira vez as informações que tinha sobre sua pessoa.
Malfoy era um garoto que estudava em Hogwarts, rico, arrogante e metido. Ele também era um garoto assumidamente homossexual, vaidoso, afeminado, elegante e mesmo que tivesse se tornado a presa em vez do predador nos últimos tempos, continuava agindo de forma ameaçadora como sempre. O loiro tinha muito apreço pela família, bastava ver o jeito que ele os defendia no ano passado, quando acusavam eles de qualquer coisa pelos corredores. E as partes mais difíceis, as mais subliminares era onde se encontrava a sua sensibilidade. Quando ele resolveu ir a uma aula de literatura, quando ele se concentra ao máximo na aula, quando ele se afasta e começa a rabiscar em seu caderno.
Draco tinha mais faces do que Harry conhecia.
Ele lembrou do Princípe falando sobre pessoas e o que elas deixavam a mostra, todos aqueles pensamentos que Harry teve na escola. O Príncipe dizendo que já havia andando de salto, que lia livros românticos, o mesmo garoto que ligou choroso no meio da tarde para Harry, o que era leal as pessoas que amava, o garoto e tinha um pai preso e estava tentando dar o seu melhor para sua mãe. O Príncipe de língua afiada, histórias malucas e sentimentos intensos.
A ideia de que Draco Malfoy poderia ser o Príncipe, deixou Harry Potter chocado, pálido e de pernas bambas.
— Você está bem? — O olhar preocupado de Andrômeda chegou até ele. O menino quase não conseguiu falar, mas mesmo assim respondeu.
— Sim, sim, sim, estou... Eu... — o barulho da campainha ressonou por todo canto, Lupin e Black tinham chegado. Salvo pelo congo. — O que você disse me fez pensar em umas coisas. — Ele deu uma abraço rápido e bastante carinhoso nela. — Acho que você deveria parar de enrolar e ir visitar a sua irmã.
— Acho que a imprudência de vocês está começando a me influenciar. — Ela murmurou, se erguendo do sofá para abrir a casa, mas antes, ela se virou para olhar Harry. — Por favor, evite espalhar nossa conversa entre seus pais e seus amigos. Temo que Sirius tenha um passado sensível com o sobrenome Malfoy.
Harry engoliu em seco e concordou com a cabeça. Andrômeda voltou a fazer seu caminho.
No seu bolso, uma mensagem vibrou, ele a leu rapidamente;
"Ela adorou a torta! Nós pegamos no sono assistindo uma novela estranha. Me sinto um garotinho de novo. Se me zoar, juro que descubro um jeito de te dar um tapa através dessa tela."
Harry deu uma risada genuína e contida.
Ah, inferno, ele estava tão rendido e perdido por alguém. A ponto de que o pensamento de que ele pudesse ser alguém conhecido por ser desprezível se tornou algo sem importância. Não, não exatamente sem importância. Mas...
Se o Príncipe fosse Draco Malfoy, as coisas seriam mais difíceis, é claro. Seus amigos surtariam e seus pais ficariam com vinte pés atrás. O passado cheio de rivalidades era uma marca profunda na vida de todos. Porém, ao mesmo tempo, estaria tudo bem. Potter e Malfoy poderiam se perdoar, poderiam viver com um passado de rivalidades. O próprio Draco disse que tudo que estava buscando era paz.
A suposta faceta de Draco Malfoy, a faceta do Príncipe, onde se reuniam todas coisas boas e verdadeiras sobre ele eram suficientes para fazer Harry Potter decidir seguir em frente com toda essa história. Na verdade, já era tarde demais para ele simplesmente desistir de tudo isso.
Agora, mais do que nunca, ele precisava saber quem o seu garoto misterioso era. No final, não importava mais quem ele era e sim, quem ele tinha mostrado ser.
E para Harry, quem ele tinha mostrado ser era a coisa mais arrebatadora que já tinha visto.
A diferença entre o céu estrelado mais bonito e as palavras dele, era que apenas o céu ele era capaz de esquecer.
[💘]
Notas finais:
Não quis ficar tanto na história dramática e complicada da família Black, porque, de novo eu juro que isso aqui é sobre romance e boiolagem. Desculpe se foi tudo muito rápido.
Pra compensar a demora, um spoilerzinho sem contexto:
Álcool, Pansy e Papel Crepom
Bem, é isto e beijos 💞 até a próxima att
Ah, caso vocês queiram falar comigo ou coisa parecida, meu Twitter é @/__kittygang, sei que sou flop mas adoraria interagir com vocês hahahah
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