25

A ala 4 é um local perfeito para se ter conversas privadas, primeiro porque é dos poucos locais de Eblênia em que há apenas uma porta de entrada, assim podemos ver caso alguém chegue. Além do mais, as paredes são bem revestidas o que permite que tenhámos privacidade, embora a maioria dos alunos tenham o costume de usar essa ala para outras coisas.

Vi Sina durante o jantar e a avisei para nos encontrar na ala 4 quando acabasse, pedi que transmitisse a mesma
mensagem ao Urrea.

Mal toquei em minha comida e estava tão ansiosa que até Sabina percebeu, tive que prometer explicar tudo para ela depois.

Ando em direção ao local de encontro, Josh me segue a uma distância prudente, sei que ele não gosta nada da ideia de ter que conversar com o irmão e, de verdade, espero que os dois não acabem se matando nessa.

— O que exatamente você espera conseguir nessa reunião com o príncipe mimado? — ele decide acompanhar meus passos, ficando ao meu lado.

— Não é sobre o que eu espero, é sobre o que precisamos — suspiro tentando não ser dura em minhas palavras, ele teve um semana difícil — o livro está nas mãos do príncipe e se queremos descobrir mais sobre o que o rei está tramando, precisamos fazer esse acordo.

Josh ergue uma das sobrancelhas e cruza os braços.

— Sei que você o odeia, mas precisamos pesar os riscos. Ele tem recursos que podem ser valiosos para nossa causa — digo, tentando usar os argumentos que Sina usou contra mim, não posso dizer que são argumentos ruins.

O rapaz ao meu lado solta um sorrisinho sarcástico e balança a cabeça em descrença.

— Do que você está rindo? — agora sou eu quem está começando a ficar irritada.

— Você realmente acredita que ele vai trair o próprio pai? — ele pergunta ainda com um tom de indignação presente em sua voz.

Uma das coisas que mais me irrita é saber que tenho as mesma dúvidas e exatamente a mesma desconfiança que ele, porém não posso abrir mão da única chance que temos de fazer algo.

— Não sei, não temos muitas opções e no momento, precisamos ser estratégicos — a frase que sai da minha boca não é forte o suficiente para convencê-lo.

— Estratégicos ou ingênuos? — questiona e isso sim ofende. Contudo, consigo enxergar para além da sua raiva.

Ele está se tornando fácil de ler agora, a forma como sua voz soa áspera, o sorrisinho sarcástico, os braços cruzados, ele não está com raiva de mim por marcar uma reunião com Noah. Está com ciúmes.

— Essa pergunta foi tão idiota que prefiro nem lhe responder — acelero os passos, embora isso tenha sido uma tentativa falha pois ele consegue facilmente me alcançar.

— Você realmente confia nesse cara?

Se eu pudesse determinar uma cor para cada sentimento humano, eu diria que o ciúmes de Josh praticamente brilha em tons de dourado, dourado intenso e resplandescente.

— É claro que eu confio Josh, porque eu não confiaria em alguém que tem um rostinho tão bonito? — provoco.

O tom sarcasmo é presente em minha voz e ele reconhece muito bem, embora não consiga deixar de revirar os olhos e soltar uma risada leve diante da provocação.

— Eu pensei que você fosse mais esperta que isso, donzela.

— Esperta o suficiente para saber que você está apenas com ciúmes?

Observo sua expressão se contorcer em surpresa e desconforto. Por um breve instante, até parece desnorteado enquanto me olha.

— Ciúmes? Você só pode estar brincando, acha mesmo que eu teria ciúmes de você? — ele ri.

— Admita, Beauchamp. Admita que a ideia de eu conversar com o Urrea te incomoda — insisto.

— Talvez eu não goste da ideia, mas isso não significa que seja ciúmes. É apenas... precaução — tenta se justificar e eu murmuro um "claro".

Precaução. É uma ótima desculpa, apesar de sua justificativa não chegar nem perto de me convencer.

— Vamos lá, então. Vamos falar com o príncipe encantado — ele muda de assunto rapidamente e permito que um sorrisinho vitorioso escape de meus lábios.

Empurro a porta de carvalho branco e ela range contra o piso, anunciando a nossa chegada. Viro em direção ao amplo salão que se estende à frente, apesar de o cômodo estar iluminado apenas pela luz da lua que adentra o espaço, é possível perceber o chão de mármore polido.

Mal tenho tempo de fechar a porta completamente quando ouço a voz furiosa de Josh. Apertando um pouco os olhos posso ver Sina, sentada em uma poltrona no fundo da sala, não há nem sinal de Noah.

— O que ela está fazendo aqui? — quase grita em meus ouvido e mesmo achando que não seja sua intenção me deixar surda, começo a duvidar disso.

Mordo o lábio sem saber exatamente o que dizer. Joshua não sabe da proximidade existente entre Sina e Noah, não sabe que eu pedi a ela para conseguir o livro e eu não tenho vontade nenhuma de lhe contar.

Por sorte, a garota ergue a voz para explicar da situação.

— Any pediu minha ajuda — ela diz, calma e polida.

— Não acredito que você a envolveu nessa situação! — recebo um olhar feio.

— Eu não fui forçada — a curandeira me defende.

— Mas... — Josh começa a dizer, o som da porta rangendo contra o chão de mármore é que o interrompe.

Noah adentra a sala em passos confiantes. Corre pelo cômodo um aroma que lembra pinheiros e ar livre, um indicador de sua habilidade como dominador da flora. Seus cabelos escuros se destacam sob a luz da lua e posso ver um sorriso debochado em seu rosto quando ele chega perto o suficiente.

— A Senhorita Deinert é livre para fazer suas próprias escolhas, Beauchamp — Noah diz, acredito que sem a intenção de soar arrogante, mas soa.

Josh, por sua vez, não esconde sua antipatia. Seu rosto se contrai em desprezo.

— Isso não significa que eu tenha que gostar das escolhas. Inclusive da escolha de marcar uma reunião com você.

— Não estamos aqui para agradar um ao outro. Estamos aqui para lutar contra um inimigo em comum — as palavras de Noah fazem Josh dar um passo a frente.

Por um momento acho que eles vão cair no soco novamente, mas Sina se coloca entre os dois, como uma barreira que impede qualquer confronto que possa vir a ocorrer.

— Sem distrações, crianças — digo, cortante como aço, da mesma forma que meu pai comanda seus soldados no campo de batalha.

Recebo olhares descontentes por parte dos dois homens.

— A Any está certa, vocês dois agem como crianças quando estão perto um do outro — a postura da Deinert é serena mesmo quando está dando uma bronca — com todo respeito, Vossa Alteza.

O Urrea parece verdadeiramente envergonhado um receber uma bronca da Deinert, pois se afasta de Josh e apoia-se em uma mesa próxima.

— Já disse que não é necessário me chamar assim — o herdeiro murmura.

Do meu lado, Joshua força uma tosse de desdém, contenho a vontade de lhe dar uma cotovelada.

— Vamos direto ao ponto — agora é o loiro quem diz — onde está o livro, Vossa Alteza?

Diferente de Sina, que mencionou o título como forma de respeito, o loiro usa apenas para provocar. Não vou deixar o Beauchamp falar mais nada, ele está prejudicando mais do que ajudando. Noah mantém a compostura, ignorando o comentário, retira o objeto de dentro da jaqueta e o exibe com um sorriso cínico.

— Aqui está, como prometido. É uma cópia, o oficial ainda está no castelo e não consegui acesso a ele pois é muito bem protegido — explica, Josh estende a não para pegar o objeto mas o moreno recua — antes de entregá-lo, gostaria de discutir alguns detalhes.

— Qual é o nosso acordo?

— A cópia do livro é de vocês, em troca eu quero saber a verdade sobre o meu pai. Se vocês têm informações que eu desconheço, gostaria de conhecê-las e farei o possível para ajudá-los a descobrir — ele suspira, como se estivesse concedendo um favor.

— E por que devemos acreditar em você? — o Beauchamp pergunta, os punhos cerrados.

Noah inclina a cabeça, ponderando a pergunta

— Porque, meu caro Beauchamp, é do meu interesse desbancar meu pai do trono. E acreditem ou não, eu vou adorar fazer isso — seu sorriso se alarga.

Uma troca de olhares acontece, parece que Noah conseguiu plantar uma semente de dúvida na mente de todos ali. Não faço ideia se ouvi direito o que ele disse, mas pela reação dos outros, eu ouvi claramente.

Desbancar meu pai do trono.

— Espera, você está pensando em tirar o seu pai do trono? Isso seria um golpe de Estado! Por que você faria isso se o trono será seu de qualquer forma daqui uns anos? — questiono, me aproximando dele com a cabeça erguida para olhar bem em seus olhos.

Quero a verdade. O principe não recua, na verdade, não parece nem um pouco incomodado com a minha invasão.

— Não suporto mais as atitudes tirânicas do meu pai. Ele está levando o reino à beira do abismo, e se eu puder fazer algo para evitar isso, farei. Além disso, tenho minhas próprias razões pessoais para querer vê-lo fora do poder.

Ouço com atenção, ele também tem uma boa máscara e não consigo distinguir a verdade da mentira. Não sou ingênua, não acredito cegamente nele, não tenho nenhuma garantia, mas me agarro em seu discurso e torço para que seja verdadeiro.

Sinto meu coração acelerar. Se é verdade, essa será a nossa chance de mudança. Se for mentira, estaremos perdidos, é forca na certa.

O clima na sala fica tenso, e Josh não parece convencido. Sina, no entanto, parece mais atenta. Nenhum dele diz nada, então eu tomo a frente de novo.

— O que impede você de nos trair assim que obtiver o que quer? — questiono, fazendo-o soltar uma risada breve.

— Quem me garante que vocês não me trair? — ele joga a minha própria pergunta contra mim, na intenção de que eu recue. Eu não recuo. Tampouco pisco.

— Nossa cabeça na forca impede — respondo com firmeza, o príncipe inclina  o pescoço parecendo ponderar a resposta — e quanto a você? O que te impede?

Os olhos de Noah se voltam por cima dos meus ombros, sigo seu olhar. Sina. Uma troca silenciosa de olhares ocorre entre eles, percebo bem.

— Não os trairei. Meu pai tem métodos antiquados e eu realmente acredito em um reinado mais justo e equilibrado — seus olhos nem tremem, mas essa não é a verdadeira resposta. Não totalmente.

Fico em silêncio.

— Sou um homem de palavra — acrescenta.

Sina é o que impede de não nos trair, agora eu vejo. Ele está disposto a arriscar a coroa por ela.

A resposta de Noah ecoa na sala, mas Josh não está convencido. Sina, por outro lado, permanece observadora, como se estivesse lendo as entrelinhas.

— Palavra de príncipe, huh? — Josh diz com sarcasmo, estou de costas para ele mas até o imagino cruzando os braços — um príncipe que planeja desbancar o próprio pai... Sua palavra não vale nada pra mim.

Intervenho antes que a situação piore.

— Aceitamos suas condições — declaro, firme. Estendo a mão e Noah parece satisfeito quando a aperta.

Uma decisão precisava ser tomada e não há espaço para indecisões ou briguinhas. Josh bufa de desprezo, porém não protesta mais, sinto seu olhar queimar minhas costas.

— Aqui está o que vocês buscavam. Espero que cumpram com a sua parte no acordo.

Noah retira a cópia do livro de dentro da jaqueta e, ao invés de entregá-la diretamente a mim, ele estende o objeto na direção de Sina. Ela o pega com cuidado, olha para o livro por um momento e então seus olhos encontram os de Noah.

— Cumpriremos — garanto, o tirando do transe.

Noah inclina a cabeça em reconhecimento e se afasta, saindo da sala. Mal posso digerir o que aconteceu, meu coração ainda bate forte em uma onda de ansiedade, uma ansiedade boa.

Olho para o livro, tem uma capa azul-marinho, sem título e exala uma energia mágica de dentro para fora. Minhas mãos formigam quando eu o seguro.

Mesmo revolução sendo uma palavra e não uma sensação, pareço senti-la pulsando dentro de mim, no mesmo ritmo descompasado que o meu coração.

Não vencemos a guerra, ainda. Mas a primeira batalha é nossa.

— O que está escrito? — Josh pergunta enquanto Sina folheia as páginas amareladas.

Sina franze o cenho enquanto percorre as páginas do livro, tentando decifrar a língua mágica em que está escrito.

— É uma antiga língua arcaniana. Precisaremos de tempo para traduzir, mas prometo que farei o meu melhor — Sina finalmente responde, mantendo os olhos fixos no livro.

Josh parece impaciente, suas mãos inquietas o denunciam. Eu compartilho do mesmo sentimento. Respiro fundo, percebendo que talvez a primeira batalha não seja assim tão fácil de ser vencida.

Esperei a semana inteira até Sina conseguir traduzir as primeiras páginas.
Tudo se inicia com a lenda de Rahlia, a camponesa que viveu em nosso reino há muitos anos, era poderosa e dominava a prática de feitiços, foi morta em praça pública e amaldiçoou tudo e todos.
A Floresta começou a se formar no local da sua morte, mas essa história todos sabem.

O que as primeiras páginas do livro contam vai além, tem relatos de uma bruxa chamada Serena. Bruxas são raras em nosso reino e nunca foram vistas com bons olhos, Serena era muito poderosa e foi obrigada pelo rei da época a fazer um feitiço de amarração que entregava a ele controle sobre as criaturas da Floresta.

O livro conta que antes da sua morte, a bruxa conseguiu criar objetos que, se combinados com um feitiço poderoso, poderiam quebrar o encantamento e retirar o controle da Floresta da mão do rei.

Temos o feitiço, em alguma parte do livro que Sina ainda não terminou de traduzir. Quanto aos objetos, não se sabe ao certo o que são, por isso ficaram denominados como "objetos perdidos".

E claro, vamos precisar de uma bruxa poderosa para quebrar o encantamento. Mas um problema de cada vez.

— Tem certeza de que quer fazer isso? — Sabina pergunta enquanto me acompanha até o celeiro, onde estão os cavalos.

Não tenho nenhum aqui em Eblênia, então precisei pedir o dela e o de Bailey emprestados. E isso inclui ter contado toda a história a eles, sem deixar nada passar, afinal são os meus amigos desde que me entendo por gente.

— Tenho — aperto o casaco mais forte contra meus ombros e Sabina suspira, ela sabe que quando eu coloco uma ideia na cabeça não há nada que possa tirá-la.

Os Hidalgo's são de uma família de militares, como o meu pai. Pelo menos a parte paterna da família dela é.

A outra parte, mesmo com sangue aristocrático, tem uma bruxa. A trisavó de Sabina se chama Joana Hidalgo, uma senhora que atualmente deve beirar os seus 100 anos de vida e que mora em uma área rural entre Prigia e Trodia, as duas maiores cidades do reino.

Prigia é uma cidade militar, uma fortaleza. Trodia é a nossa capital, o local que abriga o rei e um de seus castelos.

Vou visitar a trisavó de Sabina, não tenho o direito de pedir a ajuda dessa senhora, afinal não é atoa que a mulher vive em um casarão afastado da civilização. Tudo que posso fazer é pedir uma luz, uma dica.

— Ela tem quase um século, deve ter visto muitas coisas. Deve saber de muitas coisas.

— Se a velha não estiver gagá, sim — Sabina resmunga, me arrancando uma risada sincera. Sei que no fundo ela está preocupada que algo aconteça.

— Não vou contar nada revelador para ela, só vou conversar, tentar descobrir algumas informações... Ficará tudo bem, ela é da sua família, afinal — dou um empurrãozinho em seu ombro.

— Da parte menos convencional da minha família, para ser mais exata — explica enquanto adentramos o celeiro,

Josh já estava ali junto com Bailey

— Por que não posso ir junto? — Bailey resmunga quando nos aproximamos, Joshua nem me olha, ele ainda está um pouco bravo por conta da conversa com o Urrea.

— Porque vocês precisam encobertar nossa fuga, a diretora não pode nem sonhar que saímos do colégio e também porque só temos dois cavalos.

— E também porque ela quer um tempinho a sós comigo.

— Pode parar por aí ou eu te deixo para trás — ameaço e ele revira os olhos, debochado.

— Tenham cuidado! — Sabina nos abraça.

— Vou tomar conta dela, Hidalgo.

— Eu que vou tomar conta de você, garoto — respondo, montando no cavalo de Sabina.

A estrada que percorremos é ladeada por árvores altas, cujas folhas criam um túnel verde que se estende à medida que cavalgamos. A luz da tarde dança sob a grama e o chão de terra batido.

O caminho é lindíssimo mas a presença de Joshua torna tudo mais difícil. Na verdade, difícil é um eufemismo quando se trata de descrever "passar um tempo com Josh". Ele fica calado e ainda continua com a cara não muito satisfeita, mesmo quando paramos para beber água.

— Vai mesmo ficar com essa cara a viagem inteira? — pergunto ao descer do cavalo, o loiro estava encostado no tronco de uma árvore próxima.

— É a única que eu tenho.

— Huh, achei que só tinha dois cavalos por aqui, mas pelo visto tem três.

Ele não me olha e fica em silêncio. Bebo um gole de água, sentindo falta das suas provocações.

— Não vai dizer nada? — cruzo os braços esperando uma resposta, um xingamento, qualquer coisa que não seja uma cara amarrada.

— O que há para dizer? Você não liga para o que eu penso mesmo.

— Pare de exagerar — me aproximo, pressionando-o.

— Não estou exagerando.

— O que você pensa é importante sim para mim.

Sinto uma fragilidade ao expor essas palavras diante dele. Sei que nenhuma delas é mentira e esse é o motivo da vergonha. Eu ligo para o que ele pensa, ligo mais do que gostaria.

Agora que tenho sua atenção, acho que é capaz de congelar meus ossos.

— Tá, Any. Então vou te falar o que eu penso, estamos indo atrás de informações com uma bruxa de cem anos para tentar desfazer uma maldição. Parece um plano infalível — há sarcasmo em sua voz, ele passa as mãos pelo cabelo, nervoso.

— Se tiver uma ideia melhor, estou ouvindo — chego perto o suficiente para que nossas bocas fiquem a centímetros de distância — tem?

— Não — murmura, quase em um sussurro.

— Olha, não faço ideia se vamos obter resultados com essa visita, por isso precisamos arriscar — tento não gaguejar, sua proximidade desconcerta minha sanidade.

— Concordo, mas não significa que vou concordar com tudo que você decide fazer — diz, mas não há nenhum resquício de raiva na maneira que se expressa — você sabe que eu não confio no Urrea.

— Parece que você não confia em muita gente, Beauchamp.

— Você não...

O interrompo antes que conclua.

— Eu sei, não estou inclusa nessa. Você confia em mim — um sorriso escapa dos meus lábios e ele assente com o olhar preso no meu.

— Confiar é uma moeda cara, Any. E eu não jogo de graça — ele soa tão gostoso quando fala assim.

— As vezes o risco compensa.

— Você é teimosa, sabia? — Josh fala próximo ao meu ouvido, agora com um tom mais leve, sua voz parece rouca.

Seus olhos estão focados na minha boca. E o quero, quero muito, muito mais do que ouso admitir. Em um impulso, agarro sua nuca e o puxo contra mim, ele entende o recado e envolve as mãos em minha cintura. Sinto sua respiração pesada contra meu rosto e, sem perder tempo, quebro a distância existente entre nossas bocas.

Um beijo ardente, selvagem, nossas bocas se movem com desejo, nossas línguas se entrelaçam em sincronia. As mãos de Josh apertam minha cintura com força, muita força, minhas pernas parecem querer desabar. Seguro em seus ombros, o puxando ainda mais contra mim, há firmeza e cuidado na forma como ele me envolve em seus braços.

As mãos descem até a minha bunda e o ar parece desaparecer dos meus pulmões quando ele a aperta. Estou tão excitada que poderia pegar fogo. Arfo quando ele desce os beijos em direção ao meu pescoço, deixando uma trilha que contorna a gola da camiseta que visto, jogo o pescoço para trás deixando que o prazer inebrie minha alma, inebrie meu corpo, inebrie cada parte do meu ser.

Estou ardendo, sinto chamas de prazer percorrerem-me da cabeça dos pés. Josh reverte nossas posições, fico encostada no tronco da árvore, ele olha para mim quando aperta minhas coxas com vontade.

— Você é quente como o inferno — sussurra em meu ouvido. Ah, céus!

Nossos narizes se encostam quando ele vira o rosto para a frente. Estou ofegante e ele também. Quero fazer amor até minhas pernas ficarem bambas e ele também.

O mundo parece parar por alguns instantes quando o cheiro do seu perfume adentra minhas narinas, nuances de lírios aquáticos com chuva recém-caída. Fecho os olhos, apreciando cada nota enquanto ele desliza a não por meu rosto. Quero ficar aqui para sempre.

Os cavalos relicham alto. Em um estalo, o mundo volta. Saio do transe e então, percebo que o para sempre não existe, apenas em contos de fadas e definitivamente eu não faço parte de um.

Lobos se aglomeram, vindo em nossa direção, meu coração dispara adrenalina por todo o corpo. Minha primeira reação é puxar a adaga da bota.

E agora, é matar ou morrer.

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