20

Adolescentes são rebeldes. Digo por mim mesma, acho que pessoas mais velhas já se acostumaram com o mundo do jeito que ele é e, de certo modo, acabam se conformando de que é assim que ele precisa ser.

Nós não.

Nós queremos e buscamos mudança, nos apegamos até o último resquício de que esperança, quebramos regras, chutamos as portas e torcemos para que elas abram. Torcemos para que não percâmos as forças no meio do caminho.

Torcemos para que não acabêmos velhos e conformados.

Uma coisa posso afirmar, a ideia de Sabina em realizar uma festinha às escondidas era loucura. Principalmente porque não se tratava de uma simples reuniãozinha, ela e o Lamar haviam chamado quase sessenta pessoas.

Estamos em uma das alas do último andar, já que eram longe o suficiente de qualquer funcionário que pudesse nos flagrar. Assim, poderíamos fazer o barulho que fosse. Além disso, tinha uma vista perfeita para as montanhas e era grande o suficiente para comportar todos, principalmente por dar acesso a várias áreas.

Posso afirmar que, apesar do exagero de Lamar e Sabina, o local estava impecável. Não muito decorado, mas haviam bandeirinhas coloridas em tons de dourado e prata cintilante espalhadas por todo o teto, algumas luzes cintilantes claramente criadas por magia contornavam o ambiente como vagalumes. O canto do salão parecia um bar improvisado.

Encosto em uma pilastra ao lado de Bailey, segurando forte o copo de whisky em minha mão.

- Bailey, onde você arrumou tanta bebida? - ouço a voz de Sina e viro para olhá-la, era surpreendente vê-la por aqui. A Deinert usava um vestido leve na cor verde claro que combinava perfeitamente com os seus olhos.

- Tenho os meus contatos - o garoto ao meu lado responde dando a ela um sorrisinho de canto.

- E se a diretora aparecer aqui? - indaga Sina, ainda com uma ruga de preocupação em seu rosto.

Não posso deixar de suspirar pesadamente, ela se preocupava demais e com absolutamente tudo.

- Ah, relaxa, Sininho - entrego meu copo em suas mãos, o conteúdo alcançava a metade, porém já seria o suficiente para que ela parasse de ser 100% certinha o tempo inteiro.

- O quê? - pergunta um pouco assustada com o meu gesto e em seguida tenta me devolver o copo, nego e o empurro novamente para suas mãos.

- Você está precisando - incentivo, recebo uma olhada ainda apreesinva antes dela levar o copo até a boca, uma careta surge em seu rosto e não posso deixar de rir junto com Bailey - não foi tão ruim assim, foi?

- É... é até bom - confessa com uma expressão mais tranquila.

- Sina... Eu posso falar com você um instante? - pergunto, ela franze as sobrancelhas por um instante, confusa, mas assente.

- Qual é? Vão me deixar sozinho aqui? - reclama Bailey.

- É um papo de garotas - minto e antes que Bailey interferisse novamente, eu direciono a Deinert até um canto mais tranquilo, longe do barulho da festa.

Eu precisava muito falar com a ela a respeito de Noah e do livro. Ter essa conversa perto de Bailey com certeza não seria uma boa ideia. Ele é meu amigo, porém ainda é um Hidalgo, o que significa que ele tem a língua solta para fofocas.

Sina parecia menos tensa e por alguns segundos me odiei muito por ter que destruir essa sensação de tranquilidade que ela exalava.

Mordi o lábio e respirei fundo.

A última coisa que eu quero no momento é envolver mais pessoas nessa bagunça, daqui para frente as coisas provavelmente ficarão perigosas se eu e Josh continuarmos com as nossas investigações. Tenho medo do que iremos descobrir. Tenho medo de descobrir que a minha família compactua com todo esse esquema e, pior, descobrir que ela está envolvida no genocídio que as criaturas da Floresta fazem por todo o reino...

- Você está me assuntando... Aconteceu alguma coisa?

- Sina, preciso te falar sobre algo que vi esses dias... - começo, mantendo um semblante sério enquanto tento buscar palavras para descrever toda a situação sem envolvê-la além do limite - sem querer, eu acabei vendo você e o Noah estudando juntos e a coisa toda parecia mais do que um simples estudo, sabe?

Sina parece surpresa, seu rosto de empalidece ligeiramente, e os olhos se arregalam por um momento, ela olha ao nosso redor como se verificasse que não havia ninguém prestando atenção na nossa conversa.

- Isso... Não é o que parece, Any.

- Eu não estou julgando vocês - tento dizer.

- Por favor, escute antes de tirar conclusões - seus olhos suplicavam para que eu a ouvisse - eu sei que parece complicado. Ele é o herdeiro do trono e... bem, isso nunca daria certo de qualquer forma, porém eu te garanto que não existe nada entre nós dois. É tudo estritamente profissional, eu ensino a matéria e ele aprende, não há nada além disso.

Não era. Talvez ela não enxergasse, mas eu vi como os dois se olhavam naquela noite.

- Aquele dia, em Brastyia - relembro - achei que você estivesse falando sobre o Josh, mas era sobre o Noah, né? Os dois estavam juntos e acabamos falando sobre um mesmo assunto, porém acerca de duas pessoas diferentes.

- Eu não disse que gostava dele - rebate.

- Você disse que não gostava dele da maneira que eu achava - corrijo.

- Any, por favor, não torne as coisas mais complicadas do que já são. Não existe nada, ele é um rapaz muito atraente e educado, porém se limita a isso. Nós dois não daríamos certo nem em livros de romances então não enxergue coisas onde não há.

- Tem certeza? - insisto.

- Tenho - responde assentindo com a cabeça, como se apostasse todas as suas fichas nisso. As palavras dela soavam convincentes, porém havia algo no tom da voz, um tremor quase imperceptível, que me deixava em dúvida - é apenas isso, um tutoramento... nada mais.

Deixei minha postura relaxar um pouco, decido não pressiona-la sobre esse assunto. Apesar disso, a loira mantinha um semblante assustado no rosto e sinto um aperto no peito por tê-la assustado.

- Não vou contar para o Josh, não se preocupe - digo na tentativa de acalma-la - na verdade, eu nem quero me envolver nisso. Só preciso da sua ajuda em uma coisa.

- Em quê? - pergunta com curiosidade, coço a garganta antes de responder.

- Eu e Josh estamos investigando uma coisa - começo.

- O quê? Vocês dois trabalhando juntos? - ela solta uma risadinha, surpresa.

- É, não a julgo, eu também não acreditaria se alguém me contasse - resmungo - mas enfim, precisamos que de algo que é um pouco... Inacessível.

- Ah, não acredito que vocês estão se metendo em confusões novamente - reclama.

Acho que o meu rosto denunciava toda a situação.

- Pode parar de me interromper, mocinha? - questiono, ela ergue as mãos em rendição - em resumo, precisamos de um livro que está no castelo... Provavelmente deve estar bem protegido.

- E como vocês pretendem conseguir isso? - pergunta, ergo uma sobrancelha e dou a ela o meu melhor sorriso.

Sina faz um gesto com a mão, parecendo já ter entendido toda a situação. Garota esperta!

- Aposto que se você pedisse ao Noah... - tento convencê-la.

- Posso tentar falar com ele, mas não tenho como garantir que conseguirei o livro.

- Eu confio em você - pisco para ela que suspira pesadamente.

- Qual o título do livro? - questiona, fico em silêncio por alguns longos segundos enquanto ela continua a me encarar - vocês por acaso já o viram?

- Não, mas tenho certeza de que deve estar bem protegido e deve conter várias páginas sobre a história do reino e feitiços antigos.

A loira respira fundo, parecendo entender a gravidade da situação.

- Any, quão importante é esse livro? - ela balança a cabeça negativamente.

- Muito - respondo com firmeza.

Aperto a mão dela, de modo acolhedor, tentando ao máximo passar confiança e saio dali antes que ela resolvesse fazer mais perguntas.

Retorno ao centro da festa, mal piso os pés no local e Sabina já empurra um copo de bebida em minhas mãos. Não reclamo. Apenas viro de vez, sentindo-a descer ardendo por minha garganta.

- Bailey conseguiu mesmo um bom carregamento de bebidas - comento.

Sabina ri, parecendo mais animada que o normal.

- Any, eu disse que seria épico! - diz passando um braço ao redor dos meus ombros, tenho um pouco de cuidado para não acabar parando no chão por conta da força que ela coloca em meus ombros - Tudo está simplesmente mágico!

- É, eu amei as luzes - aponto para as luzinhas de magia que pareciam vagalumes - e a vista para as montanhas também.

- Ah, eu demorei um tempão pra conseguir convencer o Lamar! Mas eu sabia que a ala do último andar seria o lugar perfeito, ninguém vai nos atrapalhar aqui - balança o copo de bebida em suas mãos - só precisamos ficar de olho para a diretora não aparecer.

Sabina exclama, com um brilho animado nos olhos. Ela tira seu braço dos meus ombros por um instante, para reabastecer o seu copo.

- Você já bebeu um pouquinho demais, não acha? - pergunto já sabendo que ela iria dar trabalho.

E quem teria que cuidar? Eu mesma.

- Imagina, só estou aquecendo - Sabina ergue o copo em um brinde simbólico - e você? Cadê o seu espírito festeiro?

- Acho que ele não existe.

- Tenho certeza de que ele está aí, só precisa ser despertado - ela pisca para mim.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a Hidalgo envolveu minha mão ao redor de seu braço e me puxou através da multidão para algum lugar desconhecido. Não contestei, deixei que ela me conduzisse em direção a uma porta discreta.

Com um sorriso, ela abriu a porta revelando uma sala de jogos improvisada, era claramente mais particular que a anterior já que apenas um grupo pequeno de pessoas estava presente. Entrei na sala junto com Sabina, atraindo alguns olhares em nossa direção.

A sala era composta por janelas de vidro, as quais permitiam que os visitantes tivessem uma visão fabulosa do céu estrelado, um ar fresco entrava e refrescava a atmosfera.

Arcos e flechas pendiam nas paredes, haviam mesas de jogos espalhadas pelo espaço. O ambiente exalava energia, com risos e gritos de empolgação vindos de pessoas engajadas em duelos de jogos de tabuleiro, mesas de sinuca e até uma área reservada para combate com espadas de madeiras e outra para treinamentos.

Sabina soltou meu braço e, com um gesto animado correu até a área que contava com suas armas favoritas: arcos e flechas.

Observei sua animação ao apontar a flecha e mesmo bêbada, acertá-la com precisão no alvo. A garota soltou um grito e pulou animada, não pude deixar de rir com a sua empolgação.

Acabei me rendendo a um dos jogos também, principalmente os que envolviam habilidades relacionadas a força. Confesso que também me rendi a alguns drinks de morango e quando percebi, estava de fato me divertindo com a energia do ambiente.

- Hey, parece que a festa está fervendo, não é? - ouço Lamar perguntar, exatamente no momento em que eu tentava ganhar no tênis de mesa contra Heyoon, girei o pescoço rapidamente para olha-lo e a garota se aproveitou disso para marcar um ponto.

Exatamente o ponto da vitória.

- Ei! Não valeu - reclamo e ela ri, dando de ombros.

- Regras do jogo, Soares - pisca e ergue as mãos para cima em forma de aquecimento para a próxima jogada, largo a raquete sob a mesa dando espaço para o próximo jogador com quem ela irá competir.

- Ainda vou querer uma revanche - deixo bem claro e ela joga um beijinho no ar em minha direção.

Caminho lentamente até Lamar, fingindo uma cara brava.

- Desculpe, não foi minha intenção te atrapalhar - se explica, dou de ombros sem me importar muito.

- Sua namorada é boa nisso - comento, rindo um pouco da situação, ele concorda.

- É, ela tem o dom para esses jogos - Lamar olha com admiração para Heyoon que parecia se divertir jogando.

Porém, logo o meu foco foi completamente desviado para as risadas altas no outro canto da sala, elas vinham de um grupo de garotos ao redor da mesa de sinuca, eles pareciam se divertir em meio a conversas e bebidas enquanto jogavam.

Não foi díficil notar Josh entre eles. Havia um copo em uma de suas mão e um taco na outra, seu cabelo estava levemente bagunçado o que lhe conferia um ar ainda mais atraente, mas o que chamava atenção mesmo era o sorriso no rosto e o jeito como ele parecia estar a vontade, seu corpo se movia de modo descontraído.

Observo por alguns segundos e, de repente, Josh pareceu sentir o meu olhar pois seus olhos pararam em minha direção, vi um brilho a mais surgir neles, fazendo com que um arrepio percorresse minha espinha. Ele manteve o sorriso, um colega falava ao seu lado mas seu foco continuava em mim.

Desviei o olhar rapidamente, sentindo uma onda de constrangimento por ter sido flagrada.

- Você parece estar interessada naquele jogo de sinuca - comenta Lamar, sorrindo de leve.

Balanço a cabeça, mantendo a postura e fingindo não saber do que ele estava falando.

- Você conhece o pessoal ali? - pergunta, apontando em direção ao grupinho de amigos.

- Conheço alguns - respondo sem muita cerimônia.

- Por que a gente não se junta a eles? Vamos lá, vou te apresentar a eles.

- Ah, não... - tento dizer mas ele nem espera minha resposta.

Sem escolhas, segui Lamar enquanto ele se aproximava do pessoal ao redor da mesa.

Josh estava concentrado no jogo e quando seu olhar se direcionou para mim no mesmo instante e parecia haver nele uma pontada de curiosidade, como quem pergunta "o que você está fazendo aqui?". Então balancei levemente a cabeça como quem responde "não te interessa, seu idiota".

Não sei se ele entendeu o recado, mas pareceu, pois um sorriso brincalhão surgiu em seus lábios.

- Morris, quem é a dama? - perguntou um dos rapazes do grupo.

- Donzela - Josh corrigiu em meio a uma tosse fingida.

- Galera, essa é Soares. Any Gabrielly Soares, e essa é uma das mesas onde ela é praticamente invencível - diz Lamar, me apresentando com um toque de exagero.

Todos me olharam um pouco impressionados e por um momento, senti uma onda de constrangimento. Afinal, eu nunca joguei sinuca e Lamar acabou de me apresentar como uma mestre.

Fiz questão de cumprimentá-los com um sorriso confiante, tentando esconder qualquer sinal de nervosismo que pudesse transparecer. Além de Josh e Krystian, que eu já conhecia, haviam mais três garotos ali.

Todos se destacavam por sua beleza. Caleb parecia ser o piadista da turma, com seus olhos escuros e cabelos castanhos lisos que quase alcançavam a altura dos ombros, possuía também uma pele parda quase no mesmo tom que a minha. Dean, por outro lado, era loiro de olhos âmbar, com uma pele tão clara quanto a de Josh. Seus cabelos levemente desalinhados davam um ar descontraído à sua aparência e ao contrário de Caleb, ele era um pouco mais reservado.

Elai possuía uma constituição física robusta. Seus cabelos pretos contrastavam com sua pele clara.

- Então, essa é a lendária Any Gabrielly Soares, a invencível? - Caleb disse com um sorriso brincalhão, olhando para mim.

- Não acreditem em tudo o que ouvem por aí - respondi, dando uma rápida olhada em direção a Lamar, que levanta as mãos em rendição.

- Ah, ela é excelente em várias coisas, porém sinuca talvez não seja uma delas - Josh interveio, com um sorriso provocador, o encaro sentindo o desafio em sua voz - só a vendo em ação para saber - completa a frase.

Ele está elogiando ou propondo um desafio?

- O que acha, Soares? Vai encarar uma partida conosco? - Dean pergunta.

- Só se vocês estiverem preparados para perder - digo, erguendo o queixo com confiança sem tirar os olhos do Beauchamp.

Ele se aproximou, se inclinando levemente sobre a mesa para organizar o triângulo.

- Ok, mas, só por curiosidade... Você já jogou sinuca antes? - questiona com um olhar divertido.

- Já vi outras pessoas jogarem com maestria, mas nunca de fato experimentei - respondo.

- Ótimo! - Josh exclamou, pegando outro taco de sinuca e me entregando - então, vamos lá, você e eu contra eles - apontou para os outros garotos com um sorriso travesso.

- Você vai jogar contra nós? Vai ser uma partida justa? - Caleb pergunta, com uma sobrancelha arqueada.

- Claro que sim! _ Josh responde com um sorriso e se posiciona ao meu lado. Ele estava mesmo confiando no meu potencial?

- Se nós dois perdermos, quero um favor seu, Soares - sussuroru. Ergui a cabeça para olhá-lo, curiosa.

- E se vencermos? - perguntei, seu olhar se mantém fixo no meu.

- Vai ter que esperar para descobrir - ele diz piscando para mim.

Se fosse em outra ocasião eu provavelmente insistiria em uma resposta concreta, mas nesse exato momento os dois copos de whisky que eu já havia consumido me tornavam mais permissiva.

A partida de sinuca começou, e eu rapidamente percebi que Josh não estava se esforçando muito. Ele estava mais focado em me ajudar a aprender as jogadas e a me dar dicas do que em ganhar. Os outros garotos pareciam se divertir com a dinâmica entre nós.

- Vai, Any! Você consegue! - Caleb incentivava, enquanto Josh me dava instruções em voz baixa.

- Vai com calma, o ângulo está bom... - inclino sob meu braço sob a mesa, seguindo as instruções de Josh - isso, agora só um toque suave no taco.

- Assim? - pergunto, mirando na bola, ele assente e então eu acerto a jogada com precisão. Não posso conter um sorriso, Josh passa um braço em torno dos meus ombros de maneira carinhosa e vejo claramente a admiração em seus olhos.

Naquele breve momento, pude ver a sinceridade e o entusiasmo brilhando neles.

- Eu disse que ela era boa, não disse? - Lamar brinca com os outros garotos.

- É verdade, ela está surpreendendo - Dean concordou, observando a partida com interesse.

A partida continuou, e a cada jogada, a minha confiança aumentava. Josh e eu estávamos em sintonia, trabalhando juntos para tentar vencer os outros garotos.

- Caramba, olha só esses dois, acho que tem algo rolando ali além do jogo - ouço Caleb sussurrar para Dean.

-Ei, eu ouvi isso - reclamo.

- Não está mais aqui quem falou.

A medida que a partida se desenrolava o clima de competição aumentava. Os rapazes eram mais competitivos do que eu imaginava e, bem, eu e Josh não ficávamos para atrás nesse quesito.

Chegava a ser irritante ele tentando me orientar em alguns momentos em que eu tinha certeza do que estava fazendo, tive vontade de quebrar o taco na cabeça dele, mas para a sorte dele eu não fiz isso, na maior parte das jogadas eu mantive a calma e segui suas orientações.

Finalmente, chegamos à última jogada, e a mesa estava praticamente limpa. Olhei para Josh, que me deu um leve aceno de cabeça, indicando que era minha vez. Ele jogava muito bem e entendia das estratégias, era bom tê-lo ao meu lado, não precisava de muita coisa além do seu olhar no meu para passar segurança.

Respirei fundo e mantive a concentração, ajustando a posição do taco e analisando cuidadosamente a mesa. Era a chance para finalizarmos a partida com chave de ouro.

- Vai com calma, Any, você consegue - Josh sussurrou ao meu lado, me incentivando.

Acenei levemente com a cabeça, mostrando que tinha compreendido suas dicas. Então, com um movimento preciso e controlado, acertei a bola branca para atingir a bola colorida e, com um toque suave, a direcionei para o canto da mesa.

A bola rolou suavemente, seguindo a trajetória, e ao bater na borda, desviou-se para o ângulo perfeito. Todos acompanhavam com os olhos arregalados, e um sorriso nervoso escapou de meus lábios.

Prendo o ar em meus pulmões.

E então, com um "clique" suave, a bola colorida se encaixa no bolso, seguida pela bola preta, encerrando a partida.

Consegui acertar! Solto todo o ar, suspirando em alívio.

- Muito bem, Any! - Josh exclamou, animado com minha jogada.

- Nós ganhamos! - grito em êxtase e viro em sua direção tão empolgada que mal sei dizer se fui eu quem joguei meus braços em torno do seu pescoço ou se foi ele quem os envolveu em torno da minha cintura.

Tudo que sei é que eu o abraço com força e o rapaz agarra meu corpo com firmeza como se dependesse daquilo para respirar. O aperto de seus braços contra o meu corpo transmitiam segurança, calor e quase fizeram com que minhas pernas bambeassem. Ele me segurava com tanta firmeza que acabo ficando nas pontas dos pés por alguns rápidos segundos.

Nos afastamos assim que percebi que haviam pessoas nos observando. Porém, a proximidade dos nossos rostos era inevitável e, por um instante, pude sentir sua respiração próxima à minha pele, causando um arrepio sutil.

Caleb assobiou, chamando nossa atenção, pude ver que ele estava se controlando para não fazer um comentário sobre o quê acabara de presenciar.

- Seja lá o que vocês estão pensando em dizer, não digam - adverte o loiro em relação a comentários engraçadinhos por parte dos seus amigos.

Caleb parece entender o recado pois realiza um gesto de zíper sob a boca. Krystian joga os ombros para trás, sem dar muita importância enquanto Lamar solta uma gargalhada parecendo achar graça da situação.

- Foi uma jogada impressionante, Any. Você se saiu muito bem - Elai elogiou, mudando o foco do assunto.

- Obrigada - respondi, sorrindo, sentindo um misto de felicidade e tentando não parecer constrangida após o abraço com o Beauchamp.

Os garotos continuaram a partida entre si. Josh e eu nos afastamos um pouco, em direção a uma sacada vazia, a qual nos permitia ter uma privacidade maior.

- Bom, acho que posso dizer que foi um prazer vencer uma partida de sinuca ao seu lado, Senhor Beauchamp - brinco, dando um tapinha em seu ombro.

- A vitória foi toda sua, Senhorita Soares - ele responde, devolvendo o tapinha.

- Então... Acho que a gente não se mata mais ao olhar um para o outro - comento e aproveito para roubar o copo de bebida que estava em suas mãos.

- Parece que estamos evoluindo para algo menos hostil, não é? - diz pegando de volta o copo - é estranho. Eu meio que gostava da nossa troca de farpas.

- Só para constar, eu ainda te acho um idiota e eu ainda te odeio - puxo o copo de volta para as minhas mãos, o garoto me encara por alguns segundos e deixa um sorrisinho travesso escapar de seus lábios.

- E eu ainda acho que você é uma riquinha mimada - provoca.

- Fala sério, já tivemos essa conversa e você não acha não - o desminto e ele joga o pescoço para trás, se dando por vencido.

- Tem razão, não acho. Assim como você também não me odeia - retruca.


- Vou ter que discordar de você, Josh. Eu realmente te odeio - digo com um leve sorriso no rosto.

- Ah, sei... Então por que você está aqui, ao meu lado, aproveitando a vista? - retruca, com um olhar divertido.

Reviro os olhos e me acomodo no parapeito da sacada, olhando para o horizonte. O rapaz se apoia ao meu lado, observando as estrelas.

- Talvez porque a vista seja tão bonita que valha a pena - respondo com convicção e olho rapidamente para ele, nossos olhares se encontram e então eu já não sei de qual vista estou falando.

Do céu, das montanhas ou do Beauchamp.

Estávamos próximos, eu nem havia percebido o quão próximos estávamos. Tive vontade de agarrá-lo ali mesmo, de beijá-lo sob a luz das estrelas e sob o ecoar dos ventos.

Céus, o que eu estou pensando?! O efeito que dois copos de whisky podem causar é impressionante!

Me convenço disso, mas já não tenho tanta certeza quando as mãos dele envolvem minha cintura e me puxam em sua direção. Sua pegada firme faz com que eu arfe, com que eu perca completamente chão e o juízo.

No entanto, um barulho nos interrompe, movo a cabeça em direção a porta de vidro que acabara de ser aberta. Era Sina, nos olhando com uma expressão assustada.

- Desculpa... eu não queria interromper. É que a Sabina está passando mal - meu coração dispara rapidamente.

- Onde ela está?

Sina aponta para o corredor, e eu a sigo rapidamente, torcendo para que a situação não seja tão grave.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top