13

Quando despertei na manhã seguinte, além de uma pontada fraca de dor acima dos olhos, a segunda coisa que senti foram as memórias da noite anterior retornando como um furacão.

Josh e eu estávamos juntos em seu quarto, mais especificamente na sua cama e... caramba, havia muita proximidade entre nós. O pior de tudo é que, de certa forma, eu me sentia estranhamente atraída por ele, é fato que sua boa aparência ajuda, mas conversar com ele é tão bom quanto olhá-lo.

— Não posso estar começando a virar amiga daquele babaca — percebo que acabei de dizer isso em voz alta, quando o rosto curioso de Sabina invade meu campo de visão após ela ter se jogado na minha cama — saía de cima de mim, sua louca.

— Só quando você me contar o que aconteceu ontem — ela exibia um sorriso tão grande que até me questiono sobre como coube em seu rosto — então você e o Beauchamp são amigos agora?

Amigos. Ouvir aquilo soava estranho aos meus ouvidos. Nós dois não éramos exatamente o melhor exemplo de amizade, estaríamos mais para duas pessoas que se odeiam profundamente do que qualquer outra coisa, porém, depois de compartilharmos tanto um com o outro na noite anterior, também não éramos mais completos desconhecidos.

Definitivamente havia algo, mas não alguma coisa que possa ser claramente descrita. 

— Colegas — respondi, talvez aquela fosse a melhor definição que eu poderia dar para a situação — e não, não aconteceu nada entre nós, se é isso o que está querendo saber.

— Tá, a senhorita está me dizendo que passou praticamente a noite inteira no quarto dele e são apenas colegas?! — havia um tom de indignação e frustração em sua voz — sabe que eu não acredito nisso, né?

— Eu não disse que passei a noite inteira no quarto dele — me defendo enquanto passo por cima de Sabina para poder sair da cama.

— Mas eu nem vi o horário que você entrou no quarto — retruca.

O pior é que era verdade, a garota provavelmente estava em seu sétimo sono quando entrei de madrugada, isso tudo porque as nossas conversas acabaram fluindo mais do que eu imaginei.

— É, talvez porque o seu corpo ainda estava sob o efeito dos medicamentos para dormir! Não significa que eu demorei lá — minto descaradamente e então adentro o banheiro o mais rápido possível para fugir de suas perguntas.

O que eu diria a Sabina? Como olhar para a minha amiga e dizer que eu gostei de conversar sobre assuntos mais profundos com Josh e que em por um instante, mesmo que rápido, cogitei a ideia de beijá-lo?

Balancei a cabeça para afastar aqueles pensamentos ridículos e terminei de realizar minha higiene matinal. Saí do banheiro e rapidamente me arrumei, enquanto tentava fugir ao máximo possível das perguntas de Sabina. 

Nem eu mesma sabia descrever o que havia acontecido, culpar o álcool parece uma péssima desculpa quando você sabe que a responsabilidade das suas ações é toda e inteiramente sua. Apesar de estar fora do controle, eu sei perfeitamente que o que me causou aquelas sensações de frio da barriga não está nem um pouco ligado ao vinho. 

Talvez eu devesse nomear como Efeito Joshua...

— Inclusive, está se sentindo melhor hoje? — pergunto para Sabina no momento em que saímos do quarto para irmos tomar o café da manhã.

— Tive alguns sonhos estranhos, mas pelo menos consegui dormir melhor.

— Quais sonhos? — perguntei, apesar de querer ouvir a resposta da Hidalgo, minha cabeça ainda parecia estar na noite de ontem. 

— Havia uma tempestade, não sei ao certo — ela parece pensar um pouco antes de continuar o raciocínio — eu vi muitas criaturas estranhas e muito sangue.

— Parece cenas de livros — voltei minha atenção para a conversa, tentando situar meu foco apenas ali — será que você teve febre durante o sono ou algo assim?

— Não faço ideia — deu de ombros — só sei que foi assustador.

Adentramos o refeitório, ficamos cerca de dez minutos na fila, a qual estava lotada. Essa é a principal razão pela qual eu odeio filas e as vezes, as pessoas passam mais tempo na fila do que, de fato, comendo.

Quando finalmente chegou a minha vez, me servi com algumas panquecas, pães e geleia de morango, o dia estava mais quente que o normal, então optei por um suco fresco de laranja. 

Olhei ao redor procurando por alguma mesa vazia, aparentemente o horário do café manhã é o momento em que o refeitório está mais cheio, já que é sempre uma luta para que dê tempo tomar café antes do início da aula, ninguém deseja levar uma advertência por se atrasar. 

— Estão todas cheias — reclamo com Sabina, que vinha logo atrás de mim.

— Vamos nos sentar com a Deinert — provoca, revirei os olhos sabendo que aquela seria a melhor opção, visto que nenhum dos nossos amigos estavam ali e sentar na mesa de um completo desconhecido estava totalmente fora de questão.

Relutante, acompanhei Sabina até a mesa em que os dois pombinhos estavam sentados.

— Olha quem veio nos fazer companhia! Ao que nos deve a honra de tão inegualavel presença? — Josh ironiza.

— Todas as mesas estão cheias, então queira ou não, iremos nos sentar aqui — resmunguei puxando a cadeira e me acomodando ao lado de Sina. 

— Bom dia, meninas! Fiquem a vontade — Deinert diz em meio a um sorriso radiante, ignorando as palavras ásperas do amigo ou seja lá o que ele for. 

Por que ela está sorrindo? Essa é uma pergunta que requer duas teorias interessantes, primeira: ela só é extremamente simpática com as pessoas, mesmo na hora do café da manhã, que é um momento em que todos querem ir para o quarto, se enrolar no cobertor e voltar a dormir. E a segunda teoria: aconteceu alguma coisa para deixá-la nesse estado de felicidade.

Meu olhar se desviou de Sina, para o garoto ao seu lado, apesar de sua mesma postura folgada de sempre, eu podia ver que ele também parecia estar de bom-humor. Será que teria acontecido algo entre os dois? Foi esse o outro questionamento que surgiu, um tanto quanto desnecessário, porém eu não conseguia controlá-lo.

Não é como se eu me importasse com que os dois faziam, de qualquer forma, a vida deles não diziam respeito a mim.

— Qual o motivo de tamanha felicidade? — indagou Sabina, como se pudesse ler os meus pensamentos.

A loira olhou para o amigo, em um ato de permissão e em seguida, voltou a atenção para nós.

— Josh acertou todas as questões de álgebra — foi essa a resposta — ele entregou os cálculos logo cedo para o professor, que corrigiu no mesmo instante e o parabenizou pelas excelentes resoluções.

Sina relatava os cálculos e as respostas minimamente bem construídas, ela falava com tanto orgulho que por algum motivo acabei sendo infectada com essa energia, pois um sentimento de satisfação também invadiu o meu peito, sem ao menos pedir licença.

Voltei o olhar para Josh, que me encarava como quem esperava a minha reação, quando nossos olhares se encontraram, notei que havia algum tipo de cumplicidade estranha entre nós. 

— Tive uma boa professora — relata, suas palavras fizeram com um sorriso singelo surgisse em meus lábios, sem nenhum controle. 

Porém rapidamente desvio o olhar dele para o meu café da manhã e retorno à minha postura inicial. 

— A Any faz milagres — diz Sina.

— O Beauchamp te pagou quanto para resolver as questões pra ele? — Sabina acrescenta em um tom de brincadeira.

— Se ele tivesse dinheiro — comento enquanto corto as cascas laterais do pão, deixando-as de lado — para falar a verdade, ele ainda está me devendo.

Ele ainda devia me contar a lenda dos objetos perdidos, eu não esqueceria isso tão cedo, há duas semanas que estou me corroendo de curiosidade para ouvi-la.

Ergo o olhar para Josh.

— Posso pagar a hora que você quiser — pisca o olho em provocação — por que você remove? — aponta para a casca que retirei do pão.

— É bem melhor sem ela — dou de ombros — a casca lateral é um tanto quanto dura e sem sabor.

Não acho que todas as pessoas partilhem da mesma opinião que eu, mas quando como o pão, gosto de sentir a textura e a maciez do alimento e a sensação de comê-lo depois de ter adicionado a geleia de morango, é um verdadeiro paraíso. Voar deve ser semelhante a comer pão com geleia. Apesar de eu nunca ter voado, os dominadores do ar descrevem a sensação como libertadora e como um misto de emoções à flor da pele, ansiedade, paz, frio na barriga, felicidade...

Cheguei a conclusão de que voar é igual  comer pão com geleia e comer pão com geleia é igual ao Efeito Joshua.

Há duas razões pelas quais eu prefiro a aula de luta ao invés das de práticas medicinais. A primeira é que, na aula de luta eu posso descontar toda e qualquer frustração que esteja me incomodando e a segunda, é que eu sou uma péssima dominadora da cura. Mesmo Sina estando ao meu lado e me ajudando a nomear os ossos do braço do corpo humano.

— Eu nunca vou conseguir aprender isso tudo — comento com a loira ao meu lado.

— Consegue sim — incentiva arrancando um sorriso irônico do meu rosto, essa aula é um verdadeiro tédio. Principalmente, levando em consideração que todos os outros dominadores de cura possuem habilidades avançadas, ao menos em comparação a mim.

— Any, se me permite, posso lhe perguntar uma coisa?

Isso chamou a minha atenção, até deixei aquela lista de nomes complicados de lado.

— Claro, Sina — digo interessada no assunto.

— Você já mentiu para alguém que você ama? — questiona, senti meus olhos se arregalarem quase que automaticamente.

Essa pergunta foi inesperada, Sina passa a imagem de uma pessoa honesta e amorosa, as vezes penso que ela deve ser algum tipo de divindade perfeita, isenta de erros, nunca achei que escondesse algum segredo obscuro ou algo do tipo. 

— Depende — digo com cautela — de que tipo de mentira estamos falando?

Sina me olha e em seguida, volta a sua atenção para a atividade que deveríamos estar fazendo, percebi que a professora passava ao nosso lado, então fingi estar concentrada na atividade também. De qualquer forma, não é como se eu conseguisse decorar os nomes daqueles ossos mesmo, principalmente após ouvir uma informação contada pela metade.

A loira aguarda a professora ir em direção a outra dupla que também estava conversando e então, prossegue. 

— Não é exatamente uma mentira  — sussurra — e sim uma omissão, mas juro que é por uma boa causa.

Mentira e omissão. A maioria das pessoas não sabem diferenciar, mas eu costumo dizer que a mentira é arquitetada e pensada para ir contra a verdade, enquanto que a omissão é apenas esconder ou não mencionar algo. Porém, o que deve ser colocado em pauta, é que o ato de omitir uma informação, também é realizado de caso pensado, também é arquitetado. E pode machucar tanto quanto a outra. 

— Se é por uma boa causa, por que está mentindo então? — pergunto de uma vez, percebo de imediato que o tom da minha voz saiu como uma acusação e não como um questionamento. No entanto, Sina não demonstrou nenhum incômodo, talvez ela partilhe da mesma opinião que eu.

— Não sei  — suspira — acho que tenho medo de que ele não entenda o meu lado, que ele não entenda que eu só quero ajudá-lo. Ao mesmo tempo em que tenho total consciência de que essa história de omitir informações nunca termina bem, é assim nos livros em que leio. 

E esse é o maior erro das pessoas, querer abraçar o mundo e esquecer das suas próprias convicções e princípios inquestionáveis apenas para se adequar às vontades de outrém. Ainda que feito de boa fé, se tem uma coisa que aprendi convivendo com pessoas egoístas durante toda a minha vida é que em algumas situações você também precisará agir de modo egocêntrico. Não quer dizer que não se importe e sim, que se prioriza, algumas coisas simplesmente não valem o preço que cobram. 

— Não podemos ajudar todo mundo, é impossível — dizer isso para a Deinert era o mesmo que dizer para uma parede, porém, como amiga, era o meu papel aconselhá-la. E a decisão de seguir ou não o meu conselho, seria inteiramente dela.

— Eu sei, mas de verdade, é por uma boa causa — justifica e sem sombras de dúvidas, nesse momento eu tenho a certeza de que ela não seguirá o meu conselho.

— Então porque não diz isso para ele? Ou prefere que ele descubra sozinho? — minhas palavras fazem com que Sina fique mais branca que o normal — se está escondendo algo tão sério assim de alguém que você ama, talvez é porque você não se orgulhe do que esteja fazendo.

Era uma verdade cortante, mas ainda assim, era a verdade. E ela sabia disso, pois se manteve em silêncio.

Hesitei um pouco antes de continuar a dizer o que estava presa em minha garganta.

— É do Beauchamp que estamos falando, né? - pergunto de uma vez, ela olha rapidamente em minha direção antes de confirmar com a cabeça — Escondendo coisas do seu namorado, que feio, Deinert.

A minha última frase foi com a intenção de deixar o clima um pouco mais leve, no entanto, Sina arregalou os olhos rapidamente como se tivesse visto um fantasma em sua frente ou como se eu tivesse confessado ter cometido um dos piores crimes do mundo.

— Namorado? O Josh não é meu namorado — ela tinha uma expressão divertida no rosto, de repente, aquilo fez com que eu me sentisse um pouco boba — de onde você tirou isso?

Não acredito que passei semanas acreditando que os dois estavam em algum tipo de relação!

Engulo o seco sentindo uma pontada de vergonha enquanto Sina continua a espera de uma resposta. 

— É o que todo mundo diz... eu ...  e eu achei que... — minha voz falha e eu começo a gaguejar, então balanço a cabeça tentando organizar as palavras antes de dizê-las em voz alta — você estava falando dele aquele dia em Brastiya. 

Sina joga a cabeça para trás, tentando se controlar muito para não deixar escapar uma gargalhada. 

— Não, pelo deuses! Lógico que não. O Josh é praticamente parte da minha família, isso seria muito nojento. Eu não estava falando sobre ele — faz uma pausa e sua expressão divertida parece sumir um pouco — e sobre a outra pessoa de quem eu falava, também não temos nenhum relacionamento, nem perto disso.

Sinto minhas bochechas arderem de vergonha, por sorte, o tom da minha pele não é claro, então não fica tão perceptível assim. Não acredito que confundi toda a situação dessa maneira...

Porém, se Sina não estava falando do Josh aquele dia, a pessoa ao seu lado era o Noah. Ah, pelos deuses! Agora faz sentido a história da omissão.

Não tive tempo de questioná-la mais sobre essa história, precisei correr para terminar a atividade e entregá-la para a professora a tempo. Comecei a ficar um pouco preocupada quando vi todos terminando e eu não estava nem na metade ainda, acabei tendo que ver todos indo embora da sala antes de mim e ainda, de bônus, recebi um sermão da professora por estar distraída em meio a uma conversa paralela, ao invés de estar focada na lição. 

Era só o que me faltava... Que culpa eu tenho se não tenho talento nenhum como dominadora de cura? 

Guardei os materiais na mochila e saí rapidamente da sala, aquela mulher já havia me estressado o suficiente. Ao virar o corredor com pressa percebo de imediato que isso não foi uma boa ideia, pois acabo esbarrando em alguém e quase caio no chão ao colidir com aquela parede de músculos.

— Que droga, Bailey! Olha por onde anda — resmunguei.

— Mil perdões, Anyzinha — diz rapidamente enquanto confere meus braços para ver se ainda estou inteira —  é que eu preciso levar isso urgentemente para a biblioteca, mas também marquei um treino extra e os garotos devem estar me esperando há horas — diz rapidamente e eu quase me compadeço com o seu desespero. 

— Ok, só toma cuidado da próxima vez — aviso, mesmo sabendo que ele não era o único que estava andando rápido por aí, mas já que decidiu assumir a culpa, por mim tudo bem.

— Caramba! Já que você está aqui, acho que isso vai ser a minha salvação, tem como levar esse livro lá na biblioteca para mim? Faz umas duas semanas que eu esqueci de entregar — pergunta e antes que eu responda, ele já coloca o objeto em minhas mãos — vai quebrar um galho enorme, obrigada Anyzinha!

— Mas... — abri a boca para me opor, porém ele já estava longe. 

Só podia ser brincadeira.

Respirei fundo, tentando manter o resto da paciência que ainda havia em meu corpo e dei a volta em direção à biblioteca. Algumas pessoas se aglomeravam na entrada, por isso preferi passar direto para o fundo, onde não havia praticamente ninguém, apenas uma prateleira cheia de livros que deviam ter milhares de anos. 

Coloquei o livro na estante e quando estava pronta para retornar ao meu destino inicial, ouvi passos rápidos vindo em minha direção, meu coração começou a bater mais rápido, como se a minha intuição gritasse algo em meus ouvidos. 

Perigo...

Se esconda, Any.

Talvez eu estivesse ficando maluca, mas a cada passada, as vozes pareciam gritar mais alto em minha cabeça.

Olhei ao redor e tudo que vi foi uma porta que levava a salinha de limpeza, então obedeci as vozes e entrei no pequeno cômodo escuro, fechei a porta atrás de mim e fiquei o mais encostada possível para conseguir ouvir a conversa. 

— Maldito livro! Não estou encontrando — era a voz de uma mulher mais velha, ela falava baixo.

— Tenho certeza de que não está aqui — e a segunda voz, sem dúvidas, era de um homem. Talvez fossem dois professores conversando?

Tentei espiar por uma pequena brecha que havia na porta de madeira, entretanto, mesmo fechando um dos olhos e fazendo um esforço enorme para enxergar com o outro, ainda não consegui ver o rosto daquelas pessoas. 

— Ninguém além de nós pode encontrá-lo, seria um desastre se caísse em mãos erradas — o homem voltou a dizer — todos nós sabemos a quantidade de informações disponíveis naquelas páginas. Como isso foi perdido tão facilmente?

Eu definitivamente não deveria estar ouvindo aquela conversa.

— Enviaram errado, não era para estar aqui — justifica a mulher — deveria estar seguro na biblioteca do palácio, mas não o encontramos por lá também, talvez alguém já tenha pego.

— Isso não deveria ter acontecido! Aquelas informações são ultra sigilosas, como conseguirem cometer tamanho descuido?  Sabe o que acontecerá se algum revolucionário colocar as mãos nisso? Estaremos destruídos, haverá criaturas estranhas e sangue por toda parte.

Mesmo com o coração disparado e sentindo as mãos começarem a formigar, me mantive parada, semelhante a uma estátua. Afinal, a sala estava toda escura e qualquer movimento em falso poderia resultar em atrair atenção.

— Eu sei — ouvi um suspiro.

— Sabe mesmo? Tem certeza?

— Sim, eu sei que surgirão guerras se as pessoas descobrirem que os ataques da Floresta foram controlados, muito obrigada por me lembrar — são essas as palavras da mulher. 

As palavras que tiraram o meu chão, meu cérebro parecia ter congelado e minhas mãos começaram a tremer. Eu estava em estado de choque.

— Nunca mais repita isso em voz alta novamente! — o homem a repreendeu, mas o que ele dizia após isso pareciam zumbidos.

Os ataques da Floresta são controlados por alguém. Não são obra de uma entidade maligna ou o que quer que seja. Eles são premeditados.

Apertei os nós dos dedos tentando conter o grito enquanto meu corpo tremia, tentando desesperadamente absorver aquela informação.

Quem mais deve saber disso? O pai do Bailey e da Sabina? O pai do Lamar? Minha mãe?

Meu pai...?

Senti um nó se formando na garganta e uma vontade imensa de chorar, porém contive as lágrimas e dei um passo para trás, ainda sentindo todas as minhas certezas se desfazerem como palavras ao vento. Dei outro passo, ainda assustada e então, colidi contra algo, ele segurou na minha boca para que eu não gritasse.

Meu coração batia em um ritmo acelerado, parecia querer saltar para fora do peito.

Havia mais alguém ali comigo.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top