07

Depois de todo o grupo ter reunido as informações necessárias localizar o lugar onde os ataques aconteceram não foi uma tarefa difícil. Todas as pistas indicavam para um bosque quase na saída da cidade, longe do porto.

Os primeiros sinais do início da noite já apontavam enquanto percorríamos com cautela a mata, o céu estava em uma mistura de dourado com rosa e o vívido azul claro começava a dar lugar à escuridão. Já havíamos andado quase todo o bosque e nem sinal da matilha. Mesmo sendo possível ouvir resmungos de irritação e cansaço a cada minuto que se passava, o grupo continuava com empolgação.

- Eles não estão nessa direção - Sabina parou de andar de repente e nos olhou, aguardando que alguém concordasse com ela.

- Segundo as informações que recebemos eles estão sim - retrucou uma menina de cabelos castanhos.

- Não - balança a cabeça negativamente - vocês não estão sentindo?

- Sentindo o quê? - pergunta um dos garotos mais velhos do grupo, seu rosto marcado por um semblante confuso.

- Exatamente, não estão sentindo nada porque não tem energia nenhuma pra sentir. Eles não estão nessa direção - a Hidalgo recua, indo até uma outra trilha.

- Desculpe, mas as informações que recebemos foram bem claras. Eles estão aqui sim, em algum lugar - a garota de cabelos pretos e traços orientais mantêm a sua foz firme, como quem não está disposta a mudar de ideia.

- Mas até onde eu saiba eles têm pernas, certo? - pergunta Sabina e a menina balança a cabeça em afirmação, sem entender ao certo a pergunta - pois bem, podem ter se locomovido.

Não posso deixar de sentir orgulho da resposta, pelo visto ela aprendeu direitinho comigo. Todos parecem concentrados na discussão das duas.

- Qual é o seu domínio mesmo, Hidalgo? Ah, é mesmo, a senhorita não tem nenhum - provoca.

- Ei - chamo atenção dela e todos olham na minha direção - se a Sabina falou que não estão por aqui é porque não estão. Ela nunca se engana.

A garota parece querer me matar, mas não diz nada, apenas fica em silêncio com uma raiva brilhando no olhar. O clima tenso do local permanece no ambiente por mais alguns segundos até alguém intervir.

- Está ficando tarde, precisamos aproveitar os últimos raios do sol. Vamos dar meia volta, senhorita Jeong, a senhorita Hidalgo está certa, eles podem ter seguido em outra direção - Lamar dizia as ordens em um tom autoritário e ao mesmo tempo, seguro, tentando passar o máximo de confiança para a equipe. Assim como o meu pai fazia com os seus soldados.

Ninguém contrariou as ordens que foram dadas por Morris, afinal, ele estava capitaneando a caçada. Sabina e Lamar seguiram na frente, vi a garota que descobrir se chamar Heyoon Jeong lançar olhares de raiva para eles e para mim, ignorei ao máximo e foquei apenas no caminho que a trilha estava nos levando.

Entramos em um campo aberto.

E então...

Um único estalo.

Foi o que ouvimos, nos viramos alarmados na direção do som, uma moita de folhas se mexeu e em seguida, tudo o que vimos foram as criaturas saltarem em nossa direção. Uma matilha de quase setenta lobos, eram mais do que havíamos previsto e aquilo significava uma clara desvantagem, seria sete lobos para cada uma pessoa.

- ATACAR - alguém gritou e tudo aconteceu rapidamente.

Meus dedos seguraram a espada com força antes de afunda-la na garganta de um lobo, a minha esquerda Bailey lançava bolas de fogo nos que o atacava, ao mesmo tempo em que tentava proteger o Príncipe, o qual continha as criaturas fazendo com que cipós agarrassem suas patas e lançando plantas espinhosas direto em seus corações.

Girei o corpo rapidamente ao sentir um outro quase bater as patas em minhas costelas, desviei do ataque rolando no chão e enfiei a espada em sua barriga antes que ele voltasse para terminar o serviço.

Cortei mais dois ao meio enquanto tentava proteger Sabina que estava concentrada lançando flechas nos lobos mais distantes e nos que voavam em nossa direção. Vi Lamar usar os seus poderes com a terra, soterrando quase dez lobos de vez. Heyoon também usava suas habilidades como dominadora do ar para lança-los em árvores, todos os os outros trabalhavam direcionando suas espadas em uma luta sangrenta.

Eu já havia visto um lobo da Floresta antes em uma das caçadas que fiz com o meu pai. Eles se diferenciam dos demais por possuírem algum tipo de maldição que faz com que suas presas sejam duas vezes maiores que o normal e tão afiadas que uma única mordida é capaz de matar a vítima, além disso, há veneno nelas, de modo que ao entrarem em contato com as veias humanas, se espalham por todo o corpo matando lentamente cada célula viva.

Assassinei mais um. Depois mais dois. Depois três.

E assim uma trilha de lobos começavam a se acumular ao nosso redor.

A essa medida o bosque ficava cada vez mais escuro, o sol estava indo embora, dificultando a nossa visão. Meu corpo inteiro tremia de cansaço e minhas mãos estavam ensopadas de sangue, já tinha dezenas de lobos caídos ao nosso redor mas a cada instante parecia surgir mais. Todos estavam cansados, porém continuavam lutando com determinação, segurei a espada mesmo sentindo minhas mãos arderem com o peso e ataquei mais uma criatura que se lançava no ar.

Enfiei a espada em sua garganta e o sangue jorrou em todas as direções, algumas gotas respingaram em meu rosto, mas já tinha tantas espalhadas por todas as partes que nem me importei. Minha respiração estava pesada e minha cabeça parecia começar a rodar quando uma outra criatura me atacou com tudo, meu corpo foi lançado no chão.

Senti o impacto nas costas, olhei para a espada caída a alguns metros, movi os braços para tentar alcança-la mas a fera começou a correr rapidamente, antes que eu pudesse reagir. Fechei os olhos, pronta para a morte, meu coração batia descompassado enquanto os sons de luta ao meu redor continuavam.

Esperei mais alguns segundos pelo ataque, porém ele não aconteceu.

Morri tão rápido assim ao ponto de nem perceber?

Abri os olhos lentamente e a primeira coisa que vi foi a fera caída ao meu lado, com uma flecha em seu peito e uma estaca de gelo na cabeça. Virei o rosto na direção contrária e quase perdi todo o ar que restava em meus pulmões.

Joshua estava a poucos metros de mim e seus olhos azuis pareciam gelo. Ele estava com raiva. Sabina também estava perto e olhava para mim com um semblante preocupado, ela devia ter sido a responsável por lançar a flecha.

- Você está bem? - estendeu a mão para que eu levantasse.

- Eu não precisava da sua ajuda - coloquei a palma da mão no chão e fiz um esforço para levantar sozinha, todo o meu corpo estava dolorido após o forte impacto nas costas, mas eu não iria demonstrar fragilidade na frente dele. Fiz um sinal com as mãos para Sabina, indicando que eu estava bem e ela pareceu aliviada.

Josh não estava mais na minha frente quando desviei a atenção de Sabina, o procurei com os olhos sentindo uma pontada de arrependimento. Se ele morresse após ter salvado a minha pele, eu nunca me perdoaria.

Porém o que eu vi foi o contrário, Josh estava furioso.

Ele usava suas habilidades de dominador da água para lançar estacas afiadas de gelo em todas as criaturas que restavam, ao mesmo tempo em que criava espadas de gelo e as controlava apenas com o poder do pensamento, elas iam direto ao encontro do corpo das feras, as matando em uma velocidade fora do normal. Em um piscar de olhos todos os lobos tinham sido massacrados, quando o corpo do último caiu no chão, todos olhavam incrédulos para Josh.

Ele havia matado duas dezenas sem nem precisar se sujar de sangue.

Ninguém teve a ousadia de dizer nada quando ele virou as costas para ir embora. Não tinha nada para ser dito.

- HEYOON - desviei o olhar ao ouvir o grito, todos olharam na mesma direção que eu. A garota encontrava-se caída nos braços de Bailey, seu ombro estava jorrando sangue.

Logo já havíamos nos amontoado ao redor dela, seu rosto estava mais pálido que o normal mas ela ainda estava acordada, mesmo com seus olhos quase se fechando.

- Soares, você consegue ajudá-la? - Lamar me perguntou enquanto tentava ajudar Bailey a estancar o sangue do braço da moça. Eu ouvi o desespero na voz dele, porém não havia nada que eu pudesse fazer - você é uma dominadora da cura, me diz que você pode ajudá-la.

- Eu sinto muito, não consigo salvá-la mas posso diminuir a dor - me aproximo da garota, me ajoelhando ao seu lado e envolvo as mãos em torno do seu braço.

Eu sou uma dominadora nível 1, nunca precisei salvar ninguém, nunca treinei para isso, logo não entendo como curar feridos pois esse nunca foi o meu foco. Tudo que conseguia era sentir que estava diminuindo a dor dela.

- Você precisa tentar salvá-la - Morris olhava para mim com seus olhos suplicando por ajuda.

Senti meu coração despedaçar em milhares de partes, o máximo que eu sabia era remover a dor.

- Está tudo bem - a voz de Heyoon estava baixa e fraca, mas conseguíamos ouvir o que ela dizia - não existem guerras sem sacrifícios, Morris.

Sua pulsação estava diminuindo, mas ela ainda respirava. Não tive tempo para me comover com as súplicas de Lamar, minha mente estava trabalhando desesperadamente, tentando ao máximo arrumar uma solução. Trabalhar sob pressão não era fácil.

Lembrei de Alex.

A irmã de Alex.

Havia uma dominadora da cura cuidando dela.

Agarrei esse fio de esperança e soltei o braço de Heyoon, saí correndo a toda velocidade, ignorando os gritos dos meus companheiros.

Minhas pernas estavam cansadas após a batalha, porém precisei reprimir essa sensação no momento em que atravessava o campo, tropecei em alguns lobos caídos e senti alguns espinhos que o Príncipe Noah havia jogado mais cedo entrarem no solado da minha bota. Estava escuro, tropecei nas pedras e nos cipós que estavam no meio do caminho, cai de joelhos em cima de um pedregulho, isso foi o suficiente para que a calça se abrisse em um rasgo e meus joelhos se arranhassem.

Levantei e voltei a correr, apesar da dor e do sangue escorrendo dos meus joelhos, eu precisava alcançar Josh.

- BEAUCHAMP - gritei usando todo o ar que restava em meus pulmões, minha respiração estava fora do normal. Parei de correr quase caindo no chão, por um instante achei que ele não tivesse me ouvido, mas quando o vi sair de trás de algumas árvores e vim correndo na minha direção, uma pontada de alívio irradiou o meu corpo - a dominadora da cura que estava cuidando da irmã do Alex ainda está na cidade?

Falei rapidamente me agarrando em seus braços para não desabar, minhas pernas estavam muito fracas e a essa altura do campeonato eu não me importava mais em não demonstrar fragilidade. Eu tinha que salvar a minha companheira de equipe, essa era a prioridade no momento. Ele percebeu a urgência em minha voz.

- Sim, é a Sina - seus olhos azuis inspecionavam os meus ferimentos - você está ferida.

- Não, mas uma pessoa da minha equipe está e preciso que você nos leve até a Deinert agora - falei e ele assentiu - vou buscá-los.

Virei de costas para voltar a correr, Josh agarrou meu braço novamente antes que eu pudesse dar qualquer passo que fosse.

- Eu vou no seu lugar, fique aqui - manda e me preparo para discordar, ele revira os olhos já parecendo prever o que eu diria - droga, Any. Será tem como você me obedecer ao menos uma vez?

Pensei em dizer que não, entretanto naquele momento ele correria mais rápido que eu. E cada segundo era importante para manter Heyoon viva.

- Tudo bem - permiti que ele fosse - Josh, seja rápido.

- Eu te prometo que a sua companheira não vai morrer para esses lobos - ele segurou meus braços mais forte enquanto dizia isso, vi a determinação em seu olhar e aquilo me deu forças para assentir. Ele saiu correndo, veloz como um leopardo.

Heyoon não tinha sido a pessoa mais agradável comigo ou com Sabina, porém eu também não podia permitir que ela morresse. Ainda mais sabendo que eu tenho poder para salvá-la e simplesmente não consegui fazer isso.

Eles voltaram mais rápido que eu previa, o Príncipe tinha criado uma erva que estancou o sangramento de Heyoon, porém o veneno ainda corria em suas veias. Corremos até a entrada do bosque, onde havíamos deixado nossos cavalos e cavalgamos o mais rápido possível até Brastiya.

Adentramos a cidade em pouco minutos e fomos até a estalagem da mãe de Alex, onde Sina estava. Um amontoado de pessoas nos olhavam das ruas, elas pareciam assustadas e ao mesmo tempo, curiosas, afinal de contas não é todo dia que se vê um grupo de jovens cobertos de sangue e montados em cavalos caros como aqueles.

Descemos dos cavalos e seguimos Josh até a porta do fundo da estalagem, aquela que dava acesso a cozinha. Em seguida, subimos uma pequena escada de madeira que ficava no canto do cômodo, Josh bateu em uma das portas apenas por educação já que girou a maçaneta antes mesmo de obter uma resposta.

- O que houve? - Sina estava deitada em uma das camas, ela se levantou no mesmo instante ao ver a multidão.

- Ela foi ferida por um lobo - explicou Josh enquanto Bailey deitava a garota em cima da cama de Sina. O rosto da Deinert se encheu de entendimento, ela se aproximou de Heyoon medindo o seu pulso e observando a profundidade do ferimento.

- Você consegue salvá-la? - perguntou Lamar para a loira - tem menos de uma hora que aconteceu, o veneno não deve ter se espalhado ainda.

- Farei o possível - ela respondeu com a voz firme como a de uma curandeira deveria ser. Diferente de mim, ela era muito habilidosa, limpou o ferimento rapidamente com um pano e um tônico que tinha um cheiro forte - vocês podem me dar licença? Prefiro que fiquem aqui apenas os mais próximos, esse quarto é muito apertado e fica difícil trabalhar com tantas pessoas nele.

Ela estava certa, o quarto da pensão era extremamente apertado, meus ombros estavam sendo espremidos entre dois rapazes. Não esperei que ela dissesse duas vezes, saí do cômodo sendo seguida por quase todo o grupo, exceto Morris e Josh que haviam ficado.

Deixei que todos descessem a escada antes de mim, para que eu pudesse sentar sozinha ali no topo, longe da multidão e perto do quarto, assim receberia as notícias rapidamente.

Minhas costas pareciam doer ainda mais, minha mãos estavam latejando após ter dado tantos golpes de espadas e meus joelhos ardiam devido aos cortes. No entanto, a pior dor vinha de dentro, a dor de não ter conseguido. Isso vinha do fato de ter herdado o dom da minha mãe e ele não ser útil para absolutamente nada.

Por que eu não herdei os poderes do meu pai?

Talvez Heyoon tivesse morrido pois eu fui inútil demais para ajudá-la.

A dor da culpa era pior que qualquer ferimento físico.

Sabina subiu os degraus a minha procura minutos depois, ela tinha tomado banho, seus cabelos pretos estavam molhados e ela usava um vestido rosa mais simples que o anterior, ainda assim parecia graciosa. Ela me convenceu a ir tomar um banho, disse que a vila inteira estava festejando com a notícia de que as feras tinham sido eliminadas, eu não apresentei nenhuma resistência enquanto ela me guiava escada abaixo e depois, me levava até uma casa próxima.

A dona da casa não pareceu se importar com o sangue nas minhas roupas quando me envolveu em um abraço apertadoe beijou o meu rosto, agradecendo mil vezes por ter ajudado a afastar os perigos da vila. Ela me ofereceu um banho de água quente e roupas limpas.

Nos despedimos da mulher após eu estar devidamente limpa e trajada com um lindo vestido azul, que apesar de simples, envolvia o meu corpo como se tivesse sido feito especialmente para mim.

Retornamos para a estalagem da mãe de Alex, ao entrar no local todos pareciam estar em festa, tanto os meus companheiros quanto as pessoas da vila que se reuniam por todo o salão, bebendo e cantando como eu nunca havia visto. Aquilo era um bom sinal, significava que Heyoon estava viva e bem.

- Posso ter a honra de dançar com a senhorita? - olhamos para trás, era Alex. A Hidalgo me lançou um olhar de quem pedia socorro, dei um empurrãozinho em seu ombro.

- Vá dançar com o rapaz, Sabi - falei brincando e ela revirou os olhos, mas aceitou a contragosto.

Olhei a cena por alguns segundos, os dois eram engraçados juntos, Alex guiava a dança e Sabina, mesmo parecendo relutante no início, não pôde deixar de soltar uma risada quando ele sussurrou algo em seu ouvido. Encostei em um canto mais vazio do salão.

- Heyoon está fora de perigo - olhei de relance para a pessoa ao meu lado, a Deinert colocou uma mão no meu ombro. Voltei a olhar para a duplinha que dançava no meio do salão - você parece mal.

- Estou bem, são apenas arranhões - dou de ombros.

- Eu não estava me referindo a isso - suspirou - você parece triste, Any.

- Não estou triste, só um pouco decepcionada. É diferente - a última coisa que eu queria no momento era conversar sobre os meus problemas com a namorada perfeita de Joshua. Ela pareceu entender que eu não queria conversa, pois ficou em silêncio - obrigada por salvar a Jeong.

- Só fiz o meu trabalho - responde. O trabalho que eu não consegui fazer - obrigada por ter matado aqueles lobos.

- Eu não fiz isso sozinha - olho para ela, Sina tinha um olhar gentil e compreensivo, ela parecia ler os meus pensamentos.

- Sabe de uma coisa, Any? Eu também senti essa sensação de impotência quando soube que as criaturas da Floresta estavam atacando as crianças e tudo que eu podia fazer era apenas tentar curar os ferimentos, porque não tenho habilidade nenhuma para matar lobos. Apenas para salvar pessoas e ainda assim, algumas eu não consegui salvar a tempo, o veneno já tinha se espalhado demais.

- A irmã do Alex está bem?

- Sim, mas outros não tiveram a mesma sorte - encosta o ombro no meu - o que eu quero dizer é que todos nós temos dons, coisas que somos bons e que não somos. A verdade é que nossos domínios não estão aqui para definir quem somos, eles estão aqui para auxiliar.

- Mas eu sou uma dominadora da cura - meus pensamentos voltam para Heyoon sangrando nos braços de Bailey enquanto Lamar implorava para que eu a curasse - eu deveria ter conseguido.

- As coisas não acontecem como queremos, elas acontecem como precisam acontecer. Se você tivesse focada em curar pessoas do mesmo jeito que eu, provavelmente teríamos um soldado a menos para matar as criaturas da Floresta. A sua ajuda foi importante e a sua determinação é evidente, é graças a você e ao seu grupo que Brastiya está livre dos ataques... olhe ao redor, todos estão felizes e festejando - Sina sorriu para mim e então eu entendi porque Josh havia se encantado por ela

- Obrigada, Sina - não pude deixar de retribuir o sorriso. De certa maneira suas palavras tinham me acalmado e feito com que eu olhasse as circunstâncias de outra maneira.

- Aceita uma bebida? - apontou com a cabeça em direção ao balcão do outro lado de sala.

- Confesso que não seria uma má ideia - respondo.

Caminhamos até o balcão e nos sentamos em um dos bancos de madeira, uma mulher mais velha que pude supor ser a famosa Dona Sebastiana, mãe do Alex, nos serviu uma boa dose de sidra antes de voltar a atenção para os outros clientes.

Dei um gole na bebida, que pareceu ser tudo que eu necessitava naquele momento, o álcool desceu queimando a minha garganta. Nunca tive o hábito de beber.

Meus olhos desviaram do copo para uma cena em particular, um tanto quanto incomum. Não muito longe de nós, próximos a porta da cozinha, Josh conversava com o Príncipe.

Na verdade aquilo parecia mais uma discussão que uma conversa. Eles falavam baixo, porém eu podia ver as expressões de raiva no rosto de cada um.

- Os ânimos parecem um tanto quando exaltados ali - apontei com a cabeça para Sina, ela olhou na direção dos rapazes e quase se engasgou com a bebida.

- Devíamos intervir? - olhou para mim com os olhos arregalados.

- São assuntos de família, eles não vão se matar - dou de ombros - ao menos eu espero que eles não se matem.

Dei mais um gole na bebida. A Deinert olhava para mim.

- O que foi?

- Posso te perguntar uma coisa? - pergunta e eu contenho a língua para não dizer que ela já havia perguntado - conheço uma pessoa que está com os meninos problemas que você, essa pessoa também não gosta dos poderes que tem.

A interrompo.

- Você está se referindo ao Josh? - arqueio uma sobrancelha. Após ter visto ele massacrar uma matilha, eu não diria que ele não gostava dos poderes. Muito pelo contrário.

- Não, não é o Josh - ela se reencosta na cadeira, parecendo um pouco desconfortável com a conversa - é uma outra pessoa que veio me pedir para ajudá-la a melhorar o domínio. Só que eu não sei se devo fazer isso.

Acho que essa não era uma coisa que Sina pretendia me contar, principalmente pelo fato de não nos conhecermos tão bem. Mas depois da garota ter me aconselhado tão bem, eu não podia deixá-la na mão.

- Por que você acha que não deve? - tento arrancar mais informações para poder analisar a situação como um todo.

- É complicado - desvia da pergunta - ele parecia querer muito a minha ajuda.

Ele. Sina deixou escapar e nem percebeu.

- Nós nunca perdemos por ajudar alguém, não é mesmo? - levo o copo a boca e ela parece refletir um pouco, em seguida, balança a cabeça em confirmação com um sorriso meigo no rosto.

- Tem razão.

E o silêncio paira no ar. Volto a olhar na direção dos dois rapazes, eles ainda discutiam.

- Não quero parecer indelicada, porém eu vi vocês dois mais cedo - aponto com a cabeça na direção dos irmãos.

Sina arregalou os olhos e seu rosto ficou vermelho.

- Any, ninguém pode saber disso.

- Fica tranquila, não vou contar. Achei que vocês eram apenas amigos - sirvo mais uma dose da bebida no copo, Sina parecia confusa.

- Amigos? Não, nem perto disso - ela ri - nós nunca poderíamos ser amigos.

Então isso significava que ela e Josh tinham mesmo um relacionamento...

- Não que eu goste dele dessa forma que você está pensando também - completou - o Josh não pode ficar sabendo disso, nunca.

Os olhos da loira pararam nos dois rapazes que discutiam.

- Não vou contar - dei mais um gole na bebida. Dessa vez desceu ardendo mais que das outras vezes.

Sina possuía sentimentos por Josh...

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