Past feelings

Eu não faço isso pelas riquezas

Estou infectado, minha condição

Eu estou sempre na minha cabeça

Estas palavras são minha religião

Eu sou obsessivo por decisão

Eu vou fazer isso até eu morrer

Aposto que você não achou que eu voltaria à vida

Eu faço isso com convicção

Eu escrevo verdades e nunca ficções

Minha doença é o que você alimentou

Eu não posso parar com a minha ambição

Stronger - The Score

Afago os cabelos de Toby que está no meu colo, Manson está dormindo sobre seu peito e eu quase começo a aceitar sua presença, suspiro.

- Temos que pensar em quando formos a Queensland...

- Cain acabamos de sair de uma festa maravilhosa você poderia não citar a guerra? - Toby diz exasperado, puxo seus cabelos. - Ai... Ok.

- Em Queensland temos a vantagem de ser um reino fechado, mas você e Caleb são um problema se quisermos sair sabe? Dormouse e uma pessoa do naipe de Espadas são facilmente reconhecidos.

- E você? - Toby ergue uma sobrancelha. - Você é o "Jaguadarte". - Ele faz aspas com os dedos e depois volta a abraçar Manson. - Como vai se esconder?

- Na verdade, eu sou só um garoto humano. - Sorrio. - Mandrake tinha chifres, asas, unhas gigantes, pelo menos dois metros de altura e cabelos lisos, você consegue ver alguma dessas características em mim, Dormouse?

- Bem, nesse caso você consegue se infiltrar melhor do que a gente. - Ele revira os olhos. - Mas mesmo assim, não sei se poderemos sair de lá tão tranquilos, mesmo você.

- Ahn... - Volto a afagar seus cabelos. - Você acha que conseguiríamos voltar ou quando formos vai ser para ficar?

- Eu não sei... - Toby enrola um dos cachos de Manson nos dedos. - Desde que eu não me funda com o Dormouse acho que tenho uma mínima chance de voltar, caso consigamos... Mas e você? E se Wonderland te prender de uma vez?

- Acho que ela só vai fazer isso quando Alice sair ou renunciar. - Suspiro. - Bem, acredito que você tem uma companhia melhor para a noite, então vou me retirar.

- Sempre tão dramático... - Toby ri e revira os olhos. Ele se senta com Manson adormecida no colo. - Durma duas horas bem. - Ele se inclina para me beijar segurando a bebê e um vislumbre engraçado cruza minha mente, me afasto dele rindo. - O que foi?

- Uma sensação estranha. - Toby ergue uma sobrancelha. - Não é ruim... - Balanço a cabeça. - Você vai achar idiota.

- Cain eu sou idiota.

- Tudo bem. - Sorrio e sinto minhas bochechas quentes. - É só que é como um déjà vu ao contrário.

- Ok, agora eu não entendi. - Toby ri. - Você quer dizer que imaginou o futuro? - Ele arruma Manson no colo e isso me faz ter borboletas no estômago. - Você tá me assustando me olhando assim!

- Eu só imaginei nós dois adultos e... Com um bebê entre a gente, como você estava segurando a Manson. - Me sinto terrivelmente quente, como se estivesse com febre. - Hm não que eu queira ter filhos, sabe?

- Uh-hun... - Toby me lança seu sorriso mais irritante. - Só nos imaginou no futuro, casados e com um bebê entre nós.

- Eu não disse casados, você acrescentou esse detalhe. - Bufo e me inclino me encaixando em seu outro ombro. - Eu disse com você.

- Eu adoraria... - Toby sussurra e me abraça com a mão livre. - Eu amo você.

O beijo e Manson se mexe um pouco resmungando, me afasto dele e sorrio, pelo menos eu vou ter alguém com quem contar ao meu lado por uma vida toda, suspiro e me levanto.

- Até amanhã. - Paro e dou risada. - Essa conversa nunca aconteceu, ok?

- Que conversa? - Toby me olha espantado. - Você querendo se casar comigo e ter filhos? Ah, piada do Abel você sabe, tsc, tsc. - Ele balança a cabeça e ri. - Até amanhã idiota.

Saio saltitando pelo corredor, casados e com filhos, balanço a cabeça que idiota realmente Cain, dou risada baixinho e vou para meu quarto.

XXX

Já é quase natal e nada mais aconteceu nessa casa, a Nonsense não nos diz as coisas, Ângelus sempre me fala que está perto de achar Charles e os treinamentos são a única coisa que não se alterou, mas a novidade foi Abel reaprendendo a andar, com o passar dos dias com ele pude notar três personalidades distintas mais dominantes dele, elas não lembram do que acontece quando outra está no comando o que gera alguns lapsos de memória e conversas que voltam repentinamente, sem Charles ou Vorpal ele não é agressivo, um pouco irritado em uma delas, a outra é calma e confiante, acredito ser o lado mais inteligente dele também e a última fala pelos cotovelos como Toby, essa é a predominante. Eu aprendi nesses dias também que todas elas formam o Abel e que apesar de esquecer algumas coisas ele é muito agradável de se ter por perto, e como ele vem se adaptando a nova perna eu e Lilith estamos sempre por aqui com ele então posso me refugiar nessa enfermaria com o que restou da minha família.

Observo Lilith o guiar devagar pelas barras de ferro que Scorpio instalou no quarto, que vem a cada dia mais sendo dele, a perna mecânica tilinta às vezes, mas Abel disse que ela é confortável e firme, no futuro ele pode usá-la com precisão, caso ele cresça mais vai ser um problema achar outro Scorpio para fazer uma nova para ele em Wonderland, suspiro e escuto batidas leves na porta, ergo as sobrancelhas e troco um olhar com Lilith, nenhum dos nossos bate nas portas.

Ângelus abre a porta devagar, seus cabelos escorrendo e entrando antes dele, bufo cruzando os braços, isso não pode ser coisa boa.

- Estou atrapalhando? - Ele sorri e para na entrada.

- Claro que está. - Abel sussurra franzindo as sobrancelhas. - Você nunca vem aqui, o que quer agora?

- Ele disse tudo. - Lilith o apoia e Abel anda devagar de volta para cama.

- Cain...? - Reviro os olhos. - Como Mandrake ele é o único que gosta de mim. - Ele entra e bate a porta atrás de si. - Vim falar sobre o outro Charles.

- Você achou ele? - Indago rápido. - Quero dizer, você sempre disse que estava perto.

- E estava. - Ele enrola uma mecha turquesa nos dedos longos. - Mas percebi porque Charles se escondia de mim, de uma forma estúpida, eu deveria ter pensado nisso antes.

- E o que é? - Lilith pergunta parando com as mãos na cintura.

- Duas coisas. - Ângelus ergue dois dedos. - Primeiro de tudo Charles, assim como eu e a Nonsense, tem uma casa interdimensional.

- E como vamos fazer para entrar nela? - Indago. - A Nonsense exige algo daqui de dentro, sua casa você e o que podemos fazer para achar ela?

- Você disse interdimensional? - Lilith sussurra. - Quero dizer que eu sabia que tínhamos entradas em todos os lugares, mas existe um meio de ir para outras dimensões?

- Wonderland é uma dimensão ligada a casa Lilith, ela só está selada, claro vocês passaram da última vez, mas agora está bem selada. - Ângelus suspira. - E para entrar na minha casa você precisa de um número como uma chave e eu só o dou para quem eu confio.

- Diga. - Abel fecha a cara. - Diga a chave para sabermos que você confia na gente. - Ângelo arregala seus olhos amarelos.

- 4.233... - Ele fala pausadamente. - Escreva com a ponta dos dedos em qualquer porta e quando a abrir estará na minha casa. Satisfeito? - Abel dá um meio sorriso que talvez eu já tenha visto no passado. - Bem como você se dignou a falar comigo, a segunda coisa que eu tinha que falar era: precisamos de você para achar a casa do velho Charles.

- Eu? - Abel ergue as sobrancelhas. - E como exatamente faríamos isso? Não posso só sair abrindo portas e esmo, posso? O que tem mais? - Abel esperto é a personalidade que eu mais gosto.

- Claro que não. - Ângelus franze o nariz. - Existe um lugar onde a vida humana e do Outro Lado de Carroll se interligam e é em Oxford.

- A universidade! - Exclamo. - Lewis Carroll lecionava lá e...

- Alice... - Lilith sussurra. - Alice o conheceu lá, ele conseguiu mandá-la para Wonderland de lá, significa que não tem só uma entrada para a casa dele como para Wonderland.

Às vezes eu fico surpreso com o quanto evoluímos, não só como irmãos, mas como Lilith cresceu e eu não sou mais tão inteligente assim, sorrio, eu gosto de ter irmãos estrategistas e espertos também.

- Em resumo sim. - Ele se mexe desconfortável. - Temos que ir até Oxford, com sorte achar a qual realidade Charles está ligado, mas caso minha teoria esteja correta você deve atraí-lo de certa forma, a Espada Vorpal, a verdadeira que você nunca pode invocar, deve ter retornado para ele depois que sua consciência foi expulsa.

- Você acha que eu vou poder... - Abel abaixa a voz. - Invocar ou usar ela?

- Não sei. - Ângelus o olha com um misto de raiva e pena. - Entenda, Charles... Hnn o de cabelos brancos, já não podia controlá-la muito bem, quando chegou até você ela era mais forte do que sua própria consciência, foi isso que o tornou tão... Instável. - Ele pensa. - Mas, talvez, eu não estou te dando esperanças, só que Charles pode passá-la para você novamente, assim como fez com o seu antecessor, caso ele queira...

- E se ele não passar? - Indago. - A espada vai escolher outro dono? Ou seu portador atual tem que morrer para reencarnar?

- Ei! - Abel resmunga. - Eu mal cheguei e você já quer acabar comigo de novo? - Dou risada com Lilith, até Ângelus deixa escapar um sorriso.

- Acredito que a espada tem um poder crucial nisso, talvez ela que vá escolher seu próximo portador, afinal, Charles primeiro ainda está vivo, o segundo foi um caso peculiar que acabou reencarnando irmão do seu amante.

- É uma forma de dar fim a esse relacionamento. - Respondo sorrindo. - Jaguadarte agora está muito bem com Dormouse.

- Jaguadarte estaria vivo se estivesse comigo. - Ângelus bufa. - Bem eu já chorei muito pelo passado então não vamos mais tocar nesse assunto, já disse o que queria e estou indo...

- Ahn-ahn! - Abel balança as mãos em frente ao corpo. - Eu quero te perguntar algo. - Ângelo ergue as sobrancelhas e consente. - Você pode achar o tio P.T? - Me viro para ele.

- Nós podemos encontrá-lo, já o visitamos algumas vezes. - Sussurro. - Por que você quer visitá-lo? Ele não te abandonou?

- Claro que não! - Abel bufa. - Ele sempre fez de tudo para me ajudar, disse que no começo fazia isso por nosso pai, mas ele se afeiçoou a mim e... Eu queria ver ele mais uma vez já que eu tenho que voltar.

- Mas caso Alice saia ele pode voltar também. - Sugiro.

- Duvido muito, ele gosta daqui. - Abel sorri. - Assim como acho que o velho Charles gosta.

- De qualquer forma levem isso para os superiores e você trate de melhorar na sua tarefa. - Ângelus torce o nariz. - Ahn, mas fico feliz com o progresso, eu não sou tão insensível.

- Tá. - Abel o espanta com a mão. - Obrigado.

Ângelus revira os olhos e vira fazendo seus cabelos acompanharem o movimento e sai teatralmente, eu queria saber por que esse anjo é tão sentimental... Balanço a cabeça.

- Pelo menos temos uma pista. - Começo. - Sobre o velho e podemos começar de algum lugar agora.

- Não me sinto confiante em encontrar com ele. - Abel murmura. - Mas uma parte de mim sabe que ele me entende e que passou por coisas que eu também passei, então eu preciso falar com ele... E quem sabe conseguir a espada de novo.

- Eu espero que ele queira ajudar. - Lilith murmura. - Não precisamos de mais gente para nos atrapalhar, sabe? - Sorrio. - E quanto à espada temos que conversar sobre isso...

- Você não fica curiosa? - Abel se vira para ela. - Sobre a Copas, quem ela era, o que gostava de fazer ou se tinha algo parecido com você.

- Não. - A expressão dela fica dura. - Eu não quero saber de nada disso, seus reflexos só machucaram vocês, por que ela seria diferente?

- Mandrake me ajudou e acredito que Charles também se redimiu no final, mesmo os dois sendo péssimos antes. - Murmuro e tento falar um nome, mas não me lembro mais dele. - Copas parecia ser muito gentil e amável nas memórias do Mandrake.

- De qualquer forma, não quero me ver cara a cara com Copas. - Lilith bate no seu vestido. - Seu turno Cain, vamos voltar a praticar.

Suspiro, eu espero que ela não se encontre com Copas, não sei o que poderia acontecer e nem quero mais uma pessoa tendo que se libertar de um eco possessivo e dominador de mentes. Afasto esse pensamento e me concentro em ajudar o Abel por enquanto.

XXX

O natal passou sem casa enfeitada ou presentes trocados, apenas um jantar formal com todos os membros da Nonsense, eles só não contavam que juntar todos daria um clima de velório mais convincente do que de natal, no fim nosso único presente foi Abel poder dormir no nosso quarto, um dos guarda-roupas foi afastado e sua cama entrou no lugar.

- Agora nós dormimos? - Ele murmura quando apagamos as luzes.

- Sim idiotinha, só fechar os olhos. - Sorrio me cobrindo.

- Não o chame assim! - Lilith resmunga. - Você quer que eu me deite com você? - Ela sussurra.

- Essa cama só cabe um. - Abel a dispensa, dou risada.

- Eu durmo com o Cain sempre, idiotinha.

- EI! - Abel soa ofendido. - Uhn... Podemos dormir os três?

- Ah, tudo bem. - Me levanto e puxo o colchão para o chão. - Mas só dois colchões, você não vai arrumar a bagunça amanhã.

Lilith desce seu colchão e me ajuda a carregá-lo até eles, para dormir ele tira sua perna mecânica, nos deitamos no silêncio e no escuro com ele entre nós, inevitavelmente me lembro de quando ficamos assim na casa do Dormouse, conseguimos sair vivos de lá e eu sei que mais noites como essas ainda vão acontecer.

- Eu amo vocês. - Bell ri e segura minha mão. - Só queria dizer isso.

- Nós te amamos também. - Sorrio. - Foi bom não ter te matado.

- Cain você é péssimo. - Lilith grunhe, dou risada. - Mas também amo você.

- Ahn caso nós formos atrás do velho e eu não possa mais voltar... - Ele murmura. - Bem, o tempo que eu passei aqui foi muito bom, mesmo tendo sido grande parte em um único quarto, mas vocês fizeram valer a pena.

- Acho que desde que você veio para cá o clima ficou mais leve. - Sussurro. - Bem entre nós pelo menos, eu acho que ficar obcecado não faz bem pra ninguém...

- Cain... Já disse que você não leva jeito pras palavras? - Lilith ri.

- O que será que ele diz pro Toby antes de dormir? "Cara que bom que seus pais te abandonaram, assim eu pude te conhecer." - Me sento e tiro o travesseiro debaixo de mim batendo nele. - Aí tá eu entendi! De qualquer forma, sendo péssimos com as palavras ou não, eu adoro estar aqui.

- Ei vamos dormir logo. - Lilith suspira. - É maravilhoso ter os dois aqui, então vamos ficar quietos pra não brigarmos... Ok? E aproveitar nosso presente de natal que é o Abel aqui.

- Finalmente alguém que sabe o que fala e o faz bem. - Bufo.

Me deito sobre ele e Lilith faz o mesmo, Abel faz sons de engasgo e como se estivesse vomitando, reviro os olhos e me viro de costas o dando espaço, suspiro e fecho os olhos para dormir tranquilamente com meus irmãos.

XXX

Depois de muitas discussões com Marcel, enfim pudemos sair para ver P.T, não me sinto feliz em estar aqui fora, na mansão Thompson era diferente... Ângelus nos trouxe, todos nós, Abel no fim precisou de um par de muletas e usar calça para não mostrar sua perna mecânica, Babel e Barbie brincam com um pouco de neve jogando bolas, Lilith e Caleb estão conversando ao lado de um Toby que olha tudo curioso.

- Parece que eu tenho uma creche. - Ângelus murmura.

- Somos seus queridos alunos, não é mesmo? - Rebato.

- Espero que P.T tenha lugar para mais um circo. - Reviro os olhos.

Ando mais rápido para me afastar dele, a casa de P.T é grande e posso vê-la mesmo do meio da rua.

- A gente tá mesmo nos Estados Unidos? - Toby indaga vindo para perto de mim. - É verdade que o sotaque deles é diferente? Como viemos parar aqui? Wow será que poderíamos ver a Muralha da China? - Dou risada.

- Estamos em Bridgeport. - Explico. - Soube que P.T também já foi prefeito ou algo do tipo por aqui. - Toby volta a olhar as casas.

- A arquitetura é diferente. - Ele sorri. - Eu tô parecendo um caipira, certo?

- Oh claro que não querido, você parece um inglês apenas. - Sorrio mais, Abel se vira e enfia um dedo na boca fingindo vomitar. - E você pare com isso, dessa vez eu fui bom com as palavras.

- Por que eu? - Ângelus olha para cima. - Você se diverte com isso?

- Com quem ele tá falando? - Babel sussurra se aproximando.

- Você caiu ou foi expulso do céu, hein Ângelus? - Lilith indaga sorrindo.

- Olha só cobra, nós chegamos. - Ângelus a responde sorrindo. - Você é bem parecida com a própria com essas atitudes cruéis.

- Não mais do que você... - Abel bufa e toca a campainha.

Meu sorriso desaparece lentamente e sinto meu peito se apertar e se for uma armadilha? É a primeira vez que eu vou encarar o P.T sabendo que ele é o Dodô, eu não sei como reagir, vir aqui sabendo que ele conhecia o Jared já foi ruim o suficiente, agora eu não sei como reagir a ele e a toda a verdade... Aperto uma mão na minha gola e respiro rápido, me assusto com Toby que aperta meu ombro.

- Tudo bem? - Ele sussurra.

- uh-hun... - Murmuro respirando fundo. - Melhor agora.

- Tickety-boo*... - Ele sorri e aperta meu nariz, sorrio.

P.T abre a porta e solta uma exclamação de alegria, pelo menos eu tenho o Toby aqui durante essa visita para me ajudar. 

XXX

*Tickety-boo - não tem um significado exato, mas pode ser uma concordância, de forma bonitinha, ou uma piada. 

XXX

Capítulo atrasado por motivos de minha péssima internet aaaaa pra quem ama Cain e Toby (não tenho um nome de shipp pra eles -q) eu postei um conto que se passa na época atual dos dois, se chama "night school" e tá no meu caderno de Oc's! 

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