New hope
Costumava manter a calma
Costumava ser um tolo
Para cima, para cima nós vamos
Tenho estado subindo e descendo essa estrada
Nós vamos queimar a casa inteira
Burn the House Down — AJR
Taylor sorri e sua cauda segue chicoteando a sua volta.
— Ahn... — Toby começa. — Você controla sua cauda como a gente controla um braço...? Ou um dedo que tem mais precisão...?
— Por favor não me deixe mais constrangido... — Sussurro.
Taylor ri e move sua cauda até o rosto dele e o ergue com a ponta, engulo em seco, Toby parece tão assustado quanto.
— Você até que é bonitinho... — Ela sussurra, sinto meu rosto esquentar.
— Sou? — Toby ri. — Acho que você não entendeu quando eu disse que era a alma gêmea do Cain...
— Ah... — Taylor recolhe sua cauda que volta a bater de um lado para o outro, encaro-a com raiva. — Começamos com o pé esquerdo duas vezes, talvez esse não seja um bom ambiente, vamos dar uma volta?
— Volta? — Caleb sussurra. — Isso não é uma emboscada?
— Se fosse eu não te diria. — Taylor ri, seus olhos quase brilham. — Vamos.
Ela se levanta e seus guardas-costas vão com ela, troco um olhar com os dois e dou de ombros.
— Ainda estou fraco. — Toby sussurra. — É bom que ela não separe a gente se isso for uma emboscada.
— Não vamos ser pegos tão facilmente. — Caleb suspira e se levanta.
Me levanto e saio com Toby para um corredor escuro de teto baixo, o chão é de madeira velha e outras portinhas estão trancadas, no final Taylor nos espera sozinha, ergo uma sobrancelha. Ela sorri e cruza as mãos atrás do corpo enquanto anda despreocupadamente, percebo que estamos em um lugar alto na verdade, caminho até a grade de ferro vendo um fábrica abaixo de nós.
— O que é aqui? — Indago me inclinando mais para frente.
— Uma fábrica de armas. — Taylor responde e se aproxima.
— Não é perigoso? — Toby olha para baixo. — Wow isso é muito legal! Olha aqueles pistões e... — Ele fica sério. — Pra que são essas armas?
— Alice quer modernizar seu exército. — Ela dá de ombros.
— Onde fica a honra de Espadas assim? — Caleb grunhe.
— Não são só armas de fogo, tem armas brancas também. — Taylor bufa e volta a andar. — Espadas, facas e adagas. É uma mão de obra bem baixa para os reinos.
— Como assim? — Pergunto a seguindo.
— Eu disse que ia contar sobre Oddville e bem, por que você acha que o nome da cidade é "estranha"? — Ela suspira. — Quando Copas era Rainha deu esta terra para aqueles que não eram nobres e assim o povo de Paus criou uma comunidade pequena, mas com o tempo outras pessoas e criaturas conseguiam chegar a Wonderland e Copas decidiu que Oddville seria o lugar deles, como pode ver eu não sou bem um "reflexo" humano. — Ela se vira sorrindo para nós, o rabo ricocheteando. — Nós não temos lugares nas cortes superiores, um dragão? Ah esse sim é bem visto, um anjo? Melhor ainda, mas o que fazer com alguém com cascos, chifres e que não tem nenhuma magia?
Toby abraça os ombros, acho que a palavra magia não é muito boa para ele. Taylor desce uma escada de ferro e vamos para o piso da fábrica, aqui soa muito familiar, mas o cheiro de pólvora é diferente do de tecido, cola e solventes. As mesas estão vazias, mas posso ver protótipos de pistolas e armas meio desmontadas, me aproximo sorrindo, Lilith adoraria uma dessas.
— Você usa armas? — Taylor se aproxima, balanço a cabeça.
— Minha irmã na verdade. — Suspiro e penso nela com o Cavaleiro Branco. — Já usei, mas... Foi desastroso. Não pretendo disparar de novo.
Ela me analisa e depois dá de ombros, Caleb olha uma bancada com espadas e Toby gira peças nas mãos sorrindo, me lembro que ele disse ao sr. Thompson que era um relojoeiro e me pergunto se ele queria ser um, talvez fosse seu sonho antes de ir para o orfanato.
Taylor nos mostra mais bancadas, não sei quem trabalha aqui e nem como são, mas todos são habilidosos e criativos. Vejo armas que nem sei para que servem, mas que eu adoraria descobrir.
— Vocês gostam de armas. — Taylor diz sorrindo. — Queria que nos valorizassem assim nos outros reinos também.
— E se... — Me viro para ela. — Eu fosse rei, faria de vocês meus armeiros reais e forneceriam tudo para todos de Wonderland, não ficariam escondidos em um porão.
— Você? Rei? — Taylor ri, encolho os ombros.
— O melhor rei que essa terra já teve. — Toby responde sorrindo. — Copas tentou, Alice destruiu, mas o Cain é o equilíbrio.
Taylor para de rir e seu rabo bate impaciente de um lado para o outro até que para, ela parece estar pensativa.
— Você disse que não eram nada, mas olha essas armas! — Aponto para os projetos. — Poderiam criar um motim e vir conosco derrubar Alice.
— Eles ainda têm exércitos... — Ela sussurra.
— E a Corte do Submundo? — Caleb cruza os braços. — Vocês não conseguiriam mover Oddville?
— A corte do Submundo é diferente. — Ela bufa. — Não somos líderes que conhecem todos, somos mais os caras legais que ajudam os que mais precisam e protegem os pequenos. Mas não somos grandes!
— A generosidade pode ser mais poderosa do que o medo. — Sorrio. — Ok, somos da Terra, eu disse isso, certo? — Ela consente. — Viemos de uma organização que são reflexos, nós fomos meio que adotados por eles.
— Não como membros da equipe. — Toby ri. — Somos mais as crianças que dão trabalho. — Ele se apoia na bancada e gira uma engrenagem. — Mas estamos aqui em missão.
— Minha irmã é Copas. — Ela arregala os olhos. — E meu irmão o Vorpal.
— O da Alice? — Ela franze as sobrancelhas.
— Domamos ele. — Caleb dá um sorriso cruel.
— Vou contar essa pra Lilith. — Toby resmunga.
— De qualquer forma, nós estamos planejando uma rebelião, temos ajuda aqui e no nosso lado. Mas se tivéssemos vocês... Poderíamos fechar uma frente e impedir Alice, tomaríamos o trono.
Taylor me analisa e seu rabo descreve círculos no chão, não parece estar irritada com a gente na verdade, mas sim intrigada.
— E quem assumiria? — Ela indaga. — Você ou a sua irmã?
— Sei que você deve estar pensando que Copas é doida... — Toby sussurra.
— O que? Não! Copas fez tudo por nós, ela nos amava e o Dormouse também, filhotinho de arganaz. — Toby arregala os olhos. — Achou que eu não tinha percebido? Os dois cuidaram muito bem de Oddville até a guerra, depois que Copas morreu o Dormouse nos abandonou também, mas eu não o culpo.
— Aquele idiota não me falou nada sobre isso. — Ele resmunga e bate na mesa.
— Bem, Lilith não quer assumir... — Caleb murmura, engulo em seco. — Não por que ela tenha medo de enlouquecer ou não goste de Wonderland, mas a vida dela é na Terra.
— E você? — Taylor me encara com surpresa. — Por que escolheu reinar?
— Não foi uma escolha 100% minha... Mas, Mandrake me disse que ele deveria ter assumido e como eu que sou sua linhagem tinha poder para assumir se quisesse. Lilith não quer e eu não quero dar esse fardo a minha irmã, Abel e Toby... — Encaro meus pés. — Eles não podem sair de Wonderland, e eu quero ficar aqui com eles.
Taylor bufa e depois desata a rir, sinto meu rosto esquentar e encolho os ombros, fui idiota por acaso?
— Quem diria que o amor reconstruiria Wonderland. — Ela sorri e se vira para as escadas. — Venham, podemos conversar lá em cima, vocês não são tão ruins assim.
Isso é um avanço, eu espero.
XXX
Taylor nos levou para uma grande sala circular onde outras pessoas estavam conversando, o chão é forrado por tapetes diferentes e em uma das paredes existe um mapa encardido de Oddville com marcações dos lugares novos. Na sala existe um homem alto e corpulento de pele negra que fuma um cigarro enquanto nos observa, ele parece bem humano pra mim, ao seu lado uma mulher que tem longas pernas com cascos prateados, seus cabelos caem em ondas brancas a sua volta e com pouco esforço descubro que eles são os pais da Taylor apesar de nenhum ter um rabo. Ainda na sala existe outra mulher usando uma armadura surrada, seus cabelos são cor de rosa e curtos, ela está bebendo em um bar ao fundo com uma garota pequenina que tem asas finas nas costas, achei que tivesse acostumado as estranhezas, mas nunca vi nada igual esses seres.
Taylor volta para perto de nós com quatro canecas e nos chama para uma mesa perto da dos seus pais.
— Aqui é o coração da Corte do Submundo. — Ela diz nos dando uma bebida com espuma, franzo as sobrancelhas. — É xarope de maçã!
— Graças aos céus, Cain fica insuportável quando bebe. — Toby pega sua caneca e bebe um gole.
— Onda exatamente estamos? — Caleb olha em volta. — Não é na fábrica, certo?
— Um lugar que o suborno pode esconder. — Taylor sorri de modo perverso. — A propósito aqueles são meus pais. — Ela aponta sobre os ombros, os dois conversam aos sussurros. — A fábrica é o nosso negócio de família.
— Minha família também tem uma fábrica. — Sorrio.
— Abastados. — Toby resmunga e dou risada. — E outra que tem pais, você e o Caleb são privilegiados.
— E quem seriam seus pais? — Ela pergunta bebendo da sua caneca.
— Ahn... — Caleb fica vermelho, sorrio. — A atual líder da guarda e o antigo general... — Ele bufa.
— Você é de linhagem nobre! — Taylor comenta, a porta se abre e Clare e Kane passam em direção ao bar. — Cain é um riquinho e herdeiro e você?
— Pobre e um zé ninguém. — Toby dá de ombros e brinca com sua caneca. — Nem todo mundo é rico ou vem de família nobre.
— Não somos uma família nobre nem ricos. — Encolho os ombros quando o pai de Taylor se aproxima. — Aqui somos todos pobres, mas alguns têm mais conforto, Dormouse.
— Toby, por favor. — Ele sussurra encarando sua bebida. — Ainda não sou ele.
— Um membro de Espadas. — Ele analisa Caleb que fica vermelho. — Mas e você...? — Seus olhos escuros se focam em mim.
— Sou Cain, Cain Maurêveilles... — Digo e depois percebo que meu sobrenome não tem significado nenhum para eles e pela primeira vez isso me assombra, não vou deixar apenas quem sou como toda minha vida ao assumir este lugar. — Quero dizer... Jaguadarte, sou Cain o novo Jaguadarte.
— Você ainda é apegado a costumes humanos. — O homem ri, deve ser algum reflexo... — Eu sou Malaika e aquela é minha mulher Sephora, Taylor vocês já conhecem.
— Sim senhor... — Sussurro, ele faz uma careta.
— Sem formalidades. — Com um abano de mão ele se senta conosco, me sinto como uma criança minúscula e despreparada perto dele. — O que vocês estão fazendo aqui? Não é todo dia que um membro de Espadas aparece em Oddville nem Dormouse com o Jaguadarte.
— Esses garotos idiotas têm um plano louco. — Taylor diz ao pai. — De derrubarem Alice com a organização humana de reflexos deles.
— Isso na verdade é muito interessante. — Taylor se assusta, seu pai coça a barba espessa. — Me digam o que vieram fazer aqui, podemos ser hospitaleiros, mas isso pode mudar fácil.
Não é fácil falar com a ameaça velada, mas conseguimos nos explicar o melhor que podemos. Falamos de novo sobre a Nonsense, sobre termos ajuda e não só do Dormouse, e por fim da Lilith, Abel e de mim. Malaika ouve tudo com atenção e no final se levanta balançando uma mão para que uma bebida seja trazida para ele.
— Vocês não estão falando tudo, pelo visto. — Ele sussurra. — Mas o que dizem é bom, um tanto esperançoso demais, mas ainda bom.
Suspiro e penso em Rosalinda, eles não são ruins, e se eu contar duvido que Oddville vá avisar Alice que a Rainha Vermelha é uma traidora, podemos ter a Branca ao nosso lado também... Respiro fundo.
— Certo, temos o exército de Queensland ao nosso lado. — Malaika cospe sua bebida de volta e Taylor arregala os olhos prateados.
— Vocês o que?! — Ela guincha. — Por que não disseram antes?
— Porque minha mãe vai matar a gente. — Caleb resmunga.
— A líder de Espadas? — Taylor bate contra as próprias bochechas. — Céus, vocês têm mais do que só o exército de Queensland!
— Não viemos de tudo despreparados. — Sorrio. — Temos a Nonsense também e o velho Charles do nosso lado. — Penso em Ângelus, mas ele estar morto para todos daqui é um dos nossos maiores trunfos.
— Pensei que o velho tivesse morrido. — Malaika murmura. — Mas por que ele decidiu ajudar agora?
— Lilith... — Toby grunhe. — Quero dizer, ela convenceu ele a agir do nosso lado, mas não gosto disso, dele só ter topado porque ela pediu pessoalmente.
— E como você acha que eu me sinto? — Caleb murmura.
— De qualquer forma meu irmão também está com ele, Abel não tem poderes mágicos ainda nem a Espada Vorpal, mas... Mas ele é muito capaz e logo estará aqui nos ajudando.
— E onde está a Rainha de Copas? — Engulo em seco.
— Em outra missão, tentando conseguir mais aliados. — Digo bebendo minha cidra já quente . — Estamos tentando tudo, é nossa cartada final.
Malaika e Taylor ficam em silêncio, depois ele se levanta, encolho os ombros quase pensando que agora sim vamos ser mortos.
— Fiquem por esta noite, o que vocês falam soa como uma utopia, mas eu quero acreditar. — Ele suspira, pisco surpreso. — Vou chamar alguns conhecidos e quero que me encontrem aqui amanhã.
— Ficaremos, mas se em três dias não voltarmos... — Caleb sussurra.
— A mãe dele bota Oddville abaixo. — Toby completa, dou risada.
— Vocês logo vão voltar. — Malaika ri também. — Taylor vai mostrar os nossos quartos de hóspedes para vocês.
Taylor se levanta e fazemos o mesmo, deixando as canecas na mesa, assim que saímos da sala ela solta um gritinho animado e se vira para nós.
— Eu espero que vocês consigam arrancar algo bom dessa reunião. — Taylor sorri, mesmo com a ameaça. — Eu nunca vi o meu pai confiar tanto em forasteiros como vocês, achei só que ia jogá-los no meio da rua.
— Você queria expulsar a gente? — Toby guincha.
— Vocês são meio esquisitos, mas é a primeira vez que tenho esperanças de verdade.
Esperanças, a palavra se dissolve na minha boca como açúcar e isso me faz ter um arrepio repentino, não estamos só tentando arrumar um mal entendido de pessoas que não foram nós que causaram, estamos reescrevendo essa história, sorrio e me deixo ser guiado para um corredor com vários quartos, Taylor nos deixa escolher e com uma última ameaça de morte Caleb nos deixa sozinhos, me jogo na cama de madeira simples e enterro o rosto nos travesseiros.
— O que foi? Nós fomos super bem aqui hoje... — Toby ri, me viro para encará-lo. — Você tomou as rédeas muito bem de todas as situações, quando Taylor pegou a gente, na fábrica quando você disse sobre a generosidade valer mais que o medo... — Ele abaixa o olhar. — Pela primeira vez eu me senti tão impotente sem meus poderes, estava morrendo de medo de tudo dar errado... Eu...
Toby balança a cabeça para evitar chorar e encara o teto baixo, arregalo os olhos e me sento tocando seu rosto, ele se joga em meus braços.
— Nunca tinha me importado com esses poderes idiotas, mas fiquei com tanto medo de dar errado, de colocar você e o Caleb em apuros.
— Você não colocou. — Murmuro o abraçando. — Você nunca colocaria, seus poderes não voltaram porque você se esgotou trazendo nós dois com você, vamos dormir e amanhã tudo vai dar certo.
— Eu espero.
Toby deixa algumas lágrimas escorrerem e eu suspiro afagando seus cabelos. Sei como ele se sente, quando estávamos em casa vir para cá parecia uma coisa que demoraria a acontecer, mas agora que estamos aqui e trabalhando por tudo que desejamos é um pouco assustador. Beijo o topo da sua cabeça e continuo encarando o teto, por hora só invejo a capacidade dele de adormecer tão rápido.
XXX
Amo tanto essa parte em Oddville aaaa ;A; me inspirei muito na estética da trilogia do Povo do Ar (sim a Taylor tem rabo por causa do Cardan) ainda não escrevi muitos capítulos a mais kkkcrying mas espero que meu bloqueio com TR saia logo ;-; e enfim é isso que eu tenho por hoje, vejo vocês no próximo capítulo ♥
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