Legacy
Me faça sair desta casa
Na nossa casa o silêncio é tão alto
Eu nunca vou ouvir uma única palavra, você quer gritar
Oh Deus, você é apenas uma criança
Oh, ele pode ser um pouco invasivo
E eu só quero viver
Paramour — Sub Urban feat Aurora
Encaro os mapas espalhados pela mesa, na casa Nonsense nunca me deixaram tomar café, mas Maaka me trouxe várias xícaras e eu me sinto cada vez mais como o verdadeiro Cain marcando caminhos e rotas de invasão. Em uma mesa na frente da minha tem alguns bonequinhos que usei para simular os exércitos e qual a melhor maneira de atacar, vermelho e branco estão sobre o mapa, mas existem alguns pretos em uma caixinha prontos para serem colocados quando Cain me der notícias sobre Oddville.
— Jeez menino eu não te vejo sair de trás dessa cadeira a dois dias. — Maaka diz abrindo a porta e me trazendo um prato com queijo, carne e pão. — Tem certeza de que não quer sair um pouco?
— Eu não posso... — Suspiro enterrando o rosto nas mãos. — Como estão a Babel e a Barbie?
— Ainda insistindo para que eu as leve pelos corredores pra ver Mira. — Ela se senta, hoje está usando um vestido longo branco de mangas compridas. — Daphne desconfiaria se me visse andando para ir conversar com Mira sem motivo aparente.
— Ela parece um saco. — Pego um pedaço de queijo. — Você fica aqui isolada e longe de todos, não pode simplesmente sair pra dar uma volta e já vai ter um alvo nas costas?
— Acho que vou tirar um pouco do seu café, te deixa bravo.
— Eu posso ser duas vezes pior que isso. — Sorrio, Cain é muito pior do que eu.
— Às vezes eu me pergunto o que fiz em aceitar esse posto. — Maaka abraça os próprios joelhos. — Me prometeram glória, um lugar na corte e sangue e eu recebi isolamento e solidão, talvez eu devesse ter ficado com a minha família.
Perco a fome abaixando meu sanduíche, será que isso aconteceu com meu pai? Ele tinha muitas coisas a manter e uma vida dupla, Alethos disse que ele se afastou por bem, mas qual? Apoio o rosto nas mãos e Maaka me cutuca com uma garra branca.
— Você está pensativo...
— É que... — Suspiro. — Meu pai era chefe da organização secreta de onde eu vim, eu não sabia disso até ele morrer, sabe? Eu sempre achei que ele era um péssimo pai, quero dizer eu estava em uma ilha, abandonado por oito anos, minha irmã ficava sozinha em casa só com empregadas como companhia e o Abel... Ele morreu por culpa do meu pai.
— Parece que ele não era um bom pai de fato.
— Mas recentemente uma pessoa me disse que ele sim gostava de mim, e que tinha medo de que eu me envolvesse com esse mundo, que queria me proteger e a melhor maneira que achou de fazer isso foi se afastar.
— Algumas pessoas acham que estão fazendo o melhor, mas não percebem que isso pode causar dor àqueles que amam. — Maaka suspira. — Acho que entendo seu pai, eu pensei que estaria melhor aqui e olha só o que aconteceu comigo, não posso sair sem ter a cabeça cortada. Maplebell não tem culpa pelas minhas escolhas, mas eu me afastei dela desejando o melhor, um lugar onde pudesse criá-la.
— Ele criou o Nonsense e fez ela se tornar o que é hoje, eu não sei se ele queria que ela fosse maior ou mais forte, mas Oscar também estava envolvido com Wonderland e foi ele que começou essa disputa roubando a Espada Vorpal.
— Parece que ele queria te deixar um legado. — Maaka ri.
— Um legado? — Repito. — Já tínhamos a nossa família.
— É algo mais do que isso... — Maaka balança uma mão. — É criar uma história, ele não queria que você fosse só mais um chefe de família que teria um casamento por conveniência e continuaria com a linhagem. Seu pai queria dar algo maior a vocês, uma organização, um lado e uma família que não fosse a sua de sangue. — Ela penteia o cabelo com os dedos. — Vocês não poderiam fazer isso com as regras hierárquicas antiquadas da família, e outra, ele descobriu o que ficou a muito tempo oculto e longe dos olhos de humanos normais. Oscar abriu portas não só para ele e seu lado, mas para nós que estávamos aqui esquecidos e com uma tirana louca, se não fosse tudo isso, quem viria criar uma revolução para salvar Wonderland?
Pisco absorvendo cada uma de suas palavras e apoio o rosto nas mãos sem reação, se Oscar me amava de longe era por que queria tudo isso? Talvez ele quisesse me manter afastada para que eu não enlouquecesse como Copas, e que Cain não virasse um Mandrake amargurado e recluso, esfrego minhas bochechas. Maaka ri e afaga meus cabelos, ela saí devagar sem falar mais nada, acho que agora vou aceitar aquela pausa, dessa vez eu estou precisando.
XXX
Caminho pela estufa olhando o mural com as rainhas de novo, me sento na base dele e tiro o anel de Copas do bolso, espero que os meninos estejam bem... Olho a pedra vermelha e o giro nos dedos, suspiro e beijo ele. Escuto um barulho atrás de mim e me viro assustada apenas para encontrar Barbie e Babel.
— Maaka disse que achou ter te visto sair da sala de arquivos. — Babel sorri e empurra meus ombros. — Você encarnou o Cain direitinho.
— Alguém tinha que fazer isso, o verdadeiro está arriscando a cabeça como eu estaria.
— Vocês se equilibram. — Barbie ri e se senta ao meu lado. — E então, como está o seu progresso?
— Já sei qual o melhor caminho para trazer o exército de Queensland, mas precisamos ter o apoio de Blanchess confirmado, porque mesmo com isso, ainda levaria três dias de caminhada para chegar aqui e outros dois para Heartsplains porque eles cercariam o reino por trás. Nós só podemos ir depois da primeira semana por causa da Febre do Pólen.
— Com o frio de Blanchess o exército nem precisaria entrar em uma guerra para serem derrotados pela primavera. — Babel suspira. — E Oddville? Se eles nos ajudarem e não matarem os meninos.
— Não diga isso. — Barbie dá um tapinha nela. — Mas é sério e Oddville?
— Se conseguirmos o apoio deles, virão pelo flanco esquerdo de Heartsplains, e nós pelo direito, Queensland estará cercando tudo.
— E quando você se entrega nisso? — Barbie pergunta, ela está usando outro vestido hoje, tão lindo quanto os últimos.
— Eu não sei, mas quando tivermos a certeza de que Queensland estiver a caminho, se nenhuma das outras opções der certo. Aí Mira fica louca e me prende em um calabouço, com sorte atraímos Alice para fora e Queensland ataca. — Suspiro. — Eu não queria matar a Chapeleira.
— O QUE? — Babel guincha se virando pra mim. — Então como vamos conseguir o exército assim?
— Meddi era louquinha de pedra, mas depois que se fundiu a Coelha ela ficou um pouco melhor. E, não sei, eu queria ajudar a Doll! Pelo Bankotsu e o Jaken, eles sempre foram bons pra mim.
— E se não ajudar, só nos complicar mais? — Babel resmunga. — Não podemos ter tudo sempre.
— Eu sei que não. — Suspiro. — Mas me prometa que vamos tentar ao menos isso, se ela tentar me matar então mudamos o plano.
— Isso se ela não te matar antes. — Babel me censura com o olhar.
— Ei! — Barbie resmunga. — Queríamos ver Mira, mas Maaka diz que não é uma boa ainda, nem pelos corredores secretos.
— Esse palácio é enorme e só estamos presas a uma torre! — Sussurro.
— E não temos acesso aos exércitos. — Babel bufa e se estica chutando o vitral. — Mira idiota, podia ter resistido um pouco mais, assim teríamos ajuda.
— Eu queria que o reino tivesse resistido mais... — Balanço a cabeça e me levanto. — Bem, as rotas não vão se traçar sozinhas e eu sou o cérebro do grupo que fica enfiado entre arquivos.
— Eventualmente beijando o Toby quando ele está presente. — Babel ri.
— Ok, nessa parte eu não sou o Cain. — Sorrio e fico vermelha. — O Toby não faz o meu estilo.
— Mas um certo brutamontes sim. — Barbie ri e abraça Babel, suspiro e dou de ombros. — Volte para o quarto quando escurecer ou eu vou lá te tirar daqueles mapas.
— Sim senhora. — Bato continência e continuo meu caminho.
Subo as escadas quando escuto algo diferente, estando aqui a quatro dias eu sei exatamente como o lugar é silencioso, mas isso muda quando uma porta é aberta com força. Corro na ponta dos pés e me escondo na sala de arquivos trancando a porta por dentro, Maaka tem a chave e pode abrir por fora. Espero que Babel e Barbie se escondam nos corredores secretos.
— Cavaleiro idiota branco! — Uma voz estridente grita e o som ecoa, logo seguido de passos rápidos. — MAAKA!
— Estou aqui. — Escuto a resposta curta, eles estão na escada. Meu coração martela e meus instintos me dizem para eu me esconder dentro de um armário, mas minha curiosidade me faz ficar colada a porta.
— Você só tem uma função na droga desse castelo e se esquece dela! — A mulher grita, quase consigo vê-la, a Chapeleira. — Mira está esperando para a nossa reunião.
— É hoje? — Maaka sussurra. — Mas tínhamos marcado para a próxima semana.
— Tínhamos, mas Alice surtou e quer que vamos para lá, você sabe que não podemos por causa da febre do pólen, espero que você crie uma explicação convincente ou ameace ela.
— Você sabe que eu não posso ameaçar ninguém. — Maaka diz com amargura. — Por que não nos negamos?
— Por que você não corta sua própria cabeça? — Ela rebate. — Desça agora ou eu mesma vou me encarregar da sua execução. DESÇA!
Maaka desce, seus saltos fazem barulho e ele finge tropeçar e bate na porta em que estou, a Chapeleira ri.
— Ficou assustado demais, cavaleiro branco? — Ela ri de novo. — Afinal deve ser horrível ser um general de fachada, assim como Mandrake era, cada reino tem sua peça inútil.
— Mandrake não era inútil. — Maaka responde com raiva.
— Você queria que Alice tivesse te escolhido? Mas até mesmo ela viu que você não era útil, agradeça a Mira por ter te acolhido. — Ela ri. — Quem nasceu para ser um peão sem valor nunca vai pertencer a um naipe.
Maaka grunhe e seus passos soam mais pesados, os dois descem e a porta novamente bate, espero contando até cem cinco vezes e abro a porta olhando a escadaria deserta. Desço devagar até a estufa e deslizo para dentro, Barbie e Babel me puxam e sei que elas ouviram tudo também.
— Precisamos subir para a torre. — Babel sussurra. — Vamos pelos túneis, eles podem voltar.
Consinto e vou com ela até aquela parede coberta de flores, ela afasta a entrada e eu e Barbie passamos, espremidas na parede sussurro:
— Alice quer adiantar a guerra, será que descobriu algo?
— Eu espero que não... — Barbie sussurra. — Talvez ela queira ir antes da febre, Toby disse que era Bill que estava segurando o ataque.
— Acho que ela está preocupada com a febre, só uma distração maior vai parar ela. Mesmo que Mira negue agora ela vai insistir. — Babel murmura. — Deveríamos agir agora.
— Mas só temos Queensland! — Rebato.
— Podemos ter Oddville. — Barbie responde. — Escreva para o Cain assim que subimos. Ele pode ter conseguido já!
— Eu vou ter que riscar novas rotas... — Choramingo.
— Temos que agir aqui. — Babel responde, me viro para ela que está séria. — Maaka tem medo, ele é oprimido, mas podemos fazer diferente. — Ela me encara. — Podemos usar uma mentirinha para isso...
— Já temos nossa mentirinha. — Digo franzindo as sobrancelhas. — Barbie é a Lírio e ela veio para convencer Mira a se vingar.
— Essa mentirinha também tem que ser posta em prática. — Babel revira os olhos. — O que eu quero dizer é: você tem que fingir que é o Cain, tem que tomar o exército de Blanchess agora!
— Como eu vou fazer isso com a Chapeleira? — Rebato. — Como vou fazer isso se eu nem sei me portar como um general?
— O Cain também não. — Babel sorri. — Trace suas rotas de novo e tenha em mente esse plano. Primeiro temos que ir até a Mira, depois imobilizar a Chapeleira e tomar o exército e por fim você se entrega.
— Ainda tenho que me entregar? — Resmungo.
— Precisamos de uma isca.
— E se a gente mudar a ordem do plano...? — Me viro pra Barbie. — Te entregamos e Toby vem pra cá, o Cain de verdade assume o exército e voltamos para a casa Nonsense.
— Ainda precisaríamos ter Mira do nosso lado e a Chapeleira imobilizada. — Babel responde séria.
— E Queensland a caminho. — Meu cérebro começa a funcionar com base nos mapas que eu li. — Oh céus se tivéssemos Oddville em movimento também Alice ficaria encurralada.
— Ainda seria uma guerra. — Babel murmura.
— Mas teríamos a vantagem. — Resmungo. — Ainda teríamos chances.
Minha voz ecoa nos corredores apertados, ainda teríamos chances...
XXX
Por segurança, e paranóia da Babel, ficamos na sala secreta acima da torre, escrevo tudo que conversamos no caderno branco. Eu queria ter como desenhar os mapas para que Cain saiba o que fazer, outro motivo por eu me pegar presa ao que a Barbie disse se ele viesse poderia assumir os exércitos e os guiar, Cain saberia o que fazer nesse caso... Eu só sei planejar, mas nunca sou boa em executar.
Me jogo na cama dura e me enrolo na capa de pele que Maaka me deu, será que ele já voltou? E será que conseguiu adiar a ida de Blanchess? Estamos em silêncio, por isso é fácil de ouvir uma batida ritmada que sobe pela abertura na entrada do quarto, me sento e olho para as outras duas, Babel consente e descemos pelos corredores apertados.
Quando chegamos ao quarto dele, Maaka está sentado na sua cama branca, ele está irado e parece destoar do branco do resto do quarto como se nunca tivesse sido feito para aquele lugar.
— Eu mudei de ideia quanto ao que eu mesmo tinha dito... — Ele começa se virando para nós. — Eu quero tomar os exércitos e liderar Blanchess nessa revolução.
Arregalo os olhos, bem, um problema a menos, nem eu ou o Cain precisamos comandar um exército, mas acredito que o que fez ele mudar de ideia não vai, nem de perto, ser algo positivo.
XXX
Mais um capítulo na área hehehe estamos lentamente caminhando pra um final e nossa eu tô me sentindo a Lilith com tantos mapas tendo que arrumar tudo pra esse final :v enfim a falta de planejamento do começo da história me prejudicando aaa mas seguimos firmes e fortes pro final ♥
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