Guarded

Eu jurei que nunca seria como eles

Mas eu era apenas uma criança naquela época

Quanto mais velho fico, mais vejo

Meus pais não são heróis, eles são como eu

E amar é difícil, nem sempre funciona

Você apenas tenta o seu melhor para não se machucar

Older - Sasha Sloan

Depois do treino resolvo visitar Babel, Cain lutou melhor hoje e até conseguiu acertar Jaken acho que lutar com Caleb por perto supre a falta do seu chicote. Estalo os ombros sentindo cada músculo dolorido, mas mesmo assim orgulhosa dos resultados e dos meus avanços, já consigo me defender caso alguém tente lutar comigo, tenho minhas pistolas e se ainda tiver tempo quero aprender a lutar com outros tipos de armas, passo pela cozinha e pego um bolinho o comendo até bater na porta da enfermaria, limpo as mãos no vestido sujo e entro.

- Olha só quem veio me fazer uma visita! - Babel sorri radiante, seu vestido branco cobre o corte e os pontos que estão ali e seus cabelos agora estão curtos e soltos.

- Ainda não acostumei ao seu cabelo novo.

- Como não? Eu fico muito mais charmosa! - Scorpio sai da sua salinha e ri. - Foi o Grifo que me ajudou a cortar.

- Todos precisam de uma mudança de vez em quando. - Scorpio puxa um dos banquinhos e se senta. - Bem e você?

- Eu? - Indago me aproximando e me sento na cama da Babel.

- Nós já conversamos muito, nos conte sobre como você está agora. - Babel sorri. - Eu quase não tenho notícias de vocês.

- Pensei que Barbie te visitasse todos os dias. - Babel fica vermelha. - Bem estamos treinando, Cain apanha muito e é muito ruim, mas não precisa contar isso para ele. - Babel ri.

- E você? Uma dama como você não deveria estar lutando com os outros. - Scorpio comenta sorrindo.

- Não é com os outros é contra Wonderland. - Bufo e me sinto uma criança birrenta. - Mas de qualquer forma eu venho evoluindo e consigo me defender sozinha agora. - Sorrio orgulhosa. - E bem eu tenho que proteger o Bell e o Cain...

- Hn sobre o Abel... - Olho para Scorpio com atenção. - Ele vem evoluindo muito bem também, não tem mais acessos de raiva quando está sozinho e consegue conversar comigo muito bem... Agora.

- Ele sempre foi bonzinho comigo... - Sussurro afastando uma mecha. - Bem e agora com o Cain.

- O idiota do Cain é o que menos vem me ver. - Babel bufa, dou risada.

- Cain sempre está imerso no mundo dele. - Scorpio sorri. - Diga a ele para vir mais aqui Lilith, inclusive se o Jaken o machucar. - Scorpio revira os olhos.

- Cain deveria dar uma surra naquele ruivo. - Babel começa. - Enrolar o chicote no pescoço dele e puxar até ele implorar por misericórdia.

- Não é pra tanto. - Scorpio ri. - Bem Lilith eu queria falar com você. - Ergo as sobrancelhas. - Estive pensando em um projeto, não sou um inventor, mas talvez ligas e parafusos sejam como veias e tecidos, bem... - Ele balança a cabeça e ri. - Estou criando uma perna mecânica para o Abel.

Abro a boca e depois a fecho, passo por cima da Babel ouvindo um gritinho indignado por isso e jogo meus braços ao redor dele ouvindo Scorpio rir e me puxar para perto.

- Tudo bem eu entendi que você ficou feliz. - Fungo e o abraço mais apertado. - Prometo avançar com o projeto assim logo ele estará andando pela casa com vocês e claro a Babel logo menos.

- Eu já poderia estar por aí. - Dou risada e me afasto dele sentando na cama. - Aliás quando eu sair daqui vamos ser imbatíveis.

- Eu tenho certeza que sim. - Sorrio. - E obrigada por tudo Scorpio.

- De nada. - Ele sorri e afaga meus cabelos. - Bem eu vou indo agora, acho que daqui a pouco é a hora da visita da Barbie.

- Nesse caso eu vou também. - Dou risada saltando da cama e Babel fica vermelha. - Bem acho que vou ver o Abel.

- Ele estava dormindo a última vez em que eu o vi. - Scorpio sorri. - Por que você não tira um tempo só para você?

- É uma boa, vá ver como o Dois anda e mande um soco na cara dele por mim. - Babel ri.

- Eu não faria isso. - Penso. - Bem, talvez seja uma boa ver como ele se adaptou a casa, quem sabe? - Sorrio. - Até depois Babel.

Ela acena e Scorpio caminha comigo para fora, o sol vai se pôr logo... Os treinos estão se alongando com o medo da invasão. Scorpio para na escada e se despede de mim, aposto que agora vai subir até o andar escondido bufo e vou pelo meu corredor, subir muito significa esbarrar no Ângelus e eu não quero isso. Bato na porta do Caleb e espero que ela se abra, recuo um passo.

- Ahn Babel mandou um soco. - Ele revira os olhos, mas sorri. - Posso entrar?

- O que te traz aqui? - Ele me dá licença e entro. - Eu ia me limpar... - Olho em volta o quarto dele é tão simples e vazio. - O que foi?

- Você não tem nada para colocar aqui? - Indago me virando para ele.

- Não. - Ele ergue uma sobrancelha. - Não trouxe minhas coisas quando vim para este mundo e na casa da Helena também não tinha nada meu, tenho minha espada. - Ele aponta para a espada em cima de uma mesinha.

- Você gosta de livros? - Sorrio e Caleb pensa um pouco. - Eu posso te indicar alguns, tem uns lá embaixo e eu poderia te empres... Ah droga meus livros não estão aqui.

- E a sua casa? - Caleb indaga fechando a porta, ando até a pequena mesa e puxa a cadeira me sentando. - Você não pensa em ir ver como aquelas pessoas estão?

- Como se fossem nos deixar sair. - Ele se senta na mesa e balança as pernas, pego a espada negra da mesa e a desembainho. - Mas eu gostaria de ver como Can, Ambar e Prema estão, também poderia te emprestar alguns dos meus livros, apesar da maioria ser de contos de fadas... Tem também Oliver Twist, Grandes esperanças e Notre-Dame de Paris* você gostaria! - Passo a espada para ele que a coloca de volta na mesa.

- Acho que em Wonderland só temos livros para alfabetização... Eu nunca ouvi falar desses livros ou sequer li um que contasse uma história.

- Como você é novo talvez Alice tenha escondido os livros para que a história dela não chegue a todos. - Bufo e cruzo os braços. - Mas aposto que você gostaria! É tão sério porque não conhece boas fantasias. - Caleb ri.

- Não é verdade. - Ele pensa e sua mão vai para a bainha da espada novamente. - Meu pai me contava histórias, a maioria ele inventava, mas eram divertidas.

- Você acha que ele chegou a Queensland? - Sussurro.

- Se chegou ou não eu não tenho como saber. - Caleb suspira soltando a espada e se virando para frente.

- Ele parecia muito divertido. - Sorrio e toco sua mão. - Como o Toby mesmo disse: não sei como você é filho dele sendo chato assim. - Dou risada me afastando dele que está vermelho e bravo.

- Muito engraçado da sua parte. - Ele revira os olhos brancos. - Que tal pedirmos para sair? Toby conseguiu.

- Mas Toby tinha uma razão muito boa para isso. - Suspiro.

- E se o anjo fosse com a gente? - O encaro brava. - Eu sei que você não gosta dele, mas ele é poderoso e quem sabe poderia encontrar o velho Vorpal ou sabe-se mais o que.

- Eu não confio nele! - Bato nas minhas pernas. - Ele parece tão falso e distante? Eu não sei explicar.

- Talvez seja porque a Copas não gostava dele e isso se refletiu em você.

- Talvez. - Bufo. - Não sei se confiaria no Mandrake também, vi ele machucar o Cain de muitas formas e bem o próprio Ângelus disse que ele era como o dragão... Talvez seja por isso.

- Mandrake parecia mais triste do que assustador. - Caleb engasga. - Quero dizer pela forma que meu pai falava dele, eu não o conheci e não acho que o Cain seja tão triste.

- Eu acho que ele era sim triste assim como o Cain foi durante muito tempo, sozinho também. Acho que eles sempre tiveram isso em comum. - Penso. - No que você acha que eu sou parecida com a Copas?

- Por que você tá perguntando isso pra mim? - Caleb fica vermelho de novo. - Acho que vocês se parecem fisicamente... E... Talvez...

- Fala logo! - Dou risada e por um minuto acho que ele está passando mal ou engasgado por estar tão vermelho.

- Vocês duas são carinhosas. - Ele murmura e desvia o olhar.

- Carinhosa? - Apoio o rosto em uma mão. - Quando eu li Alice no país das maravilhas eu achei a Rainha de Copas assustadora e doida, ela não ligava para o mundo ao seu redor só com ela.

- Talvez fosse isso que ela queria passar. - Caleb volta a balançar as pernas. - M-mas eu acho que ela era muito boa e carinhosa.

- Ela matava pessoas... - Rebato.

- Talvez tivesse uma razão. - O encaro e ele encolhe os ombros. - Desculpa.

- Por que você está se desculpando? - Bufo e uso as duas mãos para apoiar o rosto. - Talvez eu a veja como vejo Alice e não dou uma chance para quem ela realmente é.

- Isso pode ser uma verdade... - Sorrio e me levanto. - Você já vai?

- Depois eu posso procurar algum livro legal para você pelas estantes da casa. - Caleb consente. - Acho que eu também vou tomar um banho.

- É uma boa ideia, uma dama não devia feder como você. - Acerto um tapa com as costas da mão em seu ombro. - Era brincadeira!

- Idiota. - Bufo. - Uma dama que sabe se defender pode feder assim. - Dou risada e ele ri baixinho também. - Até capacho.

- Até mandona. - Ele sorri ainda em cima da mesa e saio do quarto.

Ando até a minha porta e a abro escutando um gritinho assustado quando encontro Cain e Toby sentados juntos, reviro os olhos e apoio as costas na porta, Toby ri enquanto Cain só fica vermelho.

- Acho que eu tenho que aprender a bater. - Dou risada.

- Seria muito bom. - Cain bufa. - Agora onde você estava?

- Com o Caleb. - Toby ri de novo. - Você não deveria estar rindo Tobias.

- Me desculpa Lily. - Ele fica vermelho. - Argh você fala Tobias como se fosse o Cain, é um mal da sua família e espero que o Bell não seja assim.

- Acho que não. - Me aproximo deles. - Babel te disse para visitar mais ela Cain, você podia ir junto Toby.

- Não fazemos tudo juntos. - Cain resmunga encarando o chão.

- Mas uma visita seria legal. - Toby sorri e me encara. - Ahn, bem, eu... Eu acho que eu vou indo agora... - Ele parece envergonhado, suspiro.

- Eu não me incomodo com vocês dois juntos. - Me sento entre eles. - Acho muito fofo por sinal.

Os dois ficam em silêncio, Toby pensa um pouco e depois sussurra:

- Não mesmo? - Cain se vira irritado para ele.

- Por que eu iria? - Olho de um para o outro. - Vocês estão felizes juntos e acho que você ficou muito tímido comigo depois que começou a beijar o Cain. - Cain me balança pelos ombros, dou risada.

- Achei que você ia estar do lado da Barbie no começo. - Toby suspira aliviado. - Bem eu sei que ela não gosta tanto assim do Cain agora, mas...

- Vocês não precisam ficar se escondendo como o Bankotsu e Jaken, pelo menos não de mim. - Sorrio e Cain me abraça sem falar nada. - Viu? Temos um avanço, o Cain consegue demonstrar seus sentimentos na frente de duas pessoas agora.

- Quem deveria fazer as piadas sou eu. - Toby ri e timidamente me abraça. - Mas obrigado Lily.

Me lembro do que Caleb disse e fico pensativa, será que Copas era de fato carinhosa? Balanço a cabeça e me afasto dos dois voltando a conversar normalmente com o Toby e percebo que senti muita falta disso.

XXX

Meu sonho começa normal e sei que estou sonhando, nele eu estou na minha casa, a mansão Maurêveilles, e puxo uma cadeira para pegar um livro do alto da estante, mas uma voz me faz virar assustada para o lado.

- Eu sinto que tem algo estranho se alastrando... - O homem sentado perto da janela tem cabelos longos presos em um rabo de cavalo negro que escorre por suas costas e chifres grandes, também percebo que aqui não é minha casa. - Algo que está se espalhando pela terra, pelas pessoas, como uma praga.

Me aproximo dele devagar, mas ele não se vira, eu sei seu nome...

- Eu acho que ele já estava infectado antes... - Sua voz é triste e ele parece assustado. - E eu também acho que esta terra é amaldiçoada.

Quando toco seu ombro ele desaparece e agora estou em um salão grande e claro, um palácio! Olho em volta e vejo algumas pessoas de costas arrumando flores e mesas como se fosse haver uma festa, mas uma festa para o que? Caminho pelo salão e pequenas sombras passam correndo... Sombras?

- Você gosta delas, não gosta? - Me viro para trás e agora vejo um homem de cabelos castanhos presos. - Uhn eu nunca soube muito bem o que são.

Ele sorri e olha em volta depois consente como se tivesse escutado algo em resposta, mas só consigo olhar para ele.

- Você realmente gosta de festas.

- Eu não tive muitas. - Respondo para ele. - Meu pai não gostava e o Cain sempre estava longe, às vezes as empregadas faziam um bolo para mim e...

- Só um bolo? - Ele ri. - Sua vida devia ser modesta.

- Na verdade ela era contida, não modesta. - Bufo e apoio as mãos no quadril. - Quem é você?

- Charles. - Ele sorri, arregalo os olhos. - Pensei que lembrasse do nome do seu segundo homem de confiança rainha.

- Rainha?

Agora eu estou em outro salão, um de vidro com um piano branco e aqui dentro cheira a flores... Uma garotinha se senta na banqueta do piano e inspira profundamente.

- Quando eu crescer eu vou poder tocar, não vou? - Ela se vira para mim e tem um rosto bem comum. - Não vou rainha?

- Eu não sei! - A respondo e ando até ela. - Eu não sei tocar.

- Porque você é burra!!! - Ela bate contra as teclas com a mão aberta. - Se fosse como o Cain seria uma rainha inteligente, mas você é burra!

O som me deixa irritada e quando ergo a mão para bater nela me sobressalto abrindo os olhos, Cain recua e me sento percebendo que ainda está escuro.

- Você estava se debatendo e falando coisas... - Ele sussurra. - Está tudo bem?

- E-eu tive um sonho estranho... - Murmuro em resposta. - Eu estava em Wonderland e... E tinha o Mandrake, depois um Charles de cabelos castanhos e Alice me chamava de burra porque eu não sabia tocar piano.

Os olhos dele parecem brilhar no escuro e Cain franze as sobrancelhas ao pensar, por um minuto penso que isso ainda pode ser um sonho.

- Memórias estranhas. - Ele ergue as sobrancelhas. - Você dormiu com o anel? - Levanto a mão assustada e vejo o anel ali. - Isso é preocupante.

- Podia ser só um sonho normal! - O respondo. - Alice falava de você, te chamou de Cain e... E Charles disse que eu sou modesta, e... E Mandrake...

- Talvez tenha sido só um sonho normal mesmo. - Cain balança a cabeça. - Quer que eu durma aqui?

- Não precisa! Olha vamos dormir, ok? Não foi nada. - Ele bufa e volta para sua cama sem protestar, mas sei que está pensando.

Não foi uma memória, foi um sonho só porque eu fiquei pensando no que o Caleb disse, tiro o anel e o bato na mesa de cabeceira me virando para o lado e me enrolando nos cobertores, não quero ter sonhos estranhos agora. 

XXX

*Notre Dame de Paris: também conhecido como O Corcunda de Notre-Dame, é um romance histórico de autoria do escritor francês Victor Hugo, publicado em 1831.

XXX

Ai gente o que falar desse capítulo? Uma fofura, com uns sonhos estranhos pra teorizar, mas uma fofura kjasajsakjs amo como o Caleb é todo adulto e bravo na frente dos outros e com a Lilith fica todo vermelhinho e fofo, eu amo todos os casais dessa história grrr 

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