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Todos saúdam os oprimidos

Todos saúdam as novas crianças

Todos saúdam os bandidos

É a nossa hora de fazer um movimento

É a nossa hora de fazer as pazes

É a nossa hora de quebrar as regras

Vamos começar

Renegades — X Ambassadors

Maaka anda em círculos, me sento em sua cama com Barbie enquanto Babel pega a cadeira da escrivaninha e se senta próxima a nós.

— Aquela... Aquela... — Maaka grunhe e puxa a gola do vestido.

— Alice ou Mira? — Babel sussurra.

— As duas! — Ela bate as botas contra o chão. — Alice nos deu um ultimato e Blanchess tem que decidir se vai a Heartsplains até a próxima semana ou se vai ser considerada traidora e covarde.

— Não existem opções para Alice. — Babel revira os olhos. — E o que Mira achou?

— Está aterrorizada, ela não quer ir para Heartsplains, mas também não quer ser acusada de traição! — Ela afasta os cabelos do rosto. — Então quando não quer tomar uma decisão que vai arriscar sua cabeça, ela deixa a responsabilidade para mim.

Maaka se senta entre nós e apoia os cotovelos nas pernas bufando, penso em tudo muito rápido e nos mapas na sala de arquivos, o que Barbie disse e sobre Cain vir para cá.

— E a Daphne? — Indago me inclinando para ela. — O que ela achou disso tudo?

— Bem, tem algo positivo nessa história é que vamos ter uma única chance de fazer algo. — Maaka se apruma. — Daphne vai a Heartsplains avisar o que decidirmos, isso pode adiar a decisão de Alice de nos condenar por traição, ela vai fazer isso daqui a três dias, a viagem para lá dura um dia para chegar e outro para voltar. — Maaka me encara. — Teremos dois dias para executar um plano que precisamos bolar se quisermos tomar o exército, ter Mira do nosso lado e capturar Daphne quando ela voltar.

— E nesses três dias? — Barbie pergunta baixinho.

— Vou me encontrar com Mira. — Maaka esfrega o rosto. — Teremos reuniões todos os dias, mas vou tentar coletar informações para vocês, quem sabe entrar na outra sala de arquivos... mas vocês vão ter que redobrar a atenção, pode ser perigoso ficar aqui.

— Então... — Sussurro sentindo medo e empolgação. — Vamos ter o exército de Blanchess do nosso lado, vamos ter você como general!

— Não era meu plano inicial, mas sim. — Maaka sorri. — Você é o estrategista, por isso trate de nos dar um plano em três dias.

— Na verdade... — Encolho os ombros. — Não sou o estrategista sou a durona que não sabe quando desistir... — Engulo em seco. — Eu menti pra você, não sou o Cain eu sou a Lilith. — Maaka ri, ergo uma sobrancelha.

— Eu sei! — Ela ri de novo, troco um olhar assustado com Barbie. — Sei desde a primeira vez em que te vi, você estava em frente ao vitral das rainhas olhando para Mira e Rosalinda, mas o nome da Rainha de Copas foi apagado da minha mente desde que você pisou aqui, não foi difícil juntar os pontos depois que você disse que Lilith era ela e Cain namorava um menino chamado Toby que estava com ele em Queensland.

Maaka dá uma batidinha no meu nariz enquanto sorri, minha visão fica embaçada e a abraço, ela ri e afaga meus cabelos.

— Foi mal desconfiar de você... — Babel diz quando eu me afasto.

— Poderia ter entregado as três a muito tempo, mas eu jamais faria isso, vocês são nossa única esperança. — Maaka pensa. — Se quer um bom conselho ainda finja ser Cain para Mira no seu plano maluco, senão duvido que ela vá nos ajudar se souber quem é você.

— Tenho que dar o melhor de mim como estrategista. — Dou de ombros. — ainda não sei como, mas juro que vou conseguir.

— Eu confio muito em você, querida. — Maaka sorri e desliza uma garra branca pelo meu rosto. — Não confio meu reino em qualquer mão, sabe?

— Você vai levá-lo a vitória a Blanchess também. — Sorrio sentindo meu rosto quente. — E eu sei que depois que toda a guerra acabar você vai ser um bom governante.

— Assim como você, eu nunca disse que queria ser um governante, mas isso é futuro, precisamos focar no presente e no nosso plano.

— Agora não, mas vou avisar o verdadeiro Cain sobre o plano.

— Espero que eles também tenham feito progresso em Queensland.

— Na verdade... — Barbie começa. — Eles estão em Oddville tentando algo.

Maaka arregala seu olho bom e pensa, depois abre um sorriso devagar, não sei porquê, mas gosto dele. Ângelus nunca me passou confiança, mas ele é diferente mesmo sendo tão parecido com aquele anjo.

— Vocês são mesmo a revolução deste reino. — Maaka balança a cabeça e sorri. — De qualquer forma, tentem dormir porque daqui para frente temos muito trabalho pra fazer.

Sim, muito trabalho pra fazer e eu nem sei por onde começar, mas acredito que vamos dar um jeito. Sempre damos.

XXX

Maaka não cortou meu café, mas meu corpo sim e agora estou com dor de cabeça e pouco sono. Cain disse que Oddville está tentada a ajudar e eu não podia estar mais feliz, ele vai voltar para Queensland e dar as notícias para Rosalinda e só depois disso pode me dizer se ele, Toby e Caleb vão vir para Blanchess também. Cain tem que descobrir como vai manter a comunicação com Oddville, suspiro com o caderno no colo e a caneta tinteiro nos dedos, uma mancha surge nas páginas abertas, franzo as sobrancelhas.

"Olá bobona..."

As palavras surgem em uma caligrafia infantil e estranha, será que alguém pegou o Cain? Meu coração acelera e minhas mãos tremem.

"O velho Charles me ensinou umas coisas legais" — Solto o ar aliviada e engulo meu choro enquanto as letras continuam. — "Está tudo bem na casa, estão se preparando, Ângelus é insuportável."

Pego minha caneta e escrevo com letras trêmulas "estou com saudades" e a resposta aparece pouco tempo depois.

"Também estou, mas logo estarei em casa." — Franzo as sobrancelhas. — "Amo você."

"Também te amo" escrevo logo abaixo, mas nenhuma outra mensagem aparece, suspiro e esfrego meus olhos. Estou feliz de que pelo menos alguém está seguro e aprendendo algo, suspiro e giro a caneta branca nos dedos, o que eu vou fazer quando estiver em Heartsplains? Alethos disse que quer enfrentar Alice, mas o que eu vou fazer? Enfrentar o Bill? Matar alguém? Me jogo na cama e suspiro, a verdade é que eu estou sempre planejando para o bem de todos, mas não sei qual vai ser meu próximo passo, não sei como vou ficar quando tudo acabar, se vou ficar sozinha sem meus irmãos...

Grito batendo os pés na cama, Barbie e Babel não estão aqui mesmo, meu primeiro passo amanhã é sair dessa torre. Vou explorar esse castelo e ter o máximo de informações que eu conseguir, depois disso eu quero encarar Mira cara a cara e se ela não nos ajudar, bem, não vou estar despreparada e assustada como pensei que estaria. Me viro na cama e fecho os olhos, amanhã eu vou dar o primeiro passo para iniciar essa guerra.

XXX

Quando acordo, Barbie e Babel já estão no quarto, elas estão procurando tudo de útil sobre Heartsplains na sala de arquivos porque precisamos de qualquer fraqueza para vencer. Subo para o quarto do Maaka e o encontro usando uma roupa relativamente simples, ele está com olheiras profundas e cabelo desgrenhado.

— Finalmente vocês acordaram... — Ele suspira. — Estou indo me encontrar com Mira agora, quero que fiquem em alerta, porque mesmo ninguém pisando aqui sem minha autorização não sei se a Chapeleira não vai tentar examinar a torre ou mesmo procurar algo. — Ele olha de uma para a outra. — Tirem os mapas e estratégias escritas da vista e fiquem preparadas para fugir e se esconder ao menor sinal estranho, posso confiar em vocês?

— Claro que pode. — Babel revira os olhos. — Vamos levar tudo para a sala secreta, nada vai ficar aqui.

— Bom. — Maaka sorri e se abaixa puxando as três para um abraço. — Fiquem bem e seguras.

— Nós vamos. — Respondo me afastando dele, que consente.

Maaka desce as escadarias e tranca a porta, o som ecoa escada acima, me viro para as duas.

— Você com certeza tem um péssimo plano. — Barbie suspira.

— Não é um péssimo plano. — Dou de ombros. — Só estava pensando em andar pelo castelo.

— Perigoso, mas tentador. — Babel pondera. — Mas ainda temos que fazer o que ele disse e tirar todos nossos rastros daqui, principalmente da sala de arquivos, ninguém pode ver nossas rotas.

— Isso é verdade. — Olho para a mesa posta. — Assim como a comida, certo, vamos comer porque temos muita coisa para fazer.

Depois de um café da manhã silencioso, arrumamos a mesa, todos os copos e talheres extras também vão ser escondidos no alto da torre, agora que já acostumamos a subir e descer pelos corredores fica fácil fazer isso rápido.

Babel para e escuta ao pé da escada, desce e olha em volta, quando se certifica de que tudo parece perfeito como se nunca tivéssemos pisado naquela torre volta para nos encontrar.

— Por onde você quer começar? — Babel pergunta.

— Não tenho nada em mente. — Resmungo. — Você sabe qual corredor pegar para sair da torre?

— Fica fácil de achar os padrões depois de um tempo, então sim. — Ela dá de ombros. — Eu acho melhor a gente só tentar ver alguma coisa, como está o clima lá fora.

— Provavelmente frio. — Barbie responde.

— Não esse clima. — Babel ri. — Eu quis dizer como as pessoas estão reagindo com a possível guerra.

— Ah... — Barbie pensa. — Vamos ficar bem longe da Mira, certo?

— Com certeza. — Balanço a cabeça afirmativamente. — Então vamos?

Barbie e Babel se olham em uma conversa silenciosa e depois suspiram, sorrio e sigo com elas para os corredores secretos.

XXX

Os corredores por fora da torre são bem maiores, Babel caminha com decisão e consegue nos guiar bem pelos lugares apertados, não sei se eu consigo voltar se não estiver com ela.

— Espera... — Babel sussurra, ela se aproxima da parede e puxa algo que parece uma portinhola. — Olha só!

Me aproximo e olho para fora por dois buracos pequenos, olho um longo corredor inteiramente branco e vazio, na outra parede tem quadros de algumas pessoas.

— Parece uma galeria. — Sussurro me afastando. — Por que está vazio?

— Acho que Mira não tem tempo para apreciar arte agora... — Babel fecha a portinhola. — Eu olhei os mapas antes de vir, se andarmos um pouco mais podemos chegar na sala do trono.

— Não é arriscado? — Barbie murmura alarmada.

— Mira deve estar com Maaka em alguma sala discutindo estratégias, o máximo que devem ter na sala são alguns guardas. — Babel se vira e continua a andar, a acompanho.

Andamos por um tempo até que o corredor se curva e Babel passa as mãos pela parede em busca de outra abertura, é bem mais amplo aqui... Escuto o som de algo sendo puxado e me aproximo dela que abriu uma portinhola menor do que a da outra sala e extremamente baixa, Barbie se aproxima e nos empurramos pra ficar da altura da abertura.

Apoio as mãos na parede e olho para fora arquejando, é realmente a sala do trono, na verdade é um salão enorme com janelas que vão do chão ao teto deixando a luz pálida e nublada entrar na sala, o trono está um pouco a minha esquerda, mas consigo ver que é de vidro e parece gelo. Existem alguns guardas de costas para nós vigiando a porta e mais ninguém... Barbie me empurra para olhar e me afasto pensando.

Blanchess é linda só que é tão vazia e triste, será que Mira é assim também? Me levanto e espero elas olharem e fecharem a portinhola, caminhamos para uma interseção e Babel sussurra:

— E agora? Voltamos?

— Acho que sim... — Murmuro. — Não podemos fazer muita coisa sem um plano.

— E andando por aí te deu ideia de algum? — Barbie indaga.

— Vou ter alguma coisa até voltarmos. — Sorrio dando de ombros. — Não podemos só chegar assim e aparecer pelos corredores, tem guardas para todo lado aqui fora.

— Para Mira não chamar eles teríamos que isolá-la em algum lugar remoto. — Babel pensa. — Como a galeria...

— Não. Muito vazio e ela não teria conforto algum. — Ela revira os olhos. — Ei! Não somos tão cruéis! Temos que prendê-la em um dos quartos.

— E depois? — Barbie indaga. — Como vamos manter os guardas longe?

— Maaka eu diria... — Resmungo pensando. — Se ele pudesse tomar o exército, era só inventar uma desculpa sobre Mira e ele estaria no controle.

— E a Chapeleira? Ela é nosso maior problema no momento, conseguiríamos conter a Mira ou convencê-la de nos ajudar, mas a Chapeleira é aliada da Alice, ela é nossa inimiga.

— Sabemos que ela não tem contato direto, pelo menos. — Barbie responde.

— Não sei, acho que ela tem sim um sistema de alerta. — Babel cruza os braços. — Não algo como os cadernos, mas creio que um sinalizador, teríamos que manter ela presa e torcer pra essa comunicação não acontecer.

— Bem, já temos alguma coisa. — Sorrio quando as duas olham pra mim. — Primeiro temos que isolar Mira, longe dos guardas. Segundo Maaka tem que assumir o exército, com isso ele pode tirar os guardas de circulação e em terceiro temos que pegar a Chapeleira. Agora só precisamos desenvolver esse plano e aprimorar.

— E quanto aos meninos? — Barbie indaga. — Você acha que eles conseguem vir?

— Seriam de grande ajuda, mas temos que bolar um plano sozinhas, não podemos contar com eles sem sabermos. — Respondo com firmeza.

— Odeio quando você é sensata. — Barbie suspira. — Mas vamos voltar, por favor? Não aguento mais esses corredores escuros.

— Melhor irmos antes que Maaka volte... — Babel se afasta da parede e começa a voltar.

Ok, agora eu só tenho mais dois dias pra botar esse plano em ação, temos que tomar Blanchess o quanto antes, trazer Mira para o nosso lado ou deixá-la presa e sem possibilidade de fuga. Suspiro e abraço meus ombros, três dias parece tão pouco, mas eu não vou me dar ao luxo de reclamar, já estive em situações piores e sempre dei um jeito, agora eu preciso desse talento e um pouco de sorte para conseguir sair vitoriosa daqui. 

XXX

E continuamos na saga Blanchess/Queensland/Oddville -a sei que essa parte é mais parada, mas ela é necessária mesmo, porque acho que ficaria ruim se fosse corrida ;-; por isso espero que entendam e estejam curtindo! ♥

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