Darkness

Não tenho mais nada para provar (vamos lá)

eu estou indo por todo o caminho

Eu vou, sim, meu sangue é rebelde

eu estou indo para outro nível

Another level — Oh the Larceny

Cavalgar definitivamente não é uma coisa que eu gosto de fazer, o sol nos meus olhos me incomoda, meu corpo dói e ainda tenho medo de cair, mas devo admitir que Etsep tenta amenizar isso, como Cain disse, é como se eles nos entendessem e eu gosto dele, mas preferia poder cavalgar apenas no estábulo de Blanchess.

Quando paramos quase caio de cima de Etsep, vimos ao longe o trio que estava na nossa frente em um acampamento montado em uma das planícies verdes que me faz acreditar que estamos cada vez mais perto de Heartsplains.

— Olha vocês aí. — Jaken sorri se aproximando. — Não sei se é impressão minha, mas acho que as coisas ficaram mais verdes por aqui.

— Eu notei isso também. — Cain diz descendo graciosamente de seu cavalo depois que Barbie já está no chão. — Acho que são eles, os cavalos estão trazendo a natureza de volta à Wonderland.

— Por que você é o único que sabe montar e é bom nisso? — Abel resmunga se enroscando nas rédeas do seu cavalo ao descer. — Isso é injusto, você é o menor e mais desastrado.

— Eu tinha que ser bom em alguma coisa, pelo menos. — Cain rebate bufando.

— Alguma coisa? — Pergunto quando todos já estão seguros no chão.

— Não vimos nada até aqui. — Bankotsu diz se aproximando. — Acredito que realmente não vão se arriscar a passar pela nossa frente.

— O que é bom e ruim. — Caleb resmunga.

— Com os cavalos acho que chegamos lá por volta da hora do chá. — Cain continua olhando para cima. — Ou quando o céu começar a escurecer.

— Usem a escuridão ao seu favor para chegar a casa do Dormouse. — Doll também olha para cima.

— Nós vamos. — Babel se espreguiça. — Mas por agora eu só queria comer alguma coisa e ficar no meu amado chão em paz.

Dou risada, acho que parar um pouco não vai fazer mal.

XXX

Como Cain previu, vemos o Vale das Lágrimas aparecer quando o céu está laranja pelo pôr do sol, os cavalos se provaram incríveis porque fizemos a viagem de um dia em pouco mais que algumas horas, sorrio e afago o pescoço de Etsep. Uma sensação ruim aperta meu coração quando olho para o parque escuro, não tenho boas recordações do lugar, muitas coisas aconteceram aqui. Paramos os cavalos na entrada do parque e olhamos para a escuridão.

— Ah cara, esse lugar me dá calafrios. — Abel resmunga. — Não vamos passar a noite toda aqui, vamos?

— Acho que só vamos descansar um pouco. — Cain o responde. — Temos que usar a escuridão a nosso favor.

— Ou é só porque você tá com saudades do seu namoradinho? — Abel provoca.

— Eu vou te ignorar pelas próximas horas. — Cain suspira. — O que fazemos com os cavalos?

— Você é o especialista aqui. — Babel responde atrás de mim. — Mas acho que eles deviam descansar também, fizeram mais do que nós.

— Só não acho que é seguro deixá-los fora do parque. — Caleb olha em volta. — Podemos dividir o grupo, três ficam aqui com eles para pastar um pouco e os outros três procuram abrigo.

Penso no gabinete de curiosidades e como conseguimos nos esconder no sótão, mas não sei se é uma boa opção, olho para Abel que me encara de volta, ele suspira e olha para o parque.

— Eu quero ficar aqui fora mais um pouco, mas o gabinete de curiosidades ainda deve estar do jeito que a gente deixou da última vez.

— Ótimo, vou ficar também. — Respondo acariciando o pescoço do meu cavalo.

— Acho que... — Caleb começa.

— Não! Eu fico. — Cain corta ele, dou risada.

— Ok, todos ficamos. — Babel resmunga. — Vamos só desmontar, eles devem estar implorando por isso.

Desmontamos e retiramos as rédeas deixando os cavalos livres para pastarem pela grama que nasceu depois que viemos pra cá, olho o parque escuro e me abraço, apesar da primavera próxima o ar está bem gelado aqui.

— Devíamos ter trazido lanternas da Terra. — Caleb resmunga olhando para trás.

— É, acho que fomos meio burros. — Abel dá de ombros. — Por sorte eu estou aqui e sei como ligar as luzes.

— Que parte de usar a escuridão ao nosso favor você não entendeu? — Cain rebate.

— Eu ia ligar algumas luzes!

— Não... — Caleb olha na direção do palácio. — Até algumas luzes podem chamar atenção, vamos ter que se virar com a luz da lua.

Suspiro olhando para cima, não sinto aquele chamado como a primeira vez, mas sei que se chegar perto do castelo isso vai acontecer.

Deixamos os cavalos pastarem por um tempo e depois disso eles voltam até onde estamos, colocamos as rédeas e é quando estamos prontos para entrar no parque que Caleb estica um braço nos barrando, prendo a respiração olhando em volta. Não vai ser tão fácil se esconder em um grupo de seis com quatro cavalos.

Escuto os passos leves só porque Caleb nos alertou, estou pronta para montar e fugir daqui quando uma luz me cega por um segundo e depois vejo Scorpio, Matthew e Yue fazerem caretas ao nos encarar. Bem, acho que não fomos tão discretos assim afinal.

XXX

— Marcel nos disse para ficar de olho em vocês. — Matthew balança a cabeça. — Têm sorte dele ter vindo conosco ou teria prendido vocês na fronteira.

— Na verdade, nós temos azar em ele ter vindo. — Yue rebate e grunhe.

— O que deu na cabeça de vocês? — Scorpio diz sério e isso me faz encolher os ombros. — Avisamos que Alice está agindo estranho, não fomos atacados e ninguém saiu do castelo ainda.

— É, mas Mira nos incentivou a vir. — Abel resmunga.

— Tínhamos planejado isso antes. — Cain sussurra. — Queremos ir até o Dormouse.

— Vocês sabiam que era um risco a gente aparecer. — Babel dá de ombros sorrindo. — Por que vieram investigar sozinhos e sem armas?

Os três parecem ter sido pegos por esse comentário também, Scorpio revira os olhos e esfrega o rosto.

— É claro que estávamos preparados pra isso. — Ele cruza os braços e sorri. — São vocês afinal, e o cavaleiro branco pareceu pouco convincente ao inventar uma desculpa de que não deveria ser vocês vindo até aqui.

— Vão nos deixar ir então? — Caleb resmunga baixinho.

— Provavelmente. — Matthew olha para cima. — Nadia nos mataria se voltássemos com vocês.

— Jaken, Bankotsu e a Doll estão vindo também. — Confesso. — Mas vão para a casa do Dormouse, não irão cruzar o caminho dela.

Scorpio ri e depois olha para trás, talvez pensando no que fazer agora, ainda estamos muito expostos aqui fora no parque, se eles ouviram nossos cavalos alguém no castelo também pode.

— Devíamos mandar vocês de volta. — Yue recomeça. — Não sabemos se não vão fazer alguma idiotice e estragar nosso plano.

Solto um suspiro alto, eles estragaram nosso plano pra começo de conversa.

— Eles já estão aqui, voltar seria um desperdício de tempo. — Scorpio volta a nos olhar. — Mas aqui está duas vezes mais perigoso, vocês não podem mais chamar atenção.

Me sinto mal pelo nosso plano ser exatamente o contrário, Matthew grunhe e olha um relógio de bolso.

— Se não voltarmos logo, vão mandar guardas atrás de nós. — Matthew olha para Yue. — O que você quer fazer?

Ela pensa e encara cada um de nós, um ataque de Alice seria mais bem vindo do que Yue em nosso grupo. Engulo em seco e suas orelhas se balançam, depois ela sorri.

— Vou ficar de guarda. Se a general decidir algo, vocês voltam para me avisar e assim eu libero eles.

— Não! — Digo olhando para os outros dois. — Não queremos atrapalhar vocês, iremos para casa do Dormouse no escuro, sem montar para não fazer barulho.

— Podemos usar a árvore TumTum. — Cain me apoia. — O escuro é nossa melhor cobertura para não chamar atenção.

Scorpio pondera enquanto Matthew olha de novo para o relógio, acho que ele está esperando a decisão vindo de um dos outros dois, olho para Scorpio implorando e ele desvia o olhar suspirando.

— Yue está certa, pode ser que Rosalinda ou Nadia tenham outra ideia para vocês, voltamos rápido, caso elas não falem nada vocês podem ir, ainda vai estar escuro.

Abro a boca para argumentar, mas Matthew fecha seu relógio com um estalo me calando, Yue sorri e minha reação é cruzar os braços. A noite vai ser mais longa do que pensei.

XXX

Deixamos os quatro cavalos mais o de Yue em uma antiga barraca de ursinhos, não fomos para o gabinete porque ainda precisamos esperar alguém voltar por isso nos espalhamos perto das barracas, acho que tudo isso é uma perda de tempo porque já poderíamos estar perto da casa do Dormouse com sua barreira para nos proteger e os cavalos. Caleb limpa sua espada enquanto Babel gira suas facas, acho que todos estamos um pouco apreensivos. Yue bufa e cruza as pernas sentada em um balcão que deveria ser de tiro ao alvo.

— Por que vocês sempre quebram as regras? — Ela pergunta, apoiando o rosto nas mãos.

— Não quebramos as regras. — Respondo com raiva, estava esperando por isso. — Nós estivemos aqui antes de vocês da Nonsense e bolamos todos os planos, mapeamos todas as rotas, nós deveríamos ter vindo desde o começo junto com vocês.

Cain me olha alarmado, Yue sorri e revira os olhos mudando de posição.

— Se não quer a coroa, por que ainda continua agindo como rainha? — Ela responde com um sorriso cínico, sinto meu rosto esquentar de raiva.

— Não é sobre uma coroa idiota é sobre vocês não confiarem em nós! Sempre fomos capazes, mas...

— Mas são crianças. — Yue me corta. — Você não entende mesmo, não é?

— Não, se for esse método estúpido de vocês eu não entendo! Sempre nos excluindo, nos trancando naquela... naquela casa idiota! Vocês nem cogitam nos deixar fazer alguma coisa nessa guerra, quando nós a começamos e sem a ajuda da Nonsense!

Só percebo que estou gritando quando paro e o silêncio cai a nossa volta como um véu, todos estão me encarando assustados, oh...

As orelhas pontudas de Yue se mexem e ela desvia o olhar raivoso de mim para farejar o ar, não deve ser nada, ela só quer me deixar mais culpada.

— O que foi...? — Cain sussurra.

— Tem alguém aqui... — Yue se levanta em um pulo. — Alguém que não estava aqui há cinco minutos atrás.

Olho para trás e arregalo os olhos quando vejo aquilo, não é alguém, é uma escuridão que apaga o parque, o céu e toda a luz da lua. Caleb empunha sua espada enquanto recua e Babel faz o mesmo, sinto meu pulso ser puxado e quando me viro Abel está de olhos arregalados também.

— São eles... — Ele sussurra, aperto as sobrancelhas. — Os Tweedles.

Caleb e Babel correm em nossa direção, Cain e Barbie se juntam a nós dois e depois Yue salta rosnando quando a escuridão total nos engole.

XXX

Pisco repetidas vezes, mas não consigo ver nada. Escuto as respirações dos outros e um soluço de raiva se prende na minha garganta, não é hora de chorar agora.

— Faz tempo que não nos encontramos, não é mesmo? — Escuto a voz do menino de algum lugar na escuridão. — Quero dizer, não depois de vocês fugirem como covardes e deixarem Alice mais louca.

Retiro o que pensei, eu preferia muito mais só a Yue do que ela e um ataque.

— Mas não importa o foco é que temos vocês aqui, não pensem que vamos matar a todos, Alice ainda quer vocês inteiros. E temo dizer que enquanto estiverem aqui ninguém de fora vai conseguir salvar vocês, então sem planos mirabolantes dessa vez, certo, reflexo da rainha vermelha?

Demoro alguns segundos para me lembrar de que Yue, a tão detestável Yue, é o reflexo de Rosalinda, às vezes não entendo Wonderland, mas meus questionamentos são esquecidos quando escuto Yue grunhindo em algum ponto a minha esquerda e a risada fria do menino novamente.

— Você ainda continua com os mesmos problemas com ela, não é mesmo? — Uma voz sussurra em meus ouvidos, congelo.

Olho em volta, estico uma mão e acerto Abel que resmunga. Onde ela está? Judith e Hamnet são muito rápidos e da outra vez só o vencemos por causa do Toby, engulo em seco, eu nem ao menos tenho uma arma dessa vez. Fecho os olhos e tento me concentrar em algo, todo aquele treinamento da Nonsense tem que servir para alguma coisa.

Sinto algo passar pelos meus pés, é fino e leve, abro os olhos, é o chicote do Cain. Sua mão encontra a minha e pego a empunhadura do chicote, não é o do Mandrake e sim o que ele usava na Nonsense, bem, eu não aprendi a usar um desses, mas acho que posso tentar.

Enrolo a tira na mão e me sinto mais confiante de ter algo para me ajudar, escuto a respiração dos outros, estamos apenas esperando alguém dar o primeiro passo.

O silêncio é quebrado por um som de gongo, alto o suficiente para o chão tremer, como um relógio cuco gigantesco. Não sei de onde vem, nem quem fez isso, mas é o sinal que precisávamos para agir. Respiro fundo e com uma última prece avanço contra a escuridão.

XXX

Veio aí e veio muito aí hehe se preparem porque a partir daqui eu prometo lutas, muitas, repito, MUITAS referências ao livro de Alice (porque ner...) e essas crianças mostrando para o que vieram (que é causar 😎) e preparem lencinhos de papel também, talvez precisem...

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