Bloody

Escarlate agora a cor do sangue

Rasgando o chão

Com pensamentos egoístas

Oh o som morrendo

Cortando cada espinho

Sem um sentimento de luto

Desejando rosas, gananciosos e cruéis

Oh eu estou indo para você

Rosas, vagando livremente

Preserved roses — Blackbriar

Estou sentada nos degraus do trono, Pérola me vestiu de manhã e Opalina arrumou meu cabelo enquanto Marfim tagarelava sobre o dia de hoje e eu odiei cada segundo disso. Barbie levou o jantar para Mira ontem a noite e ela disse que não conversaram, mas que gosta da rainha branca no final, Babel e Maaka estão juntas novamente na frente das pessoas que estão no salão do trono. Então isso é ser uma rainha, não poder tomar suas decisões nem se arrumar sozinha? Estar sempre sentada vendo os outros fazerem o que você queria e tendo que manter o status? Eu não nasci pra isso.

— Então... — Maaka diz olhando para mim, ela consente. — Temos três grandes questões a executar. — Ela espera que alguém diga alguma coisa, mas todos continuam em silêncio. — A primeira é a comitiva de Queensland, conversei com a Lilith e chegamos a um acordo de mandar três guardas brancos para a divisa do reino a meio dia de viagem para esperá-los, caso a Chapeleira seja presa levantaremos uma bandeira branca e eles podem vir sem medo e se não a bandeira vai ser vermelha, então Queensland vai nos ajudar a tomar Blanchess por completo.

Algumas pessoas murmuram e outras consentem, Babel pigarreia e o silêncio volta ao salão.

— Para nós que ficamos precisamos começar a organizar o castelo para receber o exército vermelho, os guardas de Espadas e a rainha vermelha. — Maaka continua. — Hoje é o melhor dia para começar a fazer isso, já que não podemos levantar suspeitas quando Daphne chegar, ela tem que pensar que tudo está normal.

— Ela sempre chega pelos estábulos. — Annie diz. — Não podemos organizá-lo ou ela vai desconfiar.

— Annie tem um bom ponto. — Um homem de cabelos curtos concorda. — Mas tenho uma dúvida, general. — Maaka consente. — Nós não vamos atacar Heartsplains inicialmente por causa da febre do pólen, certo?

— Sim, não podemos ir na primeira semana de março, senão seremos massacrados. — Maaka responde. — E é aqui que começa o meu terceiro ponto: como podemos ajudar o exército de Queensland?

— Ahn... — Levanto a mão e muitas cabeças se viram para mim. — Também temos Oddville, eles vão pelo outro lado do reino e sei que não vão vir a Blanchess, mas temos mais apoio do outro lado.

— Muito bem apontado, com o exército vermelho tomando a dianteira e Oddville cercando nós temos que dar um apoio decisivo quando formos à luta. — Maaka se vira para frente. — Sugestões?

As pessoas começam a sussurrar, acho que não se pedem muitas sugestões por aqui ou eles só não sabem muito bem como ajudar. Suspiro e me levanto, arrumo a saia branca e caminho até parar ao lado de Maaka, o silêncio que recaí na sala é sepulcral.

— Então... — Começo olhando de Maaka para as pessoas. — Quando chegamos aqui eu me encarreguei de traçar as melhores rotas para meu irmão e enquanto fazia isso bolamos um plano de fazer Alice sair de Heartsplains, mas para isso precisaríamos de algo muito grande e que a fizesse sair de lá.

— Como você? — Annie indaga, o soldado ao lado dela arregala os olhos.

— Exato... — Sorrio, gosto dela diferente dos guardas que só ficam em silêncio. — Se pudéssemos avisar Alice que eu fui capturada aposto que ela viria para o reino por ainda imaginar que Blanchess é aliada.

— Mas para isso teríamos que usar a Chapeleira. — Annie pondera. — E presa ela não nos ajudaria.

— O que você quer dizer com isso? — Maaka indaga.

— Que podemos fingir ter capturado a rainha de Copas e você como traidor assim Daphne cooperaria enviando uma mensagem a Alice. — Ela diz com calma. — Depois que ela escrever a carta nós teríamos o trunfo perfeito.

— Mas e se errarmos ou se ela matar a Lilith? — Maaka fala baixo olhando para mim, engulo em seco. — Não sabemos o que Daphne é capaz de fazer.

— Prometo eu mesma capturá-la antes que faça algum mal a Copas.

— Isso mudaria todo o nosso plano! — Maaka faz uma careta.

— Não é ruim. — Babel apoia o queixo com uma mão. — Daphne não desconfiaria de nada ao chegar, não precisaríamos mentir sobre Mira e ela iria direto ao encontro da Lilith. Os guardas podem se reunir na porta e quando ela sair a pegamos.

— Mas e se ela quiser uma prova? Se quiser nos ver? — Barbie guincha.

— Daremos as provas. — Respondo com calma. — Nós só precisamos fingir um pouco. Podemos ficar presas na torre e ainda obrigaria a Chapeleira a subir as escadas e ficar encurralada.

— Podemos dizer que Mira não quer se envolver, por isso não está na torre. — Annie sussurra. — E do jeito que ela odeia Maaka iria para a torre sem nem se questionar onde Mira está. Entendo que tem muitos riscos, mas Daphne ainda é uma contra o resto de nós. — Annie sorri, sorrio em resposta.

— Então esse é nosso novo plano? — Maaka pergunta para mim.

— Pode apostar.

Mais murmúrios rodam pelo salão, sinto um nervosismo estranho. O nosso plano finalmente está se encaminhando para algo, mas Maaka não parece feliz e isso me deixa nervosa, talvez seja só coisa da minha cabeça afinal.

XXX

Mira toma sua sopa de cara feia, ela não estava muito falante e com todos os preparativos não tive tempo de me dedicar à promessa de melhorar no xadrez, ela suspira e abaixa o prato.

— O que foi? — Pergunta me trazendo de volta.

— Nada... — Fico quieta e depois bufo. — Na verdade tínhamos um plano para atrair a Chapeleira até a torre e a prendê-la e Annie deu uma ideia melhor de fingirmos nossa captura para Daphne escrever um aviso a Alice, mas Maaka não parece satisfeito com a ideia e isso me deixou pensativa.

— Annie pensou nisso? — Consinto, ela me encara por um tempo. — Sabe menina vou te dar um conselho de rainha para rainha.

— Não sou rainha. — Rebato.

— Eu estive no topo por todo esse tempo por sempre desconfiar dos outros porque nem sempre têm boas intenções e Maaka não é só um general de fachada, apesar de eu ter dito isso algumas vezes, eu confiaria mais nele se fosse você.

— O que esperar de uma egoísta? — Reviro os olhos. — E eu confio nele, se nunca tivesse confiado em Maaka eu não estaria aqui.

— Não distorça o que falei, mas por que devo me preocupar? Faça o que quiser como sempre Copas. — Mira cruza os braços e não diz mais nada.

Recolho o prato e os talheres dela saindo do salão de inverno com mais raiva do que quando entrei.

XXX

— Então tudo está nos conformes? — Maaka pergunta se sentando, Barbie e Babel estão abraçadas e eu no meio da cama. — Como se sente?

— Nervosa. — Abro o caderno branco e palavras começam a surgir. — Olha só... "Já passamos pela segunda divisa de Blanchess e vamos recomeçar a viagem amanhã, pararemos até que seus guardas cheguem, espero que esteja tudo bem." — Não leio o "tenho muitas coisas para te contar" em voz alta.

— Estou ansiosa para rever seu irmão ou conhecer ele de verdade no caso. — Maaka sorri. — Acho que Rosalinda nunca me odiou, mas também nunca foi muito com a minha cara.

— Pelo menos agora você pode se redimir. — Barbie responde sorrindo.

— Quem sabe... — Ela suspira. — Bem, melhor dormimos, temos pouco tempo até ter que levantar para executar nosso plano.

Fecho a cara e Maaka me encara com atenção, balanço a cabeça com um suspiro.

— Mira disse uma coisa que ficou na minha cabeça. — Sussurro.

— E o que foi? — Ela franze as sobrancelhas.

— Nada demais só os mesmos insultos sobre eu ser Copas e estar errada. — Minto. — Só estou apreensiva.

— Lilith. — Paro e encaro Maaka, ela está pensativa. — Não se preocupe com o que Mira disse, mas... — Ela se abaixa para ficar da minha altura e afaga meu rosto. — Não precisa ficar com medo de falhar, eu vou te proteger não importa o que aconteça, é uma promessa.

— Eu confio em você. — Sorrio e Maaka se levanta afagando meus cabelos.

— Durma criança que amanhã temos muita coisa pela frente, muita mesmo.

Sorrio e desço as escadas atrás de Barbie e Babel, não preciso me preocupar com algo que a Mira disse, às vezes ela só queria isso me confundir para que eu não foque no que realmente preciso fazer e é muita coisa no momento.

XXX

O dia nem amanheceu direito quando estamos com o quarto de Maaka repleto de soldados, coloquei minhas roupas antigas, o que foi um alívio, e fui amarrada pelo próprio Maaka.

— Sabe como mágicos fogem das suas cordas? — Ele pergunta, nego. — Com os nós certos.

Maaka afasta minhas mãos e a corda se solta como mágica, abro a boca e sorrio, ele ri e de novo amarra minhas mãos atrás das costas. Barbie e Babel já estão com as mãos amarradas também, Annie fez isso, e estão se sentando no canto do quarto quando um guarda entra correndo.

— Daphne está chegando. — Ele diz. — A menos de uma hora.

— Certo... — Maaka suspira como se isso ainda fosse um erro, engulo em seco. — Agora só preciso que me amarrem e voltem as posições como se nada tivesse acontecido.

— Eu te amarro. — Annie diz indo até ele. — Vocês vão ficar aqui mesmo?

— É o melhor ponto para encurralar ela. — Ele diz devagar. — Fora que foi aqui que as meninas realmente apareceram.

Alguns guardas começam a sair, outros arrumam o quarto e isso me faz rir, sento no chão ao lado de Barbie e Babel e observo enquanto Maaka tem as mãos atadas, ele parece pleno e muito calmo com tudo isso, usa um terno branco e seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo, não parece que ficou capturado, mas acho que Daphne não vai reparar nessas coisas ou pelo menos espero que não. Annie passa outra corda pelos ombros dele o imobilizando mais e depois parece satisfeita.

— Vou esperá-la lá embaixo. — Annie diz e nos encara mais uma vez. — Espero que o plano dê certo.

— Também esperamos. — Sussurro quando ela desce.

— Acha que ela vai acreditar que você foi capturado? — Babel indaga para Maaka que está sentado na própria cama.

— Não fui capturado, estava conspirando com vocês, é diferente. — Ele diz com um sorriso. — Vocês foram capturadas, com essas roupas esfarrapadas e sujas, andando por passagens secretas e tudo mais.

— Não estamos sujas... — Barbie choraminga. — As roupas sim.

— Por que não se senta com a gente? — Pergunto.

— A Chapeleira não vai ser hospitaleira com vocês. — Maaka sussurra, não entendo o que ele quis dizer, um guarda abre a porta e entra. — O que foi agora?

— Menos de um quarto de hora senhor. — Ele diz depois engole em seco. — Annie acha melhor amarrar as pernas das garotas.

— Isso ao menos soa mais convincente. — Babel resmunga. — Quem é você mesmo?

— Galahad... — Diferente dos outros guardas, Galahad tem olhos azuis e não pretos. — Acho muito em cima para amarrá-las. — Ele encara Maaka e depois abaixa a cabeça. — Vou me retirar.

Maaka franze as sobrancelhas e sua expressão fica séria, o silêncio no quarto é desconfortável como estar amarrada e sinto uma apreensão por não saber o que está acontecendo, sei que se tivéssemos nos escondido eu estaria agoniada também, mas estar aqui é tão ruim quanto.

— Ela chegou. — Maaka diz quebrando o silêncio.

— Como você...? — Barbie murmura.

— Orelhas longas para ouvir melhor, como o lobo mau. — Reparo em suas orelhas pontudas. — E focinho apurado para predar melhor. — Ele sussurra.

Eu continuo não ouvindo nada e o tempo se arrasta até quando um som me faz saltar: a porta de mármore da torre sendo chutada, engulo em seco.

— Acho que ela caiu na armadilha... — Babel murmura.

Os passos que sobem a escada são rápidos e pesados e a cada um deles me encolho mais, quando a porta se abre não sei o que esperava encontrar. Talvez uma mulher com olhos vermelhos sem vida, cabelos ruivos e articulações de boneca, mas Daphne é bem diferente. Seus olhos têm sim muita vida e muita raiva, seus cabelos caem em uma trança longa e ruiva, ela não é feita de porcelana, é muito forte e usa uma roupa inteira branca, até a cartola.

— É só o gato sair que os ratos fazem a festa. — Ela diz enquanto arfa. — Não esperava nada diferente de você.

A Chapeleira anda até Maaka que a encara com a cabeça erguida, ela o puxa pelos cabelos com uma mão e acerta um soco no seu olho queimado com a outra o jogando no chão, arregalo os olhos e congelo de medo, ela chuta ele repetidas vezes depois pisa em sua cabeça, engulo meu grito quando ela se vira para nós.

— Ora, ora... — Ela sorri. — A vadia da Copas é igualzinha a sua antecessora.

— Eu disse! — Annie para na porta, olho para ela. — E são inofensivas, sabem apenas dar ordens.

— V... — Minha voz treme, Daphne ri. — Você vai avisar Alice? — Indago, queria estar com raiva, mas estou assustada. Maaka não se mexe mais.

— Alice está a milhas daqui. — Ela caminha na nossa direção, me encolho. — Nenhuma mensagem vai fazê-la chegar aqui rápido o suficiente para saber que capturamos você com vida. — Babel tenta se soltar, mas ela deve estar presa de verdade. — Nem suas amiguinhas. Ninguém precisa de outra Copas nem nenhuma rainha, vocês fizeram um favor tirando Mira da jogada agora eu vou agradecer acabando com Copas também.

— Como você...? — Murmuro e mais parece um choramingo.

— Alguém qualificado de verdade precisa ser o general. — Daphne responde sorrindo. — Vocês tiraram Mira do caminho e Annie fez o mesmo com Maaka, agora somos só nós...

Mas o que Daphne ia dizer morreu em sua boca quando algo a acertou, demoro muito a entender que foi Maaka. Ele se levantou e usou o corpo para jogar Daphne até o outro lado do quarto, quebrando a penteadeira branca. Ele abre os braços e as cordas se rasgam como se fossem linhas, suas mãos se curvam em garras, Annie saca sua espada, mas em um segundo Maaka some e volta a aparecer na sua frente, engulo meu grito de medo quando ele enterra os dentes no pescoço dela espirrando sangue na parede branca. Annie ergue a espada, mas seus braços pendem sem força, suas pernas logo em seguida e por fim Maaka solta seu corpo.

Ele se vira para nós arfando, sua roupa está inteiramente vermelha assim como seus dentes assustadores e seu único olho bom, todo o branco ali foi substituído pelo vermelho.

— Eu... não queria... — Maaka murmura e se ajoelha. — Que me olhassem assim. — Só percebo que minhas mãos estão soltas quando sinto as lágrimas quentes escorrerem por entre meus dedos, devo ter tampado o rosto em algum momento. — Eu sempre vou ser um monstro.

Engulo em seco, Barbie está congelada no mesmo lugar e Babel sem reação. Limpo o rosto e me levanto, minhas pernas não me obedecem e tropeço caindo no chão, me arrasto mesmo assim e toco a mão caída de Maaka, suas garras se foram. Meu corpo todo treme.

— Você me salvou... — Sussurro, ele continua de cabeça baixa. — Como prometeu. — Maaka me encara, seus olhos não estão mais assustadores e ele chora também. — Eu nunca teria medo... medo de você.

Abraço seu pescoço e Maaka volta a chorar, sinto uma de suas mãos abraçar meu ombro quando os passos na escada aparecem, eles demoram mais do que a Chapeleira quando subiu e quando finalmente chegam continuou abraçada com ele.

— Annie... — Me afasto enfim para olhar o guarda branco que já vi tantas vezes que se torna familiar. — Annie queria nos tomar... — Galahad desvia o olhar do corpo sem vida. — Ela e Daphne estavam juntas. Te prender foi um plano para ela se tornar a general, Daphne nunca poderia avisar Alice, e... e... eu queria ter avisado...

— Está tudo bem. — Maaka murmura. — Você avisou quando subiu aqui, a guarda não foi tomada e eu ainda sou o general, Annie está morta. Agora preciso que amarrem a Chapeleira e levantem a bandeira branca para continuarmos com o plano, você me entendeu Galahad?

— Sim, senhor. Senhor...?

— Vá, não vou fazer nada com você. — Galahad corre para fora como se sua vida dependesse disso. — Me perdoe... — Ele murmura me encarando.

— Você salvou a gente. — Babel sussurra. — Eu... eu devia ter desconfiado mais! Você estava certo.

— Mira estava certa também... — Seco minhas lágrimas, agora minha roupa inteira está suja de sangue.

Os passos voltam e dessa vez não é só Galahad, mas sim Pérola, Marfim e Opalina que gritam e saem do quarto quando veem Annie, atrás delas ele entra e traz mais duas mulheres e outros dois guardas.

Ignoro todos e continuo abraçada com Maaka enquanto o corpo de Annie é retirado e a Chapeleira levada dali, não quero pensar em mais nada por enquanto, só quero fingir que foi tudo um sonho ruim. 

XXX

Enquanto os capítulos do Cain tão super tranquilinhos os da Lilith tão mostrando que o circo já começou a pegar fogo por aqui... hehehe 

Maaka foi um personagem que eu criei em um desafio de twitter, super aleatório, né? mas eu amo a ideia delu ser forte e perigoso, mas não usar sua força porque assusta as pessoas, enfim espero poder explorar mais um pouco delu por aqui e que vocês estejam gostando aaa~

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