08 - A lenda

Pietro Liberato

Acordei com minha mãe abrindo as venezianas e levantando as cortinas. Senti um leve peso sobre meu pescoço ao lado direito e rapidamente arrebatei a pequena criatura, um besouro. Ao meu outro lado ainda podia sentir o livro que passei a madrugada lendo.

A metamorfose.

— Este quarto está uma bagunça — disse Fiorella Lawford Liberato, minha mãe. — Você não pode ficar acordado até a madrugada e esperar acordar disposto, sabe, né?

Minha mãe não era do tipo de dar castigos. Não era do tipo de bater. Ela apenas deixava as coisas seguirem o ritmo até eu perceber que estava errado. Era assim a minha infância inteira e é assim até hoje.

Minha mãe suspirou, pegando o livro antes de mim. A mesma quase teve um susto ao ver a capa.

— Isso aqui sim pode ser a razão de seus pesadelos — ela sorriu.

— Poderia se Susie não houvesse me dado ele já depois de eu ter tido o pesadelo — sorri ironicamente pegando o livro de volta e bocejando por longos segundos. — Além disso só foi um pesadelo, não vários.

— Bem, coisas ruins acontecem de toda forma.

Senti o tom de minha mãe e deduzi: algo havia acontecido, mas ela jamais me diria.

— Estou atrasado? — perguntei.

— Estaria se eu não intervisse, mas Frankie já está te esperando na porta — ela olhou fixamente para o céu denso. — Hoje não é um dia muito confortável.

Apenas ignorei as confusões controversas de minha mãe e segui para uma quente ducha. Eu não preferia o frio ou o calor, eu estou sempre entre o meio termo. Provavelmente isso é o que mais me define: sempre acima do muro, observando os dois lados e me vendo em que situação eu me saio melhor. Bem, não havia como relaxar com um trabalho em grupo onde nem Frankie, Michelle ou Susie estariam lá.
Em menos de quinze minutos eu estava de pé batendo meu tênis para me certificar de que nenhuma aranha ou peçonha estava lá. Ele estava desgastado de tanto descaso que eu tenho para com ele, mas eu não me importei.

— Bom dia, Pietro — meu pai chegou por trás e acariciou o topo da minha cabeça. O mesmo parou ao notar uma corrente de vento fria passar por o céu nebuloso. — Céus, que tempo terrível.

— Céus literalmente, pai — respondi.

— Piadas — ele disse. — Bem, o tempo está ao meu lado. Quanto mais ele piorar, mais carros vão precisar de consertos.

— Perverso — disse enquanto ajeitava o tapete da porta.

— Cada um faz o necessário para sobreviver, inclusive nesta pequena cidade.
Fiz sinal de negação e me despedi.

— Estou indo para a escola, até mais tarde — eu o respondi vendo Frankie pisando em um inseto perto do asfalto.

— Sem nem sequer tomar café da manhã? — minha mãe gritou ao fundo.

— Não estou com fome, tchau! — corri antes que me obrigassem a comer alguma coisa.

— Ah, você chegou — Frankie suspirou me cumprimentando com sua mão esquerda. O mesmo parou na metade do caminho quando fez seu braço voltar. — Sinto muito por isso, esqueci que você não gosta de apertos de mãos.

— Sem problemas, Frankenstein.
Não sei quando desenvolvi essa obsessão por germes, mas sempre que eu toco em outro humano ou dependendo do local ou objeto, eu fico em plena agonia querendo logo me lavar. Acho que o mesmo deve acontecer com animais. As pessoas não sabem cumprimentar alguém sem ter toque humano? Detesto isso, mas ao mesmo tempo gosto.

— Está tudo bem, Frankie? — perguntei vendo o mesmo sorrindo estranhamente do normal.

— Um homem... se suicidou — Frankie suspirou de forma tensa, sua coluna estava inclinada de forma torta e o mesmo esboçou um sorriso neurótico. — Sei que você provavelmente não sabe já que seus pais não te contariam.

Frankie Evans provavelmente sabia mais sobre mim do que Michelle Berville e Susie Renees. Minha mãe jamais diria algo assim para mim, não consigo sequer imaginar ela chegando perto de mim e dizendo “alguém da cidade matou outro alguém”, Impossível. Minha mãe nem sequer levava notícias de TV (antes do meu pai quebrar ela) a sério. Ela diz que sentimentos ruins atraem coisas ruim, como doenças e calamidade. Já meu pai, provavelmente diria um “morreu, mas não foi com você então continue seu dia”.

Que tipo de pais são os meus? Não somos os mais empáticos, mas não somos desumanos. Minha mãe só é mais insegura; meu pai já é mais frio, mas ainda tem humanidade ali. Como sou uma mistura dos dois, geralmente não sei lidar com a morte como algo “perigoso”, a morte para mim é um estágio humano. Ainda assim, por que estou nervoso? Senti meu coração apertar com as palavras de Frankie.

— Como isso aconteceu? — disse controlando a respiração ofegante.

— Parece que ele se jogou no lago — Frankie apertou forte na sua mochila. — Só podemos ir logo? Que clima desconfortável.

— Eu também senti, e isso não é normal? A morte de alguém numa cidade pequena sempre vai causar muito impacto.

— Normal? Alguém de repente se matar em Stowe? Ainda mais quando o novato chegou ontem!

— Bem, tecnicamente ele chegou no sábado. Seria incomum se fossemos uma cidade toda unida e tudo mais. Se for alguém que sofreu bullying ou sofria de algum distúrbio isso não seria incomum em lugar nenhum do globo. Pessoas morrem, lidemos com isso.

— Cara... — Frankie parecia boquiaberto. — Que linguagem é essa? Susie quem te suporte hoje.

— No caso, não — ri ainda sentindo um aperto e um frio por todo o meu tórax. — Caeli que me suporte hoje. Vou ter que voltar a falar com ela em prol do trabalho.

— Aquele idiota do Fred nos deixou mesmo em grupos separados. Por que só você?

— Boa pergunta. Talvez seja o prenúncio de alguma coisa.

— Oh, sério, o estopim dos cinco mosqueteiros agora — Frankie cruzou os braços e olhou para mim de forma debochada.

Cessei a conversa enquanto caminhávamos menos de dez minutos pelas ruas; minha casa não era longe, mas também não perto. Gostava de pensar que ela era igual a mim: muito longe e muito perto. Senti pingos de chuva, gotículas, e rapidamente uma frase se forma na minha mente. Corri para dentro da escola para que pudesse me lembrar a tempo de anotar e ao entrar na sala, nem sequer vi quem estava, anotei tudo em um papel.

“E lá veio a chuva
Levando toda a poeira
Como uma vassoura poética
Com seu som e suas gotículas
Já tendo se transformado do sólido ao liquido e gasoso
Agora retorna de forma majestosa
Água pura e levemente adocicada
Água que não vivemos sem
Água que abrange a terra
Terra que revive a vida”.

Senti uma gota escorrendo de meu cabelo e gentilmente acariciei o mesmo. Aula de matemática logo nas primeiras horas na escola era uma droga, mas um poema genuíno feito em menos de cinco minutos era o bastante para me manter interessado e confortável ali.

— Pietro, colega — Frankie jogou o meu casaco em mim enquanto entrava pela porta da sala. — Você quase o deixou cair na lama.
Eu ri alto, mas me controlei ao ver o pessoal da sala nos olhando.

— Mas olha, Frankie — apontei para o papel do poema, levantando o mesmo.

— Fiz em menos de... — Senti o papel sendo rebatido da minha mão e caindo no chão. Olho pelo canto de meu olho e vejo Joey Clinton rasgando o poema em cima do meu colo.

— Ei! Isso era do Pietro, seu retardado mental — Frankie puxou Joey pela gola da camisa enquanto Joey sorriu.

— Ei, ei você, o que pensa que está fazendo? Quer ser expulso ou algo assim? — Joey disse soltando um sorriso convencido.

— Ele tem razão. Não vale a pena, Frankie — eu disse. — Na verdade, ele rasgar meu poema assim me deu ideia de outro poema — ri abafado olhando para Frankie. Joey me olhou com sangue nos olhos, mas eu continuei falando.

— Afinal, enquanto ele não quebrar a minha mente eu farei quantos poemas eu quiser — disse esboçando um sorriso provocativo para Joey.

Frankie era impulsivo demais, e eu não poderia culpá-lo. Eu também era, mas com palavras e não ações.

— Certo vocês três — o professor nos disse em tom de autoridade. — Joey irei ter uma conversa com você no fim da aula. Abra sua boca de novo e eu vou passar um trabalho para você apresentar sozinho.

As duas aulas se passaram antes que eu pudesse reclamar e o professor de matemática nos deixou sair antes do tempo para que o mesmo pudesse conversar com Joey. Não liguei nem um pouco e saí da sala vendo Caeli sentada olhando para o céu.
A mesma me viu e eu permaneci olhando profundamente em seus olhos. O que eu poderia dizer agora para reatar uma amizade de anos atrás? Talvez senso comum e ser amigável resolva.

— Tempo horrível, né? — disse me sentando ao lado da mesma. — Soube do que aconteceu?

— A cidade toda soube — a mesma me respondeu enquanto olhava o esmalte em suas unhas. — Ele morreu afogado na água, e agora está quase chovendo, também.

A conversa ficou morta por uns minutos até eu tomar novamente a iniciativa.

— Cadê a Chloe? — disse tentando mostrar o maior interesse que eu podia.

— Não se sentiu bem então não veio hoje — Caeli coçou a nuca.

— Faltar logo no segundo dia de aula.

— Sabe, eu e você não estamos mais tão próximos como antes.

— Sim, não estamos — repeti.

— Mas vamos tentar refazer a amizade? Nem sequer sei porquê você deixou de falar comigo.

— Eu posso tentar e estou disposto — disse cruzando os braços. — Não tem nada mais profundo, você gosta de atenção e eu não. Só nos afastamos, mas não acho que não podemos mais ser amigos.

Vi ao longe Frankie me olhando de forma ameaçadora, Michelle parecendo orgulhosa e Susie com um livro ao lado dos dois.

— Pode ser, vamos tentar. Acho que aquela garota de fones é a Amandy — falou Caeli enquanto se levantava e limpava a poeira de sua roupa estampada. — Parece que a chuva parou também. Vamos até lá logo resolver isso? Melhor do que falar sobre gente morta.

Se me lembro bem, Caeli era muito sensitiva com essas coisas. Assenti com a cabeça e lá se fomos.

— É só eu ou vocês também estão sentindo que tem algo estranho no ar? Souberam do acontecido no lago? — questionei falando em terceira pessoa para que Amandy pudesse entrar na conversa mais facilmente.

— Esse negócio está mexendo com a sua cabeça, melhor parar. Vamos resolver logo sobre o trabalho? — interrompeu Caeli um pouco impaciente.

Claramente Caeli não entrou na mesma química. Bem, eu odeio química também então não poderia culpá-la.

— Pensei que era só eu — Amandy falou baixinho, mas pude ouvir com clareza. A mesma ao me olhar acaba desviando os olhos.

Isso é timidez? Bem, não confio muito em pessoas que não me olham nos olhos, mas sempre me dei bem com gente mais tímida do que eu. Provavelmente isso demorará um bom tempo até confiarmos um no outro de qualquer forma, enquanto com Caeli será mais rápido.

— O que aconteceu? — vi o aluno novo chegando por trás de Amandy.

— Desculpem a demora, encontrar o ruivinho aqui foi um pouco complicado, e aí? Já decidiram algo? — dessa vez foi o Jackson que falou enquanto puxava uma cadeira ao lado de Amandy e se sentou ali mesmo.

Continuamos discutindo sobre o suicídio do tal homem, mas não chegávamos a lugar algum. Ao menos conversar com eles aliviou minha ansiedade e ao ver tudo aquilo decidi dar um passo à frente em tudo isso. Não hoje, ansiedade, não hoje.

— Podemos almoçar juntos naquele restaurante do outro lado da rua e fazer lá em casa, meus pais não iriam se incomodar — disse sentindo a adrenalina penetrando minha corrente sanguínea.

Depois de Caeli encerrar perguntando se alguém tinha algo contra, me preparei para as aulas seguintes. Nessa altura já eram dez da manhã e eu estava sem fome e sem ânimo de continuar ali também. Por sorte, minha salvação estava bem na porta: Susie. A mesma me encarou de uma forma que meu corpo enfraqueceu, mas consegui manter-me em pé.

— Acredito que já saiba — disse Susie retirando um livro de seu casaco, a mesma o protegia da chuva.
Ela poderia estar falando sobre duas coisas: ou o livro, ou o suicídio.

— Sei, sim — disse. A mesma ao ouvir minhas palavras me convidou para entrar para a sala.

A última aula do dia era de geografia e coincidentemente o professor já estava na sala ligando seu notebook e pondo o cabo no projetor. Ao entrar na sala vejo que Ignis também está lá.
— Quer se sentar ao meu lado, ou...?

— Susie disse.

— Acho que vou sentar ao lado de Ignis. Você sabe, conversar mais sobre o trabalho.

Susie apenas assentiu e se virou para o professor com um marcador em sua mão esquerda e o livro aberto na outra.

— Olá de novo, Ignis — disse me aproximando. — Posso me sentar aqui?

— Acho que sim. Não tem ninguém nessa cadeira — o mesmo disse observando eu pôr minhas coisas na mesa.

— Acho que nem nos apresentamos direito, me chamo Pietro Liberato.

— Oh, eu sei sobre você. Scott me contou — Ignis esfregou seus dedos sobre uma mancha de tinta do lápis no pulso.

— O cara do jornalismo já te disse tudo, então? — Scott era uma das pessoas que eu não confiaria de forma alguma. Sua existência significava perigo, e sua presença emanava fofoca.

— Ele não é ruim. Na verdade, me divirto conversando com ele — disse Ignis para mim me olhando diretamente nos olhos com uma expressão mais tensa. — Gosto dele.

— Bem, se você me olha com tanta seriedade, posso reconsiderar. E está tudo bem? Parece meio doente.

— Ah, não é nada. Provavelmente.

— Provavelmente? Talvez a chuva te deixou com resfriado ou algo assim.

— Acho que tem mais a ver com o suicídio do homem, mas não sei porquê.

A nossa conversa foi interrompida pelo professor que iniciaria a aula. Ele apresentou seu plano de aula que passaria no semestre. A hora passou ridiculamente rápida e logo já estávamos fora da sala de aula. Me despedi de Susie que foi ao encontro da Frankie e Michelle e acenei para os três. Ao outro lado, Caeli estava pegando um guarda-chuva da diretoria, indo ao encontro de nós dois.

— Só falta Amandy agora já que aquele Jeff não vem — disse a mesma, parecendo impaciente, com seus olhos encarando Ignis, e não de forma discreta. — Jeff the killer.

— Alguma coisa errada, Caeli? — disse Ignis se voltando para a mesma.

— Oh, nada — a mesma mudou o olhar de direção.

Já eu olhar para o lado, vi o cabelo de Amandy sendo irradiado por um único raio de sol, bonito e vibrante. Ideias de poemas começaram a surgir, mas antes que eu pudesse fazer algo, a voz de Caeli e Ignis me tiraram dos pensamentos.

— Acho que Amandy está vindo ali.

— Espero que não demore muito o trabalho. Minha mãe pediu para não levar muito tempo.

— Não vou pedir desculpas pelo atraso porque não estou atrasada. Enfim, vamos para o restaurante?
Caeli bocejou entediada e nós quatro começamos a se dirigir até o café.

                                *

O restaurante Whip Bar & Grill era bastante conhecido não somente por nós da cidade, como pelos turistas também. A maioria dizia que era um restaurante de primeira. Ao entrarmos, o tilintar fez um garçom notar nossa presença e indo diretamente buscar o cardápio. Sentei-me ao lado de Caeli com Ignis à minha frente e Amandy de seu lado. A homem que parecia ter a nossa idade pôs o cardápio e sorriu para nós.

— O que vocês vão querer? — perguntei vendo Caeli puxar o cardápio para perto de si.

— Sanduiche integral, provavelmente — disse a mesma com o dedo indicador nos lábios, pensativa.

Na medida que Ignis foi tirando dizendo dúvidas, cada um de nós foi respondendo. Apesar de que Amandy não disse muito, e enquanto esperávamos a comida, a mesma puxou uma folha com anotações. O cheiro estava tão bom que meu estômago mandou sinal, mas me concentrei na lenda do trabalho.

— Stowe antigamente parecia ser governada por uma disputa entre duas famílias, a perdedora possivelmente teria amaldiçoado o lugar inteiro. Uma maldição que permaneceria até hoje e causaria tragédia — disse Amandy lendo o papel timidamente, mas seus olhos brilhavam e seu tom aos poucos foi ficando mais firme e seguro.

— Pode ser essa — Caeli disse não parecendo muito interessada, mas a mesma observou Amandy falando. — É só uma lenda afinal. Se fosse algo de moda seria mais interessante.

Amandy não pareceu concordar, mas ela não parecia se importar o bastante com a opinião de Caeli para rebatê-la. Ignis pareceu duvidoso e perdido nos pensamentos, mas ele assentiu quando nós três olhamos para ele em busca de sua opinião sobre a lenda.

— Também dizem que o “chefe” da família assombra o terreno onde ele morreu, só não sei especificadamente onde — Amandy cruzou as mãos acima da mesa enquanto o garçom apareceu com uma bandeja.

— Bem, na cidade não tem nada abandonado conhecido por ser assombrado — Caeli suspirou. — Talvez essa casa fique no meio do mato ou já foi coberta por árvores?

— É uma boa hipótese — Amandy assentiu pegando seu café e seu bolo.

— Ou talvez nem exista — eu disse.
Levantei minha mão e agarrei meu hambúrguer com milk-shake, enquanto Ignis pegou um pedaço servido de pizza.

— Não vai beber nada? — Caeli lhe disse enquanto pegava uma salada que não a ouvi pedir.

— Estou bem — Ignis sorriu.

Ficamos nós quatro ali, até um forte vento passar levanto uma lata de refrigerante à deriva. Senti uma pressão e uma tensão na cidade que estaria em total silêncio se não fosse pelo eco do vento. Antes que percebêssemos, a chuva se tornou algo presente e ficaríamos ali por mais um tempo.

— Minha mãe vai me matar — disse Caeli.

— Bem, não há nada que podemos fazer. O sinal da rede também caiu — disse Ignis terminando de se alimentar.

Senti a necessidade de fazer outro poema, mas permaneci voltado para fora do que para dentro. Conhecer pessoas novas não foi tão ruim quanto pensei.

E aí? Gostou? Siga o instagram da fanfic (@fourwriters) e fiquem por dentro das novidades e muito mais. Ah, não esqueçam de nos dar uma estrelinha ;) 

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top