04 - Perfeita sempre
Caeli Collins
Aquela noite tinha sido estranha, posso dizer: tive um sonho que espero jamais tê-lo novamente. Estava caminhando na floresta, como em uma das minhas falhas tentativas de ser fitness uma vez na vida. Era outono, e as folhas das árvores já começavam a mudar de cor a espera do inverno. Eu amava ver aquilo, costumava sempre ir com a minha mãe olhar, pois era tradição de nossa família sempre ver a mudança de cores.
Em um momento me senti calma por está vendo aquilo que sempre amei ver; O ar estava aconchegante, o som da natureza me deixava feliz, e me fazia ter aquele sentimento de nostalgia de que sempre seria bem-vinda ali.
De repente tudo ficou diferente, comecei a sentir um vento muito frio, que chegava a ser horripilante. Peguei o meu casaco e me cobri, mas nem mesmo isso adiantava. O som da natureza foi ficando desigual, não era mais como se ela estivesse me dando boas-vindas, e sim como se estivesse querendo que eu fosse embora. O vento ficou mais forte, e estava quase impossível continuar ali. Saí correndo, mas a cada minuto ficava pior. O ar gelado no meu rosto era como se tudo meu estivesse congelando, até que sem perceber, não sabia mais o caminho de volta. Era como se a floresta tivesse mudado, mas como? Como isso poderia acontecer? Eu ia naquela floresta desde pequena, sabia todos os seus cantos. Comecei a ficar desesperada, e tentava gritar por ajuda, mas era como se só eu ouvisse os meus gritos.
Eu continuei correndo, até que eu vi um esquilo. Ele parecia assustado, assim como eu, e quando tentei me aproximar, ele saiu correndo; e eu corri atrás dele. Quando o encontrei, ele estava olhando para uma árvore que era a maior da floresta. Ela estava totalmente congelada, seus galhos não tinham vida, e era como se toda a cor que aparecesse em suas folhas no outono tivesse desaparecido no ar. Nesse momento eu me sentei e tentei controlar minha respiração que estava ofegante; fechei meus olhos e tentei respirar, e quando eu os abri, percebi que tudo tinha sido um sonho. Um sonho muito ruim.
Me levantei e fui procurar uma roupa. Lembrei que tinha combinado com a Chloe de comprar roupas para o evento da troca de cores que seria daqui a um mês. Porém, gosto sempre de me preparar antes para que nada saia errado. Ainda sem conseguir entender aquele sonho, abri meu guarda-roupas, e peguei uma calça jeans escura. Estava procurando uma blusa quando minha Mãe entrou no quarto.
— Para onde você está indo, filha? — perguntou minha mãe.
— Estou indo para a casa da Chloe, apenas procurando uma roupa.
— Por que não usa está, filha? — ela estava apontando para um top cropped preto que ela tinha me dado.
— Não, mãe, ela é muito curta, e a senhora sabe que eu não gosto muito de mostrar minha barriga.
— Você tem um corpo tão lindo, deveria mostrar mais. Se eu tivesse um corpo como o seu, só saía assim.
Peguei uma blusa ciganinha estampada mais comprida; minha mãe ainda resmungava, porém, aceitou minha escolha.
— Você é mesmo complicada. Enfim, chegue cedo e tome cuidado com o carro.
— Está certo, mãe — corri para pegar meus tênis e arrumar o meu cabelo.
— Não vai comer nada, Caeli? — perguntou minha Mãe.
— Eu como na casa da Chloe.
— Está certo, diga que mandei um beijo para ela.
— Digo sim.
— Ah — minha mãe parou por um minuto como se lembrasse repentinamente de algo — E antes que eu me esqueça, seu pai irá ligar assim que você chegar. Seja boazinha.
— Tá bom, mãe... — não gostei muito da ideia, meu pai não era uma pessoa presente na minha vida. Ele era empresário, e por viajar tanto, acabou morando em outra cidade. A gente se via no máximo 2 vezes no mês, e minha mãe sempre achava que eu tinha que agir como se ele fosse o melhor pai do mundo. Eles dois tinham uma relação complicada, não eram separados, mas também não eram juntos e sempre era a minha mãe que fazia tudo por mim. Ela também trabalhava muito por ser advogada, mas sempre procurou ser presente em minha vida, diferente do meu pai.
Saí correndo e peguei o meu carro. No caminho para a casa da Chloe acabei me lembrando que hoje era o último dia de férias; amanhã começava tudo novamente, e eu já tinha inúmeras coisas para fazer, como por exemplo, pensar nos meus looks para a semana. Com certeza minha mãe me ajudaria nisso. A importantíssima advogada Ária Collins em seus horários vagos adorava moda. Quando cheguei na casa de Chloe, ela já vinha descendo ao meu encontro.
— Você demorou, Caeli.
— Desculpa, acordei um pouco tarde.
— Bem, vamos? Eu estava pensando em vários looks que poderíamos formar, até porque é um dos eventos mais importantes da cidade, sempre vem muitos turistas.
— Vamos Chloe, ainda preciso comer e chegar cedo em casa.
— Tudo bem por mim.
No caminho Chloe só falava da volta as aulas, do evento, e também dos diversos garotos bonitos que ela sonhava em conhecer no mesmo; enquanto eu não conseguia parar de pensar no pesadelo que eu havia tido. Eu não conseguia entendê-lo, e estava com uma horrível sensação de que não tinha sido um pesadelo qualquer. Talvez fosse loucura da minha cabeça, mas ainda conseguia sentir aquele frio horrível do sonho.
— Ei garota, está me ouvindo? — perguntou Chloe.
— Estou sim, o que foi?
— Olha aquela roupa na vitrine, é aquela loja mesmo que vamos olhar.
Paramos em frente a uma loja que tinha um vestido na vitrine. Ele era curto, e tinha um mix de estampas em rosa, azul e alguns detalhes em preto.
— Esse vestido vai ficar perfeito em você, anda vamos entrar e provar!
Entrei na loja e provei o vestido, logo olhei para Chloe e ela estava super animada.
— Eu sabia que iria ficar maravilhoso em você, não poderia ter encontrado vestido melhor, e essas estampas... tem tudo a ver com a mudança de cores das árvores. Gostou?
— Gostei, vou levar. Vamos logo, estou com muita fome e minha mãe mandou eu não demorar.
No caminho paramos em um lugar que fica na beira da estrada entre o centro de Stowe e a base da montanha, chamado Edelweiss. Entrei e fiquei alguns minutos olhando para a parte dos bolinhos, porém, decido pedir um sanduíche com queijo e alface e também um suco.
— E você, Chloe? Vai pedir o quê?
— Ah, o mesmo que você.
— Ok — chamei o garçom e ele logo foi pegar o nosso lanche, enquanto espero olho ao redor e converso com Chloe.
— Não queria ter que ir para casa agora, quando chegar terei que ser simpática porque o meu pai vai ligar.
— Sua mãe ainda insiste para que você e seu pai sejam os mais amáveis pai e filha do mundo?
— Ah, com certeza. Às vezes eu acho que ela faz isso para me irritar, mas sempre tento ser a mais simpática possível, porque sei que se não for ela irá reclamar comigo.
— Sua mãe deveria olhar mais o seu lado, não é só porque ele paga a sua pensão que ele é o melhor pai do planeta.
— Pois é, queria que ela entendesse isso.
Enquanto eu e Chloe comemos, fico observando as plantas e o vento que esta do lado de fora, enquanto as pessoas vão entrando e algumas me cumprimentam.
— Nossa, lá vem a estranha — Chloe aponta para uma menina que vem chegando, ela tem cabelos longos e pretos, não é muito alta, mas também não é muito baixa.
— Por que ela é estranha? — pergunto.
— Ela sempre está sozinha com livros. Nunca a vi com nenhum amigo, acho que até as pessoas tem medo de se aproximar dela.
Olho novamente para a garota, e lembro de tê-la visto na escola, exatamente como Chloe disse, sempre muito calada e mergulhada em seus livros.
— Acho que já a vi na escola, como é o nome dela mesmo?
— Amandy White.
— Pessoas assim sempre terminam sem amigos mesmo. Bem, vamos embora, já esta ficando tarde.
Pego a chave do carro e vou embora, deixo Chloe em casa e sigo para a minha própria. Quando chego, vou direto para o meu quarto e minha mãe vem logo atrás.
— Como foi o passeio, filha? Comprou a roupa para o evento?
— Sim — tiro da sacola o vestido estampado que comprei, e mostro para a minha mãe.
— Ai filha, que lindo! Me lembrou tanto da minha época de adolescente, você vai ficar linda nele, mais do que já é.
— Obrigada, Mãe.
— Ah, seu pai não pôde ligar hoje, ele tinha negócios para resolver.
— Está bom... — meu pai e seus negócios sempre em primeiro lugar, como eu já suspeitava. Ele sempre faz isso.
— Bem, arrume suas coisas, amanhã é o primeiro dia de aula, tem que dar uma boa impressão.
— Está bem.
— Boa noite, querida.
— Boa noite, mamãe.
Ela sai do quarto e eu começo a separar minhas coisas; o pesadelo me vem a mente novamente, e sinto medo de dormir. Me sento na cama e respiro fundo, amanhã será um novo dia, e espero não ter pesadelos novamente.
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