𓅂 𝓣𝓱𝓮 𝓞𝓶𝓮𝓰𝓪'𝓼 𝓡𝓲𝓼𝓮

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#DocedePessego
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Deixem o voto e comentem!

Boa leitura!


— Eles têm um plano para destronar Edward, Hyejin.

Jung Hoseok falou baixo, olhando desconfiado para os clientes sentados próximos à sua mesa.

— O que mais você ouviu? — a preceptora bebericou o chá tentando transparecer serenidade embora estivesse bastante apreensiva com a informação que acabara de receber.

— O conde de Norwich e outro alfa que eu não consegui identificar, chegaram bem cedo em nossa residência e logo foram para o escritório a pedido do meu pai. Queriam privacidade. — ele ajeitou a gravata no colarinho, aliviando a sensação de sufocamento causada pelo teor denso da conversa. — Pelo pouco que ouvi, o plano é matar o príncipe.

— Não pode ser! — Hyejin chiou. Depositou a xícara de volta ao pires e agitou o leque de modo a refrescar-se. — Você falou sobre o conde de Norwich, ele é pai de Jimin. — seu olhar seguiu um ponto qualquer para fora da pâtisserie a procura de soluções imediatas — Irei até Newbrook's Farm para visitá-lo à tarde e posso tentar descobrir algo, mas creio que o ômega não saiba sobre os negócios escusos do pai. Maldito alfa!

— Hyejin, escute. — Hoseok a segurou pela mão. — Sabe que sou louco por você e por Edward, sabe que desistirei do meu casamento justamente porque não consigo mais sustentar uma farsa. Precisamos defendê-lo.

— Também não consigo viver sem vocês, meus alfas. — seu olhar esmorecido transbordava medo e incertezas. — Conto os dias em que finalmente poderemos viver juntos.

— Serei renegado por minha família, mas nada importa de fato, apenas vocês dois.

Os olhares de ambos se cruzaram, confidentes e empertigados.

— Vou tentar fazer com que Jimin nos ajude.

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Arrependimento.

Não havia sentimento mais adequado para descrever as sensações de Jungkook naquele momento.

Naquela manhã ensolarada.

Com o corpo de Jimin relaxado sobre o seu.

Prometera jamais tocá-lo e no instante seguinte o tinha em sua boca, gemendo de desejo por seus toques.

Odiava a si mesmo por ter sucumbido, por ter deixado se levar por um ômega inexperiente.

Por outro lado, seu lobo, negligenciado há anos, se contorcia de felicidade em seu peito, após ter seus instintos precariamente alimentados. As sensações de desconforto causadas pela melancolia do lobo, já não se faziam presentes há alguns dias e isso empertigava Jungkook.

Talvez fosse hora de retomar suas visitas a Maison e tratar suas volúpias sexuais com a frieza e luxúria desmedida dos ômegas que lhe serviam com profissionalismo absoluto, sem chances para arroubos românticos, ponderou num profundo suspiro.

Deixou-se levar pelo jogo de provocações excitante ao qual Jimin também parecia gostar e se via atado ao caos de seus próprios sentimentos conflitantes.

Nunca havia se sentido tão atiçado e tentado por um ômega em toda sua vida, o atrevimento de Jimin nas palavras e nos gestos eram completamente desconhecidos e o enlouquecia em um nível sobrenatural.

Porém era hora de dar um basta.

Ele tinha um plano a seguir.

Estalou a língua entre os dentes e o barulho despertou o ômega.

— Bom dia.

Remexendo-se vagarosamente, ainda deitado sobre o peitoral rígido que exalava o aroma relaxante de pinus e hortelã, Jimin abriu os olhos com dificuldade, após saudar o marido.

Nunca havia dormido tão bem.

— Bom dia, ômega. — o duque respondeu usando um tom que beirava a indiferença.

Com sonolência ainda justificável, Jimin se moveu. Recostou-se na cabeceira da cama e aguardou em silêncio. O tom do marido deixara evidente que a conversa entre eles seria de certo modo, intrincada.

Jungkook por sua vez, colocou os pés para fora da cama e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, de modo a refletir sobre suas próximas palavras.

— Não fui correto com você ontem à noite, eu gostaria de me desculpar.

Sua voz pesada reverberou no amplo ambiente, trazendo características densas à conversa assim como o ômega previu.

— Se desculpar pelo que exatamente? — Jimin estava sereno, embora necessitasse compreender a aspereza do alfa. Não havia justificativas para a rispidez, haja vista que Jungkook se mostrou disposto a fazer o que fizeram nas cavalariças.

— Você estava embriagado. Não foi prudente o que fizemos. — o duque não o olhou, manteve a cabeça abaixada, sinalizando arrependimento pungente.

— Consigo lembrar-me completamente de meus atos, do que eu te pedi e principalmente de como a noite terminou. Eu não estava fora do meu juízo, se é isso que te atormenta.

— Hm.

Nada mais foi dito.

Curiosamente mais relaxado e tranquilo, compreendendo que a preocupação do alfa era direcionada ao nível de sobriedade e não pelo ato em si, Jimin pensou em falar sobre tudo o que sentiu, mesmo temendo parecer sentimental ou até mesmo apaixonado.

Lembranças do que havia ocorrido cintilavam em sua mente e arrepiavam seu corpo. A forma como fora tocado, a voz grave do alfa o chamando de "meu doce" e seu primeiro orgasmo, eram imagens e sensações impossíveis de se esquecer.

Precisava compartilhar esse sentimento.

— Eu gostaria de agradecê-lo inclusive. Jamais senti algo parecido em toda a vida. Tive a sensação de que não sobreviveria. — riu fraco, mordendo os lábios.

Jungkook estranhou a fala.

— Nunca teve um orgasmo antes? Nunca se tocou? — ele mandou pelos ares a etiqueta e os modos diante de seu marido ao fazer a pergunta íntima. Essa barreira dos costumes conservadores havia sido colocada abaixo na noite passada.

E Jimin pouco se importou em responder. Estava exausto em ter de colocar freios em sua língua toda vez que quisesse externar seus penssamentos.

— Eu raramente tomava banho sozinho. Já percebi algo nos lençóis algumas vezes e Calista me dizia que era porque eu estava me tornando um adulto. E também tem o fato de dizerem sempre que era um pecado se eu me tocasse e que meu anjo da guarda sempre via tudo o que eu fazia.

— Então seu anjo da guarda deve ter sofrido um ataque do coração ontem. — Jungkook brincou, mas seu timbre não demonstrava humor.

— Que seja. Eu só não queria que ficasse uma situação de constrangimento entre nós — Jimin fez uma pausa e movimentou-se até a beirada da cama, sentando-se ao lado do marido — e que também não houvesse assuntos proibidos a ponto de me fazer parecer um tolo. Não somos como um casal de verdade, você pode se encontrar com quem quiser.

— Está se referindo a Camille?

— Estou me referindo a quaisquer assuntos que você deixa de me dizer simplesmente por achar que não consigo compreender. Não me tome por inocente, alfa. Apenas não conheço todas as coisas porque vivia preso dentro de casa sob as regras da condessa.

— Com relação à Camille, eu disse ontem que irei levá-lo até a Maison para que possamos esclarecer a relação estritamente profissional que tive com ela. Esteja pronto ao meio dia, iremos a Strand e após o almoço vamos resolver essa contenda. — seu tom de voz se agravou. — Eu já disse também que não acho você um tolo! — exclamou com uma pitada de irritação.

Os ânimos se exaltavam levemente, quase como uma escala rítmica, cadenciada pelos dois.

— Eu não me importo com sua prostituta. — Jimin bradou com indiferença, retomando a forma prepotente que já havia experimentado em sua personalidade.

Queria o confronto.

— Mas eu me importo em prová-lo que não tenho um relacionamento extraconjugal com ninguém. — o duque fez a réplica.

— Por quê?

— Ora! — Jungkook bufou — Porque eu sei que você se sentiria mal, assim como qualquer outro ômega ou alfa ou beta em ser traído. É questão de caráter! — exaltou-se.

— E se eu disser mais uma vez que não me importo? A lisura do seu caráter está em não mentir para mim, suas relações extraconjugais tem a ver com a sua vontade. Se eu disser que concordo com o fato de você se encontrar com outros ômegas, é um acordo e não falta de caráter.

Jimin descobriu como era excitante o embate, a provocação desmedida tão usada por ambos nos últimos dias. Descobriu também que poderia aplicar os conceitos teóricos de ética e moral numa simples conversa sobre traição, algo trivial e praticável por quase todos os alfas naquela sociedade.

No fundo, era divertido.

Como Patrizia havia dito, ele era a verdadeira mistura de anjo e demônio.

— Pergunte a sua mãe a sensação de ser traída e garanto que jamais dirá isso novamente! — o duque quase rosnou, queria que seu ponto fosse acatado e usou a condessa como exemplo.

Jimin, no entanto, associou a fala do alfa à amargura da mãe. A indiferença e traições do conde estariam intimamente ligadas às atitudes dela, mesmo consciente de que Dahye possuía também o dom nato da maldade.

— Desculpe, não quis ofender. — Jungkook fez mea-culpa antes mesmo de receber uma resposta.

— Não me importo com a condessa também.

Jimin se levantou, deixando óbvia sua irritação acerca daquele assunto sobre fidelidade e caráter. Não fazia sentido naquela conjuntura, aos moldes tortos que consistia seu casamento. Notou através da frieza no tom de voz do marido, que a cena tórrida e explícita que protagonizaram nas cavalariças não fora tão prazerosas para ele como imaginou.

Decidido a se impor definitivamente, encarou Jungkook com altivez e foi enfático:

— Acha que merece um prêmio por ser fiel, alfa? Nós nem ao menos somos um casal de verdade. Não se preocupe. Sinto que lhe causei repulsa, então acho que a partir de hoje te deixo livre para desfrutar de suas aventuras sexuais com os ômegas aos quais sempre pagou para isso. Aliás, acho que irei pessoalmente até a Maison dizer a Camille que ela venceu. Poderá saciar suas vontades e fantasias com ela quando bem entender, só não a traga aqui. Sou o ômega duque Jeon Jimin e exijo o mínimo de privacidade dentro da minha residência, sem ser incomodado por estranhos. Tenha um bom dia.

Jimin girou o corpo para que pudesse tomar o caminho de saída, mas foi puxado pelo braço abruptamente por Jungkook, de modo que se chocou com o peito robusto do marido.

— Você poderia ao menos me ouvir? — o alfa tinha a respiração pesada, o peito ondulando pela entrada e saída do ar.

Jimin o havia esbofeteado com palavras como ninguém nunca havia feito até aquele dia.

Os olhares de ambos se cruzaram, num confronto ainda mais lascivo do que antes. Jimin percebeu que as narinas do alfa se dilatavam em claro sinal de ira. O queixo marcado a mandíbula tensa contornava o rosto sisudo como uma moldura clássica, o vislumbre rápido dos enormes olhos negros com traços flamejantes compondo a obra.

Jimin esboçou um sorriso no canto dos lábios, satisfeito com imagem quase selvagem de seu marido tomado pela cólera, segurando-o firme, causando leves tremores em suas pernas.

— Diga o que tem para dizer, tenho um compromisso. — ele foi ríspido, desfazendo da aproximação assim que sentiu o alfa suavizar a força com que o segurava.

Adorava aquela forma bruta. Adorava o peso das mãos dele sobre si.

Jungkook exalou todo o ar de seus pulmões, esfregou os cabelos, colocando-os para traz, irritado. Caminhou alguns passos até a grande janela de madeira e apoiou os braços na cintura. Seu semblante traduzia um quase desespero.

— Eu quero trégua. Vamos ao menos tentar agir como um casal normal? Mag está notando algo diferente entre nós e não quero levantar suspeitas. Consegue compreender? — ele quase sussurrou, manifestando exaustão ao dizer as palavras.

Em contrapartida, Jimin o fuzilou com o olhar. Era possível perceber que seu marido falava a verdade, porém não queria sucumbir. Era necessário se manter atento e alerta a tudo que remetia àquele casamento.

Então ele deu o primeiro passo e andou até Jungkook, quase encurralando-o na parede. Olhou dentro dos olhos negros e franziu o cenho, desconfiado.

— Você também mentiu para ela, não é mesmo? Você nunca se relacionou com outro alfa, apenas usou isso como um álibi e eu ainda não entendi o motivo pelo qual eu fui o escolhido para integrar esse seu plano. Você é um mentiroso!

Estufando o peito com altivez, Jimin cruzou os braços ansiando por uma resposta que fosse convincente o bastante para fazê-lo acreditar que Jungkook dizia a verdade.

— Me relacionei sim, contudo não quero expor essa situação tão íntima. Acho que você saberia respeitar isso, não é mesmo, ômega? — ele suplicou por sigilo, encarando-o de volta.

No entanto, as palavras do duque não tiveram o poder persuasivo ao qual ele confiava e Jimin sentiu-se livre para mais uma investida.

— O que Mag poderia fazer ao descobrir que você é um sodomita? — sua voz saiu alta e provocativa, reverberando pelo quarto e apavorando Jungkook pela terceira vez naquela manhã.

— Shiii! — o alfa levantou a mão e tocou os lábios rosados do marido com o indicador — Ah, o que eu faço com você, Jimin? Você me tira completamente do sério!

Tão breve foi o toque quanto à forma como Jimin abriu levemente os lábios, expectante pelo próximo ato do alfa. A textura dos dedos compridos era levemente áspera, assim como havia experimentado em outro local de seu corpo horas atrás. Assim como havia experimentado em seus pés há alguns dias.

Seu marido havia tocado seu corpo algumas vezes embora a sensação de cada novo contato fosse inédita e vergonhosamente excitante.

E mesmo sem se mover, com a boca entreaberta e a barreira física do toque dúbio lhe comprimindo os lábios, Jimin deu a cartada final:

— Deveria saber o que fazer comigo antes de ter me pedido em casamento, alfa.

Sem esperar por resposta ele encerrou a discussão, partindo rapidamente para fora do recinto. Não usou a porta que dava acesso ao seu quarto, saindo então pela passagem principal e chocando-se deliberadamente com um dos empregados no corredor.

Entrou em seu quarto e bateu a porta, algo que jamais poderia fazer se ainda estivesse morando em Norwich.

Ele era Jeon Jimin, o ômega-duque de Strand.

Olhou para o espelho e relaxou os ombros após um longo suspiro resignado.

Todos os alfas eram iguais, ponderou.

E Jeon Jungkook era apenas mais um deles.

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Após os desentendimentos ocorridos em seu quarto, Jungkook peregrinou pela propriedade de modo que pudesse desanuviar seus pensamentos. Esteve nas cavalariças, tratou os animais e limpou as baias deles. Conseguiu montar Heólico após uma acalorada discussão, onde o garanhão parecia extremamente emburrado. Jungkook logo percebeu que era ciúme e o entrevero foi resolvido pelo poder apaziguador de uma maçã verde suculenta.

Os dois percorreram os campos de girassóis floridos por algum tempo indeterminado até chegarem à casa de Yoongi que os observava à distancia.

Jungkook apeou e puxou Heólico pela rédea até a sombra. Yoongi acenou para os dois enquanto descascava uma tangerina, recostado na pilastra da varanda e notou que o semblante do alfa estava carregado de preocupação.

— Eu fui um tolo, Yoongi. — o duque retirou o chapéu e sentou-se displicentemente na escada, olhando para o horizonte espetacular daquela manhã ensolarada. — Toquei Jimin ontem e não é dos lábios dele que me refiro.

Yoongi descascava e terceira tangerina e soltou apenas um chiado ao ouvir a confissão do alfa.

— Eu avisei, não foi? — ele disse saboreando a fruta. — Jimin é um ômega interessante, é esperto e você apenas caiu em sua armadilha sedutora.

— É completamente o oposto. Ele não me seduziu. Ele na verdade criou situações para nos manter afastados, mas isso me instigou ainda mais, me deixou a ponto de cometer insanidades, eu perdi o controle. Jimin não sabe o que é sexo, ou pelo menos não sabia até ontem.

— É claro que ele sabe, Jungkook. Ele só não pode deixar claro que sabe.

— Ele é um atrevido... — o alfa negou com a cabeça — nós brigamos hoje pela manhã, uma discussão completamente sem sentido, mas que eu não gostaria que tivesse terminado. É instigante, excitante e ao mesmo tempo tão revelador ter qualquer discussão com Jimin. Ele se desabrocha a cada vez que é confrontado. Ele me insulta de uma forma que me faz querer mais, eu quero provocá-lo. E entramos nesse círculo por vezes incontáveis, ah, eu preciso voltar às minhas capacidades mentais, sinto que vou enlouquecer! — ele exalou profundamente, retirando todo o ar dos pulmões.

— Vejo que não há diferença entre você e os bois da propriedade vizinha. Já foi marcado à ferro, meu caro. — o ômega sentou-se ao lado de Jungkook — Desde o início dessa sua jornada eu previa o fracasso de seus intentos, você sabe disso. Não se envolver sentimentalmente era a sua maior missão, mas olhe onde está agora. Completamente apaixonado pelo ômega. Se me permite falar com franqueza, me sinto confuso em distinguir quem é o alfa e quem é o ômega desse casamento. — Yoongi não poupou sensatez em seu discurso.

Jungkook por sua vez, manteve a cabeça baixa, numa postura reflexiva.

— Vou retomar minhas visitas a Maison. Preciso aliviar minhas tensões e focar exclusivamente em meus planos. Tenho avançado em minhas conversas com o conde e em breve posso arrancar a verdade dele e fazê-lo pagar por todo mal que me fez e pelo mal que seu filho está me fazendo agora!— o rancor lhe dominou a íris negra, evidenciando tons avermelhados inerentes à ira de seu alfa.

— Lembre-se que foi você quem trouxe Jimin para perto e não o contrário. — Yoongi o advertiu. — Eu sinceramente quero me manter afastado dessa sua aventura confusa. Está casado sem querer estar casado, quer sexo com seu marido, mas ao mesmo tempo não quer manchar a honra dele após um possível divórcio. — o tratador de cavalos descascou a última tangerina que restava em suas mãos e concluiu o pensamento: — Não me peça conselhos.

— Hm.

Apoiando os braços atrás do corpo, Jungkook fechou os olhos, esperando que mais uma dose de ponderações preenchesse seus pensamentos confusos.

— Você é o meu melhor amigo, alfa. — Yoongi quis amenizar suas palavras. — Me preocupo genuinamente com você, mas não posso tomar suas decisões. É por isso que prefiro me manter neutro nesse assunto específico, é melhor de toda forma. — ele olhou para o puro sangue lusitano em sua frente — Heólico está temperamental por esses dias, a estação de monta logo virá e eu preciso treiná-lo, a qualquer momento podem anunciar o campeonato.

Agradecendo a mudança repentina dos rumos da conversa, o duque voltou a posição inicial de seu corpo e bateu uma mão na outra, limpando os resquícios de poeira.

— Quero justamente tratar disso com você. Em minha última conversa com Edward ele se manifestou favorável ao meu pedido para recriarmos um novo campeonato de Polo, onde qualquer classe genética poderá se inscrever. Podemos alugar alguns animais para que as pessoas possam treinar.

— Sim, é uma ótima ideia. Edward gosta muito de você, ele irá acatar.

— E eu quero que você se inscreva como o atleta de Strand. Quero que represente nossa casa.

— Você é mesmo um sonhador, alfa. Tão grande e sisudo, mas com um coração de algodão doce. Jimin realmente não precisou de muito para dobrá-lo.

Jungkook negou com a cabeça e num gesto rápido se levantou.

— Preciso voltar para o casarão. Tenho um encontro com Edward mais tarde e levarei meu marido comigo.

— Como um lindo casal da aristocracia londrina deve se portar. O amor é realmente lindo!

— O que sinto por Jimin é puramente desejo, luxúria. Apenas uma noite na Maison apagará esse fogo de palha e prometo que tudo retornará ao normal. Irei dar um basta. Adeus, meu amigo! — acenou e seguiu até o garanhão, certo de suas palavras.

Estava convicto de que apenas aliviar suas tensões sexuais o afastaria permanentemente de Jimin como uma simples piscar de olhos.

Cavalgou até o casarão e entrou pela porta da frente, num rompante revigorado trazido pela conversa franca que tivera com Yoongi.

— Vá se lavar, alfa. Há marcas de seu suor brilhando pelo piso. — Magnólia exigiu num tom usual enquanto ajudava os empregados a colocarem a mesa do almoço.

— Bom dia, duquesa. Está graciosa hoje. — ele dirigiu o olhar zombeteiro a ela e prosseguiu: — Não darei minha agradável presença a você no almoço, infelizmente. Irei para Strand com o ômega.

— Com seu marido. — Magnólia o corrigiu. — Não pense que eu não percebi o quanto vocês agem como dois lobos selvagens num simples lance de olhar. Não fizeram ao menos questão de serem decorosos ontem à mesa. — ela mordeu os lábios e maliciou — Sei também que Jimin saiu de seu quarto ajeitando o saiote hoje pela manhã.

— Mag...

— Ah, se acalme! Não quero parecer inconveniente, mas essa paixão jovem é tão excitante! E me alegro em saber que Jimin compartilha de hábitos devassos assim como você. Ele é um garoto que exala sensualidade mesmo coberto por tanto pano. Oh, como eu gostaria de ser uma mosquinha bem pequenininha para poder ve...

— Magnólia Wilson! Mantenha a compostura! — Jungkook enrubesceu. Lidava bem com a clareza nata da duquesa em vários aspectos, porém sentia-se desconfortável ao falar sobre assuntos tão íntimos com ela.

— Vá! Leve seu marido para um almoço romântico, leve-o para tomar sorvete e passei com ele por algum charmoso parque e me deixa aqui com minha viuvez. — ela atuou, encenando uma falsa tristeza, despachando o alfa com as mãos.

O que Magnólia não fazia ideia era que os dois não estavam em bons termos. E pensando e repensando suas palavras, o duque seguiu até a porta do quarto de Jimin para avisá-lo que sairiam dentro de meia hora.

— Vou apenas me lavar e podemos ir. — ele disse assim que Jimin abriu a porta.

Jimin estava parado a uma distância considerável e não olhou seu alfa nos olhos, optando por uma abordagem mais fria e polida. Não desceu para o café naquela manhã e organizou seus próximos passos com determinação. Seus métodos e comportamentos deveriam ser condizentes com um ômega maduro, seguro de si e não de um garoto que não ganhou um presente de natal.

— Combinei de encontrar com Hyejin às quinze horas para um chá. Não gostaria de ter que cancelar esse compromisso. Podemos remarcar a ida para Strand outro dia. — ele se explicou, mantendo a postura fria, mas com o queixo numa angulação mais baixa do que a usual.

— Não. Chegaremos a Strand e pedirei para que enviem um recado à sua preceptora. Você poderá encontrá-la lá, Lorde Archer estará à sua disposição. — Jungkook deu o tom grave, contrariando a vontade prévia do marido propositalmente.

Ele daria as cartas a partir daquele momento.

— Como quiser, alfa.

Ouviu o acato à sua ordem e voltou-se aos seus aposentos, certo de que estava retomando o controle de seus planos.

A viagem até Strand foi monótona e silenciosa. Ambos pensavam demais a ponto de não conseguirem expressar em palavras, optando assim por ouvirem apenas o barulho das ferraduras que puxavam o coche até o destino final.

Jimin, na verdade, refletia sobre sua vida, seu futuro, em como poderia expressar suas vontades, se havia algo que pudesse fazer para mudar algo a sua volta, se havia como aprender uma profissão, ou até mesmo estudar. Conversara com Magnólia sobre a universidade da França, mas obviamente não confidenciou que pudesse se separar de Jungkook e ir embora. Mas era um sonho.

Seu casamento não era real de todo mundo, mas seus sonhos eram.

Foi trazido à realidade, pela voz baixa de seu marido ecoando pelo pequeno espaço.

— Chegamos.

Ele desceu do coche e os pensamentos ainda o dominavam a mente. Mas ainda assim havia tantas dúvidas pairando sobre seu futuro. Não sabia ao certo quando Jungkook lhe daria o divórcio e nem se teria condições financeiras de se manter em outro reino, não fazia qualquer ideia sobre o valor de suas posses e nem se tinha algum direito sobre elas.

Ele estava sufocando em dúvidas e incertezas.

— Alfa.

— Sim? — Jungkook olhou para trás assim que ouviu o chamado.

— Há uma data em que irá pedir o divórcio?

O duque foi surpreendido pela pergunta.

— Eu.. eu não pensei sobre esse tópico. — ele endureceu a feição.

— Preciso pensar em como será minha vida após a separação.

Jungkook compreendeu a aflição de Jimin e lamentou não ter esclarecido os detalhes inerentes a esse assunto. Ômegas separados geralmente eram tratados como cidadãos de segunda categoria e raramente havia trabalho para eles. Era como uma punição social, por não ter sucumbido a um casamento, na maioria das vezes, abusivo.

— Entre. — ele indicou a sala de estar para Jimin. — Ouça. Não ficará desamparado de forma alguma após a nossa separação. Terá bens em seu nome e dinheiro disponível para suas necessidades. Não terá mais o título de duque, porém terá dignidade, é o mínimo que farei.

— Eu não compreendo muito bem. — o ômega sentou-se no sofá, ainda mantendo a postura submissa, e a ação incomodou Jungkook.

— Olhe para mim.

— Você pediu trégua. — a voz Jimin soou tão baixa que apenas a audição aguçada do alfa foi capaz de captar.

— Eu pedi trégua, não significa que não quero que me olhe nos olhos. — o duque passou as mãos pelos longos fios de cabelo e ficou em silêncio por alguns instantes, ponderando a próxima fala. — Não há tempo suficiente agora para termos essa conversa, iremos até à Maison e preciso ir até o castelo também, Edward me espera. Mas hoje à noite, na biblioteca, poderemos ter uma conversa sensata e definitiva. Você me diz suas aflições, o que pensa sobre seu futuro e chegaremos a um acordo, sim?

— Sim. — Jimin levantou o semblante ao responder.

— E haja naturalmente. Prefiro o Jimin que conheci hoje de manhã. Submissão não lhe cai bem.

Mesmo não compreendendo o que levou Jimin a levantar o tópico tão aleatoriamente, ele sabia que aquelas perguntas e solicitações eram pertinentes.

E Jimin sorriu genuinamente em resposta.

— Vamos almoçar e iremos até a Maison. Quero colocar tudo em pratos limpos assim como eu disse que faria.

A refeição foi servida por Lorde Archer que fez questão de encomendar torta de nozes para a sobremesa. Era a preferida de Jimin.

E o beta nutria um sentimento paterno pelo ômega. Gostaria de passar mais tempo ao lado dele, ouvi-lo, ajudá-lo com suas demandas, compartilhar angústias e alegrias como um bom mordomo. E havia também a certeza de que alfa e ômega construiriam um amor puro, mesmo com todas as adversidades.

Pouco tempo após o almoço o casal partiu para a Maison.

Não era comum que ômegas da aristocracia frequentassem um local como aquele e isso chamou a atenção dos seguranças. Jungkook acenava como se pudesse dizer que Jimin era alguém bem-vindo ali, que todos poderiam seguir normalmente com seus afazeres.

Já dentro do salão principal, Jimin olhou para a decoração, maravilhado. Os tons bordô eram harmoniosamente espalhados pelo ambiente, compondo uma palheta de cores charmosa, assim como a disposição da mobília.

Jungkook o mantinha segurando seu braço e alguns ômegas que estavam em seus horários de descanso, olhavam desconfiados para a cena.

Mme. Davaux surgiu no topo da escada, vestida com um robe de seda pura azul turquesa e arregalou os olhos quando viu o alfa com o marido. Chamou rapidamente pelo ômega que cruzava por ela no corredor e deu o aviso:

— Rupert, avise a todos para não descerem em hipótese alguma até a minha segunda ordem.

Ela temia que pudesse ocorrer desavença, afinal ômegas da corte não tratavam o local com respeito e até suspeitou que a presença inédita do rapaz em seu estabelecimento pudesse estar relacionada a exigências feitas por ele obrigando Jungkook a fechar a Maison.

Entretanto, sem tempo a mais para confabulações, ela relaxou os ombros e os saudou.

Bonjour! — ela desceu as escadas, tentando ajeitar os seios fartos sob o tecido fino. Andou até eles e sorriu entredentes, sem saber o que dizer ao casal. Suas unhas batiam umas nas outras, explicitando seu nervosismo e ela emudeceu.

— Olá, alfa. — Jungkook estendeu a mão. — Esse é Jeon Jimin, meu marido. Jimin, essa é Mme. Davaux, a gerente da Maison.

A mulher ainda fitava Jungkook com incredulidade e não sabia ao certo se poderia agir naturalmente ou se deveria atuar, mesmo com o duque dizendo sua real função no local.

— É um prazer conhecê-lo, Jimin! — ela foi simpática.

— O prazer é meu, Mme. Dav.. me desculpe.

— Oh, mon chérie, não se preocupe com a pronúncia! Francês é a língua do diabo, já dizia mon papá. Mas em que posso ajudá-los? — ela segurou a mão de Jimin e a acariciou com delicadeza volvendo seu olhar duro inteiramente à Jungkook.

— Mme. Davaux, eu trouxe Jimin até aqui para que ele possa conhecer Camille. Quero que ele saiba sobre a relação profissional que tive com ela. Não quero situações mal resolvidas em meu casamento. — ele falou com tamanha naturalidade que a cortesã desconfiou de que toda aquela cena era na verdade uma bela piada de mau gosto.

Ela franziu o cenho, não compreendendo de imediato as intenções incabíveis do alfa e diante a dúvida, preferiu ganhar tempo.

— Ela não está, infelizmente. — encarou novamente o duque e acenou a cabeça em negação de uma maneira sutil, para que apenas ele notasse o sinal.

Mas Jungkook apenas a ignorou.

— Sabe se ela irá demorar?

— Não voltará hoje! — a resposta veio como um tiro de canhão e pela primeira vez, Jimin se empertigou.

Disposta a findar o teatro grotesco a qual fazia parte involuntariamente, Mme. Davaux optou por tomar uma atitude drástica.

— Jimin, será que pode me emprestar seu alfa por alguns segundos? Estou com um vazamento há dias na torneira do banheiro principal, creio que somente uma mão pesada de um alfa dará jeito. Dara, venha, ofereça um suco para Jimin! — ela não esperou confirmação do ômega e num gesto brusco agarrou Jungkook pelo braço, levando-o para longe dali.

— Está completamente enlouquecido! — ela esbravejou assim que abriu a porta de seus aposentos. — Como pode trazer seu marido até aqui sem ao menos me avisar? Eu não sei como agir, o que dizer!

— Diga o que quiser, não há segredos. — o alfa falou com displicência, colocando as mãos nos bolsos.

— Ele sabe que isso aqui é uma casa de prostituição? Ele sabe ao menos o que é prostituição, alfa?

— Não tome Jimin por tolo. Ele pode até não saber sobre o ato em sim, mas o significado ele sabe.

— E o que você quer com isso? Quer apresentar uma prostituta para seu marido? A prostituta com quem sempre dormiu e que nutre sentimentos românticos perigosos por você? Eu não irei permitir! — seu dedo estava em riste, seus brincos enormes tilintando em suas orelhas.

— Não entendo essa cena. Eu e Jimin não temos um casamento convencional cheio de etiquetas pedantes. Apenas quero mostrar a ele como vivo.

— Quer mostrar sua amante ao seu marido. Que ideia genial!

Conscientemente a cortesã sabia que não havia por onde se esquivar e deveria criar ela mesma os mecanismos de fuga daquela situação vexatória. Ainda em silêncio ela retirou o robe que usava e vestiu outro mais recatado.

Ajeitou os longos fios atrás da orelha e encarou o duque, deixando um último aviso:

— Não irá apresentar Camille ao seu marido, isso é humilhação. Deveria ter repensado essa atitude vergonhosa antes de trazê-lo aqui. Já parou para pensar se os papeis estão invertidos e é ele quem tem a ideia de apresentar o amante para você? Como você iria se sentir? Oh, putain! — ela esbravejou, saindo do recinto.

Foi seguida por Jungkook que na atual conjuntura já havia se arrependido da ideia mirabolante de organizar um chá da tarde entre seu marido e sua amante. Recebeu um aviso ríspido da cortesã para que se sentasse numa das poltronas e aguardasse, já que ela gostaria de ter uma conversa privada com Jimin.

Ela retornou até onde Jimin estava já com um vasto sorriso nos lábios. Sem sombra de dúvidas ela era uma atriz magnífica.

— Mas não vamos dar a visita por perdida! Quer conhecer o local, Jimin? Fazemos shows noturnos aqui, já ouviu a palavra cabaret?

Jimin não notou a rusga entre a mulher e Jungkook, muito pelo contrário, ele se mostrava fascinado por cada explicação dada por ela sobre o trabalho dos ômegas e como o duque os havia ajudado. Ela não omitiu o fato de haver prostituição ali e deixou claro que há tempos ele não usava os serviços oferecidos no local. Absolutamente todos os detalhes sobre a movimentação da casa foi descrito com exatidão pela mulher.

E aos poucos ela foi percebendo que a personalidade curiosa de Jimin permitia que o assunto transitasse para temas diversos, como a vida em sociedade, as necessidades das classes menos favorecidas no reino e a forma hipócrita como os ômegas eram tratados.

Jungkook já não estava mais sentado em um dos sofás, saiu dali para conversar com os seguranças sobre a atual situação das ruas.

Sentindo-se feliz, Jimin tomou as informações como mais um aprendizado em sua vida. Não havia espaço para julgamentos acerca do modo de vida das pessoas daquele local e genuinamente ele percebeu que o sentimento que pairava era respeito.

— Acho que posso dizer que a quantidade de prostitutas em Londres se deve em grande parte à procura dos serviços pelos dos alfas. Ter um local para suprir essas demandas com dignidade é um direito.

— Compreendo. Acho que vocês deveriam conversar com o príncipe. Ele é mais, digamos, consciente do que a mãe. — Jimin fez a observação.

— Estamos realmente pensando sobre isso, chérie. Precisamos mudar a mentalidade retrógrada de que ômegas da corte devem ser guiados por seus instintos de cuidado com a prole e não por seus desejos sexuais.

A presença de Jungkook foi notada ao longe e Mme. Davaux viu que era hora de encerrar a conversa tão inesperadamente prazerosa que tivera com Jimin.

— Quero que saiba que não há necessidade alguma em conhecer Camille. Ela é apenas uma trabalhadora e ofereceu seus serviços ao alfa. Eu entendo que talvez ele queira te provar que não há mais nada entre os dois, porém não é necessária essa exposição. Posso garantir a você que não há nada.

— Eu não me importo. — Jimin falou naturalmente. — No entanto foi muito bom ter vindo até aqui e conhecido melhor sobre o trabalho de vocês. Eu tinha uma visão preconceituosa. Agora compreendo vários fatores e me revolto com alguns deles, inclusive.

— Você é uma joia preciosa, Jimin, quero que saiba que poderá contar comigo, estarei sempre aqui. — ela disse com carinho na voz, reforçando sua personalidade acolhedora.

— Obrigado. Ah.. é... merci? — ele arriscou o agradecimento na língua nata da mulher e arrancou um sorriso derretido dela.

Parfait!

O duque e o ômega duque de Strand caminharam de volta ao casarão no ducado para seguirem aos seus próximos compromissos. Hyejin já havia recebido o aviso de que deveria encontrar Jimin para o chá em Strand e não na fazenda e Jungkook se preparava para ir até o castelo. Nada foi dito entre eles sobre a ideia frustrada do alfa em apresentar Camille, fato esse que Jimin preferiu abordar à noite na conversa que teriam, como o alfa prometera.

Hyejin foi anunciada por Lorde Archer e Jimin pediu para que ele levasse a preceptora até seu quarto, como eles costumavam se encontrar em Norwich.

— Jimin! — a moça correu para os braços do amigo assim que passou pela porta. — Como está? Sua face está corada, sua beleza se multiplicou! — ela o elogiava com carinho.

— Eu posso dizer que estou feliz agora. Tenho feito as coisas do meu jeito, tenho aprendido muito em tão pouco tempo. Mag disse que está organizando o chá de apresentação, ela acha que devo frequentar esses ambientes e mostrar minhas opiniões.

— Sim, concordo com a duquesa. Você é único, Jimin! Merece ser ouvido.

Hyejin sentou-se perto dele na cama e perguntou sobre o casamento.

— Bom, agora vamos falar de assuntos mais interessantes — ela se ajeitou na cama afrouxou o corset.

— Jogue esse corset fora, você está quase sufocando! — Jimin comentou com diversão. — Seus seios estão quase gritando por socorro de tão apertados dentro dessa peça!

— Acho que fico mais comportada usando corset. Meus seios são grandes, se eu não usar corset, eles ficam pulando enquanto ando. — ela riu segurando os seios com as duas mãos.

— Eu acho que não iria me adaptar bem com eles.

— Quer apertar? — Hyejin ofereceu.

— Aish, prefiro que eles fiquem bem longe de mim! — ele riu, colocando uma almofada como barreira.

— Agora me conte, como foi sua primeira noite? Você já deve ter tido várias, então me fale sobre a melhor.

— A melhor noite foi ontem, nas cavalariças.

— Jimin! — Hyeijin expantou-se.

E o ômega devolveu um sorriso jocoso no canto dos lábios.

— Conte! Eu nunca fui capaz de pensar em um local tão inusitado!

— As baias são fechadas por uma porta de madeira e também estava escuro, Heólico pouco se interessa em se manter atento a algo que me envolva, então não há problemas.

— Entendo. Quero os detalhes!

— Eu estava tomando vinho com a condessa e o duque no jantar e havia uma aura tensa entre nós dois, não consigo explicar e...

— Desejo, lascívia, vontade, como queira nomear, é isso que há entre você e o duque! Continue! — Hyejin estava em polvorosa e não conseguia parar de interromper.

— Enfim, em certa hora da noite, Mag decidiu se retirar e eu segui para fora do casarão para pisar um pouco na grama. Eu me sentia leve, mas não embriagado. Acho que sou mais tolerante ao vinho do que ao hidromel. — ele torceu os lábios. — Então eu segui para as cavalariças e logo após algum tempo o duque chegou.

— Isso é uma cena de um livro de romance tórrido! Eu estou derretendo!

— Não tem nada de romance, Hyejin, não seja tola. Você sabe como são os alfas.

— Sei, tenho dois! Agora pare de me enrolar, sim? Conte!

— Bom, eu acho que eu disse algo mau criado, o alfa me repreendeu e após isso, ele disse obscenidades e eu pedi para ele repetir e também disse que queria fazer sexo com ele.

— Jimin! Meus Deus, já estou exausta!

— Por que está tão chocada? Não é assim que os casais fazem?

— Casais como você e o duque, não! Vocês tem uma regra de etiqueta e moralidades que não permitem esse tipo de coisa. Você terá que se confessar com o padre!

— Não vou, não! Eu estava com meu marido, oras! Isso não faz sentido!

— Sim, não faz nenhum sentido. Até porque provavelmente você deve ter se ajoelhado para o seu alfa como o bom garoto que é então eu presumo que já está perdoado.

— Na verdade foi ele quem se ajoelhou para mim.... — Jimin acompanhou a reação da amiga com um olhar zombeteiro na face.

Com a boca aberta e os olhos arregalados, Hyejin quis gritar, exageradamente eufórica com a informação.

— Ele tocou você??? — ela quase gritou.

— Sim, com as mãos e com a boca. — havia um traço fino de timidez envolto num belo pacote de safadeza nas palavras dele.

De fato a quantidade de álcool ingerida na noite passada não fora suficiente para tirar Jimin de seu juízo perfeito. Ele sabia o que estava fazendo, se manteve ciente das sensações que tivera e principalmente do que ouvira do alfa.

Não havia a quem culpar.

— E você gostou? — Hyejin indagou com ternura, afinal seu pupilo estava vivendo as experiências de um ômega casado com traços claros de liberdade e isso a alegrava absolutamente.

— Sim, Hyejin. Foi a melhor sensação da minha vida, posso comparar com o dia que deixei meu ômega tomar conta de minha sanidade e corri pela floresta. Eu me senti livre. — ele segurou a mão que lhe foi oferecida. — Mesmo que as coisas não fiquem tão boas com o alfa eu não me importo mais, isso agora é problema dele. Eu, Jeon Jimin, quero viver para me ver feliz.

— Ah, eu quero chorar! — ela o abraçou. — Mas, conte-me, após os toques dele, o que mais vocês fizeram? Não me esconda nada, seu safadinho!

— Não houve mais nada, eu na verdade fiquei com sono.

— Seu alfa deve ser bom nisso, te deixou sonolento apenas usando a boca... hum...

— Pare de cobiçar meu marido, você tem dois alfas! — Jimin a advertiu numa carranca brava, no entanto ela apenas o ignorou.

— Agora me diga, já pensou que você precisa retribuir, não é?

— Não preciso, não.

— Jimin... você recebeu uma carícia que provavelmente ômega nenhum nessa porcaria de reino tenha recebido. Seu marido foi atencioso e gentil, cuidou para que você sentisse prazer. Seria de bom tom retribuir, aliás, quando se retribui esse tipo de coisa, o prazer também vem para você!

— Não vou fazer disso uma obrigação. Você não sabe, mas ele me disse hoje pela manhã que estava arrependido, me pediu desculpas e quase esteve a ponto de me prometer que jamais me tocaria de novo. Possivelmente deve ter sido horrível para ele. Então sinceramente, vou tratar esse acontecimento como algo proveitoso apenas para mim e seguir em frente.

— Você está sendo egoísta...

— Sim, e serei ainda mais a partir de hoje. Eu não quis esse casamento, o alfa me colocou nessa situação e me disse para fazer o que eu bem entender. Pois bem, já tenho vários planos em mente.

Hyejin nunca havia visto Jimin falar e se expressar daquela forma determinada, obstinada a um propósito sólido que ela ainda não conseguira identificar. Estava nítido como água cristalina que Jimin se mantinha consciente de todos os acontecimentos que o cercava naquela fazenda e esse foi o gatilho que a preceptora necessitava para adentrar no próximo tópico da conversa.

Um pouco apreensiva e repensando a forma como abordaria o assunto, ela se levantou da cama para se servir de água e acalmar momentaneamente os ânimos.

Serviu Jimin também, que já não tinha a face tão trincada quanto há alguns segundos.

— Eu fico tão feliz que esteja cuidando de sua própria vida, Jimin. Você merece isso. Merece mostrar para quem quer que seja que você não é apenas mais um. Você é inteligente e perspicaz, aprende rápido também. Essas qualidades são essenciais para um líder. — Ela tomou o último gole do copo e secou a boca suavemente com as costas das mãos. — Eu sei que você tem vários tópicos para lidar por esses tempos, mas eu gostaria de pedir ajuda.

— Está com algum problema financeiro? Sabe que pode contar comigo e... — ele fez uma pausa e franziu o cenho, claramente em dúvida sobre o que iria dizer — na verdade eu não sei se tenho dinheiro, mas... enfim... eu sou um ômega duque e é obvio que tenho dinheiro, eu só preciso saber onde está. — ele concluiu a fala e Hyejin sorriu genuinamente.

— Ah, Jimin! Você tem o coração enorme! E sim, você tem dinheiro, mas pelas regras de convivência, precisa pedir ao alfa.

Jimin soltou um muxoxo em desagrado.

— Irei conversar com o alfa sobre todas essas coisas que me incomodam. Quero ter o dinheiro disponível para mim. Agora me diga, de quanto precisa?

— Não, não era sobre dinheiro que eu estava falando. É sobre o príncipe. Ele está em perigo!

A face da preceptora fora tomada por angústia e apreensão e Jimin a fitou, um tanto confuso pela revelação.

— O príncipe? Mas como eu poderei ajudar?

— Jimin, serei literal para não tomar mais o seu tempo: seu pai tem alguns contatos no castelo, ele conversa bastante com alguns conselheiros e estava há alguns dias na casa do conde de St. Louis, pai de Hoseok. — Ela se aproximou do ômega e sentou-se novamente a seu lado. — Hobi ouviu a conversa deles e o plano era matar Edward!

— Meu pai?? — Jimin colocou as mãos na boca, perplexo. — Meu pai também estava confabulando?

— Sim. O conde de Norwich estava junto aos alfas planejando matar Edward. E é por isso que eu queria a sua ajuda.

— Mas eu não sei como ajudar... eu...eu não sei sobre os negócios do meu pai, nós pouco nos falamos sobre qualquer assunto desde que nasci. Pode parecer estranho, mas eu não sei realmente quem é meu pai.

Jimin sentiu o amargor da constatação subir por sua garganta e se impregnar em seu paladar. De fato não sabia quem era Park Jisung e muito menos seus contatos profissionais ou mesmo quais eram suas formas de ganhar dinheiro. Ouvira a condessa dizer por algumas vezes que eles estavam até mesmo falidos, porém nunca percebera faltar luxo e ostentação na vida de nenhum deles.

Conforme ia digerindo a informação, teve alguns lapsos em sua memória que vislumbraram um alfa corpulento de aparência sisuda que frequentava sua casa quando ele era apenas uma criança.

— Eu me lembro de um alfa, mas não peça pra dizer o nome, eu era um garotinho. Porém esse alfa tinha uma face amarrada, parecia que estava sempre de mau humor. Inclusive eu nunca mais o vi. Ah, ele era um duque, disso eu tenho certeza porque meu pai o respeitava como um duque, havia medo, inclusive. Era um respeito baseado no medo.

— Um duque... um duque que causava medo. — Hyejin repetiu as palavras. — Se você era criança quando o viu, hoje ele deve estar casado e com filhotes. Deve ter uma aparência mais envelhecida. Podemos começar por aí. Irei pedir para Hobi fazer uma lista dos duques que frequentaram o castelo nos últimos vinte anos.

— Mas se Edward está correndo perigo, não temos tempo para montar um quebra cabeça tão demorado, ao não ser que...

A interrupção na fala de Jimin intensificou a carga de ansiedade da conversa, deixando Hyejin ainda mais angustiada.

— Diga! Diga tudo o que está pensando, Jimin. Se matarem Edward, essas pessoas más tomarão conta do reino e eu não consigo ao menos projetar o quanto estaremos perdidos.

— O meu marido.

— O que tem ele?

— Ele tem ido até a casa do meu pai com frequência, consegui captar as conversas algumas vezes e ficou claro que eles têm negócios em comum.

— Não pode ser! Edward tem o duque Jeon como seu melhor amigo! Ele confidencia todas suas aflições para o alfa e me disse ontem que irá solicitar que ele seja seu conselheiro antes da coroação. — Hyejin sentiu o coração disparar no peito e procurou por amparo na cadeira.

— Não digo com toda certeza que o alfa está planejando algo e nem de que lado ele está, mas tenho convicção de que ele é um mentiroso.

— Não compreendo...

— Acredita que ele foi capaz de dizer que era um sodomita, que gostava de se relacionar com alfas apenas para se casar comigo e fingir de bom moço para Magnólia? Depois do que fizemos ontem, é impossível que ele não goste de ômegas! — Jimin cruzou os braços indignado, confidenciando um segredo que jurou jamais revelar.

— Que história sem sentido. Seu alfa é muito misterioso.

— Sim, Hyejin. Por isso eu te digo, vamos manter os olhos abertos. Porém eu tenho um plano. Precisamos saber de qual lado o alfa está e pra quem ele mente. Vou indagá-lo hoje no jantar e dizer que gostaria de saber sobre os negócios que ele tem com meu pai. Eu ouvi algo sobre Companhia das Índias, não sei bem o que é.

— É uma boa ideia. — Hyejin não esboçou emoção latente, seu temor falava mais alto naquele momento.

E Jimin foi capaz de perceber claramente que a situação demandava cuidado.

Seria seu marido tão mau a ponto de fingir ser amigo do príncipe e ao mesmo tempo querer matá-lo?

Seria o duque de Strand Jeon Jungkook, um golpista implacável que fazia negócios escusos com seu pai e planejava matar o príncipe a sangue frio e tomar o seu lugar?

Diante as dolorosas indagações, Jimin se levantou e tocou os ombros da amiga com as mãos. Mirou a face dela refletida no espelho e prometeu:

— Você é a única que posso confiar de todo coração, Hyejin. Esta noite irei conversar com alfa em definitivo. Vamos proteger Edward. Vamos proteger o nosso reino!

— Quero que tenha cuidado.

— Pelo que tenho percebido por onde ando, nenhum de nós está a salvo.

✧══════•❁ 𓅂 ❁•══════✧

Oi, gente!

Demorei séculos e o capítulo saiu meio sem gração assim, né?

Masss esse capítulo na verdade é uma transição, mostra Jimin reforçando suas convicções e entendendo algumas coisas erradas como nesse final aí, porém o JK não colabora nessa parte de passar confiança, convenhamos, afff.

Ah, teve o Hobi chegando grandão, sem medo! Ele tem um arco bem legal com o trisal. Deem um nome pra esse trisal real aí, Hoseok, Edward e Hyejin. O mais votado ganha um pix de um real!

O próximo será a conversa dos jikook, uma passagem de tempo e o baile de apresentação do Jimin que ora ora ora.. aguardem!

Desculpem mais uma vez pela demora, não tá fácil, mas estou sobrevivendo. Obrigada por estarem comigo, por gostarem dessas alucinações que eu escrevo e é isso!

Vão dar stream que eu atualizo mais rápido, hein, valendo!

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