𓅂 𝓣𝓱𝓮 𝓒𝓪𝓵𝓵𝓲𝓷𝓰 𝓒𝓪𝓻𝓭𝓼 𝓪𝓷𝓭 𝓣𝓱𝓮 𝓑𝓵𝓾𝓯𝓯

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#DocedePessego
🍑

Deixem o voto e comentem!

Boa leitura!

— Para os que não são refinados nem bem-nascidos, o cartão de visitas é nada além de um pedaço de papel sem importância ou significado; mas para o culto discípulo da lei social, ele contém uma sutil e infalível inteligência. Sua textura, o estilo de gravação, e mesmo a hora de deixá-lo se combinam para colocar o estranho, cujo nome ele carrega, em uma posição agradável ou não, mesmo antes de seus modos, sua conversação e sua face tenham apresentado sua posição social. Quanto mais alta a civilidade de uma comunidade, mais cuidadosa ela é para preservar a elegância de suas formas sociais. É bastante fácil expressar um bom nascimento através das formalidades dos cartões, assim como por qualquer outro método, e talvez sejam eles, de fato, a mais segura apresentação para um estranho. Sua textura deve ser delicada, seus dizeres em letras planas, e não devem ser muito pequenos nem muito grandes. O refinamento dificilmente é obtido através de exageros.

O omega-duque de Covent Garden gesticulava e movimentava-se com empáfia entre os alunos que apresentavam certa estranheza diante àquela explicação desnecessariamente rebuscada.

— Não consegui compreender metade das instruções. — Jimin cochichou aos ouvidos de sua preceptora, que segurou uma risada com a palma das mãos diante à afirmação.

— Acalme-se, será fácil confeccionar um cartão de visitas. Você se sairá bem. — ela o consolou de imediato.

A condessa de Norwich, na insistência em arranjar um casamento para Jimin, exigiu que o filho frequentasse as aulas de etiqueta na mansão mais pomposa e refinada de Londres: a mansão dos Marshall – Green. O ômega-duque de Covent Garden, dotado de uma educação crivada nas melhores escolas e chancelada por aristocratas renomados e de grande influência na corte, usava seu precioso tempo para ensinar ômegas em ascensão à mais rígidas das etiquetas que pudesse torná-los fortíssimos candidatos a um casamento dos sonhos.

Apesar de ser bastante usado para contatos profissionais, o cartão de visitas fazia sucesso mesmo era entre os ômegas da aristocracia.

Impossibilitados de participar da vida pública através da política e do trabalho, cabia a eles a tarefa de socializar em nome da família e garantir bons contatos para seus maridos e bons casamentos para seus filhos. O método infalível era fazer-se presente em todo tipo de atividades sociais: chás, bailes, piqueniques, saraus, visitas e viagens, ofícios religiosos e participando de obras de caridade. Nesse cenário, os calling cards ajudavam a identificar quem era ou não admitido em um determinado círculo social. Além de funcionarem como uma espécie de contato inicial entre as pessoas.

— Filho-ômega conde de Norwich, o senhor tem alguma dúvida que possa acrescentar? — o ômega professor inquiriu, irritando-se com os assuntos paralelos entre Jimin e Hyejin.

—Me desculpe, err.. nenhuma dúvida, ômega-duque de Covent Garden. — Jimin gaguejou diante a abordagem inesperada.

— Ótimo. Quero que fiquem bem atentos às minhas instruções, em breve a rainha anunciará o baile de primavera e vocês terão um trabalho árduo a fazer. — ele manteve a altivez e o nariz empinado ao noticiar.

Na verdade, não se fazia necessário para Jimin preocupar-se em demasia com os preparativos do baile anual, haja vista que a condessa aguardava pela data com bastante ansiedade. O ômega detestava vestir-se para gala e Park Dahye na altura de sua prepotência e arrogância, fazia questão de colocar Jimin como um boneco de louça inquebrável dentro dos salões badalados de Londres.

E esse ano o dia do baile cairia justamente no mesmo dia do seu aniversário de vinte anos, algo que ele aguardava sem motivação alguma.

Em contrapartida, o que afligia Jimin nos últimos tempos não era a proximidade dos eventos formais da realeza e sim a presença semanal de um pretendente que ele não conseguia evitar: o barão de White Hall, Thomas Kitsch.

Mas naquela tarde, em absoluto, o barão entenderia perfeitamente o quanto não era bem quisto pelo ômega.

— Precisamos repassar o plano. — Taehyung trouxe Jimin até o quarto dos empregados e esperou por Lily para darem início ao esquema.

— Vocês precisam me garantir que há um antídoto. E se meu corpo ficar cheio de bolhas e deformado para sempre? — Jimin indagou aflito.

— Não irá, Lily garantiu que é seguro. E pense pelo lado bom, irá enxotar o bode velho para sempre e talvez ainda ficará conhecido como o ômega leproso da corte e nenhum alfa virá cortejá-lo. Não seria perfeito? — o beta bateu palmas com a própria afirmação.

— Sim, seria! — Jimin foi encorajado pela fala do amigo e mostrou-se tão animado com o fato quanto ele.

O plano seria infalível: Jimin , alérgico a qualquer espécie de pimenta, comeria uma porção delas assim que o barão chegasse e diria a ele que contraiu uma doença incurável, impossibilitando-o de ter qualquer contato físico com outras pessoa. Aproveitaria a ausência de Jisung e sabia sem sombra de dúvidas que deixaria a condessa furiosa.

Porém pagaria o preço, por certo.

— Voltei! — a criada mais jovem entrou no quarto, trazendo consigo uma pimenta vermelha fresca que havia acabado de colher nos fundos da propriedade. — Coma tudo, Jimin!

Quase que imediatamente após realizar os primeiros movimentos de mastigação e sentir o ardor extremamente picante do condimento, Jimin sentiu faltar-lhe o ar. Lily ofereceu um copo d'água com o intuito de ganhar tempo , pois Jimin deveria, segundo o plano, apresentar os sintomas da crise alérgica apenas na presença do barão.

Subiram as escadas imediatamente e assim que adentraram a living room, Jimin fechou os olhos com força e apertou a garganta, em clara intenção de segurar a tocha em chamas que lhe subia pelo esôfago.

— Segure apenas mais alguns segundos. — Lily orientou-lhe ao ouvido antes de voltar por onde veio.

O barão apressou-se para pegar a pequena mão macia e rosada para si, mas antes mesmo que pudesse beijá-la, Jimin tossiu em direção ao rosto enrugado e cheio de malícia que o fitava, fazendo o barão piscar pela ardência pungente do bafo do ômega.

— Desculpe, não estou me sentindo muito bem. — disse numa excelente atuação que dava indícios de latente realidade.

— Jimin, tenha modos! Desculpe-me, barão. — a condessa se manifestou e Jimin desejou poder tossir nas fuças dela também, afinal.

— Jimin é um crisântemo desabrochando, condessa. Será muito bem instruído em White Hall e se tornará uma flor vistosa que desfilará ao meu lado em todos os eventos reais.

O rosto do ômega latejava em brasa, e as lágrimas escorriam por seus olhos como cachoeira, contudo ele permanecia sentado, controlando a respiração. A condessa havia percebido que algo não estava certo com o filho e mesmo assim, continuou altiva, com o queixo empinado e mentindo descaradamente sobre as posses inexistentes de Jisung e sobre quanto Jimin queria um marido.

Percebendo que suas energias se esvaiam, Jimin quis complementar o show e liquidar de vez as chances absurdas que a condessa possuía em esposá-lo com o barão, desse modo atirou-se ao chão e debateu-se como se a consciência e o juízo lhe tivessem sido arrancados de uma só vez.

Aquele foi, sem sombra de dúvidas, um show digno, uma atuação perfeita que provocou aversão imediata no barão de White Hall que repugnava sem cerimônia a forma morfética a qual Jimin se apresentava. Bolhas intensas lhe tomaram a face e com absoluta certeza, o resto do corpo também estava em más condições. Lily e Taehyung não esperaram mais um segundo sequer e aproximaram-se do pequeno lazarento, oferecendo-lhe ali mesmo uma substância branca em um pequeno frasco que se assemelhava ao mais puro leite.

— Beba tudo, Jimin. — a criada cochichou.

Dahye se encontrava de pé, estupefata, afastando-se a passos largos, temendo contrair o mal que arrebatou seu filho. Demonstrava a mesma face repugnante do barão, e sentiu a bile subir-lhe a garganta quando uma bolha purulenta explodiu na bochecha rubra de Jimin.

Em meio ao caos instalado, Taehyung segurou o ômega no colo e o levou de volta ao quarto da empregada, afinal não deveriam deixar que o efeito do antídoto agisse perante a visita indesejada que a essa altura, provavelmente já estaria bem longe do casarão.

— Jimin, como se sente? — o beta indagou apreensivo.

Ouviu um resmungo como resposta e animou-se com o fato.

Pelo menos estava vivo, pensou.

— Creio que administrei a dose errada. — foi a vez de Lily gralhar, andando de um lado para o outro.

— Como assim? Leite de papoula pode ser extremamente tóxico se for usado uma dose acima da recomendada! Busque mais água! — Taehyung exigiu uma solução.

— Não, vamos esperar mais um pouco, as bolhas já diminuíram, logo ele recobrará a consciência.

Enquanto discutiam, Jimin não deu sinal de vida.

Ficaram em silêncio e o fato não se alterou.

Então, Taehyung perdeu a paciência.

— Já chega, Lily! Busque água agora! — ele gritou em direção à garota.

— Não grite comigo! Busque você!

— Ora, sua.... — Taehyung gritou ainda mais alto e foi interrompido pela voz a qual ansiava ouvir.

— Será que vocês dois poderiam ficar quietos, preciso descansar! — Jimin bradou, repreendendo os amigos que olharam boquiabertos para ele.

— Jimin, por que não avisou que estava bem? Por Deus, quase nos matou de susto! — Lily o repreendeu ainda mantendo as mãos no coração, dado ao susto repentino.

— Eu queria descansar, gastei energia de dez cavalos de corrida com minha atuação brilhante, mereço repouso adequado. — ele ajeitou o vestido e virou-se para o canto da cama, irritado.

E como num passe de mágica, Jimin já havia retornado a sua forma original. A pele de textura e aroma de pêssego parecia intocada, imaculada, como se aquela arte perigosa não tivesse, por um triz, fracassado.

E o resultado saiu como planejado. O barão de White Hall correu enojado e Dahye, lamentando em meio à lagrimas salgadas, o fim da tentativa de ver Jimin esposado.

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— Você me deve algo, Maeve.

Namjoon estava exausto fisicamente. Seu rut, já no final, deixava-o sedento por sexo e a mulher vermelha sabia muito bem disso. Passaram os últimos dois dias no casarão do alfa em Westminster e a estadia se resumia apenas à suíte e ao toilete. Nem ao menos vestimentas se tornavam necessárias e a única fome vinda por parte do Kim, era apenas carnal.

— Tudo acontece apenas pela vontade do Deus Lugus, se não ocorreu é porque ainda não é a hora. — a mulher ruiva respondeu suavemente enquanto acariciava o peito forte do duque.

— Há tempos estamos fodendo como lobos selvagens e creio que se eu estivesse nessas condições com qualquer ômega, provavelmente já teria povoado uma nova Londres com meus filhotes. Então o que me diz?

O tom dele não era amistoso em nenhum aspecto e Maeve pôde sentir o enrijecer de seu braço ao redor dela.

— Como eu disse, o dono de tudo é o Deus Lugus, somente ele poderá permitir a concepção do novo herdeiro do tron...

— Mentirosa!

Namjoon a segurou forte pelos ombros e encarou-a com fúria. Estava cansado pela inércia insolúvel de um plano tão perfeito ao qual havia aceitado participar a tanto tempo. Desfez-se de sua organização lucrativa em busca de poder e ascensão oferecidos, mas algo no fundo de sua alma dizia-lhe que havia se precipitado.

— Eu, mentirosa? — ela afastou-se dele e prosseguiu. — O que você quer não é tão fácil de conseguir! O que você ofereceu como sacrifício em sua busca tão egoísta pelo poder? Nada! Apenas quer, não importa como, não é?

E num rompante de agressividade e ultraje, Maeve desceu da cama e procurou por suas vestes.

— Saiba que manter as mãos limpas, completamente livres de sangue, não irá eximi-lo de culpa, alfa. Tudo que fiz até agora, foi em sua intenção! — a mulher gritava em fúria.

— Como é capaz de me pedir que confie em algo que não posso ver? Quais garantias tenho que você realmente é fértil e capaz de gerar meu herdeiro? — as dúvidas vindas por parte dele eram claras.

— Sabe que a única forma de adiantar o processo é encontrando um lúpus de sangue raro o suficiente e entregar seu coração às chamas vivas da eternidade. — ela terminou de se vestir e seguiu até a porta, deixando um último recado. — Você deveria se dedicar um pouco mais, alfa.

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A noite em Londres oferecia as mais diversas formas de entretenimento aos aristocratas que esbanjavam dinheiro e petulância aos quatro cantos. Casas de prostituição, cassinos, bares e até mesmo as ruas, eram capazes de servir aos anseios mais peculiares daqueles que saíam de casa apenas para satisfazer seus desejos mais impuros.

Esse não era o mais exato tipo de diversão que Jungkook apreciava, contudo se fazia necessário frequentar esses ambientes. Seguiu, mesmo que inconscientemente, o conselho dado por Lorde Archer, tão gentilmente, para que começasse a circular por Londres. Não que tenha aceitado a recomendação do criado com a intenção primária em buscar por um casamento, mas sim pelo motivo mais primitivo que jamais abandonou seu coração:

Encontrar algo ou até mesmo o alguém que tanto procurava.

— Tão bem alinhado, um verdadeiro lorde. — Lord Archer elogiou enquanto terminava de abotoar o colete de Jungkook.

— Não é para tanto, beta. É apenas um conjunto de três peças de alfaiataria. Todos os alfas se vestem assim aqui. — Jungkook foi modesto em sua resposta.

— Garanto que os detentores de um porte físico duvidoso, não se fariam tão vistosos e elegantes por baixo dessa combinação. Esconda o comedimento. — o criado agora ajeitava a gravata impecável em Jungkook com destreza absoluta.

— Eu gostaria de me desculpar, fui rude e um completo idiota em nossa última conversa. — o duque não esperou para entrar no assunto que o incomodava desde a última conversa com o beta.

Negando com a cabeça, Lorde Archer se manifestou.

— O mau entendimento ocorreu exclusivamente de minha parte, alfa. Não posso me sentir no direito de intrometer-me em seus assuntos pessoais. Ultrapassei alguns limites.

— Você tem todo o direito. Temos uma generosa diferença de idade, mas a reciprocidade respeitosa que desfrutamos na companhia um do outro permite certos pitacos e eu aprecio isso.

O momento se tornou propício para que Lorde Archer pudesse então aconselhar.

— Você é raro, Jungkook. Não possui a arrogância e prepotência inerente a sua classe e presa tanto por igualdade. Não preciso estender-me em bajulações gratuitas e nem faz meu tipo, contudo me preocupo. — suspirou profundamente antes de prosseguir — Cuide de sua saúde, entupa menos seus pulmões com esses charutos venenosos e afaste-se das garrafas de hidromel vindas de NewBrook's Farm.

Jungkook soltou uma gargalhada genuína e rara diante à fala aleatória vinda de seu criado.

— Vai recomendar-me um cinto de castidade também? — ainda se recompunha da sensação regozijante que a fala do beta lhe trouxe tão inesperadamente. — Não ouse falar mal do hidromel de Mag, ela irá dispensá-lo sumariamente se ouvir esse disparate, você deveria prová-lo antes de criticar. — alertou.

O beta ajeitou-lhe o sobretudo nos ombros e apenas acenou com a cabeça, negando o convite.

— Vá viver, alfa. Quebre alguns corações pela noite e, por favor, volte são. Colocar alguém de seu porte para dormir em plena madrugada é demasiado desgastante, poupe-me dessa incumbência pelo menos por hora.

O conselho de Lorde Archer seria seguido por ele, absolutamente. Contudo não havia interesse algum em quebrar corações ou nada próximo disso, apenas a diversão e a tentativa angustiante de ocupar a mente com jogos e conversas rasas se fazia como objetivo central naquela noite.

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Mayfair era o condado mais luxuoso e elegante de Londres. Cassinos, cinemas, teatros e todo tipo de entretenimento aristocrático podia ser encontrado naquela região e por incrível que pareça Jungkook gostava dali, principalmente da casa de jogos White's, onde gastava e bebia por uma noite completa.

As preocupações de Lorde Archer e Magnólia eram válidas quanto ao abuso do alfa em álcool e tabaco. Jungkook se tornou distantes das rodas de conversas triviais, passava a maior parte do tempo em NewBrook's Farm cuidando dos cavalos e pouco falava sobre o futuro.

Entretanto nunca houve por parte de Magnólia qualquer abordagem mais íntima quanto aos sentimentos atuais de Jungkook e suas percepções sobre a vida.

Ela entendia aquelas fases.

E o alfa possuía várias, como uma montanha russa.

Assim que adentrou o recinto adornado com carpetes impecáveis e decoração requintada, Jungkook surpreendeu-se com um dos convivas.

— Edward! — ele cumprimentou o príncipe com uma dose de espanto. — Estou surpreso.

— Novos ares, meu amigo. — ele respondeu. — Na verdade, mamãe não anda muito satisfeita com minhas vadiagens e ordenou aos guardas do castelo para que me vigiassem constantemente. — olhou para o lado e cochichou. — Faz um mês que não me deito com ninguém, estou a ponto de explodir.

— A rainha não tem esse direito, aliás, Sua Majestade age de uma forma que não me agrada nem um pouco. — Jungkook indicou a mesa do bar, pedindo ao amigo para que se sentasse. — Participei do conselho recentemente e voltei para casa enojado.

Algo interessante surgiu na mente do duque de Strand e ele manteve os olhos curiosos em Edward e um fraco sorriso nos lábios.

— Olha, estou sedento por uma noite de muito sexo, mas acho que você não seria a opção mais adequada, aprecio nossa amiz...

— Me poupe, alfa, — Jungkook interrompeu o devaneio infundado. — nunca lhe ocorreu começar a pensar com a própria cabeça? Você é o herdeiro do trono, tem a coroa em suas mãos, que tal começar a agir?

Jungkook sabia da pouca habilidade de Edward em compreensão mais aprofundada para determinados assuntos e preferiu ser bastante didático.

— Não entendo...

— Escute, há tempos me sinto instigado a falar-lhe. — Jungkook chamou o garçon com um acenar de cabeça e pediu-lhe — Dois brandys, por favor.

O tom daquela conversa parecia estranho e inconsistente através do ponto de vista de Edward que ainda não havia compreendido seu inteiro teor.

— O que propõe? Que eu me rebele? Serei sumariamente deserdado e jogado aos porcos! — o príncipe tirou suas próprias conclusões com verdadeiro receio.

— Aprenda algo sobre o povo a qual governa, comece por aí. Escute-os, tome nota das suas demandas. Você sabe bem o que pessoas insatisfeitas são capazes e os burburinhos das ruas não estão favoráveis. Tome seu lugar de príncipe, faça a rainha orgulhosa e então haja! Lute pela liberdade dos ômegas e em contrapartida, conquistará a sua. — Jungkook notou após sua fala inflamada, que os olhos do homem a sua frente brilharam.

Aquela semente revolucionista levaria tempo até ser germinada na mente simplória e medíocre de Edward, Jungkook estava ciente desse fato.

E para seu agrado, o monarca pareceu ter entendido, mesmo que não completamente, o seu recado.

— Venha, não pense muito agora. Vamos beber! — o duque percebeu o semblante ainda confuso do príncipe e se animou com fato, no entanto daria espaço para que ele pudesse processar melhor o assunto.

Já tarde, as mesas de jogos se apresentavam lotadas e eufóricas e as doses de brandy consumidas pelos dois alfas encorajaram-nos a participar, vez ou outra, da jogatina.

— Ah, Jungkook... acho que não haveria problema em apenas uma noite entre nós dois. Sei exatamente como fazer a posição dos ômegas, você vai gostar. — Edward sussurrou, já embriagado, ao pé do ouvido do amigo que observava atentamente a mesa onde várias pessoas jogavam roleta.

— Posição dos ômegas? — Jungkook riu da denominação curiosa.

— Sim, os ômegas da aristocracia tem uma posição a qual aceitam seus alfas, ora, você deve conhecer muito bem.

— E quem lhe disse que me deito com ômegas da aristocracia? — Jungkook ainda ria quando indagou.

— Parecia óbvio, estou surpreso. — o príncipe virou o conteúdo do copo em um só gole.

— Agora conte-me, o que diabos seria posição dos ômegas? — o duque pediu por mais explicações.

— De quatro, como em nossa forma lupina. Ah, Jungkook, você já sabia, não é?

Sem responder a pergunta, o duque insistiu por mais informações.

— Então os ômegas permanecem de quatro durante todo o ato? Já ouvi dizer sobre a proibição de emitir sons, mas quanto à posição é novidade para mim.

— Pois é... — o príncipe disse num tom desinteressado, já acostumado a forma como as relações ocorriam em seu cotidiano.

— Vê, Edward? A mudança desses costumes arcaicos e segregadores é algo muito urgente. Você é um bon vivant, aprecia sexo libertino assim tanto quanto eu, então que mal teria em permitir aos ômegas essas mesmas liberdades?

— A rainha jamais daria sua benevolência em tal causa, seria ultrajante. — Edward disse desanimado.

— Se aceitar meus conselhos, posso dá-los de bom grado. Acredite, tudo que Victória quer é que seu belíssimo alfa de cabelos loiros como o sol, assuma um papel responsável na corte. Quanto à pauta, assim que ela menos esperar as mudanças já estarão feitas. — ele deu um tapinha no ombro do príncipe e sai dali.

Disposto a seguir com a noite, Jungkook aproximou-se da roleta e direcionou sua aposta ao croupier.

E no auge da embriaguez potencializada pela conversa ambiciosa com Edward, o duque de Strand sentiu uma onda de satisfação lhe percorrer a espinha quando o seu arremesso certeiro produziu a pontuação que ele almejava.

E um toque inesperado privou seus sentidos instantes após seu grito de felicidade.

O peso daquela mão sobre a sua, que ostentava o anel de corvo que mudara seu destino, se desfez vagarosamente enquanto Jungkook, ainda segurando a respiração, acompanhava fixamente o anel.

— Belíssima jogada! — o alfa aparentemente desconhecido elogiou.

Ainda estagnado, tentando recobrar a consciência e ciente de que seu coração palpitava no peito desenfreadamente, o duque de Strand respirou fundo antes de voltar-se ao que lhe falava.

— Obrigado — disse com os olhos fixos na face incomum — Sou Jeon Jungkook. — estendeu-lhe a mão e assim que o outro a apertou, sentiu a temperatura gélida do anel em sua palma.

— Park Jisung, conde de Norwich. — o alfa disse pausadamente e franziu a testa por um momento.

Jisung sentiu-se intimidado pela força a qual Jungkook despendia naquele aperto de mãos. O contato visual de ambos tinha a intenção clara de ler algo que os dois tentavam esconder e mesmo imaginando que habitava território potencialmente inóspito, forçou simpatia.

— Seja bem-vindo. Venha, junte-se a nós! — convidou finalmente.

A essa altura, Jungkook já havia perdido Edward de vista e não se importava. Era certo de que estar na presença daqueles alfas sem a inconveniência nata do príncipe era o melhor cenário possível. Precisava concentrar-se, mesmo sob o efeito relaxante do uísque, retomar o juízo e não desperdiçar a chance única de descobrir o que tanto pretendia.

— Jeon Jungkook, esse é Jackson Wang, um nobre cavalheiro da corte. — Jisung apresentou.

— Ora! O nosso melhor jogador de polo, que presença ilustre nos trouxe, conde! — Jackson cumprimentou Jungkook com euforia latente.

E com o dedo para o alto como se chamasse a atenção de ambos, Jisung proferiu entusiasmado:

— Sim! Agora me recordo de seu sobrenome! Pareceu-me familiar assim que o proferiu!

A falta de remorso ou qualquer capacidade de sentir empatia por quem quer que seja habitava em Jisung e não fora capaz de lhe fazer remeter o sobrenome Jeon a algo que ele havia feito há dezoito anos.

Havia condicionado sua mente doentia a esquecer de qualquer fragmento acusatório daquela noite chuvosa em Strand e assim o fez.

— Você é como uma lenda, duque. As pessoas apenas ouvem falar, mas nunca o veem. — Jackson serviu uma dose de uísque direto da garrafa e Jungkook notou o anel de corvo idêntico ao de Jisung em seu dedo, sobressaltando-o.

— Digamos que sou um pouco reservado. — o duque respondeu-lhe pensando em como abordaria o assunto sobre os acessórios que eles usavam e que tanto o interessava.

— Strand também serve entretenimento de qualidade, vocês tem um bordel primoroso, aprecio bastante inclusive. — Jisung tocou o braço de Jungkook com o cotovelo, fazendo-o estremecer em repulsa.

Até certo ponto daquela conversa, Jungkook ainda não parecia ter plena consciência do que estava ocorrendo. Dispensou a próxima dose de uísque e pediu água ao garçom.

Começaria a abordagem o quanto antes.

E com menos doses de álcool atrapalhando-lhe o juízo.

— Senhores, percebo que usam um anel idêntico, seria de alguma irmandade? — o duque indagou e surpreendeu os alfas com sua astúcia.

Eles se entreolharam e não responderam de imediato, contudo a tensão prévia foi dissipada por um sorriso ladino vindo de Jackson.

— Não podemos falar sobre isso em certos ambientes, meu caro, não queremos ser descobertos. — ele disse, deixando Jisung confuso com a afirmação em tom jocoso.

— Sei guardar segredos como um túmulo. — Jungkook aproximou-se um pouco mais, na ânsia da confissão.

— Esse anel representa a irmandade entre mim e Jisung. Somos apostadores irremediáveis e a nossa paixão por cavalos nos fez confeccionar esse acessório. Coisa de velhos amigos, alfa.

Jungkook tentou recobrar da memória e achar algum ponto de sua infância onde vira o pai apostar em corridas ou algo parecido. Jeon Jungseok passava o dia todo no mercado e quando a noite caía, voltava imediatamente para casa. Não fazia sentido algum seu envolvimento com apostas ou algo relacionado a elas que fizesse com que aqueles dois alfas diante de si quisessem assassiná-lo.

Contudo o duque queria ir além, até o fim.

— Meus conhecimentos equestres me dariam carta branca para adentrar em seu club, Wang.— ele blefou.

— Isso é algo que convém apenas a amigos de longa data, Jeon. Infelizmente você não se enquadra. — Jisung foi seco e pragmático, disposto a finalizar o assunto.

— Além do mais — continuou Jackson —, você é o capitão do time de polo, não queremos ser acusados por fazer apostas ilegais. A lei real não permite. — ele levantou o copo, exaltando a palavra real em claro cinismo.

O fato era que os dois alfas esquivavam-se primorosamente das investidas e questionamentos de Jungkook. Se faziam parecer inofensíveis, como os alfas mais comuns e medíocres da corte londrina, fato que irritou o duque de Strand profundamente. A história deles era convincente o bastante e qualquer questionamento a mais parecia não fazer sentido. Mesmo se ele contasse sobre ter um acessório idêntico ao deles dentro de sua gaveta, qualquer explicação mais rebuscada seria capaz de sanar suas dúvidas. Não poderia entregar com todas as palavras que numa noite, alguém com um anel de corvo assim como o deles, tirara a vida de seu amado pai. Precisava pensar e encontrar mais vestígios.

Precisava de mais tempo com aqueles homens.

— Vejo que não usa aliança, ainda está solteiro, duque? — Jisung perguntou aleatoriamente se desfazendo do silêncio sepulcral.

— Sim, estou. — Jungkook já não parecia mais interessar-se pela conversa branda e respondeu sem mesmo encarar o alfa, pensando em como tirar mais alguma carta da manga.

— O baile anual será no próximo mês e ômegas de famílias respeitáveis estarão presentes. — o conde anunciou, esperando algum interesse por parte de Jungkook.

Jisung lembrou-se com pesar da artimanha de Jimin no casarão a qual terminou com o barão de White Hall traumatizado e enojado. O filhote faria vinte anos no dia do baile e ele estava certo de que naquele dia esposaria Jimin de qual modo fosse.

E via um pretendente em potencial bem a sua frente.

— Meu filho estará no baile, duque. Seria um prazer inenarrável que você pudesse conhecê-lo.

Aquelas palavras surgiram como uma chave mestra, que destrancaria todas as portas as quais Jungkook poderia abrir em busca de sua vingança.

E virando-se, agora com a face preenchida por um sorriso de vitória e com um novo plano em mente, Jungkook se manifestou eufórico:

— O prazer será todo meu, conde.

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Passava das três da manhã quando o duque de Strand adentrou o casarão. Deixou seu sobre-tudo, a bengala e o chapéu no cabideiro junto a porta e seguiu para a sua suíte, deixando para trás apenas o barulho alto e oco do solado de suas botas batendo no piso de madeira da habitação.

Voltara para casa após a conversa com os alfas no cassino e no trajeto de volta, repassou o plano por diversas vezes. Esposaria o ômega filho de Jisung, não manteria qualquer tipo de contato íntimo com ele, entraria para os negócios da família Park e acharia todas as respostas que ansiava. Assim que sentisse o sabor de sua vingança, trataria de ser acusado de sodomia, única forma possível para uma separação que não manchasse a honra do ômega e o libertaria, absolutamente.

Após o processo legal do divórcio, mudaria para França e recomeçaria sua vida por lá.

Livre, como sempre gostou de ser. Compraria uma fazenda, levaria Heólico e os outros cavalos de NewBrook's Farm consigo. Era o suficiente.

Seu lado amargurado e ressentido por anos de ausência paterna foi desperto naquela noite.

Entretanto o plano estava certo em sua mente e nada era capaz de desviá-lo. Não se permitiria perder-se em distrações.

Ômegas pouco falavam ou expressavam vontades próprias dentro do casamento, seria fácil para ele manter tudo sob controle.

Despiu-se por completo e antes de deitar-se, abriu a gaveta e retirou o anel de corvo dali.

— Ah Lorde Archer... — rodou o objeto entre os dedos. — Não é que tinha toda razão? — deu um riso nasalado. — Me casarei em breve, mas ao final decepcionarei a todos. Espero que o pobre ômega possa me perdoar.

Antes de devolver o objeto ao seu local de origem, Jungkook o encarou com olhos vívidos e penetrantes.

— Estou quase lá, papai. Lhe darei o descanso dos justos o quanto antes possível.

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Ainda tem alguém aqui?👀

Desculpem eu tava com uns problemas, voltei para a cidade onde faço faculdade e fico em média 8h por dia fazendo estágio, mas eu não vou desistir! Me mandem energias positivas e inspiração, vou precisar!🙏

Calling Cards: Cartões de visita. São fofos e parecem papel de carta de quando eu era criança^^

O Jimin escreveria em seu cartão de visitas: Filho-ômega Conde de Norwich, como ele vem de uma família aristocrática, teria de usar o título que o pai possui. Grande bosta!🤢🤢

Lembrando que o Jungkook tá jurando muito que vai ter o domínio que ele acha que vai ter né?🤣🤣

Deixe sua risada aqui👉

Esperem por mim, eu voltarei!

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