𓅂 𝓣𝓱𝓮 𝓑𝓻𝓸𝓴𝓮𝓷 𝓗𝓮𝓪𝓻𝓽 𝓪𝓷𝓭 𝓣𝓱𝓮 𝓒𝓻𝓸𝔀

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#DocedePessego
🍑

Deixem o voto e comentem!

Boa leitura!

― Você só pode estar fora do seu juízo perfeito, Jimin! Eu não lhe darei o divórcio! ― Jungkook caminhou até o meio do quarto, exaltado. A tensão no ambiente era quase palpável.

E negando com a cabeça, Jimin olhou para ele, mantendo a sua postura ereta.

- Você mudou comigo depois que te entreguei as provas sobre Park Jisung ser um criminoso. Acha que sou como ele, alfa? Vamos, jogue tudo em mim! Vamos aparar nossas arestas! Me diga de uma vez por todas, Jungkook, por qual motivo você se casou comigo, por qual motivo quis um ômega bobo como eu se você poderia se casar com qualquer ômega fêmea bem mais atraente e recatada?

Jungkook apenas fechou os olhos ante às perguntas pertinentes de Jimin.

Era o fim. Não havia mais motivos para negar qualquer fato sobre a história dos dois.

Sobre aquele casamento de aparências.

- Você não é como Jisung! É infinitamente melhor do que ele! E isso é o suficiente para que você entenda que não te darei o divórcio, Jeon Jimin!

- Irá me manter como seu prisioneiro? Me diga duque Jeon Jungkook!

Àquela altura, os dois já estavam aos berros dentro do quarto. Magnólia, que havia chegado naquele dia de uma viagem pela Suíça, e Lorde Archer já estavam aflitos do lado de fora, temendo pelo pior.

- Prisioneiro? Você é o ômega mais livre que já pisou em Londres! Inclusive frequenta a Maison muito mais do que os alfas! Não há o que se falar sobre esse fato!

- O que está insinuando? Não sou um adúltero! Sabe bem que frequento a Maison pela minha amizade com Mme. Davaux que aliás também é sua amiga! Aliás, sua amada Camille diz a todos os ômegas que jamais deixou de dormir com você! Então acho que não sou eu o adúltero aqui!

Magnólia ouvia tudo com tristeza absoluta.

- Vê como estão brigando feito um casal a ponto de explodir? Precisamos intervir antes que se magoem definitivamente. -a duquesa sussurrou para o mordomo, aproximando-se mais um pouco dos aposentos de Jimin.

- Isso é tão ridículo... - Jungkook sacudiu os braços, incrédulo. Sua feição era derrotada, preenchida pelo mais claro cansaço.

Também rendido pela discussão infrutífera, Jimin abaixou a cabeça e andou até a janela, abrindo-a de modo a deixar que o ar gelado da noite chuvosa entrasse pelo quarto.

Já não precisava mais ouvir da boca de Jungkook que fora usado em sua trama de vingança. Que não havia sido escolhido por interesse amoroso de seu marido.

Ele era apenas parte do plano.

Sentindo o amargo da constatação subir-lhe pela garganta, ele inalou o ar, enchendo seus pulmões, reafirmando para si mesmo a decisão que já havia tomado dias atrás.

Então ele decretou:

- Sim, isso tudo é absolutamente ridículo e por esse motivo eu não vou mais ter qualquer embate com você, Jungkook. Apenas para informá-lo, irei partir daqui a quinze dias. E pouco me importo se irá assinar o divórcio ou a minha autorização para embarcar. Vou para a França nadando pelo Canal da Mancha se precisar. E você sabe que sou capaz. Agora saia do meu quarto e volte para a fazenda, sua presença aqui está me fazendo mal.

Percebendo que o marido não se moveu, Jimin seguiu para a porta com o intuito de forçá-lo a sair, no entanto antes que pudesse abri-la, sentiu um amargo subir pela garganta e sem ao menos esperar, vomitou o jantar nas botas de Jungkook.

Ele se inclinou até que todo o conteúdo de seu estômago estivesse fora de seu corpo. E quando Jungkook estendeu a mão para tentar ampará-lo, Jimin o repeliu.

- Não me toque! Saia já daqui, alfa!

Obedecendo a vontade absoluta do marido, Jungkook se retirou, abrindo a porta e dando espaço para que Magnólia entrasse no quarto.

- Oh, Jimin! - A duquesa disse espantada, segurando Jimin pelas mãos. - Está tão pálido!

Antes que Lorde Archer também pudesse adentrar os aposentos, Jungkook o segurou gentilmente pelo ombro e lhe deu um recado:

- Estou voltando para a fazenda, eu e Jimin não estamos em bons termos, mas peço que mantenha informado sobre a saúde dele.

- Isso tudo é tão lamentável...

- Sim, Archer e não sei se terá qualquer solução.

A voz resignada do duque de Strand perturbou o beta que previu a catástrofe daquele matrimônio. Era seguro que não havia mais solução para o casal dada as circunstâncias tão avassaladoras da discussão prévia.

Jungkook desceu as escadas pisando firme e passou pela soleira da porta, apanhando o sobretudo. Ao abrir a porta principal e pisar na beirada da escada do alpendre que seguia até o portão da propriedade, ele pode notar a presença inédita de um corvo em cima da pilastra, o observando. O animal não aparentava comportamento de caça e nem causou qualquer medo no alfa. Os dois se encararam por alguns instantes, o que foi suficiente para que Jungkook rememorasse todo o seu passado.

O passado que o havia levado até aquele momento exato de sua vida.

Quando tudo havia saído de seu controle.

Ele já não sabia mais o que fazer.

Não havia solução para ele.

Para seu casamento com Jimin.

E de volta ao quarto Jimin chorava nos braços de Magnólia enquanto Lorde Archer limpava o chão.

- Jungkook me enganou por todo esse tempo... - ele chiou, encolhido na cama enquanto Magnólia estendia o cobertor sobre seu corpo. - Jungkook queria se vingar do meu pai e me usou para isso.

- Acalme-se, querido. Não pense muito agora. Beba um pouco de água. - ela pegou o copo na mesinha de cabeceira e o ofereceu.

- Obrigado, Mag. - ele tomou o líquido ainda trêmulo. - Você poderia me chamar Calista, por favor. Ela sabe fazer um chá que impede esse enjoo.

Magnolia olhou para Lorde Archer compartilhando seu pressentimento.

- Esses enjoos são frequentes?

- Acontecem mais durante a noite, mas é porque eu tenho me alimentado sem qualquer controle no período noturno e meu estômago não está em boas condições.

Lorde Archer arregalou os olhos diante daquela informação e fez menção de dizer algo, no entanto Magnólia o interrompeu.

- Entendo... posso pedir para meu médico vir examiná-lo amanhã. Assim saberá o motivo pelo qual seu estômago doi tanto. Lorde Archer, chame Calista, Jimin quer a presença dela aqui.

Prontamente, o mordomo desceu as escadas e seguiu até o quarto de Calista a pedido de Jimin. Assim que se aproximou da porta que estava entreaberta, notou uma chama flamejante pela fresta e diante do iminente perigo, segurou a maçaneta, abrindo-a abruptamente.

Mas em um instante impossível de calcular, a chama se desfez como se nunca houvesse existido.

- Oh, Lorde Archer, precisa de mim? - Calista girou o corpo rapidamente, de modo a encarar o mordomo.

Ainda intrigado, ele continuou a analisar o recinto com minúcia, tentando encontrar o foco da chama que viu cintilar ali.

- Tive a impressão de ver fogo perto do armário, está tudo bem, senhora Calista?

- Ah, claro.. era apenas a chama da vela.

Ainda desconfiado, Lorde Archer aceitou a justificativa, mesmo intrigado com o fato.

- Bom, Jimin precisa de sua presença em seus aposentos, queira me acompanhar por gentileza.

-Sim! Claro, vamos! - ela esperou Lorde Archer sair e então segurou a maçaneta da porta e fechou num suspiro quase inaudível de pleno alívio.

Já no quarto de Jimin, Calista deitou-se ao lado de seu garoto, ninando-o até que ele dormisse. Ela havia feito o chá, o que de fato impedia que o enjoo continuasse.

E assim que Jimin pegou no sono profundo, ela desceu para a sala de estar, uma vez que Magnólia a aguardava.

- Jimin sabe que está grávido, Calista? - a duquesa foi objetiva na pergunta.

- Ele não acredita que é capaz de gerar filhotes. Sempre tomou supressores desde que teve o primeiro cio. Seus pais se envergonhavam do aroma doce e perfumado que Jimin emanava.

- Ó céus! - Magnólia empertigou-se. - Pobrezinho está esperando um filhote em meio a essa crise no casamento. Não poderia ser pior.

- E ele está decidido a ir embora, duquesa. Já tentei dissuadi-lo da ideia, porém foi em vão. Ele está irredutível.

Magnólia relaxou os ombros no encosto do sofá, entregando-se à consternação.

- Essa história sobre Park Jisung foi um golpe duro em todos nós. Mas não pense que eu isentarei Jungkook da culpa por ter tirado esse pobre garoto de casa e o feito acreditar que fora escolhido para o matrimônio por sua ímpar beleza. Sei agora que o duque tinha segundas intenções e me envergonho disso. Por maior nobreza que há em seus motivos, os meios não se justificam. Ele deveria ter seguido com sua vingança sem envolver uma pessoa inocente nisso. Mas agora é tudo poeira no vento. - Magnólia falou com a voz branda, resignada.

- Sim, duquesa. Não há mais o que ser feito. - Calista concluiu entristecida.

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No outro dia pela manhã, Calista levou o café para Jimin. A noite de sono provocada pelo efeito relaxante do chá, pareceu ter dado cor às bochechas dele. Mas assim que Jimin despertou, o cheiro da geleia de amoras o fez correr imediatamente até o toilete.

E mais um suspiro de preocupação foi dado por Calista.

Retornando ao quarto, ela apontou para o lugar imediatamente ao lado do seu na beirada da cama e aguardou por Jimin.

- Esses enjoos... o pior de tudo é que estou faminto, passo os dias comendo feito um selvagem e estou engordando. Ganhei até uma barriguinha que não existia, olhe. - ele levantou a camisa do pijama e Calista sentiu o queixo tremer. Ela olhou para Jimin com ternura e tocou suavemente a protuberância de seu ventre.

- Oh, meu menino, A duquesa trará um médico para examiná-lo, mas creio que você já saiba o motivo pelo qual está se sentindo mal. Você está esperando um filhote de seu marido.

Abruptamente, o semblante calmo de Jimin se transformou em uma face dura, trincada pela raiva.

- Eu não estou grávido, Calista! Não estou! E se por acaso estiver, irei abortá-lo! - ele se afastou imediatamente, cobrindo a barriga com a camisa do pijama.

- Pelos Deuses da Luz, Jimin, jamais diga tamanha bobagem! Ter um filhote significa bênção! Significa que o seu amor e o do alfa foi capaz de criar uma vida!

- Pois pra mim é maldição! - ele rebateu a beta, blasfemando.

- Todos esses sintomas têm relação próxima com os sintomas de uma gravidez. Além do mais, você estava em seu heat quando ficou em NewBrook's Farm e pernoitou na cabana. E seu alfa estava lá justamente porque estava no rut dele.

Jimin andava sem rumo dentro do quarto negando a todo momento o fato relatado pela beta, mesmo ligando todos os pontos e sabendo que o que ela dizia fazia todo sentido.

- Calista, você está proibida de contar isso para quem quer que seja! Proibida!

Jimin estava em busca de alguma solução. Sua apreensão deixou a beta ainda mais agoniada.

- Seu marido precis....

- Ele não é meu marido! Ele não é nada meu! Ele é apenas uma pessoa que tive o desprazer de conhecer! - ele sentou-se novamente ao lado da beta e a olhou nos olhos, transparecendo seu repleto ressentimento. - Jungkook me magoou profundamente, não há nada que nos faça ter qualquer relação cordial novamente. E se eu realmente estiver grávido, acho que devo antecipar minha viagem para França e resolver esse assunto nos meus termos. Mme. Davaux poderá me ajudar com alguma indicação. - decretou.

-Não faça isso, meu raio de sol. Irá se ferir ainda mais!

- Eu fui ferido a vida inteira, Calista. Não há nada nesse mundo que seja pior do que eu já passei. Agora se puder me dar licença, eu gostaria de ficar sozinho.

Ele precisava pensar e Calista não fez qualquer objeção quanto ao seu pedido. Ela pegou o conteúdo intacto da bandeira de café e colocou na mesinha que ficava em frente a janela. E então olhou novamente para Jimin e saiu em silêncio.

Não havia o que ser dito.

Imediatamente, Jimin entrou no closet e jogou todas as suas peças de roupa no chão do quarto. Separou as peças mais largas, como camisas e calças mais soltas e refez sua mala. Vez ou outra secava as lágrimas que insistiam em rolar por sua face. Vez ou outra parava para captar o ar em seus pulmões.

Era claustrofóbica toda aquela situação.

- Vida nova, Jeon Jimin! - ele disse em voz alta. - Estou saindo dessa vida falsa e de aparências! Eu serei definitivamente livre!

Então levantou-se e se vestiu.

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Montado em Heólico, Jungkook corria pelos campos verdes que revestiam as montanhas fronteiriças com NewBrook's Farm. Sentia o peito doer, como se seu coração sangrasse.

Havia silenciado seu alfa e em represália, sua fera o amargurava.

Não conseguia mais sentir o cheiro de Jimin em seus lençois e havia renegado o instinto protetor de alfa, não sabendo portanto se seu ômega corria algum perigo.

Ele era um lúpus e mesmo sem a concretude da marca, ele era capaz de pressentir algo errado com o ômega. No entanto, o fato de impedir seu alfa de dominá-lo, também o impedia de rastreá-lo.

Jungkook parou no alto da montanha em que era possível ver a fazenda e apeou de Heólico. Sentou-se na grama fresca e retirou as botas e as meias, colocando os pés descalços em cima da fina relva verde.

Lembrou-se imediatamente de Jimin.

De como ele amava andar descalço por toda a propriedade. De como ele gostava de carregar Missy em seus braços. De como ele havia o convencido a deixar a bichana dormir em sua cama.

Jimin, seu doce ômega.

Que o havia ensinado o que era o prazer carnal absoluto.

Que o havia permitido atar seu nó pela primeira vez e o enlouquecido de paixão.

Que o havia ensinado o que era o amor.

Sim, ele amava Jimin.

Como nunca havia amado ninguém antes.

No entanto, não sabia o que fazer com esse amor, uma vez que trouxera o ômega para sua vida da maneira mais errada e intransigente possível.

Tudo fora um grande erro.

E Jimin estava prestes a sair de sua vida.

Estava entre a cruz e a espada. Entre se vingar e se afundar em melancolia ou deixar que o amor o salve.

Então ele chorou. Olhando o horizonte infinito, Jungkook se deixou levar pela sua dor. Pela dor que guardara há dezoito anos, desde a morte de Jungseok.

- Papai... - ele soluçava copiosamente. - Eu nunca consegui visitá-lo nem ao menos uma vez... nem ao menos sei em qual túmulo está enterrado. Eu sou um covarde!

O sol se punha gentilmente atrás das montanhas, tornando o cenário absolutamente nostálgico. E o choro de Jungkook se intensificava conforme os raios de sol o cegavam.

- Eu jurei vingança... eu jurei que sua morte não seria em vão... mas estou aqui, inerte. - Suas mãos se agarraram na grama, na busca por algum suporte. - Será que um dia você irá me perdoar por não ter conseguido?

Seu corpo estava tão entregue às emoções que ele simplesmente deixou suas costas baterem no chão, completamente vulnerável e solitário.

Então ali, jogado na grama, em posição fetal, Jungkook assumiu sua derrota.

- Dói tanto papai... eu só queria um abraço seu...

O som gutural do desespero saiu pela garganta de Jungkook como se pudesse lhe aliviar ao menos por um segundo a pressão de seu peito.

Era uma sensação de quase morte. De que tudo havia chegado ao fim.

E ele amava Jimin. Porém as mágoas irreconciliáveis permaneciam e ele estava ciente disso.

Da finitude.

Assim, seus olhos se fecharam novamente e ele chorou.

E chorou.

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- Jungkook não manda notícias há dois dias. - Magnólia caminhava de um lado para o outro na grande sala de estar do casarão de NewBrook's Farm. - Não foi visto em Strand, nem nas reuniões com Edward no castelo. Já me certifiquei disso.

- Eu já o procurei na cabana e me parece que o lugar está vazio há tempos. Não há nenhum resquício dele. - Yoongi completou.

- Eu lamento tanto por tudo isso... - Magnólia sentou-se, exausta. - Jimin já comprou as passagens e embarca para França na próxima semana. Jungkook precisa levá-lo até o porto e dar-lhe a autorização, senão o ômega não poderá partir.

- E se por acaso Jungkook não voltar a tempo?

- Jimin prometeu que dará um escândalo. - ela acariciou as têmporas, de modo a dissipar a dor que se formava. - Estamos vivendo um pesadelo, Yoongi.

- Duquesa, se me permite, vou continuar procurando. - Yoongi girou o corpo e olhou para frente na intenção de sair do local, mas a imagem diante dos seus olhos o fizeram fincar os dois pés no chão, tamanho susto. - Magnólia, olhe!

A cena era grotesca.

Jungkook estava desfalecido em cima de Heólico que andava com dificuldade, devolvendo seu dono para a família.

Magnólia correu pelas escadas em pânico, temendo o pior.

- Jungkook! Oh, pelos céus! Jungkook!

Yoongi chamou por Lorde Archer e os dois apanharam Jungkook, colocando-o gentilmente no chão.

- Ele está respirando! - Yoongi bradou. - Vamos levá-lo para dentro, ele parece desidratado.

Jungkook foi carregado com dificuldade até seus aposentos e foi devidamente cuidado por Magnólia, Yoongi e Lorde Archer. Estava com alguns ferimentos, pálido e com mordidas de formigas pelo corpo.

Seu corpo foi limpo, suas roupas foram trocadas e após algumas horas deu o primeiro sinal de melhora. Lorde Archer aproveitou que o alfa estava acordado e o alimentou com sopa de ervilha e caldo de cordeiro. Ambos permaneceram calados.

E seu olhar era de profunda tristeza.

Yoongi retornou ao quarto e sentiu-se aliviado ao vê-lo acordado.

- Meu amigo! Bem-vindo de volta! Como se sente? - perguntou com entusiasmo.

- Sinto que deveriam ter me deixado morrer. Não há nada de bom em mim.

- Pare com isso, Jungkook. As coisas irão se acertar.

- Eu magoei Jimin, a única pessoa que amei verdadeiramente. - a frase saiu naturalmente da boca dele como se fosse algo trivialmente dito e o fato empertigou Yoongi.

- Sim, meu amigo! E Jimin também o ama!

- Não Yoongi, Jimin sente repulsa por mim e ele está coberto de razão. Eu o enganei. E lembro-me claramente de quando você me disse que seria perigoso continuar com meu plano de me casar. Pois bem, aqui estou assumindo que fracassei com todos vocês. - sua voz saiu resiliente e dura.

E sem querer prosseguir com o assunto delicado, Yoongi tocou o braço do amigo, num gesto fraterno.

Ouvindo a conversa dos amigos a distância, Magnólia se aproximou.

- Yoongi, posso conversar a sós com Jungkook por gentileza? - ela pediu e foi prontamente atendida.

- Mag, eu...

- Shiii, não diga nada! Serei a única a falar neste quarto a partir de agora! - o tom da duquesa foi ríspido e Jungkook apenas acenou com a cabeça. Assim, Magnólia se aproximou da cama e sentou-se ao lado dele, fitando-o com seriedade - Você veio para mim a primeira vez que o vi como um cordeirinho de olhos tão arregalados e vivos, que meu coração se aqueceu imediatamente. Me senti renovada, como se houvesse um propósito novo em minha vida. - Suas palavras fizeram Jungkook relembrar o passado e seus olhos se fecharam, segurando as lágrimas. - Ajudei Jungseok algumas vezes com dinheiro, algo que você não sabe, mas o fiz em nome do meu carinho e admiração por ele. Em qual reino eu poderia encontrar um homem viúvo que criava o filho sozinho com tantas dificuldades? - Ela viu uma lágrima rolar pela face de Jungkook e também não segurou as suas. - E então tudo acabou de uma maneira trágica, completamente injusta com você e eu entendo perfeitamente sua dor apesar de não ter ideia da dimensão. Eu o acolhi como filho e o faria outras tantas vezes quanto fosse preciso e jamais cobrei ou cobraria qualquer libra por todo investimento que fiz em você, meu caro, nem um mísero centavo. Você se tornou um alfa polido, estudado, um verdadeiro duque munido de princípios coletivos e sociais, completamente à frente de seu tempo. O meu maior orgulho. Porém, você carregou seu pai no seu ombro direito por todos esses anos, Jungkook. Você se negou a enterrar Jungseok, a vê-lo ser depositado em sua jazida para o descanso eterno e isso o persegue a cada fração de segundo. E por não deixar seu pai partir, você carregou um ômega inocente com o outro ombro e hoje esse fardo se tornou impossível de ser sustentado. E aqui está você, sem nenhum dos dois. No entanto, você precisa tomar uma decisão antes que transforme sua vida em um mausoléu de arrependimentos. Me responda definitivamente, você ama Jimin?

E sem hesitar, o duque respondeu:

- Sim, eu o amo! O amo tanto, o amo desde que o vi pela primeira vez! O amo tanto que doi, e doi de uma maneira que me faz querer acabar com essa dor de uma vez por todas!

- Acabar com a dor acabando com a própria vida? Agindo como um covarde? Você não acha que seria muito mais honroso de sua parte acabar com essa dor trazendo Jimin de volta da maneira correta, da forma mais justa que aquele ômega tão magoado pela vida merece? Transforme seus erros em acertos pelo menos uma vez na vida, alfa!

- Eu nunca fui bom com sentimentos, não sei como agir... e acho que já estraguei tudo com Jimin. Ele me abomina.

- Você conheceu o amor durante esse tempo que esteve com Jimin. Você sabe como agir! E o primeiro passo é deixá-lo ir.

- O que? Está me dizendo para dar o divórcio a ele? Isso é loucura!

- Isso é nobreza! Mas o seu orgulho de alfa ferido o está cegando! - ela se levantou da cama. - Jimin precisa de um tempo sozinho. Aquele pobre garoto viveu a vida preso em um arranjo familiar sem qualquer amor e respeito, onde era maltratado e humilhado. E então você veio e o aprisionou a sua maneira. Mentiu para ele, o usou para que seu plano medíocre pudesse tomar forma e olha onde você está agora, Jungkook.

- Eu reconheço meus erros e me arrependo amargamente de ter colocado Jimin nisso.

- Então faça certo de uma vez por todas! Dê o divórcio ao ômega!

- Não posso deixá-lo ir, Mag. Outro tomará o meu lugar... prefiro morrer a ver Jimin nos braços de outro alfa!

- Deixe-o viver como ele bem entender, você o enganou colocando-o nessa situação. E se ele sentir que está pronto para voltar, ele o fará. Garanta a ele que você o aceitará de volta uma vez que o ama tanto. E algo me diz que Jimin voltará em breve para nossos braços. É apenas uma questão de tempo.

- Como pode ter tanta certeza?

- Ele também o ama. - ela cumpriu o pedido de Jimin em não dizer nada sobre a gravidez. - E ele tem uma alma naturalmente amorosa e gentil, mesmo tendo vivido as piores decepções. Ele retornará se sentir seguro aqui. Mas você é o único que será capaz de dar-lhe a segurança que ele precisa.

Resignado, embora com o peito rasgando em desolação, Jungkook acenou. Cerrou os olhos e exalou o ar com toda a força de seus pulmões.

Havia cometido um erro e estava pagando por ele. Essa era a lei natural das coisas.

Estava sentindo em seu coração a segunda grande perda em sua vida. No entanto, essa última era de sua inteira responsabilidade. Pelo resto de sua vida miserável amargaria essa falha.

Havia deixado Jimin, seu grande amor escapar por entre seus dedos.

Naquele exato momento, Jungkook aceitava seu destino.

- Eu o deixarei. - Secou uma lágrima que lhe escorreu pela bochecha e continuou: - Eu darei o divórcio a Jimin.

E segurando as mãos do alfa carinhosamente, demonstrando seu apoio genuíno, Magnólia o olhou complacente.

- Esse será o primeiro passo para sua redenção, filho. - o beijou nas costas das mãos e saiu do quarto, deixando-o refletir sobre a conversa.

Levantando com dificuldade devido a desidratação, Jungkook caminhou até a janela com o intuito de abri-la para que a brisa fresca da noite entrasse. Olhou para o céu completamente escuro e quando abaixou seu foco de visão, avistou o mesmo corvo que o observava em Strand no dia de sua fatídica briga com Jimin.

- O que quer comigo? - ele encarou o pássaro, indagando-o como se fosse receber qualquer resposta. Havia um limiar entre a consciência e os efeitos danosos da desidratação de seu corpo o confundindo o juízo, embora ele relutasse a aceitar.

Disposto a recomeçar sua vida sem cometer os mesmo erros do passado, ele procurou pela calça que vestia antes de voltar para a fazenda, enfiou a mão no bolso direito da peça e puxou dali o relógio que sempre o acompanhou. Desfez o nó da pequena corrente de metal e desprendeu o anel de corvo que estava junto ao cordão. Colocou o pequeno objeto no parapeito da janela e olhou novamente para o corvo.

- É isso que veio buscar? Pois leve! - sentiu uma leve tontura ao falar duramente com o animal e fechou a janela em seguida, voltando novamente para a cama.

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Jimin passava a maior parte do tempo resolvendo as pendências de sua mudança depois da discussão com Jungkook. Ainda sentia-se enjoado, comendo muito e bastante sonolento, mas ainda assim rejeitava veementemente a ideia que pudesse estar grávido. Tratava essas sensações e sintomas como um colateral de seu estresse referente a briga com o marido e a mudança para outro reino, o que era um fato.

Naquele dia, havia combinado de tomar chá com Mme. Davaux e Hyejin. Queria deixar suas propostas para o conselho alinhadas com ambas, uma vez que se afastaria por tempo indeterminado. E também falar sobre sua possível gravidez e um modo eficaz de pôr fim a ela.

-Jimin, se você estiver realmente grávido, não irá conseguir ficar longe de seu alfa. - Hyejin disse preocupada.

- Isso é bobagem. Esses sentimentalismos bobos não me atingem. Isso é questão de controle dos meus próprios sentimentos e apenas eu posso controlá-los. - Jimin respondeu irritado. - Não sentirei falta de Jungkook uma vez que ele ao menos se importa comigo.

- Oui... Jungkook é um alfa forjado em meio a dor e o sofrimento da perda precoce do pai, mas ele sempre procurou agir corretamente em seus negócios. Você estará bem amparado com esse divórcio. - Mme. Davaux falou com um tom de voz neutro.

- Sim, eu sou o produto de um mau negócio que gerará prejuízos a ele. Quero muito dinheiro, quero tudo que tenho direito. E quanto a essa possível gravidez, quero que me indique um médico capaz de fazer um aborto. Não quero parir um fruto vindo daquele alfa.

As duras palavras de Jimin causaram estranheza nas duas ouvintes que se entreolharam e nada disseram. Havia ressentimento e amargura nunca antes vista no semblante do ômega. Entretanto, em respeito a amizade de longa data e ao carinho absoluto que Hyejin nutria por ele, a preceptora sentiu a necessidade de apaziguar os ânimos.

- Jimin, de acordo com seus sintomas, você provavelmente está no primeiro trimestre de sua gestação. Não é seguro abortar um bebê nessa idade gestacional, não há ainda tecnologia para isso.

- Pois então eu acabo com minha vida e não teremos mais bebê algum! O que acham? - ele estampou um sorriso em meio ao deboche.

Hyejin negou com a cabeça, irritada com a postura irresponsável do amigo.

- Você está sendo egoísta. Está direcionando toda sua raiva do alfa em um bebê inocente!

- Se está tão misericordiosa com esse feto, eu vou parí-lo e te dar de presente, Hyejin, assim está bom para você? - cínico, Jimin bebericou o chá e não direcionou seu olhar para a preceptora.

- Vamos pensar com cautela. - Mme. Davaux interveio. - Jungkook ao menos sabe que será pai?

- Não sabe e eu as proíbo de contar. Já disse que resolverei isso do meu jeito. - ele foi ríspido mais uma vez.

- Jimin, quando foi que você ficou tão amargo, meu amigo? - Hyejin o olhou com ternura e preocupação genuína. - Você sempre foi sonhador e gentil, sempre se manteve positivo diante das adversidades.

- E o que eu ganhei sendo o bom ômega? Me diga, Hyejin? Fui usado e maltratado, taxado como tolo por todo esse tempo. Não darei chance para ninguém me tratar assim novamente! Não deixarei Jungkook me controlar, ele não terá esse direito sobre mim. - Jimin franziu o cenho como se algo lhe surgisse à mente. - Pensando bem, não seria má ideia ter esse filhote. Seria maravilhoso poder proibir Jungkook de vê-lo! - ele riu de sua própria fala.

Vivida como era, Mme Davaux apenas ouviu as afirmações de Jimin em silêncio. E constatou que ele estava fazendo o mesmo que todos os casais apaixonados quando brigam: insultando ou tentando causar algum dano sentimental àqueles que os feriram.

Jimin poderia negar o quanto fosse, no entanto amava Jungkook. Mas por certo, todas as arestas mal aparadas do relacionamento deles e os ruídos mal resolvidos do passado, os impedia de manter as coisas em bons termos.

A única solução para a contenda era uma boa conversa, embora Jimin não estivesse aparentemente disposto para isso.

Hyejin também se calou diante das palavras duras de Jimin, pois compartilhava do mesmo pensamento de Mme. Davaux. Seu querido amigo sofria de amor mal resolvido e um coração partido.

E quanto a isso só o tempo poderia sanar as desavenças.

Percebendo o silêncio sepulcral de suas amigas, Jimin desatou a falar sobre seus projetos iniciados no conselho e como gostaria que eles tomassem forma nas mãos de Mme. Davaux e dos auxiliares.

Jimin era justo, sonhador e tinha a esperança de ver o reino prosperar com justiça e união.

Sua partida seria uma perda lastimável para todos.

Mas para o próprio Jimin, significava liberdade. A ideia de ser minimamente controlado ou cerceado em suas vontades o causava ira, raiva absoluta. E essa atitude era o efeito colateral de anos de repressão e silêncio que ele convivera ao lado dos pais. E ele moldou seus sentimentos à sua maneira, principalmente nos últimos meses ao lado de Jungkook.

Ele havia cometido o grave erro de sucumbir ao desejo carnal e não imaginou que seu coração fosse se tornar a vítima desse ato.

E voltando para casa, depois do chá, onde ele se mostrou tão altivo e cheio de si, Jimin sentiu-se melancólico. Pensava em todas as pessoas que abandonaria em Londres, justamente em troca de sua liberdade em outro reino.

Não veria mais Jungkook. Não teria mais o toque firme das mãos dele em seu corpo. O nó atado em seu clímax. Cerrou os olhos com firmeza e sacudiu a cabeça, afastando os pensamentos.

- Não seja bobo, Jimin! Esqueça-o!

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Uma semana depois...

O café da manhã naquele dia em Strand seria servido às dez e era a despedida oficial de Jimin. Na noite anterior ele havia se despedido de Taehyung que prometeu ir a Paris uma vez ao mês visitá-lo. Lily, que também havia começado a faculdade uma vez que Edward abriu vagas a todos os betas e ômegas, chorou na despedida, mas prometeu que também iria visitar Jimin e a mãe quando pudesse.

Magnólia e Lorde Archer estavam sentados à mesa, dando o ar de velório ao ambiente.

Ambos nada falavam, suas faces aparentavam resignação pela despedida iminente de Jimin.

E ele sentiu na pele a aura densa do local.

Mas não esmoreceu e nem deu sinais de arrependimento. Procurou por Calista pela terceira vez no dia e não conseguiu informações sobre o paradeiro dela.

Terminou o café e assim que ia se dirigir aos seus aposentos, foi indagado por Magnólia.

― Jimin, gostaria de trocar algumas palavras com você. ― ela pediu gentilmente.

― Claro, Mag. Vamos aos meus aposentos. ― Jimin nutria um sentimento de carinho genuíno pela duquesa desde o primeiro dia que a conheceu.

Mas todas as relações de amizade que havia começado com pessoas próximas de Jungkook já não eram mais as mesmas. Jimin havia colocado barreiras sentimentais em todas elas.

Como proteção.

Ele entrou no quarto depois da duquesa e sentou-se na cama, pronto a ouvi-la.

― Jimin, ainda estou extremamente abalada com tudo isso. Nossas vidas mudaram drasticamente desde que você decidiu ir embora e só me resta viver o luto da sua ausência.

― Paris é tão perto, Mag. Não é como se eu estivesse me mudando para o reino do Brasil. ― ele fez piada, mas no fundo a ideia já havia lhe rondado a mente.

― Sim, querido é perto. Porém nós vivemos esses meses com uma proximidade quase íntima, desfrutamos dos bailes, das noites londrinas com tanta afinidade. Me permita dizer que ficarei depressiva por alguns meses, sim?

Jimin estendeu sua mão e segurou a de Magnólia num gesto singelo. A energia do contato da pele de ambos, tocou Jimin no fundo de seu coração e ele sentiu o queixo tremer.

Não queria se desfazer em lágrimas ali, no entanto suas reações emocionais não colaboravam.

― Mag, eu me sinto tão mal por tudo isso. Por não conseguir controlar o que sei que está fora do meu alcance. ― então ele se abriu com a voz vacilante, evidenciando sua dor.

E uma lágrima solitária escorreu por sua face direita.

― Acalme-se, meu anjo. O que está fora de seu controle não pode ser controlado, isso é óbvio.

E mesmo que pudesse impedir, Jimin deixou que seus sentimentos se aflorasse.

Ele era uma montanha russa de emoções.

― Eu queria tanto poder mudar a ordem natural das coisas, voltar ao passado e impedir que meu pai desse aquele tiro em Jeon Jungseok. Ele foi tão cruel.

Jimin já não controlava mais os suspiros pesados e os soluços incontroláveis.

Ser duro e indiferente nunca foi um traço real de sua personalidade.

Ele era inteiro coração.

― O que está feito, está feito. Só devemos encontrar a melhor maneira de agir de agora em diante, buscar acertar e fazer o que deve ser feito. ― Magnólia deitou a cabeça dele em seu ombro e o acariciou a face. ― Você está grávido, não pode passar por fortes emoções, tente se acalmar.

E mais uma vez a duquesa serviu de aconchego para um dos membros do casal de apaixonados.

― Eu sinto tanto por Jungkook... ele era um garotinho quando o pai se foi de uma forma tão vil e abjeta... o que meu pai fez jamais terá perdão!

― E eu vivi ao lado de Jungkook desde o fatídico dia, o dei estudo, cama quente e amor de mãe. Jungkook é como um filho que não tive. Ele nunca me deu qualquer trabalho, sempre foi tão gentil e prestativo, tão inteligente e refinado. Jungkook tem um coração despedaçado no peito e tenho certeza que apenas você poderá consertá-lo.

― Não, Mag... ele me olha com desprezo. Minha presença em sua vida apenas o impediu de se vingar como queria. E ao final de tudo fui usado apenas para que ele alcançasse seu objetivo.

― E isso só aconteceu porque ele se apaixonou por você.

Jimin negou com a cabeça.

― Não há paixão. Há o desejo lascivo de me manter sob seus lençois. Não que eu faça qualquer objeção, mas nosso arranjo matrimonial se manteve através das noites de amor intenso que compartilhamos. Não há projeção de um futuro. Não há amor. - a voz dele era tão baixa que Magnólia teve dificuldade em ouvi-lo.

― E você, Jimin? O que você sente pelo alfa?

― Eu não sei... desde que me casei com ele eu me sinto protegido e confortado sempre que estou ao seu lado, mas me mantenho fiel ao nosso acordo exclusivamente carnal. Gosto do sorriso displicente que ele esboça quando vê Missy deitada em nossa cama em NewBrook's Farm, gosto da forma como resmunga por qualquer assunto, gosto também de como ele me ensina sobre seu trabalho, como cobre meu corpo depois que desfrutamos de uma noite intensa e eu adormeço primeiro. É isso. São sentimentos bobos.

Magnólia sorri com as palavras do ômega.

― Então você o ama. Você acabou de descrever o amor. O amor é a construção das pequenas coisas que irão se tornar fortaleza. Você está no processo.

― Mas eu fui usado! ― Jimin se exaltou. ― Jungkook não pode ser isento de sua culpa por ter me enganado, por mais que eu me sinta grato por ele ter me tirado do inferno em Norwich. Sua única intenção em se casar comigo fora por vingança contra meu pai. E eu não permito ser enganado! Quem garante que poderemos passar uma borracha em nossas rusgas e seguir em frente?

― Não há garantias no amor, Jimin. É certo que você e Jungkook se amam, mas esse entrave nunca permitirá que vivam esse amor sem culpas. Vá, viva o que deseja viver e se seu coração decidir que aqui é o seu lugar, não hesite em voltar. Estarei esperando por você! Por vocês! ― ela tocou o ventre pouco proeminente do ômega. ― E você precisa contar ao seu marido que está grávido.

― Por favor, me deixe fazer isso do meu jeito. Devo estar com três meses de gestação e é tudo novo para mim.

― Contanto que não me proíba de ver meu neto, eu aceito suas condições. E também pagarei por enfermeiros para que fiquem de prontidão caso você precise. Esse filhote veio para nos unir para sempre. Foi obra dos Deuses.

― Oh, Mag!

Jimin chorou copiosamente. A fala doce de Magnólia o prometendo que a vida seria mais leve do que ele imaginava lhe trouxe um fio de esperança quanto ao futuro.

E pela primeira vez ele tocou a própria barriga.

Projetou a imagem de Jungkook segurando o filhote nos braços enquanto caminhavam descalços pelos campos de lavanda de NewBrook's Farm, num arranjo tão feliz quanto nos livros de romance.

E mais lágrimas escorreram por sua face.

― Sim, chore criança! Coloque essa mágoa para fora! Vá, viva sua liberdade como quiser, mas não leve consigo o fardo da amargura, Jimin. Jamais permita que esse coração enorme endureça. E assim que você sentir que é capaz de dar uma chance ao amor, volte, pois estaremos todos aqui, ansiosos por você!

― Obrigado. ― ele respondeu num chiado, sua voz completamente embargada. ― Você sabe se o alfa irá assinar a autorização para que eu possa viajar?

― Ele te dará o divórcio, assim como você pediu.

― Mas Mag, se nos divorciamos, perderei o sobrenome Jeon e não terei uma posição social favorável, eu... ― Jimin se desesperou com a constatação.

― Oh, querido! Acalme-se! Falarei com Jungkook para dar-lhe apenas a autorização, assim poderá decidir com mais tranquilidade sobre o divórcio definitivo. Mas saiba que para isso, ele precisará te acompanhar até o porto e falar diretamente com o oficial de viagem.

― Tudo bem. Eu aceito esse incômodo de vê-lo novamente.

𓅂

Vestido com um sobretudo preto e chapéu, Jimin e Calista foram para o porto já perto do horário de embarque. Jungkook pediu para que avisassem a Jimin que ele chegaria ao local para dar a autorização de viagem ao marido.

A tarde era fria. O céu completamente cinza emoldurava o cenário melancólico do local, onde pessoas iam e vinham, cuidando de suas próprias vidas sem se importarem com nada ao redor.

Jimin esperava em frente ao local combinado e ao olhar para a região leste, avistou seu alfa ao longe, caminhando a passos largos em direção a si.

A cena fez seu íntimo pulsar. Amava o jeito bruto de Jungkook, cada trejeito selvagem, cada gesto delicado de suas mãos. E como ele era notado por todos, andando rapidamente pelo corredor principal.

Jimin se desfez de seu transe quando o cheiro forte de pinus e hortelã entrou por suas narinas, o acalmando. E inconscientemente, Jimin tocou suavemente sua barriga.

- Boa tarde. - Jungkook os cumprimentou. - Jimin, gostaria de falar brevemente a sós com você, por gentileza.

Pensando em negar, Jimin teve as mãos firmes de Calista sobre seu ombro, o fazendo repensar seu intento.

- Sim, alfa. - ele respondeu brevemente, acompanhando Jungkook até o local que ele indicou.

Ambos seguiram em silêncio até a saleta do agente de viagens.Entraram no local e Jungkook fechou a porta, deixando Jimin um tanto acuado.

- Quero que saiba de antemão que não concordo com nada disso que está fazendo, mas estou respeitando sua decisão em nome do seu bem estar e porque não tenho condições de exigir nada de você. Eu errei com você, Jimin.

O queixo de Jimin tremeu.

Seus olhos se encheram de lágrimas, no entanto ele se manteve estático, numa postura dura.

E então Jungkook continuou.

- Mas não quero que pense que te usei por todo esse tempo. Nas tardes em que eu o visitava, passei a ver você com outros olhos... eu gostei verdadeiramente de você. Eu o respeitei, tanto que jamais quis que nos envolvessemos intimamente justamente porque eu queria que você pudesse conhecer alguém que amasse e pudesse se casar novamente...

- Você é um crápula! - Jimin falou entredentes, interrompendo-o. Queria poder gritar, mas seu queixo estava travado.

- Eu aceito qualquer adjetivo que nomeie minhas atitudes. Sei que errei profundamente, mas eu havia perdido meu pai! - Jungkook o encarou com a face triste. - Tudo que havia em mim era sede por vingança! Eu era apenas um garoto quando tudo foi tirado de mim.

Jimin não conseguia distinguir seus sentimentos naquela conjuntura. Havia compaixão pelo garoto que perdeu o pai e ao mesmo tempo ressentimento pelo marido que o enganara.

E essas duas pessoas agora estavam ali em sua frente, fundidas na figura de uma só.

- Não há mais solução para nós, Jungkook. - Jimin se desfez da face sisuda e sentou-se na cadeira próxima a porta do local. - Agora que tem a chance de finalmente se vingar, acho que você deve fazê-lo. E não poderemos estar mais juntos para que isso se concretize. Eu fui apenas uma escada para que você alcançasse seus objetivos e cá está! Faça! Encontre Jisung mate-o e acabe com sua dor! - Jimin quase suplicou as últimas sílabas.

Jungkook sentia as palavras morrendo em sua boca. Sua mente articulava cada frase a ser dita em defesa de seus propósitos de vingança contra Jisung, mas seu coração o dizia que ele não era mais capaz.

Então a hora da pior decisão de sua vida estava diante de seus olhos.

Aliviar seu coração ao se vingar ou perder o grande amor de sua vida?

Ele amava Jimin.

Como nunca havia amado ninguém antes.

E como não amaria ninguém depois dele.

- Jimin... - o queixo de Jungkook tremia. - Não há mais qualquer significado em minha vingança. Matar Jisung só me tornará igual a ele. E se eu tiver que te perder para poder sentir um alívio momentâneo na vingança que não trará meu pai de volta, eu renuncio a esse fardo. E te entrego aqui meu coração. Tome, faça dele o que bem entender, porque desde que coloquei você dentro da minha casa, você tomou conta de mim, entrou em peito e se apossou do meu ser.

Jimin sentiu o choque da redenção do alfa o atingir no peito. No entanto, não tendo mais forças para mais um embate sentimental, ele se levantou da cadeira, disposto a colocar um ponto final na conversa.

- Vamos até o guichê de embarque para que você me dê a autorização alfa. Já está tudo acertado entre nós.

Jimin girou o corpo para sair do local, mas teve o braço segurado por Jungkook.

- Jimin... - os olhos negros do alfa brilhavam - Quero que saiba que Strand será para sempre o seu lar, mesmo que não sejamos mais casados.

- Estou grato por isso, alfa. - Jimin disse com formalidade, sentindo a mão direita de Jungkook o segurar mais forte.

E um soluço aprisionado à força lhe escapou pela garganta quando Jungkook se aproximou, acariciando-lhe a face tão gentilmente que ele fechou os olhos, perpetuando a sensação.

- Me perdoe, meu doce. Eu errei com você desde o início, mas sei que o certo a se fazer é deixa-lo ir. Meu coração sempre estará pronto para recebê-lo de volta e....

- Você nunca me quis, alfa. Você queria a vingança que minha presença iria facilitar. - relutante a ceder, Jimin o retrucou, se afastando do toque.

- Eu resisti ao sentimento mais tenro que pude sentir quando te conheci. Eu não permiti que o amor tomasse conta de mim, fui egoísta...

- Chega! Você nunca se preocupou comigo, com meus sentimentos. - Jimin tentou abrir a porta, mas seu corpo não se moveu.

- Eu sou um covarde por deixá-lo ir, me diga?

- Não, alfa, você está apenas fazendo algo certo pela primeira vez.

Então Jimin finalmente teve forças para girar a maçaneta e abrir a porta.

- Eu vou morrer sem você, meu doce. Mas se essa é sua vontade e se é isso que eu posso fazer para me redimir, então eu deixo você, te liberto da minha amargura. E desejo que você seja feliz.

Jimin foi atingido novamente com palavras tão determinadas e repletas de redenção, alcançando seu coração quebrado e ele congelou.

Ainda havia solução para eles?

Ainda havia espaço para o amor?

Jimin cerrou os olhos e decidiu que apenas o tempo responderá suas perguntas.

E sem ao menos encarar o alfa, ele apenas se despediu.

- Adeus, Jungkook.

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Noooossaaa tô passada!

E não é que já era mesmo?

Gente, eu não tô vendo saída para esses dois, viu... acho que já posso dar a fic como concluída o que vocês acham?

Enfim, antes do dia quinze de fevereiro eu volto pra gente ver o que vem por aí.

Alguém tem algum palpite?

Beejo!

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