𓅂 𝓣𝓱𝓮 𝓑𝓪𝓵𝓵
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#DocedePessego
🍑
Deixem o voto e comentem!
Boa leitura!
Ao perceber o desespero latente transparecer nos olhos de Jimin, Taehyung o trouxe para perto de si num movimento gentil.
— Jimin, acalme-se. — falou, acariciando os cabelos loiros do garoto. — Sei o quanto a maldade e desprezo da condessa te afetam, mas isso não pode ser o sentimento maior que você deverá cultivar em seu peito.
Naquele mesmo segundo, ao ouvir as palavras do amigo, o ômega se desmanchou em lágrimas.
— Tae, eu não quero nunca mais ter que viver sob o mesmo teto que ela! — a voz embargada de Jimin quase não saiu. Sentia a dor pulsante dos anos miseráveis que passou ao lado da mãe e seu peito apertava a cada lembrança triste que ressurgia em sua memória.
— O pânico está atrapalhando seu raciocínio e eu vou te ajudar a colocá-lo no lugar. Olhe para mim. — Taehyung girou o corpo de Jimin para que pudesse olhá-lo nos olhos. — Todas as pessoas que te amam muito e são verdadeiras com você estão correndo perigo caso Jisung realmente esteja tramando algo com seu bando. Então você acha justo que apenas o medo de ter Dahye por perto seja mais importante do que a felicidade e a segurança dos que te amam?
A indagação fez mais uma lágrima grossa descer pela face de Jimin e ele já não controlava mais os suspiros de mágoa profunda.
— Eu não sei o que fazer, nem o que pensar... — ele colocou as mãos no rosto e suspirou.
— Sabe que podemos dar um jeito para que você não tenha que conviver com a condessa, mesmo se porventura o conde seja preso, não sabe?
A intenção clara de Taehyung era fazer com que Jimin estivesse a par de todas as possibilidades, nos mais diversos cenários.
— Podemos? — o ômega arregalou os olhos, se apegando àquela conjectura.
— Ah, Jimin, ainda há muita pureza em seu coração, mesmo você tendo sofrido tanto. Estou certo de que te falta uma dose decente de ódio. — ele resgatou uma gota fujona da face do amigo com a ponta do indicador.
— Iremos matá-la? — Jimin se desesperou ainda mais. Sua boca se abriu em sinal óbvio de perplexidade e os olhos azul-céu se esbugalharam.
E Taehyung riu.
— Não, meu bem. Daremos apenas o destino que ela merece. Será divertido, inclusive. Mas o que quero garantir a você é que devemos fazer o correto, mesmo que as consequências ruins nos esbarrem. Fazer o correto por quem nos ama, traz paz e é isso que nos torna vivos.
Deixando a razão e coerência finalmente tomar-lhe os sentidos, Jimin envolveu o beta com um abraço forte. Abraço este que ambos compartilharam por longos minutos até que ele finalmente parou de chorar e pôde se manifestar de maneira sóbria.
— Obrigado, meu amigo. Você amadureceu tão rápido, está tão sábio e sensato.
— Acho que sempre disfarcei muito bem, mas não posso deixar de agradecer Hyejin e Yoongi pela minha evolução. E principalmente a você, que sempre me tratou como irmão, nunca ousou a concordar com qualquer ato de humilhação que sua mãe nos ofereceu desde que eu vim para esta casa e encontrei Lily e Calista. Você é um anjo, Jimin. Devo minha alma a você.
— Vocês são minha família. Por isso quero tirá-los daqui o mais rápido possível para que vocês possam ser livres. — ele estendeu a mão para que Tae pudesse segurar.
— Eu já dou por certa a minha despedida do casarão. Yoongi me levará com ele para NewBrook's Farm na manhã seguinte ao baile. Iremos nos casar.
Jimin empertigou-se com a notícia repentina.
— Casar? Mas vocês nem ao menos namoraram o suficiente! — o tom de advertência de Jimin soou como uma dose moderada de ciúmes.
— Nós namoramos sim. — Tae piscou com malícia. — Posso adiantar que a lua de mel não será novidade para mim. — concluiu sorrindo baixinho.
— Tae! Você e o Yoongi já dormiram juntos? Não posso acreditar! — Jimin estava ultrajado, mas não havia qualquer mínimo sinal de inveja em suas palavras. Ele estava apenas surpreso
— Digamos que a chama do amor está bastante acesa entre nós dois. Yoongi é maravilhoso, me trata com doçura, de uma forma que jamais pensei que fosse possível ser tratado. Eu me permiti ser amado e evoluí ao compreender o poder desse amor, Jimin. E assim, sou melhor a cada dia.
Jimin murchou os ombros por um momento. Não que o sentimento transparecesse qualquer sensação desconfortável por ter ouvido que o amigo estava bem, mas sim pelo fato de que ele não recebera qualquer atitude próxima de amor vinda de Jungkook.
E dentro de seu peito algo florescia devagar. Não sabia exatamente quando, porém havia começado a olhar para o alfa com outros olhos.
Com olhos flamejantes de uma paixão desabrochando. Com desejo absurdo em ser tocado pelo alfa.
Suspirou profundamente em meio aos seus devaneios.
— Eu estou casado há meses e até hoje nem ao menos fui beijado. — lamuriou para si mesmo não se importando em ser ouvido.
Sem se manifestar com palavras, Taehyung compreendia Jimin, afinal o ômega já havia contado sobre a dinâmica fictícia de seu casamento. E Tae apenas lamentava, sem se envolver intrinsecamente no assunto.
— Jimin, quero que saiba que tudo dará certo, não se preocupe com nada além do seu baile por enquanto, sim?
— O meu baile será o baile de todos vocês também. Peço a Deus, mesmo sem saber se serei atendido, para que todos nós possamos ser felizes, mas às vezes, confesso, me sinto descrente.
Ainda com Jimin estreitado em seu abraço, Taehyung depositou um beijo silencioso na testa do ômega. O conhecia como a palma de sua mão e desejava com todo o seu amor que ele pudesse ser feliz.
— Londres terá muito assunto na próxima semana, Minnie. Você é um Jeon e está cercado de pessoas que te amam. Não tenha medo.
— Eu não tenho mais medo, talvez um pouco de insegurança e sei que isso tem a ver com os anos de tortura dirigidos a mim pela condessa, mas sei que irei superar.
— Sim, meu bem, você já está superando. E é por isso que eu te digo que devemos fazer o certo com isso que temos aqui. — ele apontou para a caixa que continha as provas e olhou para Jimin, que acenou positivamente.
— Quanto a essas provas, vou levá-las comigo. Depois do baile vamos nos reunir com Heyjin e o meu marido e decidirmos o que fazer a partir do que temos aqui. — ele afirmou confiante. — Vamos fazer o certo, Tae.
Ele encerrou o assunto abraçando Taehyung carinhosamente.
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As masmorras do castelo receberam reforço em sua guarnição após ordens expressas vindas de Edward. O príncipe mantinha o semblante preocupado, evidenciando dois vincos profundos que se formaram entre suas sobrancelhas.
— Kim Namjoon. — o monarca entrou na cela do duque de Westminster e olhou para o local inóspito um pouco enjoado.
O suspeito estava sentado na cama disposta no canto do pequeno recinto e nada falou, apenas observou Edward arrastar um banquinho velho de madeira e se acomodar ali.
— Sei que não irá entregar seus amigos assim tão facilmente, mas o fato é que eu já não preciso mais de confirmações. — O príncipe fez a afirmação calmamente.
Namjoon franziu o cenho.
— O que isso quer dizer?
E a atitude dele soou como vitória aos olhos de Edward.
— Digamos que um amigo seu resolveu trocar os dias de clausura aqui nessa pocilga por liberdade e uma cama limpa. Acho que você deveria repensar, posso desistir de refazer a mesma oferta a você, já estou cansado de jogos.
— Se você já tem o seu depoimento, significa que não precisa mais de mim, Edward. — a perspicácia era traço único da personalidade forte de Namjoon.
Porém palavras já não faziam mais sentido em sua defesa. Não havia mais por onde buscar refúgio para seus segredos.
Olhou para fora das grades que o prendia há meses e viu Seokjin com os olhos magoados o observando.
Seu grande e único amor.
Entretanto não havia espaço para o amor em seu peito carregado de rancor e vingança.
— Alfa, você foi acusado de pertencer a uma organização de contrabandistas de conhaque, vocês foram pegos pela rainha e tudo o que eu pretendo agora é solucionar esse crime e dar-lhes, a você e seus comparsas, um julgamento justo. Assuma seus crimes e poderá ter a sentença atenuada por mim, como um perdão real, dentro das possibilidades, é claro. — Edward foi didático.
— Pretende me perdoar por ter cometido o crime que diz que eu cometi? — os olhos de Namjoon não haviam deixado a face de Seokjin.
— Pretendo fazer justiça de modo exemplar, duque. Aliás, você não é mais um duque, devo informá-lo se ainda não está a par desse fato. — corrigiu-se. — Estamos reformando as leis do reino e fazendo mudanças necessárias para nos tornarmos mais justos no âmbito social. — falou impostando a voz, orgulhoso de seus feitos atuais.
Namjoon sacudiu a cabeça e uma gargalhada alta saiu por sua garganta.
— Você tem se saído bem, Edward. Nem parece ser filho de quem é. Estou admirado. — usou de sarcasmo para manifestar seu desprezo. — Victoria mereceu cada centavo que roubamos dela! Esse maldito reino merece sucumbir em ruínas! — bradou num rompante de ira, levantando-se abruptamente da cama.
Os guardas se movimentaram diante a afronta do alfa e assim que fizeram menção de entrar na cela para barrar qualquer atitude violenta de Namjoon, o duque de Strand parou ao lado deles.
— Olá, senhores, perdi algo importante? — Segurando a ponta do chapéu, Jungkook fitou cada um dos presentes com a face vitoriosa.
— Chegou em tempo, alfa. Estávamos nas apresentações. — Edward tirou um charuto do bolso do paletó e se concentrou em buscar fogo para acendê-lo.
— Como vai, Kim Namjoon? Pelo que pude ouvir, acho que já assumiu um de seus crimes, estou certo? — Jungkook falou com diversão.
— O que esse rapaz faz aqui, Edward? Não consegue andar poucos metros sem que um alfa segure suas bolas? — Namjoon bradou irritado.
— Esse rapaz é Jeon Jungkook, o duque de Strand e meu conselheiro real. Acho melhor medir suas palavras a partir de agora, alfa, ou será acusado de mais alguns crimes. — Edward soprou a fumaça densa de seu charuto e a nuvem cinzenta ofuscou o ambiente tenso.
Jungkook curvou o canto do lábio e andou vagarosamente pela cela, calculando suas palavras. Aquele dia era o início do acerto de contas ao qual ele tanto esperou.
Estalou a lingua entre os dentes e sentou-se ao lado do acusado, mantendo a postura ereta.
— Acho que o seu erro foi não ter um alfa de confiança que segurasse suas bolas, Kim. Jackson Wang, seu fiel escudeiro, abriu a boca na semana passada e posso adiantar-lhe que a confissão dele te deixa em maus lençóis. Você foi pego, meu caro.
— Vocês estão se baseando no depoimento de um boêmio qualquer para me acusar sumariamente porque querem um bode expiatório para dar uma punição exemplar e mostrar a essa sociedade moralmente falida que haverá a mesma pena caso queiram se rebelar! — Namjoon se levantou novamente e Edward acenou para que os seguranças não entrassem na cela. — Pois bem! Eu desviei recursos da Coroa porque não era justo que toda a renda fosse concentrada a serviço dos aristocratas!
— Olha que honroso! Um alfa pertencente a um ducado praticando o comunismo na essência! Você queria apenas dividir, camarada Kim? — Edward debochou. — Preciso aprender algo com Karl Marx ou você é capaz de me instruir no alto de sua sabedoria comunista?
— Você não é capaz de pensar algo produtivo com seu cérebro gelatinoso, quem dirá lendo algum livro. — Namjoon caçoou mesmo sabendo que a ofensa não seria levada a sério por Edward. — E se era isso que queria, tome minha confissão. Desviei recursos e me apossei do dinheiro juntamente com Jackson Wang...
— E Park Jisung? — Jungkook interrompeu e aproveitou para inserir o nome de mais um membro do bando e Namjoon se sobressaltou.
— Não sei nada sobre o conde Park Jisung.
— Algo a ver com apostas em corridas de cavalos, alfa? Acho que essa informação refresca sua memória. — Jungkook interveio. — Não se lembra de ter tomado uma bebida comigo e seus amigos há alguns meses no casino em Mayfair?
Havia uma vagarosa lembrança na mente de Namjoon a respeito do alfa que o indagava. No entanto, como todas as memórias daquele tempo sombrio, essa também havia se deturpado.
— Tive pouco contato com o conde, se deseja tanto saber sobre ele, acho que deve perguntá-lo. — Namjoon respondeu com pouca vontade. — Aliás, eu soube que acharam mais um torso em Whitehall e até hoje não prenderam ninguém. Tem havido mortes constantes de prostitutas pelas ruas há tempos e nenhum culpado pelos crimes hediondos está atrás das grades. Vocês tem algo mais importante a fazer do que me interrogar, não ofereço perigo aqui nas masmorras.
— Saiba que o conde Park Jisung está livre, completamente isento de qualquer acusação. Acha justo que ele permaneça ileso enquanto você paga, sozinho, pelo crime que cometeram juntos? — Jungkook ignorou a informação sobre o assassino de prostitutas e prosseguiu com a pauta sobre Jisung.
Um gosto amargo inundou a boca de Kim Namjoon ao ouvir as palavras do conde de Strand.
Park Jisung estava livre.
O ambicioso e inexperiente Park Jisung havia se safado das acusações.
O assassino Park Jisung.
Edward ainda fumava seu charuto enquanto as arguições de Jungkook se intensificavam. Namjoon estava cercado, completamente à mercê de seus inquisidores e para o príncipe, mostrar à sociedade que ele era capaz de devolver a ordem à Londres lhe trazia conforto, absolutamente.
— Não dirá nada quanto a isso, alfa? — Edward provocou.
— Sabe que a constituição não permite que um acusado seja interrogado sem a presença de um defensor, não sabe, Edward? Acho que falei o suficiente para amaciar vossos egos, então se me permitem, quero que me deixem em paz.
O tom reflexivo e indiferente na voz de Namjoon foi percebido pelos presentes, que se entreolharam e levantaram de seus assentos.
Jungkook, porém, queria a confirmação da associação de Jisung com o bando e para isso deveria ser mais contundente em suas perguntas, mas Namjoon minou a chance de que o interrogatório informal fosse prosseguido.
E sem restar mais alternativas, disposto a arrancar a verdade do alfa em sua frente, Jungkook enfiou a mão no bolso do paletó e retirou o anel de corvo, mostrando-o na altura dos olhos de Namjoon.
— Sabe o que é isso? — perguntou baixo. — O conde de Norwich me disse que era de uma irmandade ao qual participou com você, Kim. Suponho que seja o clube de apostas, sim?
Os olhos de Namjoon se arregalaram ao ver a imagem do corvo cravado em prata na argola que Jungkook segurava entre os dedos.
— Onde encontrou isso? — a voz do acusado saiu trêmula e ele pigarrou, condenando-se.
Jungkook lançou o anel para o alto e pegou de volta em um único movimento.
Sentia-se vitorioso e Edward apenas o observou, um tanto confuso com a cena.
— Se eu lhe disser que ganhei esse anel do próprio Jisung, faria algum sentido para você, alfa? — o duque de Strand se ajoelhou, ficando na mesma altura da face de Namjoon. — Parece que você realmente não tem ninguém de confiança para segurar suas bolas, Kim. Eu lamento profundamente.
Namjoon abriu a boca para fazer a réplica, mas nada que lhe viesse à mente era minimamente coerente com a história contada por Jungkook.
A BlackCrow estava enterrada e Jisung não ostentava mais o anel, assim como todos os envolvidos na organização.
Então por qual motivo Jungkook possuía o amuleto da sociedade secreta depois de tantos anos de dissolução?
— Antes que me pergunte, mesmo eu sabendo que o fará de todo modo, tenho uma proximidade bastante familiar com Jisung. Sou casado com o filho dele, alfa. Talvez isso mate sua curiosidade.
E não houve qualquer resposta à afirmação do duque.
Então Jungkook continuou:
— Tenho uma convivência próxima com meu sogro e inclusive posso te adiantar que ele tem ganhado bastante dinheiro com a Coroa... — Jungkook rodou o anel em seu dedo mindinho bem próximo dos olhos do alfa. — Está enriquecendo a pleno vapor...
— Me deixem em paz, eu já disse que não falarei mais nada! — Namjoon sentia a raiva embaralhar-lhe a visão. Era injusto demais ele estar ali enquanto Jisung usufruía de dinheiro e conforto, mesmo o conde sendo tão culpado quanto ele.
Entretanto, ele precisava de tempo para pensar.
A informação sobre o conde era importante demais para ser desperdiçada com palavras impensadas e por isso ele hesitou, girando a cabeça para o lado oposto dos alfas.
— Vamos, Jungkook. Deixe que ele reflita sobre o que foi dito aqui. — Edward falou ao segurar o braço do duque de Strand e guiá-lo gentilmente até a saída da cela.
E assim Jungkook o acompanhou e quando os guardas passaram o cadeado pelas grades, o duque olhou de volta para dentro do recinto e deu um último recado:
— Pense bem sobre o que conversamos, Kim. Sei o quanto é injusto ser punido quando o seu cúmplice segue desfrutando dos prazeres da vida, sem sofrer qualquer dano. — ele não esperou resposta, saindo dali em seguida.
Uma semana depois...
A movimentação em Strand era digna de um casamento real.
Vários estilistas da equipe de Patrizia entravam e saiam dos aposentos de Jimin e o duque apenas observava com diversão as pessoas ansiosas subindo e descendo as escadas.
Ele estava sentado no sofá da sala de estar e sua curiosidade genuína para ver o marido pronto para o baile o consumia. Já havia se vestido com a ajuda de Lorde Archer e a exclusividade de sua indumentária escolhida totalmente por Jimin já o preparava de antemão para o que viria.
— Duque, deseja colocar mais algum acessório? — a jovem alfa de cabelos loiros se aproximou dele e o indagou gentilmente, segurando a caixa de jóias.
— Não, concentre seus esforços para agradar meu marido, estou perfeitamente bem. — ele apontou o queixo para as escadas e direcionou um sorriso cortês à garota.
Jungkook olhou para seus dedos e um pequeno sorriso se fez em seus lábios ao olhar para os anéis que os adornavam. Tudo em si fora sugestão de Jimin.
A roupa, os acessórios, os pensamentos...
Seus dias estavam repletos de Jimin.
Tomou o último gole de champanhe de uma só vez e relaxou o corpo no sofá, esperando a hora em que seu atrevido marido o chamaria.
— Está com a cara ótima, duque. É bom vê-lo relaxado. — Lorde Archer veio da cozinha e fez o comentário com sensatez.
— Hoje é um dia importante para Jimin, Archer. Não quero estragá-lo com a minha carranca.
— Há tempos não vejo uma carranca em sua face. Está comendo bem, bebendo moderadamente, até o cheiro forte de tabaco saiu de seus lençóis. Jimin trouxe vida para você.
Sem manifestar concordância óbvia com a frase do beta, Jungkook apenas exalou:
— Hm.
A frase de Archer era absolutamente verdadeira e o duque tinha consciência disso. E obviamente não daria o braço a torcer também.
— Bom, já que está tudo nos conformes, irei me vestir. Jimin fez questão de se sentar comigo e de desenhar meu traje. Não há consideração maior de minha parte em ir prestigiá-lo em seu baile.
— Jimin tem um carinho muito grande por você, beta. — Jungkook brincava com um dos anéis quando falou displicentemente.
— E eu tenho gratidão eterna por você ter escolhido o ômega como seu marido. Essa casa floresceu, tudo está perfeito. Imagino que irei explodir de emoção quando os filhotes chegarem e...
— Archer... — Jungkook prolongou a palavra em tom de alerta e girou o pescoço para poder fazer contato visual com o criado. — Vamos manter nossa atenção no evento de hoje, vá se trocar.
E acatando a fala do alfa, ele se retirou.
Mas o teor de suas palavras permaneceram ecoando na mente de Jungkook.
Ele seria um bom pai?
Teria paciência em ouvir o choro manhoso de um alfinha ou um pequenino ômega por noite adentro?
E se o filhote fosse fêmea? Uma garotinha delicada e loirinha como o pai ômega?
Sua mandíbula trincou quando ele imaginou o cenário de sua pequena filhotinha sendo cortejada em seu baile de apresentação.
Definitivamente não!
Sentiu um incômodo estranho na espinha.
Seus dias na presença de Jimin já estavam contados a partir de hoje.
Havia provas suficientes vinda de Kim Namjoon e Jackson Wang confirmando que Park Jisung fazia parte parte do grupo de contrabandistas de conhaque e que eles já haviam ceifado vidas em Londres, tudo em nome da perpetuação de seus crimes. Bastava apenas a confissão do conde de Norwich para que tudo se resolvesse e o duque estava obstinado a arrancá-la no próximo mês, sem mais atrasos.
Finalmente faria sua vingança.
E Jimin teria liberdade.
Seu semblante se endureceu por alguns instantes e ele desejou uma dose farta de hidromel. Talvez desse tempo para uma ida rápida até o escritório, ele ponderou.
Então sobressaltou-se ao chamado de Patrizia.
— Duque?
Ela deu a volta na sala, ficando de frente para o alfa.
— Oh, sim. Me desculpe, estava absorto em meus devaneios. — ele se levantou para cumprimentar a amiga.
— Jimin está maravilhoso. E quer sua presença. — Patrizia falou com a voz mansa, satisfeita com seu trabalho.
— Sim, irei vê-lo. Antes de tudo, quero agradecê-la pela dedicação e empenho. Está tudo impecável.
— Não precisa agradecer, trabalhar para Jimin foi um prazer! — ela falou e Jungkook acenou com um curvar de lábios.
Ele seguiu para as escadas com uma ansiedade desconhecida palpitando em seu peito. Caminhou pelo corredor e bateu levemente à porta dos aposentos de Jimin.
— Entre. — a voz mansa do ômega autorizou sua entrada.
Assim que girou a maçaneta, uma emoção diferente percorreu pelo corpo todo de Jungkook.
Jimin estava vestido com um conjunto de terno, gravata e paletó, mas o recorte era completamente fora dos padrões.
A calça preta, cravejada com pequenos cristais e de tecido encorpado, era justa em toda sua extensão e seguia até acima da cintura, marcando-a e evidenciando o quadril do ômega de modo quase obsceno. Já o paletó era curtíssimo, terminava na mesma altura do cós da calça. Havia uma ombreira que demarcava em excesso os ombros e as mangas eram bufantes, deixando as sobras de pano para os punhos. Os sapatos eram de sola reta, pretos e envernizados, porém o bico era fino e extravagante.
Mas tudo combinava tão bem com Jimin. O ômega estava em seu estado lapidado.
Uma joia rara.
Perfeito.
Sublime.
— Diga algo, por favor! — Jimin implorou assim que viu o marido fitando-o sem reação.
— Lindo. Você está maravilhoso, ômega. — O duque piscou algumas vezes inebriado, mas se conteve nos elogios.
— Diga mais alguma coisa. — Jimin girou em um pé só, mostrando a composição completa de sua vestimenta que reluzia, assemelhando-se a um céu estrelado.
E um arrepio depravado subiu pelo corpo do alfa.
Já havia visto ômegas nus, em lingeries indecentes, porém jamais havia visto um ômega vestido numa calça tão justa, que marcasse quase pornograficamente seus quadris daquela forma.
Enfiou as mãos nos bolsos da calça de modo a acalmar seus instintos primitivos.
Seu lobo estava louco. Insano. Rasgando seu peito, querendo contato absoluto com o ômega.
— Prepare-se para o velório da condessa. Isso será a morte para ela. — Jungkook falou com deboche.
— Ah, sim. Eu quero isso! Quero o sepultamento coletivo de todos os hipócritas dessa cidade! — Jimin bradou com empáfia, empinando o queixo e dispondo suas mãos em sua cintura.
— Você terá! — Jungkook falou e relaxou os ombros. Manteve-se de pé, cruzou os braços e seu olhar ainda não havia encontrado outro foco além do corpo esguio de Jimin.
Ele nunca poderia imaginar que ficaria tão hipnotizado pela beleza do ômega.
— Me abrace, alfa! — Jimin abriu os braços e Jungkook o recebeu — Você não sabe o quanto estou feliz, nenhuma palavra minha será capaz de traduzir o quanto estou grato por tudo o que fez por mim. Você me salvou. — depositou um beijo suave na bochecha do marido.
— Você fez tudo sozinho, Jimin. Eu não tive trabalho algum, não me tome como cúmplice de seus crimes, sim? — ele fez piada, ainda mantendo o ômega entre seus braços.
Ganindo, Jimin afastou seu rosto dos ombros de Jungkook e o fitou intrigado.
— Seu corpo está quente. — ele acariciou a face do marido e desceu as mãos suavemente para o pescoço de modo a testar a temperatura e constatar o que havia dito.
— Meu rut chega em alguns dias, é apenas isso. — a voz de Jungkook saiu rouca e baixa, como se quisesse certificar para Jimin que não havia com o que se preocupar. Olhou para o lado e trincou a mandíbula, tentando mudar o foco da conversa.
Um perverso e atrevido sorriso brotou nos lábios de Jimin.
— Então sobre aquele assunto...
— Não, Jimin. Um alfa em rut está fora de suas faculdades mentais, é agressivo, se porta como um selvagem. Além disso, costumo passar meus ruts em minha forma lupina, caçando nas montanhas. — ele negou com a cabeça e tentou se desfazer do abraço.
Mas Jimin o segurou pelas mãos.
— Você vai para a cabana?
— Sim, passarei uma semana lá. Assim como sempre fiz. — o duque disse com o timbre mais seco.
— Mas antes eu não sentia falta de sua presença como sinto agora, uma semana é muito tempo. — Jimin falou entristecido.
— Você estará com a casa cheia, terá Lily, Tae e Calista para lhe fazerem companhia.
— O inverno está chegando, os dias já estão mais cinzentos e frios. Eu não suporto o frio, precisarei de você. — a voz dele se tornou mais melosa.
— Ora, pare de joguinhos. Temos lareira e cobertores na fazenda, poderá se aquecer de todo modo.
— Não, alfa... — ele prolongou a última sílaba e fez um bico, demonstrando contrariedade.
— Pare, Jimin. Irá borrar a maquiagem. — Jungkook o tocou levemente no nariz. — Está decidido, amanhã irei para a cabana e você aproveitará a presença de sua família na fazenda. Poderão fazer o aniversário de Taehyung com bolos e guloseimas, se quiserem posso construir uma tenda no quintal e vocês acampam, o que você acha?
— Ainda prefiro passar seu rut com você. — Jimin confessou num muxoxo. — Não sei o motivo, mas o fato é que realmente sinto falta do seu cheiro e de sua presença. Às vezes choro sozinho quando estou na fazenda e você aqui, em Strand.
— Não minta, Jimin. — ele disse desconfiado. — Você não tem minha marca, nossos lobos não tem ligação alguma, então é impossível que sinta minha falta a ponto de chorar.
— Sinto sim! — o ômega grunhiu.
Jungkook o afastou suavemente na intenção de encerrar de vez a conversa.
Não teria acordo, absolutamente.
— Pois continuará sentindo minha falta pelos próximos três dias, agora deixe de choramingar e termine de se arrumar. Vou esperá-lo lá fora. — Jungkook saiu apressado pela porta e Jimin ficou emburrado com a atitude do marido.
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O baile de apresentação de Jimin seria oferecido à aristocracia londrina no Palácio de Buckingham, cedido gentilmente por Edward que estava a cada dia mais próximo de Jimin e compactuava com todas as ideias revolucionárias do ômega.
Seria a primeira vez na história da Corte que um baile de um não monarca aconteceria na localidade, o que já era motivo de burburinhos entre os súditos, uma vez que Jimin não possuía qualquer título honorário conferido pelo rei.
Carruagens e coches luxuosos chegavam a cada momento na entrada do castelo e o requinte da decoração externa já era capaz de encher os olhos dos convidados. Edward fez questão de ceder também os seus empregados que foram instruídos a tratar a cerimônia de apresentação com formalidade digna da realeza.
Jimin e Jungkook chegaram na carruagem que fora usada por Edward em sua cerimônia de coroação e esse fato provocou cochichos indignados dos convivas mais conservadores, que torceram o nariz assim que viram o ômega subir as escadas do Palácio, sendo guiado pelo marido.
Jimin apenas olhava para todos com um sorriso largo nos lábios, convicto de que estava sendo observado com perplexidade.
As normas sociais eram definidas pelas classes mais elevadas. Os aristocratas possuíam propriedades com mais de quatro mil hectares nas quais passavam os meses de verão e, no inverno, iam para Londres. E justamente esses aristocratas que foram convidados a dedo por Jimin, que também fazia parte desse seleto grupo social.
Assim que adentrou o grande salão, o seu momento de epifania ocorreu no exato momento em que seus olhos cruzaram com os da condessa. Dahye tinha a face petrificada de puro ultraje, estupefação e ira, mesclados com uma dose cavalar de inveja.
E Jimin ofereceu a ela seu mais belo sorriso de vitória e regozijo.
Acompanhou, até quando pode, a feição inquebrável da mulher que um dia chamou de mãe e viu um filme passar em sua mente.
Sua infância solitária, desejando ouvir historinhas infantis contadas por ela, de receber cafuné enquanto o sono não vinha e de poder ouvir que era amado, latejavam em sua cabeça, como se ele estivesse revivendo tudo pela última vez.
Aquele dia seria o expurgo.
Seria o seu renascimento.
Naquele dia ele enterraria de vez o Park Jimin e se tornaria definitivamente Jeon Jimin.
Subiu até o palanque sendo amparado por Jungkook que sentiu o pequeno vacilo de suas pernas. Mas Jimin se recompôs e parou diante dos presentes, saudando-os.
— Boa noite, queridos amigos e amigas. — poucos responderam à saudação, já que estavam aturdidos demais com a cena do ômega de calças diante deles. — Quero dizer que hoje é uma noite especial para mim. Obrigado pela presença de todos e divirtam-se! — ele foi sucinto, afinal não queria falar muito e sim ser falado. Ele queria que todos vissem sua forma de agir, que vissem como ele era diferente de todas aquelas pessoas pedantes e sem qualquer simpatia.
Jimin queria ser visto e comentado.
Ele caminhou para perto do marido e o surpreendeu com um rápido beijo na bochecha e Jungkook o cedeu o braço para que pudessem seguir para suas mesas. Calista, Tae, Lily, Yoongi, Lorde Archer e Magnólia compunham a mesa principal, que originalmente deveria ser composta apenas pela família do ômega e do alfa. No entanto, Jimin colocou aqueles que ele considerava sua família sentados em posição de honral. E imediatamente ao lado, numa mesa de quatro lugares, estava Hyejin, Hoseok e Edward, que ofereciam sorrisos cúmplices ao ômega.
Mme. Davaux e alguns ômegas da Maison também estavam presentes, para horror e pânico dos alfas que ali estavam com suas famílias.
Olhando por todo o salão com altivez, Jimin decidiu começar os cumprimentos pela mesa dos pais. Queria liquidar de vez o constrangimento o mais breve possível.
Dahye olhava enojada para o filho sem nem mesmo fazer questão de esconder a repulsa e Jimin devolvia com sarcasmo a atitude da mãe.
— Sejam bem-vindos, conde e condessa e Norwich. — ele estendeu a mão para cumprimentar o pai. — É um prazer tê-los aqui.
— Ômega-duque de Strand. — Jisung foi cordial ao saudar o filho.
Já a condessa pareceu querer vomitar.
— Olá, mamãe. — Jimin não estendeu a mão à ela. — Está gostando do que está vendo?
Sem qualquer medo dos julgamentos posteriores, Jimin passou a mão pelos quadris e subiu gentilmente até a própria cintura, gesto que transparece sensualidade quase erótica.
— Eu jamais irei perdoá-lo por me envergonhar tanto. — ela falou entredentes, acompanhando com cólera o sorriso debochado de Jimin para si.
Com apenas dois passos para frente, Jimin se aproximou dela e a puxou pelos ombros para um abraço tenso. Ele pousou o queixo nos ombros da mãe e deu o último recado:
— Relaxe, mamãe. A noite está apenas começando.
Então ele saiu dali.
Sentia-se vitorioso, aliviado, entorpecido.
Viu no semblante da mãe a face da derrota do ego, da aura narcisista que ela patologicamente sustentava para torturar, em detrimento da felicidade do filho.
Jimin não seria mais seu refém. Ela não teria mais como alimentar-se da doçura, beleza e da humildade nata que pertencia a ele.
Jimin era tudo que ela sempre sonhou ser, porém jamais conseguiria.
Não havia alma em Dahye.
A noite seguia animada. O choque pela quebra de decoro proporcionada por Jimin já não impressionava tanto. Os convivas inconscientemente haviam se habituado às novas facetas pouco tradicionais do baile de apresentação oferecido pelo ômega excêntrico.
Nas rodas de fofoca que se formavam os comentários eram variados:
— Achei bastante corajoso da parte do ômega se vestir como um alfa. Provável que a moda pegue. — a filha mais nova do barão de Soho se manifestou.
— Isso é ultrajante para a sociedade! Muito me admira que o duque de Strand tenha aceitado uma afronta aos costumes dessa forma desrespeitosa. Precisamos nos manifestar ou as tradições irão cair por terra!. — a condessa de Chinatown bufou.
Em contrapartida, alguns convidados apenas aguardaram suas opiniões para si. Preferiram se esbaldar com o buffet generoso e as bebidas sofisticadas que eram servidas, além da boa música que tocava animada.
Tudo era do mais refinado bom gosto e requinte: Talheres banhados a ouro e taças de cristal, cortinas de seda pura e toalhas de mesa rendadas atraiam a atenção dos mais exigentes e deixava claro o recado que Jimin queria dar.
Edward, com uma taça de hidromel cambaleando entre os dedos, dançava espalhafatosamente pelo salão. Havia puxado Hyejin para lhe acompanhar e seu ato encorajou outros a fazerem o mesmo.
Jungkook observava no canto da pilastra, também segurando sua dose de bebida.
— Jimin está perfeito! Mas tenho ouvido comentários negativos em algumas rodas de conversa, ele terá trabalho para se impor. — Yoongi apareceu ao lado do alfa.
— O fato é que ele está feliz e tampouco se importa com o que esses sangue sugas acham. Jimin é perspicaz, está inclusive orientando Edward em assuntos do reino.
— Ora, isso é ótimo!
— Sim, ele e Mme. Davaux tiveram a ideia de fundar uma escola para crianças e adultos e ainda sugeriu que parte das arrecadações de impostos sejam doadas para famílias que não tem renda alguma.
— Fantástico! Mas eu gostaria de ser um pouco inconveniente em minha pergunta: você já o marcou?
— Ah, não! — Jungkook foi rápido na afirmação. — Não o farei.
— Você deve está dormindo com um cinto de castidade, amigo. Jimin tem a sedução no olhar sempre que se dirige a você, creio que é uma batalha se conter. Além do mais, vejo em seu olhar o quanto está desejando aquele ômega.
Jungkook mordeu o lábio inferior em meio a um sorriso.
— Vou confidenciar: ele tem feito investidas diárias, está sugerindo que podemos ter sexo casual da mesma forma como os cortesãos da Maison fazem.
— Pelos Deuses! Por essa eu não esperava! — o treinador de cavalos se sobressaltou.
— Nem eu, meu amigo. Mas confesso que estou por um fio. Só que ao mesmo tempo, não quero tirar a chance de Jimin poder ter um casamento decente novamente. Já o provei uma vez e seu gosto não sai de meus lábios. Apenas a lembrança me deixa duro como rocha, me perturba diariamente, estou a ponto de perder a sanidade. — o alfa confidenciou num tom baixíssimo.
— Para ser sincero com você, não acredito que Jimin irá se casar novamente. Taehyung sempre me disse que ele nunca cogitou se casar quando era mais jovem, os planos eram baseados em ser livre, fazer o que bem entender. Jimin é um pássaro livre para voar. Então meu caro, dê logo o que o pequeno ômega tanto deseja. — ele piscou para Jungkook e levantou o copo num brinde.
— Não sei se irei suprir as expectativas dele. Jimin é muito idealizador, tem convivido com Mme. Davaux e provavelmente já tenha a teoria bem embasada em sua mente. Porém a realidade é bem diferente.
— Então deixe que ele lhe diga o que quer, assim não irá errar. — Yoongi encorajou. — Alfa, não me diga que está aflito e receoso para ter sexo com um ômega intocado! Justo você, o sodomita! — ele fez uma piada certeira e gargalhou.
Olhando de soslaio, Jungkook estalou a língua entre os dentes.
— Não me aborreça, Yoongi. Já decidi que irei fazer do meu jeito. Vou buscar meu marido para um dança e acho que deveria fazer o mesmo com Taehyung. — o duque encerrou a conversa e deixou o amigo para trás.
As duquesas mais poderosas e influentes da aristocracia se reuniram no sofá disposto ao lado da janela principal, local estratégico para que ômegas pudesse se sentar e se refrescar com a brisa vinda de fora, afinal seus grandes vestidos pesados lhes faziam suar demasiadamente.
Jimin viu ao longe a oportunidade de conversar com eles e sorriu sarcástico pela quinta vez naquela noite.
— Olá, ômegas-duques! — ele saudou e se sentou na ponta do sofá.
Percebeu que olhares percorreram pelo seu corpo e adorou o fato.
— Como vai a vida de recém casado, Jimin? — um dos ômegas perguntou.
— Ainda estou aprendendo muitas coisas, mas acho que tenho agradado meu alfa. — a voz dele era tão suave.
— Ah, alfas sempre parecem insatisfeitos, se animam apenas quando estão juntos fumando e bebendo. — Lady Jane foi quem fez o comentário e arrancou risadas animadas entre os presentes.
— Eu ensinei Jimin com muito afinco. — sem ao menos se apresentar, Dahye, ainda de pé, se manifestou num tom endurecido.
Jimin, no entanto, gosto da presença indesejada.
Era a hora do show.
— Na verdade, eu gostaria de tirar algumas dúvidas já que estamos entre ômegas. — ele olhou para Dahye que agora já havia sentado. — E mamãe falhou em me ensinar.
Dahye segurou a respiração.
A atenção dos ômegas foi toda direcionada a ele e algumas faces pareciam reticentes e interrogativas.
— O que deseja saber, meu caro? Tenho mais tempo de matrimônio do que você provavelmente tem de vida, acho que posso ensiná-lo algo útil. — a duquesa de South Bank brincou, provocando algumas risadas.
— Como fazem para que caiba inteiro em suas bocas? — Jimin perguntou, porém a indagação não foi compreendida — Eu não tenho muita habilidade e sempre acabo me engasgando. Às vezes eu seguro assim... e... tento colocar por inteiro... e... — ele demonstrava com obscenidade a cena e deixou todos em sua volta chocados e boquiabertos assim que conseguiram entender do que a pergunta se tratava.
Em poucos segundos ele viu os ômegas se encolherem no sofá.
Dahye levantou-se chorando, escondendo o rosto com as mãos.
Aquilo era demais para ela. Era o fim.
— Oh, bom querido... é que... hum... — Lady Jane por mais que se esforçasse, não saberia responder àquela pergunta.
— Sabem, eu gosto de agradar meu marido entre quatro paredes porque sempre recebo algo proporcional ou melhor do que eu ofereci. Não acho que devemos ser tão passivos assim, a natureza nos fez racionais, ainda temos genes lupinos primitivos, mas a nossa faceta humana nos permite sentir e distinguir o que é bom e ruim. E convenhamos, nós ômegas merecemos sentir prazer sexual assim como os alfas. Não há nada diferente entre nós.
— Isso é promiscuidade! Jamais devemos demonstrar esse lado lascivo aos nossos alfas! — uma ômega disse com espanto.
— Então acha que todo esse desejo represado deve ser esvaído nas sessões de apalpação com o médico até que se alcance o tal paroxismo histérico? Ora, seus alfas são capazes de realizar tal ato sem que gastem um só tostão! — Jimin falou com diversão.
A pauta iniciada por ele se tornou rapidamente assunto pertinente entre os ômegas do sofá. Uns concordavam, outros discordavam veementemente das ideias de Jimin. Mas o que importava absolutamente era que houvesse justamente a discussão, que os ômegas começassem a falar sobre o tema mesmo divergindo inicialmente.
Plantar a semente era o objetivo de Jimin.
Jungkook observava perto dali com um sorriso malicioso nos lábios e negou com a cabeça quando seu olhar cruzou com o de Jimin.
— Com licença, vou pegar uma bebida. — o ômega se levantou após o caos que havia causado e seguiu em direção ao marido..
— Atrevido. — Jungkook falou baixo assim que o marido se aproximou.
— Era uma pauta necessária, não acha? O que está bebendo? — ele pediu o copo do alfa e bebericou o líquido âmbar.
— Contanto que você humilhe a condessa o máximo que puder. Aliás pode incluir em sua pauta o que fizemos nas cavalariças também.
— Humm isso é bom! — Jimin elogiou a bebida. — Sua sugestão também.
— O semblante chocado de todos os convidados chega a ser patético. Você está de parabéns. Será o assunto em Londres por muitos meses.
Alguns jornalistas olhavam para o casal tentando captar a interação deles e Jimin fazia questão de dar-lhes a melhor manchete do dia seguinte, tocando o rosto de Jungkook vez ou outra e sorrindo com malícia para o marido.
— Você não disse se gostou da minha roupa.
— Eu disse sim, mas não acho que minha opinião deva importar tanto, você está plenamente feliz e isso é o bastante. O dia de hoje será marco na etiqueta social, é algo que ficará na história, virará tendência.
— Mas eu realmente gostaria de saber sua opinião sincera mais uma vez. — ele insistiu quase fazendo manha.
Então Jungkook exalou o ar de seus pulmões. Passou a língua pelos lábios e olhou para o corpo todo de Jimin com olhos selvagens. Decidiu puxar o marido para uma dança e assim poder falar-lhe seus pensamentos de uma maneira mais privada e sigilosa.
Seu corpo estava em brasa e seu lobo quase tomava o controle.
— Você tem mais curvas do que eu imaginava. — ele aproximou os lábios do ouvido de Jimin e o apertou a cintura— Confesso que se eu tivesse algum poder sobre você eu arrancaria essa roupa do seu corpo e te vestiria com um hábito igual ao das freiras do convento, só pra não ter que aturar todos os olhares desses alfas sobre você. Está indecente, deliciosamente indecente, ômega. — Jungkook não poupou as palavras indecorosas para dizer exatamente o que pensava.
Jimin gemeu baixinho, seu corpo se estremeceu de uma forma desconhecida, mas extremamente prazerosa.
— Uma pena você ter prometido que não me tocaria, não é, meu bem? — Jimin o tocou no queixo, adorando o tom da conversa.
— Eu já toquei, se esqueceu? — Jungkook o girou conforme a melodia da música e tomou novamente em seus braços.
— Então saboreie o restante do meu gosto que ainda deve estar na sua boca enquanto ainda pode, querido. — Jimin piscou e se desfez do toque do marido abruptamente, andando majestosamente para a mesa principal e atraindo mais olhares curiosos para si.
Estava aprendendo a arte da sedução com maestria.
Ao longe, o tilintar de uma taça atraiu a atenção dos convidados para um pronunciamento.
Magnólia estava de pé e ao notar que fora prontamente atendida, parou de tocar a borda da taça com a faca.
— Eu gostaria de fazer um breve comentário sobre esta noite. — ela pigarreou — Devo dar-lhes boa noite, antes de tudo. Hoje é o dia de Jeon Jimin. O ômega duque mais determinado e cheio de ideias inovadoras que Londres jamais viu. — seu discurso era firme e objetivo.
Jimin parou próximo a ela e tinha afeição suavizada pelas palavras afetuosas direcionadas a si.
Magnólia o chamou para perto e o segurou pela mão.
— Novos tempos virão para nós. É hora de nos adequarmos, de abrirmos a mente para as modernidades que já são tendência nos reinos de todo o mundo. Temos um novo rei, temos problemas sérios ocorrendo nas ruas, temos fome, doenças venéreas e desabrigados. Esse nosso reino tão amado precisa de nós, de nossas boas ideias, de mentes jovens atuando para que tudo volte ao seu devido lugar e Jeon Jimin é capaz de nos auxiliar nessas questões. Somos velhos demais para compreender que os tempos precisam ser ajustados assim como a grande Clock Tower, mas graças aos Deuses, ômegas obstinados como este aqui também surgem em nossas vidas, então não devemos desperdiçá-lo, renegando-o a vida monótona do lar. O que peço é bem simples: ouçam o que o ômega tem a dizer, observem-no. Não digo que devam concordar com cada sílaba proferida por ele, porém não ignorem suas ponderações. Muitos podem achar que o fato de vê-lo vestido com calça e paletó seja um ato de rebeldia, mas garanto-lhes que isso é apenas liberdade. Libertem-se, ó súditos da Coroa! Uni-vos! — ela levantou o braço de Jimin e recebeu uma salva de palmas acalorada em resposta ao seu discurso digno de posse de um rei.
E lágrimas inundaram os olhos de Jimin.
Calista, Tae e Lily não seguraram o choro e extravasaram a emoção.
Jungkook aplaudia o marido com o semblante satisfeito, certo de que havia cumprido seu dever com ele.
Certo também que os dias ao lado do ômega estavam contados.
Deveria ceder às investidas dele e dar-lhe uma noite de prazer assim como os dois tanto desejavam?
Deveria ouvir seu coração, libertar seu lobo, esquecer seu plano de vingança e tomar Jimin definitivamente como seu marido?
Então Jungkook cerrou os olhos e vislumbrou um futuro feliz pela primeira vez em sua vida.
E pela primeira vez ele não estava sozinho.
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Olá, pessoas! Como estão?
A fic tá entrando na reta decisiva, jikook tão num fogo que só!
O tempo vai começar a passar mais rápido daqui para frente, mas vou tomar cuidado para não acelerar demais, eu gosto de deixar tudo bem explicado na medida do possível e não vou mudar isso.
Obrigada por estarem comigo nesse ano, sou grata pela vida de todos vocês e desejo que sejam plenamente felizes!
Feliz Natal, meus amores! E Feliz Ano Novo também!
Volto ano que vem, esperem por mim!
Beijos!
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