𓅂 𝓟𝓻𝓸𝓵𝓸𝓰𝓾𝓮

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#DocedePessego 
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Deixem o voto e comentem!

Londres, 1843

A rainha Victória, uma alfa de 26 anos, reinava com mãos firmes desde que herdara o trono. Preocupava-se com os súditos em todas as suas demandas, oferecendo todo o suporte possível para que vivessem felizes com suas famílias. Ela era uma alfa corpulenta, com bochechas grandes e rosadas que adorava se fartar dos banquetes oferecidos diariamente no reino. Reuniões, festas, passeios, nada impedia Victória de manter a boca bem cheia com as guloseimas preparadas pelos mais de cem cozinheiros do Castelo de Windsor. Em contrapartida, a rainha Matilda, sua esposa ômega, vivia em regimes alimentares torturantes que a deixavam com a aparência frágil e caquética mesmo com tenra idade. Burburinhos e comentários maldosos eram ouvidos claramente quando o casal real circulava pelas ruas do reino. Alguns diziam que a ômega havia contraído uma peste incurável; outros diziam que ela fora amaldiçoada por algum pretendente de Victória antes do casamento. Mas o que ninguém sabia era que o problema da rainha ômega estava fácil de resolver, bastava sentar-se com a esposa por alguns minutos e seguir o exemplo dela: empanturrar-se do que estivesse à mesa como se não houvesse amanhã. A preocupação com a aparência se fazia maior do que o próprio bem estar e se mostrar seca como um varapau diante das pessoas do reino era uma obsessão difícil de lidar.

— Rainha Matilda, Vossa Majestade sente-se bem? — Kim Seokjin, o criado mais próximo da realeza, perguntou enquanto amparava a mulher frágil e pálida encostada num dos imensos corredores do castelo.

— Não se preocupe, foi apenas uma vertigem, acho que comi demais no almoço. — respondeu, escorando-se na parede com as duas mãos.

A causa exata da vertigem era por ter feito justamente o contrário: ter ser alimentado como um canário no almoço. Todos já sabiam. Porém de nada adiantava compadecer-se do pouco juízo que a ômega tinha quando se tratava da própria saúde.

Aquele era um caso perdido.

Kim Seokjin era um beta muito bem educado e de inteira confiança de Victória. Tudo que se referia ao bem estar das rainhas e do pequeno príncipe Edward passava pelo crivo e aprovação dele. Era metódico, perfeccionista e totalmente dedicado a servir a realeza em todas as suas necessidades mais urgentes. Nutria um carinho genuíno pelo alfinha, mesmo que a recíproca, às vezes, não fosse assim tão verdadeira.

— Príncipe Edward, não se comporte como um selvagem! Vossa Alteza será o príncipe regente na ausência da rainha, tenha bons modos! — Seokjin repreendeu a criança, tentando melhorar a postura do pequeno na grande cadeira da mesa de jantar.

— Não quero sentar, beta! — ele gritou com a voz de alfinha bem desafinada, pulando travesso na cadeira acolchoada que só fez os presentes caírem na gargalhada.

Porém Victória não permitia que nenhum criado naquele castelo fosse destratado ou humilhado por quem quer que seja e naquele momento de desobediência do filhote, decidiu agir com firmeza.

— Edward! Obedeça Seokjin ou eu mesma terei de ir até aí! — bateu com força na mesa, fazendo os cristais tilintarem pela súbita reação inesperada.

O filhote rapidamente se recompôs e aceitou de bom grado o prato bem servido que Seokjin lhe ofereceu. Edward havia herdado o apetite da mãe alfa e gostava muito de repetir pelo menos duas vezes cada refeição.

— Mais, JinJin! — bateu palminhas, empurrou o pratinho e passou a língua nos lábios sujos de restos da sopa de ervilha, sua preferida.

O príncipe Edward, apesar de bastante travesso e no auge de seus cinco anos, seguia à risca os ensinamentos da mãe alfa. Ela prezava pelos costumes de sua família, principalmente quando se tratava de ajudar o povo e ser bondosa com todos. E o príncipe estava aprendendo como ninguém. Desde que nascera era o xodó do reino. Vivia de colo em colo conquistando os súditos com seus enormes olhos azuis e sorriso fácil, herança incontestável de sua mãe alfa.

— Você irá crescer saudável e governar todo o reino! — Victória segurava o filho no colo, sentada na poltrona macia no alto da torre de seus aposentos, de onde podia avistar uma boa parte da vizinhança de Windsor.

O pequeno alfa sentia-se feliz nos braços dela e pouco entendia sobre governar todo aquele reino. Mas inevitavelmente esse seria o seu destino como herdeiro do trono. Deixaria então para se preocupar quando a hora finalmente chegasse.

O reino londrino parecia em perfeita harmonia, com duques, condes e barões auxiliando a rainha a governar. Victória possuía o hábito quase paranoico de juntar todos os membros do conselho real em longas reuniões no palácio pelo menos uma vez por semana. Gostava de estar a par sobre os acontecimentos e sobre as decisões a tomar. Kim Namjoon, o Duque de Westminster, era um dos seus maiores aliados e braço direito, um alfa imponente e bastante rígido com os costumes reais no que tange a ordem e organização do Conselho de Tributos, a cadeira mais almejada dentro os cargos da Coroa. A função exercida por Namjoon exigia confiança por parte da rainha, haja vista que toda a arrecadação dos tributos do reino passava por suas mãos minuciosas. Cada centavo era meticulosamente contabilizado nos cofres que eram divididos entre impostos do reino e impostos internacionais. Essa divisão se fez necessária por fatores políticos-evolutivos, já que o avanço e desenvolvimento das sociedades atuais modificavam o modo como as pessoas consumiam e produziam seus bens. Esses avanços sociais obrigaram Victória de certo modo, a abolir os escravos e doar parte das terras aos súditos e soldados, para que estes pudessem retirar seu sustento e trabalho, o que acarretou de fato no início da cobrança de impostos em dinheiro. O senso de justiça da rainha ainda passava pelo crivo dos mais conservadores e a forma de cobrança dos impostos proposta pela soberana ainda era motivo de controvérsia.

Outro fator que motivou a coleta de impostos em dinheiro foi o surgimento, por volta do ano 1800, de pequenas vilas onde se concentravam artesãos produtores de bens de consumo. As cidades tornaram-se centros de riqueza e por essa razão, a monarca passou a cobrar impostos diretamente dos habitantes. Com isso, o poder e as fontes de financiamento se pulverizaram e a força da realeza cresceu. O valor recolhido era em função do quanto o governo queria gastar e não da percepção sobre quanto era justo tirar de cada cidadão e nesse quesito, Victória tentava ao máximo não explorar em demasia o povo do reino, acabando por cobrar um valor que o Conselho não concordava.

E isso com o tempo culminou na insatisfação de Namjoon, que por várias vezes tentou modificar os critérios de cobrança dos tributos, porém sem sucesso.

Não obstante, a ampla visão de governo da rainha e a ambição desmedida do alfa conselheiro tornou-se uma mistura ácida e perigosa.

Na tentativa de tomar uma parte de todo aquele dinheiro sem ter que prestar contas detalhadas a ela, Namjoon se aliou ao seu vice-secretário Jackson Wang e juntos fundaram uma organização secreta que viabilizava o desvio de impostos oriundos de traficantes de conhaque e tabaco vindos da Bélgica. O reino londrino produzia essas mercadorias e cobrava os impostos devidos dentro da alíquota estipulada pelo conselho. Contudo, Namjoon não concordava nem um pouco com os valores definidos e por esse motivo, decidiu que agiria clandestinamente em seus próprios termos.

Instituiu então um grupo ilegal para desviar dinheiro da Coroa e enriquecer ilegalmente.

A BlackCrow, nome da sociedade secreta fundada pelo alfa Kim, recrutava membros de uma forma pouco convencional, mas definitivamente efetiva. Todo novo membro tinha uma missão a cumprir e apenas aqueles que se mostravam capazes de se corromper, eram mandados para o "batismo" e se aprovados, ganhavam um anel em formato de corvo, que selava o compromisso da irmandade como um elo vitalício. A princípio, foi acordado que a BlackCrow seria como um clube de apostas de Polo Equestre e dessa forma, seria fácil manter oculta a real identidade da sociedade caso alguém quisesse saber mais a respeito deles. Entretanto as missões de batismo sempre se resumiam a matar comerciantes que não cumpriam os acordos propostos por eles ou se recusavam a aumentar a carga clandestina de mercadorias, fato esse que já havia ceifado muitas vidas naquele reino em quase dois anos desde o início das atividades ilegais daquela organização.

Apesar disso, as intenções de Kim Namjoon se tornaram mais ambiciosas e doentias quando numa noite, avistou uma mulher ruiva de pele alva como leite e coberta por uma capa vermelha, cavalgando em frente à janela de sua casa no ducado de Westminster. Desceu as escadas e seguiu a mulher até perto da montanha, sendo abduzido por sua voz sensual, excitante e tão distinta. Ela não era alfa, nem beta, nem ômega, parecia um ser sobrenatural, poderoso, capaz de controlar os instintos mais primitivos daquele alfa agora tão vulnerável. Ela desceu do cavalo e acenou para que ele a seguisse e então entraram os dois naquela caverna escura e fria. Porém com um simples toque das mãos, a ruiva produziu uma chama reluzente, que flamejava como tocha e depositou-a devagar no chão, fazendo ali a luz que precisava para seguir seu plano.

— Você é o prometido do Deus Lugus, o Deus da Luz. Você é o alfa predestinado. — ela retirou a capa de tecido denso, deixando seu corpo nu eroticamente exposto aos olhos do homem em sua frente.

Aquela voz aveludada era como música para os ouvidos do alfa hipnotizado, completamente movido pela sensação de poder que a mulher produziu no ambiente. Manteve focados seus grandes olhos nas curvas tão bem desenhadas e sedutoras do corpo daquela mulher. Seu membro reagiu imediatamente àquela aura sensual e mesmo sabendo que não era possível, foi capaz de sentir um cheiro de pêssego inebriante vindo daqueles cabelos rubros.

Sentiu a mão dela percorrer seu peito arfante e descer sem pressa para o volume destacado em sua calça, apertando com força o membro rijo, pronto para tê-la para si.

— Geraremos o lúpus e usaremos o sangue dele para o sacrifício das chamas em nome do Deus da Luz. Você é aquele que o honrará e dominará o mundo por anos e anos. Sentará a direita dele e governará até a eternidade.

Ouvir aquelas palavras em tom de profecia fez acender uma chama ardente pelas veias do alfa agora totalmente entregue à magia oculta da mulher vermelha.

Tomaria o poder e seria rei, dominaria aquele reino como sempre desejou.

Sentiu os olhos se fecharem vagarosamente e deixou-se levar pelo som crepitante do fogo que iluminava a caverna inabitada. Deitou-se no chão e sentiu o corpo quente daquela mulher sobre o seu, ondulando com puro erotismo e volúpia. Ela envolvia o membro teso dele entre suas carnes úmidas e arranhava-o com as grandes unhas rubras, cavalgando rápido, sedenta pela semente que brotaria em seu ventre.

Ali foi o início da jornada ambiciosa do alfa em busca de poder. Um poder que significava tudo e traria consequências irreversíveis, impossíveis de controlar, que uniria destinos inimagináveis e mudaria o curso de vidas predestinadas a se encontrarem...

Para sempre,

até a eternidade.

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