Capítulo 13
– Nárnia pertence aos telmarinos tal qual pertence aos narnianos – Caspian falava para a multidão reunida na praça do vilarejo – Mas quem não se sentir confortável, Aslan deu a opção de levá-los de volta à terra dos nossos ancestrais.
– Mas anos que deixamos Telmar – um homem gritou na multidão.
– Não referimos a Telmar, e sim ao seu lugar de origem. Seus antepassados eram marinheiros errantes e atracaram em uma ilha a muitas gerações, é para lá que irei mandá-los quem estiver disposto para recomeçar – falou o leão para em seguida, soprar para uma árvore e mesma se abrir ao meio deixando os telmarinos confusos e com medo.
– Sabemos que o medo do desconhecido é mais forte – se pronunciou Áurea – Mas vocês tem uma opção de recomeçar caso desejarem.
– Eu vou – disse o antigo general de Miraz – Aceito a oferta.
– Nós também – a viúva de Miraz disse se aproximando junto de alguns lordes de onde Caspian estava com os outros.
– Por serem os primeiros, terão sucesso neste novo mundo – Aslan falou antes de soprar sobre eles.
O pequeno grupo atravessou a árvore mas nenhum som foi ouvido quando ultrapassaram e nem foram mais serem vistos, fazendo a multidão soltar sons de surpresa.
– Como saber que não está nos levando para a morte? – gritou um homem.
– Eles não sabem aproveitar a oportunidade que tem, tolos – Mila murmurou baixinho ao lado de Lúcia fazendo a pequena Pevensie segurar a risada.
– Aslan não faria isso – Áurea disse dando um passo para frente – Mas se duvidam, eu mesma vou e volto.
– Não milady – Ripchip falou ao lado de seus amigos ratos – Senhor, se achar necessário passarei com onze ratos e voltarei sem demora.
– Não é necessário, nós vamos – falou Pedro ao lado de Susana olhando para os irmãos – Já está na nossa hora de ir pra casa, afinal...não precisam mais de nós aqui.
– Vou cuidar tudo até o seu retorno – falou Caspian pegando a espada que Pedro lhe estendeu.
– Esse é o problema, não vamos mais voltar – falou Susana.
O coração de Áurea pesou por alguns instantes, eles iriam embora. Edmundo iria embora.
– Não vamos? – Lúcia perguntou com a voz embargada.
– Vocês dois vão – disse Pedro – Pelo menos, foi o que Aslan disse.
– Por que? Eles fizeram algo errado? – a mais nova dos Pevensie questionou o leão.
– Pelo contrário minha querida, eles já aprenderam a lição deles neste mundo.
– Tudo bem Lu, estou conformado – falou o mais velho pegando na mão da irmã – Vem, vamos nos despedir de nossos amigos.
Áurea observou todos se abraçarem e se cumprimentarem, até mesmo Mila recebeu um abraço de Susana e Lúcia.
– Vou sentir sua falta – Lúcia disse abraçando a loira – Se cuide por favor.
– Cuide-se também Lu, e não chore por favor – ela secou as lágrimas da garota – Um dia vamos nos ver, e me contará tudo o que aconteceu contigo.
Pedro se aproximou de Áurea e apenas lhe deu um abraço, ele não sabia muito o que dizer depois de alguns conflitos com a Dellavita.
– Aprenda a ouvir mais os outros às vezes, pode ser a solução que não está debaixo do seu nariz Pevensie – ela disse quando os dois se separaram.
– Vou tentar – ele sorriu.
– Áurea – Susana a abraçou – Por favor, se cuide.
– Digo o mesmo, e faça alguma coisa antes que se arrependa depois – Áurea sussurrou em seu ouvido – E você sabe de quem estou falando.
O sorriso malicioso da loira fez a Pevensie corar e assentir.
– Me desculpe por isso – Edmundo disse se aproximando da loira – Eu não queria que as coisas fossem desse jeito.
– Está tudo bem Ed – ela acariciou seu rosto – Você fez sua parte aqui, agora está na minha vez de ajudar Nárnia.
– Será que um dia eu te verei de novo?
– Lógico que sim, sempre nos encontraremos nos sonhos Pevensie – a Dellavita disse antes de puxá-lo para um abraço – É uma promessa.
Os irmãos Pevensie ficaram lado a lado esperando Susana que conversava com Caspian, e foram surpreendidos ao ver o beijo dos dois.
– Acho que vou entender quando crescer – disse Lúcia para os irmãos.
– Eu já cresci e não quero entender – brincou Edmundo.
– Menos Ed, bem menos porque você não engana mais ninguém – falou Pedro olhando-o de lado.
Os antigos reis e rainhas deram uma última olhada para o povo antes de desaparecer por entre a fenda de Aslan, e a mesma por fim, se fechar como nada tivesse acontecido.
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Algum tempo depois...
– Áurea você... – Mila disse batendo na porta e entrando no quarto da Dellavita – Por Aslan! Você ainda está dormindo?
– Hm…
– Áurea – a morena puxava os lençóis de cima da loira e chacoalhava a mesma – Você tem uma reunião, e está extremamente atrasada!
– Reunião?
– Sim, lembra que Caspian iria propôr hoje aos lordes apoio para construir um navio que buscaria os fidalgos de Telmar? O mesmo navio que você projetou?
– Lembro, por que? – murmurou com a cara no travesseiro.
– Caspian está lhe chamando. A reunião é daqui a vinte minutos!
– Tudo bem – murmurou virando para o outro lado.
– Então levanta!
– Tá bom, já tô de pé.
Áurea se arrumou o mais rápido que conseguiu, e mesmo sabendo da seriedade que sempre havia nas reuniões, foi com os cabelos soltos correndo até o local.
– Cheguei – ela disse ofegante e vermelha parando ao lado de Caspian – Tô atrasada? Demorei muito?
– Um pouco, está cinco minutos adiantada na verdade – respondeu o rei com um sorriso nos lábios.
– O que? Adiantada? Vou bater na Mila depois, ela me disse que eu só tinha vinte minutos e estava atrasada – resmungou indo se sentar na cadeira que lhe era designada.
– Sua amiga está bem? Notei que ela está um tanto estranha.
– Mila? Estranha?
– É, toda vez que chego perto ela é meio fria e mal me olha, além de sempre prender rápido o cabelo quando me nota, algum problema?
– Ah – Áurea entendeu o que Caspian queria dizer, e ela sabia o motivo, mas não deveria contar porque não lhe cabia o direito – Ela está bem, não se preocupe.
– Certo – disse o rapaz um pouco conformado.
O assunto se encerrou assim que os lordes começaram a entrar na câmara.
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– Então foi aprovado? – Mila perguntou sentada na cama de Áurea e vendo a amiga pentear os cabelos no espelho – Vão construir o barco?
– Vão, o Peregrino da Alvorada vai ganhar vida finalmente e ir para os mares. Fiquei tão contente quando a votação encerrou com a maioria aprovando – a loira disse alegre.
– Isso é incrível, parabéns Áurea.
– Obrigada Mila e… – ela se levantou fechando a porta por precaução antes de se sentar ao seu lado – Quero lhe perguntar algo.
– Pergunte.
– Você por acaso gosta do Caspian?
– Gosto, ele é um bom rei – respondeu dando de ombro.
– Não, eu falo no sentido romântico, você gosta dele?
– O-o que quer d-dizer?
– Gaguejou, vou considerar um sim e saiba que eu aprovo, além de querer ser madrinha.
– Áurea! Por Aslan, não! Eu não quero o Caspian nesse sentido, ele ainda gosta de Susana e sou só sua dama de companhia. Não tenho nem posição social ou dote suficiente para me casar com um rei!
– Mas Mila, vocês dois seriam tão fofos juntos. E tenho a plena certeza de que Caspian não ligaria para dotes ou outras coisas, e ele já está prestando atenção em você, notou até o seu detalhe de prender o cabelo quando fica nervosa – disse a loira.
– Já? Eu tenho que disfarçar mais – murmurou a morena – Mas não importa, um dia ele achará uma rainha e eu ficarei feliz ao ver que tudo está bem.
– Tudo bem – Áurea não prolongou o assunto, podia reparar que estava se tornando desconfortável para Mila – Mas sempre que quiser desabafar, saiba que estou aqui.
– Eu sei, obrigada Áurea.
As duas se abraçaram e conversaram por alguns instantes até Mila ir para o seu quarto. Áurea observou a lua que brilhava no topo do céu, fechou os olhos e deixou-se levar pelo sono.
⟅⛥⟆
Notas da autora: Hey pessoal, como estão?
Penúltimo capítulo de "The Call" e eu já quero chorar em posição fetal de tristeza porque o próximo capítulo é o último, mas também quero chorar de alegria porque a fanfic bateu 5K de visualizações!!!!! Nem sei como agradecer a vocês ❤️❤️❤️❤️
Quero lhes apresentar mais uma pessoa do elenco que entrou agora na reta final.
India Eisley as Mila Bianchi
O que acharam? Qual a parte foi a favorita do capítulo para vocês? Me contem tudo!
Até o próximo!
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