Capítulo 06

A noite estava fria e o vento em seu rosto aumentava essa sensação ainda mais junto com o frio na barriga devido a ansiedade e nervoso de Áurea com o que aconteceria.

E pensar que prometeu consigo mesma não pisar mais naquele lugar enquanto Miraz estivesse vivo e no comando.

Os grifos voavam silenciosamente até às torres com Edmundo e Áurea presos nas garras, os dois iriam primeiro verificar o perímetro antes de sinalizar para os outros.

A loira acertou em um guarda que estava de vigia o derrubando e posou na torre. O grifo do rei justo ainda sobrevoou um pouco derrubando outros guardas antes de parar ao lado da Dellavita.

– Tudo bem? – perguntou Edmundo notando a palidez na menina.

– Sim.

– Vou sinalizar para os outros – o rei se aproximou da beirada e ligou a lanterna, logo outros grifos carregando Pedro, Susana e Caspian começaram a sobrevoar perto do local de pouso.

– É estranho estar aqui de volta – murmurou Áurea – Depois de todo esse tempo.

– Morava aqui no palácio também?

– Visitava com frequência, meu pai era um dos melhores amigos do pai de Caspian então crescemos juntos de certa forma – disse a loira com um sorriso nostálgico – Aqueles dois contavam e torciam até com nosso casamento futuramente.

– Você e Caspian? – Edmundo questionou arqueando as sobrancelhas.

– Estranho eu sei, ainda bem que Caspian negou isso tanto quanto eu. Mas tem algo nessa torre que me pertence – falou indo em direção a parede e tirando uma pedra do lugar revelando uma passagem.

– O que é isso?

– Meu pai dizia que deveria ser uma dama mas que soubesse lutar em casos de emergência – falou pegando a caixa que estava escondida e abrindo – Então me deu um estilingue com algumas pedras no meu aniversário de sete anos, foi com isso que consegui minha habilidade de mira.

O objeto ainda estava intacto do jeito que Áurea havia deixado. Ela testou a corda vendo que tudo se mantinha em ordem sorrindo perdida nas próprias lembranças de quando era criança, Edmundo notou isso e resolveu deixá-la sozinha por alguns instantes.

O rapaz foi para a outra ponta brincando com a lanterna quando um grito de uma mulher o assustou, fazendo-o derrubar o objeto no andar de baixo.

– Droga – murmurou xingando a si mesmo em pensamento e olhou para Áurea – Fique aqui, vou buscar e já volto.

A Dellavita concordou mas viu que o Pevensie exitou antes de ir, e ela reparou que um guarda estava na parte de baixo ligando a lanterna confuso.

– Ele vai atrapalhar o plano – murmurou a loira para o moreno do lado.

– Vou fazer uma loucura, tudo bem para você?

Antes que ela pudesse responder, o rei pulou nas costas do homem o derrubando e começando a lutar com outro que foi ver o barulho. Áurea notou que ele estava encrencado porque lutava com a lanterna até quebrá-la, pegou o arco e mirou no homem o derrubando.

– Conserte isso logo – falou para o rei indo em direção as escadas dar cobertura para ele.

Os guardas começaram a aparecer aos montes na torre e por todo o castelo, o alerta de que estavam sendo invadidos foi ativado. Áurea mirava e acertava a maioria que avançava nela, Edmundo estava quase pendurado lutando contra um que queria cortar sua cabeça.

– Agora Edmundo! Chame as tropas – Pedro gritou da parte de baixo.

– Estou ocupado Pedro – respondeu Edmundo.

– Áurea! – berrou Pedro para a loira.

– Está difícil aqui também – falou antes da espada do soldado cortar sua perna – Chega!

A garota socou o guarda com força e arrancou a espada dele quando bambeou zonzo, cortou seu pescoço e tirou o outro homem que estava em cima de Edmundo, matando o mesmo.

– Conserte isso – falou sem fôlego para o Pevensie e virando para o outro guarda que avançava para cima deles.

Edmundo deu algumas batidas na lanterna até ela acender, o feixe de luz quase cegou seus olhos mas ele sorriu aliviado. Fez as comandas para o exército que esperava do lado de fora, e, segundos depois, os narnianos entraram no pátio de Telmar iniciando a batalha.

– Precisamos ajudar os outros – falou a loira – Vamos.

⟅⛥⟆

A batalha estava sangrenta, os telmarinos matavam os narnianos sem dó ou piedade. Áurea andava com Edmundo atrás de si de forma silenciosa numa parte mais alta, os guardas na frente deles miravam com suas bestas nos narnianos e o Pevensie notou que a mira de um deles era justamente seu irmão.

Sem pensar duas vezes, ele deslizou pelo telhado e derrubou o guarda. Pedro vendo que aquilo atraiu a atenção dos guardas para Edmundo gritou.

– Ed cuidado!

O moreno se virou e viu que era o alvo de todos eles, estava bem encrencado.

– Edmundo vá para a torre – gritou Áurea para o rapaz que aproveitou a fração de segundos para fugir. A loira entrou na mira dos guardas, disparou algumas flechas até ser ferida no braço por duas, sendo que uma ficou no seu ombro. Ela puxou rapidamente segurando o grito entalado na garganta, jogou de volta na direção dos telmarinos e saiu correndo para o mesmo lugar que disse a Edmundo, vendo-o parado nas escadas.

– Vamos – ela falou puxando a mão do rapaz para a parte de cima.

Ao chegarem no topo, trancaram a porta e deram-se conta que estavam sem saída.

– E agora? – perguntou Dellavita olhando para a beirada – Sou muito nova pra morrer e não fiz metade das coisas que eu queria.

– Confia em mim Áurea? – o rei questionou estendendo a mão.

A loira exitou, não sabia o que ele planejava fazer mas as batidas dos soldados na porta tentando derrubá-la não deixava muito tempo para pensar.

– Sim.

– Então pula! – gritou ao ver que a porta quebrou e os soldados entravam apontando suas armas para eles.

Áurea fez o que Edmundo disse e sentiu seu corpo em queda livre por alguns segundos, ainda segurando a mão do Pevensie. Os dois pousaram nas costas de um grifo que começou a voar para longe dali, em direção a fortaleza.

– Espere, volte – disse Áurea ao grifo – Preciso ver uma coisa.

– O que? – Edmundo perguntou curioso.

O grifo deu meia volta sobrevoando o pátio em uma distância segura, Áurea olhava para baixo e sentia seu coração apertar com a imagem que permaneceria para sempre em sua memória.

Seu sonho estava certo, os narnianos haviam morrido.

Edmundo olhava para baixo tentando procurar sobreviventes mas era em vão, notou por cima de seu ombro que a garota chorava mas não comentou nada. Ele viu Pedro galopando junto com Caspian e um senhor para fora do castelo assim como os narnianos mais a frente, não havia mais nada que pudesse ser feito.

– Vamos embora – falou o rei ao grifo.

⟅⛥⟆

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