Vinte - Raios, faíscas e feromônio
Havia um medo oculto e uma adrenalina correndo pelo ar se misturando com o cheiro de tempestade a volta das primas. Alycia retira o celular do bolso, discando apressadamente o número de Sophie, tentando não passar pra Lauren além do que ela já podia ver do seu medo.
— Sophie. – Sua voz soa mais trêmula do que ela deseja. – O que está acontecendo? Vocês encontraram ela?
Alguns segundos se passam até que a voz da sua ex-namorada surge falhando pela distância que estavam da antena mais próxima de telefonia. Era um milagre ainda terem rede.
— Não podemos continuar. – A voz da britânica soa pelo viva voz. – Dinah caiu e acho que ela quebrou o braço. – Alycia suspirou um pouco menos preocupada, um braço quebrado era fácil de lidar.
— Ok, vocês precisam se acalmar. Estamos voltando para encontrá-los e daremos um jeito.
— Alycia, tem uma tempestade vin... – A voz de Sophie corta. – Nós temos que achá-la o quanto antes.
— Sophie – Usou sua voz não comum, doce e amigável. – Estamos indo, não se desespera. – Alycia fecha os olhos notando algumas gotinhas geladas caírem do céu e escorrerem pelo seu rosto. Era uma situação crítica. – Eu te ligo daqui a pouco.
— Não podemos deixá-los lá. – Disse Lauren, olhando Alycia com uma expressão decidida no rosto.
Evans conhecia muito bem aquele fogo que brilhava nos olhos da prima. Ela o odiava e amava em partes iguais.
— Vá de encontro a eles, leve-os de volta. – Alycia nega. Não ia deixá-la sozinha naquela floresta por nada no mundo.
— Não!
— Eu vou continuar buscando Camila.
— Eu disse não, Lauren! Não vou te abandonar, não vamos nos separar.
— Você não está me abandonando, está indo ajudá-los.
— Laur... – Jauregui agarrou o rosto da prima. Alycia sabia que aquela intensidade avassaladora guardada nos olhos diamante de Lauren acabaria vencendo-a, mas nunca tinha deixado Lauren para trás. Era o seu pacto desde criança, onde uma estivesse a outra estaria.
— Vá, eu vou continuar.
—Lauren não faça isso.
— Você sabe que precisa ir até eles, caminharei por mais uma hora, se não encontrar nada eu volto.
— Prometa que não vai fazer nenhuma loucura.
— Eu prometo.
— Mostre os dedos da mão. – Jauregui estendeu a mão para a prima, provando que ela estava sendo honesta.
— Estamos perdendo tempo Alycia, vá de uma vez.
Alycia abraçou o corpo da prima apertando ela com tanta força que sabia que provavelmente o abraço causou dor em Lauren.
Alycia dispara no meio da floresta. A lanterna tremulava em sua mão, enquanto o caminho era iluminado de maneira precária... Odiava locais escuros, e uma floresta enorme não era exatamente o lugar que alguém que dormiu com a luz do quarto acesa até os 15 anos queria está. Mas lá estava ela, agindo exatamente como Lauren. Enfrentando seus medos, porque precisavam dela.
Evans pula dois troncos apodrecidos, chegando a uma clareira no meio das árvores. Para. Se acalma um pouco, antes de dar uma olhada no localizador do seu celular. Estava perto do local onde tinham marcado, mas onde estavam os malditos delinquentes? Quando ela coloca o celular de volta no bolso, dois braços a agarram pelas costas. Alycia dá um grito afetado e inclina o corpo para frente atirando quem fosse contra o chão.
— Porra Alycia! – Nicholas Turner xinga, levantando um segundo depois limpando a calça enlameada com as mãos.
— Porra digo eu Turner, você enlouqueceu?
— Acho que não foi uma boa ideia tentar te dar um susto. – Reconhece ele um pouco sem graça.
— Você acha? – A voz da loira é abafada pelos passos de Sophie e Dinah. Jane está agarrada ao seu braço com uma cara de dor.
— Você precisava ver sua cara, Evans – Mesmo com o braço fodido Dinah Jane não perdia a oportunidade de fazer piadinhas.
Alycia rola os olhos sem sentir um pingo de vontade de rir. Parecia que seu coração nunca mais ia bater da maneira correta.
— Onde está Lauren? – Dinah questionou.
— Ela continuou. – Alycia respondeu olhando para colega sem querer voltar a pensa na sua prima sozinha naquele lugar. – Temos que voltar para a reserva.
— Não vamos voltar. – Sophie corta ela. – Camila ainda está sozinha. Volte com a Dinah, Nico e eu vamos ficar.
— De jeito nenhum. Não vou me separar de mais ninguém, vamos ficar juntos, Sophie.
— Eu posso continuar, gente. Esse braço não é nada.
— O que aconteceu? – Alycia pergunta enfim para a líder de torcida.
— Dinah meio que se assustou com um coelho e caiu de mal jeito.
— Um coelho causou isso? – A um tom irônico na voz de Alycia.
— Eu realmente pensei que era um lobo.
— Você precisa deitar pra que eu olhe seu braço.
— Você é da Cruz Vermelha, ou coisa do tipo? – Dinah indagou com a voz chorosa para depois ameaçar – Se meu braço piorar eu juro por Beyoncé que vou matar você, Evans.
— Só precisamos estar em algum lugar tranquilo, ok? – Alycia olha ao redor, notando que a clareia é bem ampla e o chão coberto de folhas secas pode servir. – Acho que aqui é um bom lugar. Já que vamos passar a noite aqui, temos que tentar amenizar a sua dor Dinah.
Alycia manda que Nico deite a loira no chão e recoste sua cabeça nas pernas do rapaz. A garota segura seu braço lentamente, e Dinah resmunga e se retrai. Sophie troca olhares com Evans, olhares de confiança porque ela sabe que a ex-namorada já fez isso antes, exatamente com ela quando namoravam. O braço de Jane está um pouco inchado na parte de baixo, perto do pulso.
— A notícia boa é que não quebrou. – Alycia dá uma tapinha animado na sua coxa e pega dois galinhos retos jogados no chão.
— E qual a má notícia? – Pergunta Dinah sem muita confiança.
— Pra você nenhuma, talvez pra Normani já que você vai ter que ficar sem fazer movimentos bruscos por alguns dias.
— Vaca.
— Eu vou precisar de um pedaço da sua calça, Dinah. – Alycia, retira o seu abridor de garrafas multifuncional do bolso e sem esperar Dinah autorizar rasga sua calça de uma ponta a outra.
— Sua louca, eu vou matar você. – Dinah tenta agarrar Alycia, porém Nico impede puxando-a e segurando ela.
— Não deixe ela se mexer, Nicholas. – Adverte, usando as mãos para abrir uma tirar grande o suficiente rasgando o pano até a altura do seu joelho. – É só uma calça, Jane.
— Não era só uma calça. – Ela xinga irritada. – E eu juro que vou matar você assim que eu puder. – Era minha calça favorita!
— Ok, chega, tá bom? Você ainda quer ter a mesma mobilidade de sempre com essa mão, ou prefere reclamar por causa de uma calça? – Dinah se cala surpresa pelo tom duro na voz de Alycia.
A loira estava exausta, preocupada e com a ressaca que nunca chegou brigando furiosamente dentro dela.
— Segurem ela. - Pede para os gêmeos e seu pedido é imediatamente atendido. – Não soltem de jeito nenhum.
— O que vai fazer, Evans? – A voz de Dinah é temerosa.
— Colocar sua patinha no devido lugar.
Quando os amigos seguram Dinah pelos ombros, Alycia seguro delicadamente suas mãos trêmulas e com o máximo de cuidado que a ação permite estico seu punho, o grito de dor de Dinah ecoa na floresta, mas, ainda assim, Evans pode sentir o osso se mover até o lugar. Pega rapidamente o pano que rasgou da sua calça, dois galhos retos que havia reservado, improvisando a tipoia mais ridícula da história. Por hora, aquilo ajudaria.
Dinah está com o rosto banhado de lágrimas, e nem consegue falar qualquer coisa, contudo pelo olhar que lança para Alycia ela sabe que ganhou xingamentos até a próxima geração.
A loira se ergue e tira seu celular do bolso para liga pra Lauren. Mas dessa vez a ligação não completa.
— Temos que ir em frente – Sophie sugere deixando Dinah aos cuidados de Nico.
— Não é o que essas nuvens dizem. – Alycia olha para cima, o céu está tomado de nuvens, devorando as estrelas e a lua. – Precisamos arrumar um lugar seguro para ficar, pelo menos até essa chuva passar.
— A gente viu uma cabana meio sinistra no caminho pra cá, mas ficamos com medo de entrar.
— Não vejo uma segunda opção.
O cheiro de hidrogênio que a chuva trazia inundam o ar redor, e sons da floresta se intensificam. Com a ajuda de Nico e Sophie, Dinah consegue ficar de pé e mesmo que reclame a cada passo, Alycia sabe que a dor lentamente vai diminuir. De longe ela vê o teto de uma construção. Ela cutuca Nico com sua lanterna e o ropaz enfoca a construção com a sua.
É uma pequena choupana de caça, escura e nada convidativa por dentro. Lembrou imediatamente a Alycia os filmes de terror que tanto ela tinha medo de assistir quando criança.
Grossos pingos de chuva começam a cair do céu, e trovoadas ao longe retumbam a grandiosidade da natureza. Não tinha mais nenhuma alternativa além de avançar em direção a pequena casa.
Ela desejava profundamente que Lauren estivesse bem, de preferência com Camila, aquela tempestade não tinha nada de pequena. Não queria nem pensar na possibilidade de elas enfrentarem aquilo no meio da floresta. Tentou mais uma vez falar com a prima e o resultado foi o mesmo de minutos antes.
Eles param na pequena varanda de madeira úmida e cheia de cupins. Lá dentro estava mais escuro que um poço.
— Olá? – Nicholas chama receoso iluminando todos os lados.
Nenhuma resposta, o silêncio reina.
Depois de alguns minutos chamando e sem resposta alguma, os quatro entram na casa. Nico e Alycia, iluminam cada canto com as lanternas pra contestar que está vazia, e ao que parece a muito tempo. O chão assim como todo resto é de madeira de pinho apodrecendo, que responde com rangidos a cada passo dos amigos.
Há poucos tocos de vela largados aqui e ali, uma cama cheia de calombos e de aspecto sujo, teias de aranha por todo canto, mas no todo complemente vazia.
Nicholas coloca a cabeça de Dinah em seu colo e encosta a na parede. Ele parece tão cansado quanto preocupado. Como um feriado promissor tinha acabado daquela maneira? A chuva já é audível, quando caem sobre o teto carcomido pela ação do tempo e a intempere.
Alycia observa Sophie ligar sua lanterna e catar monotonamente uns tocos de vela, a britânica senta em uma cadeira que range com seu peso e começa a brigar com fósforos velhos e úmidos, tentando criar alguma chama deles.
Alycia escorrega lentamente ao chão, tirando seu celular do bolso da calça, a bateria em 15% e a rede que agora não existe é um sinal muito mais do que certo que ela nunca deveria ter deixado Lauren sozinha. Seu lugar era ao lado da sua prima. A tecnologia e sua capacidade de nos abandonar exatamente no momento que mais precisamos dela.
Alycia não sabe se cochilou, mas quando abre os olhos a primeira coisa que vê é a claridade de uma vela iluminando o rosto lindo de Sophie, a chama contrasta com a cor do seu cabelo. Parecem os dois feitos de uma coisa só.
Ela estende uma das velas que acendeu.
— Precisamos economizar a pilha dessas lanternas. – Explica.
— Obrigada.
Alycia esquenta a ponta dos seus dedos na chama da vela e a fixa no chão usando a cera derretida. Nota Sophie sentar-se do seu lado e olhar para o irmão e Dinah prolongando um suspiro.
Pensa em falar algo, mas desiste. Quando tinha ficado tão difícil conversar com alguém que a conhecia como ela mesma? Separações deixam marcas tão profundas a ponto de até a mínima interação precisar ser calculada daquele jeito?
— Não cheguei a te agradecer por ter cuidado de mim hoje. – Sophie olha Alycia sem nenhum tipo de expressão e assente.
— Foi a Cami, ela que ajudou, muito mais que eu. – Sua voz vacila. – Eu só pedi pra ela ir buscar a Lauren e olha o caos que isso causou. Se eu tivesse ido... a Camila agora estaria a salvo.
— Ei, – Alycia ergue as mãos para tocar o rosto da garota, mas para no meio do caminho. – Isso não é culpa de ninguém. A Camila está bem, estamos falando da Cuba, ela consegue se virar em qualquer situação.
— Eu sei, mas...
— Shiii, Lauren vai encontrar a Camila, eu prometo.
— Você nunca cumpriu nada que me prometeu. – Alycia sentiu exatamente aquele golpe, mas não recuou nem rebateu. Ela tinha razão.
— Essa vai ser a primeira vez.
Evans deixa que Sophie tome a ação de lhe abraçar e aconchega aquele corpo no seu. Ela lembra imediatamente da quentura familiar, em como o cheiro do shampoo de canela vindo daquele cabelo ainda eram o mesmo de sempre, o toque de sempre, a sensação de estar em casa de sempre.
Mas será que Alycia queria voltar pra casa ou precisa voltar pra casa?
Aquela floresta era um labirinto.
Suas pernas doíam de tanto andar. Seu controle já tinha ido embora e a deixando a ansiedade e o medo. Ela alternava corridas a esmo, com breves momentos de lucidez, sem se preocupar pra onde ia ou se já tinha passado por ali outras cinco vezes.
A bússola em suas mãos era só pra dar a ela a sensação que sabia o que fazer quando na verdade só não queria voltar. Não desistiria, não podia desistir. Camila estava ali, podia estar perto, precisando dela.
As enormes árvores velhas e os arbustos cheios de galhos cobrem toda a sua visão, de modo que Lauren só consegue enxergar uns três metros à frente. Era aterrorizante a sensação de não saber quem podia lhe observar detrás de alguma árvore ou mato. Um bicho ou no pior dos casos um ser humano.
Ela para um pouco enxugando o suor do rosto com sua jaqueta jeans. Aquele calor não natural era um sinal claro que uma tempestade se aproximava muito rápido. Lauren pega seu celular e nota que tinha andando tanto que a rede já não a alcançava mais. Tinha prometido a Alycia que voltaria em uma hora, mas ela não voltaria. Sua prima estava em boas mãos.
Lauren ajoelha um segundo precisando respirar, então ouve um barulho semelhante a um choro. É um barulhinho bem baixo, mas ela ergue-se tendo certeza que não foi coisa da sua cabeça. Para. Respira fundo tentando se acalmar e localizar de onde o som vem. O barulho se repete, dessa vez um pouco mais alto.
De fato, tinha alguém chorando. Lauren vira para sua esquerda e puxa um monte de galhos, que batem contra sua face, machucando o rosto, mas ela não para porquê vê algo mais doloso que isso logo a sua frente.
— Não! – Implora, quando vê uma silhueta disforme jogada no chão entre duas arvores gigantes de troncos retorcidos.
Lauren diminuí a força da lanterna, e tremendo deixa que ela enfoque lentamente o corpo jogado no chão alguns passos à frente. Primeiro os pés descalços, pernas de uma calça moletom azul e casaco da mesma cor. Quando a luz toca as pontas castanhas do cabelo ela desiste de se torturar, correndo como se sua vida dependesse disso, caindo de joelhos ao lado de Camila.
— Por favor... não... – É um pedido desesperado que ela esteja bem, porque não é isso que Lauren vê quando seus olhos tocam os seus.
— Camz? – Ela se inclina em direção ao peito da garota ouvindo as batidas do seu coração. Alivio que passa rápido, Camila está gelada como uma pedra de gelo. – Camila... – Chama delicadamente... – Sou eu a Lauren...
Seus olhos buscam algum machucado em seu corpo, ela não parece fisicamente machucada. Seus olhos vidrados se movem lentamente até os de Lauren, então enfim a cubana a enxerga.
Seu rosto ganha uma expressão de medo e fúria.
— Camila? – Chamou seu nome e a resposta são seus punhos acertando seu peito. Enquanto Camila se debate tentando levantar.
— Não me machuque. – Ela implora. – Não me machuque... Não me machuque... – Lágrimas correm de seus olhos enquanto repete isso como um mantra tentado acertar Lauren.
A cubana consegue levantar e empurra a Lauren pelo ombro que cambaleia, mas consegue se recuperar, prendendo Camila contra seus braços. A garota, grita, chorar e implora pra que Lauren solte-a. Mas a cada grito seu desesperado, Lauren usa como combustível para manter Camila mais presa contra seus braços.
— Eu tou aqui. – Ela sussurra. – Eu não vou te machucar...
Todo o estresse que ela passou, sozinha naquela floresta tinha afligido aquele poderoso ataque de pânico, que cortou o elo de Camila com a realidade. A cubana para de tentar escapar e aos poucos de lutar, mas continua arfando.
Lentamente seu corpo começa ser intoxicado com a presença de Lauren. Invadindo as camadas mais precárias do seu cérebro e trazendo a de volta a realidade. Lauren lentamente solta seus braços e se afasta da garota esperando que ela a reconheça, mas pronta pra segura-la mais uma vez se for preciso. Mila pisca os olhos, enfim reconhecendo-a.
— Lauren? Oh meu Deus!
Camila se joga contra o corpo de Lauren, e cobre seus lábios com a sua boca, é uma coisa desajeita, e um tanto violenta. Lauren sente o gosto de sangue que a boca violenta de Camila tirou dela, mas não para o beijo.
Lauren Jauregui voltou a respirar, como quando estamos afogando e enfim voltamos a superfície. Seu corpo relaxa de toda a tensão que passou só em tê-la em seus braços.
Separam os lábios lentamente e Camila ainda abraça Lauren com força.
— Eu tive tanto medo. – Soluça.
— Estou aqui. – O abraço fica mais forte. – Vou te proteger, nada vai te acontecer.
Se separam, mas não terminam o abraço. Camila ainda não parece acreditar que Lauren é real e não um produto da sua mente. Ela escorrega os dedos frios pela pele do seu rosto, parando nós olhos.
— Como você me encontrou? – Mais tranquila, Cabello questiona. – Você veio sozinha?
— Não. Seus amigos vieram comigo – Diz cautelosamente..
— Onde estão eles agora?
— Eu não faço a menor ideia. – A resposta sincera de Lauren faz Camila morder os lábios e voltar a ficar trêmula. – Estamos usando nossos celulares para comunicação, temos bússolas e lanternas, também. – Ela completa a frase querendo parecer tranquila, fingindo estar tudo sobre controle quando na verdade não.
—Mas você disse que não sabe onde eles estão.
— Por que eu realmente não sei. A frequência está péssima. – Lauren não cita de propósito o acidente de Dinah, colocando outro assunto em pauta. – O que estava pensando quando saiu por aí, Camz? Você quase me matou de susto.
— Eu...- Camila começa a falar e depois se cala. Deve ter tido qualquer lembrança, mas não compartilha isso com Lauren. – Eu não lembro... Só comecei a andar e acabei perdida.
Seus olhos fogem dos de Lauren, e a jogadora até pensa que ela está mentindo. Mas era melhor somente deixar pra lá e esquecer, por hora elas tinham assuntos mais urgentes. Gotas grossas de chuva caem em seu rosto, e os barulhos da tempestade se aproxima.
— Camz? – Camila abre os olhos, piscando algumas vezes. – Precisamos ir... Você consegue subir nas minhas costas?
Os pés da cubana estão com os solados um pouco feridos. Ela perdeu seus chinelos em algum momento enquanto vagava sem rumo e isso lhe causou pequenas lesões. Mila passa suas pernas em volta da cintura de Lauren, segura seu pescoço e descansa sua face em seu ombro. É dela a responsabilidade de iluminar o caminho com a lanterna em sua mão.
- Tou me sentindo Bella Swann. -- Mila comenta logo que elas começam a caminhar e Lauren sorrir disso. Seu humor ácido estava voltando também.
A chuva que antes era uma garoa tranquila, aumenta de intensidade rapidamente. Camila e Lauren tremem de frio, e as poças de lama que se formam no solo fértil torna a tarefa delas ainda mais difícil. Então a sorte decide rir para elas pela primeira vez no dia. Camila ilumina sem querer uma grande parede de pedra, suja de limo e tapada por raminhos. Debaixo de algumas árvores suspensas na rocha uma pequena caverna surge como se enviada pelos deuses. Lauren caminha até a entrada com cuidado, observando-a por dentro, com ajuda da lanterna
— Está vazia. – Ela diz.
— Tem certeza que não tem bichos aí?
— Que bichos? – Lauren voltou-se assustada.
— Ursos não são o símbolo da Califórnia por acaso.
— Camila, não coloca coisa na minha cabeça.
Lauren ajeita Camila com cuidado no chão e as duas entram. As paredes firmes e milenares estão secas, e vazias. Não há nada ali dentro, só um buraco provavelmente usado por ursos quando esses não tinham sido expulsos pelo homem da sua casa. Lauren usa sua jaqueta para forrar o chão antes delas sentarem.
Cabello, exaustivamente deita na perna de Lauren, que se aproxima, um pouco depois, para se certificar que ela está respirando. Um suspiro sereno deixa os lábios de Camila antes dela sorrir, abrindo os olhos e uma explosão de cores de sua íris surgirem, antecipando um raio que ilumina todo o lugar.
— Eu estou viva. – Ela murmura fechando os olhos novamente. – Not today, satan.
Agora eu acredito que você está bem de verdade.
A caverna volta a se iluminar. A força da tempestade que cai faz Lauren ficar muito feliz em estar ali. Mas ela estava preocupada, só de pensar em Alycia, nos amigos de Camila. Esperava que eles estivessem bem, do contrário nunca ia se perdoar.
— Lauren? Precisamos ir atrás deles.
— Eu sei mas não agora. Esse diluvio não vai nos deixar nem sair daqui, Camz.
A cubana se esforça pra sentar e consegue com um pouco da ajuda de Lauren.
— Eu estou com fome.
— Tenho uma barrinha aqui, pode ficar pra você.
Ela pega a barrinha que Nicholas tinha entregado a Lauren horas antes com certa avides. Lauren observa curiosa, Camila brigar um pouco para abrir a embalagem fechar os olhos saboreando depois de uma mordida generosa.
— Hmmm... -- Ela fecha os olhos. -- Eu nunca mais vou zoar quem como essas coisas. Você quer? – Pergunta com a boca cheia.
— Não.
Camila se aproxima de Lauren depois de devorar barrinha, e deita sua cabeça no ombro da jogadora. A luz da lanterna está fraquinha e de repente, se apaga deixando a caverna no mais absoluto breu. Mila dá um gritinho afetado e segura as mãos de Lauren. Ficam paradas com aquela tensão acumulada. Colocando fim na situação, Lauren agarra o objeto tentando inutilmente ligar novamente.
— Merda! – Ela atira a lanterna contra o chão. Era só o que nos faltava, porra.
— Lauren?
— Fala.
— E se o urso dono dessa caverna voltar?
— Camila se você falar de urso mais uma vez eu vou te expulsar daqui.
Elas ficam um silencio e um pouco depois estão rindo tranquilamente deixando mais um pouco da tensão ir embora. Lauren fecha os olhos se deixando sentir a sensação boa que era ter sua respiração batendo em sua pele.
– Você me encontrou, não é? – Lauren para de tentar buscar rede quando ouve sua voz. – Você não acha esquisita essa maneira que sempre estamos dispostas a encontrar uma a outra?
— Eu nunca parei pra pensar nisso. – Camila se aconchega mais em Lauren. O silêncio volta a reinar na caverna fria e escura quebrando a escuridão por apenas os clarões dos raios. – Droga. Meus dedos estão dormentes. – Lauren esfrega uns nos outros.
Tateando Camila, encontra suas mãos e lentamente levou até seus lábios onde ela beija cada um dos dedos de Lauren deixando eles deslizarem por seus lábios, aquecendo-os lentamente. Não tem nada de erótico na sua atitude, é apenas carinho. Isso amolece de vez o coração de Lauren. Esteve a ponto de perdê-la tantas vezes ao longo daquela noite, mas agora que estavam ali, ela tinha certeza que não queria que Camila fosse a lugar algum sem ela. Não podia perde-la de vista.
A posse sempre foi um conceito abstrato, como perder algo que nunca foi seu?
Lauren sente um beijo delicado de Camila em seu queixo e fecha os olhos. É tão bom, quanto ameaçador e fugaz.
— O que você está fazendo... – Lauren geme sentindo o beijo que recebia no rosto descer perigosamente para o seu pescoço. – Amizade sem benefícios, lembra?
- Aham... – Camila responde, mas não para. – Estou revogando essa clausula. Eu pensei que ia morrer hoje, Lauren, e eu não vou morrer sem antes dar pra você. – Lauren arregala os olhos surpresa com mudança brusca no tom de Camila.
— Eu não sei se-
— Eu não me importo. – Mila cortou a fala de Lauren atacando seus lábios e dando uma mordida dolorosa e ao mesmo tempo excitante neles. – Você fica tão linda calada.
Os corpos se chocam em uma mistura de sensações diferentes. Lauren segura a cintura de Camila de um jeito particular, deixando que os corpos e o desejo respondessem e tomasse o rumo correto do que elas tinham que fazer. A mão delicada de Camila, sobem afoitas até a blusa de Lauren tentando retira-las, porém são impedidas de continuar.
Jauregui segura suas mãos e deixa a pontinha do seu nariz frio tocar os de Camila obrigando ela a ceder ao seu toque. O brilho de um trovão forte ilumina ambas silhuetas reacendendo suas feições belas.
— Você tem certeza? – Perguntou.
Um riso gutural deixou os lábios de Camila. Seu cinismo era tão sexy quanto sua voz quase rouca. Como se resiste a algo assim?
— É o que mais quero desde o dia que me beijou a primeira vez. E você, o que quer?
— Você . – Lauren responde no ato. – Quero você, seu corpo, sua boca, seus seios, sua...
— Então pegue tudo pra você. – Camila diz em meio um suspiro pesado.
A sua voz sensual e carregada de certeza deixa Lauren ainda mais excitada. Como se isso fosse ainda humanamente possível. Sem muito esforço, ela agarra sua cintura fina e coloca Camila sentada sobre suas pernas, a latina enlaça sua cintura, não parando o beijo em nenhum momento. Camila ergue os braços ajudando Lauren a tirar seu moletom.
— Você é tão cheirosa. – Jauregui enfia o nariz em seu pescoço deleitando-se com o cheiro de Camila macies da sua pele se arrepiando. Chupa o lugar, fazendo Camila se contorcer em seus braços.
— Isso... – Ela geme.
O ventre de Camila remexe involuntariamente. Lauren ergue-a puxando seu corpo pra cima, suas mãos na sua parte favorita do corpo de Camila. Arrastando a cubana pra cima e pra baixo, Lauren obriga ela a roçar no seu ventre, sem nenhuma delicadeza. O gemido que Camila dá é glorioso.
Suas mãos sobem até o feche do sutiã, e ela puxa, quase rasgando o tecido. Os bicos dos seios entumecidos são tocados por suas mãos, em um ato automático. Lauren inicia uma massagem lenta ali e ela geme mais forte tendo que parar os beijos nos lábios pra respirar e pedir:
— Co-Con tus lábios... – Sua voz treme, ficando mais sexy usando sua língua nativa. – Por favor use seus lábios.
Um sorriso maldoso se forma nos lábios de Lauren quando ela se inclina para abocanhar a carne macia dos seios, que cabiam completamente na sua boca. Lauren suga primeiro o direito usando minha mão livre pra brincar com biquinho do esquerdo, apertando habilmente entre meus dedos. A essa altura Camila, não se importava mais em reprimir os sons que escapavam da sua boca.
— Deus isso é tão bom... – Lauren suspira enquanto lambe e morde seu mamilo, a pele sensível se arrepia a cada toque seu. Sem parar de beijar seus lábios, arrasta a calça de moletom da cubana para baixo, sem retirar por completo.
Camila fecha os olhos se deleitando ao sentir as mãos de Lauren brincarem maldosamente com sua virilha. Era aquilo que ela queria.
A calcinha de material rendado, era menor do que Lauren podia imaginar e estava úmida e quente perdida entre sua bunda. Ela era tão gostosa, tão sexy. Jauregui tocou com os dedos apenas superficialmente e o gemido que ela ouviu a fez reconsiderar tudo que ela já tinha pensado sobre ser sexy.
Foi sua vez de gemer. Esfregou lentamente os dedos de cima para baixo sem retirar a mesma, sentindo o líquido viscoso umedecer também meus dedos. Deus, ela estava tão molhada.
— Laur-Lauren. – Camila clamou por ela, sem parar de rebolar contra a sua mão. – Pare com isso... Eu preciso...
— Precisa? – Provocou parando com os movimentos e Camila suspirou – Se não falar o que precisa, baby, eu não vou poder te ajudar.
— Você precisa parar com essa tort... – Lauren moveu os dedos apenas um pouco pra ela sentir que não era essa resposta que esperava ouvir. – Porra, filha da puta...
— Fale... – Lauren ordenou com a voz rouca de tesão.
— Você precisa me fazer gozar. – Mila pediu rebolando com mais vontade. – Você precisa me foder de uma vez, ou eu vou te matar.
— Boa menina... – Lauren sorrir.
Lauren desceu seus dedos mais uma vez, com muita paciência, e afastou o elástico dá calcinha para o lado, acomodando seus dedos ali. Camila levantou um pouquinho o corpo. Era a sua deixa.
— D-dentro. - Murmurou. E não há nada além de sexo em seus olhos.
Lauren puxa sua nuca com a mão livre e então massageou o nervo pulsante. Mila tentava escapar dos meus beijos para gemer, mas Lauren não deixava aprofundado mais e mais os beijos. Queimavam juntas no próprio mar de luxúria. Camila rebolava cada vez mais sem controle, usando as mãos para puxar os cabelos escuros, e gemia dentro entre os beijos como um animal ferido.
Seu corpo se ergueu mais um pouco e ela parou o beijo ofegando. Sua testa junta com a de Jauregui em um pedido silencioso para o próximo passo. Provocando-a Lauren toca a entrada pulsante da sua boceta lisinha. Fode-a lentamente, esperando por suas reações, esperando seus gemidos. Era quente, apertada, e estava tão molhada. Tanto quanto sugeria.
Lauren entra e sai lentamente, seus gemidos se misturam com a chuva e os trovões. Ela subia e descia com vontade impulsionando seus quadris contra o dedo médio. Seus movimentos pra cima e pra baixo começaram a ficar erráticos, quase como uma cavalgada.
— É aqui que você me paga o que me fez... – Lauren dá uma tapinha leve no rosto da cubana. – Um tapa, no meio de um corredor... Que audácia Camila...
— Desconte... devolva tudo que eu fiz..., mas não pare.
Jauregui sorriu a tocando a parte mais sensível com mais força, enquanto introduzia mais um dedo sem qualquer tipo de delicadeza. Camila se ergue recebendo outra tapinha na face, esse não tão doloroso quanto o primeiro.
— Deus...
— Deus não, Lauren.
— Você é el diablo...
— Tá no inferno abraça o capeta.
As coxas se tocavam cada vez que ela subia e descia com vontade e mesmo que tentasse beijar os gemidos a essa altura não deixavam ela pensar ou processar qualquer coisa. Ela está tão perto, Lauren já podia sentir as contrações, os espasmos.
— Lauren...eu vou... – Ela não termina sua frase, mas nem precisava. Suas paredes que tencionavam meus dedos naquele espaço deram a resposta.
Quando sua cabeça tomba pra trás em seu orgasmo glorioso, a luz do raio volta a clarear tudo. Deixando a sua silhueta a mostra. Era tudo lindo demais, e irreal. Camila estava gozando, nua, cabelos enormes revoltos e tendo raios violentos como única iluminação. Tão bela como Afrodite, não Camila era mais. Uma deusa saída de algum conto homérico que passeava entre os mortais. Lauren estava fascinada, enfeitiçada, apaixonada...
Camila treme uma última vez antes de voltar beijar seus lábios suspirando até se acalmar completamente.
— Is-isso foi... Ahh... – Ela se cala e geme fraquinho quando enfim os dedos de Lauren deixam seu corpo sem aviso prévio. – Eu estou tão sensível... Isso foi tão bom... você é tão boa...
— Você quer mais? – Perguntou Lauren mordendo seu lábio inferior, recebendo um fraco tapa dela.
Lauren fecha os olhos beijando seu ombro, e mordendo eles fracamente. Volta e meia elas trocavam um beijo, ou apenas encostavam o nariz uma na outra sorrindo sem nenhum motivo aparente. Lauren não conseguia pensar em nada que não fosse Camila, nem fazer separação de realidade sonho. Ficam na mesma posição por tanto tempo, e só se separam porque o frio está de volta e precisam se vestir.
Lauren ajuda Camila a colocar sua blusa e veste a sua. Logo estão deitadas no chão duro e úmido. Os corpos entrelaçados, Camila sobre Lauren e o coração na mesma sintonia.
— Lauren? – Jauregui abaixa os olhos lentamente. E sente seus lábios serem beijados delicadamente, e sorri sobre eles. Não tem nada melhor do que a sensação de beijar alguém sorrindo em seus lábios.
Elas se beijam de novo e de novo...
Mila pisca pesadamente bocejando.
— Durma. – Lauren sussurra aos seus ouvidos. – Eu vou cuidar do seu sono.
— Eu sei...
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Estava tão ansiosa pra vocês verem esse capitulo, não sei o que pensar com ele, só sentir. Foram 6k de pura tensão, amor e libido ne nom?
Bem, eu sei que a primeira vez delas poderia ter sido mais "explicita", mas de certa forma gostei do jeito que saiu, e quase não fiz nenhuma mudança quando estava revisando.
Essa att deveria ter saído ontem, PORÉM... Vocês viram os pequenos desenhos que coloquei ao longo do cap? pois é, eu fiz tudo hoje, porque eu notei que chegamos a 50 MIL FUCKING VIEW, PQP EU MORRO E NÃO ACREDITO NISSO!!
Eu nunca botei fé que as pessoas fossem querer ler uma história tão carregada de clichés como essa, mas fico feliz de verdade que vocês gostaram e são sempre tão participativas e fofas, e engraçadas.
MUITO OBRIGADA GALERO... De verdade não sei nem o que dizer, porque tudo parece raso demais perto do quanto é legal depois de um dia de aula eu chegar e falar com vocês, na dm ou nos comentários.
É como eu sempre digo, se a Lauren soubesse a quantidade de pessoas sem nenhuma semelhança além do amor pela leitura e por elas duas que "camren" uniu, pensaria duas vezes antes de surtar por causa de uma tag boba. Sim, eu n engoli o surto dela a três dias atrás, PORÉM é a Lauren sendo a Lauren, né... Desde 2013 ele tem que ter uns dois surtos por ano por causa de camren.
Amanhã tem att nova, a última dessa maratona, e aí eu vou dar um descanso em TAC de uma semana ou mais, e vou cuidar de A ordem. Com mais uma maratona. Se eu contar a vocês que fico louca pra postar outras fanfics, mas sei que não vou ter tempo de cuidar de tudo. Mas temos coisas boas ainda pela frente.
Bj amores, precisando de um conselho, uma piada sem graça ou um spoiler(isso é mentira) tou sempre por aqui. Até amanhã, sempre lembrando que "amanhã" pode não ser amanha kkkkk
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