vinte e dois - Lições do papai
O mar do Caribe banha a cidade de Cojimar, como uma bela mulher em seus banhos sensuais. Em um rítmico vai e vem a espuma marinha traz e leva sonhos. Ali os dias são ensolarados e bonitos, ou é isso que se espera de um país tropical.
Ali na cidade que "corre o mar", a minúscula latina esta sentada segurando sua pequena boneca de pano, a menina confidência segredos a sua amiga feita dos retalhos de seus próprios vestidos.
Camila não entende muito bem o entrar e sair de pessoas em sua pequena casa litorânea. Nem o porquê de sua abuelita abraçar seu corpo a cada vez que as duas se trombam na casa.
Encostado na parede com um charuto cubano entre os dedos, Alejandro observa a sua pequena sentadinha. Mesmo sem querer um sorriso nasce em seus lábios. O lacinho que a menina usa no cabelo em tons castanhos, balança à medida que o vento beija seu rosto.
Camila era, sem dúvida, o melhor feito do homem e de sua esposa. Ele ainda tentava entender como uma coisa tão pequena podia carregar tantas qualidades. A pequena tinha luz. Isso mesmo. Luz era definição correta pra Camila. Luminosidade. Ela parecia um enorme vaga-lume alegre. Seu bom humor e sorriso podiam contagiar todos a volta, mesmo em seus piores dias.
Alejandro tinha medo que algum dia sua pequena perdesse isso, tinha medo que o mundo escuro pudesse apagar aquele brilho.
Ele amava tanto sua filha que doía. Queria que Camila, vivesse todos seu sonhos, que pudesse ir e vir quando quisesse, que se casasse e não olhasse o futuro dos seus filhos da maneira que ele olhava o dela.
E era exatamente por isso que Alejandro estava arriscando a vida dos três. Loucura ou utopia, ele não queria que sua filha vivesse frustrada ou se acostumasse com o quase nada. A vida deles em Cuba nunca foi fácil. O governo cubano agia de maneira que Alejandro e sua família só poderiam sonhar com a América, não aquela América subdesenvolvida.
A América que ele sonhava, era a dos carrões e das estrelas de cinema. O país cosmopolitano que estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Talvez ele vivesse iludido pelo sonho americano, como tantos outros na ilha. Porém o homem estava cansado de ter o suficiente para comer, de trabalhar todo o dia e não ter nada mais que alguns trocados. Sua filha merecia mais. A pequena e feliz Camila, que cantava como um pequeno passarinho livre, ela merecia mais.
Sinuhe Cabello passa pelo marido e depois de um olhar significativo dos dois, ela se aproximou da pequena pra amarrar o pequeno sapatinho e sentiu a Camila alisar seu rosto com os dedos úmidos pelo suor.
— Mama? – A mulher apenas ergueu os olhos, temendo pela pergunta e muitos mais pela resposta. – Pra onde vamos?
O choro ficou preso em sua garganta a fazendo querer abraçar sua filha e prender ela pra sempre ali, em segurança.
— Para a Disney. – Mentiu tentando consolar tanto Camila, quanto a si própria. – Guarde isso com você, tudo bem, mija?
Sinuhe entregou nas mãos de Camila sua mochilinha amarela com um diário do ursinho Pooh.
— Por que está chorando mama? – Camila perguntou erguendo carinhosamente o rosto da mãe.
A mulher forçou seu melhor sorriso e engoliu o soluço que se aproximava para poder responder.
— Porque te amo, mi amor.
Seu corpo foi abraçado pela pequena e ela não evitou lágrima que escorreu pela sua face. A mulher tentava ser forte na frente da pequena sempre que podia, mas naquele momento não podia segurar mais e apertou sua filha contra seu corpo.
Alejandro observou a cena com o coração engolfado de tristeza.
Não seria difícil apenas para a pequena Camila. Alejandro e Sinuhe deixariam muita coisa para trás também. Sentiriam falta dos vizinhos que também era amigos. Dos irmãos. Das noites em que conversavam e ouviam Célia Cruz. Sentiriam falta de Cuba, do calor que emanava da cidade que mais parecia um grande coração pulsante.
Um coração que apesar de tudo, se mantinha bombeando a quentura latina de bravura que não se igualava a povos de nenhum lugar do mundo. Era isso que eles se prendiam quando pensavam em tudo que deixavam para trás.
Naquele mesmo dia, depois de uma despedida cheia de lágrimas e promessas de ligações, que talvez eles nunca mais fizessem partiram em busca do desconhecido.
Quando chegaram ao local marcado para o embarque. Camila se agarrou a perna da mãe tremendo de medo da quantidade de estranhos que estavam ali. A embarcação era pequena e rangia a cada passo na madeira velha. Não passava nenhum sentido de segurança, mas era o que o dinheiro que juntaram arduamente durante dois anos conseguiu pagar.
Sinuhe pegou a filha no colo e repetiu que elas iriam pra a Disney muito em breve.
A viagem deveria durar três dias, se tudo ocorresse bem. O mar do Caribe era calmo na maior parte do ano, principalmente no verão. A única coisa que dificultava a viagem era quando começavam a velejar pelas águas raivosas do oceano Atlântico. Ali era onde milhares de vidas se perdiam...
Alejandro pensava nisso enquanto observava o mar da beira da embarcação. As noites mal dormidas em que ele ficava velando o sono da filha e da esposa, a comida começando a ficar escassa, cobravam seu preço. Devia ter perdido uns três ou quatro quilos. Até a pequena Camila começava a sentir os efeitos disso tudo.
Mas ele estava feliz, dentro de algumas horas eles estariam no porto de Miami.
Um pingo grosso de chuva molhou seu rosto e um arrepio subiu sua espinha como um mau agouro. Ele olhou para o céu, vendo o horizonte ser coberto de nuvens negras e o cheiro de hidrogênio que indicava chuva das pesadas.
Fechou os olhos fazendo uma prece rápida.
Quando o barco foi golpeado a primeira vez por uma onda, ele correu para onde sua filha e mulher estava. Sinuhe estava agarrada em Camila, ela repetia algo para a menina cada vez que o barco balançava de um lado a outro se empurrando contra as ondas que aumentavam a cada choque. Ali era o último desafio aos pobres imigrantes.
Camila olhava de dentro da cabine os raios pintando o céu e as caras de cada um ali. Aterrorizados com o que podia acontecer.
Ninguém era bobo, no fundo daquele mar, jaziam barcos e corpos de imigrantes que tentavam como eles chegar a América, mas nunca conseguiram.
A tempestade rugia, ferozmente empurrando o barco contra as torrentes de água.
A embarcação contava com poucos coletes salva-vidas e quando toda a situação ficou insustentável. Alejandro teve que disputar quase a socos o colete de sua pequena e sua amada mulher. Ele se inclinou aos pés de Camila, para vestir o colete nela, que parecia assustada.
— Papa?
Antes que pudesse responder, uma enorme onda se bateu contra o barco enchendo o convés de água.
— Papa eu estou com medo. – Camila choramingou prendendo as mãos contra a mochila.
— Quero que pense em coisas boas, pode fazer isso? – A pequena negou efusivamente mordendo os lábios. – Lembre-se da Disney? Do Mickey.
— Si- sim. – Respondeu tremendo. - Onde está o seu?
A pequena Camila se deu conta que seu pai não usava colete salva vidas.
— Eu vou ficar bem. – Alejandro sorriu tranquilo. – Nós vamos ficar bem. –Beijou o topo do cabelo cheiroso da pequena. - Eu te amo.
Camila vislumbrou os olhos castanhos uma vez mais. E sentiu quando sua mãe lhe abraçou fortemente e ela fechou os olhos.
Vai passar logo. Eu vou pra Disney. Camila repetiu...
Seu pai foi sua ancora naquele momento. Foi nele que ela se agarrou a medida que o barco passava pela sua provação. Era seu pai que cantarolava nos seus ouvidos prometendo melhores dias. Quando enfim o barco aportou e desceram na enorme selva de pedra que agora deveria ser sue lar, Camila teve medo pela primeira vez. Sem dinheiro, sem saber falar uma única palavra em inglês.
Mas eu tenho meu pai. Ela pensou e tudo ficaria bem.
Seu pai sempre a salvava nos momentos mais difíceis.
Seu pai nunca a abandonaria.
Um plot twisty da vida, nove anos depois:
Alejandro nunca levou Camila a Disney.
Alejandro não era mais a sua família, nem seu herói.
Mila pisca sentindo o peso dos braços de Lauren sobre sua cintura, seus braços apertam aquela parte particular do seu corpo, enquanto seu nariz descansa na curva do pescoço da cubana respirando levemente. Camila nem precisava ver para saber que era uma cena adorável.
Mexeu seu corpo um pouco capturando os detalhes do quarto coberto pela claridade da luz do fim de tarde. A cama que Dinah ocupou, a escrivaninha com um copo de água bebido até a metade, as frutas que ela não comeu, Sofia parada na ponta da cama, Lauren...Ei espere! Sofia?
— Sofia? – A voz de espanto de Camila faz a menina sorrir mostrando suas covinhas.
— Oi Kaki. – É tudo estranho, desde a presença da irmã, ao uso do apelido que só seus pais sabiam, saindo dos lábios da menina que uma semana antes Camila nem imagina a existência.
Cabello fez mais força para acordar em definitivo dando um beliscão na pele do braço. Com a dor, a certeza que aquilo não era um sonho. Não era menos estranho por isso.
— O que você está fazendo aqui? – Perguntou afastando a mão de Lauren de seu corpo, quase derrubando ela da cama no processo.
Mila tinha total consciência que a garota viu aquele momento íntimo e se ela estava ali, Alejandro não demoraria chegar também.
— Camila onde é o incêndio? – Lauren senta na cama confusa e assim como eu não esconde a surpresa ao ver a garotinha ali. – Oh! Olá...
— Oi. – A menina responde animada. Ela parecia ter energia para derrubar uma casa em poucos minutos.
— Camz, eu juro que estou tentando não surtar, mas o que ela faz aqui? – Murmurou Lauren aos ouvidos de Camila. Talvez ela não tenha dito tão baixo quanto gostaria, já que Sofia responde como se a pergunta tivesse sido feita diretamente a ela.
— Papai veio te buscar. – Explica. – Ele recebeu uma ligação de uma moça com o nome engraçado hoje pela manhã e chegamos aqui. É um lugar muito legal... Tipo ultra-legal.
— Ela parece assustadoramente com você, Camila.
— Calada, Jauregui! Onde ele está agora?
— Conversando com um homem alto de trancinhas. – Lauren imediatamente troca olhares com Camila. – Eles meio que me expulsaram. "Papo de adulto" – A menina expressa seu descontentamento. – Dai encontrei duas meninas simpáticas que me disseram pra buscar você aqui e livrá-la das garras da filha do Drácula.
— A filha do Drácula sou eu? – Lauren pergunta com uma das sobrancelhas erguidas. Sofia dá de ombros com um olhar maroto.
Camila fez uma nota mental: Mataria Dinah e Sophie quando estivesse com elas.
— Camila Cabello! – A voz do seu pai troveja no quarto. – O que passa na sua cabeça? Você tem noção das coisas.
— Dios. – Mila virou para o pai e suas expressões severas não se suavizaram quando ele viu a filha.
— Se meter dentro de uma floresta como essa? Você está tentando se matar?
— Eu não me meti na floresta! – Rebateu com a voz dura. Ela só queria saber onde sua mãe estava. – Eu me perdi! Se quiser saber, não foi do meu desejo. Onde está minha mãe?
— Camila eu vou indo. – Lauren anuncia claramente constrangida por presenciar aquilo. Aproveitando o espaço breve que o silêncio deixou.
Exatamente nesse momento, Alejandro volta a notar sua presença ali. Ele lança um olhar crítico na menina. Seus lábios formam uma linha de desgosto e seus olhos se fecham um pouco quando ele percebe as caras amassadas pelo sono e a cama totalmente bagunçada.
— E você quem é? – Perguntou sem se preocupar em ser simpático.
— Lauren Jauregui, senhor Cabello. – A mão estendida de Lauren ficou estendida no ar. – Eu vou indo. Até mais Camila, com licença.
— Lauren? – A morena volta imediatamente ao chamado de Camila. – Pode levar Sofia com você? Preciso conversar a sós com meu pai. – Ela completa a frase sabendo que seu pai ia protestar aquilo.
A garotinha corre apressada até Lauren que aguarda ela com um sorriso doce nos lábios. Mila só estava fazendo aquilo porque sabia da habilidade de Lauren com crianças e ela esperava que fosse por um curto período.
Porém quando a porta do cômodo é fechada ela explode:
— O que foi isso? Por que foi tão mal-educado com ela? Você mal a conhece.
— Respeito, ninã. – Alejandro advertiu cruzando os braços em volta do peito. – Quem é ela?
— Lauren é uma amiga.
— Só amiga? – Insistiu prendendo o olhar no da filha.
Camila franziu o cenho, ela queria ter um humor mais apurado para achar graça no tom de cobrança que escorria das palavras do seu pai. Em um dia nos braços de Lauren, no dia seguinte tendo que enfrentar seu pai. Vida eu preciso de um tempo – Pensou Camila.
— Então o problema todo é esse? Quem é ela. – Disse lentamente e com um riso cínico nos lábios. – Você sabia que essa garota que você praticamente distratou é uma das responsáveis diretas por eu estar aqui sã e salva? Ela e meus amigos se embrenharam na floresta sem saber sobre nada, apenas para me salvar.
— Um ato totalmente irresponsável, – Alejandro cortou a filha. – o professor Rodgers fez questão de deixar claro que você teria todo suporte necessário dos guardas-florestais. Não há nada heroico nisso. – Acrescentou ele, gesticulando igual à filha fazia quando estava nervosa.
—Eu não vou discutir isso com você. Não vale a pena. – Camila pega sua mochila aos pés da cama com raiva. – Onde está minha mãe?
— Sinu pediu pra que eu viesse, ela está em um plantão na escola. – Ao ouvir sua resposta Camila rezou para que não fosse uma tentativa da sua mãe de querer unir os dois, ela não perdoaria tão fácil dessa vez.
— Bem, como pode ter visto eu estou ótima. Eu agradeço a preocupação, agora você já pode ir embora.
— Eu vim te levar pra casa, Camila. – Disse ele naturalmente, ignorando a expressão chocada da filha. – Podemos aproveitar o final de semana e sair, a Sofia está ansiosa para poder conversar com você, é só o que ela fala.
A cada palavra que sai da sua boca era uma facada mais profunda no peito de Camila. Como era possível alguém achar que uma volta e um jantar conserta tudo facilmente?
— Acha mesmo que estou interessada de participar de qualquer coisa com você, depois de tudo que você nos fez? Eu sinceramente não estou acreditando que você tenha coragem de agir que somos uma família dupla, quando você não fez questão de ser nada perto disso nos últimos anos.
— Eu pensei que em dois anos sua postura mudaria. – Disse ele com desgosto. – O que é isto? Tenho tido notícias cada vez mais alarmante sobre você. Soube que terminou com Nash Herrera, eu chego aqui e encontro você entrelaçada com uma... – A palavra trava na garganta de Alejandro. – Com uma mulher?
Camila larga a sua bolsa de pertences e vira para o pai com um sorriso irônico doloroso mudando as suas feições tranquilas para algo movido a rancor. Ela não queria, mas se tivessem que ter aquela conversa que fosse naquele momento.
— Você se importa tanto assim? Porque pelo que me consta foram dois anos em que isso não parecia ser importante, nada era, além do seu desejo de voltar a um ponto que esqueceu perdido na sua adolescência. Por favor, não me enche o saco com essas frases feitas, pai.
Alejandro recuou sentindo o impacto daquelas palavras. Quando a sua pequena Kaki tinha se tornado alguém com palavras tão implacáveis? Alejandro Cabello tropeçava na máxima de que é mais fácil culpar o outro do que a si mesmo.
— Não estamos falando sobre nós, eu me referi a Nash Herrera e uma oportunidade brilhante que você tinha namorando com ele. Seus pais poderiam ser a ponte entre uma faculdade boa pra você.
— Se é tudo sobre dinheiro? Por que não namora você mesmo com ele?
O barulho do seu tapa corta o ar assim que o contato da sua mão chega ao rosto de Camila. O ardor se espalha pelo seu rosto, sua garganta se fecha e seus olhos se enchem de lágrimas. Mila já teve que ser forte em muito momentos da sua vida, mas nunca como naquele dia. O tapa que varreu seus pensamentos, varria também de uma vez por todas qualquer coisa boa que ela poderia sentir pelo seu pai.
— Tenha um mínimo de respeito por mim. – O olhar de Alejandro vacila. Aquela era a primeira vez encostava um dedo em Camila. – Eu tenho muitos defeitos, mas ainda sou seu pai. Estou te esperando no meu carro.
A pequena Sofia andava a frente de Lauren observando tudo a sua volta e fazendo perguntas sobre qualquer coisa que tomasse a sua curiosidade. Lauren observa a maneira que os olhos castanhos expressam exatamente o tipo de emoção que ela sente, exatamente como a sua versão mais velha.
Sentaram juntas em uma mesa da lanchonete de frente a grande piscina, o local estava lotado de pessoas subindo e descendo, com sorrisos empolgados para curtir o segundo dia naquele lugar. Apesar de tentar sorrir e responder as perguntas que Sofia lhe faz, a mente de Lauren está vagando em algum lugar distante. Talvez no olhar crítico de Alejandro para ela. Era tudo que não precisavam agora. Drama.
Sua noite havia sido intensa em várias dimensões, e Lauren estava evitando pensar nisso até conversar com Camila. Só tomaria uma decisão depois de ouvir dela o que era mais apropriado. Uma chama poderosa ardia dentro dela, mas até onde elas estavam prontas? Mesmo com os altos e baixos estava com Lucy, toda a segurança que precisava.
Seu subconsciente sabia que quando sua formatura chegasse ela deixaria Lucy mais facilmente para trás, mas e Camila? Elas não tinham nenhum tipo de conformidade de relacionamento, porém Lauren já desejava que o tempo passasse o mais lentamente possível pra que ela não perdesse nada.
— Lauren? – Sofia Cabello chama a jogadora que atende levando os olhos verdes até ela.
— Vocês duas estão casadas, – Lauren quase morreu engasgada com seu suco ao ouvir a pergunta da menina. – Você e minha irmã?
— O quê? De onde você tirou isso menina? – Perguntou Lauren, rindo nervosamente e a menina rola os olhos, numa atitude mais Camila impossível.
Ela inclinou-se para mais perto de Lauren como se fosse confessar um segredo:
— Meu amigo da escola Maxuell Lawns tem duas mamães e ele me disse que elas dorme juntinhas e ele dorme no meio, vocês estavam dormindo agarradinhas, eu vi.
— Sofia sua irmã e eu, somos boas amigas.
— Amigos dormem assim? Eu não sabia.
— Bem, uh... Depende do nível de amizade. – Sorte de Lauren já ter passado por todos aqueles estágios de curiosidade com Michael, mas, ainda assim, era muito mais que surpreendente.
— Ela é legal?
— Ela é muito legal, você vai gostar de tê-la por perto. – Os olhos da menina caem um pouco, e Lauren se sente culpada por qualquer palavra mal calculada. Não queria nem imaginar como seria sua vida sem Mike.
—Você poderia perguntar pra ela?
— Por quê?
— Eu acho que ela não gosta muito de mim.
— Óbvio que ela gosta, Sofia. Ela só precisa de um tempo pra digerir algumas coisas. – Lauren alisou as bochechas gordinhas da menina. – Sabe, quando meus pais me contaram que eu teria um irmãozinho, eu odiei a ideia, não queria aquele moleque cabeçudo invadindo meu espaço e roubando todos meus brinquedos, mas deixa eu te contar um segredo. – Sofia acenou expectante. – Hoje ele é meu melhor amigo. Dê um tempo a Camila, e vai ver que já, já ela vai ser a melhor irmã do mundo.
Sofia respondeu sorrindo brilhantemente e imediatamente Lauren viu Camila naquele rostinho. Ela não conhecia a cubana muito bem, mas tinha certeza que Camila jamais rejeitaria sua irmã.
— Eu gostei de você de verdade Lauren. – Disse a menina.
— Eu também gostei de você Sofia.
— Sofia? – A voz grossa de Alejandro Cabello interrompe a conversa. – Vamos esperar sua irmã no carro.
A menina acena tristemente, e acena pra Lauren seguindo o homem, que não teve a decência nem de olhar pra Jauregui ou agradecer. Lauren fica de olho nos dois até sumirem de vista. Ela ergue-se, evitando passar na mesa que as lideres de torcida estavam ocupando e se encontrar com Lucy e vai direto para o quarto que Camila estava.
Lauren bate na porta do quarto colocando a cabeça para dentro, evitando de fato entrar. Se Camila precisasse de espaço, ela daria, só precisava vê-la com seus próprios olhos.
Camila está sentada na cama com alguns pertences espalhados enquanto ela arruma-os dentro de sua mala aberta. A cubana já está com uma muda de roupa diferente, e os cabelos presos em um coque que deixa vários fiozinhos espalhados pelo seu rosto.
— Ei. – Lauren acena. – Já deixei Sofia com seu pai.
— Obrigada. – Ela continua de olhos fixos em sua mala.
Lauren entra no quarto, e senta na cama vazia, com os braços cruzados esperando que Camila diga alguma coisa, ela termina arrumar toda sua mala, sem dar um só palavra. Então Lauren pergunta:
— Camz, tem certeza que está tudo bem?
Camila não responde, porém ataca seus lábios em um beijo urgente. As duas perdem o equilíbrio e Lauren precisa encostar-se na parede do quarto, enquanto seu corpo é pressionado contra ele. Camila lentamente deixa seus lábios para apenas ficar abraçada.
— Camz o que houve? – A garota funga contra seu pescoço. – Camila?
Como não tem resposta para seu chamado ou pergunta, Lauren segura seu rosto, trazendo-a levemente até quase encostar os rostos. Ela retira carinhosamente uma mecha do seu fio escuro que pendia em seus olhos, a mão faz um carinho de leve em sua bochecha. Ela nota uma marca vermelha abaixo dos seus olhos.
— Seu pai te fez isso? – Ela abaixa os seus olhos, envergonhada. Sua atitude apenas confirmava o que Lauren já sabia. – Foi por minha causa?
Camila se afasta do corpo de Lauren. Suas mãos apertando os dedos da jogadora contra os seus. Ela olha para os olhos verdes se preparando para falar alguma coisa o que ameaça a sanidade de Lauren. Tudo que envolvia Camila Cabello tinha o dom de deixar as coisas incontroláveis para Lauren.
— Eu tenho que ir. – Camila se afasta, mas agarra Lauren seguida. – Mas eu não quero! – Choraminga como um bebe contra os lábios que ansiavam pelos seus.
— O convite para morar na nossa caverna ainda está de pé. – Brincou mordendo seu queixo sentindo a troca de calor aumentar. – Nada nesse mundo me daria mais prazer que ver você nua o dia todo.
— Você pode me ver nua quando quiser. – As mãos quentes dela deslizam seu braço, sensualmente deixando as unhas abrirem caminho. Certeira como flechas, assim como suas palavras.
— Eu achei que nosso acordo limitava interações sexuais.
— Foi revogado ontem, mas vai votar a ser ativar a partir de segunda feira. – Ela riu apertando os dentes contra os lábios. – Nós precisamos acertar nossa vida Lauren. Eu preciso estar pronta para ter você e você sabe disso. Não é certo, não podemos começar as coisas pela metade, temos que começar pelo começo.
— Eu sei disso. – Jauregui concorda. – Você está amplamente certa. Eu só preciso saber se vamos ser sempre assim intensas.
Camila se afasta apenas alguns milímetros da pele alva e cheirosa. O suficiente para Lauren ver o sorriso que tem nos lábios. Algo novo, cheio de soberba e cobiça. Soberba. Indo mais uma vez entre dois extremos. De triste e indefesa, para um mar de sex appeal e confiança?
— Eu tenho que ir de verdade. – Camila diz desapontada. – Desculpe por ter estragado seu feriado.
— Você me deu o melhor feriado de todos os tempos. – Lauren brincou dando uma piscadinha maliciosa para Camila. – Em vários nives.
— Eu não sei porque estou te dando tanta asa.
— Por que eu sou linda e você me adora. – Lauren toma Camila em seus braços. – Admita ou eu não vou deixar você ir embora.
— Claro que não!
— Admita. – Ela fingiu prender Camila mais.
— Ok, eu vou admitir. Sim, é só porque você é linda. – Camila sussurra abraçando seu pescoço com os braços. – É só por isso.
— Então... – Jauregui para perto da sua boca.
A pontinha dos narizes se tocando lentamente, mas os lábios não chegam a se aproximar. Camila e Lauren repetem o mesmo movimento, levando os olhos até os lábios sucessivamente até cansar. Suspiram juntas, trocando calor. Lauren sente suas bochechas quentes, assim como seu corpo.
Mila morde os lábios vacilantes, antes de deslizar a boca pela pele macia do rosto.
— Vou sentir sua falta, cretina.
— Uhhh... Do jeito que está falando parece que alguém está desesperado para me ver na segunda. – Zombou Lauren devolvendo o beijo em sua bochecha.
— Eu preciso ir, ainda vou dar adeus aos meus amigos. Eles planejaram tanto isso...
— Eu entendo. – Lauren acenou se afastando de uma vez, observando Camila arrastar a mala até a saída.
— Tchau, Lauren. – Ela acenou parada a porta.
— Tchau, Camila.
Lauren correu para a janela do quarto, acenando efusivamente enquanto Camila arrastava a mala em direção a saída.
Só um amor construído lentamente tem paredes fortes para suportar tempestades.
Gifs com som. Hi Lorén. Hi Cameela. <3
Hello my people, que saudade de postar TAC, mas eu precisava dar uma descansada. Agora precisamos levar um papinho rápido, porém ultra-importante.
Gente, eu vi alguns comentários e uma leitora veio falar comigo no privado sobre os problemas mentais da Camila. Pq tou voltando a esse assunto? Bem, no dia que postei o cap da volta do Alejandro, eu não quis fazer ressalvas, nem me aprofundar, porque eu queria que chegasse nesse capítulo atual, especificamente, para conversar com vocês.
Separações e divórcios causam marcas eternas na vida das "pessoas" envolvidas, não subestimem a capacidade de alguém sofrer e isso mudar a sua personalidade pra sempre, ainda mais no contexto que a Camila está inserida, é pra isso que serve o flashback de hoje. O pai da Camila representava tudo que ela mais amava e quando ele vai embora uma parte disso se quebra (ele prometeu). Foi Alejandro que trouxe-a para os EUA, e foi ele que construiu na mente dela essa esperança de algo melhor, quando ele parte, ele arranca isso dela deixando Camila a deriva.
Lembrem-se que ela não é a Lauren, foram criadas em ambientes diferentes, culturas diferente e viveram coisas diferentes. A Lauren não é pior que ela, ela só viveu coisas diferentes.
O gatilho para os problemas de ansiedade dela começaram com a volta do seu pai. Reparem que está tudo interligado, inclusive o fato dela ter sofrido um ataque de pânico na escola e depois ter se perdido posteriormente, são todos ligados ao ponto inicial. E isso é importante porque vai chegar o momento que vocês vão questionar a Camila e suas atitudes, talvez fiquem com raiva dela, mas quero que entendam sua personalidade primeiramente. Quando eu disse que o capítulo bônus era só a ponta do iceberg, eu estava sendo honesta. Notem que estamos o tempo todo indo do amor ao caos, mais uma vez, "o nome da fic não é esse em vão".
Só mais um aviso:
Ansiedade e síndrome do pânico são gatilhos de depressão, não é "bobagem de adolescente", se sentirem com frequência procurem um psicólogo ou um profissional, nada de ter diagnostico do GOOGLE. É muito importante se tratar desde o começo.
Desculpem o discurso kkkkk, mas é porque eu queria que entendessem, as vezes eu venho postar a fic tão apressada que não tenho tempo para conversar com vocês da maneira que gostaria.
UFAAAAAAAA!
Uma leitora falou comigo sobre a vontade de fazer um grupo da fanfic, e outra pediu pra eu, pelo menos, ir ao twitter. O twitter eu realmente tenho dificuldades em gostar, mas lá eu posso postar coisas com mais liberdade, desenhos etc... E obviamente avisar vocês quando eu for sumir, o wpp é uma coisa meio pessoal e nem todo mundo gosta de se expor assim. Então:
Me deixem saber onde vocês preferem que vamos decidir.
Leiam minhas outras fics, ainda é de graça. Inclusive att Licantropy hoje e amanhã tem att dupla de A Ordem.
Eu mais uma vez tenho que dizer que sou muito grata por nosso espaço infinito de amor e ideias. Até próxima semana... Love u
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