Trinta e três - Feliz Natal, felizmente.
Camila e Lauren tinham caído em uma espécie de rotina, desde que seu ombro melhorou o bastante para colocá-la de volta aos treinos. Tudo muito bem supervisionado pelo olhar profissional de Sinu. Camila foi fiel a sua palavra e como um relógio inglês, apareceu todas tarde, para correr com Lauren.
Era uma especial "não declaração de relacionamento" ainda que claramente elas estivessem em uma relação. Se conheciam de verdade e a cada nova coisa, era como se ambas sentisse que estavam se apaixonando mais uma vez. No entanto, não existia nada que superasse o cuidado que uma tinha com o respectivo irmão mais novo da outra. Camila suspirava com a maneira doce que Lauren sempre tratava Sofia e Lauren se derretia a cada vez que Camila agia de maneira protetora com Mike.
Naquele fim de tarde, elas estavam treinando no campo vazio de Alexander Maximus, aproveitando a tranquilidade das férias de inverno.
— Eu não estou chutando como antes. – Disse Lauren, franzindo a testa em frustração. – Desisto do treino hoje, Camz.
Camila virou-se para ela.
— Minha Lauren nunca desiste. – Tentou lhe animar. – Você só está fora de ritmo. Já, já melhora.
Lauren sorriu, observando Camila sorrir de volta para ela. Sem perder o sutil "minha Lauren. Ela gostava muito da noção de ser qualquer coisa de Camila.
— Sua Lauren está cansada e dolorida. – Lauren disse, colocando o pé sobre a bola. Era obvio que o problema de Lauren era mais psicológico que técnico, estava claramente muito nervosa com a perspectiva de se ferir novamente.
— Tenha paciência, si?
— As meninas precisam de mim, Camz. – E precisavam de fato, os dois últimos jogos elas tinham empatado, e Tyrone mentia-se irredutível com a possibilidade e colocar Vero de volta no gol.
Lauren assentiu devagar, riscando da mente aqueles pensamentos.
— Você tem razão eu só preciso entrar no ritmo.
Camila se iluminou ligeiramente.
— Você ensina as crianças do Little Harmony a jogar bola, certo?
Lauren levantou uma sobrancelha
— Sim, e?
— Então, me ensine. Como você faria para elas. Revisitar os fundamentos. – Camila deu de ombros. Estava decidida. – Isso pode ser bom pra você.
— Você quer que eu te ensine a jogar futebol? – Lauren sorriu, orgulhosa de Camila. – Se a Dinah estivesse aqui ela te recordaria da sua famosa frase quando me conheceu.
— Camisa legal?
—A outra.
— Não quero mais te ajudar. – Brincou cruzando os braços e fazendo um biquinho.
— Venha aqui. – Lauren apontou para frente. – O fundamento básico é o passe e a postura. Se tiver essas duas coisas, já é meio caminho andado. O truque é jeito, jamais força.
Lauren colocou os dedos suavemente na cintura de Camila que se virou para ela.
— Você usa essa mesma tática para outras coisas.
Lauren sorriu, sentindo o sangue correr para suas bochechas.
— Sim, é mais jeito... Embora as vezes, força não é nada mal, em alguns casos...
— Em alguns casos...
Um sorriso safado surgiu bem levemente nos labios de Lauren e Camila mordeu os lábios. Essa era a pior coisa de estar em uma relação com alguém tão bonito quanto Lauren, Camila sentia vontade de tirar sua roupa a todo momento.
— Não tire minha atenção, Camz. – Pediu Lauren, suavemente. – Preste atenção no que to dizendo... Entendeu?
Camila piscou.
— Para ser honesta, não. – Lauren riu e Camila quis virar-se para beijar seus lábios. Sua risada era o som dos deuses.
— Você vai conseguir. Me observe fazendo.
Lauren deu dois passos para trás e com uma delicadeza calculada bateu o pé na bola, fazendo-a correr por toda extensão do campo. Ela fazendo parecia fácil... Mas ela era ela.
Camila soltou um assobio baixo.
— Parabéns, eu nunca vou conseguir fazer isso.
Lauren deu um pequeno riso, voltando-se para Camila.
— Vou te dar um incentivo. – Ela pegou a bola de futebol reserva e colocou nas mãos de Camila com um sorriso malicioso. – Se conseguir jogar a bola na metade do campo... – inclinou-se para alcançar seus ouvidos. Camila fechou os olhos sentindo a quentura da sua boca tão próxima de um lugar tão sensível. – Eu sou sua durante uma noite inteira.
— Me entregue essa bola agora mesmo!
Lauren recuou.
— Lembre-se, é tudo mesmo.
Camila assentiu como uma criança diante de uma quantidade enorme de doces.
— Endireite-se. – Lauren ordenou. Camila não tinha ideia do que ela estava consentindo, mas ela sinceramente queria qualquer coisa que Lauren quisesse.
Camila sentiu o calor de Lauren pressionando contra suas costas quando ela puxou sua perna direita para trás.
— A chave é o jeito, nada de força.
Camila sorriu ironicamente, lutando contra um suspiro quando os dedos de Lauren envolveram os dela, por um segundo.
— Vá lá.
Camila suspirou, repetiu o movimento de Lauren de dar dois passos para trás. Ela estava com medo de tomar um tombo, mas não podia perder aquela chance. A garota olhou para trás sorrindo para Lauren antes de correr e bater na bola com os pés. Ela sentiu o impacto e o peso da bola e só então abriu os olhos vendo o objeto rodar perfeitamente no ar e cair um pouco mais distante do objetivo.
Ela virou-se para Lauren que encarava a cubana com um olhar de extrema surpresa.
— Como eu fui? – Perguntou um tanto insegura.
Lauren balbuciou ainda sucumbindo a surpresa. Ela sabia que pra alguém que nunca tinha jogado bola na vida, conseguir algo assim era algo extremamente difícil.
— Você foi incrível!
Camila gritou de alegria, correndo até Lauren para depois pular em seu corpo e beijar seus lábios. As duas caíram no gramado.
— Camz, você está me amassando, – Lauren ofegou entre risos.
— Eu sou muito foda, admita.
— Sim, você é e eu tenho um prêmio pra você aqui mesmo.
Lauren sorriu as mãos cegamente procurando algo ao lado dela. Camila ofegou quando sentiu a água gelada encharcar seu rosto. Lauren tinha apertado sua garrafa de água no rosto de Camila, esguichando água por toda sua roupa.
— Oh meu Deus! Sua cretina, pandeja!
Camila gritou, puxando a garrafa das mãos de Lauren em retaliação. Estavam morrendo de rir. Lauren caiu de costas para o verde do gramado. Sentiu o peso de Camila sobre ela pouco depois.
— Eu te amo. – Camila disse, beijando seus lábios, ela sentia como o se estivesse vivendo o tipo de relacionamento que sempre sonhou. Ela se sentia como Elisabeth Beneth se sentiu em orgulho e preconceito.
— Eu te amo mais.
Elas trocaram um beijo tranquilo até que Lauren notou que os refletores já estavam ligados e era hora de ir embora.
— Vamos, Camz. – Camila ia assentir, mas gritou quando notou que Lauren ergueu-se pegando ela no colo.
— Lauren o que você está-
Ela agarrou seu pescoço buscando equilíbrio.
— Coloque-me no chão. – O pedido saiu mais como um grito. Lauren estava sorrindo para ela.
— Não está confortável?
— Me ponha no chão ou eu vou te morder até você me soltar.
A jogadora concordou e baixou Camila de volta ao terreno firme.
— Cuzona, exibida.
— Arrogante, mau educada!
Lauren pegou a garota nos braços e beijou lábios uma vez mais e de novo. O tempo não passava de maneira correta quando elas estavam juntas, parecia mais denso. Causava perda de noção. Quando chegaram no estacionamento, nem Camila nem Lauren queriam de fato dar adeus.
— Nem acredito que falta uma semana para o Natal. – Ela murmurou, jogando os equipamentos dentro do carro de Lauren. – O tempo está passando rápido.
Lauren notou como nas palavras da garota continham mais coisas ocultas do que Camila queria.
— Vamos pensar nisso depois? – Pediu.
Camila concordou. Não podia deixar de sentir-se grata por tudo. Inclusive por Lauren estar ali, faltavam 6 meses para dar adeus. Teriam mais tempos como aquele.
Alycia está dirigindo pela cidade a caminho do shopping depois de ter levado Mike para se encontrar com seus amigos. O sol está se pondo, as ruas estão decoradas com sombras e o frio que faz na rua obriga todos a saírem bem agasalhados. Não tem para onde ir e ninguém que ela queira ver, além de quem não quer vê-la.
Assim, ela se concentra no céu e no trânsito, expondo o rosto ao vento frio da cidade. Parou o carro na joalheria da cidade, é cumprimentada pelo dono que lhe entrega sua encomenda. Ela segurou o colar contra os dedos e joga no bolso pouco depois, estava se sentindo tão idiota.
Os donos da joalheria eram um casal simpático de velhinhos que sorriem o tempo todo. Como se a atitude de um dependesse do outro e se completassem entre si.
Oferecem um pouco de café que Alycia aceita, quer perguntar a eles como conseguiram. Como venceram as diferenças e as lutas diárias. Como conseguiram encontrar o que dizer, como conseguiram evitar dizer coisas das quais se arrependeriam para sempre? Como vocês ficam juntos? Alycia se cala e agradece, pelo café e pelo lindo colar.
Está mais frio lá fora quando ela saiu. A parceria do casal a obriga pensar em Sophie. Se fosse pra passar o resto da sua vida com alguém, escolheria a ruiva sem pensar duas vezes.
Uma música de Natal melancólica sai das caixas de som. Alycia acena para alguns amigos, diz que está com pressa demais para um chopp e entra em seu carro.
Camila apareceu do nada quando ela estava saindo da lojinha de eletrônicos, buscando o jogo que Mike pediu. Seu coração deu uma martelada quando ela reconheceu a cubana por saber que os delinquentes, nunca faziam nada sozinhos. E se Camila estava ali, era provável que Sophie estivesse também.
— Ei! Cuba! – Seu olhar verde escaldante se encontrou com os de Camila.
— Terminando as compras de Natal?
— Só alguns itens. – Mila disse, quando se afastaram do abraço. – E você?
— A mesma coisa.
— Então segure isso.
Alycia arregalou os olhos vendo o pequeno animal que estava dentro de uma caixinha. Era fofinho e delicado.
— Que coisa mais linda. – Ela derreteu-se.
— É um presente pra alguém especial. – Sua resposta fez Alycia lembrar-se dos velhinhos mais uma vez.
— Lauren...
— Exatamente, não conte a ela.
— Ela vai se derreter quando ver essa coisinha fofa.
— Espero que sim.
— Olha, meu presente tem que se equiparar a esse ou estamos de relações cortadas.
Camila sorriu pra ela e escondeu a quantidade grande de sacolas nas suas mãos. Provavelmente seu presente estava guardado ali.
— Está indo embora? Posso te dar uma carona.
— Na verdade estou esperando Sophie ela... – Camila parou na metade do caminho a frase como quem sabe que falou demais.
— Ela está aqui, e não sozinha, né...
— Eu...
Alycia riu com desgosto.
— O tal, Joe. – Rosnou. – Como ela não quer que eu me irrite quando esse cosplay do mendinho sobe e desce com ela o tempo todo agora?
— Al, eu conheço a Sophie, ela não tem nada com o Joe, ele é só um amigo, está ajudando ela na migração para Cambridge.
— Isso é pra me alegrar?
— Não, é pra fazer você não pensar coisas que não existem.
Alycia olha nos seus olhos, ela é sincera. Mas não é bem a sinceridade Camila que ela deseja. E sim da sua namorada, que estava sumida a dois dias, evitando sua presença e agindo como se ela tivesse feito algo errado.
— É ela quem decide as coisas, Camila. As que não existem e as que existem.
— Você está chateada.
— Dã! É claro que estou chateada.
— E está descontando em mim.
— NÃO ESTOU DESCONTANDO EM VOCÊ.
— Mas está gritando comigo.
Alycia relutantemente trava os punhos. Precisava se acalmar. Ela afasta os cabelos loiros do rosto em um movimento brusco e exasperado.
— Porra, me desculpe, Cuba. Se Lauren descobrir que gritei com você ela vai me matar.
Alycia não quer brigar com Camila. E Camila sabe que aquela atitude é frustração mais do que qualquer coisa. Ela já se sentiu assim antes.
— Me desculpe. – Repetiu se sentindo culpada. Odiava descontar sua raiva em outras pessoas.
— Eu já desculpei. – Tranquilizou-a a cubana.
— Vou indo. – Alycia entregou a caixinha em sua mão e saiu com uma dor extravasante no peito. Então ela volta na metade do seu caminho. – Cuba?
— Sim.
— Entregue isso a ela. – Alycia retirou do bolso o presente de Natal que tinha ido buscar exatamente aquela manhã na joalheira. – Vou me sentir muito patética se não fizer.
— Alycia...
— Por favor, é Natal, não se diz não a ninguém no Natal.
— O Natal é daqui a quatro dias, mas tudo bem.
— Lauren está doente e sozinha... – Disse ela e piscou para amiga. – É bom saber que, pelo menos, vocês estão fazendo a coisa certa.
Ela nota a maneira feliz que Camila diz que precisa ir. Está feliz pela sua prima e pela sua amiga, mas está triste por ela própria. Alycia não consegue decidir naquele momento se deve ir até Sophie ou deixá-la em paz. Parece que a ambiguidade é a nova história da sua vida.
Camila levou menos que vinte minutos para deixar os presentes em sua casa e correr para a casa de Lauren. Ficou muito satisfeita por sua mãe ter se disposta a tomar conta do presente de Lauren, mesmo que tenha deixado claro que qualquer bagunça causada pelo animalzinho seria responsabilidade de Camila.
Escreveu algumas mensagens para Lauren que não foram respondidas, então incerta ela apertou a campainha da casa dos tios da jogadora e sorriu aliviada quando Mike apareceu abrindo a porta.
— Mila! – Ele abraçou-a com uma altivez feliz. – Que bom te ver.
— O mesmo, ninõ. – Ela bagunçou o já bagunçado cabelo do menino. – A Lauren tá bem? Ela não respondeu nenhuma das minhas ligações, e Alycia disse que ela estava doente, então eu pensei em trazer uma sopa e checar o dano.
Mike assentiu, abrindo a porta da casa de hóspedes e a acompanhando em direção ao interior da casa. Era muito pequena em comparação a casa principal. Havia uma enorme tela de plasma na parede, um sofá de canto, um frigobar, quarto e banheiro. Mesmo assim parecia bem elegante.
— Laur! – Ele gritou, abrindo a porta ligeiramente.
Um gemido foi ouvido da área da cama de Lauren, e Mike sorriu.
— Como você está se sentindo. – Ele perguntou.
— Parece que foi pisoteada por dez elefantes. – Lauren gemeu. – Tudo dói e eu sou... – Ela parou de falar quando viu Camila sorrindo suavemente para ela na porta, com sacos de remédios em uma mão e algo fumegante na outra. – Camz? Ela ficou boquiaberta, sua voz baixa e áspera.
— Eu sei que sou inconveniente. – Camila brincou enquanto olhava para seu corpo espalhado na cama. Ela usava um short velho e uma camisa azul, que estava suada como resultado da febre.
— Bem, eu não quero segurar vela. – Mike brincou. – Vejo vocês depois. Fique à vontade, Camila. – Ele saiu, fechando a porta.
— Sinto muito por não ter respondido suas mensagens. Eu estava dormindo... – O pedido de desculpas de Lauren foi interrompido abruptamente por Camila.
— Ei não se desculpe, tá tudo bem.
Lauren estremeceu quando a perna de Camila roçou a dela.
— Você não deveria estar tão perto. – Ela resmungou.
Camila levantou uma sobrancelha, parecendo ligeiramente ofendida quando ela deslizou para trás, congelando quando Lauren a pegou o pulso com seus dedos delicados.
— Eu só não quero te deixar doente.
Camila assentiu, e Lauren ofegou quando a mão fria da cubana foi pressionada na sua testa.
— Deus, você está queimando. – Camila murmurou. – Você está realmente quente.
—É o efeito da sua presença, meu bem. – Lauren sorriu fracamente, e Camila revirou os olhos, parando abruptamente quando Lauren começou a tossir.
— Ei... Camila a consolou, estendendo a mão para acariciar a cabeça de Lauren. A jogadora soltou um suspiro de alívio ao toque frio de Camila. – Eu estou aqui.
— Eu sei, amorzinho.
— Você comeu algo? – Camila perguntou gentilmente, acariciando a testa de Lauren. Jauregui realmente queria fazer uma piada sexual com isso, mas estava fraca demais até pra isso. Tinha ido dormir muito bem e acordado com uma virose.
— Não tenho fome. – Ela murmurou, enterrando a cabeça no colo de Camila.
— Certo, mas você precisa comer algo. Eu trouxe sopa.
Lauren assentiu, piscando vagamente.
— Foi você que fez?
— Foi.
— Deus, minha vida agora realmente corre perigo.
Camila rolou os olhos.
— Eu só não mando você ir pra um lugar não muito agradável porque não estou na minha casa. Sente-se.
— Mi casa, su casa.
— Por que saiu da casa principal?
— Gosto de ter meu espaço, eu só durmo aqui, a maior parte do dia estou lá.
— Deite...
Lauren seguiu as instruções em silêncio por uma vez, sentando-se, seus olhos cansados encontrando os de Camila. Camila suspirou enquanto pegava um recipiente onde tinha colocado a sopa.
— Pelo menos está cheirando bem, né? – Camila brincou quando tirou a tampa, revelando uma sopa de macarrão ainda quente.
Lauren fungou com desdém.
— Eu não tenho como saber.
Camila pegou uma colher, inclinando-se para sentar ao lado de Lauren novamente.
— Você é tão dramática. – Sorriu.
— Camz. – Lauren ofegou. – Eu estou morrendo.
Camila riu de seu humor, mergulhando uma colher no líquido, empurrando-a para os lábios de Lauren.
— Cale-se e coma sua sopa. – Ela ordenou gentilmente.
Lauren sorriu para ela, aceitando a colher enquanto tomava um gole, murmurando:
— Obrigada, garota cubana.
— Estou cuidando da minha Lauren.
Lauren terminou sua sopa pouco depois e deslizou de volta para o travesseiro. Camila fez um movimento para puxar o edredom sobre o corpo de Lauren e deitou do seu lado. A respiração de Lauren, embora irregular e trêmula, se acalmou consideravelmente. Camila era simpática e quentinha, usando seu moletom usado, respingado de tinta, bem como um toquinha roxa de frio.
— Sua cama é confortável. – Brincou e Lauren abraçou sua cintura recostando sua face na curva do pescoço dela. – Durma, mi amor. Eu estou aqui.
Beijou a testa quente de Lauren e fechou os olhos caindo no sono ela também.
Havia um clima sobre as manhãs preguiçosas de dezembro, quando o sol mal aparecia no horizonte, o ar era frio e enevoado, e nem os pássaros mais animados pareciam ser corajosos o suficiente para cantar suas canções. A paz e a tranquilidade permitiam que os habitantes de Santa Clarita se embalassem em edredons quentes de suas camas e descansassem mais um pouco, sonhando alegremente... Ou não.
— ACORDEM TODOS É NATAL!
Camila sorriu quando um estrondo soou do seu quarto, e Dinah tropeçou para for a da sua cama, partindo para cima da amiga, que pulou rapidamente tentando atingir a amiga com uma almofada, talvez tivesse alcançado seu hesito se Sophie não tivesse pulado e agarrado a amiga antes dela derrubar Camila.
— Eu juro que vou matar essa cadela hoje!
— Vingança! – Ela exclamou. – Está pago pelo dia de ação de graças.
— Sophie me solte ou eu vou cometer dois assassinatos. – Ela bateu contra a cabeça da amiga com o travesseiro, espalhando vários fios avermelhados da ruiva contra sua face.
— Não mate ela dentro de sua própria casa, vamos capturá-la e deixar que ela congele no frio.
— Meu Deus, você é uma grande traidora!
Sinu, abriu a porta do quarto, esfregando os olhos cansadamente antes de lançar um olhar nas três, embora Camila não se importasse.
— Mija, me dê um bom motivo pra você estar acordada as cinco e quarenta da manhã.
A menina pulou da cama e beijou o rosto da mãe ainda mais empolgada.
— Feliz Natal, minha doce e maravilhosa mãe. Vamos assistir o especial de Natal de Drake e Josh mamãe, elas duas me prometeram ontem a noite. – Ela disse isso como se sua resposta fosse a coisa mais simples do mundo, e rapidamente caiu no chão quando a almofada que Dinah lançou voou sobre a sua cabeça.
— Acho que isso é um não. – Ela brincou, e Dinah rolou os olhos.
— Sinu, eu posso expulsar sua filha de casa? – A loira resmungou.
— Fique à vontade.
— Mama!
Camila deu de ombros, certificando-se que seu chapéu de papai noel ainda estava devidamente posicionado em sua cabeça antes de Dinah e Sophie se juntaram para expulsarem ela do seu quarto e trancarem a porta.
— Eu vou assistir sozinha...comer tudo sozinha e claro... abrir os presentes sozinha!
A porta se abriu bruscamente, e as amigas desceram as escadas correndo indo em direção a árvore de Natal na sala. Aquele ano eles estavam na casa de Camila, no ano anterior havia sido na casa dos Turner. Sinu ainda um pouco sonolenta ofereceu as garotas fumegantes canecas de chocolate quente.
Pouco depois Nico saiu do quarto de hóspedes, aceitando um chapéu de papai noel de Camila e eles sentaram em volta da árvore para abrir seus presentes.
— Quem vai abrir primeiro?
— Oh, Chan, abra este aqui, é meu. – Dinah jogou um pacote azul-claro no colo da amiga. Camila retirou a embalagem, parando um segundo antes de expor o conteúdo.
— Você não fez isso...
— Você estava um tanto estressada esses dias. – Sorrindo orgulhosamente das bochechas coradas de Camila. – Pensei que você podeira usá-lo, quando Lauren estivesse doente. – Dinah tinha lhe comprado um vibrador. Um enorme e brilhante vibrador.
Camila a mataria qualquer dia desses.
— O que é, querida? – Camila olhou para sua amiga quando a risada de Dinah aumentou, e ela balançou cabeça na direção de sua mãe.
— Você não vai querer saber, mãe.
Sinu prendeu um riso balançando a cabeça. Do jeito que ela conhecia o humor de Dinah, tinha certeza que não gostaria de saber de fato.
— Toma, Nico. – O garoto pegou o presente lançado por Camila no ar com facilidade. Ele estava usando seu pijama de ajudante do papai noel, que o deixava muito engraçado, porque ele tinha quase um metro e noventa.
Ela ficou satisfeita quando notou o pequeno sorriso nos lábios do amigo quando ele abriu a caixa com aeromodelos para montar. O rapaz era apaixonado por montar e desmontar coisas.
— Mila, obrigada.
Presentes após o presente foram passados, e Camila sentiu-se quente e contente com as festividades. Sophie encarava o celular, como se ponderasse o que deveria fazer. Camila conhecia aquela sensação e queria contribuir para que a amiga tomasse a decisão correta.
— Sophie. – Chamou-a reservadamente, já com seu presente nas mãos. – Isso é seu... Entregou a embalagem que recebeu de Alycia em sua mão.
— Eu ganhei dois presentes, uau. Meus Deus, a Dinah vai morrer de inveja.
— Não é um presente meu pra você. – Bem nesse momento a ruiva abriu a caixinha onde um lindo colar de ouro com pedrinhas pequenas e brilhantes brilhavam reagindo a luz. Os olhos azuis de Sophie se arregalaram, era notável pela sua reação que ela já sabia de quem era aquele colar.
— Eu...
— Ela está chateada com você por causa do Joe, mas eu acho que ela te ama.
— Eu amo essa idiota desde que eu tinha 15 anos camila. Alycia está me medindo com a régua dela. Eu não tenho interesse em Joe ou em qualquer pessoa que não seja ela.
— Eu sei que não tem.
— Ela está jogando baixo. – Colocou o colar no pescoço. – Eu amo aquela idiota, e quero matá-la ao mesmo tempo.
— Eu estou indo lá entregar o presente de Lauren, se quiser ir...
Sophie suspirou.
— Me espere pegar o meu casaco e o presente dela.
Camila recostou-se na porta e sorriu. Estava tudo tão bom que ela sentia medo de até quando duraria. Habilmente puxou o telefone do bolso da sua calça e digitou uma mensagem.
Ela sorriu, muitas vezes se maravilhava com o quão vastamente diferente seu relacionamento com Lauren era desde o dia em que ele tiverem o primeiro encontro para os dias atuais. O celular vibrou novamente e ela sorriu quando viu o nome de Lauren surgir.
— Pare de sorrir para o celular e vamos de uma vez, Cabello. – Disse Sophie de volta a sala.
O dedo de Camila mal tinha pressionado a campainha antes que a porta fosse aberta, revelando um sorridente, Mike usando uma fantasia de Papai Noel.
— Feliz Natal, Camila!
Ela sorriu quando ele imediatamente abraçou-a repetindo o gesto com Sophie.
— Entrem – Ele acenou e as duas um pouco tímidas passaram pelo garoto, com seus presentes nas mãos. – Alycia está na sala... Ela vai ficar feliz em te ver.
Sophie piscou para o garoto deixando os dois para trás.
— Eu tenho algo pra você. – Mike sorriu brilhantemente quando Camila passou um pacote fino, contendo um vinil especial do Fifth Harmony no interior. – Da minha coleção pessoal está autografado pela formação original.
O menino arregalou os olhos agarrando-a mais uma vez em seus braços.
— Obrigado, Camila! Você fez meu presente parecer pífio, eu já vou buscar pra você agora mesmo!
No caminho o garoto se chocou no corpo de Lauren que estava vindo se encontrar com Camila.
— Devagar, Louis Hamilton. – Provou o irmão que deu um muxoxo e continuou correndo desvairado.
— Feliz Natal, Lauren.
— Feliz Natal, Camila. – Camila suspirou, pressionando um pacote de bom tamanho em seus braços, e Lauren sorriu para ela.
— Meu presente para você está debaixo da árvore, vamos lá, você pode conhecer meus tios.
— Olá. – Camila virou-se e viu uma mulher de cabelos loiros e olhos brilhantemente verdes. Ela era levemente semelhante a Alycia Evans. No lugar dos olhos verdes, dois bonitos e brilhantes olhos azuis.
Lauren segurou a mão de Camila e encorajou-a.
— Tia. – Lauren começou. – Está é Camila, minha uh... – Ela olhou pra Camila sem saber qual nomenclatura daria para elas. Optou pelo obvio. – Ela é minha namorada.
— Prazer em te conhecer, Camila. A Lauren fala muito de você, não mais que Mike.
Ela estendeu a mão para Camila que agarrou e sorriu, ainda atordoada com o que Lauren tinha acabado de dizer. – Você tem um bom aperto de mão. – Lisa acenou com aprovação. – Stephen, venha conhecer a namorada da Lauren!
— Camila Cabello? – Ele especulou com uma voz alta, e Camila sorriu quando Lauren guinchou. Parecia que de fato aquela família falava muito seu nome.
— Venha, sente-se, você pode abrir o presente que Lauren estava tão animada para lhe entregar.
— Eu não tive tempo para embalar porque chegaram ontem a noite. – Lauren disse antes de passar a caixa para as mãos de Camila. – Espero que estejam certos.
A cubana ofegou ao ver a elegante caixa de madeira, com suas iniciais K. C. C. Escritas em um fonte elegante na tampa.
— Lauren isso é... – Ela abriu a caixa timidamente, e sua mandíbula foi caindo a medida que ela observava o conteúdo. Era um conjunto completo de lápis prismacolor, pinceis e todo tipo de material de pintura que podia existir.
— Eles estão errados? Eu posso trocá-los.
Suas palavras foram interrompidas quando Camila a puxou para um abraço apertado, seguido de um beijo tímido em seus lábios.
— Obrigada, é perfeito. – Ela exalou. – Você é perfeita.
— Por você vale a pena. – Garantiu Lauren, dando nela outro selinho.
— Seu presente está no meu carro, venha comigo.
Lauren moveu-se deixando Camila lhe pegar pela mão e levá-la até a parte exterior da casa.
— São duas coisas. – Disse ela quando já estavam sozinhas, longe dos olhos curiosos. – A primeira é isso aqui. – Camila entregou para ela uma pequena fita cassete. – Eu sou uma garota não digital, e contei com a ajuda de Nico para gravar aqui uma música que eu escrevi pra você.
— Serio? Eu não sei se mereço essa honra, Camila. Eu realmente não mereço...
— Shiiu,,, É você, baby. Tudo é sobre você. – Ela passou os dedos pelo queixo de Lauren tocando seus lábios. – Ouça quando estiver sozinha, quando você estiver em Barcelona e eu em Nova York. Pra você lembrar de mim. Agora me espere aqui que vou pegar o segundo presente dentro do carro.
Ela suspirou apaixonada quando Camila voltou segurando uma pequena caixinha nas mãos.
— Aqui.
Lauren aceitou prontamente o presente, abrindo o embrulho em instantes. Ela parou por um momento, olhando para Camila com curiosidade, antes de puxar o objeto em questão, um colarzinho mínimo que estava gravado "Grace".
— Espere um segundo. – Ela parou, os olhos arregalados, e ofegou quando uma pequena bolinha branca correu em direção a Camila. Abanando furiosamente o rabinho até parar do lado da cubana. – PUTA QUE PARIU, É UM CÃOZINHO!
Lauren aproximou-se maravilhada quando Camila segurou a cadelinha nas mãos e colocou-a diante dela.
—Grace, diga oi pra sua mamãe.
O filhotinho lambeu o nariz de Lauren, se contorcendo perto do peito de Camila, lambendo o seu rosto excitadamente.
— Você me disse que sempre quis ter um desses. – Ela contou notando dentro dos olhos de Lauren o quanto ela estava feliz. Grace latiu baixinho tentando lamber Lauren novamente, Camila sorriu. – Parece que ela gostou de você, também.
— Obrigada, Camz. – Camila puxou-a para um beijo, apertando a cadelinha entre elas – Eu amo-a, e eu amo você. E eu quero ficar com você pra o resto da minha vida.
Camila surpreendeu-se com a declaração e ficou boquiaberta, enquanto gentilmente segurava a cadelinha.
— Eu te amo mais, mi amor. Eu te amo muito mais.
— Eu estava esperando pra fazer isso mais lá na frente, mas eu não posso mais esperar. – Lauren enfiou a mãos nos bolsos e retirou um anel idêntico ao que ela usava em seus dedos, a mesma pérola se destacava ali.
Camila arregalou os olhos quando Lauren segurou sua mão e beijou-a com delicadeza.
— Você quer namorar comigo? Eu te amo. Eu prometo te fazer a mulher mais feliz do mundo, eu prometo que-
Camila não esperou Lauren terminar a sua frase, beijou os balios macios e selou ali o que já tinha se iniciado tempos antes.
— Eu aceito, mi amor. Eu aceito tudo... Eu quero você. Só você ninguém.
— Eu te amo, Camila. – Lauren sussurrou, os olhos verdes se movendo para olhar para cima.
— Visco. – Havia um brilho nos olhos de Camila quando ela sorriu de volta para Lauren. – Me beije debaixo do visco. – Camila pediu.
— Em qualquer lugar, Camz. Em qualquer lugar...
Assim que ela segurou as bochechas de Lauren, inclinando-se mais perto em direção a ela, Grace latiu e lambeu o rosto das duas.
Aquele natal ficaria pra sempre em suas mentes.
Alycia abriu a porta do seu quarto em silêncio esperando Sophie entrar. Está segurando uma coletania de discos dos Beatles que foi o presente da ruiva. Há também uma foto das duas em Nashvile, ela tem medo que aquilo seja um adeus, mas também não quer mais viver em dúvida.
— Alycia... – A ruiva chamou.
— É meu nome... – Evans respondeu tentando parecer tranquila.
— Não sei o que dizer.
O tom da voz dela não é chateado, parece mais que ela está sem palavras do que chateada. Isso é um bom sinal.
— Você sabe que não precisa dizer nada.
As duas encostam lado a lado na varanda suspensa da casa. De onde estão podem ver Lauren e Camila observando apaixonadas o pequeno cãozinho que morde o cadarço dos tenis de Lauren.
— Obrigada pelo colar. Camila me entregou hoje pela manhã.
Alycia sente raiva por ser babaca. Deveria ter sido ela que entregaria aquele maldito colar.
— Que bom que gostou.
Sophie suspirou, profundamente de saco cheiro daquela distância. Elas sempre foram mais que isso.
— Eu te amo Alycia. – Disse ela se súbito. – Eu sempre te amei, eu sempre vou amar. Não ha motivos para você sentir ciúmes do Joe, quando eu só tenho olhos para você. Quando eu só penso em você...
Ela tirou um envelope amassado do bolso da jaqueta e entregou na mão da namorada. As mãos de Alycia estão tremendo um pouco quando ela abre. Dentro, encontra uma foto da época que eram adolescentes. Alycia sorriu lembrando exatamente daquele dia. Tinha sido nesse dia que elas se beijaram a primeira vez. Tiraram uma foto dentro da cabine fotográfica e Alycia deixou com Sophie.
— Eu queria ter te dado isso há dois anos, mas eu nunca tive coragem. Até hoje.
Alycia olha para imagem, virando-a em suas mãos. No verso há apenas uma frase escrita com a caligrafia de Sophie.
"eu quero ser sua"
Alycia olha para as duas na imagem, e sente como se fosse a única coisa que ela sempre quis.
— Eu te amo, Al. Eu quero ser sua, todos esses anos foi só o que eu quis. Não existe Joe, ou qualquer pessoa entre nós. – Ela garantiu com ternura. – Eu estou ouvindo meu instinto, Alycia. Eu te amo.
— E o que seu instinto está te dizendo pra fazer agora?
Há uma pausa. E ela diz:
— Está me dizendo para fazer sexo com minha linda namorada.
— E o que você vai fazer?
— Vou atender.
Alycia sorriu quando Sophie abriu o botão do seu casaco, deixando ele escorregar pelas suas pernas.
A ruiva acrescenta:
— Sinto muito por tudo.
— Eu sei. Eu também.
— Senti tanto sua falta — disse, esticando a mão para tocar no rosto de Alycia.
Elas se inclinam e se beijam de uma vez. As mãos de Sophie arrancam as roupas de Alycia que vão caindo pelo chão do quarto a medida que seus corpos se unem em um degrade de gemidos e desejo.
Antes da tempestade cair, ela sempre é sucedida de dias ensolarados. Mas os dias de sol acabam e a tempestade, a tempestade sempre chega.
Ufa, mais um capítulo imenso. Sei que você não gostam muito, mas eu não pude cortar porque é tudo parte do desenvolvimento da história. Estou atarefada com a faculdade e por isso tenho demorado muito mais que o normal, peço que me desculpem, acostumei você a um padrão e não quero deixar de cumprir.
O que acharam de hoje? Mais um capítulo amorzinho, e devo dar um alerta, o caos está próximo, vou dizer pra vocês que em mais ou menos 13 capítulos vocês estarão me xingando enquanto isso vejam como eu imaginei os personagens de teoria.
Profanos também atualizou, e amanhã é no way. Pra delírio das meninas que me cobram sempre att.
Obrigada pelo apoio e pelos incríveis quase 180k de leituras. Voces são lindas e foda demais.
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