Trinta- Ação de (des)graça
Lauren tentou de tudo. Ambiem, Bukowisk, Martin, contar quantas pintas tinha visível em sua pele, The 1975, This is Rihanna, This is Amy Winehouse, This is Beatle e todos os This is presentes no Spotify.
A obra completa de Nicholas Sparks, uma masturbação daquelas pensando em Lana Del Rey, FIFA, PES e Resident Evil. Mas nada, nem nenhuma pessoa presente no entretenimento contemporâneo ou antigo conseguiu fazer Lauren tirar Camila Cabello da sua mente.
Se Lauren soubesse como a companhia de Camila deixaria seus hormônios loucos ela nunca teria tocado a doçura dos seus lábios. Cada minuto que passava ao lado de Camila Cabello deixava dentro dela uma fome insaciável em seu estômago que ela conhecia muito bem.
Ela estava constantemente olhando para Camila, seus olhos pareciam instantaneamente atraídos para onde a cubana estivesse, prontos para lhe entregar sorrisos suaves. Ela estava maravilhada com a forma gentil que Camila tratava as crianças durante os seus passeios de serviço comunitário no Little Harmony. Ela amava ver a maneira fraternal que via Mike e que aturava Alycia e seu humor peculiar. Era ela, não havia dúvidas.
Camila era como uma dose de café quando se está perto de dormir, ou como uma viagem em um feriado longo e todas essas coisas doces e fáceis que a gente vive na vida, e normalmente não enxerga com o cuidado necessário.
Era muito mais torturante porque a cada dia Lauren via um detalhe nela que achava ainda mais atraente. Estava ficando insuportável. Na quinta foi os dois ossos salientes que ela tinha um pouco abaixo do pescoço, na sexta suas pequenas e delicadas mãos, e no sábado o jeito engraçado que ela usava casacos sempre dois números maiores.
Lauren se encontrou sonhando com Camila, com seus curiosos olhos castanhos e a adorável marquinha de biquíni que ganhou no fim de semana que passou com os amigos na praia, ressaltado seu bronzeado natural. Ela sonhava com sua risada, seu sorriso, seu tom rouco. Ela sonhava em beijar Camila até ficar sem folego, prendendo-a debaixo dela e fazendo juras perfeitas de amor pra sempre.
Tinha ficado especialmente ruim, em uma noite em particular, quando os lábios de Keana estavam se arrastando para o meio de suas pernas, e ela gemeu o nome de Camila, por acidente. Foi um erro horrível, freudiano. Keana não ouviu, mas Lauren ficou horrorizada.
Ela sabia o que isso significava. Ela havia perdido a batalha para o amor e ela respeitava Keana o suficiente para dizer a ela que não queria mais.
— E se eu nunca mais conseguir beijar outra pessoa, Al? – Horrorizou-se enquanto desabafava na sala de literatura na quinta.
Tinha arrastado Alycia até lá para contar o que sentia, mas já estava quase se arrependendo. Sua prima estourou a bola que fez com o chiclete e rolou os olhos.
— Então você está fodida, Julieta. – Ela acenou para qualquer pessoa, fingindo que Lauren não falava nada. – Pare de correr do obvio e seja feliz.
— Você pode me dar um pouco de atenção, Alycia Jasmim? – A loira fez uma careta ouvindo seu nome todo.
— Se eu te der mais atenção que isso, eu juro que vou cair de sono.
Antes que eles pudessem continuar, Camila estava pairando sobre as carteiras, com dois copos na mão, mordendo os lábios cheios em um olhar crítico para Alycia.
— Dê o fora do meu lugar, Evans. – Alycia não perdeu tempo e roubou um dos copos de café da mão da cubana tomando um gole e fazendo uma careta.
— Nossa. – Ela devolveu o copo nas mãos de Camila. – Isso está horrivelmente amargo. – Mila empurrou o ombro da amiga expulsando-a do seu lugar.
— Talvez porque esse café não é seu. – Ela virou pra Lauren com um riso doce se formando em seus lábios. – É seu.
Lauren ficou algum tempo segurando o café sem conseguir suprimir o suspiro apaixonado que ameaçava cair de seus lábios. Ela era tão maravilhosa que Lauren queria chorar. Bem nesse momento Dinah e Sophie entraram na sala e Camila e Lauren já podiam imaginar exatamente o que viria a seguir.
— Tá sentindo, Dinah... – Alycia aspirou o ar com força antes mesmo da dupla chegar mais perto.
— Cheiro de romance no ar. – Completou a loira zombando. – Sabe... – Começou Dinah, apoiando a mão no ombro de Camila. – Parece que foi ontem, nessa mesma sala que certas pessoas fingiam não saber o nome da atual namoradinha.
— Não somos... – Tentaram dizer em uníssono, porém foram interrompidas pelo trio.
— Eu não entendo esse oba-oba com uma simples jogadora... – Sophie imitou a frase dita por Camila meses antes.
— Camisa legal, Alycia...
— Hijas de una... – Mila jogou um lápis na loira, com as bochechas assumindo uma coloração rosada pela vergonha.
— Olha a boca, Cami...
Por fim, a tortura das amigas só acabou, porque o sinal soou e Alycia foi obrigada a ir para sua aula e a dupla sentar em seus lugares. Lauren deu-lhe um pequeno sorriso tímido, puxando o assento de Camila para mais perto com a mão boa.
— Obrigada por ter lembrado de mim.
— Não foi nada demais. – Camila entregou-lhe o copo. – Espero que goste de café com pouco açúcar.
— Não se preocupe com isso – Ela suprimiu uma careta quando deu um gole, e Mila sorriu achando graça.
— Eu cuido disso. – Disse ela quando retirou do bolso da calça algumas embalagens de açúcar despejando no copo de Lauren mexendo um pouco. – Veja se está bom agora.
Lauren tomou um golinho e depois piscou pra ela.
— No ponto, Doce como você.
— Você é impossível.
— Mas foi você quem elogiou minha blusa na primeira vez que nos vimos.
— Lauren... – Advertiu ela rolando os olhos. – Eu realmente gostei da camisa.
— Qual era a cor da camisa?
— Eu... Eu realmente não lembro, mas juro que era uma camisa legal.
— Claro que era.
Lauren piscou pra ela, porque a interação foi interrompida bem nesse momento pela presença da professora de literatura e a sala sucumbiu em um silêncio confortável logo depois. Mila tirou um cacho de cabelo escuro do caminho, olhando o braço de Lauren e como ela parecia vulnerável, não de uma maneira ruim. Ela não notou o olhar esmeralda de Lauren queimando-a até que ela olhou pra cima.
— Ainda não superou meu ombro quebrado, Camila? – Lauren murmurou baixinho, para não perturbar a classe agora quieta.
— Um pouco. – Camila admitiu. – Como está ele?
— Dói as vezes. – Lauren deu de ombros como se fosse indiferente, uma ocorrência diária. Camila sentiu vontade de beijar seu braço, para mostrar carinho e cuidado. – Coça bem mais. Acho que antes do feriado estarei sem ele.
Camila enfiou a mão na bolsa, tirando uma caixa do que pareciam ser marcadores e pinces, organizados por padrão de matiz.
— Vou assinar pra você. – Lauren levantou uma sobrancelha e inclinou a cabeça como um cachorrinho perdido, e levou cada milímetro de força de Camila para não beijar seus lábios ali mesmo.
— Está treinando para quando for famosa?
— Minha mãe fez isso por mim, quando eu quebrei o braço.
— Então você era uma desordeira.
— Acho que por um tempo sim. – Camila riu, e Lauren fechou os olhos momentaneamente apaixonada pelo som. Então ela já sabia qual era o seu detalhe favorito de Camila daquele dia. – Eu tinha muita raiva dentro de mim depois que meu pai nos deixou, então em um desses momentos aconteceu... Não fosse meus amigos eu... Isso não importa, o que importa é que minha mãe escreveu que me amava no gesso, eu olhava para frase toda vez que sentia rompantes de raiva. Com o tempo eu passei a escrever como estava me sentindo até retirar o gesso.
— O que você escreveria hoje se estivesse com gesso?
— Apaixonada. – Camila disso com naturalidade. E como se não tivesse acabado de dizer o que tinha dito, perguntou. – E como você se sente hoje?
— Fascinada. – A garota cubana, tampou seu marcador com um brilho satisfeito em seus olhos e Lauren acompanhou o movimento para desvendar o que ela tinha escrito. – Camz... – Lauren olhou para baixo notando um eloquente rabisco, seu coração acelerado com a visão. – O que vamos fazer em Nashvile?
— Desvendar mistérios e curtir a companhia uma da outra por dois dias inteiros? – Camila sussurrou lentamente, havia um brilho provocante em seus olhos e um tom quente em sua voz. – Ação de graças é um feriado meio bobo mesmo.
— Isso é plano da Alycia?
— Totalmente.
Lauren sentiu um sorriso estúpido em seu rosto pelo resto daquele dia e mal podia esperar pelo dia de ação de graças.
Se havia um dia no ano em que absolutamente tudo que pudesse acontecer de errado aconteceria era o dia de Ação de graças. Camila lembrava-se com clareza do ano que o peru pegou fogo depois que Dinah o colocou no forno esquecendo-se de retirar a proteção plástica, ou quando dois anos depois, Camila cortou o supercílio de Nico com uma bola de golfe.
Não que ter a companhia dos seus amigos fosse algo que ela não achasse o máximo. Ela amava a junção familiar que aquele dia causava. Era uma tradição os Turner passar o dia em sua casa em comemoração e com o tempo Dinah se juntou a eles já que normalmente o clima em sua casa não era dos melhores.
A certeza de um dia feliz sucumbiu no momento em que Camila foi brutalmente acordada, as seis da manhã. O motivo? Dinah invadiu seu quarto com um megafone das lideres de torcida.
— Acorde, CAMILA CABELLO! – Camila gritou e pulou na vertical, caindo de sua cama em um emaranhado de lençóis. – É dia de ação de graças. Tem muita comida e muita diversão. Vamos lá, Chancho!
Com um olhar embaçado para a hora em seu relógio, Camila fez uma careta e uma nota mental. Nunca mais convidaria a loira para dormir em sua casa.
— Vete a mierda, Dinah. – Ela bocejou, esfregando os olhos com tristeza. – Mama já está acordada?
— Claro que está, e os Turner já estão a caminho. Eles têm muita comida para fazer.
— Ela precisa de mim?
— Não.
— Você precisa de mim?
— Não.
— Então, por que diabos você me acordou, porra?
— Eu só queria incomodar você. – Camila cerrou os olhos e Dinah sorriu tentando correr para fora do quarto, porém teve as pernas agarradas pela cubana.
— Solte-me sua cadelinha... – Riu segurando na fechadura da porta pra não cair. – Socorro.
A confusão só acabou, porque foram interrompidas pela adição de mais duas pessoas em seu quarto.
— Que bom que vocês ainda estão com roupas de dormir. – Disse Sophie resmungando. – Papai me acordou as cinco da manhã.
A garota passou direto pelas amigas e caiu de cara na cama de Camila, e seu irmão se juntou a ela rapidamente, ignorando as duas com seus travesseiros debaixo do braço.
— Vê, Che. – Camila bocejou, movendo-se para encontrar um lugar entre os dois. – Eles sabem aproveitar um feriado.
— Vocês são chatos. – Reclamou Dinah, mas sorriu e se juntou a ele, em uma pilha de braços e pernas. Era uma tradição deles desde pequenos, pena que as camas não acompanhavam seu crescimento.
Logo Camila afundou novamente no abismo pacífico do sono, com a cabeça apoiada na barriga de Sophie e as pernas sobre o peito de Nico.
Na segunda vez em que Camila acordou, foi novamente por culpa de Dinah. Aparentemente, a loira estava tendo um sonho bastante intenso, e deu um soco em Nico, atingindo-o no queixo, e ele gritou ao lado da orelha de Camila, fazendo-a sacudir e empurrar Sophie da cama para o chão.
— Dinah, puta que pariu!?
— Jamais vou me entregar! – Ela disparou, balançando o punho mais uma vez, porém dessa vez Nico interceptou outro soco.
— Você é louca, Jane? – A garota arregalou os olhos parecendo que só naquele momento tinha voltado a si.
— Eu sonhei que estava sendo atacada por uma gangue de anões com a cara da Camila.
— Vá se foder, eu cresci muito nos últimos meses.
— Só se foi sua bunda.
— Tenho que concordar com ela, Mila. – Disse Sophie.
— Aham. – Acenou Nico em concordância. – Eu também.
— Invejosos, todos vocês são inve...
A fala da garota foi interrompida atirada por Nicholas bem em sua cara. Cabello esfregou os olhos e gemeu. Ia ser um longo dia.
Antes de tropeçar cegamente até o banheiro para começar seu dia de verdade. Camila pegou o telefone, com a escova na boca, ela rapidamente desbloqueou e começou a digitar com uma mão.
Convidou Lauren para almoçar com eles de maneira muito sucinta e ficou surpresa quando a jogadora aceitou sem pestanejar.
Ela não poderia descrever o quanto que ficou ansiosa depois disso, nem a piadinha de Dinah para sua mãe sugerindo que ela não comeria o peru, não piorou seu humor.
Então, Cabello alternou entre ajudar sua mãe na cozinha e conversar com Lauren para passar o tempo. Por volta das nove, Sophie muito mais desperta puxou Camila para jogar xadrez com ela, uma desculpa para tratar da viagem.
— Minhas coisas já estão prontas. – Disse ela. Tinha feito a mala na noite anterior. – A Dinah vai surtar de ter que passar todo o feriado sem colocar os pés fora de casa.
— É necessário, ou nossos pais vão descobrir que a nossa viagem não tem nada de viagem entre amigos.
— Está se preocupando a toa. Estamos falando da Dinah, ela não vai se importar em passar um fim de semana trancada com Normani. – Sophie assentiu, Dinah não se importaria mesmo.
Quando Camila moveu delicadamente a torre, o telefone tocou e Sophie arqueou uma sobrancelha.
— É ela?
Camila espiou seu telefone rapidamente, um pequeno sorriso cruzou seu rosto quando o nome Lauren passou pela tela.
— Eu convidei ela pra vir.
— Uau, parece que alguém está caminhando para um namoro.
Mila deu de ombros e bloqueou o celular.
— Eu não me importo com nenhum rotulo, S. Eu só preciso ficar perto dela... O que pode dar errado nisso?
Devo dizer que ela perguntou cedo demais?
Lauren estava sorrindo para o telefone, quando Alycia o arrancou de suas mãos, movendo-se maliciosamente frente a ela na mesa de jantar.
— Meu Deus, você está sorrindo para o celular, que nojo!
— Alycia! – Lauren rosnou, pânico penetrando em seu tom ameaçador. – Me devolva!
— Vocês já estão trocando nudes?
— É ação de graças, por favor, quem manda nudes hoje?
O sorriso de Alycia cresceu sugestivamente, e deu margem para Lauren habilmente arrancar o celular dela.
— Você gosta dela.
— Eu gosto... Como não poderia? Ela é linda.
— Ela é gostosa também.
A mandíbula de Lauren se apertou e ela pegou uma lata de chantilly que estava sobre a mesa.
— Retire o que disse!
— Não... Ai, porra! – Alycia gemeu quando recebeu a lata na cabeça. Chantilly explodindo por toda sala de estar.
— É melhor que isso não tenha sido o que estou pensando que é. – A voz de sua tia ecoou na cozinha.
— Eu vou me encontrar com ela, daqui a pouco.
— Mamãe vai te matar! Quem vai me ajudar a fingir que gosto do molho cranberry do papai?
— O Mike.
— Sua mãe está precisando de ajuda Alycia. – Seu tio invadiu a sala, usando um avental cerca de cinquenta vezes menor que ele.
— Avental bonito, pai. – Alycia zombou.
— Que bom que gostou, ele é seu agora. – O homem tirou o avental vestindo na filha. – A massa dos pães não está crescendo, de um jeito.
Lauren sufocou sua risada, e recebeu um tapa no braço da prima.
— Deus pai. – Ela choramingou. – Eu estou parecendo um idiota.
— Então você não está muito diferente do habitual. – Lauren provocou-a.
— Eu vou te matar. – Alycia tentou avançar pra cima de Lauren, porém escorregou no chantily espalhado no piso e caiu de bunda no chão.
— Ei tio, – Jauregui se aproximou do homem, que tentava diminuir a quantidade de chantily espalhado pela mesa e chão. – Eu poderia me ausentar só um pouquinho do almoço... eu tenho... Um encontro... Não bem um encontro, mas...
— É um encontro sim, pai!
Stephen sorriu do que a filha disse, passando as mãos no cabelo loiro.
— Lauren está de namorada nova? Uau. Eu não gostava da sua antiga namorada
— Então, quem é essa garota? – Sua tia se meteu na conversa, logo depois dando um olhar feio para quantidade de chantilly jogado no chão.
— Camila Cabello. – Alycia entregou-a mais uma vez. – Ela é uma artista, mãe. Canta também e mais um milhão de coisas.
Stephen se animou.
— Parece que ela é legal o suficiente, então.
— Ela é. – Mike assentiu. – Ela é a garota mais legal do mundo.
— Vá menina, não deixe sua garota esperando.
— Ah, então eu posso ir também pai? – Alycia se animou – Sophie está lá e-
Antes da loira retirar seu avental sua mãe colocou o rodo e o esfregão em sua mão.
— Limpe essa bagunça.
— Mas-
Lauren pulou para dar um beijo rápido na bochecha da sua tia como um agradecimento, fazendo o mesmo com seu tio antes de pular em direção a garagem.
Camila arruma seu quarto, depois acha que está arrumado demais e bagunça mais um pouco para que Lauren não pense que arrumou pela sua visita. A verdade é que seu nervosismo não é por ela passar o feriado em sua casa, e sim pelo significado por trás daquela visita.
A campainha toca precisamente ao meio-dia. Lauren é pontual como um relógio suíço. E traz flores.
Camila sente vontade chorar. Ela é boba e romântica, e está tão feliz. São tulipas e rosas e uma dezena de outras flores. Ela entrega em suas mãos, sorrindo e dizendo oi. A sua camisa vermelha é bonita e estampa Amy Winehouse, Mila nota imediatamente a semelhança nunca antes percebida. Talvez os olhos misteriosos, ou as feições de diva blasé. Seu cabelo está bagunçado, como sempre. Ela hesita um pouco no degrau de entrada, esperando para ser convidada.
Camila se inclina para a frente e beija seus lábios. As flores ficam esquecidas em suas mãos. Toca seus lábios, inspira seu cheiro. Fecha os olhos, abre os olhos. Ela é tão linda. Suas sardas brilham ao sol.
— Oi Lauren.
— Oi Camila.
Se abraçam e voltam a sorrir.
Camila escuta passos descendo as escadas. Sua mãe.
— Entre. – Convida.
— Lauren. – Sinu diz assim que chega ao pé da escada.
Com um olhar, ela vê as flores e nota imediatamente que as mãos das duas está entrelaçada. Mas o que atrai sua atenção é a maneira confortável que Camila olha pra ela.
Sinu não se importava. Era felicidade que tinha nos olhos da sua filha.
— Seja bem-vinda a nossa casa.
Lauren só precisou passar uma hora perto daquela junção peculiar de família e amigos que podia dizer que já estava apaixonada. Eram todos tão lisonjeiros, e amigáveis e ela podia dizer que o arroz con leche de Sinuhe foi a coisa mais maravilhosa que já tinha provado em toda sua vida.
Seus amigos estavam a mesa, e Lauren permaneceu em silêncio a maior parte do tempo, apenas observando a dinâmica entre eles e comendo. Aproveitando para notar as conversas sarcásticas e insultos durante momentos calmaria. Imaginou seus pais ali, provavelmente trataria eles como selvagens sem educação. Sua mãe acharia aquela comida de mau gosto e seus hábitos anticivilizados, mas Lauren era diferente dos seus pais e pela primeira vez ela estava mais do que feliz em se dar conta disso.
Os adultos estavam todos situados no outro extremo da longa mesa, separando-se inteligentemente dos alunos no ensino médio, que eram turbulentos e mais propensos a guerras de comida, especialmente quando Dinah Jane estava envolvida.
Nico, havia comprado alguns brownies feitos com maconha e integrou um pra cada bem longe dos olhos dos adultos. Lauren suspirou sentindo todo estresse deixando seu corpo. Só se importando com a presença doce de Camila e sua mão que fazia carinhos esporádicos em sua mão debaixo da mesa.
— Vocês podem ficar lá fora. – Sinu e Aurora Turner expulsaram os adolescentes. – Não quebrem nenhum vaso, nem nenhum osso. – Sinu piscou pra Lauren, bem longe do ar profissional que aparentava nos dias de trabalho.
Lauren sentou-se no capo do seu carro observando os amigos brincarem de uma espécie esquisita de Rugby. Por fim, eles acabaram dando a dupla certa privacidade e entraram com a desculpa que queriam comer as sobras do almoço. Mila sentou do lado dela pouco depois e encostou a cabeça em seu ombro. Ficam assim até o crepúsculo colorir a rua e o frio se abater nelas.
Lauren calmamente colocou o braço em volta das suas costas e chegou mais perto, suspirando disse com a voz tranquila:
— Você me proporcionou o melhor dia de ação de graças da minha vida. – Ela afagou o braço da cubana carinhosamente. – E o arroz con leche de sua mãe é uma coisa divina. Obrigada por me inserir na sua vida, Camz.
Ela se vira com timidez.
— Só foi bom porque você veio, Lauren.
Ficaram paradas uma olhando no fundo dos olhos da outra, na subversão que o amor causa do sentimento repartido entre o que é muito bom e o que é muito assustador.
— Como está o braço? – Camila não pode evitar se preocupar, mesmo quando o momento exige mais romance e menos cuidado exacerbado.
Lauren é grata por isso novamente.
— Melhor agora que eu estou sem o gesso. – Desceu a mão puxando o rosto de Camila levemente para perto do seu. – Acho que é meu coração que corre perigo.
— Sem querer colocar pressão, mas é acho que é agora que você beija.
Parte de Lauren quer gritar, e parte de Lauren quer rir, as duas pelo mesmo motivo: Ela está apaixonada. Travadas entre a ação e a ternura, o toque do contorno dos seus narizes é bom o bastante para durar um segundo a mais. O bastante para que Sinu do alto da janela do segundo andar veja como sua filha parece feliz e realizada, mas não pra esconder o horror ao ver o carro do seu ex marido parar paralelo ao carro da jogadora.
É tudo muito rápido. Em um segundo Lauren tem Camila em seus braços. No momento seguinte, seus pensamentos são interrompidos por um puxão agressivo que a garota recebe.
— Tire as mãos de minha filha! – Alejandro empurra ela pelo peito, afastando-a como se tivesse alguma doença contagiosa.
— Tire as mãos de mim, você! – Camila rebate sem esconder a surpresa e horror na sua face. – O que está fazendo na minha casa?
— Eu vim tentar uma reaproximação e encontro você enganchada nessa garota. Sinu! – Ele berrou ainda mais alto, atraindo pra si a atenção da rua. – Quero que sua mãe olhe nos meus olhos e me explique em que você se tornou? Uma sapatão imunda, foi pra isso que eu movi céus e terra para tirar você daquela maldita ilha?
— Você moveu céus e terra em busca de um sonho imbecil. Não coloque isso na minha conta e tire as mãos de mim!
— Eu não vou soltar até que você me explique o que está acontecendo?
— Você precisa de um desenho? Isso é o que você está pensando que é. – Camila o enfrenta, não tem medo e nem nenhum receio dele. – Eu estou apaixonada por ela. – O homem ergue a mão para fazer Camila engolir o que tinha acabado de dizer, mas é impedido pelas mãos ágeis de Lauren.
— Você não vai fazer isso novamente. – Ela rosnou agarrando seu braço, ficando entre eles dois. – Tire as mãos dela.
— Meu solte, sua vadia!
A força é discrepante, e apenas um movimento com os punhos é suficiente para atirar Lauren contra o chão. A jogadora consegue se apoiar nas mãos, cuspindo a saliva com gosto ferruginoso da boca com a cabeça zumbindo. O bastante para Camila saltar horrorizada em direção a jogadora que está caída cuspindo sangue no chão que escorre dos seus lábios.
— Lauren! – A cubana cai de joelhos de frente a jogadora. Com urgência tentando estancar o sangue que escorre dos seus lábios.
Nesse momento todos os seus amigos saem de dentro da sua casa, fechando uma barreira em volta de Camila e seu pai. Como um dia maravilhoso estava se tornando naquela torrente ridícula de acusações e agressões?
— Dinah... – Ela procurou a amiga. – Leve a Lauren para o meu quarto.
— Camz...
— Vá com a Dinah, Lauren. Por favor... – Notando o desespero na voz de Camila, ela acena um olhar confiante para a garota.
— Eu cuido dela. – Nicholas Turner prometeu.
Nico, se manteve entre ela e seu pai, fazendo uma barreira de músculos, encarando o homem com um olhar que não deixava dúvidas do que ele faria se tentasse avançar contra a filha. Seus pais estavam no meio de uma discussão acalorada, e ela se meteu entre eles.
As lágrimas escorriam do seu rosto por raiva e dor por dizer aquilo, antecipando seus pensamentos. Camila sabia que era necessário. Já era tempo de colocar pra fora o que sentia, não adoeceria pelos erros dos outros. Acabava ali.
— Como você deixou as coisas chegarem a esse ponto, Sinu?
— Vamos conversar lá dentro, Alejandro. – Sinu tentava a todo custo manter um tom de voz conciliador. – Por favor...
— Não! – Seu país param ao ouvir seu grito. – Eu não quero ele dentro da minha casa. Você não é bem-vindo e eu vou pedir pela última vez, vá embora da minha vida, eu odeio você! Eu te odeio, eu tenho nojo de quem você é... Da pessoa preconceituosa que se tornou. Se existiu algum tipo de carinho por mim dentro de você, me deixe em paz. Nos deixe em paz! Vá viver sua vida no buraco que você se escondeu por esses anos e não volte mais.
— Camila...
— Foda-se o que você tem pra dizer! Você estraga tudo que toca! Sai da minha frente ou eu vou ligar pra polícia.
— Troca seu pai por uma devaneio?
— Então que bom que eu herdei isso de você.
Camila sobe dois degraus da escada de cada vez, sem nem se importar com a dor terrível em seu joelho. Ela trava e perde toda a raiva, desarmada e culpada quando nota Dinah sentada ao chão no corredor chorando copiosamente. Ela sabia que pra alguém que sofria ação de preconceito dentro da sua própria casa, presenciar ações diretas amedrontavam e abria feridas estancadas.
Mas assim que ve, Camila. Dinah se ergue voltando a sua postura de quem pode aguentar qualquer coisa olha pra ela com preocupação.
— Walz... Como você está?
MIla recua precisando de um minuto para processar a montanha russa dilacerante de noticias.
— Eu to bem, Dinah. – Garantiu secando as lágrimas no rosto da amiga. – Eu sinto que tenha visto isso. Eu odeio ele com toda minha força eu quero que ele suma e nunca mais volte.
— Camila...
— Me deixe sentir a dor que eu preciso sentir. - Cortou-a com a voz rude e concluiu. - Me deixe odiá-lo ou eu vou surtar.
— Eu deixaria se essa fosse você.
— E quem sou eu, Dinah?
— Eu sei quem é você, Camila. – Diz ela, não olhando diretamente para a amiga, Dinah olha para algum lugar entre elas. –Quando eu te conheci... não consegui acreditar que pudesse existir alguém como você. Eu achava que você era dona de toda doçura do mundo. Que você dormir sorrindo e acordava sorrindo. E eu sempre quis ser como você. Queria tanto. Parte de mim ama isso e parte de mim odeia isso. Mas a verdade é que eu não quero mais acreditar que você é a pessoa mais doce do mundo. Eu quero ver a sua sinceridade emocional novamente, porque você não é o seu pai... Você é grande e eu te amo todos os dias por que você Camila Cabello. E isso é o máximo de elogio que posso lhe oferecer... Não escureça sua doçura, você tem pessoas que nunca te abandonariam...
Paralisada pelo que tinha ouvido, Camila suprime um soluço que ameaçava escapar.
— Dinah... – A amiga voltou e suspirou quando foi recebida por um abraço demorado de Camila que fez seu coração doer. Ela já sabia de onde veio aquele desabafo, Dinah passava por coisa semelhante em sua casa. – Você quer morar aqui em casa?
A loira piscou, não tão surpresa com aquele convite.
— Não posso, Mila. Não posso simplesmente ir embora. Eu sei o que você está pensando, mas eles me amam. Seria muito mais fácil se eu dissesse pra você que não, mas da maneira deles, existe muito amor. Eles de fato acreditam que o meu amor por Normani vai me levar para o inferno. Eu sei que para nós duas isso é insignificante. Mas, para eles, é importante.
— Eles estão errados, Chee...
— Eu sei. Mas eles não me odeiam. Eles me amam.
— Só se ama aquilo que se da liberdade, Dinah. Você me ensinou isso no dia que me deixou usar aquele crocs verdes horríveis na oitava série.
Dinah assentiu sorrindo.
— Eu sei. Eles eram horríveis mesmo.
— E eles não estão fazendo isso.
— Mas talvez eles façam um dia. Não posso sair de casa como se eu estivesse errada, tenho que ficar e provar que eles estão errados.
— E se nunca acontecer?
— Eu tenho vocês. E em oito meses eu vou embora de qualquer jeito.
Camila fica com medo por ela. Percebeu que o que ela está fazendo é além da sua capacidade de compreensão e perdão. É além do ódio que sente do seu pai. É coragem em estado absoluto.
— Eu te amo, Dinah. Não importa o que eles digam...
— Não importa o que eles façam. – Completou abraçando profundamente a amiga. – Agora vá cuidar da Lauren. Essa garota precisa de um banho de sal grosso.
— Dinah...
— Vejo você mais tarde, Mila.
— Obrigada.
Camila empurra a porta do quarto tentando reorganizar seus pensamentos para o que ouviria de Lauren. Ela tinha certeza que depois do que aconteceu, a jogadora nunca mais ia querer olhar na sua cara e com razão. Sua vida amorosa era uma tragédia grega.
O que ela viu assim que entrou, mudou completamente seu pensamento anterior.
Lauren estava sentadinha na cama de pernas cruzadas olhando através da janela.
— Dinah me obrigou a deitar aqui. – Explicou, como se Camila fosse brigar por ela estar sentada em sua cama. A jogadora tentou levantar da cama, mas foi impedida por uma tontura repentina. – Porra!
Camila travou na porta
— Parece que todo mundo quer um pedacinho do rostinho da Lauren. Ei, ria de minhas piadas como eu rio das suas.
Camila chorou ao ver o bom humor estampado na face da jogadora. Ela era tão boa. Lauren ergueu-se da cama, indo consolar as lágrimas que escorriam do seu rosto.
— Camz, não chore.
— Me desculpe. – Camila soluça, abraçando-a. – Eu sinto muito... Eu...
— Por isso? – Ela aponta para o lábio que está vermelho e ficando levemente arroxeado. – É só uma cicatriz em meio as outras. Não é sua culpa ele ser assim.
— Denuncie-o. – Camila implora, sem sentir nenhum pingo de remorso.
Lauren se afasta, com aqueles olhos sem coragem de devolver o olhar avassalador que recebe.
— Camila, você não que isso.
— Sim eu quero, coloque-o atrás das grades pelo que ele te fez.
— Não.
— Por que não, porra? – Vociferou, voltando sentir uma explosão de raiva.
— No fundo não é o que você quer.
— Ele te agrediu. Não acredito que vai normatizar uma agressão.
— O pai da garota que eu sou apaixonada me agrediu, é diferente.
— Você só pode estar... – Ela suspirou sacudindo a cabeça em negação ao obvio. Lauren era maravilhosa demais para passar por algo assim. Se duvidar, ela era boa demais até pra ela. – Você não está falando sério...
— Sim, eu estou. Eu quero você o suficiente para não preocupar com seu pai preconceituoso, e sim como você vai encarar isso amanhã. Se eu der uma queixa isso vai se tornar um escândalo, Camila. Meus pais moveriam chão e terra para que o seu pai nunca mais visse a luz do dia. – Camila se afastou das mão de Lauren com mais raiva. – Eu não vou fazer isso, Sophie precisa dele. É irreversível, Camila.
— Você é tão idiota! – Xingou e exalou com doçura. – eu estou tão apaixonada por você.
— Eu sei. Vem cá. – Lauren arrastou-a para encontrar seu corpo mais uma vez, enrolando Camila em sua proteção. – Você parece cansada. Quer dormir? Nessa caminha, confortável?
— Lauren você tomou um soco na face, por que não está com raiva?
— É mais fácil sucumbir a raiva, mas eu prefiro olhar as coisas sobre um prisma diferente. – Murmurou beijando seu ombro. – Eu tomei um soco, mas eu tenho você bem aqui comigo.
— Mas...
— Shii, me dê um beijo e eu desculpo tudo.
Mila puxa seu rosto com delicadeza e dá um selinho demorado, mas antes dela separar o beijo Lauren puxa seu corpo para mais perto. Entrega todo desejo que está guardado dentro dela, trazendo Camila para seus braços praticamente. Camila tem certeza que ela era a pessoa certa. Sabe que não será maravilhoso o tempo todo, porém há mais maravilhas em Lauren do que ela já viu em qualquer pessoa.
E ela sente-se pronta para enfrentar céus e terras para fazer isso se prolongar.
Existe um shipp mais cheiroso que esse? Eu desconheço.
Só tenho que dizer que esse casalzinho vai lentamente se tornando um casalzão e que muita gente vai me matar quando o caos chegar.
Capitulizinho que começou leve e engraçado e terminou do jeito teoria de ser. Um caos. Alejandro é um lixo, e acreditem, qualquer atitude dele serve para o desenvolvimento da fic. E como quando em capítulo como esses vocês se estressam um pouco, vamos conversar para acalmar seus ânimos.
Acho que teoria é uma fic que eu tentei ao máximo me aproximar do que faria estando em uma situação que já estive e que nunca estive. Lendo de fora é tudo muito fácil e de resoluções simples, mas como eu sempre digo a vocês: Antes de julgarem uma atitude, pensem o que fariam no lugar da pessoa e se de fato agiriam da maneira que exigem que o personagem reaja as coisas da vida. Levam nomes de artistas reais, mas cada personagem desse é vivo na minha cabeça.
Eu sou fucking grateful por todos vocês, de verdade. Tenho menos de um ano postando fanfics aqui e vocês estão sempre me dando total apoio com qualquer coisa que faço. Me sinto feliz por saber que ligeiramente eu ensino algo a alguém. Ainda que seja uma bobagem, mas o aprendizado é o que me move a escrever. Obrigada pelo nosso infinito pequeno espaço de ideias. Obrigada pelos minutos gastos e pelas coisas boas que me dizem o tempo todo.
Feliz ano novo pra vocês, feliz todos 355 dias que ainda vão gastar e lembrem-se do mais importante: Sejam sempre sinceros e honestos com vocês, é só o que interessa no final. Contagem de tempo são formalidades perto da importância de viver todo o dia bem consigo mesmo.
Love todos vocês, beijo e até a próxima att de Lycantropy e A ordem. :*
AAAAAAAA sexta tem música da Lauren e eu to cheia de expectations...
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top